Fruto Proibido
3 TRÊS

— Por favor, sente-se — ofereci indicando o sofá que havia na sala, caminhando em direção ao pequeno bar que havia no local para me servir de uma dose de Whisky — Aceita uma dose de Whisky? — Perguntei vendo-o se sentar enquanto iniciava o preparo da minha bebida.
— Não obrigado. — Dispensou educadamente e balancei a cabeça concordando, colocando uma dose de Whisky e três pedras de gelo, andando sem pressa em direção a poltrona em frente ao sofá em que meu convidado estava.
Me sentei calmamente na poltrona cruzando as pernas, segurando o copo da minha bebida sob o olhar atento do homem sentado à minha frente.
— Sua presença na minha festa de anunciou me deixou intrigada, alfa Heitor, ainda mais quando anunciou em alto e bom som que era o líder do clã Knox — pontuei tomando um gole da minha bebida e ele concordou — Um fato bastante incomum, porque pelo que sei o alfa anterior nunca teve uma companheira.
— Não ter uma companheira declarada diante do clã, nunca impediu ninguém de ter aventuras amorosas por aí. — Segredou dando de ombros e concordei, ciente de que provavelmente estava diante de um filho bastardo do antigo líder do clã Knox.
— Quem me garante que você é realmente quem diz ser e não um oportunista, em busca das regalias que o título de líder de um clã pode trazer? — Interroguei séria deixando meu copo na mesa que ficava no meio da sala.
— Dizem que sou a cara do meu antecessor, tirando os olhos azuis que herdei da minha mãe — apontou e o olhei descrente, porque não iria me basear em semelhanças para reconhecer sua liderança — Mas acho que isso pode provar bem mais do que a minha aparência física ou minhas palavras. — Revelou afastando um pouco o casaco que usava segurando a gola do seu suéter azul escuro abaixando-o, revelando um delicado sinal de nascença no ombro no formato de três estrelas.
O sinal de nascença que só a linhagem alfa do clã Knox carregava em sua pele, sinalizando suas origens para que pudessem reivindicar seu lugar perante os demais líderes no conselho dos alfas.
Incrédula, levantei da cadeira disposta a conferir de perto se o sinal de nascença era verdadeiro, porque não seria a primeira vez que alguém tentava se passar por um membro da alta linhagem dos alfas.
Me sentei ao seu lado e pedi autorização para tocá-lo, o que me foi concedido com um aceno de cabeça e respirei fundo, sentindo meu coração bater mais forte e minhas mãos soarem de nervoso. Reações das quais não podia controlar e nem entendia qual era a razão de tê-las.
Tentando transparecer uma calma que não estava sentindo, me aproximei para ver melhor o sinal de nascença que possuía uma coloração avermelhada, combinando com o tom cobre dos seus cabelos e algumas sardas que surgiam em seu ombro descendo provavelmente por todo o seu tórax.
Com cuidado estiquei meu dedo indicador até o local em que o sinal estava, passando-o delicadamente pela região procurando alguma evidência de que se tratava de uma farsa, mas não pude deixar de notar que a pele dele era alguns graus mais fria do que a minha. Uma característica incomum para um filho da lua, já que todos sem exceção possuíam a temperatura corporal mais alta do que de um humano ou vampiro.
Já o seu cheiro, agora que estava mais perto se tornou mais doce e inebriante, como se tentasse nublar meus sentidos impedindo-me de pensar de forma coerente.
Diante disso tinha certeza de duas coisas.
O homem ao meu lado, era realmente filho do último alfa do clã Knox, não só pela assustadora semelhança, mas porque seu sinal de nascença era verdadeiro. Só que meu instinto me dizia, que ele veio até mim em busca de muito mais do que seu mero reconhecimento em nossa comunidade.
Em silêncio me afastei dele, mesmo que cada parte do meu corpo protestasse por essa atitude me deixando confusa porque jamais me senti dessa forma. Respirei fundo algumas vezes, tentando clarear minha mente centrando-a no assunto que estávamos discutindo.
— Meus parabéns Heitor, você é realmente quem diz ser — cumprimentei assim que assumi o controle das minhas emoções me levantando do local em que estava sentada, caminhando em direção a poltrona que ocupava anteriormente — Assim que os conselheiros chegarem reconhecerei seu direito de nascença, todos os bens e territórios do seu clã lhe serão entregues. Desejo que faça bom uso deles e governe com sabedoria. — Expliquei pegando meu copo e tomando um gole da minha bebida, tentando afastar a sensação estranha que sentia em sua presença.
— Agradeço por sua benevolência, alfa Lara, mas não vim até aqui em busca de bens materiais e sim de ajuda. — Pediu e o encarei com curiosidade.
— E precisa da minha ajuda para o que, alfa Heitor?
— Recentemente, soube que seu clã possui um rico arquivo sobre o censo que foi feito durante a última guerra — explicou e balancei a cabeça concordando. — Seria eternamente grato, se me permitisse ter acesso a essas informações.
— E qual seria seu interesse nas informações de um censo de cinquenta anos atrás? — Questionei pegando minha bebida e sorvendo o último gole sob seu olhar atento.
— Estou procurando uma pessoa.
— Isso eu imaginei, já que essa documentação contém dados de todos os residentes daquela época — destaquei colocando o copo em cima da mesa, voltando a olhar o homem a minha frente — Por acaso, está buscando por sua parceira que fugiu? — Sugeri curiosa e ele sorriu sem humor, mas em seus olhos havia uma sombra de tristeza.
— Não existe uma parceira para alguém como eu, alfa Lara. — Decretou com um sorriso amargo nos lábios e o olhei com mais atenção, tentando entender o significado por trás das suas palavras.
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