F.r.m.
5 Canto V
Notas iniciais
Por um grande corredor eu andava;
No fim dele havia uma grande escada;
Que, desse nível, nos mostrava o fim.
Sem nenhuma palavra a proferir;
Eu e Pedro Eduardo começamos a subir;
E uma ansiedade cresceu em mim.
A escada era bem velha;
Úmida também ela era;
E imensamente longa.
Enquanto subia;
Na minha pele nua frio eu sentia;
E de repente me senti tonta.
Antes de cair, Pedro Eduardo me segurou;
E no seu colo ele me pegou;
E começou a falar:
- Essas tonturas são comuns para quem já morreu;
Ainda com a morte não se acostumou o corpo seu;
Mas logo irá se acostumar.
- Por que aqui fazes tanto frio?;
Perguntei eu, com a voz por um fio;
De sumir.
- Bruna, você verá;
E se impressionará;
Porém não ficará mais feliz ali.
"É desgradável o próximo lugar;
Aquele que no fim da escada vamos encontrar;
E irá lhe mostrar o quão inferior somos nós.
Os braços fortes de Pedro Eduardo me carregavam tranquilamente;
E parecia-me que ele fazia aquilo prazerosamente;
Principalmente por estarmos a sós.
Minha sorte ele não ser um estuprador;
Pensei eu, com um leve temor;
Com meu peito apertando.
Não me lembro de ter desmaiado;
Mas me lembro de ter acordado;
Neste lugar estranho.
Sentado no chão ele estava;
Para o chão, tristemente ele olhava;
Foi quando me disse Pedro Eduardo:
- Me parece que tudo isso é uma provação;
Eu lhe pus no chão;
Senão meu corpo não teria aguentado.
- Mesmos mortos estando;
Parece-me que ainda somos humanos;
E ainda temos sentimentos.
"Ainda sinto medo;
Por mim, tu sentes desejo;
Parece-me que, apesar de mortos, hábitos humanos ainda temos.
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