Fruto do Nosso Amor

29 Dava para ver pelo jeito que ela olhava para você.


Notas iniciais
Espero que gostem!

POV. Renere.

Agora eu tenho que encontrar o livro do doido do Coriakin de novo, mas essa ida repentina para Cair Parável vai me impedir de fazer isso logo, o que consequentemente vai atrasar a liberdade de Edmundo. E eu não posso, de jeito nenhum, aparecer para salvá-lo ainda como Jay se não meu plano todo de conquistar Edmundo iria por água abaixo. Deve voltar a ser Renere o quanto antes.

— E Lucia, como ela está? Houve alguma melhora? – eu andava ao lado de Ranyelle na grande caminhada até Cair Parável. Lucia ainda estava inconsciente, provavelmente domada por um coma, Julian não desgrudava dela, se roendo de remorso mesmo sabendo que não tinha culpa de nada, mesmo a culpa sendo minha, ou melhor, de Renere. Até agora não surgiu nenhuma prova de que ela armou para ele e essa culpa que recaia sobre Julian fazia Rillian olha-lo com desprezo. Este também, não saia de perto de Lucia quando podia, sempre sendo cuidadoso e delicado.

— Ela continua na mesma. – sussurrou minha irmã, olhando para frente, visivelmente preocupada com algo que eu não fazia ideia do que fosse.

— Rany... – chamei. – O que você tem?

— Ah... Nada... Foi só um sonho estranho... Você estava nele. – falou.

— Eu? – temi.

— Sim... Foi muito estranho...

— Estranho como?

— Você me contava uma história doida de que Renere encontrou um livro encantado e de algum jeito se transformou em você... – Rany riu. – Foi uma loucura!

Senti o sangue sumir de meu rosto. Será que mesmo depois de morta essa desgraçada não me deixa em paz?!

— E o que mais eu disse? – ri quando estava com vontade de gritar.

— Disse... Eu não lembro direito. – ela mordeu o lábio inferior, olhando para o chão.

— Sonho bem estranho mesmo. – sorri. Ela fez o mesmo e concordou.

Eu tenho que achar logo esse maldito livro de Coriakin!

POV. Jay.

— Você fez o que pode! – repetiu Aslam.

— Mas não foi o suficiente! – lamentei. – Rany não parece que vai levar o sonho a sério... Quero falar com a própria Renere.

— Não adiantaria. – disse Lucia.

— Lucia tem razão, general, ela não ia fazer nada. – apoiou Aslam.

— Adiantaria sim... Estou doida para enchê-la de socos... – uma ideia me ocorreu antes que eu terminasse. Virei para Aslam e Lucia. – E se... E se eu fosse até onde Edmundo está, o tirasse do poder da Dama e contasse tudo o que Renere fez?

— Também não adiantaria. – repetiu Lucia.

— Para ele, quem o entregou a Dama foi você e não a Renere. Se você aparecer lá ele vai achar que você é ela. – explicou Aslam.

— Por tudo o que é sagrado, não há nada que eu possa fazer?! – apelei desesperada. Nenhum dos dois respondeu.

— E eu... Fui tão injusta com Julian... – lamentou Lucia após uns segundos de silêncio. Caminhei até ela e pus a mão em seu ombro.

— Relaxe, Lucia, você não está morta, ainda pode fazer alguma coisa...

— Você não está morta, general. – disse Aslam em sua paciência que começava a me vencer.

— Em Narnia eu estou... E acho que não me resta outra coisa a não ser apelar mais a Rany... Talvez eu deva ser mais convincente. – falei. Lucia sorriu.

— Assim que se fala.

Sorri melancolicamente.

POV. Julian.

Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa. Culpa.

Eu não aguento mais isso.

Não aguento!

Não vejo a hora de Lucia acordar. De eu dizer a ela o quanto a amo...

Mas isso parece impossível agora.

Eu segurava uma das mãos de Lucia entre as minhas na enfermaria de Cair Parável. Chegamos hoje de manhã e ela foi trazida imediatamente para cá. Sua expressão era serena e o movimento de seu peito era compassado.

Onde será que ela estaria de verdade agora...?

Eu continuava na mesma situação de antes e desejava mais do que nunca ouvir a voz dela outra vez.

- Alguma melhora? – Rillian chegou, parando do outro lado da cama. Enxuguei a lagrima, mas sei que ele viu.

- Nada... – sussurrei. Ele puxou uma cadeira e sentou daquele lado não me dirigindo mais a palavra. – É óbvio que você não que você não quer ficar aqui, então pode desfazer seu teatro. – falei resmungando.

- Errado. Eu quero ficar aqui com ela, o que eu não queria era você por perto. – respondeu seco.

- Por que toda essa implicância comigo, afinal de contas?! – lutei para manter o tom de voz baixo. O reizinho ficou em silêncio, como se não soubesse o que responder, mas eu aguardei. Quando achei que ele não diria mais nada, a resposta veio; baixa e quase inaudível, mas veio.

- Por que ela escolheu a você e não a mim... – ele sussurrou olhando para Lucia.

- O que...? – foi o que consegui formular.

- Impressionante... – ele riu sem humor. – Você é mais idiota do que eu pensei que fosse. Não acredito que não percebeu... – disse com desdém.

- Percebi o que? – perguntei urgente.

- Ela te ama! – aborreceu-se ele. – Eu até tentei me aproximar dela... Mas desde o inicio percebi que não conquistaria nada além de sua amizade porque ela já estava apaixonada... Dava para ver pelo jeito que ela olhava para você...

POV. Ranyelle.

Não adianta!

Devolvi o livro para a prateleira. Eu não consigo me concentrar em nada. Só no sonho.

Sonho... A segunda vez que tenho o mesmo. Isso está me deixando muito preocupada. Angustiada seria a palavra certa. Foi a mesma coisa durante duas noites seguidas.

Era o bosque no escuro da noite, havia um forte nevoeiro e a luz era a da lua que parecia triste. Havia apenas mais uma pessoa ali comigo, a escuridão e a névoa escondiam-na, mas ainda sim pude reconhecê-la e sorrir indo ao seu encontro.

“Jay!”

“Olá, Rany...” Algo estava errado com ela, eu podia sentir.

“O que houve?” perguntei.

“Você precisa saber de uma coisa, Rany”

Então ela falava tudo de novo. Mas aquilo não fazia sentido algum. Como Renere iria conseguir se passar por ela se estava sob os domínios do inimigo?

Ah, Aslam, me ajude...

- Parece preocupa... Acertei? – era a voz de Pedro. Virei para ele e o vi sorrindo para mim.Sorri meio tristonha.

- Acertou...

- Posso saber então o que lhe preocupa? – ele afagou minha face que queimou ao seu toque quase me fazendo perder o raciocínio.

- Um sonho... – respondi de forma meio desconexa.

- Bom ou ruim?

- Sinceramente... Eu não sei. – suspirei cansada.

- Não sabe? – arqueou uma das sobrancelhas.

- É um daqueles que parecem avisos, sabe... Só que é muito estranho... Não faz sentido... – arriei os ombros mais uma vez sendo levada para meu caos mental.

- Aviso? Pode me explicar melhor? – ele se apoiou na mesa da biblioteca vazia, olhando-me atentamente.

- Bom, há duas noites eu tenho o mesmo sonho... – então expliquei tudo a ele.

POV. Renere.

Andei bastante pelo castelo, sondando, esperando o momento certo. E parece que ele havia chegado.

Susana estava trancafiada em seu quarto outra vez, ela está muito emotiva e isso está me dando nos nervos; Caspian está lá com ela, paparicando-a. Arght! Eles são tão melosos que chega a dar agonia!

Edmundo estava longe, bem longe dali. Lucia, a bela adormecida, ainda dormia em sono profundo e por mim ficaria assim para sempre. Seu jeitinho de sabe-tudo e suas atitudes de “Destemida” são extremamente irritantes. Julian e Rillian estão plantados na enfermaria, velando o sono dela... Fala sério! Lucia é completamente sem sal e sem açúcar... O idiota do Julian tudo bem, mas o que Rillian, um rei esperto e lindo, viu nela?

Dr. Cornélios estava lendo nos jardins com Tumnus, Coriakin, Bri e Huin. Tirian estava nos estábulos. Franco e Helena estavam em seus aposentos. Lilliandil, Eustáquio, Polly, Digory e Jill foram dar um passeio pelas redondezas. Pedro e Ranyelle estavam na biblioteca conversando, por onde eu acabei de passar.

Sim, não havia oportunidade mais perfeita.

Olhei para os dois lados antes de entrar no quarto do mago barbado. Não havia muita diferença daquele quarto para a tenda que ele anteriormente habitava a não ser pelas paredes de alvenaria e pela porta. Fui direto ao livro folheando-o rapidamente em busca de alguma seção que talvez pudesse conter os antídotos para os feitiços, atenta a qualquer indício de que eu não estava mais sozinha.

Não achei nada e, antes que meu coração entrasse em desespero, voltei a folear o livro freneticamente, mas nada.

— Não... Não é possível! – sussurrei angustiada folheando as paginas com o coração na boca. – Deve estar aqui em algum lugar... Tem que ter um antídoto! – apoiei-me na mesa abaixando a cabeça com a respiração acelerada, tentando pensar. Foi quando ouvi uma voz atrás de mim.

— Por acaso é isto aqui que você está procurando... Renere?

Notas finais
Quem será que disse isso? Façam suas aposta por que nem eu sei! Sério, ainda tenho que decidir quem desmascarou a Renere!
Reviews? Recomendação?
Muito obrigada, do fundo do coração, por todos os comentários, incentivos e elogios. Se não fosse por você leitores, minha cerreira de escritora já teria ido por água abaixo!
Beojokas!!