Fugindo Da Morte

1 Primeiro Encontro com a Morte


Notas iniciais
Hey! Me desculpem pelos "eh", pois o computador que eu uso na maioria das vezes esta com problemas e não da para colocar muitos acentos, os outros que estão corretos foram escritos no outro. Comentem, nem que seja criticas, pois eh frustante ter mais de 70 visualizações e 1 comentario. Se acharem erros ortograficos me mandem mensagens ou deixem nos comentarios escritos qual e aonde que irei corrigir. Obrigada e boa leitura! " *Uma ultima nota de sua narradora* Os seres humanos me assombram" -Morte, A menina que roubava livros, página 382. ZUSAK, Markus

Não se pode fugir da morte. Eu tentei. Tentei fugir, juro. Mas não consegui. Afinal, quem consegue fugir da morte? Bem, vamos as apresentações.

Meu nome é Winicios. Tinha 13 anos. Hoje eu teria 24. Tenho cabelos pretos e bagunçados, a pele que antes era um pouco morena, hoje é pálida. Eu era alto para a idade, tenho olhos azuis como o céu, mas estavam sempre escondidos em baixo de uma touca. Lauren, minha avó, me achava muito bonito, mas também, que vó não acha o neto bonito? Sobre a minha personalidade não tenho nada a falar, tomem suas conclusões no final dessa historia, mesmo que é provável que estejam errados.

Não lembro muito da minha perturbada infância. Quando eu tinha 4 anos meus pais morreram em um acidente de carro, quando voltavam as duas da manha de um bar, e estava com minha babá. So me lembro de acordar com o choro de minha baba e estar 2 horas depois no hospital a tempo de ver meu pai perdendo muito sangue e morrendo nos corredores dos lotados hospitais públicos da cidade (ja deu para ver nossas condições financeiras), e minha mãe, que não teve nem essa chance (como se adiantasse muito adiar a morte para ficar sofrendo, eh importante vocês intenderem que não vejo motivo para uma pessoa viver sofrendo, isso sera útil mais para frente ), ela morreu no local mesmo. Como meus parentes não tinham contato ou não tinham condições para ficarem comigo, fui parar em um lar para adoção, o Denvist. Fiquei lá por mais ou menos 1 ano, quando soube que minha avó tinha ficado viúva. Tendo 61 anos, estava muito solitária e abalada, então, duas semanas depois da morte de meu avô, mesmo com poucas condições financeiras e já com mais idade, ela entrou na justiça pela minha guarda. Foi um longo processo de uns 9 meses, mas acho que no fim, a justiça viu a bondade e o sofrimento em meus olhos, uma criança de quase seis anos que tinha perdido os pais e de uma senhora de 62 anos que perdera o marido. E no fim, minha avó conseguiu minha guarda. A casa dela era em uma pequena vila, muito pobre. Nossa casa era de uma madeira fraca, que em um frio rigoroso ou em uma forte chuva, não aguentava. Tinha apenas um pequeno quartinho de minha vó, que era de um branquinho clarinho, e o meu, que um dia fora de meu pai e de seus irmãos, também muito pequeno, da mesma cor que o resto da casa, um verdinho desbotado. Nós vivíamos com o que tinha, e muito bem. Ela sofria de problemas cardíacos. No tempo, como eu só tinha 6 anos, não sabia o que era, pois ninguém me dizia. Os vizinhos a levavam semanalmente para o hospital mais perto, que fica a 40 minutos da vila. Lá ela fazia muitos exames e teria que tomar um remédio para curara-la, mas como o remédio era muito caro e nos não tínhamos condições, ela ficava sem. Cada vez que tinha um ataque cardíaco, eu chamava os vizinhos e ia para fora. Eu não sabia o que eles faziam, apenas sabia que funcionava. Era 20:05 da noite. Ja tinham se passado 5 meses coma minha vó, e eu estava entretido em minha imaginação com meu carrinho vermelho. Esse era meu horário habitual para dormir, mas eu estava concentrado em minha brincadeira, então, fiz uma manha e carinha de pobrezinho que nenhuma avó resiste, e ela claro, não resistiu e foi fazer um leitinho com Nescal para ganhar tempo. Não me culpem, pois eu estava em minha maravilhosa imaginação, mas não vi o tempo passar. Já tinha passado meia hora que vovó tinha ido, e não percebi, como eu estava muito fora da minha rotina, o sono me venceu. Quando entrei, estava prestes a falar algo, mas as palavras ficaram presas em minha garganta quando vi o Nescal derramado por todo o chão e minha avó, no igualmente no chão, pálida e com os lábio roxos, dava para ver por cima de sua roupa que seu peito não puxava mais ar. Com o pânico, me aproximei e chamei aos berros e choros os vizinhos. Sai para a rua, como sempre que acontecia quando as crises cardíacas aconteciam, mas dessa vez eu não estava calmo pois sabia que ela estava morta. O tumulto começou a se formar em minha casa, ninguém me deu informações sobre ela, mesmo eu já sabendo o que estava acontecendo. Estava tão apavorado e com sono, já que tinha se passado 1 hora de minha hora de dormir, então dormi chorando ali mesmo. Acordei na manhã seguinte com os olhos inchados. Não parecia real, parecia um pesadelo. Fui até a sala, e ao invés de ver minha vó, vi Alex, nossa vizinha, no sofá, também chorando. Ela explicou que na noite anterior eles tinham levado Lauren correndo com o carro para o hospital, mesmo sabendo que já era tarde. Lá eles mandaram para a autopsia e foi dito que a causa da morte foi um infarto. Passei duas noites na casa de Alex, duas difíceis noites, quando um representante do lar adotivo bateu na porta e me levou, e lá estava eu de novo no Denvist. Tres semanas depois, meus tios, irmãos da minha mãe, me adotaram. Eles nunca se deram bem com minha família, e quando eles morreram, estavam brigados. Quando era bebê, nunca foram me visitar, acho que eles me adotaram por pena. Eles também não gostam de mim, talvez eu lembre muito minha mãe. Enfim, fui adotado rapidamente e dos meus 7 anos até minha morte, morei lá, mas nunca me dei bem com eles. E esse pequeno mal relacionamento

Logo que fiz 8 anos fui para a escola, mas com todo o meu trauma de quando pequeno, nunca tive amigos “bons”, meus amigos eram má influencia, principalmente depois dos 10 anos. Também não era muito bom na escola, minhas notas sempre foram baixas, pois não recebia a atenção necessária e não tinha acompanhamento psicológico. Com o tempo tudo foi piorando, eu virei violento e rebelde, virei o que os policias chamariam de delinquente.

Minha gangue me mostrou um antigo galpão abandonado, em um bairro fantasma, onde vendia armas ilegalmente, drogas, mercadoria roubada, e tudo de ruim e ilegal que tu possa imaginar. Nós chamávamos lá de Galeria. A Galeria era um antigo galpão, era escuro, e as madeiras eram velhas, a única iluminação era a luz que passava pela madeira velha já comida um pouco pelo cupim. Dizem que nos anos 70 o lugar era uma fabrica de fabricação de borracha, mas foi abandonada depois da invasão de rebelde no bairro. Com essa invasão, a população foi se mudando e os funcionaram reduziram em 50% e assim, ela faliu. Isso explica também por que o bairro é abandonado. Claro, existe gente morando no bairro, na maioria são bandidos, traficantes, sem tetos, e toda essa gente. Muitos mendigos se aproveitaram e se instalaram na galeria. Minha gangue me ensinou a assaltar, e eu assaltei muitas vezes. Só parei na cadeia 1 vez, a meses atrás, e desde então, meus pais acham que eu não faço mais isso, iludidos. Eu comprei duas armas na Galeria, uma pistola 380 automática e uma Pistola 38 cano longo. Ótimos amigos. Eu não assaltava pelo dinheiro. Nossa família era de classe media, não faltava nada de “básico”, eu fazia isso por diversão e psicólogos iriam dizer que é meu modo de lidar com os problemas. Depois do assalto, eu ia para casa e escondia o que roubei embaixo da cama por alguns poucos dias, ate o tumulto passar. Depois ia para a Galeria e vendia.

Bem, era dia 15 de outubro e eu tinha acabado de sair de mais uma longa manhã de escola e fui logo para um encontro com minha gangue na Galeria. Mas antes, passei em casa e larguei minha mochila de escola, peguei a mochila de “mercadoria” coloquei minha 380 automática nela e a minha 38 cano alto no bolço da calça, e fui. Meus tios já estavam acostumados há eu não almoçar em casa e passar a tarde fora, eles achavam que era com os amigos, o que não deixava de ser verdade. Depois de 10 minutos de caminhada, cheguei ao meu destino, a galeria. Chegando lá e vi a minha gangue formando um semicírculo, observando algo que estava no centro. Eu fui me aproximando e quando estava bem perto larguei minha mochila no chão e eles abriram um espaço para mim. Lerry, que era um dos meus melhores “amigos” olhou para mim com os olhos arregalados e um malicioso sorriso no rosto e disse “Hey Winicios. Pega e prova isso! O Dans foi pego em um assalto e ele fugiu. A policia esta chegando na casa dele, e ele tinha que se livras disso. Então veio aqui e começou a vender pela metade do preço, acredita nisso?! Eu guardei um pouco para você, pega! E agora você esta me devendo uma”. E ele me estendeu um saco fechado. Inicialmente eu não sabia o que era, pois não conseguia ver bem o que estava dentro, mas depois que eu abri, reconheci, claro. Minha vida toda, tanto dos meus tio, quanto na delegacia e na escola, sempre me alertaram sobre. Sobre o perigo, sobre a destruição que isso me causaria. Eu olhei para Lerry, que estava sorridente, olhei para ele com uma cara de espanto, pois não acreditava no que eles estava me dando. Lerry estava me oferecendo drogas...

Primeiro eu não sabia o que fazer, então joguei o saco no chão, com cara de espanto e nojo. Mas depois que fiz isso, percebi que todos os meus “amigos” estavam me encarando. Seus olhos estavam com uma mistura de espanto, desprezo, nojo e ódio. Quando percebi que eu, na verdade, recusando as drogas, tinha insultado eles, tentei me desculpar. Uma parte de mim, queria sim pegar e provar o produto, mas a outra parte me lembravam de tudo que eu sabia sobre elas. Depois deu ter refletido um pouco, eles me atacaram.

Eu sai correndo da galeria, corri o mais rápido que pude, para frente. Eu levava uma vantagem por eles estarem sob efeito das drogas, pois isso os deixavam atrapalhados. Depois de correr por três quadras, eu criei coragem de olhar para trás e tive a ótima noticia, eles não estavam mais me seguindo. Parei em uma praça, e me atirei no chão. Recuperei o folego, e comecei a refletir sobre as ultimas horas. Uma parte de mim queria voltar correndo e pegar as drogas, mas a outra sentia ódio das pessoas cujo eu denominava amigos. Minhas roupas estavam suadas, e sujas. Eu estava muito muito confuso, com ódio, raiva, e o sangue subiu pela minha cabeça. E foi ai que eu fiz o maior erro da minha vida, e olha que eu tive muitos erros, mas esse é o que mais me arrependo. Peguei minha arma do meu bolço, pois tinha esquecida a mochila na galeria, então peguei aquela mesmo e fui a lojinha mais perto.

Quando entrei, fingi que era apenas um cliente. A loja não tinha muita gente, tinha uma mulher vendo óculos, uma gravida olhando roupinhas de crianças e vestidos, um cara, e um menininho. Eu cheguei, e pedi para a moça do caixa, que era uma idosa de cabelos grisalhos, que em um chute eu daria 50 anos, que pegasse um boné atrás dela. Ela se virou, pegou o boné, mas quando ela foi me dar o boné, deu de cara para uma arma apontada para sua cabeça.

Primeiro ela deu um gritinho, e os outros se viraram e entraram em pânico, mas como de costume, eu gritei com uma voz alta e autoritária “Todos quietos ou eu mando bala! PRO CHÃO!”. E claro, todos obedeceram. Eu não ia atirar, não mataria ninguém, mas queria que os outros pensassem que sim. Peguei uma sacola e fui colocando algumas coisas que estavam por cima do caixa. Estava preocupado com a vovozinha, porque ela estava muito azul e parecia que ia ter um enfarte, e eu já tinha experiências ruins o suficiente com isso , mas não podia me distrair. Quando estava terminando, escutei um murmúrio. Larguei tudo e fui caminhando pela loja, ate achar aonde vinha o sussurro. Parei em frente a vários cabides, tipo um armário, e dentro, escondida, estava a gravida, no telefone chorando. Com um movimento rápido, eu tirei o telefone dela e o joguei longe. Tirei a mulher de dentro e ameacei atirar na cabeça dela. Como a policia ainda estava no celular, eu atirei nele. Nossa, olhando agora percebi que era um Nokia, credo! a arma era bem potente para ter perfurado ele, mas claro, na hora eu não estava com um bom humor para pensar nisso. Não sabia se ela tinha conseguido revelar o endereço para a policia ou não, mas não podia arriscar, a policia mais próxima ficava a no máximo 20 minutos dali. Tinha que agir rapido. Peguei a sacola, coloquei mais umas coisinhas dentro. Estava com pressa e queria agir ligeiro, mas claro que quando você esta com pressa tudo da errado! A sacola caiu, a vovozinha se aproveitou e acionou o alarme, alertando a vizinhança e o menino se aproveitou da minha distração e saiu correndo, escapando. Eu estava com raiva. Droga. Tinham me pego apenas 1 vez! Droga, droga... Eu estava descontrolado. Comecei a atirar para todos os lado, sem pensar em nada. Fechei os olhos e atirei. Para cima, para baixo, para os lado. Só escutei os gritos das pessoas. E depois silencio. Quando eu abri os olhos escutei sirenes mais ou menos proximas, teria 10 minutos no máximo, e não ganharia de carros. A vovozinha me tirou desse pensamento quando disse "Seu monstro!" Ela então se abaixou com lagrimas nos olhos. Meu Deus, como ela era parecida com minha avo. Os olhos caídos, a pele clara e enrugada, os lábios pequenos, toda frágil. Vela chorando e me chamando de monstro era horrível. Eu então olhei para onde ela estava olhando. No chão, estava uma mulher, gravida, com o braço sangrando e com uma poça de sangue no chão, gemendo de dor. Eu entrei em desespero. Eu matei uma pessoa. Tecnicamente ela não estava morta, mas pela quantidade de sangue no chão e a feria... duvidava que ela sobrevivesse. Na verdade, matei duas pessoas, pois a mulher estava gravida. Eu não presto. Olhando para a mulher sangrando no chão, lembrei-me de ver meu pai no hospital, ensanguentado, logo depois do acidente. Minha mãe já tinha morrido, e ele, quase morto pois perdera muito sangue. O que será que eles pensariam se me vissem assim? Então, fiz algo ridículo, e ao mesmo tempo, me aliviou no momento. Olhei para a minha arma, só tinha mais duas balas. A policia chegaria em 5 minutos com sorte, não tinha mais como fugir. Com a primeira bala, dei um tiro na mulher. Hoje eu vejo que foi ate bom. Ela iria morrer, e ficar ali só a trazia mais dor e sofrimento. E depois, depois do silencio da mulher e do barulho dos telespectadores, eu peguei a arma, mirei o cano em mim, e me dei um tiro bem na cabeça , e morri. Assim, foi meu primeiro encontro com a morte.

Notas finais
As vezes eh bom brincar com o que tememos, e também pensar na morte como algo que possa ser enfrentado, mas provavelmente não vencida. ASS: filha do mundo