Frozen Heart
5 The Scarf

Katarina POV
– Vira de lado, gatinha! — Um cara de blusa preta e uma máquina fotográfica na mão dizia enquanto me fotografava — Prontinho, próximo! — Ele dizia me empurrando enquanto eu esbarrava com a Diane entrando com as mãos algemadas, me espantei e senti que colocavam a algema em mim também.
Me encaminharam para as celas e me deixaram dentro de uma delas, logo depois jogaram a Diane lá também, só que na cela ao lado.
Um tempo depois nos chamaram para o refeitório, tirando nossas algemas por alguns minutos. Peguei a bandeja e colocaram um treco dentro do prato e eu fiquei me perguntando o que era aquilo que parecia ser tão gosmento.
Me mandaram pro lado chamando pelo próximo, olhei todo aquele lugar imundo e localizei uma cabeça loira, era a Diane. Corri até a mesa em que ela estava e sentei na sua frente, perguntando:
– Como é que viemos parar numa cadeia? — Perguntei.
– Sei lá — Ela dizia colocando a colher na boca e mastigando — Só sei que a comida é boa! — Exclamou ela.
– Para de comer essa gororoba aí! — Empurrei o prato de lado e e ela puxou de volta.
– Me deixa! — Exclamou ela — É bom!
– Jeito estranho aquele dos policiais prenderem três adolescentes! — Eu falava preocupada enquanto Diane puxava o meu prato para comer também.
– Aquieta essa boca, comilona! — Puxei o prato de volta.
– Você vai comer isso? — Ela perguntou.
– Claro que não, né?!
– Então pronto! — Ela puxou o prato de volta e começou a comer de novo, bufei.
– A Ju uma hora dessas... — Uma voz feminina me inerrompeu.
– Katarina Meyson e Diane Mary, são vocês? — Ela abaixou a prancheta olhando para nós duas.
– Sim. — Dizemos em coro e a Diane com a boca cheia.
– Podem me acompanhar por favor? — Perguntou a moça vestida de policial.
– Claro. — Eu disse e fui andando atrás da moça. Olhei para trás de relance e quando olhei de volta reparei que Diane estava com o prato na mão, ainda comendo — Para de comer, isso! Parece que nunca viu comida! — Exclamei rindo.
– Não mas... — Interrompi ela me livrando da gororoba, jogando-a no lixo que passávamos por perto — Oh velho! — Ela retrucou.
Continuamos andando atrás da moça que nos levou a sala do delegado e Ju estava lá nos esperando com uma cara nada boa. O delegado deu autorização e ela nos puxou pelo braço.
– Como é que vocês me aprontam uma dessas? — Disse Ju enquanto saímos da delegacia -Eu estou chateada com vocês, sinceramente. — Disse ela destravando o carro.
– Mas Ju, foi ele que.... — Ju interrompeu Diane enquanto eu entrava no carro.
– Mas nada! — Exclamou ela — Isso vai dar problema, vai chegar no ouvido dos pais de vocês e é sujeito de vocês terem que morar com eles até completarem os dezoito anos que vocês não tem.
– Aí, calma Ju! Nós não fizemos nada! — Disse Diane.
– Mas deu a entender. — Afirmou Ju.
[...]
No fim de semana, eu não fiz nada além de dever de casa, trabalhos, conversar com a Diane. Ainda não descobrimos o paradeiro de Nícolas, mas parece que ele se safou da cadeia. Diane está meio arrasada, mas eu andei conversando com ela e tentando acalma-la sobre sua situação.
[...]
Na segunda feira de manhã, acordei pra ir pra escola, só estava Diane em casa. Ju foi trabalhar e Luisa foi mais cedo pra escola com a Jessika fazer não sei o quê. Desci as escadas e fui pra cozinha, após minha higiene matinal. Mesma rotina de sempre e aquela coisa toda
– Ai amiga! — Disse Diane preparando seu lanche — Eu queria beijar logo! Faz tanto tempo que eu não beijo que parece que eu sou BV! — Ela finalizou e eu ri.
– Pois é... beijar é tão bom! — Exclamei e ela riu.
– Pena que você não sabe como é! — Ela disse bem humorada e eu fiz aquela cara que eu sempre faço quando apronto alguma — Espera aí! Vocês perdeu o BV amiga?!!
– Perdi. — Afirmei.
– E você não me fala nada né, sua vadia! — Ela disse me dando um chute, rindo e parando — Com quem foi? — Perguntou ela.
– Ninguém não.. — Eu disse tentando abafar o caso.
– Ah fala, vou te fazer cócegas! — Vadia escrota essa Diane, ela sabe que eu odeio cócegas e começou a fazer até eu cair no chão.
– Tá bom! Tá bom! Eu digo! — Exclamei mas ela não parou — Carter!!
– O quê? — Ela ficou séria — Aquele que tem namorada? — Perguntou ela — Ele traiu ela contigo?!
– Sim... — Disse pegando o celular e vendo que eu estava atrasada para escola — Depois eu te conto! — Peguei a mochila e saí correndo.
Passei por toda aquela neve, embrulhada nos casacos, com o cachecol voando sobre meu pescoço. Passei na casa da Lucy, ela me contou sobre as tretas dela e depois de entrar na escola cada uma foi pro seu devido corredor. Chegando perto da porta da sala de Português, Loyse estava do lado de fora me esperando sendo que a porta da sala já estava aberta. Fui em direção à ela e perguntei:
– Ué Loyse, porque você ainda não entrou? — Perguntei rindo.
– Porque eu estou com vergonha de entrar sozinha! — Ela disse sorrindo e eu ri — E o que você está fazendo sem cachecol? — Perguntou ela enquanto entrávamos na sala.
Olhei pra baixo e não vi "rabo" do cachecol, peguei no pescoço e nada também.
– Oh Deus, fala sério! — Eu disse rindo e indo em direção a cadeira — Perdi meu cachecol!
Imagine: Uma sala com cinco fileiras, a Loyse senta na ultima carteira da segunda fileira da direita pra esquerda, eu sento na ultima carteira da terceira fileira, respectivamente à Loyse e o Carter tem que sentar logo na última carteira da quarta fileira respectiva à mim. Resumindo tudo, estávamos em fileiras diferentes porém um do lado do outro. Se eu virasse pra direta eu veria Carter e se eu virasse pra esquerda eu veria Loyse.
A professora passou um teste porreta para fazer onde ninguém achava a resposta. Olhei pro lado onde Loyse abaixou a cabeça de encontro com a mesa e ficou quieta enquanto a professora saía da sala.
– E aê, alguém achou a resposta da primeira? — Perguntou Carter enquanto eu desviava meu olhar pra ele e voltava pra Loyse que ainda estava com a cabeça baixa.
– Loyse?! — Chamei e sem resposta — Loyse!! — Quase que gritei e ela tomou um susto.
– Que foi? Que foi? — Perguntou ela.
– Você estava dormindo? — Perguntei.
– Katarina! — Ela exclamou — Eu vi uma coisa! — Disse ela.
– Oxê, viu o quê? — Falei e a professora voltou para sala.
Voltamos a posição de bons estudantes que não colam na hora da prova. Aquela bendita prova custou nossos dois horários inteirinhos e tenho certeza que não foi só eu que chutou umas dez. Aquela coisa era de múltipla escolha e ainda estava difícil assim, queria ver se não fosse.
A música tocou e nós nos levantamos em direção a sala de Espanhol. Saí da sala da professora de Português surpresa por ela não ter me dado a bronca que sempre dá, dizendo meu nome repetida vezes: "Katarina, Katarina...." — A voz de Loyse interrompeu meus pensamentos quando ela segurou meu braço também dizendo meu nome quase junto aos meus pensamentos.
– Katarina! — Começou ela quando chegávamos na porta da sala de Espanhol — Acho que eu estou ficando doida, velho! — Ela disse quando estávamos entrando.
– O que você viu, que você não me disse? — Perguntei enquanto íamos para nossos lugares.
– Deixa... — Ela sentou e abriu o seu livro de The Walking Dead — Se acontecer de novo eu te conto! — Ela finalizou tirando o marcador.
– Não! — Exclamei sacudindo o braço dela — Começou, termina! — Falei.
– Então deixa o terminar o capítulo aqui, depois eu termino a história, ok?
– Ok. — Assenti virando pra frente.
A professora começou a falar em Espanhol e eu desviei olhando pros meninos no outro lado da sala, eles estavam vendo a foto da namorada de Carter na tela do celular, mas eu não pude ouvir o que eles diziam.
– E aê, social na minha casa sábado! Quem quiser ir... — Disse Carter e todos comentaram sobre.
Passou um tempo, ainda na aula de Espanhol e eu me virei para Loyse:
– Já terminou o capítulo? — Perguntei.
– Sim... — Ela disse.
– Agora me conta, por que você está ficando doida? — Tentei de novo.
– Velho.... — Ela parou pra por a mão na testa — Eu estou ficando doida! — Ela repetiu.
– Tá... — Assenti. — Disso eu sei! — Ela riu — Mas por que?
– Porque tipo assim... — Ela começou — Eu estava no aeroporto voltando pra cá, daí uma coisa tapou minha vista e eu não vi nada mais, só vi um menino com o cabelo preto preto preto preto preto.... — Interrompi.
– Meu Deus, calma! Já entendi que era preto.- Olhei pra ela.
– Sim, era muito preto e ele estava andando em uma rua onde aos lados tinha muitos prédios. — Ela terminou uma parte — Enfim, agora na aula de português, minha vista escureceu de novo e apareceu uma parede, e uma porta nela, que levava à uma escada e esse menino empurrava uma garota de contra a parede e beijava ela, e essa garota estava nua. — Ela finalizou.
– E depois? — Perguntei.
– E depois sumiu... É como se... — Ela tentou.
– Você imaginando coisas? — Perguntei.
– Não... — Ela tentou de novo — É como se .... — Ela pensou — Sei lá, se tipo eu estivesse na rua e isso acontecesse eu ia cair porque tapa minha visão e eu não consigo sair disso. — Finalizou.
– Eita... — Eu disse — Que estranho... — Terminei minhas palavras e a música tocou, era o intervalo.
– Vamos? — Ela disse levantando.
O intervalo era a hora que cada um ia pro seu devido lugar, seu devido grupo. Maddox ia com seu amigo Ben, que aproposito me deu um abraço, tipo OK. Carter ia com o Christer que segurava...
– Meu cachecol! — Afirmei baixo para Loyse olhando fixamente para Christer segurando o cachecol em suas mãos e Lauren, sua namorada, ou ex namorada, sei lá, estava puchando MEU cachecol e colocando em seu pescoço.
– Onde? — Disse Loyse enquanto eles passavam em nosso lado dando pra ouvir a conversa.
– Ai! — Disse Lauren — Eu amei esse cachecol, me dá ele? — Ela perguntou com aquela voz chata.
– Pode ficar, eu achei ali na entrada da escola. — Disse Christer não ligando muito e me localizando e parando para me olhar.
– Oi! — Ele disse e a Lauren se afastava em direção à área verde apreciando seu novo cachecol sobre aquela neve.
– Aquele cachecol é meu! — Afirmei meio raivosa.
– Ei! — Ele protestou — Eu não sabia, tá legal? — Respirei fundo.
– E o que foi? Você voltou com a Lauren? — Nunca tinha falado sobre ela com ele, então foi meio estranho.
– Por que se importaria? — Perguntou ele e eu respirei fundo novamente impaciente.
– Sabia que só um idiota responde uma pergunta com outra pergunta? — Perguntei.
– E então, o que você acabou de fazer? Já posso te chamar de idiota? — Ele perguntou de novo.
– PAREM! — Loyse protestou por estar sendo excluída da conversa -Na lógica de vocês os dois são idiotas porque os dois estão se fazendo pergunta o tempo todo! — Exclamou ela.
– Ah... -Bufei — Vamos Loyse, não se misture com essa Gentalha! — Afirmei enquanto ela quase ia em direção ao Christer dizendo:
– Gentalha, gentalh... — Ela parou pra raciocinar — Não, pera. O que eu estou fazendo? — Ela disse rindo e eu saí rindo olhando pro Christer que também ria.
– Oi Katarina! — Disse Lucy em minha direção, finalmente vi ela no intervalo.
– Oi Lucy! — Eu disse avistando o menino do interclasse por trás dos ombros de Lucy e não pude evitar de comentar — Velho! Ele é muito lindo! — Eu disse porque realmente era lindo e não tinha como contentar as palavras.
– Quem? — A Lucy que estava na minha frente, se virou.
– Aquele de bermuda branca! — Exclamou Loyse se encostando na parede do corredor.
– Ah, o Tailer! — Ela disse — Ele namora a.... — Interrompi ela antes que ela falasse o nome da menina.
– Eu sei! — Quase dei um grito. — Nossa, o nome dele é Tailer? — Perguntei.
– Sim, você não sabia o nome dele? — Lucy perguntou.
– Não... — Assenti. – Pois é. Eu queria falar com ele! — Afirmei.
– Então fala! — Na mesma hora que Loyse disse isso a Lucy disse:
– Acho melhor não!
– Assim vocês me confundem! — Eu disse.
– Assim, Kat... Eu acho que se você quer se aproximar e tudo mais, você se aproxima ué. Não é o fato de ele ter namorada que vai fazer o menino virar anti-social e tals. Essa é minha opinião. — Afirmou Loyse.
– Na minha opinião, você não devia, porque aí você vai gostar mais dele ainda e vai ser pior pra você porque talvez ele não termine com a namorada dele... — Uma das amigas de Lucy, Tainá, interrompeu chamando-a urgente. — Já volto — Disse Lucy — Talvez.
– E agora, Loyse? — Perguntei.
– Acho que devia falar sim. — Disse Loyse.
– Qual nosso próximo horário? — Peguntei mudando totalmente de assunto.
– Área verde! — Exclamou ela — Horário vago.
– Êba! — Afirmei vendo o Tailer ir em direção a área verde também — Vamos pra lá! O Tailer está indo pra lá! — Puxei Loyse e fomos para área verde.
Estava todos lá. Maddox, Carter, Christer...
– O Christer está voltando a falar com a Lauren? — Perguntou Loyse enquanto entrávamos na área verde.
– Parece que sim. — Eu disse olhando em volta — Acho que é meio inevitável quando se é da mesma sala e tem um monte de amigos em comum. — Afirmei.
– Verdade... — Disse Loyse também checando em sua volta — Ué, cadê o Tailer? — Perguntou Loyse olhando em volta.
– Ué, ele veio pra cá! — Eu disse indo em direção porta da área verde e olhando pra fora, em direção a cantina — Ele está ali! — Afirmei.
– Você quer ir lá? — Perguntou Loyse — Se você quiser nós podemos pegar comida também e tudo mais, pra disfarçar... — Ela foi finalizando a frase e eu fui pensando, até que eu a interrompi.
– Deixa... não vou ficar seguindo o menino! — Exclamei — Nosso próximo horário é aqui na área verde, vamos ficar aqui logo. — Afirmei e surgiu uma ideia imaginária na minha cabeça — Se ele resolver matar aula e vir pra área verde, eu prometo que falo com ele. — Finalizei.
– Tá bom. — Loyse me olhou com aquele olhar de "Você quem sabe." — Mas é bom falar mesmo. — Ela finalizou e então fomos em direção a uma das mesinhas.
O tempo passou e nós ficamos apenas pensando na vida... eu pelo menos né, a Loyse sempre estava lendo seu livro de The Walking Dead e eu sempre arranjando amigas que gostam de ler. O sinal logo bateu e todos do intervalo foram descendo para o pátio em direção as suas salas, inclusive Christer, que vinha da mesinha distante em que estava e ele saía de lá conversando com a Lauren... será se eles voltaram? Eu devia ter imaginando que esse drama todo pode ter sido mesmo só uma briguinha de meia hora e que eles "jázinho" estariam juntos novamente. Está certo, o que eu não faria pra ver o menino que eu gosto ser feliz? É claro que eu suportaria ver ele com outra garota, passando, conversando, sorrindo na minha frente, com o MEU cachecol... mas não posso esquecer que eu também suportaria ficar sem um coração.
Logo veio nossa "turma da bagunça" para onde estávamos, nós ficávamos juntos na sala, pois é. Então, começamos a conversar e a rir, Loyse lia e ria de vez em quando. Na área verde, tinha uns que ia jogar ping pong, outros iam só pra ficar comendo, os nerds faziam dever que nem tinha e o resto era tudo matando aula. Olhei pro meu lado direito, onde levava em direção a porta e dei de cara, ou melhor de corpo — e que corpinho gostoso — do Tailer, vindo em direção a área verde.
– Loyse!! — Levantei a voz em meio silêncio.
– Ahn... — Disse ela concentrada no livro.
– Olha quem está vindo pra cá! — Falei e ela logo levantou a cabeça olhando para trás.
– O Tailer!! — Logo que ela falou uma das nossas colegas de sala protestou:
– Quem é Tailer? — Perguntou — O menino que qual de vocês gostam? — Ela disse rindo já adivinhando, enquanto eles passavam — É qual deles? — Ela perguntou.
– É aquele de calça branca. — Eu afirmei baixinho.
– Aquele ali??? — A menina disse apontando quase gritando e eu corri pra longe da mesinha e fui em direção à outras duas colegas nossas que conversavam perto da vendinha.
– Oi, é.. — Eu comecei — Eu corri aqui, porque o menino que eu gosto veio pra cá e as meninas fizeram um escândalo... — Elas me interromperam se entreolhando.
– Hmmmmmm — Elas deram uma pausa — Cê tá gostando de alguém! — Antes que elas pudessem perguntar "quem", a Loyse veio correndo em minha direção me puxando.
– Você prometeu, agora você vai falar com ele! — Ela exclamou me puxando de volta para a mesinha.
– Você quer ajuda, Kat? — Perguntou aquela mesma colega nossa — Pra falar com ele... — Interrompi.
– Não sei, gente... — Tentei — Ele tem namorada! — Afirmei.
– Mas não é porque ele tem namorada que ele não tem voz, não tem boca pra conversar contigo! — Exclamou Loyse.
– Eu já ouvi essa frase antes... — Fiquei tentando lembrar da onde até que caiu um floco de gelo no meu nariz.
Olhei pra Loyse e um floco de gelo caiu nas pontas de seu cabelo fazendo ela olhar pra baixo e ficar se perguntando. Isso aconteceu com todos que ali estavam. Olhei para Tailer, que pressionava as pontas dos dedos de sua mão em sua testa, próximo a sua sobrancelha e franzia a testa olhando pro floco de gelo. O floco de gelo estava em seu perfeito estado, parecia coisa de filme americano, filme de desenho, onde o floco fica perfeitamente intocável. Agora imagine uma neblina... imaginou?? Agora imagine uma neblina muito forte. Agora imagine uma neblina muito mas muito forte! Imaginou? Foi assim que a área verde ficou, o frio aumentou e logo eu senti falta do meu cachecol.
– Katarina, cadê você? — Perguntava Loyse por estar tudo tão branco que dificultasse a visão, era como a escuridão só que a claridão. Faz sentido? Não? Ok.
Dei um passo para trás, sentindo as pessoas correrem para baixo, em direção ao pátio. Foi nisso que eu tropecei no pé de alguém, caindo de costas em seus braços.
– Menina! — Ele exclamou me levantando, foi quando eu percebi que era Tailer e segurei em seu braço.
– Espera! — Pedi e no meio da névoa toda, senti ele me olhar atento — Deixa eu ir com você! — Finalizei e ele concordou me puxando pelo braço.
Tentamos achar a porta, em meio aqueles empurrões, por mais que ele tivesse namorada, o fato de ele estar segurando minha mão, era um emocionante fato de se ver, ou melhor, sentir. Ele me levou até o pátio, onde as pessoas se encontravam mais calma, pelo ambiente ser coberto, a névoa não dominava muito.
– É... — Disse Tailer soltando minha mão e parando na minha frente — Então..
– Obrigada... – Disse eu — ...eu acho. — Sorri e ele sorriu de volta se virando para os amigos dele.
– Katarina, minha irmã! — Lá se vinha Loyse e seu sotaque — Onde tu se meteu? — Ela perguntou.
– Eu... — Comecei a tossir — Eu... — Tossi novamente — Vim com o Tailer! — Consegui terminar mas continuei tossindo.
– Hmmmmmm — Ela me olhou torto mas antes que eu pudesse falar algo eu continuei tossindo, até que ouvimos uma intervenção.
– Alunos e Alunas, por favor podem sair e vão direto para casa, tentem ir por caminhos retos. Obrigado pela atenção. — Disse o diretor da escola em meio as caixas espalhadas pelos corredores e pátios.
– Vamos pra minha casa Loyse? — Terminei de falar segurando a tosse e alguém veio pulando em mim e me abraçando ao mesmo tempo.
– Gente, que isso? Que frio é esse? É o apocalipse!! — Carter sempre animado.
– Preciso — Disse tentando me acalmar da tosse — do cachecol! — Disse colocando a mão na minha garganta e arranhando.
– Quer o meu emprestado? — Perguntou Carter.
– Não! — Bati o pé no chão — Eu quero o MEU cachecol, o MEU! — Eu disse.
– Mas você nem está de cachecol... — Tentou Carter e eu ri de leve quase soltando outra tosse.
– Isso porque ele caiu do meu pescoço na hora que da entrada e o Christer pegou e deu ele pra Lauren! — Afirmei e o Carter olhou direto pra Christer.
– E aê! — Exclamou — Devolve o cachecol da menina aê, otário! — Dizia Carter enquanto ia na direção de Christer, mas Carter parou quando viu que Christer se desencostava da parede e do grupinho dele e vinha m nossa direção.
– O quê? — Perguntou Christer chegando na minha frente.
– Meu cachecol, eu quero! — Eu falei e Christer virou para trás, bem na hora que Lauren passou e ele puxou o cachecol pela ponta, nas costas dela, sem que ela vesse, acho que ela nem sentiu.
– Toma. — Ele me entregou o cachecol esparramado em suas mãos abertas.
– Ótimo! — Exclamei pegando cachecol e levando em direção ao meu pescoço mas parei perto do nariz sentindo um perfume diferente — É O PERFUME DELA! — Quase que gritei — Eu quero que você lave... — Christer me interrompeu.
– Tá bom, tá bom! — Ele disse me empurrando de vagar com a mão direita no meu ombro esquerdo — Vamos indo porque aquele bandinho lá não espera pela gente! — Ele disse se referindo à Carter, Loyse e talvez Maddox, que já estavam andando lá na frente — E coloca logo esse cachecol porque essa tosse está me dando nos nervos! — Exclamou ele.
– Cala a boca! — Exclamei.
Fomos em direção a Loyse e Carter, conseguimos finalmente acompanha-los. Mas eu não vi Maddox.
– Uai Loy, cadê o Mad? — Perguntei.
– Mad nada, minha filha... — Ela foi interrompida.
– Eles brigaram! — Disse Carter.
– E você não me fala nada? — Perguntei e Carter me cutucou apontando para Maddox que conversava com a Lauren. — Ecaaaaaaaa! Eca, eca, eca, eca! Maddox e Lauren? Que nojo! — Disse eu e Loyse abaixou a cabeça.
– Melhor mudarmos de assunto! — Afirmou Carter — Chega aí, Gary! Está afim de assistir um filme na casa de uma amiga hoje? — Perguntou Carter.
– Na casa de quem? — Perguntou Gary de longe.
– Pode ser na minha. — Afirmei.
– Na casa da Katarina! — Exclamou Carter.
– Oxe, bora! — Exclamou Gary vindo em nossa direção e cumprimentando Christer, logo em seguida Carter.
A névoa estava horrível , mas conseguimos sair da escola sã e salvos, mesmo que lá fora estivesse neblinando muito, quero dizer... a névoa está cobrindo tudo. Ainda bem que o caminho até em casa era só virar a direita, ir reto, reto, reto, reto e virar à esquerda.
Fizemos isso e depois de um tempo estávamos em casa, na minha casa, na minha casa e a das meninas. Ju não estava, o meu celular tocou, era Diane no snap:
Snapchat:
– Aproveitei a névoa e saída mais cedo e vim visitar meus pais, com a Luisa e a Jessika. — Diane com uma selfie dela com os pais dela.
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– Quantas horas são? — Perguntei.
– 10:30. — Disse Loyse.
– Então, beleza! — Disse saindo do lado do Christer e subindo as escadas em direção ao meu quarto.
Pulei encima da cama e me embrulhei em tudo quando foi edredom. Senti algo material embaixo de minhas costas, passei a mão por trás e era meu iPod, peguei o fone e estava todo enrolado, deitei de bruços debaixo do cobertor e comecei a desenrolar. Senti alguém entrando no quarto, em meio aquele silêncio, o barulho das pisadas.
– Posso entrar? — Era a voz de Christer. Olhei para trás, mas fechei a cara e voltei a focar no fone.
– Já entrou. — Falei curta.
– O que foi contigo? — Ele perguntou indo para um pouco mais perto da parede, mas não se encostando.
– Nada. — Respondi seco.
– Nossa, é incrível! — A voz dele suava indignado, mas eu não respondi e ele resolveu tomar a frente mesmo sem minha curiosidade — Quando eu finalmente termino com a Lauren, você fica fazendo cu doce.... — Interrompi ele me sentando diante de todo aqueles edredons.
– O que eu tenho a ver com o término do seu namoro? — Perguntei.
– Ué... — Ele disse como se fosse óbvio — Você gosta de mim! — Ele exclamou e me subiu uma raiva pela convenção dele.
Joguei o iPode com tudo no ar, tentando acertar a altura dele para que ele pudesse levar uma "iPodada" na cara. Mas o iPod passou raspando pelo topete dele e ele segurou o fone. Se não tivesse sido tão forte o meu lançamento, o iPod teria ficado pendurado no fone, mas não... o fone desenganchou do iPod e ele bateu com tudo na parede, só que...
– Você quebrou a parede??? — Perguntou Loyse, parecendo ter visto toda aquela cena — Como você fez isso? Que força é essa? — Perguntou Loyse entrando do nada.
– O que é aquilo? — Disse Christer olhando dentro do buraco que se formou na parede. Lembrando que a parede do meu quarto dá direto no porão.
– Deixa eu ver!! — Joguei as cobertas de lado e me levantei rapidamente e realmente... que diabos é aquilo?
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