Frozen Heart
7 One Day Without Memories

Katarina POV
Acordei tomando um susto, meu celular vibrando, era um snap e vendo que eram seis e quarenta da manhã, percebi que meu despertador tinha tocado e eu não tinha reparado. Graças a esse snap eu vou hoje pra escola, deixa eu ver de quem é...
– Bom dia! Sabia que seu sorriso é lindo? — Era um snap do Ben, tinha que ser. Em seguida recebi outro snap:
– Bom dia, Kat! Está melhor? — Dessa vez era o Carter, mas... melhor de quê?
– Bom dia Kat! Fiquei sabendo do que aconteceu, espero que melhore, beijo. — Era um snap do Christer... PERAÍ, UM SNAP DO CHRISTER??
– DIANE! — Dei um grito.
– Que foi? Que foi? Você está bem? — Diane veio correndo.
– Estou. Aliás estou me sentindo melhor do que o normal. — Eu disse em uma simplicidade que Diane me olhou tipo:
– Sério? — Perguntou ela.
– Sim. — Afirmei me sentando na cama. — Mas o que aconteceu comigo?
– Algo bem sério, pra você estar nesse bom humor todo... — Ela disse.
– Fala logo! — Exclamei.
– Você desmaiou ontem no seu curso de inglês, Carter te trouxe de volta no carro da mãe dele... — Interrompi ela.
– O Carter? — Questionei — Espera.. Esperai! Eu conheço o Carter não faz nem duas semanas! — Eu falei isso e Diane veio com a mão na minha testa.
– Uai... — Ela disse me olhando sismada — E nem está com febre! — Ela exclamou.
– É claro que eu não estou com febre! — Eu levantei pegando minha toalha. — Eu vou é banhar porque está dando sete horas e eu preciso ir pra escola.
– Tá né. — Disse Diane saindo do quarto.
Depois de tomar meu banho, eu saí correndo do banheiro e vestindo minhas roupas nas pressas, calcei meu tênis, virei pro lado, peguei meu celular. Apalpei a cama, levantei o travesseiro mas não achei meu iPod. Estranhei, mas já estava dando sete e vinte, eu estava dez minutos atrasada, coloquei meu celular na cintura e desci as escadas correndo e chegando lá embaixo ignorei a cozinha.
– Vai lanchar não guria? — Perguntou Luisa.
– Não... — Eu disse ajeitando minha mochila nas costas — É... você viu meu iPod? — Perguntei.
– Não, não vi... — Disse Luisa.
– Nem eu... — Disse Ju.
– Ninguém viu seu iPod porque você quebrou ele! — Exclamou Diane descendo as escadas. — Lembra não? — Ela disse eu franzi a testa olhando pro nada.
– E você tá indo pra onde sem blusa de frio? — Disse a Ju e eu me lembrei que estava atrasada e fui em direção a porta principal.
– Pra escola! — Exclamei e quando abri a porta veio um vento enorme e branco na minha cara, surtei. — Por quê que está NEVANDO? — Perguntei desesperada e as meninas me olharam estranho como se nevar nesse país fosse normal. Franzi a testa novamente em reação ao silêncio delas — Vou entrar no segundo! — Subi as escadas e vesti umas roupas de frio.
Saí de casa logo em seguida, mas não ia chegar a tempo pro primeiro horário, então eu estava ciente de que ia passar horas na área verde fazendo nada.
Ir pra escola na neve era estranho, eu estava deslizando as vezes, perigando cair bem ali no meio da rua, mas tudo bem. Eu ainda não entendi o que está acontecendo, Christer e Carter mandando snap diretamente pra mim? A única coisa que eu vi de normal hoje foi o Ben falando que o meu sorriso é lindo... sinceramente, não estou nem um pouco afim do Ben, se ele gostasse mesmo de mim seria outra história. Mas enfim, essa neve e esses snap's estão me fazendo sentir presa em algum tipo de sono.
Cheguei na escola e fui direto pra área verde. Escolhi uma das mesinhas para... bem, sentar. Confiei na minha roupa de couro no caso de ficar algum floco de neve enroscado, sei lá, eu não sei como lidar com neve, mas tinha gente sentada então eu sentei também. Engraçado era o fato de como as pessoas reagiam tão normalmente com essa neve toda. Peguei um livro para ler e tentei me concentrar ao máximo. Nem se quer olhei ao redor pra ver se alguém me conhecia.
Bolinhas pequenas de neve começaram a me acertar. Eu pensei que não fosse nada de início mas começou a ficar frequente, uma respectivamente à outra. Olhei para trás e para os lados, até que avistei Maddox e seu amigo quem? Isso mesmo, Ben. Olhei pra ele com cara de "sério isso?", já ele ria muito e olhava em minha direção. Bem do Ben, que eu estava de bom humor.
Logo a música tocou e fomos cada um para sua devida sala, no caminho, Ben chegou no meu lado e me deu um beijo no rosto... não vou dizer que não gosto, porque às vezes é bom ter o carinho de alguém, sabe? Mesmo que esse carinho viesse do Ben. Mas então eu ignorei e fui em direção a sala de Física, onde no caminho, Gary passou do meu lado e tocou meu cabelo.
– Oi Kat! — Ele exclamou passando por mim.
Eu até pensei em responder mas foi muito rápido. O que está acontecendo? Eu sei muito bem quem é Gary mas até aonde eu lembro eu e ele nunca nos falamos antes. Será se ele gosta e quer se aproximar de mim? Nunca um menino quis se aproximar de mim antes... quero dizer, o Ben não conta.
Entrei na sala e fui em direção aonde Loyse estava sentada.
– Mulher de Deus! — Ela disse — Pensei que tu não iria vir hoje! — Ela exclamou — Você não sabe o que aconteceu! — Ela começou a rir.
– O quê? — Eu perguntei me sentando na carteira em sua frente — Aliás me conta o que está acontecendo porque eu não estou entendo nada! — Exclamei.
– Como assim, Kat? — Ela parou de rir me olhando.
– Psiu, meninas! — O professor chamou a atenção — Estou explicando os Vetores.
– Na próxima aula eu te falo. — Disse baixinho e me virei para frente obedecendo a ordem do professor que prosseguiu com a explicação.
[...]
A música pro intervalo tocou, de cara estranhei o fato de já ser o intervalo, mas aí lembrei que entrei no segundo horário. Fui pro intervalo achando que ia ser mais um dia normal de escola, mas com aquela neve, já não era normal. Eu e Loyse nos encostamos em um dos corredores, que não tinha neve, quando eu fui deslizar pra me sentar alguém apareceu do nada me abraçando forte.
– Katarina!! — Ele disse na sua voz masculina, mas eu não achei que fosse a voz do Ben, que seria o único que faria isso — Eu preciso falar com você, urgente! — Ele desabraçou.
– CHRISTER? — Dei um grito — Desde quando somos tão próximos assim?
– Droga! — Exclamou ele com os dedos das mãos na testa. — Ela já esqueceu... — Christer se virou pra Loyse.
– Esqueceu do quê? — Loyse saiu do mundinho dela, tirando os fones — Do que tu tá falando, Chris?
– Que? O que? Como assim "Chris" ? — Fiz aspas com os dedos.
– É que assim... — Uma voz feminina interrompeu Christer.
– O que você está fazendo com o meu namorado, mini vadia? — Perguntou Lauren chegando do além.
– Nada... é... ele que veio... — Ela me interrompeu dando uma "torta de neve" na minha cara, onde todos que estavam por ali riram enquanto eu batia meus dentes de frio.
– Quão imaturo! — Exclamou Christer para Lauren — Katarina, me deixa falar... — Interrompi ele esbarrando-o e virando o corredor, desaparecendo da vida dele.
– Katarin... — Christer tentou e eu parei os meus passos apenas porque me deu uma pontada no peito. Olhei para trás e Christer se esquivava, com a mão também, no peito.
Virei meu rosto rapidamente para frente e continuei andando, meu rosto estava frio, eu estava morrendo de frio e ainda me acontece essa palhaçada.
Eu fui tirando a neve do meu rosto, até que eu me vi parada próximo a porta da área verde, sem ao menos perceber, e uma outra mão surgiu junto às minhas.
– Quer ajuda? — Perguntou ele, levantei o olhar e era Ben.
– Não, obrigada. Acho que duas mãos já servem... — Eu disse e parei vendo minha grosseria para um cara que me apresentou gentileza — Quero dizer, bem... — Fiquei procurando as palavras.
– Não... — Disse ele — Tudo bem, sabe. Mas o que foi que aconteceu, bebê? — Olhei para ele meio "sério isso" novamente, sobre esse apelido.
– Não.. não foi nada. — Eu disse.
– Chega aí Ben, preciso conversar contigo. — Disse Maddox passando reto.
– Vou ter que ir. Até mais. — Ben deu beijo no meu rosto e saiu.
Repentinamente, Carter veio até a mim.
– Katarina! Você tem que acreditar no Christer!! — Ele disse.
– Do que você está falando? — Olhei pra ele.
– O que houve com teu rosto? — Ele perguntou me ajudando a tirar a neve do meu rosto.
– A Lauren tacou uma bolada de neve na minha cara. — Afirmei.
– Nossa... — Terminamos de tirar a neve do meu rosto. — Mas você tem que acreditar no Christer! — Ele insistiu.
– Por que estamos tão próximos? Eu, você, Christer... — Eu disse.
– Você esqueceu de tudo. Christer sabe te explicar! Tudo vai mudar e ele vai morrer e só você pode impedir que isso aconteça! — Exclamava ele aflito.
– O quê? Você se drogou? Eu não estou entendendo nada. — Eu dizia.
– É porque você esqueceu. Sua mãe disse que precisa salvar Christer...
– Eu não tenho mãe! — Exclamei.
– Tá, calma. Mas pra salvar o Christer você precisa do seu coração de volta e seu coração está com ele! Mas o coração dele precisa estar com você para que você sinta amor o suficiente pra ajuda-lo. Você estava muito fria, Katarina. Assim como o clima. E a neve está derretendo e o sol está se abrindo porque seu coração está voltando para você. Mas o Christer vai ficar sem o dele e precisamos achar o dele! Lauren não tem mais seu coração então não sabemos onde ele possa estar. Assim que você salvar o Christer, sua memória vai voltar, infelizmente junto com sua frieza... — Explicava Carter e eu o interrompi.
– Vocês me querem como super heroína agora? De repente vocês precisam de mim? Se fosse eu vocês não fariam isso. — Eu falei.
– Para de drama Kat! Você sabe que faríamos sim! — Olhei pra ele — Quer dizer, pelo menos quando você estava com suas memórias você saberia.
– Tá bom então. O que eu preciso fazer? — Carter sorriu e colocou o braço sobre meus ombros me levando em direção a Christer.
– Primeiro você precisa sair da casa das suas amigas porque isso vai levar um tempo...
[...]
Cheguei em casa e as meninas estavam na cozinha brigando. Diane, Ju, Luisa e Jessika, estava uma gritaria, e eu resolvi falar em voz ambiente.
– Preciso conversar com vocês. — Mas elas estavam tão centradas na discussão que não deram a mínima. Ju ainda me olhou e fez um sinal com a mão para que eu esperasse.
Subi as escadas ainda estava fazendo um pouco de frio. Peguei uma mala das grandes e coloquei roupas de qualquer jeito. Peguei uma mochila e coloquei acessórios e maquiagens. Olhei pro buraco da parede e lembrei do que Diane me falou. Fui na dispensa, peguei um martelo e voltei rapidamente pro quarto, as meninas nem perceberam eu indo e voltando do outro corredor. Entrando no meu quarto fui direito para a parede e comecei a bater com o martelo. Tossi pela terra que estava saindo e tentei abrir um buraco pelo menos retangular que desse pra eu entrar. Com o martelo pesado era meio complicado, mas depois de uns minutos em meio terra, pedaços de pedras que era aquela parede agora, eu finalmente consegui. Entrei pelo buraco e tinha um gato preto lá dentro, na direita da minha visão. Minha tentação por gritar era grande por eu ter fobia de gatos pretos, ainda mais assim dentro de uma parede, onde já se viu? Mas essa parede também era o teto do porão e como o porão só tinha porcaria, pode ser que pudesse fazer algum sentido. O iPod estava do lado esquerdo. Olhei pro gato e depois olhei diretamente pro iPod. Dei passos rápidos e de leve, naquele piso mole, prestes a cair. Puis minhas mãos no iPod, no qual esta um pouco arranhado, e o gato miou vindo em minha direção. Saí correndo e o impulso que fiz com os pés tendeu ao piso cair e invés de o gato pular em mim, ele pulou no buraco e caiu no porão. Continuei correndo depressa vendo que o piso se quebrava a cada movimento. Pulei pelo buraco que eu fiz já avistando no chão, perto da cama, o fone de ouvido do meu iPod e coloquei dentro da mochila já finalizando minha mudança. Desci a escada de "vagarzinho" com a mala pesada e a mochila nas costas e as meninas ainda gritavam muito. Virei de costas para cozinha ficando de frente pra porta de saída.
– Ai eu cansei, Diane você faz o que você quiser! — Luisa dizia farta da discussão e eu pressenti que ela ia me ver abrindo a porta assim como o fez. — Katarina? — Ela disse assustada e finalmente todas prestaram atenção em mim assim que me virei de frente pra elas, que ficaram esperando por resposta.
– Eu estou indo embora. — Disse direta.
– Ah, eu estou indo com você, me espera! — Exclamou Diane — Eu não aguento mais... — Eu a interrompi.
– Não. — Afirmei — Estou, preciso... ir sozinha. -As meninas fizeram perguntas entre sí.
– Mas que merda que está dando nessas meninas? Queriam morar juntas à um ano atrás agora querem se separar. — Dizia Ju.
– Ninguém garantiu de que ia dar certo. — Disse Diane — Eu tenho um motivo e Katarina também deve ter.
– Ainda tem coisas minhas aqui. Se resolverem mesmo não morar juntas, me avisem por snap. Agora eu tenho que ir. — Afirmei abrindo a porta e saindo correndo até o carro que Carter me esperava.
Colocamos a mala no porta malas e a mochila no banco de trás.
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– Christer, por que doou sua casa para fazermos isso? — Eu dizia entrando no seu quarto enquanto ele estava deitado.
– Porque... — Sua voz estava fraca — Minha mãe morreu e eu achei que fosse melhor eu não ficar sozinho. — Ele disse.
– Quanta solidão. Ave Maria menino. — Eu falei rindo, colocando minhas coisas em um canto.
– Você com bom humor é outra coisa! — Exclamou ele e eu ri.
– Kat! Kat! Kat! — Dizia uma voz feminina entrando.
– O que foi? — Olhei para porta e era uma das minhas colegas.
– Eu tentei impedir de ela subir mas não deu. — Dizia Carter.
– Não, tudo bem. — Assenti enquanto Thaly estava aflita para falar.
– A Loyse! — Exclamou — A Loyse vai embora amanhã! — Ela exclamou.
– O quê? — Eu perguntei e uníssono com Carter — Como assim? Que dia é hoje? — Eu perguntei.
– Hoje é quatro de dezembro! — Exclamou Thaly.
– Valei-me! — Exclamei — Por quanto tempo eu dormi?
– Calma! — Começou Carter — Precisamos fazer logo o feitiço para Christer não morrer.
– Do que vocês estão falando? — Perguntou Thaly enquanto eu franzia a testa olhando pra Carter.
– Ta bom. Thaly, me escuta. Quando que ela vai? — Perguntei.
– Hoje de madrugada. — Disse Thaly.
– Ok. Então Carter, dá tempo de fazer o feitiço antes? — Perguntei.
– Sim. — Ele disse.
– Cheguei. — Dizia Lauren entrando.
– O que ela está fazendo aqui? — Perguntei.
– Mini vadia? Nossa que surpresa. — Ela disse irônica.
– Ok. Vamos apressar isso. — Eu disse e Carter me veio com um livro gigante entregando em minhas mãos e quase me fazendo cair no chão com todo aquele peso. — O que é isso?
– Um livro de feitiços. — Ele disse.
– Desde quando você sabe tanto sobre feitiços Cart? — Perguntei.
– Eu. — Dizia Christer com a voz meio rouca — Eu contei tudo ao Carter o que você tinha de fazer porque sabia que eu poderia não ter forças no dia. — Ele disse.
– E da onde que você sabe disso, Christer? — Ele disse.
– Sua mãe me contou. — Ele disse e eu fiquei mais confusa ainda e me deparei no que estavam fazendo.
– Peraí! Minha mãe não quis me cuidar! — Exclamei — E do nada vocês me dão um livro de bruxaria! Vocês estão zoando com minha cara?? Isso não existe. — Afirmei. e joguei o livro no chão.
Na mesma hora surgiu uma ventania no local, esfolheando o livro, e mais ou menos na metade das folhas o vento cessou e o livro parou intacto e aberto. Ajoelhei chegando perto perto do livro e lá estavam as instruções, as folhas eram como pergaminho. E estavam meio rasgadas. Olhei pra todos eles que me encaravam surpresos, esperando que eu fizesse algo. Então ei li em voz alta.
– Feitiço de transporte do coração: Precisará de sangue do feiticeiro; Do sangue da vítima; E do sangue da última pessoa que a vítima amou; Sobre a pele da vítima sem camisa, e massageada pela mão do feiticeiro será dito os versos abaixo três vezes seguidas... — Olhei pro livro incrédula.
– Eu não vou fazer isso! Credo. — Eu disse. — E que porra de língua é essa?
– Por favor, Katarina! — Disse Christer — Olhei pro livro, olhei pra ele e pensei comigo por alguns minutos.
– Me tragam uma faca! — Exclamei tomando a decisão mesmo achando que eu estava fora de mim.
Carter me trouxe uma faca enquanto Christer tirava a blusa e deitava novamente, de barriga para cima. Passei a faca na minha mão fechada sobre a região perto do coração de Christer, acima de sua pele como dizia o livro. Doeu, claro que doeu. Mas ninguém precisava saber então passei a faca pra Lauren fazer o mesmo. Ele teve um pouco de medo, mas acho que ao olhar pra Christer algo a impulsionou. Ela passou a faca para Christer que fez o mesmo acima de si próprio.
Olhei para o livro, respirei fundo e comecei a tentar decifrar aquela linguagem reconhecida, passando minha mão sobre todo aquele sangue.
Algo aconteceu,eu fechei os olhos, eu saí de mim, uma voz feminina disse os versos certos no meu lugar. Após as três vezes dos versos ditos eu abri os olhos de repente sentindo minha mão dormente, me sentindo acordar de um transe, olhei para as minhas mãos sujas de sangue e logo ouvi um barulho de Lauren esbarrando no chão. Olhei pro meu lado e Carter correu para checar e ela estava desmaiada.
– O que houve? — Perguntei assustada. — O que.. o que está acontecendo?
– Acho que... — Disse Christer — Deve ter dado algo errado no feitiço, ainda me sinto mal. — Assim que Christer terminou a frase eu levantei rapidamente de saco cheio.
– Então não foi um sonho? — Preguntei.
– Acho que alguém relembrou das memórias!
– O quê? Chega disso! — Eu disse alto me voltando tudo o que acabará de acontecer — Vocês tiraram minha memória!- Eu dizia indignada — Estou sendo alvo de algum tipo de câmera escondida! — Exclamei — Andando pra lá e pra cá pelo quarto — Tem alguma câmera aqui? — Derrubei algumas coisas da escrivanhia do Christer — Tenho certeza que tem aqui! — Derrubei algumas cosias em uma mesa que se encontrava apoiada perto da janela e algo veio voando na minha cara, era uma águia que me trazia um papel.
Em meio toda a bagunça que eu fiz eu me calei e todos ficaram em silêncio, nisso eu olhei de relance para Thaly e ela me parecia assustada. Mas eu li o papel em voz alta, como tinha feito com o livro.
– O feitiço deu errado. O coração do rapaz estava com a última pessoa que ele amou...- Parei e ri ironicamente — Que bobagem! — Exclamei.
– O que houve? Pensei que sua mãe tivesse te entregado o teu coração! — Exclamou Christer.
– Está falando de quê? — Abaixei o papel e olhei para ele.
– Continua lendo! — Exclamou Carter.
– Af, tá bom! — Resmunguei e voltei o papel mas não havia mais nada escrito. — Acho que estou ficando doida.
– O que houve? — Perguntou Christer.
– Não tem nada aqui! — Virei o papel — Quer dizer, tinha! Mas sumiu.
– Nossa, será se o que estava escrito tinha um tempo de duração? — Perguntou Christer.
– Ah fala sério! Vocês me fizeram sair de casa pra isso? Acho que essa tal mãe me devolveu meu coração mesmo, porque pra eu fazer uma caridade dessas! — Exclamei jogando o papel pra longe.
– Nossa, Kat... — Disse Thaly — Quão grosseiro.
– Fica na sua. — Afirmei.
– Então vamos ter que nos virar com essa pouca informação? — Disse Christer.
– Bom, o coração da Katarina não está mais com ela e se não foi pro Christer, quer dizer então que pode ter ido pra Lauren. Por ela ter desmaiado. — Disse Thaly.
– Como você sabe disso tudo? — Perguntei.
– Assisto muitos filmes de magia, gata! E eu estava aqui o tempo todo observando. Parece mais fácil pra quem não está no meio. — Disse ela.
– Verdade. Faz sentido. — Carter concordou em meio tosses aleatórias que vinham de Lauren acordando no colo do mesmo que tinha sentado no chão e apoiado a cabeça de Lauren.
– O que houve? — Perguntou ela com a voz fraca.
– Estou machucando gente de mais. — Disse Christer — Melhor pararmos de uma vez com isso.
– Não! — Eu senti uma pontada no peito e agi por puro impulso — Quer dizer, eu adoraria mas.. — Parei pra pensar – Christer... se o seu coração está com a última pessoa que você amou, e a Lauren não deu certo. Com quem está sem coração agora? — Ele me olhou.
– Você disse não! Você não quer impedir um ato de caridade, então só pode ter um coração aí dentro. — Disse Carter.
– E esse coração é meu! — Exclamou Christer.
– Então você me amou pela última vez? — Sorri e Lauren começou a chorar.
– Como assim? — Dizia ela — Você disse que me amava! — Exclamou Lauren. — Droga, por que estou chorando com tanta facilidade? Eu estou com raiva! — Ela estava com voz de choro.
– Calma! — Disse Thaly — Vocês tem de fazer o feitiço de novo. — Disse Thaly.
– Concordo. — Disse Carter.
– Ok. — Assenti.
Fizemos todo o processo, como vocês já viram antes. Dessa vez ninguém desmaiou.
– Então. — Abri os olhos novamente — Como se sentem? — Perguntei.
– Eu me sinto bem melhor! — Disse Christer agitado.
– Ah, que bom, seu otário! Que história é essa de que você não me ama??? — Dizia Lauren.
– Ahhh, a Lauren não está chorando! — Exclamou Thaly.
– Isso quer dizer que o coração de Katarina voltou para ela? — Perguntou Carter.
– Não.. — Eu disse desapontada. — Me sinto a mesma.
– Seu coração veio para mim. — Dizia Christer na mesma hora em que Lauren parou de sacudi-lo.
– E Lauren está sem coração, por isso está com raiva. — Thaly, menina esperta.
– Faz sentido. — Disse Carter.
Lauren se encolheu perto de parede e deslizou as costas até sentar no chão.
– Lauren. — Chamei ela.
– Que foi? — Disse ela tentando ser grossa mas sem sucesso dessa vez.
– Quer o coração de Christer para você? — Perguntei e ela olhou direto pra mim.
Não era pra eu estar fazendo isso. Christer era o menino que eu gostava e nesse exato momento ele tinha meu coração e eu tinha o dele. Tínhamos tudo para ficar juntos. Mas devido ao que estava acontecendo no relacionamento de Lauren e Christer, achei melhor que eu desse o coração dele para ela e... e é assim que tem que ser. Temos que querer a pessoa que gostamos feliz não importa com quem seja.
Sentei na frente de Lauren e Christer desceu da cama e sentou entre nos duas no nosso lado, coloquei o livro no meio e nós três nos demos as mãos, formando um círculo. Falei os três versos do feitiço e uma voz na minha cabeça surgiu instantaneamente.
Quando terminei, abri os olhos rapidamente, uma coisa branca deu lugar as minhas vistas e quando eu pude perceber, uma cena:
– Ben, eu te amo! — Eu dizia para Ben e ele me olhava.
– Mas eu não! — Ele exclamou pegando na mão de outra menina e beijando ela.
Era como se eu amasse, realmente ele. Mas eu não amava, eu não estava agindo por mim mesma. Eu não queria ficar triste por aquilo, MAS EU ESTAVA.
Abri os olhos novamente e comecei a gritar sem parar.
– Você está bem?? — A voz de Carter ecoava no fundo da minha mente.
Mas eu só pude ouvi uma voz de leve e bem feminina.
"Vou te poupar disso e de muita coisa, por ter deixado o seu amado ser feliz e ser feito feliz por outra pessoa."
Só pude ver Christer desmaiando pra um lado, Lauren pro outro e por fim, eu.
Diane POV
– Katarina, acorda!! — Exclamava mas Katarina parecia uma pedra dormindo.
Eu, Ju, Luísa e Jessika decidimos não morar juntas. Mas de repente meu dinheiro some e chega uma carta de "parabéns seu novo apartamento está pronto para moradia". Daí eu chego nesse apartamento e junto dele está Katarina dormindo na cama de um dos dois quartos, com todas as suas malas e acessórios, até o celular dela, sendo que a última vez que ela saiu foi com o Carter e sem seu celular, deixando-nos preocupadas e agora de repente, nos mudamos.
– Tud...- Dizia Katarina com a voz fraca acordando. — Tudo vai mudar... — Sua voz estava rouca — Tudo vai mudar, tudo vai mudar, tudo vai mudar...- Ela começou a repetir a frase simultaneamente me deixando agoniada mais do que eu já me encontrava naquela situação.
– Katarina? — A chamei — Katarina!!!!! — Gritei e empurrei ela da cama e ela caiu no chão assustada.
– AH! — Ela gritou — O que houve? — Ela respirava rapidamente. — Cadê o Carter? O Christer? A Lauren?? A Thaly?? Cadê a Loyse??? Ela vai se mudar hoje ou foi só um sonho? — Perguntei.
– Katarina, calma! — Exclamou Diane. — Primeiramente o que houve? — Katarina respirou fundo e seu celular clareou.
– Nada deve ter sido só um sonho! — Exclamou ela pegando o celular — Alguém me mandou um snap! — Ela desbloqueou e eu fiquei de saco cheio e saí bufando em direção a sala do AP.
Mas até que esse a AP era legal? O design era bom, a decoração... e tinha tapetes no chão assim como aquelas casas do filmes. Tinha uns detalhes em cores claras, como lilás, rosa e um laranjado claro. Parecia AP de filme. O ruim foi que o meu dinheiro sumiu.
Katarina POV
Não dá pra firmar se o acontecido foi só um sonho ou se foi real. Eu realmente estou muito confusa. A parte do Carter falando que tudo ia mudar, era a cena que mais vinha na minha cabeça. Olhando o snap, Loyse dizia que ia se mudar dia seis de dezembro e não dia cinco e que Thaly havia se confundido. Perguntei à ela o que tinha acontecido que ela não falou comigo o dia todo. Enquanto eu esperava o snap dela a campainha tocou. Mas Diane estava no chuveiro. Andei até a sala e olhei pelo buraquinho da porta para ver quem era e não era nenhum rosto conhecido.
– Quem é? — Perguntei.
– Entregador de cartas. — Ele afirmou.
– Ah sim, perdão. — Abri a porta e ele me entregou umas cartas. — Obrigada. — Afirmei e ele saiu enquanto eu fechava a porta.
Deixei o celular encima de uma mesinha de vidro que participava da decoração da casa e fui passando as cartas uma por uma. Conta de luz, conta de água, uma no nome de Diane, normal e uma no meu nome. Joguei as cartas encima do sofá e fui em direção ao meu celular novamente e Loyse tinha respondido...
– Espera! — Exclamei alto para mim mesma — Uma carta para mim? — Joguei o iPod encima do sofá e fui correndo pegar as cartas de volta.
Abri a carta e era uma confirmação de emprego, olhei a minha volta e sinceramente, não sei mais diferenciar se é tudo um sonho ou se tudo realmente está acontecendo.
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