Frozen - A Rainha da Neve
8 Para Descongelar
Notas iniciais
— Como você me seguiu até aqui?!- era tudo que Neve conseguia dizer. Não podia acreditar que depois de achar seu lugar no mundo, teria que lidar com um garoto mimado, que prendeu seu trenó no dela. E que ainda por cima, também estava congelando. Mas Kai não conseguia falar nada; estava passando muito mal com o frio. Percebendo isso, ela disse que voltava logo, e entrou no seu castelo a procura de alguma manta para lhe oferecer. Enquanto procurava, se perguntava o que faria com o rapaz. Não poderia deixar que mais uma pessoa congelasse por causa de seus poderes. Foi aí que as ideias foram surgindo, uma após a outra:
— Espera! Talvez ele possa me ajudar a descongelar o pai! Afinal, mesmo com o coração congelado ele é o único nesse castelo que não é “feito de gelo”. Só que vou precisar bolar um plano para ele se aquecer nesse frio, e conseguir salvar o pai, antes dele mesmo morrer. Mas como? Não posso descer mais daqui depois do que aconteceu, pelo menos por enquanto. E esse garoto também precisaria de um ato de amor verdadeiro para se salvar. Talvez eu devesse atrair alguém até aqui para ajudar com essa parte... Mas quem iria até tão longe por Kai? Hum... Gerda, é claro! Ela foi capaz de aceitar o filho do jardineiro como irmão; e depois que ele se tornou rude, embora ela tenha ficado bem triste, ainda tenta ajuda-lo; sem falar que não sai do seu lado. Deu para perceber bem isso quando conversei com os 2 na quermesse. Aquela princesa também faria tudo pelo seu reino. Com o pai e o irmão desaparecidos, com certeza, mais cedo ou mais tarde, viria procura-los. Se eu a vigiar bem e usar meus poderes para lhe guiar até aqui, nada de grave irá lhe acontecer... Acho que posso até lhe ajudar a perceber a força que o amor pode ter nessa jornada! Isso maximizaria o efeito de cura quando Kai fosse salvo. Seria a minha chance de fazer um grande bem com o meu dom de controlar o frio! Eu certamente consigo criar uma forma de acompanha-la pelo vento... Só que primeiro, eu preciso descobrir um jeito de manter o Kai aqui comigo, sem que ele morra com a baixíssima temperatura.
Ao pensar em morar com o jovem, que tinha sua idade e gostava dela; sentiu certo receio, mas sabia que era o melhor a se fazer. Ela precisava aquecer o coração dele. Porém, como não sabia o que faria para ele não sentir frio, assim que achou uma manta, pediu para Marshmalow dar ao príncipe, e foi imediatamente pedir um conselho para o único ser com quem podia conversar ali: Olaf. Ela explicou ao boneco seu plano, e contou-lhe o empecilho. Quando terminou, o maroto falou com a maior cara-de-pau:
— Ora, dê um beijo nele; problema resolvido! Quer coisa melhor para deixar alguém sem sentir o que acontece ao redor? Sem falar no calor que dá!
— Olaf! Como você quer que eu faça isso? Eu mal o conheço, sem falar que posso soltar alguma rajada sem querer...
— Mal conhece e já está bolando um plano para morar com o cara... Bem rapidinha você, hein? Olha, não precisa ser um beijo de cinema, eu pensei só numa bitoquinha na bochecha. Mas se a irmãzinha prefere agarrar o cara, fique à vontade.
— Aff, o problema maior não é esse! Eu tenho medo de atingi-lo com meus poderes. Se eu não posso nem encostar em ninguém, imagina beijar!
— Ora, Rainha da Neve, isso foi antes! Olhe em volta. Olhe para si mesma. Olhe o que você é capaz de fazer! Você consegue controlar todo o frio em todo o mundo, com um simples movimento de mãos! É claro, que é igualmente capaz de se controlar!
— Acho que está certo. Durante todo esse tempo, o medo só serviu para me sufocar; me prender. Agora que finalmente descobri meu potencial; que posso fazer uma grande coisa com ele, não posso jogar essa chance fora! E realmente não tenho nenhuma ideia melhor. Se me concentrar em fazer com que esse beijo o deixe insensível para o frio, e fizer isso de maneira suave, confiante e rápida, nada de grave deve ocorrer...
— É assim que se fala! Nossa, esse momento “Let it Flow” fez bem para você, hein?! Nunca te vi falar assim tão difícil! E normalmente quando as pessoas falam assim, elas estão mandando ver! Então vai lá e manda ver no garotão!
Sem dar muita bola ao comentário de Olaf, a garota foi andando em direção ao trenó, onde estavam os ursos, Kristoff, e Kai. Sem jeito, quando chegou lá, tentou se desculpar pelo incidente e explicou resumidamente o que estava acontecendo. Enquanto falava, percebeu quão grave era o estado dele.
— Oh, v- você parece estar com bastante frio! Parece até que está... virando neve...- disse essa última parte sussurrando para si mesma. Preocupada, cobriu-o melhor com a manta, entregada por Marshmalow, e o apoiou para leva-lo para dentro. No caminho, aproveitou para lhe abraçar de leve, notando que não acontecia nada de mais. Então, numa inspiração súbita, a dama tomou coragem e se virou para lhe dar um beijo na testa; enquanto o príncipe, lhe olhava admirado por estar finalmente ali, com ela, abraçado, e surpreso por ver que a Rainha era muito mais bela e poderosa do que imaginava. E justamente nessa hora que a jovem se virou para sua face, ele, de forma inconsciente, ao perceber a proximidade também se virou, e os 2 acabaram dando, sem querer, um leve e rápido selinho.
Mesmo sendo tão algo tão breve, já foi o suficiente para ambos sentirem um frio estúpido invadindo suas almas; um frio que queimava e ardia por dentro. E como fora algo bem mais forte do que imaginara, o feitiço que Neve projetara no beijo foi igualmente arrebatador, fazendo o rapaz sentir, por um momento, que iria morrer congelado. Entretanto, um segundo depois, aquela sensação parou, e o garoto não podia mais sentir o ar gélido que lhe rodeava. De repente, as únicas coisas de que se lembrava eram o veículo, de onde acabara de sair, e sua Rainha. Gerda, a avó, e tudo mais que deixou em casa desapareceu de sua memória.
Neve, preocupadíssima com os efeitos negativos que o feitiço descontrolado poderia ocasionar, olhou para ele de maneira séria e empostou a voz, firmemente:
— Não faça nunca mais isso! Outro, pode ser altamente mortífero!
Assustado, Kai respondeu:
— T-tudo bem.
— Entenda: só quero lhe proteger. Estou trazendo você comigo para o palácio, para ajudar você e seu pai, já que não tem como eu te levar embora por enquanto.
— Espera! Me ajudar? Acho que está havendo um engano aqui, porque não preciso de ajuda alguma. Até a temperatura baixa não estou mais sentindo.
— Você acha? Pois sei de uma coisa sua que anda bem debilitada: o coração. Ele está perdendo a voz dentro de ti, para uma imagem pessimista e cruel da realidade... Tudo o que seus olhos vêm são um reflexo deturpado do mundo. Eles também estão adoentados. Você precisa se esforçar para perceber que a vida é bem mais do que o que os olhos podem ver. Se deixares de lado toda dor e angústia que sentes, e der espaço ao amor em seu coração, por mais forte que seja essa “doença”, tu conseguirás se recuperar! Eu te ajudo. Basta você querer.
***
Enquanto isso, Jack Frost e Elsa, cansados de tentar interromper àquela tempestade gigantesca, que não lhes obedecia, resolveram voltar para casa, para ver se a filha estava bem. Porém, a nevasca era tão grande, que eles se perderam no meio do caminho. Quando se deram por conta, estavam na floresta que cercava o esconderijo dos trolls.
— Para completar, nós nos perdemos!
— Nem tanto, querido. Eu reconheço estas árvores! Estamos próximos do vale dos trolls; se seguirmos em linha reta, conseguiremos reencontrar o caminho de casa.
Assim, foram caminhando pela floresta até encontrarem algo realmente espantoso: uma casa toda feita de espelhos! De diferentes formas, estilos e cores, mas todos espelhos. E pelo feitio deles, não eram dos comuns.
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