Ao final da reunião, ficou acertado que devolveríamos todas as propriedades que outrora estavam sob o poder do clã Knox e foram divididas entre os alfas dos arredores, já que não havia nenhum herdeiro declarado para reivindicá-las.

Como seria um procedimento que demoraria alguns dias, convidei alfa Heitor e seus companheiros de viagem para ficarem em minha casa até que tudo estivesse resolvido e pudessem participar da festa de Halloween que meu clã oferecia todos os anos, na qual faria finalmente o anúncio do felizardo para ocupar o lugar de meu companheiro.

Um anúncio interrompido pela chegada inesperada dos nossos visitantes, com o objetivo de reivindicar o direito de nascença do seu líder até então desconhecido pelos demais alfas.

— Seus visitantes já estão devidamente acomodados, minha senhora. — April informou assim que entrou no meu quarto depois que autorizei.

— Ótimo, April, meus guardas pessoas já foram informados para ficarem de olho neles, especialmente no alfa Heitor? — Perguntei olhando-a pelo espelho deixando minha escova de cabelo em cima da penteadeira.

— Sim, minha senhora, não se preocupe porque eles serão discretos e silenciosos como sempre.

— É tudo que espero, porque seria um caos se descobrissem que mandei seguir meus próprios hospedes — apontei e ela concordou — Peça para Andrew, investigar o passado do alfa Heitor, porque tenho a sensação de que ele está mentindo para mim. — Revelei deixando-a surpresa.

— Se a senhora tem essa dúvida, por que aceitou sua reivindicação e o colocou debaixo do seu teto?

— Porque prefiro ter meus objetos de desconfiança diante dos meus olhos, do que tramando longe das minhas vistas — E também porque quero descobrir por que ele desperta sensações tão estranhas em mim, completei em pensamento — Solte uma nota amanhã no jornal, explicando de forma breve que recebemos uma reivindicação para a liderança do clã Knox e estamos avaliando a situação, antes de fazer um pronunciamento geral. — Solicitei e April concordou escrevendo meu pedido em seu celular, voltando sua atenção para mim.

— Amanhã cedo farei um esboço e enviarei para a senhora, para que veja se estar tudo certo, antes de publicar a nota.

— Ótimo, quanto menos explicações dermos melhor será, caso seja preciso cuidar desse assunto sem qualquer tipo de alarde. — Expliquei me levantando da cadeira que estava sentada, caminhando em direção a minha cama tirando meu robe e afastando os lençóis, deitando-me em seguida.

— Minha senhora, já tem em mente quem será o felizardo para ocupar o espaço vazio em sua cama? — Questionou com curiosidade apontando o local vago ao meu lado e suspirei pensativa.

— Refleti muito sobre tudo que me disse e sobre o que espero, em circunstâncias normais escolheria Darius, filho do meio do alfa do clã Kane.

— Sim, lembro dele, foi seu amante por quase três anos antes de começar a achar que podia se transformar no seu companheiro. Mas porque depois de tantos anos, considerou escolhê-lo?

— Porque o conheço, sei como posso controlá-lo e deixá-lo contente com seu posto de companheiro, evitando que trame um golpe contra mim, já que como filho do meio ele jamais ascenderia ao cargo de alfa.

— É um ponto a ser considerado, mas o que a fez mudar de ideia? Por acaso, foi a chegada do alfa do clã Knox? — Perguntou maliciosa e respirei fundo ponderando sobre a resposta que daria a April.

— Sim — confessei fazendo-a abrir um sorriso cheio de segundas intenções — Não sei explicar, mas o cheiro dele e estranhamente apelativo para mim e me faz ter sensações estranhas...Como se não estivesse no controle do meu próprio corpo. — Expliquei com sinceridade, porque sabia que April seria incapaz de contar minhas confidencias para alguém.

— Não podemos negar que o fato dele ser muito bonito, faz qualquer um perder o controle, não é verdade? — Sugeriu maliciosa e sorrimos como se fossemos novamente adolescentes, antes da minha amiga assumir uma postura séria. — Falando sério, tome cuidado para não acabar se apaixonando e se decepcionar depois, caso venha descobrir que ele não é nada do quer diz ser.

— Vou tomar, April — assegurei envolvendo suas mãos na minha enquanto sorria agradecida para minha amiga. — Obrigada por me ouvir e sempre estar ao meu lado.

— Não precisa agradecer, amigas são para isso — disse amorosa apertando minhas mãos — Mas acho que devíamos pensar em outro horário para as nossas conversas depois da sua união, porque tenho certeza que quando tiver seu parceiro não vai querer ficar jogando conversa fora comigo, quando pode desfrutar da companhia dele. — Apontou maliciosa e sorri concordando vendo-a se levantar da minha cama.

— Boa noite, April, tenha um bom descanso.

— Boa noite e um bom descanso, alfa Lara. — Desejou afastando-se da minha cama, deligando a luz antes de sair, me deixando a sós em meus aposentos.

Fechei meus olhos tentando relaxar na escuridão do quarto em que dormia desde que nasci, mas logo um torpor desconhecido tomou conta de mim levando-me para um estado de inconsciência que os anciões do clã diziam ser o momento em que a deusa lua falava com seus filhos.

— Lara...— ouvi uma voz familiar chamando da janela do meu quarto e fui até o local, vendo que não havia ninguém na varada e nem lá fora. Era como se a voz viesse do nada. — Lara...— Continuou a me chamar com urgência dessa vez.

— Estou aqui — respondi olhando ao redor tentando ver quem era — O que deseja de mim? — Perguntei para a noite escura e logo meu olhar se voltou para a lua cheia, dominando o céu noturno como uma rainha.

— Corre perigo... Único de sua espécie...Proteja meu filho... — a voz implorou com urgência se dissipando no ar gradativamente, enquanto tentava entender de quem a deusa lua se referia.

Despertei sobressaltada, olhando para a janela do meu quarto, na esperança vã de obter mais informações da voz desconhecida que julgava ser da mãe dos filhos da lua.

Quem seria seu filho que estava correndo perigo?

Até onde sabia não existiam perigos para os filhos da lua, mantínhamos um acordo amigável de anos com nossos inimigos naturais os vampiros, e os humanos viviam sobre a constante vigilância deles. Mas e se a deusa lua, estivesse apenas se referindo a um dos seus filhos e não a todos?

E qual seria sua importância, para fazer com que a deusa se comunicasse comigo pedindo sua proteção?