Notas iniciais
Oi, leitores, desculpem a demora! Para compensar, esse capítulo é um pouquinho mais comprido... Como prometido, a música é Let It Go da Demi. Também terá uma nova versão da que eu humildemente fiz para esse momento da história. Não se compara ao original eu sei, mas a Rainha da Neve precisava de um grito de liberdade também, não é mesmo? Personagens da foto: Rainha da Neve pós-transformação, e Kai (ele está esbranquiçado de propósito, quem ler vai entender)

Neve atravessava os portões do castelo, apreensiva. Não sabia o que podia acontecer por lá, apenas que deveria pedir ajuda para a tia. Foi aí que se tocou:

“Caramba, ela não tem como me ajudar! E ainda morre de medo de mim! O que eu vou fazer? Só posso pedir para ela falar com o tio Kristoff. Bem, talvez ele tenha deixado alguma coisa aí que possa me ajudar... Ah, enfim, só espero não ter muitos problemas para falar com Anna!”

E assim, foi se dirigindo castelo adentro. Andava distraída, observando cada detalhe do lugar onde nasceu, e onde por tantos anos sua mãe viveu. Estava tão embevecida que não percebeu que estava indo na direção de alguém. De repente:

— Aiiii! O que é isso?! Quem é você?! Como foi entrando aqui sem eu saber? – Era a rainha que berrava de maneira esganiçada após ter dado um encontrão com a moça.

— Oh, meu Deus, me desculpa! Eu não queria te assustar... Só que os portões do castelo já estavam todos abertos, e eu precisava muito falar com vossa Majestade. – Disse a jovem se curvando desengonçadamente, tentando reparar o ocorrido.

— Tudo bem. Não precisa me chamar de Majestade, ou fazer reverências... não sou como as outras rainhas. Você só me deu um susto, mas já me recompus. Sobre o que você deseja falar, exatamente?

Respirando fundo, Neve não disse nada. Apenas retirou seu capuz, revelando mais claramente sua face. No mesmo instante, a expressão de Anna mudou completamente. Se antes, estava tentando reconfortar a garota, seu olhar agora era de temor. Sua reação imediata foi dizer, séria, enquanto encarava o chão:

— O que você quer aqui? Não basta ter me afastado da minha irmã e enfeitiçado meu filho?

— Calma, eu não quero te fazer mal! Eu vim justamente porque... Espera! Como assim enfeitiçado seu filho?

— Ah, vai se fazer de sonsa agora? Estou falando das farpas de espelho que certamente caíram sobre ele, quando era mais novo. Ele era um ótimo menino, um anjo, até o dia em que saiu para procurar você, e voltou se queixando de uma dor estranha no peito, e de uma provável “areia” que entrou no olho dele. A partir daí, aos poucos, ele foi deixando de ser tão bondoso... acho que eu já tive experiências o suficiente com esse maldito espelho, para saber o que o atingiu!

— Me procurar? Fora você, nenhuma pessoa veio me visitar desde que me tenho por gente! Deve estar havendo um equívoco. Os espelhos podem ser fatais, mas também sei que com muito amor no coração, se pode neutralizá-los. Eu sou a prova. Aliás, foi por causa disso que vim até aqui. Eu posso até conseguir me segurar, mas está sendo cada vez mais difícil. Queria saber se Kristoff não teria qualquer coisa que pudesse me ajudar...

— Desde o dia em que te conheceu, Kai ficou totalmente encantado por você! Falava do seu olhar a toda hora, e o sonho dele virou te rever! Mas nós não o deixávamos, porque sabíamos do perigo. Então, uma vez ele saiu com Gerda em direção ao monte mais alto que temos aqui, para ver se conseguia enxergar ao menos seu palácio de gelo! Foi aí, que com o vento, as farpas vieram... Está explicado agora? Já não é o bastante?

Silêncio. Anna olhava vorazmente para a Rainha da Neve, e esta não sabia exatamente o que sentir. Apenas franzia o rosto tentando se conter ao máximo para num momento como aquele não deixar seus poderes aparecerem. Percebendo, a monarca brincou com o fogo:

— Está vendo? Você diz que pode se controlar, mas nem consegue direito! A verdade é que é muito difícil. Elsa não tinha nem metade dos poderes que você tem e viveu por muitos anos sem saber como se conter. Você pode até não ter mesmo a intenção, mas acaba atingindo a todos a sua volta. Espero que tenha entendido e vá logo embora e nos deixe em paz! O único remédio para essa situação seria um ato de amor verdadeiro ainda maior do que o que houve quando eu me descongelei. E ainda assim, você teria que conviver com seus poderes para o resto de sua vida, igual a sua mãe. Só que com uma magia ainda mais forte. Por isso tu deves permanecer lá na montanha isolada, e afastada de todos nós! Infelizmente não há nada que se possa fazer. Agora, eu te peço: por favor vá embora antes que algum acidente aconteça!

Aquilo foi como um “tiro de misericórdia”. Se com o comentário sobre Kai, Neve quase pôs tudo a perder, agora não aguentou mais. Resistiu até o seu limite máximo, mas conforme a governante falava, rajadas de vento escapuliam de suas mãos. E quanto mais tentava impedir, mais forte ficavam. Entrando em desespero, as únicas palavras que escapavam de sua boca enquanto começava a ficar com os olhos úmidos eram:

— N-não. Eu... eu sei que consigo. Não posso ficar lá para sempre! Assim estarei cada vez mais infeliz... Isso não vai adiantar nem um pouco!

A ventania logo se transformou em uma tempestade de neve, que sufocava e congelava. Anna gritava:

— Lamento muito, mas vá embora imediatamente, por favor! Olha o que está fazendo!

— Espera, eu sei que consigo parar esses ventos! Eu tenho que conseguir! É só parar! – E esticava seus braços na direção das rajadas, fazendo uma força estúpida para puxá-los para si. Em vão.

Nesse momento, Kristoff, estava chegandoo de sua viagem, quando viu a confusão. Imediatamente, se virou a Rainha da Neve e disse:

— O que está havendo? Pelo amor de Deus, pare!

Chorando, ela respondeu:

— Estou tentando! Entretanto... – já soluçando, se rendeu- Eu não consigo!

No instante em que gritou isso, tudo que voava se condensou numa enorme bola e, explodiu a fachada do castelo. E como tinha posto a mão em um dos ombros do rei, sem querer, exatamente no momento da explosão, quando se virou para o lado assustada... Viu o tio congelando.

— Não; não! – Falava entre soluços. Quando Anna retornou a si depois do estouro, viu o estado do palácio e do marido. A ira a dominou instantaneamente, e assim, ordenou:

— Guardas! Peguem-na!

Cheia de medo, a jovem acabou inconscientemente movendo a neve sob seus pés para longe dali, levando consigo a estátua de Kristoff, e Olaf, que estava esperando por ela no portão. Conforme corria sem destino, uma tempestade mágica e repentina foi cobrindo todo o reino. Caiam flocos de formatos inusitados, lembrando estrelas e flores, por toda parte.

Kai e Gerda permaneciam do lado de fora, perto do muro do palácio; porém, no lado oposto à explosão. Quando ele viu aquela neve, ficou totalmente maravilhado. Tinha certeza que sua Rainha era a responsável. Resolveu, então, ir logo catando pelas barracas roupas mais quentes, e um trenó para aproveitar o “espetáculo”. A irmã ainda tentou lhe chamar a atenção dizendo que deviam agasalhar os plebeus e procurar saber o que estava havendo, mas ele respondeu grosseiramente:

— Eu posso fazer o que eu quiser e ir aonde eu quiser! Já não sou mais criança e você não manda em mim!

Desse modo, foi em direção à uma gangue que se juntava no monte para ver quem era o melhor deslizando de trenó. Eles sem saber, estavam próximos da Rainha da Neve, que havia parado nesse monte para tentar se estabilizar. Respirando fundo, para se acalmar, ela se lembrou do conselho que a mãe lhe deu, caso tudo desse errado. E começou a balbuciar baixinho, em forma de canto:

“ Deixe ir, deixe fluir

Não dá mais pra disfarçar

Deixe ir, deixe fluir

Eu só posso aceitar”

Repetindo o verso para si mesma, foi formando, sem perceber, naquela camada de neve que a transportara,um trenó. Ursos polares foram igualmente aparecendo no gelo, e se colocaram logo a frente do veículo; prestes a voarem o conduzindo. Nesse mesmo instante, o príncipe subiu até ali para se mostrar aos demais, e curtir ao máximo. Só que assim que viu o trenó de gelo saindo, resolveu se exibir mais ainda, prendendo o seu naquela coisa deslumbrante e misteriosa. Neve, sem desconfiar de nada, continuava cantando, enquanto subia rumo aos céus, deixando que sua magia lhe guiasse:

“ A neve branca crescendo no chão

E não há mais nada pra se ver

É um tipo de isolamento;

Sua rainha é essa aqui!

O vento sufocando

E um medo que não sai

Eu devo me conter

Porém já tentei”

Enquanto ela ia falando, Olaf que foi levado junto, olhava maravilhado ao redor: toda a neve obedecia ao ritmo da canção, e ia saindo cada vez mais naturalmente daquelas mãos de gelo. Kai, enquanto isso, no fundo, entrava em pânico, pois não conseguia mais conduzir o seu trenó, e ainda por cima estava voando; com rajadas de vento geladíssimas indo na direção do seu rosto. A Rainha da Neve, entretanto, não percebia; e procurava ainda se concentrar em parar com todo o frio, que só fazia aumentar. Lembrando-se dos conselhos que ouviu sua vida toda, continuava:

“ Não envolva ninguém,

É bom nem ver

Extremamente forte deve ser

Concentra, não falha, e não atinja alguém

Mas já atingiu”

Com a última frase, ela já começava a chorar, contudo, subitamente lhe veio à mente a frase que lhe fez começar a cantar, e então berrou com toda sua força, pela primeira vez fazendo um movimento com os braços, que empurrava toda a sua mágica para fora de si:

“Deixe ir, deixe fluir

Não dá mais pra disfarçar

Deixe ir, deixe fluir

Eu só posso aceitar

Aqui entendo

E vou dizer

Deixe ir, deixe fluir

O frio é a resposta para mudar”

Quando finalmente se permitiu liberar sua magia, um espetáculo de cristais de gelo se formou pelo céu, e cada pequeno movimento mexia com todo o clima e todo o ar. Foi aí que ela finalmente percebeu o tamanho da força de sua magia, e também, o que deveria fazer com ela.

“ Incrível como tudo tem

2 lados para se ver

E o que me segurava

Pode me realizar

Eu controlo todo o vento,

E como faz bem essa brisa

Eu sei bem que posso falhar

Mas preciso libertar”

Nesse momento, Kai começava a chorar de medo (afinal, o frio estava fortíssimo e ele não fazia ideia do que estava acontecendo), porém era impossível lhe ouvir em meio ao barulho dos ventos. A Rainha da Neve, voltava a repetir a frase que aprendera com sua mãe e deixava todo o ar frio que saía de sua mão se mover sozinho exatamente de acordo com o que pensava. Assim, as nuvens no céu se abriam e fechavam; enormes arabescos de cristais de gelo se mexiam pelo ar; e toda a tempestade começou a lhe abraçar, soltando seus cabelos e sua capa. O braço ficava azul, com desenhos brancos que lembravam o frio por toda sua extensão. O vestido também foi refeito, e era o que mais chamava atenção; mais do que os olhos: Ele começava com uma tela de vento envolta pela neve, se confundia com sua pele gelada e no busto estava coberto de espelhinhos. Eles eram fáceis de reconhecer principalmente aonde havia uma capa por cima, feita de flocos que não paravam de cair, que saia de baixo de seu braço e caia bem atrás dos pés. O resto do vestido era azul, feito de gelo, tal qual o de Elsa, exceto por um cintinho de cristal, e pela bainha em formato de onda; ou no caso, nevasca. Encantada com o que podia realizar, começou a comandar a neve para tentar fazer ela continuar sua canção. E não é que deu certo? O vento assobiava de forma que era possível ouvir essas palavras:

“ Vida congelada é o meu destino

Vejo isso tudo por trás de mim

É o que marca meu gelo”

Quando percebeu, ela havia pousado em seu castelo. Se formaram enormes flocos voando pelo céu como pássaros, com o baque no chão. Kai, aliviado por ter pousado tentava rezar agradecido, um Pai-Nosso, porém na hora, nem conseguia se lembrar como era. De repente, notou uma figura branca descendo do veículo, acompanhada por um boneco de neve meio tonto. Era a dama, toda trajada de neve. Ela estava totalmente formosa e tinha sua pele alva reforçada pelo azul da roupa. Quando a Rainha da Neve se virou para buscar a estátua de Kristoff, que carregou consigo desde o outro palácio; levou um susto enorme ao ver aquele garoto. Ele estava pálido de frio, contudo o que mais chamava a atenção era o seu cabelo que estava ficando branco. Isso desesperou a jovem, pois ela sabia exatamente o que significava.

Notas finais
Por favor, não me matem por ter congelado o Kristoff, ou por ter criado outra versão brasileira para o Let It Go. Eu particularmente também prefiro a original, mas como já disse ,precisava encaixar essa releitura no texto, afinal a Rainha da Neve deveria ter um canto próprio; parecido, mas diferente do da mãe. Elas são mãe e filha, mas também, são pessoas diferentes... Sem mais delongas, estou aguardando reviews, e agradeço a quem comentar, mesmo que seja para criticar. Até o próximo capítulo! ;)