Notas iniciais
Enfim o capítulo que todos esperavam! Eu acho... Bom, eu gostei, espero que vocês gostem também!

POV. Ranyelle.

Expliquei tudo a Pedro. Cada detalhe, cada informação... Então tudo fez sentido. Tudo pareceu tão claro que me perguntei como não consegui compreender tudo a princípio. Num espanto eu corri em direção a porta da biblioteca.

— Rany, para onde você vai? – perguntou Pedro, confuso com minha repentina epifania.

— Desmascarar a desgraçada da minha irmã. – respondi ainda correndo. Subi para o quarto dela e fui direto para a cama, me ajoelhei ao lado dela para olha abaixo da mesma. E lá estava a pagina, enrolada e presa entre o colchão e a grade da cama. Renere nunca foi boa para esconder coisas. Puxei a folha, desenrolei-a e identifiquei-a como a página do livro que Jay me mostrou no sonho. O feitiço estava escrito na borda da folha, peguei a mesma e a pus contra a luz da janela, só assim foi possível ver o antídoto na parte mais clara da pagina, sem a luz, seria impossível enxerga-lo. Saí correndo do quarto direto para o de Coriakin onde eu sabia que a encontraria. Abri a porta devagar e a vi foleando o livro furiosamente em busca daquela folha.

— Não... Não é possível! – sussurrou ela. — Deve estar aqui em algum lugar... Tem que ter um antídoto!

- Por acaso é isto aqui que você está procurando... Renere? – perguntei lentamente pronunciando seu nome com desdém, os dentes trincados e os dedos segurando a folha na altura do rosto.

Ela virou para mim num susto, buscando apoio no pilar onde estava o livro. Os olhos arregalados e a respiração descompassada demonstravam o pânico que ela sentia enquanto eu a encarava. Olhando agora, era possível perceber a cópia barata. Aquela não era Jay. Nem nunca seria. Como não percebemos isso antes...?!

- Rany... Rany me entrega essa folha... – ela estava ofegante, como se estivesse correndo. – Eu preciso dela... – estendeu a mão, esperando. – Edmundo depende dessa folha... Dá o antídoto pra mim... Por favor.

- Claro... – respondi. Em seguida dobrei a folha até deixa-la bem pequena e guarda-la entre os seios, dentro do vestido.

- O que está fazendo? – perguntou temerosa.

- Eu vou lhe dar o antídoto que você merece.

— Claro... Você vai me dar a folha... Somos irmãs, Rany – ela deu um sorriso nervoso – Você vai me ajudar... Não vai?

Eu ri sem humor, os olhos enchendo de lágrimas de decepção e raiva, avançando passos até ela, que só não recuou por que havia o pilar a impedia.

— Não sou mais filha de Aller, lembra? Ele mesmo disse que não me reconhece mais como filha... E agora... Eu não a reconheço mais como uma irmã. – falei com os dentes trincados, as lagrimas rolando de pura raiva enquanto eu fechava as mãos em punho ao lado do corpo, encarando-a. – Você não presta Renere... – dei ênfase a palavra “presta” – Você é igualzinha ao seu pai... Você não merece viver! – gritei a ultima parte e voltei a falar entredentes. – Mas... A morte seria um premio para alguém do seu nível... Para uma mentirosa, falsa, hipócrita! – voltei a gritar – UMA CRETINA!

Ela não suportou ouvir tudo isso e se achou no direito de erguer a mão para mim, mas antes que ele fizesse qualquer coisa eu a acertei no rosto com uma tapa sonora, Renere cambaleou para o lado, tentou apoiar-se no pilar, mas ela caiu levando-o junto. Eu a encarava de cima. Ela me olhou por entre o cabelo bagunçado num misto de raiva surpresa.

— O que aconteceu com você...? – ela murmurou.

— Jay abriu meus olhos.

— Impossível – ela riu debochando. – Ela está morta e ardendo no fogo do país de Tash!

Abaixei-me e agarrei uma das mãos em seus cabelos, erguendo-a. Renere esganiçou de dor.

— Quem merece ir para lá é você. – falei firme. Ri. – E você ainda me perguntou como Edmundo poderia amar ela e não você... Você não presta Renere! – empurrei-a para fora do quarto. Ela caiu no corredor. Antes que pudesse ficar de pé e reagir, agarrei-a pelos cabelos outra vez, ignorei os gritos dela e puxei-a pelos fios para o pátio do castelo. Todos precisavam saber quem era aquela cretina.

Renere gritou enquanto eu a puxava pelo castelo, trazendo a atenção dos presentes. Logo estávamos todos no pátio tentando entender o que estava acontecendo. Pedro foi o primeiro a chegar, pelo visto ele estava me procurando depois que eu saí correndo de suas vistas na biblioteca.

— Rany, o que está acontecendo?! – perguntou ele, enquanto Julian, Rillian, Caspian e Susana se juntavam a nós. Empurrei Renere com força, fazendo-a cair próxima a fonte.

— O que deu em você? – Julian estava furioso, correndo em direção a ela e a ajudando a levantar. Tisroc e os outros chegaram.

— Eu descobri tudo. – falei, encarando Renere.

— Tudo o que? – questionou Caspian.

— Ela é uma farsa! – apontei para Renere. – Lembra-se do sonho, Pedro, que lhe contei mais cedo? Pois é... – eu estava ofegante. – Tudo fez sentido para mim enquanto eu lhe contava. Quando saí da biblioteca fui ao quarto dela... Encontrei isso debaixo da cama. – tirei a folha dobrada de dentro do vestido e entreguei a ele. Pedro a abriu; viu do que se tratava e olhou boquiaberto para Renere.

— Como você pode?! – ele estava vermelho. – COMO TEVE CORAGEM DE ENGANAR A TODOS NÓS?!

— Do que vocês estão falando? – perguntou Julian, olhando confuso para a garota ao seu lado, afastando-se dela.

— A verdadeira Jay morreu – aquilo me doeu, mas eu sentia no fundo que ela estava bem – Morreu mesmo ao cair da varanda. Morreu no mar. Renere foi à Calormânia porque sabia que iriamos para lá e se infiltrou como espiã do inimigo em nosso meio. Ela armou para você, Julian, e por causa dessa armação Lucia foi para o bosque, se perdeu e agora está nessas condições. Enquanto estávamos procurando Lucia ela encontrou o livro de Coriakin, lá ela recitou o feitiço e assumiu a aparência da Jay se fazendo passar por ela. Assim, ela atraiu Edmundo para o bosque onde a Dama já esperava e depois voltou como vítima! – gritei. Renere assumiu uma pose de indiferença.

— Você não pode provar nada! – ela gritou, avançando para mim, mas a fiz recuar acertando-lhe uma tapa sonora. Ela ergueu o rosto por entre o cabelo bagunçado com a mão sobre a marca vermelha em sua bochecha, ofegante.

Estendi a mão a Pedro e ele me entregou a página mágica. Coloquei-a contra a luz e li em voz alta o que estava “escondido na escuridão”, como Jay disse no sonho.

“A luz revelará o antídoto escondido no feitiço”

Aos poucos os cabelos loiros voltaram, os olhos retornaram a cor normal... Renere estava de volta causando um arfar nos presente.

- Você nunca esteve sob os poderes dos inimigos, era tudo uma farsa para encobrir o feitiço. – completei.

- Como você pode...? – ouvi Helena sussurrar, cobrindo a boca com uma das mãos.

- Então... A Jay... Morreu mesmo...?

- Sim, Julian, mas ela está num lugar melhor agora... Longe desse mundo e de certas pessoas que vivem nele. – Pedro encarou Renere. Ela sorriu provocante.

- O que você acha? Acha que vai ganhar Rei Pedro? – ela debochou. – Você sequer conseguiu proteger Lucia e Edmundo de mim, acha que vai continuar dando segurança a Susana e o monstrinho que ela carrega?! – provocou. Antes que Pedro respondesse, alguém se pronunciou.

- Monstrinho vai ser a água dessa fonte entrando em seus pulmões sua vagabunda! — Susana avançou para ela, mas Caspian a segurou antes que ela machucasse a si mesma e ao bebê.

- Você não merece viver, Renere. – Cor se pronunciou.

- Mas a morte seria uma recompensa para tudo o que você fez. – acrescentou Aravis.

- Você envergonhou seu sangue real – arrematou Corin. – Bem merece o pai que tem.

Ouvimos um barulho. Os portões do castelo foram abertos violentamente causando um estrondo horrível. Todos olharam para lá.

Havia o pó das paredes atingidas embaçando a visão. Do meio da nuvem de pó surgiram três pessoas andando de modo desafiador em nossa direção. O do meio tinha sua camisa rasgada e um pouco queimada, a espada estava na mão, a calça também tinha parte das pernas rasgadas e escurecidas e negras, como se tivessem pegado fogo, ele tinha o rosto sujo de fuligem e o cabelo castanho estava desgrenhado. As outras duas pessoas eram mulheres; a da direita tinha os cabelos avermelhados balançados pelo vento, seu rosto também estava sujo nas maçãs, suas roupas estavam com partes queimadas também, ela usava calças, camisa e estava descalça. A da esquerda tinha os cabelos longos presos num coque desajeitado com alguns fios pendendo ao lado do rosto, suas roupas pareciam ter pegado fogo, mas estava encharcada; ela segurava o punho da espada embainhada, a calça estava com as duas pernas rasgadas na altura das coxas e sua camisa estava sem as mangas que provavelmente foram arrancadas.

O pó, o vento e as expressões desafiadora e ao mesmo tempo cansada dos recém-chegados deram um efeito incrível àquela entrada triunfal. Eram as três pessoas que eu não imaginava ver naquele momento.

Notas finais
Que acharam dessa entrada triunfal, ein??? Eu achei mt diva! Tipo, a ideia veio na hora e BUM aí está! Espero que tenho gostado!
Beijokas!!