Frozen Heart
1 Asking for Stop
Notas iniciais

Katarina POV
– Estou me sentindo atropelada por todos os meus sentimentos... todos os meus sentimentos...
Paft panc creck vup
Pelo amor de Deus, caí da bicicleta. Mas no chão eu não fico, então vamos lá subir de novo nessa coisa e sair em direção a minha casa. Voar nos pensamentos dá nisso mesmo.
Cheguei na porta da minha casa, joguei minha bicicleta no gramado, corri em direção a porta e tentei correr em direção as escadas pro meu quarto, só tentei...
– Oi mocinha, não vai dar nem oi? Vai chegar assim?
– Desculpa Ju, eu estou meio longe hoje. — Ju era a mais velha da gente, você já já vai entender.
– E posso saber o motivo dessa distração toda?
– Meio que pode...
– Vai Kat, conta aí! — Ela sentou em um dos degraus da escada pedindo para me sentar também, foi o que fiz.
– É ele... — Tentei.
– Ele quem? Tem tantos "eles" pra você...
– Eu sei Ju, eu sou meio confusa com isso, uma hora eu to afim de um, outra vez eu to interessada em outro... mas é porque eu procuro possibilidades e não fico presa apenas nele... e esse "ele" é quem eu realmente gosto e não consigo tirar da minha cabeça!
– Você está falando do Chris...?
– Sim!
– Mas você sabe, que ele tem namorada! Esquece esse menino!
A Ju, era a mais realista de todas e sendo a mais velha ela teve mais experiencias. Então sempre que eu estava mal, ela não ficava dando um relatório pra mim ficar bem, ela sempre falava o certo a se fazer sem ladainha nenhuma.
– Eu queria que fosse fácil... — Eu disse à ela — Mas tem alguma coisa na minha vida voltada à ele, algo que eu não consigo parar, me distrair, desviar.
– Não tem nada aí, são só seus pensamentos, fica tranquila que você achar alguém tá? A sua hora vai chegar. — Ela sorriu pra mim e eu sorri de volta fingindo que entendia aquelas palavras. Eu nunca entendo quando alguém me diz isso.
As outras meninas chegaram , essa é a hora que vocês vão entender cada uma delas. São: Diana, Jessika, Luisa. Nós decidimos morar juntas faz pouco tempo.
– Oi Ju! — Diana deu oi pra Ju e veio em minha direção — Oi amiga!!
Diane é minha melhor amiga faz quatro anos, minha confidente. Eu conto tudo para ela. Ela tem minha idade, quinze, mas ela faz 16 anos antes que eu.
– Oi gente! — Luisa foi direto pra cozinha.
– Acho que eu vou acompanhar a Luisa, eu tô com uma fome — Disse Jessika. — Entra aí amor! — Ela disse pro seu namorado, Gabriel.
– Eu também vou! — Diane deu um pulo do sofá.
Luisa era a mais alegre e sempre conseguia pegar os meninos que ela gostava. A Jessika, vamos chamar de Jessy, namora com o Gabriel, isso já deve ter ficado meio óbvio e a Diana gosta de um menino faz dois anos. Oh sorte.
Já que todos foram almoçar eu subi as escadas pro meu quarto porque não estava com fome, entrei no Snapchat.
Snapchat:
"Festa da boa, lá em casa, quem quer?" — Snap do Carter.
"- Festa? Hmmmmmm" — Coloquei um emoticon de me gusta.
"Sim, você também etá convidada, vou aí te deixar o convite." — Disse Carter.
"Beleza."
Me animei, mas logo fiquei confusa. Eu nunca fui convidada pra uma festa assim. Não sei como agir, não sei como vestir...
– JU!!!! — Gritei.
Pouco mais tarde eu Ju terminamos a conversa sobre a festa e a campainha tocou. Diana abriu.
– É... A Katarina tá aí? — Ouvi a voz de Carter.
– Kat! É pra você! — Fui em direção a porta e a Diane veio voltando — Hmmm, gatinho! — Ela disse passando por mim.
– Aqui está o convite. Espero que vá! — Ele sorriu, eita pecado.
– Obrigada, Carter! — Olhei o endereço no convite — Nem é muito longe.
– É nada, é de boa... eu vou ter que ir, falou aí. — Ele sorriu e me olhou se virando.
– Tchau. — Eu abaixei a cabeça e sorri.
– Hmm, ele que é o dono da festa? — Perguntou Ju.
– Sim...
– Dá uns pega! — Luisa gritou.
– Não sou você não, que consegue pegar os meninos rápido! — Elas riram junto comigo, mas logo eu fiquei séria — Além do mais ele também tem namorada.
– Cacete! — Ju disse.
– Menina, como que tu faz pra só te chegar boy com girl? — Disse a Luisa e eu ri junto com a Diane.
A festa era no dia seguinte, às 20 horas. Beleza.
Pensei que o dia fosse demorar a passar pelo fato de eu estar ansiosa. Eu li o convite umas dez vezes e mais vinte vezes quando eu vi o seguinte snap.
"Festa do Carter, que me aguarde, solteiro agora!" — Christer
Quase dei um pulo, mas ainda não disse isso para as meninas porque pode ser que ele esteja apenas brincando. Porque ele e aquela namorada dele parecem se gostar do tipo "nunca vamos nos separar, te amo" AS FUCK.
Bom, deitei na cama em pleno 21:00 da noite e dormi.
Acordei pra ir pra escola... pera hoje é feriado. Então porque o celular ta despertando oito horas da manhã?
"Chamada de Loyse" – Porque é chamada da Loyse.
– Katarina de Deus!! — Ela disse animada.
– Ahn.. — Tentei me apoiar no travesseiro — o quê que é? — Perguntei com a voz rouca de sono.
– Maddox me chamou para a festa!
– Maddox Rope? E você só pode estar brincando comigo! — Levantei a voz de um tanto que ela desatou a rir.
– Sim, mulher de Deus! Eu estou muito feliz!
– Nem te conto também...
– O quê? — Ela mudou a voz de alegre pra uma voz curiosa.
– Acho que Christer terminou o namoro, de rocha. — Falei rindo porque não costumo falar essa gíria e ela riu junto.
– Sério mesmo? De pedra?? — Eu ri.
– Não sei, isso que vamos saber lá na festa!
– Você também vai? — Ela perguntou.
– Vou! É claro. Tá pensando o quê querida?- Gargalhei.
– Uiii, tá podendo — Ela riu — e quem te convidou, mulher?
– O Carter.
– O Carter?? Mentira!
– Verdade...
– Mas ele tem namorada, Kat...
– Infelizmente né... — Eu disse.
– Você sabe qual o tema da festa? Eu esqueci... — Disse ela.
– É personagens... — Disse.
– Ahhh, é mesmo! O Maddox até me pediu pra eu ser a Cinderela dele! — Ela riu.
– Uii, vai rolar clima pra pedido de namoro, viu! — Disse.
– Pois é mulher, deixa eu ir experimentar meu sapatinho de cristal! — Ela riu — Vou passar aí com o Fred, meu primo...
– Eu sei que ele é seu primo.
– Eu sei que tu sabe! — Ela riu — Ai! Estou tão feliz, Kat!
– Está é apaixonada, isso sim!
– Você não pode dizer nada! — Ela riu — Enfim, esteja pronta às 19:30 beijo, beijo.
– Tchauzinho. — Desliguei o celular, olhei para porta aberta e vi Ju passando.
– Ju! — Gritei.
– Oi mocinha? — Ela disse dando um passo para trás.
– Preciso de um personagem pra festa.. — Ela foi entrando.
– Do quê você gosta? Princesa?- Ela sentou na cama.
– Não — Eu ri — Seria legal, mas meio clichê.
– Só meio? Nós podemos tirar esse "meio" e ainda assim você ir de princesa.
– Como?? — Perguntei.
– Ah, pode não ser uma dos contos de fada tipo a Branca de Neve, mas pode ser um personagem dos anos 80.
– Uma princesa dos anos 80? — Eu disse abrindo um sorriso.
– Isso mesmo! — Ela exclamou — Vamos comigo que eu vou comprar umas coisas pra Zombie Walk e você pode aproveitar que hoje eu estou de bom humor... — Ela disse rindo.
– Ok! Vou me arrumar, já estou indo.
Fomos em uma loja de artigos para festa. Lá tinha todos os tipos de fantasias imagináveis, fico me perguntando como que essa loja existe, logo aqui nessa cidadezinha.
Parei e olhei pra um da vitrine, um vestido no qual em cores era um verde Delano e um Vermelho Queimado. A saia dele era abaixo do joelho e rodada. Mas logo eu me virei pra um Rosa Claro com uns detalhes em bege, parece estranho pela cor, mas ele era uma saia menor, como se fosse encima do joelho e um pouco menos rodada e a parte de cima dele mais parecia um corpete. Amor a primeira vista.
Eu perguntei o preço e vistando minhas economias eu poderia comprar os dois se a Ju me desse uma forcinha.
– Mas você sabe que se você comprar, pode não ter outra ocasião para usar. — Ela disse.
– Vai ter. — Afirmei.
Carter POV
– Fala aí, brother! — Christer estava sentado no sofá da sala da minha casa.
– Oi... — E estava meio tenso.
– Poxa velho, fica assim não, cara! Eu vi teu Snap, mas você vai conseguir achar outra menina, que vai...
– Para! — Christer levantou a voz — Não é isso mano, é que...
– O que foi? Vai me dizer agora que o bicho papão te pegou?
Ele colocou a mão na nuca apoiou seu braço no joelho e balançou a cabeça pra lá e pra cá.
– Sei lá. — Christer disse e eu me sentei na poltrona que ficava ao lado do sofá que ele estava e de costas para porta de entrada.
– Como assim sei lá, Chris?
– Eu tive um sonho estranho, só isso. — Ele disse.
– Sonho? Qual é meu irmão?
– Eu estava na pista ontem a noite e começou a chover..
– Mas não foi só um sonho? — Perguntei.
– Foi... é que... — Christer se atrapalhou mas eu ignorei.
– Ahhh — Interrompi — Mas você disse que estava chovendo e ontem a noite não choveu, então foi um sonho mesmo.
– É...isso mesmo... espera aí! Não choveu ontem? — Ele fez cara de espanto.
– Não... — Percebi que ele estava realmente nervoso — Fica calmo aí, brother, foi só um sonho!
– Tá bom! Mas aí alguma coisa pulou em mim e eu senti uma dor... — Interrompi rindo.
– Christer você se drogou foi? — Eu ria sem parar.
– O quê? — Ele pareceu se ofender.
– Tá... — Tentei me contentar com risada mas não estava dando muito certo.
– Tá bom, Carter! Eu vou embora! — Ele levantou andando de costas e foi saindo e eu continuei rindo.
– Alguma coisa pulou em você e você sentiu uma... — Fiquei rindo da cara dele mas parei as risadas quando vi uma marca de mordida na nuca dele.
Dei um tapa na minha cara, porque a mordida era feia, poderia ser maquiagem, mas deixa eu ver isso de perto...
– Não vai embora não cara! — Puxei ele pela gola da camisa e passei o dedo na nuca dele.
– AI!! — Ele se retorceu — ÁI CARALHO! Qual o seu problema? — Christer disse soltando minha mão da gola da camisa dele.
– Está doendo muito aí? — Perguntei.
– Aí aonde? — Ele perguntou de cabeça baixa se apalmando para ajeitar sua blusa.
– Na sua nuca... — Eu disse me sentando onde ele havia sentado da primeira vez.
– Então, você não deixou eu terminar né... — Ele disso voltando a se sentar, sentou na poltrona — Eu não vi nada depois disso e acordei na minha cama com uma enorme dor no pescoço, eu não conseguia nem sentir a região.
– Cara... você está com um problemão... hm hm. — Dessa vez eu falei tão sério que a expressão do menino foi de quem viu a morte passando e dando um tchau.
Katarina POV
19:30 em ponto, eu estava pronta e pelo visto a Loyse também estava, pois ela chegou dez minutos depois, dez minutos é o que ela leva da casa dela até aqui.
– Vai lá amorzinho, você está linda! Divirta-se! — Ju disse abrindo a porta.
– Obrigada Ju.
– Tá linda mesmo! Vai lá e pega geral, quero ver! — Diane exclamou.
– Oxe Diane, tá doida? Quem vê assim beijou o Nícolas!
– Mas ela vai! Porque eu manjei nos paranue e vou levar eles pra se encontrar hoje, daqui a pouco!
– Uiiisss! — Fred buzinou de novo, mais forte e eu olhei de relance para o carro — Liguem não, esse Fred é estranho — Eu ri — Deixa eu ir! Diane, mete o pé e vai na fé!
– Vou meter é a língua! — Ela disse rindo.
Eu finalmente saí de casa e fui em direção ao carro e a Loyse já estava rindo como sempre.
– Menina tu é doida! — Disse entrando no banco traseiro.
– Eu tava aqui dizendo pra Fred que eu não vejo só com os olhos, vejo com a mente! Filosofia da minha vida! — Ela disse rindo.
– Todo dia tu tem uma filosofia diferente, é?! — Eu disse rindo.
– É! — Ela disse.
– Cê é doida!
– Mas é uma doidice boa! — Ela disse.
Não demoramos muito para chegar no local da festa, tinha muita gente na frente da casa de Carter. De dentro do carro já pude ver Christer e ele estava sozinho com uma latinha de shop na mão, várias outras pessoas também estavam, tinhas umas meninas tão lindas que eu quase achei que perdi a chance, mas quando elas chegavam perto de Christer ele desviava.
Quando saímos do carro, Loyse me olhou com uma cara...
– Menina, tu tá linda!
– Eu que o diga, Cinderela!
– Menina, hoje pode não ser o seu aniversário, mas você está de parabéns! — Pedro, um dos meninos da minha sala chegou dizendo.
Rimos e fomos em direção a festa, tinha gente se jogando na piscina com roupa e tudo.
– Os caras estão já bêbados antes do parabéns, imagine depois! — Fred disse.
– Pois é. — Loyse disse.
– Vou por ali — Fred disse quando finalmente conseguimos entrar — Finjam que não me conhecem. — Fred é doido, apenas rimos.
Ao reparar que tínhamos acabado de pisar dentro da casa de Carter, eu me dei conta de que passamos por Christer e eu nem reparei. Olhei para trás na intenção de encontrar ele mas não vi nada, foi apenas pra mim perder meu tempo e acabar tropeçando no pé da Loyse, que já falava com Maddox.
Eu pensei que fosse cair de cara com uma mesinha que tinha dividindo os dois sofás da casa de Carter, mas eu vi uma latinha de shop caindo na minha frente e um braço servindo de apoio para os meus.
– Está vendo aí... deixei meu shop cair pra evitar uma queda sua. — Disse alguém rindo.
– Obrigada... — Me levantei e virei para ver quem era e era Christer, acabei sorrindo — Até porque é bem mais saudável salvar alguém do vexame do que ficar bebendo shop em festas — Eu ri baixo.
– Verdade... — A voz dele saiu fraca e ele apertou mais meu pulso.
– Que foi?? — Eu perguntei percebendo a mudança de clima de seu corpo — Seu braço está gelado.
– Eu não estou bem... — Ele me puxou para um canto com a mão na boca mas não foi o suficiente pra segurar seu vômito.
– Tá bom, agora eu que não vou te deixar pagar essa vexa.
Puxei ele em direção às escadas e tentei achar o banheiro, mas eu fui no lado errado do corredor. Christer me puxou pro lado esquerdo que deu em um quarto que tinha banheiro. Ele se soltou do meu braço, corre pra dentro do banheiro e eu fiquei perto da cama, só escutei os vômitos.
Logo ele saiu do banheiro, fraco, se escorando na parede. Ele se jogou na cama, colocou o travesseiro na cara e ficou de bruços.
– Desculpa. — Ele disse.
– Pelo o quê? — Perguntei.
– Por vomitar na sua frente.
– Tudo bem, Chris.
– Eu amo que em chamem de Chris. — A voz dele saiu tão abafada que eu quase não escutei mas mesmo assim sorri.
Ele ficou em silêncio por tempo o suficiente pra eu considerar demorado, tipo uns dois minutos, eu fui chegando mais perto e mais perto ainda. Cutuquei ele.
– Chris? — Ele demorou para responder mas levantou o rosto e eu reparei algo estranho. — O que é isso nos seus olhos? — Perguntei.
– Isso o quê? — Ele abaixou a cabeça de novo e eu senti ele muito estranho mesmo.
– Nada, deve ter sido o reflexo... — Virei de costas e escutei ele levantando.
Além disso, ouvi os passos descalços dele vindo até à mim. Ele jogou os meus cabelos para frente, deu um cheiro no meu pescoço e colocou as mãos na minha barriga.
– Você está linda. — Ele disse.
Eu pensei em dizer obrigada, mas reparei que ele terminou mesmo com sua namorada e que aquele clima não podia rolar.
– Tá, Christer, nós precisamos descer porque... — Me virei rapidamente e percebi que seus olhos estavam realmente vermelhos e seu rosto estava pálido, mas o escuro do quarto não me deixava ver direito.
Me virei em direção a porta mas ele me segurou, me jogou na cama, subiu encima de mim, e me deu um beijo. Não demorou muito e ele foi pro meu pescoço e mordeu muito forte.
Eu gritei muito mas ele pareceu não ligar. Eu continuava gritando, mas ele não parava.
– Para Christer! Para! Para Christer, pelo amor de Deus! — Eu exclamava pressionando as unhas nas costas dele.
Até que minha vista escureceu, tudo escureceu, não consegui mais sentir meu corpo e não vi mais nada.
Fale com o autor