Notas iniciais
Voltei, galera! A foto do capítulo refere-se ao Jack Frost com cara de mais velho (e abatido pelo trabalho constante). Crédito da imagem ao filme "Meu Papai é Noel 3". A música dessa vez é "Mirrors" do Justin Timberlake, e se encaixa com a segunda parte do capítulo. Aproveitem e espero reviews no final, hein?

— Meu Deus! Eu não posso acreditar! É... é uma casa feita pelos espelhos refletores da alma... Como isso é possível? Será que alguém vem tentando manipulá-los? — Perguntava Elsa, preocupada, à Jack.

— Isso é o que precisamos saber!

Respirando fundo, Jack hesitou um pouco, mas por fim, bateu no que parecia ser a porta da casa. Foram ouvidas vozes atordoadas por um bom tempo, e quando ele não aguentava mais esperar, finalmente alguém apareceu na porta. O casal levou um susto ao ver quem a abriu. Sem nem pestanejar, a antiga rainha foi logo perguntando:

— Você?! Há! Pode nos dizer o que significa isso? — Disse apontando para os espelhos — O que está planejando dessa vez?

— Elsa! Que surpresa! Pensei que eu não podia mais ficar próximo de você...

— Não seja cínico, nem mude de assunto, Hans! Eu sempre soube da sua loucura, mas construir essa coisa... — Jack dizia irritado, mas foi logo interrompido por Hans.

— E eu sempre soube que você era imortal, Frost. Não é o que parece. Envelheceu bastante desde a última vez em que nos vimos, hein? Bem, essa coisa é a minha casa e meu local de trabalho. Agora, com licença, vocês estão incomodando, e como a casa é minha, acho que serei obrigado a expulsar-vos daqui.

— Pois se nos expulsar, nós te denunciamos ao conselho de Arendelle! Pela utilização desse objeto que ficou proibido no reino!

— Proibido no reino?! Há, veja só, Molly, como são tolinhos... Nem percebem de onde vem essa tempestade!

— Espera! Não está insinuando que...

— Não estou insinuando, eu vi! A filha de vocês voando num trenó de neve, espalhando seus cristais de gelo por aí.

— Como posso saber se é verdade? — Dizia Jack, intrigado.

— Entrem e eu mostro a vocês.

Assim, embora temerosos, eles entraram naquela estranha residência. Ela possuía janelas altas, e sobre a mesa haviam algumas frutas exóticas. Devido aos numerosos espelhos, a casa tinha um ar mítico, com luzes sendo refletidas por todos os cantos das mais diversas cores e formas. Na sala de estar, encontraram Moly, com uma bola de cristal improvisada (ela era trol, lembram?). A mulher tinha exatamente o mesmo semblante de 15 anos atrás, assim como o marido. Percebendo os olhares de estranheza, ela foi logo falando:

— Não se assustem pelas nossas aparências. No meio dos experimentos com os espelhos descobrimos uma fórmula para não perdemos nossa fisionomia jovem. Mas não se enganem; é só a fisionomia. Bem, eu ouvi a conversa que vocês tiveram com Hans, e tenho como provar que ele realmente falava a verdade. Vejam...

Ela girou as mãos em torno da bola e apareceram imagens da Rainha da Neve, cantando nos céus e criando toda a nevasca. Jack Frost se recusava a acreditar, porém, Elsa, lembrando do que disse à filha, assentiu para o marido. Ela sabia que devia ser verdade aquilo tudo, até porque era a única explicação lógica para aquela tempestade. Por mais feiticeiros que Moly e Hans fossem, eles não teriam feito algo tão poderoso, não no estado em que estavam. Se tivesse conseguido, com certeza, o príncipe das ilhas do Sul, já estaria se gabando por aí. Quando explicou isso tudo a Jack, o mesmo ficou atônito. Depois falou:

— Eu não acredito que você aconselhou uma coisa dessas para ela! Perder o controle de vez?! Desequilibrar o clima do mundo inteiro?!

— Você não entende porque nunca passou por isso; seus poderes tem uma fonte completamente diferente. Mas se ela tentasse se segurar, o estrago seria ainda pior! Pessoas poderiam ser machucadas; lugares destruídos...

— Não deveria ter pedido para Neve lembrar do nosso amor? Do tanto que nos sacrificamos por ela?

— Os poderes dela são muito fortes. Falar é fácil, difícil é fazer. Assim, como manter alguém acreditando em você depois de crescer, não é?

Impaciente, Hans se intrometeu:

— Bem, desculpa interromper a discussão, mas eu acho melhor vocês irem atrás da garota agora. Até para saberem melhor o que está acontecendo. Se precisarem, podem contar conosco e com nossa réplica dos espelhos para pará-la.

— Calma aí! Estão tentando nos ajudar?

— Não somos tão malvados assim. Aliás, deveriam prestar mais atenção no que um olhar da sua filha pode fazer. Ela é capaz de refletir e até transformar a alma de quem olhar em seus olhos. Imagina como nossa mente ficou, depois que essa menina nos olhou! É só reparar na nossa casa! Pensem, então, no que deve ser capaz de fazer com o restante de seus poderes!

— Espera! Deixa eu ver se entendi: vocês ficaram atordoados com o choque do olhar dela? Aí passaram o resto da vida tentando estudar os espelhos, e por causa disso, querem nos ajudar a deter seus poderes?

— Na verdade é um pouco mais complexo; ficamos agradecidos por nos fazer ver o quão ridículos estávamos sendo, mas também percebemos que ela é uma ameaça, com poderes poderosíssimos e com alto potencial de destruição. Então viemos tentando criar algo que acabe com essa capacidade. Por isso pode contar com nossa ajuda para detê-la.

— Mas falando assim, parece que vocês querem destruí-la! Ela é inocente! Não tem culpa de ter poderes tão fortes!- Elsa gritava em defesa da filha.

— Não pretendemos acabar com ela, mas sim com os poderes. Seria até uma forma de ajuda-la... Porém, às vezes, pode ser impossível acabar com um inverno mágico sem acabar com a Rainha da Neve. Entenda, o mal que essa magia pode causar é enorme, sendo capaz de destruir outras pessoas! Contudo, dou minha palavra que se acontecer qualquer coisa com ela, será por falta de opção.

***

No castelo de gelo, Kai observava Neve. Ele finalmente podia lhe olhar com calma, e percebia que era muito mais linda do que parecia. Ela tinha um semblante compenetrado; sério, mas ao mesmo tempo doce, que lhe fascinava. Enquanto a moça criava um portal para conseguir ver Gerda, reparou a admiração do "primo". Sem graça, ela falou:

— Por que olhas tanto para mim? Não deverias estar cuidando de Kristoff?

— Desculpa, mas é que... Sei lá, eu estava indo ver meu pai, só que... Não me leve a mal, seu sorriso me chamou a atenção. Eu não sei como explicar, mas parece que ele refletiu minha alma. Estava só admirando isso. Essa capacidade que você tem de mexer com minha alma; com meu coração...

Aconteceu que, enfeitiçado pelo beijo, Kai não conseguia mais enxergar o frio que havia naquela dama. Desse modo, ele via-a como uma jovem normal, muito bela, e ainda de alguma forma com com todas as características já citadas. Era como se ele também estivesse refletindo o interior dela... Isso lhe fez perder aquele certo temor que tinha ao conversar com a moça. E como passara tantos anos sem conseguir falar, agora as palavras escapavam de sua boca, da mesma forma que seu sentimento encontrou espaço para transbordar.

A Rainha da Neve, por sua vez, respondeu-lhe, tentando não ficar vermelha:

— Poxa, ninguém nunca havia falado dos meus poderes dessa maneira... Obrigada.

Sem graça, ela foi saindo em direção à sacada do palácio, para mexer no clima, afinal, não podia deixar o mundo totalmente frio por muito tempo. Também tinha que começar a "preparar o terreno” para a jornada de Gerda. Kai, que sentava ao lado da estátua de gelo do pai, abraçado à ele , observava a jovem resplandecente sob a luz do luar, enquanto fazia enormes porções de nuvens e rajadas de neve, girarem pelos ares, se condensarem e descondensarem em arabescos elegantes e gigantescos, que até ele próprio conseguia ver um pouco. E chamavam tanto a atenção que por um instante o menino pensou que alguém por ali podia se assustar. Foi aí que se deu conta de que não tinha mais ninguém por perto. Percebendo que Neve parou um pouco para só observar, ele foi em sua direção e perguntou:

— Você vive aqui... sozinha?

— Ahn, normalmente minha mãe Elsa está aqui comigo. E às vezes, meu pai. Ah, e claro, estou sempre na companhia dos seres de gelo!

— Mas... está sempre isolada aqui com eles ?

— Bem, tirando quando nos vimos na quermesse, raras visitas da sua mãe, e quando precisamos ver os trols... Sim.

— Poxa. Se isso lhe conforta, sempre que quiser , mesmo quando eu não estiver mais aqui, pode me ver, ok? Tenho certeza de que vai saber como me encontrar.

— Haha, obrigada, mas não é tão simples. Eu não quero te assustar, só que as pessoas precisam ficar longe de mim. Não posso sair daqui. Você só está comigo porque não há outra escolha.

— Não me importo. Tu não és perigosa. Se bobear sou bem pior do que ti. Ora, parecemos até reflexos um do outro. Não quero me afastar de alguém assim. És a única pessoa que pode tirar esse vazio do meu coração, como tu própria disseste; a única que quer, apesar de tudo, me salvar; e depois disso esperas que nunca mais nos vejamos? Tão poderosa e não sabe dar um jeito? Bem, se não quiseres, não vai adiantar muito. Não me lembro do que se passou antes de eu chegar aqui, mas sei que você estava comigo mesmo quando estávamos afastados. Sempre no meu reflexo... Como as estrelas do céu, tão distantes, mas sempre ligadas por um mesmo espaço onde se entrelaçam em constelações.

— Kai, eu me afastei de voc~e quase a vida inteira porque te machuquei! Eu fui a responsável por deixar seu coração doente. Só quero consertar o que fiz, mas não serei eu que te salvarei. Estou... chamando outra pessoa.

— Mas está dando teu melhor para me ajudar! E eu sinto que já estou começando a mudar! Poxa, será que é tão difícil dar ao menos um sorriso quando eu estou te mostrando o quão especial você é para mim? Eu entendo os problemas que você tem e te aceito do jeito que é. Mas também queria te ajudar. Não pode ficar presa aqui para sempre. Olhe o quanto é poderosa. As enormes distâncias do mundo se curvam ao seu poder, ou não teria congelado tudo! Se não quiser, tudo bem, mas poderia ir para qualquer outro local sem nenhum problema. Eu posso até tentar te ajudar, Rainha. Juntos, se formos fortes, posso calcular que não haverá lugar onde não possamos ir.

Sorrindo ela falou serenamente:

— Obrigada Kai. — e completou baixinho — Mas sei que provavelmente só diz isso porque está enfeitiçado. Você acha maravilhoso tudo que há de ruim por causa desses espelhos que te cegaram para o bem, e como sou cheia deles, comigo não deve ser diferente.

Notas finais
E aí o que vocês acham? O Kai gosta mesmo da Rainha da Neve ou ele só fica assim com ela porque foi enfeitiçado? Comentem. PS: peço mais uma vez desculpa se eu demorar para postar o próximo capítulo, mas é que estou REALMENTE enrolada com a feira cultural da minha escola. Quando isso acabar devo voltar a postar mais frequentemente.