Fugindo da Realidade
16 Viagem. Cap 16
Notas iniciais
Se tem uma coisa que devo adicionar na minha lista que odeio é acordar de 4h, O SOL NEM ACORDOU AINDA, NEM É DIA. Estou cambaleando pela sala ainda dormindo, o ônibus passa as 4 e meia e meu pai está vendo se está tudo certo.
– Está tudo bem querida ? – Meu pai perguntou
– Se você acha que acordar muito cedo e morrer de sono, sim, estou bem.
– Vai ter muito tempo para dormir, a viagem é super longa, leve algo para se entreter, comer, etc.
Não lembro da última vez que fui para casa da minha vó, mas se meu pai diz que é super longa então é super, super longa. Como vou sobreviver a horas sem internet ? Pensei em levar um livro, mas já li todos que tinha na minha estante. Vou levar meu fone de ouvido, talvez eu durma muito tempo e nem veja o tempo passar.
Eu e meu pai estamos na parada, provavelmente não somos os únicos que resolvemos viajar hoje de ônibus, muita gente esperando o ônibus, algumas morrendo de sono, como eu. Outras já agitadas vendendo coisa, quando o ônibus chegou estava quase lotado, subiram algumas pessoas e eu subi, tive que sentar na última fileira que tem espaço para 4 pessoas, meu pai ficou lá na frente com o cobrador porque não tinha mais vaga para ele, do meu lado direito tinha uma menina mais ou menos da minha idade com o namorado que parecia um pouco mais velho, tinha eu e do meu outro lado uma mulher que falava no telefone desde que chegamos na parada. Os primeiros minutos foi tranquilo, as pessoas estavam com sono, eu estava com sono, a mulher continuava no celular e agora falando quase gritando, o casal de namorados estavam com a cabeça encostada um em cima do outro, poderia ser desconfortante, mas eles dormindo parecia ser a coisa mais confortável do mundo. Não consegui dormi por motivos de: Estrada terrível. Coloquei meu fone e fiquei escutando música, só consegui perceber três pessoas acordadas, a mulher do telefone, eu e um menino mais novo que eu que estava escutando música e cantando muito alto.
Dormi
Dormi
Dormi
Acordei meia desorientada, olhei a hora do celular eram 7 horas, a mulher continuava no telefone, não acredito ! O casal de namorados ainda estava dormindo e os outros passageiros pareciam está vivendo a vida deles, não tenho meu pai por perto para perguntar se já está perto como no passado, hoje não tenho ninguém por perto literalmente, será que alguma vez tive ? Bem, antes eu tinha minha mãe, depois algumas pessoas da minha escola, como eu amava o ensino fundamental, mas será que minhas professoras que me amavam tanto porque eu tirava notas altas me amava mesmo ? Bem, não tive mais notícia delas quando sai da escola, estariam ainda vivas ? Com seus filhos ? Volto a prestar atenção na música. Algumas horas ou alguns minutos que pareceram horas passaram e quando eu olhei para o lado o menino estava me encarando, a mulher desligou o telefone e estava dormindo, a namorada dele também estava dormindo, o ônibus estava calmo e o que eu fiz ? Encarei de volta, pode não parecer uma coisa certa, mas nunca tinha encarado ninguém e tenho que encarar o Dylan, uma coisa sobre encarar: É sinistro.
Depois de alguns minutos a gente se encarando pareceu virar um jogo, mas o jogo acabou quando o menino tentou colocar a mão na minha perna e sem querer acordou a namorada dele, eu queria que ela visse o que ela tinha acabado de fazer, mas quando ela acordou ele te deu um beijo e disse “Bom dia meu amor” Eu continuei encarando ele, mas com uma cara mais séria. A mulher se mexeu e sem querer bateu em mim e eu soltei um gemido meio alto.
– Ai – Falei
Ela acordou meia sem saber aonde estava e olhou para mim recapitulando o que tinha feito, parecia que eu podia ler os pensamentos dela, ela tentando lembrar se tinha feito alguma coisa para mim e depois de alguns segundos ela finalmente falou.
– Desculpa querida, eu bati em você ? – Ela perguntou.
– Sim, mas sem problemas. – Respondi.
– Você é adorável, qual seu nome ? – Ela novamente perguntou com um tom de voz de que estava interessada.
– Meu nome é Sophia, e o seu ? – Não tinha tanto interesse no nome dela, mas não queria ser mal educada.
– Meu nome é Mycon – Ela disse.
Calma, Mycon não era nome de homem ? Coitada dela ... Ou dele ? Acho que fiquei com uma expressão meio curiosa e acho que ela percebeu.
– HAHAHA Sem problemas, bem, não sei para você, mas todo mundo fica assim quando me conhece, aquele papo de cirurgia e tal. – Ela explicou como se já tivesse dito várias vezes.
– Entendo, quer dizer, não que eu já tenha feito, mas você me entendeu.
Ela soltou uma risada e disse
– Entendi sim querida.
Voltei para minhas músicas, agora pensando em Dylan, John, Halana. Como será que vou conhecer eles ? O John vou conhecer primeiro no único shopping da cidade, próximo a uma livraria, combinamos que ele estaria de camisa laranja e eu não sabia a cor da minha camisa porque qual mulher sabe a cor que vai usar em mais de 5m antes ?
O ônibus parou, ufa, nem demorou muito. Meu pai abriu a porta e disse
– 15 minutos para lanchar, estamos na metade do caminho. Vai querer alguma coisa querida ? – Perguntou meio gritando
METADE DO CAMINHO ? Melhor eu sair, minha bunda já está ficando quadrada. Sai para comer com um dinheiro que meu pai tinha deixado, não sabia bem o que escolher, sentei em uma mesa para ver o cardápio, o restaurante era meio rústico e não tinha muitas pessoas, a estrada só tinha plantas, nada mais. Já era 9 horas e eu estava com fome, fiquei esperando algum garçom me atender quando do nada aparece o menino-que-encarei-e-tem-namorada.
– Olá Sophia, sou o Eric
O menino-que-encarei-e-tem-namorada agora tem nome, mas ele sempre será o menino-que-encarei-e-tem-namorada.
– Olá Eric, acho que vou querer um x-burguer por favor.
– HAHAHAHAHA, acho que você me confundiu com algum garçom gato daqui.
– Existe garçons gatos aqui ? Me apresenta, mas se for igual a você melhor não.
– Sempre ouvi dizer que marrentas são as melhores.
– Legal.
– Quantos anos você tem ?
– Cadê sua namorada ?
– Está no banheiro, vamos pedir algo e voltar para o ônibus antes que ela venha.
– Porque você pensaria que voltaria para o ônibus com você ?
Vi que meu pai me observava um pouco afastado com uma cara séria, mas ele não me viu.
– Primeiramente diga o seu pedido que vou comprar, se você ficar sentada aqui eles nunca vão te atender. Diga seu pedido e volte para seu acento senhorita.
– Nossa, dando uma de cavalheiro, obrigada. Quero um salgado apenas.
Voltei para o ônibus, a “mulher” estava de volta no telefone agora meia estressada, não entendi muito porque ela só dizia “Arram”, mas a cara dela não era uma das melhores, minutos depois o menino-que-encarei-e-tem-namorada chega com pastel e um refrigerante e me dá.
– Eu só pedi o pastel
– Vai por mim, os pasteis são muito secos, você não vai querer só um pastel.
– Hm, obrigada.
Dei o dinheiro, mas ele negou, ameacei que ia dar para a namorada dele, só assim ele aceitou, a mulher do telefone ficou olhando a gente, acho que ela pensa que temos um caso. Nunca pensei que eu um dia fosse “flertar” com um menino que tem namorada, eu não consigo nem apresentar um trabalho !
A mulher pediu um pedaço do meu pastel, não é por nada, mas eu sou adepta a uma estranheza que eu mesma criei que ela abomina pedir/dar um alimento que a pessoa pode comer inteira, como por exemplo um pastel, um salgado, um bolo, etc. E concordo totalmente em pedir/dar algo que vem vários como por exemplo uma pipoca, pacote de bolacha, algo separado. Não consigo comer algo que tenha vindo da boca de alguém, fingi que odiei o pastel e dei todo para o mulher do telefone.
– Eu posso comprar outro se quiser – Falou o menino-que-encarei-e-tem-namorada.
Meu pai chegou e perguntou
– Ele está te incomodado em algo querida ?
Meu pai me mata de vergonha.
– Não pai.
Todos os passageiros chegaram inclusive a namorada do menino-que-encarei-e-tem-namorada. Eles brigaram um pouco porque ele não esperou ela sair do banheiro, adoro briga de casal, pelo visto a mulher do telefone também adora porque ela ficou encarando eles e com um ar de sorriso. Ele apenas beijou ela e parece que todos os problemas se resolveram, eles trocaram de lugar agora ele estava do meu lado, cochichei para ele.
– Se tentar alguma coisa, eu grito.
Dormi
Dormi
Eu avisei a ele que iria gritar, ele pegou na minha mão, ate então eu não tinha sentido e ainda estava dormindo ate que ele levou minha mão para a calça dele e quando estava prestes a tocar eu gritei, gritei talvez alto demais porque o ônibus parou e todos olharam para mim, meu pai abriu a porta apressado, o menino ficou paralisado ainda segurando minha mão, a namorada dele viu e todos viram, será que eu tinha estragado um relacionamento ? Eu e ela trocamos de lugar com pessoas da frente, fui do lado do menino que estava cantando, mas finalmente cheguei a cidade de minha vó.
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