Fugindo da Realidade
18 Encontro com o Dylan. Cap 18
Sophia
Acordei. 12 horas. O QUE ? Preciso encontrar o Dylan de 13h, estou morrendo de fome, não sei o que pensar. Pego a mala e não tenho tempo para escolher roupa, vou com o vestido que minha tia me deu, apesar de não ser bem apropriado. CADÊ UM PIRRALHO TE BATENDO PARA VOCÊ ACORDAR QUANDO SE PRECISA DELE ? Não tem ninguém em casa, só meu pai.
– Porque está tão apressada querida ? – Perguntou ele quando me viu correndo pelo quarto
– Preciso sair, conheci uma menina ontem no shopping, vou encontrar ela agora.
– Quer comer algo ?
– Não.
Estanho meu pai me deixar sair sozinha em uma cidade perigosa para qualquer lugar sem nem perguntar para onde vou, mas que seja, tudo que quero agora é ver o Dylan. Recebi um SMS da minha vó indicando o endereço de onde estava hospedada e mandou eu ir para lá quando eu quisesse ate sexta feira.
Sai em direção ao “Restaurante” que ia encontrar o Dylan, é longe daqui, não sei ir por um caminho perto, na verdade não sei nem como chegar lá, vou pedir informação a primeira pessoa que passar por mim. Vinha em minha direção um grupo de meninos com casaco preto, eles pareciam me encarar então entrei em uma floricultora que estava em frente para disfarçar, bem, talvez seja melhor eu perguntar a segunda pessoa. Quando sai da floricultura e olhei para trás para ver o grupo de jovens quem eu encontro a alguns metros ? Meu pai. Acho que ele não me viu olhando para ele. Vou entrar no shopping que fica a alguns metros daqui e tentar despistar ele.
Cheguei no shopping, entrei em uma loja, subi no outro andar, ótimo, ninguém atrás de mim.
Pai de Sophia
Não dormi nada pensando em como iria ser hoje, o encontro com o John foi tranquilo, mas não sei como vai ser esse encontro com o Dylan, aquele menino nunca pareceu boa coisa. Eu estava lá quando o John se aproximou perto demais da cara da minha menina, mas ainda bem que ela virou a cara. Pelas conversas que ela tem com o Dylan, ela não vai virar a cara para ele, mas vou impedir isso nem que seja preciso virar a cara daquela pessoa a força. Eu sei, devia ter intervido esse encontro a muito tempo, mas queria ver como a Sophia reagiria conhecendo estranhos e mentindo para mim e descobri isso da pior maneira.
Hoje todos saíram, foram em um aniversário da vizinha, o encontro da Sophia é Dylan é as 13h, não acordo ela para parecer que tudo está dando errado, mas ela acorda sozinha as 12h com pressa então entro no quarto dela.
– Porque está tão apressada querida ? – Perguntei.
– Preciso sair, conheci uma menina ontem no shopping, vou encontrar ela agora.
– Quer comer algo ?
– Não.
Quando ela saiu, segui ela, não segui completamente pois já sabia aonde ela ia, mas acho que ela não sabia onde ficava o lugar, de repente depois de sair de uma floricultura ela olha para trás. Droga. Ela começa a andar depressa, vai para o shopping, acho que ela pensa que vai me despistar, entro no shopping e pareço não ver mais ela, então saio e vou para o endereço onde eles vão se encontrar.
John
Acordo um pouco cedo, graças a halana sei a hora e o lugar que Sophia e Dylan irão se encontrar, na verdade estou mais ansioso para o encontro deles dois do que para meu encontro com Sophia, tentei meio que beijar Sophia, não sei o que deu em mim, mas ela é tão linda, enfim, tenho que esquecer isso, ela é minha amiga e nada mais. Ajudei a o amigo do meu pai a arrumar as coisas e descobri que sou um péssimo dono de casa, ele pior ainda. Como eu não saberia onde ficar resolvi ir mais cedo, ótimo, o lugar é perto de uma praça, uma praça meia deserta, mas mesmo assim uma praça.
O restaurante que eles vão não é bem um restaurante, é um lugar meio esquisito, não sei com que roupa o Dylan vai e sou péssimo com rostos então não vou reconhecer ele, fico escondido na praça com um boné que parece tampar a minha cara esperando a Sophia chegar. Se ele for qualquer homem que não seja o que ele falou ou abusar da Sophia eu vou bater nele, posso apanhar, mas bato ! Se ele for realmente o Dylan, ai tentarei deixar os dois a sós, eles merecem um encontro, me sinto meio inseguro, queria que a Halana estivesse aqui.
Sophia
Cheguei mais cedo ao local, antes eu chamava de bar, depois restaurante, “restaurante” e agora local porque isso não merece um nome, é uma espécie de cozinha onde deve sair uma comida horrível, mas uma mistura com restaurante e gente bêbada não sei muito bem porque o Dylan marcou aqui, mas como ele disse é um local bem reservado muito bom para uma conversa.
Em frente tem uma praça, não tinha ninguém na praça exceto um garoto com um boné que era maior que a cabeça e uma roupa 2x maior que ele, aposto que é um sem teto que estava se drogando, o Dylan ainda não está aqui, bem, não aquele da foto. Devo tomar cuidado não é ? Aqui tem umas 5 pessoas, 3 homens bebendo em uma mesa, eu e uma menina que parece que tinha se drogado. TODO MUNDO NESSA CIDADE É USUÁRIO DE DROGA ?
EU. NÃO. ACREDITO. O Dylan chegou, ele estava vestido com uma jaqueta preta e uma camisa vermelha por baixo (o que é estranho porque está calor, mas todo mundo nessa cidade parece usar jaqueta) ele vinha se aproximando com um sorriso bobo e eu não sei que expressão eu estava demonstrando, mas sinceramente eu acho que estou apaixonada.
Pai da Sophia
Sophia chegou ao local, em frente tem uma praça, mas Sophia me reconheceria, no shopping eu comprei roupas diferentes e comprei uma peruca, não acredito que estou usando peruca. Resolvi ficar do lado do bar, Sophia me parece preocupada e fica olhando a hora de 1 em 1 minuto, será que o tal de Dylan deu um bolo nela ? Eu estou com uma faca para qualquer coisa, no bar tem alguns homens então eu já estou preparado para se um deles for o Dylan, ninguém vai encostar na minha menina, nem um adolescente.
Sophia olha fixamente para um garoto que está vindo na direção dela e sorrindo, ele está chegando mais perto e mais perto parece ate que tudo ao redor não existe só eles dois, como em um filme passando em câmera lenta, o fato de ele ser realmente um adolescente não exclui o fato de ele ter cara de drogado e poder ser perigoso.
John
Sophia chegou, eu estou aqui na praça observando ela, mas não posso olhar muito porque as vezes ela olha para mim, será que ela me reconheceu ? Eu estou preparado para qualquer coisa, não tenho arma, mas tenho minha vida (que nem vale muita coisa mesmo), mas vou arriscar, por ela.
Dylan chega, ele veste um típico visual de drogado daqui, uma jaqueta e uma camisa vermelha e uma calça, nem está frio. Apesar de eu está com uma calça e uma roupa muito larga, ele se aproxima de Sophia, não quero ver isso. Eu podia ir embora, mas algo me prende e resolvo ficar e ver essa palhaçada.
Sophia
Por um momento eu achei que estivesse sonhando, lá estava vindo a pessoa que eu mais queria conhecer, a pessoa que me irritava, mas que me fazia bem, a pessoa que me animou e desanimou, a razão do meu viver (NÃO, ESTOU EXAGERANDO), pelo menos ele não é um velhinho de 60 anos. Ele chegou, acho que ele queria me beijar, mas nos abraçamos, bem, não que eu viraria a cara para ele, mas nem conheci ele direito.
– Você não é um velhinho de 60 anos – falei.
– Na verdade sou o neto dele, prazer.
–HAHAHAHAHA Estou tímida porfavorfalealgumacoisaporqueeunãoseioquedizer – Minhas palavras saíram rápido demais, como se todas fossem uma palavra só.
– Você é linda, sem mais.
– Está me deixando mais tímida
Sentamos, ele pediu algumas batatas fritas, eu também pedi a mesma coisa, estava morrendo de fome literalmente. Não cansava de olhar para ele, como ele também me encarava e logo depois ficou um jogo de sério igual ao menino do ônibus que tem/tinha namorada. Conversamos sobre a viagem, contei tudo e ele contou sobre o como tinha ficado preocupado quando eu sumi.
– Vamos jogar o jogo da verdade ? – Ele sugeriu.
– Ai deus, jogo da verdade, olho a olho, socorro. Ok.
– Qual foi a primeira coisa que você pensou quando me viu ?
– Hm, acho que estou apaixonada. – Não tinha porque mentir, era o jogo da verdade.
– HAHAHAHA
– E você ?
– Nossa, conversei todo esse tempo com uma mina gostosa, devia ter encontrado faz tempo.
– Bem, estamos aqui.
– Ainda bem.
Ele me olhava sério, os homens já estavam totalmente bêbados e iam saindo, e Dylan se inclinava e pegou na minha Coxa por debaixo da mesa e eu fechei os olhos e
Pai de Sophia
O garoto chegou perto da Sophia, conversaram um pouco, entraram no bar, resolvi guardar a faca, mas o olhar da Sophia para ele, como ela dava sorrisos parecendo o melhor dia da vida dela só deixavam as coisas piores, eu estava com raiva dele, estava com raiva por ele fazer ela se divertir e eu não consegui fazer isso em nenhum momento em todos esses anos. Não estava com raiva, estava com ódio.
Depois de alguns minutos conversando ele estava chegando mais perto dela e estava se inclinando, eu não iria fazer nada, mas ele colocou a mão na coxa dela e a partir daí eu comecei a me mexer, questão de segundo, eles estavam bem próximos e eu gritei.
John
Depois deles se abraçarem e conversarem sobre algumas coisas eu resolvi que eu deveria ir embora, ela estava muito contente, mais contente do que quando me encontrou será ? Uma voz em mim gritava: DEIXA DE SER ESTÚPIDO, VOCÊ E DYLAN SÃO PESSOAS DIFERENTES, ELA FICOU CONTENTE EM TI CONHECER E COM O DYLAN TAMBÉM. Mas na verdade eu queria que o encontro do Dylan desse tudo errado.
Acho que passou uma estrela cadente e realizou meu pedido porque um homem está se aproximando demais, será que aquele é o pai de Dylan ou algum sequestrador contratado por Dylan ? Não tenho o que pensar, só agir. Saio correndo da praça em direção a Sophia.
Sophia
Em vez de sentir o beijo sinto alguém me puxando da cadeira por trás, um homem, meu pai. Eu não acredito ! Eu caio da cadeira, será que meu pai não podia arranjar briga só depois das batatas fritas ?
– Quem é esse ? – John fala já preparado para bater nele
– Ai meu deus, é meu pai. – Respondo quando vejo o garoto drogado se aproximar correndo, ótimo. Será que algo pior poderia acontecer ? Para minha surpresa aconteceu, o garoto é John. Meu pai deu um soco no Dylan, não acredito !
– OLHA AQUI, NÃO SE METE COM A MINHA MENINA. – Gritou meu pai cuspindo em Dylan
– Ela já tem idade suficiente para fazer o que quiser – Respondeu Dylan limpando o sangue que saia da boca
– Eu não estou entendendo nada, quem é esse homem ? – Perguntou John.
– Eu sou o pai da Sophia, John. Saiam daqui, saiam todos.
Eu não conseguia falar nada, eu estava paralisada olhando o Dylan sangrar pela boca e o John aparecer de repente, apenas gritei, gritei alto e forte.
– PAREM ! – Acho que tiveram medo de mim
– É isso que eu gosto de ver ! HAHAHAHA – falava a menina que estava sentada comendo um hambúrguer gorduroso.
Meu pai estava em pé próximo ao John e Dylan do outro lado da mesa, o dono do restaurante estava se aproximando e eu estava ainda no chão chorando.
– BRIGA AQUI NO MEU RESTAURANTE NÃO ! SAIAM ! – Gritou o dono do restaurante.
Todos fomos para a praça, o John e o Dylan queriam ir embora, mas eu ordenei que eles ficassem, aquela menina tímida e com medo de tudo não estavam mais no meu corpo, agora eu estava com ódio do meu pai e do John, eu queria ouvir toda a verdade, mas mesmo assim Dylan queria ir embora.
– Acho que vocês tem que ter uma conversa a sós, eu só não te bato porque não quero ir para a cadeia velho. – falou Dylan
– Não Dylan, acho que vou precisar de um local para passar a noite. Acho que vocês devem explicações !
– Eu só queria proteger você, se algo desse errado eu me arriscaria por você – falou John com a cabeça baixa
– Você não é um super herói viadinho – Respondeu Dylan com rispidez
– Como vocês sabiam de onde a gente iria se encontrar ? – Perguntei
– Eu obriguei a Halana a mim falar – falou John
– Eu sou a Halana. – Disse meu pai.
Não sabia o que fazer, agora sentia que não podia confiar em ninguém, nem em meu próprio pai então me deu apenas uma vontade de correr, correr para bem longe, não me deu vontade de chorar ou fazer escândalos, só de correr e foi isso que fiz. Corri como se nunca tivesse dado meus primeiros passos, cambaleei tropeçando em algumas coisas, sem olhar para trás, eles iriam correr atrás, mas eu tinha vantagem porque sou mais magra que eles, corri ate cair, senti meus pés fracos caindo no chão, senti um impacto na minha cara, doeu, mas não tanto quanto o que aconteceu antes. Comecei a rir, uma risada seca, uma risada falsa, depois uma gargalhada, uma gargalhada com desprezo de mim mesma e depois implorei por batatas fritas.
Fale com o autor