Fruto Proibido
15 QUINZE

— Pelo que vejo, minha querida sobrinha, continua tendo bom gosto para escolher companhia interessantes para a sua cama. — Comentou maliciosa olhando Heitor de cima a baixo e estreitei os olhos diante da sua cobiça disfarçada, depois que April havia nos deixado a sós.
— Pare de cobiçar meu parceiro e diga o que está fazendo aqui, tia Morgana? — Perguntei severa deixando claro que não iria aceitar esse tipo de comportamento em relação ao meu companheiro.
— Não estou cobiçando ninguém, minha querida, só não sou cega ao ponto de não reconhecer uma beleza quando a vejo — pontuou e respirei fundo, tentando acalmar o desejo que sentia de pular em seu pescoço. — Se está tão insegura assim, talvez o sentimento não seja recíproco.
— Pelo contrário, Morgana, é mais recíproco do que imagina — Heitor pontuou e concordei me lembrando da sua reação quando comecei a sentir dor — Mas não pode culpá-la por sentir ciúmes ao vê-la me olhando de uma forma nada educada, se não lembra os filhos da lua são territorialista com seus parceiros. — Lembrou com sutileza tirando o sorriso sarcástico do rosto da minha tia.
— Não me lembro de receber nenhum convite para a cerimônia da sua união, Lara. — Minha tia disse mudando de assunto enquanto Heitor me conduzia em direção ao sofá vago em frente a cadeira que minha tia ocupava.
— Porque a senhora não faz parte do meu círculo íntimo, tia — destaquei pousando minha mão direita na perna esquerda de Heitor, afirmando para a mulher a nossa frente que ele era meu e não aceitaria dividi-lo com ninguém. — Por que não me diz logo o que veio fazer aqui depois de todo esse tempo?
— Soube que você não estava bem e vim ver como estava — Pontuou com curiosidade — Aposto que deve ser o coração fraco característico dos Kingston, o que é contraditório já que vocês são excelentes em pisar o coração dos outros — alfinetou voltando sua atenção para Heitor. — Vou lhe dar um conselho meu rapaz, fuja da minha sobrinha antes que ela quebre o seu coração e espírito em mil pedaços, como todos da família dela são especialistas em fazer.
— Não se preocupe, Morgana, sou grandinho o suficiente para lidar com desilusões amorosas. — Heitor destacou sarcástico e sorri sem humor atraindo a atenção dos dois.
— Desculpe decepcioná-la por estar vendendo saúde e não em um caixão, querida tia — revelei fazendo Heitor ficar tenso quando mencionei a palavra caixão e acariciei sua perna de leve, tentando tranquilizá-lo. — Se foi só isso que a trouxe aqui, saiba que estou muito bem e agradeceria se voltasse para o buraco no qual estava.
— Se comportando como a dona do lugar como sempre, não é Lara? Pisando em qualquer um que pense diferente de você assim como seu maldito pai fazia.
— Quem é você para falar mal do meu pai?! — Perguntei severa sem desviar os olhos dela — Só estou lhe dando o tratamento que merece depois de ter tentado me destituir, quando mais precisava do seu apoio. Havia acabado de perder meu pai e você era a única família que havia me restado, mas ao em vez de me apoiar tentou virar todos contra mim porque queria o meu lugar como alfa do clã. — Acusei furiosa sentido meu coração apertar de leve me fazendo fechar os olhos e respirar fundo, tentando controlar minhas emoções enquanto meu companheiro estremecia ao meu lado.
Você precisa se controlar Lara, não é só a sua vida que está em risco, pensei mentalizando paisagens calmantes, abrindo os olhos para encarar minha tia que sorria fascinada para nós.
— Hora, hora, parece que o ruivo de tirar o folego ao seu lado, não é só a sua diversão da semana — pontuou fascinada com a descoberta — Me pergunto se algo acontecer com ele, refletiria em você dá mesma forma?! — Se perguntou e logo se transformou em um borrão diante dos nossos olhos.
Por instinto levantei minha mão direita na direção do rosto de Heitor, minutos antes da minha tia se materializar na frente dele com seu braço direito segurado por mim, evitando que ela o atacasse.
Heitor podia ter a voz de comando de um alfa, mas sua força e reflexos eram inferiores aos de um filho da lua puro. Em uma briga, ele perderia facilmente para um de nós, mas contra um humano ganharia sem problemas.
— Ele não é um de nós. — Revelou sorrindo sádica e Heitor piscou surpreso ao ver minha tia em posição de ataque tão perto dele, sem ao menos perceber sua aproximação.
— Tente encostar um dedo novamente no meu parceiro e não considerarei o sangue que nos uni.
— Que sangue, Lara?! Acha mesmo que você é minha sobrinha?! — Disse sorrindo com desgosto se soltando de mim e levantei do sofá para encará-la de forma séria.
— Não vou permitir que ponha em dúvidas a honra da minha mãe, como tentou fazer antes.
— Eu seria incapaz de colocar a honra da minha falecida irmã em dúvidas, pelo contrário, estou finalmente fazendo justiça ao expor toda a mentira que o traidor do seu pai contou todos esses anos, matando todos aqueles que se negaram a compactuar com seus desejos.
— Pelo menos uma vez na sua vida, tia Morgana, pare de fazer insinuações e diga a verdade de uma vez. — Exigi furiosa vendo Heitor se levantar do sofá e ficar ao meu lado, pronto para me ajudar caso fosse necessário.
— Você nasceu um ano depois que minha irmã morreu, portanto não há nenhuma possibilidade de você ser filha dela — revelou e fiquei sem reação diante do que havia acabado de ouvir — Você não devia existir...É uma aberração da natureza que aterroriza os filhos da lua a gerações... Uma criatura que vai contra o equilíbrio da natureza e que devia ser aniquilada da face da terra. — Ameaçou dando um passo em minha direção, mas Heitor bloqueou sua passagem.
— Chega — Heitor disse severo surpreendendo minha tia ao sentir sua voz de comando — Saia da nossa casa, agora. — Ordenou furioso sem desviar os olhos da minha tia.
— Essa casa não é dela, muito menos sua seu hibridozinho — tia Morgana disse com desgosto. — Vocês dois realmente se merecem, duas aberrações do nosso mundo.
— Saia, agora. — Heitor gritou com fúria e meus seguranças entraram no local alarmados devido as vozes alteradas.
— Algum problema, alfa Knox? — O chefe da segurança perguntou olhando para minha tia.
— Tire essa mulher da nossa frente imediatamente, a partir de hoje ela não é mais bem vinda nessa casa ou em qualquer outro lugar que estivermos. — Ordenou severo me amparando e o chefe da segurança concordou, antes de se aproximar da minha tia.
— Não preciso ser enxotada como um cão sarrento, porque conheço muito bem a saída — Morgana destacou séria assim que os seguranças se aproximaram dela — A verdade dói, não é querida? Espero que seu coração não aguente a decepção de saber que não é nada daquilo que acreditou ser por anos...Que tema a cada segundo por sua segurança, quando descobrirem o que realmente é... Fruto proibido. — Declarou com desgosto sendo arrastada para fora da minha casa, enquanto tentava entender o que ela ganharia inventando tudo isso.
Foi inevitável não pensar nos fatos estranhos e nebulosos ligados a minha vida, como a reação estranha do meu pai sempre que perguntava se possuía alguma foto da minha mãe quando estava grávida de mim, mas ele sempre alegava que os registros haviam sido destruídos em um dos ataques dos remanescentes da guerra.
O ódio gratuito de tia Morgana durante todos esses anos, fazendo questão de demonstrar seu desprezo com o fato de estar viva e assumir o título de alfa que outrora pertenceu ao meu irmão mais velho...O verdadeiro sobrinho dela.
Agora tudo parecia se encaixar.
Você o conhece melhor do que ninguém, porque são a mesma pessoa, pensei lembrando o que a deusa lua havia me falado em uma das conversas que tivemos.
Meu Deus...Eu realmente era o Fruto Proibido?!
O ser que jamais deveria existir, considerado uma abominação para todos os filhos da lua que o temiam a gerações.
— April, ligue para o Doutor Tavares, peça para que venha até aqui ver Lara. — Ouvi Heitor pedir me conduzindo em direção ao sofá enquanto estava perdida em meus próprios pensamentos.
— Não se preocupe, farei isso imediatamente. — April disse solicita pegando seu celular para telefonar.
— April? — Chamei tentando dominar o caos que havia dentro de mim.
— Sim, alfa Lara?
— Ligue para o chefe do arquivo do clã, peça que traga a cópia do atestado de óbito da minha mãe e entre em contado com o templo lunar mais antigo do nosso território, solicite que enviem o grão guardião lunar a minha presença. Desejo vê-los hoje mesmo sem demora.
— Claro, alfa Lara. — Assegurou começando a fazer o que havíamos solicitado.
— Lara, não acha melhor deixar esse assunto para depois? Você já teve emoções demais para alguém no seu estado. — Heitor pediu segurando meu pulso, verificando meus batimentos.
— Entendo sua preocupação, mas preciso resolver isso hoje ou não terei paz. — Expliquei e ele balançou a cabeça concordando.
Fale com o autor