Frozen Heart
4 My name is not "Girl"

Katarina POV
A namorada do menino tropeçou no próprio pé e quase caiu para trás porque ela foi tentando se equilibrar e caiu nos braços de um menino que não teve forças o suficiente para segura-la e os dois acabaram caindo de cara em uma parte coberta de neve. Ou será que foi eu que fiz tudo isso? Nem me pergunte qual foi o tipo de lei da física que eu usei... porque os paranaue na minha cabaça foram outros. A queda da menina foi tão feia que eu fiquei me perguntando como eu fiz aquilo.
– Kat... — Começou Loyse séria, pensei que ela estivesse desconfiando de mim — Mas o que foi isso? — Desatou ela a rir com o Maddox e eu dei risadas baixas também.
Acho que ela não desconfiou porque tropeçar e cair de cara na neve não deve ser tão anormal que não possa acontecer naturalmente.
Eu fiquei meio muito desapontada hoje, parecendo um lápis velho. Mesmo assim consegui arranjar forças para andar até a sala de Espanhol.
La na sala de Espanhol aconteceu algo que me chateou bastante. Os meninos do fundão estavam rindo nas costas de um de nossos colegas, não que eu goste dele.... mas achei sacanagem e Carter estava no meio. Pensei em testar mais umas das minhas habilidades e dar um castigo nesses meninos... olhei pros parafusos da carteira de um deles e fiz uma forcinha pouca e comecei a desparafusar a parte da mesa da parte da cadeira e ninguém nem desconfiava ser eu, muito menos o menino, os parafusos se soltaram e caíram de uma forma respectiva em seu rosto... a maioria da sala que viu, gargalhou, inclusive o menino que estavam rindo.
Até que surgiu uma pontada na minha cabeça, uma tontura muito forte, meus olhos simplesmente fixaram-se na porta da sala, como se algo fosse surgir. Ao meu redor as risadas se abafaram, meus olhos começaram a pesar, quando eu ouvi uma voz:
– "Eu não te deixei viva pra isso, minha filha..."
Minha cabeça girou em torno dela mesma, pesando pelo fato da tontura mais meus olhos ainda insistiram na porta, quando o barulho das risadas dispararam e vieram como um estrondo na minha mente, como uma caixa de som enorme no último volume.
– Mas que baderna é essa aí? — A professora perguntou levantando da cadeira.
– Katarina — Me chamava Loyse ofegante de tanto rir, sem perceber meu mal estar — Você viu... — Ela se interrompeu quando percebeu que eu caía no chão — KATARINA??? — Ela surtou.
Olhei para porta e Christer apareceu gritando meu nome em coro com a Loyse. Eu apenas esperei sentir meu corpo ao desabar no chão, mas eu não senti.
Loyse POV
Katarina desmaiou em plena sala de aula, no meio da aula de Espanhol. Carter deu um pulo.
– Katarina de Deus! Levanta! — Disse ele.
– Ela desmaiou, idiota! — Eu disse.
– Ah... — Ele assentiu.
– Oh, tu é lerdo é? — Perguntou Maddox.
– Katarina! — Christer entrou na sala, mas espera, ele é do segundo ano.
– Está fazendo o que aqui, Chris? — Perguntou Carter.
– Preciso... — A professora interrompeu.
– Vou ligar pro coordenador vir buscar a menina. — Disse a professora.
– Não, deixa! — Exclamou Chsiter — Eu me viro. — Ele pegou Katarina no colo que eu fiquei me perguntando como? Com aquela magreza toda.
– Oxê! — Exclamou Carter assistindo Christer sair com a Katarina nos braços.
– Eu quero todos quietos! — A professora começou a dar bronca em espanhol, mas logo todos se aquietaram e o coordenador pegou a cadeira que se quebrou, não sei como — Façam duplas.
– Vem Maddox! — Chamei.
– Ok amor! — Ele disse e eu fiquei surpresa porque era a primeira vez que ele me chamava assim.
– Aí seu melhor amigo arranja uma namorada que estuda na mesma sala que vocês e você fica alone na hora das duplas! Saudades Katarina. — Disse Carter rindo.
– Ohh — Eu disse — Nada a ver! — Exclamei.
– Cala a boca, Loyse, você também! Robou meu amigo! — Disse Carter brincando — Vou chorar!
– Esse Carter é palhaço, mano! — Exclamou Maddox.
Katarina POV
Acordei meio zonza, não conseguia me lembrar direito do acontecido. Olhei ao meu redor e não vi nada conhecido. Tinha um guarda-roupas que estava aberto e continha roupas masculinas, que estava perto da porta do quarto, tinha uma toalha pendurada na mesma e umas meias reversadas perto do roda pé. No piso azul, mais adiante, eu vi uma mochila que não me parecia estranha, estava perto de uma cadeira de escritório que estava virada em direção ao teclado da escrivaninha que finalmente se encontrava o computador. Tentei me sentar com a cabeça girando e olhando ao meu redor eu vi um criado mudo, aonde tinha um abajur e um porta retrato onde tudo ficou mais claro, era Christer e a namorada dele na foto. Estranhei o fato de em estar em pleno quarto do Christer me deparando com um porta retrato dele e da...
– Acordou, Kat? — Me vi interrompida nos meus pensamentos ao ver uma mão abaixando o porta retrato contra o criado mudo. Era Christer.
– É... acho que "acordado" é o que as pessoas usam para definir quem estar de olho aberto! — Exclamei olhando nos olhos dele.
– Está bem. Desculpa. — Disse ele — Mas olha... — Prosseguiu sentando se na cama a frente dos meus pés e eu me encolhi abraçando meus joelhos — Ainda precisamos conversar. — Afirmou.
– Vá em frente. — Eu disse.
– Eu te trouxe aqui em casa, porque sabia que não ia ter outra oportunidade de conversamos se não assim e...- Interrompi ele.
– Vai direto ao ponto! — Exclamei — Abelha que fica rodeando o jardim perde o glúten! — Afirmei e o idiota ficou me olhando com cara de burro. — Arg. Quero dizer que quem enrola demais pra falar, perde a razão!
– Eita, mas está chatinha! — Ele reclamou — Eu hein!
– Fala logo!!! — Levantei a voz sem gritar.
– Sua mãe é uma bruxa e seu pai é Zeus. — Ele falou e ficou olhando pra minha cara, surgindo um silêncio estranho.
– E agora? — Perguntei — Era pra ser engraçado? — Desviei o olhar e dei de cara com algo em sua parede, era uma folha A4 e tinha algo lá, levantei.
– Não, Katarina! — Exclamou ele — Eu estou falando sério! — Continuei indo até a folha e me impressionei, era o meu desenho que fiz e entreguei para ele de aniversário mês passado.
De alguma forma, aquilo me tocou. Mas meu corpo rejeitava qualquer tipo de sentimento ultimamente.
– Você está falando como quem tivesse se drogado durante um filme de mitologia! — Exclamei virando de costas pro desenho e avistando minha mochila debaixo da cama de Christer.
– Você é impossível! — Ele colocou as mãos no rosto.
– Fala o cara que acabou de me dizer sobre bruxaria e mitologia grega juntos, mereço! — Continuava eu indo em direção a minha mochila.
– Katarina do céu! Eu também não acredito, o que você está pensando? Katarina, eu vi! Me provaram isso! Sua mãe me provou que isso existe! — Ele dizia e eu me levantava da cama, pegando minha mochila que estava nos meus pés, levantando e indo em direção a porta. — Aonde você vai? — Perguntou ele vindo atrás de mim, que já saía do quarto em direção as escadas para ir embora — Então o que você acha que são essas coisas? Hein? Essas coisas que você faz... sei lá... neve? — Na hora que ele disse neve, eu parei, no meio da escada. — Isso é o poder que você gerou da sua mãe! A mudança de clima veio de seu pai e as outras habilidades todas vieram de sua mãe! — Ele exclamava.
– Para né?! — E dizia — Mesmo se Zeus fosse meu pai... ele é o deus do vento, o senhor dos raios... talvez ele faça parte da chuva! Mas não tem nada a ver comigo e com a maldita coisa que está me fazendo conseguir desenvolver essa habilidade! — Fui tentando descer os degraus de costas mesmo, já estava acostumada com escadas.
– Mas é aí que tá, Katarina — Só que o maldito do Christer estava descendo os degraus o que não fazia adiantar de nada eu estar querendo me afastar — Você herdou habilidades poderosas que é a mistura de Zeus com sua mãe. Isso faz de você poder fazer o que você quiser! Você tem poder com o clima dos céus, dos ventos e puxou da sua mãe a habilidade de fazer fogo ou de fazer nevar, te dando a oportunidade de fazer nevar quando você quiser e fazer surgir o sol quando você bem entender. — Eu já estava no final da escada quando ele terminou de falar, mas não percebi que era o último degrau e quase acabei caindo se ele não tivesse apoiado suas duas mãos cheias de pegadas das minhas costas.
Ficamos frente a frente, testa por testa...como assim, né? Nossos narizes estavam se encostando e se fosse mês passado, eu não perderia a oportunidade de beijar ele, mas hoje... eu simplesmente não queiro beijar um cara que quer me fazer acreditar nessas loucuras! E além do mais... estou sem coração pra isso.
Me desviei de sua tentada boca, e me soltei de seus braços. A escada ficava reta em direção a porta, apenas distante. Então eu me soltei de seus braços e corri bem rápido em direção a porta, abrindo-a rapidamente e saindo. Eu simplesmente morreria nos braços dele, se fosse um mês atrás. Mas eu realmente quero esquecer isso e tudo que ele me falou. Está parecendo mais um sonho daqueles em que eu quero muito acordar.
Desviei meu pensamento de toda a loucura e centrei minha cabeça do trabalho de Geografia que eu tinha de entregar e ainda dava tempo, pois são 11:30 e 11:45 bate pro último horário que é o do professor de Geografia. Corri um pouco e consegui alcançar a escola entre 11:43 horas, faltando dois minutos para bater pro último horário, que foi a quantia enquanto eu me justificava com a portaria e ia em direção a sala, abrindo minha mochila e tirando o trabalho de Geografia de lá.
Entrando na sala a turma toda já estava e o professor já estava recebendo os trabalhos.
– Mais alguém? — Perguntou o professor — Pra entregar... — Eu o interrompi.
– Eu, professor! — Exclamei e entreguei o trabalho pra ele em folhas A4.
– Oi lindinha! Está chegando agora? — Perguntou ele.
– Mais ou menos! — Eu ri baixo e fui em direção a Loyse.
– Kat! — Exclamou ela — Sente aqui! — Apontou ela para a cadeira ao lado e foi o que eu fiz, sentei junto dela. E então Loyse desatou a falar que hoje anoite iria para sua cidade natal visitar sua família. O horário logo acabou.
Na saída, e fui por um portão diferente do da Loyse, eu saí pelo corredor da biblioteca e logo reparei que quem andava à minha frente era Carter. Olhei assim e medi os passos deles, não estavam tão rápidos e nem tão de vagar, mas senti que meus passos estavam acelerados e que eu ia passar dele, mas eu não queria, então eu diminuí os passos. Viramos um corredor e logo partimos pro último que levava ao portão. Eu continuava andando atrás de Carter, ele estava sozinho, o que me deu ainda mais vontade de falar com ele, acho que ele sentiu que eu estava atrás dele porque alguma das vezes ele olhava disfarçadamente para trás. Alguém puxou levemente o meu cabelo, me virei para trás e ninguém avistei, então continuei andando atrás do Carter, tentando ao máximo não acelerar mais passos para não acompanhar ele e o clima ficar mais tenso. Só que de novo, puxaram o meu cabelo, olhei para trás e só tinha meninos, nenhum que eu conhecia e nenhum que quis se manifestar, só pode estarem brincando comigo! Eu odeio isso! Isso me deixa sem jeito e ainda me envergonha por pensar que estão rindo da minha cara. Olhei para frente novamente, e alguém puxou meu cabelo mais uma vez. Desisto! Apressei os passos para me sair disso, mas esqueci que qualquer aceleração que eu fizesse eu iria acompanhar os passos de Carter, e foi isso o que aconteceu... ele chegou a virar pro lado e me olhar, mas eu estava tão assim, sei lá... que eu vi que o portão do estacionamento estava aberto, o que era um atalho pra mim, já que o caminho da minha casa era justamente pro lado em que o estacionamento daria. Então, eu cortei o caminho e deixei Carter seguir até o portão principal, sozinho.
Não consegui saber quem estava mexendo no meu cabelo e nem o que se passou pela cabeça de Carter, porque eu estava me sentindo tão desanimada, tão triste que eu devo ter passado isso pra ele de alguma forma. E isso nunca é bom. Eu gosto de passar alegria para as pessoas não importa o quê.
Diane POV
A Katarina chegou da escola.
– Oi amiga!! — Eu disse muito animada.
– Oi. — Ela disse curta, jogando a mochila de lado e subindo as escadas.
– Não tem ninguém em casa, uuuu ... — Eu estava zoando feito louca porque sei lá.
Entrei no quarto de Katarina e ela foi direto pro banheiro.
– Que bom. — Sua voz saía abafada de dentro do banheiro e continuava curta.
– Poxa amiga! Só porque eu estou animada hoje! — Exclamei.
– Por que?- Perguntou ela — Beijou o Nícolas?
– Não, idiota! — Eu disse rindo — Por que você sempre fala isso? — Um bater forte na porta interrompeu minhas palavras.
– Que porra foi essa? — Katarina saiu do banheiro assustada.
– Deve ser a Jessika que só chega mal humorada da casa do namorado! — Tentei.
Descemos as escadas correndo e fomos até a porta, que continuava a bater fortemente. Eu abri e Katarina foi pra um canto.
– Menina!! — Exclamou ele, era Nícolas — Deixa eu entrar! Eles estão atrás de mim! — Exclamava Nícolas sem respirar.
– Eles quem? — Katarina perguntou entrando no meio, quando eu surtei atropelando todas as palavras da Kat.
– Meu nome não é "Menina" porra!!! — Gritei indignada.
– Deixa, deixa!!! — Ele disse entrando e me empurrando. — Eles querem me matar!
Só consegui ver Katarina virando de costas para porta, e alguém tapando sua boca. Antes que eu pudesse ver quem era, também taparam minha boca com algo que me fez desmaiar e deve ter acontecido o mesmo com Kat e Nícolas.
Katarina POV
Eu estava zonza, como sempre. Mas dessa vez senti uns claros nos meus olhos, coloquei a mão na cara e alguém pois algo na mesma, olhei para baixo depois olhei para cima e meu Deus!
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