Fugindo da Realidade

17 Encontro com o John. Cap 17


Sophia

Cheguei na cidade da minha vó. Muito por aqui mudou, começando na entrada, antes era uma cidade pacata que parecia que só morava velhinhos e quando um morria todos iam visitar porque todo mundo se conhecia, ai chegou o Bean e construiu o único shopping, no começo ninguém ia, na verdade só encheu quando uma mulher resolveu dar aula de fisoterapia dentro do shooping. Parecia que todos os velhinhos do mundo todo se reunia para morar lá, mas agora tudo mudou, na entrada da cidade tem um placa e algumas pessoas se fumando crack ao lado, bem, eu não sei se é fumar crack, cheirar crack, comer crack, mas o que seja, elas estavam se drogando. Sai do ônibus pois a casa da minha vó era um pouco longe e eu e meu pai iríamos de taxi para lá, demorou alguns minutos ate eu chegar na casa da minha avó e meu pai me enchia de perguntas sobre o que tinha acontecido e porque eu tinha gritado e eu estava já estressada com essas perguntas, amanhã eu iria conhecer o John, espero que meu pai não me siga ou não tenha nada melhor para fazer.

– Pai, amanhã vou sair pela cidade ok ? – Perguntei já avisando para ele não dar nada errado.

– Como quiser querida, o Ren pode ir contigo ?

– Quem é Ren ?

– Seu primo, acho que ele tem uns 12 anos.

Ótimo, sempre quis um pirralho no meu pé.

– Não, vou sozinha

– Como quiser.

Chegamos a casa da minha vó, não tinha mudando muito, logo apareceu o tal de Ren e a tia Mary, minha vó Merlinda estava dormindo, fui para um quarto de hospedes que nem me cabia direito, OH GOD, AQUI TEM INTERNET. Não acredito ! Aqui tem também um computador daqueles antigos, várias mensagens chegaram no meu celular de Dylan e John preocupados. Só enviei que estava viva, e disse a hora que iria encontrar o John, ele pediu para eu não dizer a ninguém, apenas concordei. O resto do dia é aquela coisa de família quando se encontra e bla bla bla. Ganhei um vestido lindo da tia Mary e uma boneca da minha vó. UMA BONECA.

John

Meu deus, essa cidade é um ovo ! Não acredito como alguém mora aqui, ontem fui no shopping perto da livraria para ver onde eu e Sophia iríamos encontrar, mas aqui não tem nenhum parque nem nada, só uma praça que a noite fica lotado de gente, parece que todos os jovens da cidade combinam em ir todos para a praça a noite, fiquei um pouco distante porque tinha pessoas se drogando e eu não quero ficar doidão quando encontrar a Sophia. Nada de muito emocionante aconteceu, não me surpreendia se o Dylan estivesse naquela roda de pessoas se drogando.

O amigo do meu pai que estou na casa dele na verdade é uma amiga, ele fez uma cirurgia para mudar de sexo, ele é muito engraçado, não sabe cozinhar e só me disse uma coisa “Viva, menos se drogue.” Parece que todo mundo aqui se droga, ele me deu uma chave reserva para eu chegar a hora que quiser, amanhã vai ser um longo dia, então vou dormir cedo para tentar acordar cedo, já que não consigo acordar sozinho.

Pai da Sophia

Não sei se a Sophia gostou muito daqui, ela ficou surpresa com o fato de aqui ter internet e não gostou muito do Ren, ela amanhã quer “passear” por ai, não sei não. Essa cidade é muito perigosa, antes de todos dormirem eu tive uma conversa com minha mãe sobre a avó de Sophia que quer vim para aqui e falar com a Sophia.

– Mercia ? Aqui ? Com Sophia ? NÃO. – Ela parecia muito preocupada

– Eu sei, não posso deixar que ela encontre a Sophia, mas também não posso mentir para a Sophia sobre ela.

– Você já mentiu esses anos todos, a vida dessa menina é uma mentira. Uma a mais ou uma a menos não vai fazer diferença, agora se essa menina descobrir toda a verdade é o fim.

– Sophia também não é burra, é melhor eu organizar todo o encontro do que elas se encontrarem mais cedo ou mais tarde e eu ser o vilão da história, Mercia não vai desistir.

– Você não pode deixar.

– O que você quer que eu faça ? Que eu mate aquela velha ?

– Seria uma boa ideia, mas você já tem problemas demais, apenas não deixe o encontro acontecer.

– Ela já está vindo para aqui, eu não posso

Antes mesmo de acabar a frase já estava chorando, eu não podia deixar que ela estragasse meu relacionamento com Sophia, mas não sei mais de nada, essa viagem vai ser muito longa, melhor eu dormir, tenho muita coisa para resolver desse mundo de Sophia.

Sophia

Não dormi muito bem, a cama é dura, odeio cama dura, passei a noite espirrando e eu acho que os ácaros tomam conta do meu corpo, Ren me acordou puxando os meus pés, todo mundo já estava acordada e achando engraçadinho um pirralho bater em mim, se não fosse por esses encontros esse seria a pior viagem da minha vida. Resolvi focar um de cada vez, hoje vou encontrar o John e resolvi esquecer Dylan ou Halana.

Já estou a caminho do Shopping, John me enviou uma mensagem dizendo que já estava lá, confesso que estou com um pouco de medo. Para minha surpresa/alivio o John estava lá, estava sozinho em frente a livraria de braços cruzados parecendo muito nervoso, cheguei mais perto dele.

– John ? – falei sorrindo

– Ai meu deus você é real – Ele disse olhando fixamente para mim e tremendo um pouco

– Ai meu deus John – falei mais alto

– Eu não acredito, me belisca. – Ele falou

Belisquei ele, os braços dele pareciam mais finos que o meu, ele estava de manga comprida e estava fazendo muito calor, bem, não aqui no shopping, mas lá fora era um calor infernal.

– Ai – Ele gritou sorrindo

Depois de muitos abraços e surtos, ainda não acreditava, estava tão perfeito, ele era o melhor amigo que alguém poderia ter, compramos um sorvete.

– E ai ? Como é na casa de sua vó ?

– Uma chatice, preciso acordar cedo pelo Ren, um pirralho que bate em mim e todos riem.

Contei a ele sobre o incidente da minha viagem com todos os detalhes, ele me observava atentamente como se cada coisa que eu falasse ele gravasse na memória para nunca esquecer, mas isso me deixou um pouco envergonhada, ate ele começar a falar, e conversamos por um bom tempo, uns 30 minutos eu acho, fomos em uma loja de games jogar um pouquinho, quando o John levantou a manga da camisa para ficar mais concentrado no jogo vi alguns arranhões.

– Ai meu deus, o que é isso John ?

– O cara, amigo de meus pais, tem um gato. Acho que ele não gosta muito de mim

Ri um pouco e fiquei observando aquilo, não parecia arranhões de gato, mas que seja, tinha que aproveitar cada segundo com o John. Depois de jogarmos fomos para a praça de alimentação.

– Esse shopping é vazio – Ele falou

– Sinistro.

– Nunca vi um shopping tão vazio.

– Nem eu.

– Você vai encontrar o Dylan

Ele falou aproximando mais o rosto do meu

– hm, acho que sim

Não podia dizer quando iria encontrar, não queria.

– Claro que vai.

Se aproximava mais

– Se tudo der certo

Se aproximava mais, virei o rosto.

– Olha que ridículo aquela velha com um vestido de oncinha.

Ele percebeu que se a intenção dele fosse me beijar eu não queria, rimos muito, se abraçamos mais, tiramos algumas fotos, mas meu pai me ligou e perguntou se queria que eu fosse buscar, eu disse que não. Então tive que me despedir do John

– Você vai ficar aqui ate quando ? – Perguntei

– Ate sexta talvez.

– Temos que nos encontrar outra vez

– Temos.

Não foi ruim, pelo contrário, foi ótimo. Não é como conversar por sms porque você não tem tempo para pensar ou responder na hora que quer, mas nada como um abraço de um amigo virtual, quando o John ia lá na frente vi meu pai entrando no shopping. Ainda bem que ele não me viu com o John, vou encontrar o Dylan amanhã em uma espécie de restaurante, espero que ocorra tudo certo como ocorreu com o John.