Katarina POV

Eu apenas ouvia o barulho da impressora e as vozes de Christer, Carter, Loyse e Maddox conversando entre si. Nós estávamos na sala da direção, onde tinha um sofá em que eu me encontrava deitada com Loyse sentada perto dos meus pés, uma mesa enorme, escrivaninha e perto dessa escrivaninha um filtro de água.

– Fala logo de quem ela é filha! — Disse Carter pegando um copo descartável para beber água.

– Eu não acredito nisso! E agora meu Deus? — Dizia Christer sentado no chão, com as costas encostadas no sofá, bem perto do meu rosto, de um modo que daria muito bem para eu mexer em seu cabelo.

– Tá bom, Christer, fica calmo, mano! — Disse Maddox — Respira, velho!

– Mas o que está realmente acontecendo? Explica... como pode você saber de quem ela é filha? Assim, do nada... — Disse Carter.

– Olha, só posso falar disso com ela. — Disse Christer.

– Mas Katarina é nossa amiga também então temos que saber... — Tentou Loyse mas eu interrompi.

– Falar disso o quê? — Perguntei eu com a voz baixa e rouca, colocando uma das mãos nos olhos e tentando me sentar.

– O Chris quer te falar algo em segredo! — Disse Carter.

– Não, calma! — Começou Loyse — Primeiramente, o que foi aquilo na quadra? A escola toda já sabe, nossa turma está se perguntando: Como? Onde? Por quê?

– Não sei — Arranhei a garganta já sentada — Acho que, foi algo natural...

– Sobrenatural, você quis dizer... — Disse Carter.

– Primeiro aconteceu aquele lance lá, da casa de Cart, que você sumiu... e agora isso... — Disse Maddox.

– E você nem explicou o que estava fazendo lá, Kat. — Disse Loyse.

– Pois é, acontece que assim... quando eu tento lembrar disso, eu não consigo. É como esquecer o que você ia dizer e não conseguir lembrar. — Expliquei.

– E como se sente depois daquilo tudo? — Christer virou a cabeça para cima, ainda sentado no chão, para me olhar.

– Com um pouco de dor de cabeça, mas me sinto normal.

– Certeza? — Perguntou Cart olhando.

– E aí, mocinha? Acordou? Está melhor? — Disse Ju entrando e interrompendo a "budega" toda — Vim te buscar.

– Sim... estou bem! — Assenti — Levantando. Senti uma tontura passageira, mas foi por eu ter levantado de uma vez.

– Meninos e meninas — O coordenador foi entrando — Vocês foram liberados mais cedo, porque está vindo uma frente muito fria por aí...

– Quão frio? — Perguntou Maddox.

– Abaixo de zero graus. — Disse ele — Mas é apenas uma previsão.

– Nossa... — Disse eu — Que doideira...

– Posso te acompanhar até sua casa, Katarina? — Perguntou Christer — Nós vamos pelo mesmo caminho mesmo... — Interrompi ele.

– Não. — Disse.

– Eita! — Loyse completou.

– Mas... — Christer tentou.

– Mas nada, eu posso ir por outro caminho! E eu já estou acompanhada — Disse levantando — Vamos Ju! — Exclamei e puxei o braço de Ju em direção a porta.

– Mas eu preciso falar com você, Katarina! É um assunto sério! — Ele tentou, mas eu ignorei.

Apenas ouvi Loyse, chamando Maddox para ir embora e ouvi algo de Carter:

– Só não vou com você Chris, — Disse Carter — Porque eu moro em outra cidade e preciso esperar minha mãe ali no estacionamento. — Finalizou Carter saindo e Christer ficou sozinho na sala da direção.

Fiquei me perguntando.... Cadê os amigos do Christer? Ele não tinha um cambada de amigos? E cadê a namorada dele pra fazer companhia à ele? Christer tanto machucou que agora está sendo machucado, acho é pouco.

– Nossa, Kat. — Disse Ju.

– Uai, que foi? Você esperava o quê? Que eu fosse receber ele de braços abertos agora que ele está sozinho? — Eu questionava.

– Não né, mas pelo menos acudir o menino, ele disse que era urgente... — Ju disse e eu fiquei olhando pra cara dela tipo "sério isso?" — Tá bom, Kat... enfim...o que será que foi isso? Essa frieza do nada...

Saímos da escola, e realmente, estava frio, estava ficando frio e mais frio. O céu estava frechado, me lembro antes de desmaiar, do sol ter se aberto mas parece que as nuvens sobrecarregadas foram mais fortes.

Fomos ao estacionamento, onde vi Carter entrando no carro, fechando a porta e abaixando o vidro, na hora que ele me olhou eu desviei, não de propósito, mas sim porque eu estava com dificuldade de abrir a porta do carro da Ju.

– Calma, Kat... — Ela disse — Está nervosa por que? — Ouvi o barulho do carro — Destravei só agora. — Completou ela.

– Ah sim...- Falei séria entrando dentro do carro na mesma hora em que meu celular vibrou.

Era um snap do Carter:

Snapchat:

"Precisamos conversar, hoje na pracinha, às 15:30." – Carter dizia em um snap com uma foto minha entrando dentro do carro, dei um sorriso de leve.

"Tá bom" – Disse eu enviando uma foto dele dentro do carro.

Chegamos em casa e Ju foi direto tentar acender a lareira. Diane estava enrolada e um cobertor, Luisa toda empacotada, a Jessika nem tava, falaram que ela foi assistir filme na casa do namorado.

– Caralho vey! Que frio é esse?! — Perguntou Luisa.

– Ué — Comecei — Vocês saíram cedo também? — Perguntei.

– Sim, acho que todas as escolas saíram cedo! — Exclamou Diane.

– Só não sei da onde esse frio, velho! — Continuou Luisa — Do nada ainda!

– Ué Luisa, estava agorinha na escola reclamando do calor! — Disse Diane.

– Mas poxa, velho! Fala sério né?! Olha pra esse frio! — Disse Luisa rindo enquanto eu só observava o diálogo.

– Alguém me ajuda aqui, não estou conseguindo acender o fogo! — Pediu Ju.

– Deixa eu ver! — Me manifestei já que estava sem fazer nada.

Peguei o fósforo e quando riscava, o fogo se apagava antes de chegar nos troncos cortados de árvores. Ju tentava lascar duas rochas, à moda antiga mas nada.

– Isso porque todo mundo rejeitou a lareira elétrica, dizendo que essa era mais estilosa. — Disse Ju.

– Mas é! — Exclamou Diane — Parece aquelas de filme e... — Diane falava.

Mas eu não sei o que me aconteceu nesse momento, a voz de Diane sumiu, as vozes das meninas ficaram baixas, foi como se meu ouvido estivesse tapado. Fechei meus olhos e senti uma leve tontura. Eu não sei o que foi isso, mas eu tentei me desviar dessa coisa, tentei me desfazer do que estava sentindo e concentrar no fogo que eu tinha de acender. Ao levantar minha mão para pegar outra cachinha de fósforo, meus olhos se abrem automaticamente e .... VUP. Tomei um susto com o que vi.

– Ahhh eba! — Disse Luisa vendo as chamas fluírem bem na minha cara — Aí sim, Katarina! — Exclamou Luisa.

– Fogo! — Gritou Diane — Para aquecer nossa casa gelada! Yup! — A Diane é doida, ignorem.

– Nem pra acender um fogo eu não estou prestando hoje! — Disse Ju, rindo.

Eu sorri de canto, mas ainda fiquei me perguntando como eu fiz aquilo, como eu poderia estar fazendo tantas coisas fora do meu controle. Parece que quanto mais eu me concentrei no fogo, mas ele chegava... e chegou.

Levantei e fui pro meu quarto. Ao deitar na minha cama e olhar para o teto, que era o que eu sempre fazia, eu comecei a pensar... mas não nas coisas estranhas que andavam acontecendo ultimamente. Mas comecei a pensar em mim mesma. Será se eu realmente me amo? A ponto de conseguir amar outra pessoa? A ponto de saber o que é amor? Acho que não. Às vezes eu sou tão cruel comigo mesma quanto qualquer pessoa poderia ser comigo quando eu quebrasse algo dela, tipo... o coração. Eu tenho que parar de exigir que as pessoas me amem, se nem eu mesma tenho certeza se me amo. Eu não sei o que acontece comigo, mas é como se eu nunca fosse achar alguém, eu nunca acredito que vai me aparecer alguém que vai me aceitar do jeito que eu sou e que eu vou aceita-lo do jeito que ele é... ultimamente os caras com quem quero tentar algo, tem sempre namoradas. Mas ainda tem aquele menino do interclasse, será se ele vai amanhã pra escola? Espero que ele seja um cara legal... meu coração está necessitado de um pouco de amor alheio vindo do sexo oposto. Acho que é porque eu nunca tive. Esse menino do interclasse é minha última esperança. Conforme essas coisas estranhas acontecem comigo, eu pareço perder um pouco de amor. Parece que meu coração etá partido em milhão de pedacinhos que estão caindo para fora, como se algo dentro de mim estivesse ficando frio.

Em meio esses pensamentos rodando pela minha cabeça e em meio minha vontade de ser perfeita, meu medo de ser rejeitada... acabei dormindo.

Mas não por muito tempo...

15:00:

Acordei e o relógio marcava 15:00 horas em ponto. Acordei com uma mensagem do snap.

Snapchat:

"Está lembrada da nossa conversa né?" — Perguntou Carter.

"Sim. :)" — Mandei, mas na verdade eu não estava.

"É melhor você vir prevenida e bem embrulhada, porque olha só pra esse frio!" — Carter me mandou uma foto da pracinha coberta de neve. Me assustei.

"Oh Deus... só pode ser montagem isso, certo?" — Perguntei.

"E tem como fazer montagem no snap? Haha :p" — Ele mandou com uma foto dele de cachecol.

"Beleza, deixa eu ir me aprontar!" — Disse finalizando a conversa e jogando o celular de lado.

Oh glória... o que foi que eu fiz com essa cidade em que nunca neva? Como pode isso estar acontecendo?

Levantei em fui em direção ao meu guarda-roupas. Eu nomeava minhas gavetas, tais como: Roupas íntimas, blusas, shorts, vestidos/saias, conjuntos, aleatórios, e por fim: peças de roupas ganhadas que nunca usarei. Ou pelo menos achava que nunca ia usar, no calor que sempre foi esse lugar. Nessa gaveta tinha todas as roupas de frio que você imagina. Vesti uma peça de roupa normal mesmo, blusa e uma calça jeans. Peguei um cachecol, uma toca, um par de luvas e coloquei uma bota... o look ficou em entre as cores marrom meio avermelhado, cinza e preto. Ficou bonitinho até... mas e me senti meio estranho usando aquilo. Era tão inacreditável que eu me imaginava abrindo a porta e vendo o sol brilhando e tudo não passava de uma pegadinha do Carter.

Desci as escadas e as meninas roncavam, Diane largada de um lado do sofá e Luisa de outro. A Ju deve ter ido dormir no quarto dela porque o filme que estava passando não era muito seu gênero. Peguei o controle pra desligar a TV que "falava" sozinha e sem querer apertei o botão par mudar de canal, e foi logo pro canal do jornal local em que o homem dizia que tinha acontecido a inacreditável proeza de nevar... vendo isso agora era impossível ser mentira de Carter.

Abri a porta para sair e realmente estava nevando, ainda caía um pouco de neve do céu... e deve ter amenizado, porque da hora que eu cheguei da escola que deveria ser umas 09:00 horas, até agora que são quase 15:30, estar esse tanto de neve, é porque com certeza deveria estar nevando muito mais. A neve cobria os carros e os telhados, as folhs das arvores caíam mediante o espaço que a neve precisava para ali ficar. Fui em direção a pracinha e eu estava com frio, eu nunca senti esse frio, eu estava me sentindo no Canadá.

Chegando perto da pracinha, eu pude avistar Carter de longe, fala sério, ele estava brincando de bolinha de neve... eu apenas me aproximei dele e fiquei observando.

– Você quer brincar na neve?? — Ele chegou em mim segurando minhas mãos — Um boneco vou fazer — Ele disse deslizando pra longe e rindo feito uma criança. — Meu Deus, isso aqui é o paraíso! Estou me sentindo em Frozen! — Ele disse se aproximando de mim de novo, dessa vez parecendo gente normal — Você não?

– Eu estou me sentindo estranha com essa neve toda em volta! — Exclamei e ele riu.

– Melhor do que o calor! — Ele disse enquanto eu procurava um canto para me sentar.

– É verdade... — Eu disse localizando uma árvore e me sentei abaixo dela.

– Você está bem? — Perguntou ele se sentando ao meu lado.

– Sim... — Tentei.

– Parece meio quieta... — Disse ele.

– Enfim.. — Olhei pra ele tentando desviar meus pensamentos do mundo da lua — O que você queria me dizer? — O sorriso dele diminuiu ao ouvir minha pergunta.

– Bom... não é muito agradável. — Ele disse e eu desviei o olhar do rosto dele novamente.

– É sobre o beijo né? — Perguntei em entonação de certeza e ele suspirou fazendo o mesmo que eu, olhando para um ponto fixo a frente de seus olhos.

– Sim... — Ele começou — Katarina, eu não quero estragar nossa amizade, digo... ela está bem assim, ela está fortalecida. Eu realmente adorei de conhecer, não faz muito tempo, mas você já é muito importante para mim a ponto de eu não querer estragar nosso afeto.

– Ah... — Comecei — Entendo. — Mentira.

– Eu amo minha namorada. — Ele disse — Eu... eu estou... — Interrompi.

– Está arrependido agora? — Perguntei e senti uma arrogância natural na minha frase — Quero dizer... — Olhei pra ele.

– Não... — Ele disse — Está tudo bem... só acho que eu... — Ele respirou um pouco — Acho que foi um erro... não deveria ter feito isso. — Finalizou ele.

– Mas fez. — Voltei meu olhar pra frente.

– Mas não vai se repetir e... — Ele parou de falar, quando se ouviu uma voz diferente entrando na conversa.

– Oi amor! O que você está fazendo aqui? — Pra melhorar a situação, era a namorada dele.

– Nada... — Quase que a voz dele estremeceu e ele se levantou dando um selinho nela — Bom... tenho que ir Kat... até amanhã na escola? — Ele perguntou abrindo um sorriso e levantando a sobrancelha dando um sinal de curiosidade à minha resposta.

– Até... — Falei levantando o olhar e rapidamente voltando a encarar o nada.

E ele saiu... virou as costas abraçado em sua namorada e eu fiquei ali... sentada, sozinha, respirando fundo segurando a vontade de chorar. Levantei e fui pra casa, no caminho a tempestade de neve tendeu a aumentar, mas eu consegui passar por isso.

Chegando lá em casa, às meninas ainda dormiam, não eram nem 16:00 horas ainda, eu não teria ficado nem meia hora fora de casa. Sentei na frente da lareira, sentindo aquele fogo me aquecer, o fogo que eu criei... então comecei a cantar....

– Think you made your greatest mistake, I'm not going to call this a break... Think you really blew it this time...Think you could walk on such thin line... you know you made it, your greatest mistake...

Ache que você fez o seu melhor erro, eu não vou chamar isso de uma pausa... Pense que você estragou tudo dessa vez... Acho que você poderia andar em uma linha fina.. Você sabe que você fez disso o seu melhor erro.

Um tempo depois as meninas acordaram, assistimos um filme, jantamos... elas sempre muito animadas e conversando sobre tudo, eu sempre fui quieta e sempre fiquei observando tudo. Mas de certa forma, dessa vez, tinha algo em mim, que me machucava, tinha algo me fazendo ter preguiça de falar, sorrir, olhar, me mexer... Acho que isso se chama desânimo. Mas dessa vez parecia algo diferente.

Jessika vai dormir na casa do namorado dela hoje... um dia eu falarei isso também. Diane subiu pro seu quarto, assim como Ju e Luisa e eu fiz o mesmo, pois na manhã seguinte ainda será sexta e ainda terá aula.

Sexta feira:

Acordei, tão animada só que tão irônica... ir pra escola é uma tarefa difícil depois de ontem. Ainda mais que nesse frio... oh glória. Fiz minha higiene pessoal, até porque hoje tenho que mostrar meu dever de geografia.

Desci as escadas e foi aquela coisa toda... maçã, meninas comentando sobre minha maçã, Diane e suas más palavras diárias sobre Nícolas, Luisa e Ju duas garotas palhaças.

– E vocês nem sabem o que a Katarina fez, mano...- Disse Ju.

– O quê? — Perguntou Diane em coro com a Luisa.

– Ela ignorou o Christer, e deixou ele ir pra casa sozinho mesmo sendo o mesmo caminho... — Disse Ju.

– Ai Deus... — Disse Luisa rindo — Só tu Katarina!

– Eu ainda acho que a Katarina está fazendo isso só pra chamar a atenção dele! — Exclamou Diane.

– Nada a ver, então você xinga o Nícolas pra chamar a atenção dele também? — Perguntei séria.

– Mas pelo menos eu não sou infantil de fazer isso na frente do garoto! — Disse ela.

– Está dizendo que eu sou infantil? Só porque eu não quis que o menino achasse que eu estaria disponível pra ele sempre que ele quisesse? — Disse eu.

– E você está! — Ela se virou para Luisa e Ju — Não gente, vocês vão ver! Deixa só o Christer insistir mais umas duas vezes pra vocês verem como a Katarina vai cair nos braços dele de novo! Sabe por que Katarina? — Ela virou pra mim — Porque você tem o coração mole!! — Ela exclamou.

Aguentar a Diane de TPM é foda. Mas não é uma tarefa pra mim, que ultimamente não estava conseguindo se controlar para nada. A raiva em mim só subia, com todo mundo, eu parecia estar me esgotando. Me concentrei no copo que eu estava segurando, para não descontar a raiva em uma menina de TPM. Ultimamente me concentrar em algo está sendo minha salvação.

– Eu... — Comecei de vagar — Não tenho... — Continuei — O coração mole! — Aumentei a voz e o copo que eu segurava se quebrou em mil pedacinhos na minha mão. As meninas me olharam assustadas e eu assisti os pedaços de cacos de vidros caindo ao chão. O que eu já previa acontecer. — E se vocês querem saber... — Olhei pra minha mão e pros cacos de vidros no chão, o suco era de morango e o vermelho escorria pelas minhas mãos — Se vocês querem mesmo saber, meu coração está exatamente assim, — Completei e olhei pra elas pelos últimos dez segundos e ninguém disse nada.

Diane se retirou e eu fui até o sofá pegando minha mochila e saindo em direção a escola. Vocês já sabem que não demora muito e que eu vou de pé mesmo. Só que hoje o clima estava diferente, óbvio. Estava nevando. E eu vi no caminho pessoas se atrapalhando bastante por não estarem acostumadas com a neve.

Cheguei na escola e estavam todos com roupas de frio, foi estranho ver neve nos bancos da escola... a área verde, que foi por onde eu entrei hoje, se tornou a área branca. Avistei Loyse que estava conversando com seu primo, Fred e a chamei de longe e ela veio para perto de mim.

– Vamos lá pra dentro! — Disse eu.

– Eu já estava indo — Ela disse sorrindo — Só vou entregar o celular de Fred, espera aí. — Ela disse se distanciando novamente e entregando o celular de Fred.

Nisso Carter passou pela minha frente, sorriu e deu um tchau com a mão e eu fiquei olhando pra ele, sem mesmo mexer um músculo. Ele pressionou os lábios e respirou fundo, com um olhar de compreensão. Eu desviei e Loyse voltou.

– Vamos? — Perguntou ela.

– Vamos. — Afirmei e saímos andando.

Fomos para um local que era coberto. Sentamos em um canto do corredor, perto da grade, que levava ao corredor da biblioteca. Lá passavam muitas pessoas. Mas a escola hoje estava um pouco, um pouquinho só mais vazia, pelo frio que eu causei, eu acho. Pensei que o menino do interclasse não fosse vir também, mas ele veio. Avistei ele de touca e esfregando sua mão com luvas, uma na outra.

– Ei! — Loyse me cutucou — Katarina! Está no mundo da lua hoje é, filha? — Perguntou ela.

– É... — Olhei pros pés que vinham em nossa direção e ela de Carter e Maddox. Dobrei minhas pernas, apoiei meus braços nas mesmas e apoiei minha cabeça nos meus braços.

– Minha irmã... — Começou Loyse com seu sotaque — Levanta essa cabeça — Ela disse puxando meus cabelos — Te anima! Nunca mais vi você sorrindo desde aquele dia que nós te achamos naquela floresta! O quê que te deu? — Perguntou ela.

Não tinha me dado nada... ou sim. Mas eu não iria tentar explicar pra ela algo que nem eu sabia direito. Eu vi Carter indo pra outro corredor.

– Vou procurar o Chris, pra ver se ele veio hoje! — Disse Carter.

– Beleza, mano! Vai lá! — Disse Maddox se sentando ao lado de Loyse e eu não quis ficar de vela. Nisso eu avistei o menino do interclasse chegando mais perto e se encostando na grade, que ele sempre ficava.

– Bom, Loyse você disse que não via meu sorriso faz tempo, né? — Levantei, arrumei os cabelos e sorri. — Agora vou falar com aquele menino e você vai me ver sorrindo.

– Isso aí, mulher! Bola pra frente! — Eu já estava com um sorriso enorme no rosto pronta para me virar pro menino do interclasse, quando Loyse olhou em direção a ele e fez uma cara nada legal e abaixou a cabeça colocando uma das mãos na testa.

– Que foi? — Olhei pra ela e olhei pra ele e meu sorriso desapareceu quando eu o vi beijando outra menina que chegava, eu fiquei pasma. Ele também tinha namorada, era óbvio isso.

Me encostei de volta na parede e deslizando a própria, me sentei no chão. Olhei para um ponto fixo na minha frente. Eu não sei como, mas aquilo me afetou de um tanto que... Era apenas um menino que eu nem sabia o nome, mas já era o quinto a ter namorada... Eu não aguento mais! Eu não entendo mais o significado de de "Quem procura, acha."

Coloquei a mão do rosto, pressionei meus dedos nos meus olhos e me segurei ao máximo pra não fazer nenhuma merda, tipo calor ou fogo, só que.... tarde demais.