Fruto Proibido
6 SEIS

Assim que amanheceu solicitei a April que chamasse o responsável por nossos ritos cerimonias, o guardião na terra dos desejos da deusa lua, único capaz de entender os sonhos e profecias decretados por ela.
— Obrigada por atender meu chamado, guardião lunar, me desculpe por chamá-lo tão cedo, mas o assunto é urgente. — Me desculpei assim que o velho senhor adentrou meu escritório indicando que sentasse no sofá a frente.
— Não precisa pedir desculpas, minha senhora, estarei sempre a apostos a servi-la — informou com gentileza — No que posso ser útil, alfa Lara? — Perguntou com curiosidade e respirei fundo, antes de narrar o sonho que tive ontem à noite.
O guardião lunar ouviu meu relato em silêncio, antes de fazer algumas perguntas que respondi com sinceridade ciente de que qualquer detalhe ajudaria a compreender o desejo da deusa.
— O que acha que a deusa quer da senhora, alfa Lara? — Perguntou depois de refletir com as respostas que havia lhe dado.
— Ela quer que proteja seu filho, alguém específico que está correndo perigo — expliquei e ele balançou a cabeça concordando — Só não tenho ideia de quem seria essa pessoa, porque não temos nenhum relato de possíveis perigos contra qualquer região ou clã dominados por lobisomens, April me deu essa informação meia hora antes do senhor chegar. — Assegurei e ele balançou a cabeça novamente levantando-se do sofá que estava sentado, caminhando alguns passos pela sala sob meu olhar atento.
O guardião lunar caminhou pela sala o que pareceu ser uma eternidade, enquanto esperava pacientemente ele dizer alguma coisa até virar para me encarar como se tivesse tido uma iluminação divina.
— O que sabe sobre o fruto proibido? — Questionou de repente e pisquei surpresa, porque quase ninguém falava sobre aquilo, muitos acreditavam que se tratava de uma lenda dos primórdios da nossa civilização.
— Apenas o básico...Sobre um ser que possui a aparência dos mortais, a força dos lobisomens, a sede insaciável dos vampiros e a força elementar da lua, incapaz de ser destruído...Uma criatura que vai contra o equilíbrio da natureza e que jamais deveria existir — repeti o que havia ouvido dos meus professores em relação ao assunto. — Mas tudo isso, não passa de uma lenda dos primórdios da nossa civilização.
— Acredito que não, alfa Lara — revelou sério e pisquei perplexa diante da sua afirmação. — Alguns anos atrás o guardião lunar que me antecedeu sonhou com a deusa lua, avisando que seu filho nasceria e deveria ser protegido, porque traria ordem ao caos que vivíamos.
— O senhor está me dizendo, que uma criatura com a aparência dos mortais, a força dos lobisomens, a sede insaciável dos vampiros, os poderes elementares da lua e incapaz de ser destruída, nasceu e não sabemos quem e onde estar?! — Perguntei atordoada diante do que havia ouvido.
— Sim. — Confirmou com simplicidade, como se estivéssemos conversando sobre o clima.
— Como assim, vocês não sabem, guardião lunar?! — gritei furiosa diante da possibilidade da minha espécie estar em risco por causa de uma criatura que não podia ser morta — Deve ter algum registro ou profecia guardado na biblioteca que possa nos ajudar a descobrir quem é essa coisa e como matá-lo, caso venha ser uma ameaça.
— Não que me lembre, minha senhora. — Disse com calma e sorri sem humor fechando os olhos inspirando e espirando, tentando manter a calma diante daquele desastre eminente.
Perdi as contas de quantas vezes inspirei e espirei, tentando domar minha raiva diante da incapacidade de ter informações que pudesse me preparar para o que poderia enfrentar no futuro. Só voltei a abrir os olhos quando estava parcialmente controlada, voltando a encarar o ancião na minha frente.
— Então procure novamente guardião lunar, vasculhe cada canto da biblioteca e ache alguma coisa, nem que tenha que revirá-la do avesso ou ir para outro lugar do mundo para isso — destaquei severa e ele balançou a cabeça concordando — Tudo que quero é uma solução, caso essa criatura se torne um problema, não se preocupe com nada em relação aos gastos que essa busca possa requerer, vou solicitar a April que lhe dê um cartão de debito ilimitado para arcar com as despesas de sua busca. — Informei me levantando da cadeira em que estava sentada caminhando em direção ao bar que havia na minha sala, servindo-me de uma dose dupla de whisky dispensando o uso de gelo, sorvendo um gole em seguida que desceu amargo e queimando comprovando que não estava dormindo.
— Obrigado por sua generosidade, alfa Lara, não se preocupe porque farei tudo que estiver ao meu alcance para achar uma solução.
— Acho bom mesmo ou descontarei minha raiva em você, guardião lunar. Agora me deixe sozinha. — Ordenei furiosa vendo o homem sair apresado da minha sala me deixando a sós com meus próprios pensamentos.
Por mais que a deusa possa ter me pedindo em sonho para proteger seu filho, não podia correr o risco de ficar desprotegida diante de uma ameaça tão grande, porque não tinha ideia de quem era esse ser e quais seriam suas intensões para com os demais seres sobrenaturais.
Uma criatura dessas, sem qualquer fraqueza poderia subjugar os demais levando o mundo que conhecemos a uma era de caos. Seria muita irresponsabilidade minha, depositar a nossa segurança na esperança de que o filho da deusa da lua fosse um ser honrado e não um conquistador, sedente por sangue e glórias.
— Maldição. — Gritei furiosa e frustrada lançando meu copo de bebida contra a porta que logo foi aberta por uma April preocupada.
— Está tudo bem, alfa Lara? — Questionou com preocupação fechando a porta atrás de si, evitando que curiosos me vissem descontrolada daquela forma.
— Não, April — pontuei furiosa andando de um lado para o outro — Sabe quando você sente que o mundo pode estar prestes a desabar em cima da sua cabeça e não tem meios de impedir que isso aconteça? — perguntei ciente de que ainda não podia dividir minhas suspeitas com minha amiga, não por falta de confiança, mas porque precisava ter certeza de que aquela história era real antes de revelar para outra pessoa.
— Sim.
— É dessa forma que estou me sentindo — desabafei frutada olhando para minha amiga de anos — Sem saber o que fazer...Minha cabeça está um caos. — Apontei angustiada e ela respirou fundo, voltando sua atenção para mim.
— Não sei o que lhe tirou a calma, alfa Lara, mas peço que respire fundo e tente se acalmar para que possa pensar em uma solução, porque se tem alguém que pode resolver qualquer problema, essa pessoa é a senhora — pontuou confiante e a olhei incrédula, fazendo-a sorrir curiosa para mim. — Por acaso, esse seu descontrole todo é o sinal de que seu cio está se aproximando? Porque se for, precisamos acelerar a escolha do seu companheiro, antes que perca o controle de vez.
— Escolher um companheiro agora é o menor dos meus problemas, April — pontuei severa. — Além do mais, quem disse que não escolhi um companheiro?!
— Darius?! — Perguntou em tom de desaprovação.
— E por que não?! Ele é apto para me dar um herdeiro, a única coisa da qual preciso — destaquei severa indicando a porta de saída — Faça o favor de me deixar a sós ou mando arrancar sua língua por causa da sua insolência. — Ordenei severa e ela revirou os olhos saindo da minha sala sem dizer nada.
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