Fright
1 Welcome
Notas iniciais
Meus dedos trêmulos no teclado.
Meus dedos trêmulos no teclado, me faziam temer o possível, mas eu costumo pensar que, um não eu já tenho. Já consigo imaginar, incansavelmente como seria o dia perfeito, ao lado de quem eu tanto almejo, meu coração está confuso, já não sei ao que me correspondem meus sentimentos falhos e acinzentados.
O conheci ingenuamente, apenas procurando companhia para conversar, mas para mim, acabei achando mais do quê isso, achei alguém que para mim, serviria de exemplo, desejo ser um dia como ele, e um dia ser dele, quero me sentir seguro nos braços dele, mas é claro que, isso é apenas mais um desejo tolo que levo comigo.
Apesar de virtual sei que pode ser real, não existe falso amor, ou é amor, ou não é, amor passa, amor não é eterno, todos temos de saber que o par perfeito não existe, existe a pessoa que aos seus olhos é perfeita, que aos seus olhos consegue lhe representar ou lhe impressionar, que apenas explode ao seu olhar, e incoerentemente esse alguém pode nem saber que você existe, mas você está ali, tentando fazer de tudo para que isso mude, para que esse alguém saiba que você existe, saiba que você está ali, olhando pra ela, admirando-a, desejando-a. Você pode falar com ela, e ser ignorado, isso é cortante, mas quando o sentimento é ao menos uma faísca que pode um dia se tornar uma chama, ou apagar por completo, você nunca vai querer parar de tentar, entrar na vida desse alguém e ser alguém pra ela, representar algo, ser lembrado em alguma ocasião, ser lembrado por algo que disse ou fez, ou que deixou de fazer.
Você diz um "Oi", com o coração saindo pela boca, e já não consegue se conter, que conversar tanto até seus dedos se atrofiarem, mas nunca vai deixar de querer estar ali, fazendo o possível, para ser percebido.
Inesperadamente, quando ele aceitou minha solicitação, veio imediatamente falar comigo; Consegue-se imaginar o quanto isso deve ser fantástico para os lunáticos apaixonados, ou para os admiradores.
Ele disse brevemente "Oi", fiquei tão contente, disse "Oi" de volta sem nenhum atraso, e surpreendentemente ele disse que, me aceitou apenas por eu ser "gatinho", fiquei confuso e ao mesmo tempo contente com tudo isso, eu comecei com uma conversa, um tanto fofa de ambas partes, ficamos nos elogiando, de gatos, por um tempo "Não, gato é você; Não, é você; Ah, para" foi realmente uma conversa tola, levada pelos meus sentimentos, a me transparecer e me iludir, mas mesmo consciente disso eu continuo platonicamente fissurado nele, de uma forma que, chega a parecer mentira.
Conversamos brevemente após isso, quando de repente ele perguntou minha idade, quando disse a ele, ele ficou realmente espantado, mencionando que já não poderia fazer o convite que pretendia, devido a minha pouca idade.
Fiquei um tanto curioso a respeito, perguntei insistentemente a ele, sobre o que se tratava o convite.
– Hum, eu apenas ia te convidar para nos vermos na webcam, intimamente eu digo. Realmente eu te achei bem bonito.
Fiquei catatônico, e não consegui responder nada no instante, mas a longo prazo eu consegui dizer algo a ele, mas apenas mandei umas risadas, fiquei profundamente tímido com o ocorrido.
Depois disso, conversamos madrugada a dentro, desenfreadamente com assuntos inusitados, falamos de nossos sonhos, de nossas frustrações, como ele é do signo de Virgem, tem afinidade com Capricórnio, fiquei bem seguro em conversar com ele, a respeito de absolutamente tudo. E bem que deu certo, apesar de termos uma diferença enorme, realmente grande de idade, sou elogiado várias vezes, não querendo me gabar, mas sou elogiado várias vezes, por ter uma mentalidade bem avançada, aos outros adolescentes da minha idade, a menos quando se trata de um assunto, romântico, sou profundamente bobo e fico desnorteado quando fico apaixonado, falo várias coisas sem nexo e acabo me entregando, isso me compromete bastante, o suficiente para matar qualquer chance minha de arranjar um companheiro, mas no caso, deu completamente certo, até que chegou a hora que jogamos juntos, jogamos tanto juntos que nos aproximamos mais ainda.
Com o passar do tempo, do entrelaçar de nossas conversas, loucas e repentinas, marcamos de nos encontrar futuramente em São Paulo, e assim dito e feito, nos encontramos na casa de um amigo meu, e juntos, fomos nós 4, para uma festa, que aconteceria em comemoração ao aniversário da amiga dele, fomos todos juntos, foi bastante animador. Após essa longa e cansativa noite, enquanto íamos para a casa dele, em seu carro, o clima foi ficando mais descontraído, mais tranquilo, nossas conversas começaram a andar ao mesmo rumo, de um minuto para outro, ficamos incrivelmente em sintonia. Enquanto saíamos do carro, ele estava surpreendentemente tímido, em minha companhia, caminhando naquela noite, acinzentada e realmente, uma noite clássica de filmes românticos, fiquei naquele breve instante, fantasiando como seria se ele me beijasse lentamente naquele mesmo lugar, naquela noite escura e envolvente, eu o desejava, mais que tudo naquele momento, da mais pura forma, mais inocente e ingênua forma, eu o desejava.
Caminhando em direção a um prédio não com mais de 6 andares, como bem me recordo, com apenas algumas janelas com luzes acesas e um porteiro, tanto quanto simpático...
Ah, já ia me esquecendo... Me chamo Ay, claro que Ay, é meu apelido, meu nome não é tão interessante... Uma das únicas pessoas que ainda lembram do meu nome é meu amigo de infância, infância vírgula, ele era um tanto mais velho que eu, alguns poucos anos. Mas ainda sim lembro dele em minha companhia, passamos bons e maus momentos. Ao que infelizmente o acaso me trouxe, foi a perda iminente de contato com o mesmo.
Continuando. O porteiro me cumprimentou gentilmente, quando entrei, o saguão era silencioso, bem quieto, vazio como se fosse uma noite de Natal, quando todas as famílias (ou quase todas), estavam passando esse dia, em confraternização com seus parentes, e assim podendo desfrutar de momentos em família, algo que eu não sou muito chegado, sempre me distanciei bastante da minha "família". Quando voltei a caminhar junto a ele, ah, também não disse, seu nome é Tito, prefiro não dizer o nome, é uma particularidade nossa, de profundo vazio sentido, mas ainda sim nos chamávamos assim, em nosso pouco tempo "juntos", não namorando, nem em um relacionamento, afinal não tínhamos feito nada, nada de verdade, mas meus pensamentos esquentavam cada segundo mais na esperança de que esse algo, se tornaria realidade, uma realidade fervorosa dentro de nós. Enquanto caminhava junto à Tito, agarrado em seu braço, entramos no elevador, que já por problemas, parou no segundo andar, ficando completamente escuro, nesse ambiente quieto, devido a localização pouco populada do edifício, uma parte de São Paulo, um tanto misteriosa. Ficamos parados dentro do elevador, completamente na escura, e inusitadamente senti seus lábios aos meus, eu completamente parado, deixei inevitavelmente que Tito me conduzisse, me senti contemplado, me senti desejado e amado, em parceria a ele, não fui egoísta, tornei-o a beijar, lenta e fervorosamente, as mãos grandes dele presas a minha cintura, nossos lábios presos um ao outro, ele montado em cima de mim, já havia inconveniente caído ao chão do elevador, e ele havia posado em cima de mim, de uma maneira que fez-me sentir tão bem. Seu hálito quente, com um cheiro doce, mas não enjoativo, o mesmo começou a esfregar seus dedos no meu mamilo esquerdo, deixando-o levemente à mostra, afastou seu corpo ao meu, me levantou do chão e me encostou na parede, meus pés já não tocavam o chão, e ele sem hesitar, aumentou o ritmo dos seus beijos, que já se tornaram chupões leves, meus lábios molhados e os dele também, em perfeita sincronia começamos a nos amassar dentro do vagão, quando a luz voltou, a porta abriu, e para minha surpresa, meu amigo de infância estava a entrar, com um rapaz, alto e de mãos dadas a ele, eu não pude me conter, fiquei corado no mesmo instante, tentando me esconder nos braços do Tito, ele me reconheceu imediatamente, me chamando, tive que pelo menos cumprimentá-lo. Mas ele tomou palavras antes que eu pudesse dizer qualquer coisa:
– Vocês são novos por aqui? Nunca vi vocês aqui, porém, me recordei de você... Aramel?
– Si... Si... Isso mesmo, mas pode me chamar de Ay. Mudamos-nos para esse apartamento recentemente, aliás, prazer em revê-los.
– Vocês formam um casal bonito! Desejo toda a sorte do mundo para vocês. Aproveitem cada segundo de suas vidas e nunca esqueçam o amor que uniu vocês. — Disse João (Meu amigo) -
– Obrigado pelas palavras. Nós somos jovens, porém, temos a certeza que nosso amor só se fortalecerá. — (Disse Tito) -
Então rapidamente, o elevador chegou ao andar que desceríamos, Tito me puxou pelo braço, então abracei seu braço, forte e confiantemente. De olhos fechados, me sentindo seguro, acabei tropeçando nas pernas dele, e caímos no chão, ficando por cima dele, nossos olhares de cruzaram e meu coração começou a bater incontrolavelmente, morrendo de vontade de beijá-lo ali, caídos no chão, mas apenas comecei a rir, para amenizar a situação ele começou também, mas eu sei que ele entendeu meu olhar, de todo modo, deixamos uma mensagem no olhar um do outro, que aquilo que eu mais queria, naquela mesma noite, se tornaria realidade, a mais pura e linda realidade.
Enquanto o elevador fechava, ele se levantou, e me carregou em seu colo até seu apartamento, abrindo a porta e me colocando ao chão novamente, vendou meus olhos e me levou até uma cadeira, eu permaneci vendado até segunda ordem. Quando ele disse:
– Abra.
Eu tirei a venda dos meus olhos e mal pude acreditar no que havia na minha frente. Ele tinha feito um desenho, simples mas que para mim, significava tudo e ao mesmo tempo nada, pois o que pra mim escreveria nossa história, seriam nossos momentos juntos, ele havia nos desenhado no papel, selando um beijo tímido e rápido, no elevador, eu fiquei tão feliz que antes de voltar a tomar qualquer reação, ele me segurou, pelo maxilar, me beijou e me pegou de novo em seu colo, me levando até seu quarto, lá ele pediu para eu fechar os olhos, e se trocou, ao terminar de se trocar, ele me deu uma camiseta grande, e um short, para poder dormir, me apontou o banheiro, fui e me troquei, ao sair do banheiro, ele já estava deitado, completamente coberto, até o pescoço, olhando para mim com o olhar mais "coitado" do mundo, apesar da diferença de 8 anos de idade, que tínhamos, ele parecia necessitar de carinho e atenção, sendo meu maior sonho, poder deitar na cama com alguém que eu amo, e apenas deitar, ficar quieto, olhando para quem amo, durante muito tempo, acariciando seus cabelos negros e avulsos, vendo seus grandes olhos, suas feições distintas, seu rosto tão pobre de vida, aquilo fez-me derreter em paixão, dentro de mim aquele momento nunca deveria acabar, então ele disse repentinamente:
– Você sabe que somos dois rapazes, certo?
– Sei sim, para você é um incomodo?
– De maneira alguma, só quero que saiba no que está se envolvendo, não quero futuramente ser uma tormenta na sua vida, jamais quero atrapalhar você.
– Me atrapalhar? Não seja bobo, nunca vou me arrepender de passar esses momentos com você, nunca. Além de únicos, eles são o que eu sempre desejei, você é a criatura mais importante do mundo pra mim, nesse instante, eu sou feliz. Sem você é quase como perder um pedaço de mim, não quero nunca te perder, quero que cuide de mim para sempre, quero estar ao seu lado pra sempre.
– Eu te amo Ay, de verdade. Sinto por você o que nunca ninguém poderá me fazer sentir, sinto minhas mãos tremendo, minha garganta fica seca, não consigo controlar essa vontade de te amar.
– Acho que não preciso dizer mais nada a ti. Você sabe que os meus sentimentos por você, além de idênticos são os mais fortes e profundos que existem.
E olhando ele nos olhos, a conexão assim se estabeleceu, ficamos nos olhando, românticamente como nos meus sonhos, da maneira mais maravilhosa possível, sei que ele gosta de mim, e ele sabe que eu gosto dele. Jamais quis sair dali, mas logo adormecemos e acordamos, ao acordar ele estava tomando banho, com o box transparente, com o box embaçado, através do mesmo, fiquei olhando pra ele, tomando banho, lavando seus cabelos negros, sem ele notar minha presença, ele é incrivelmente lindo. Realmente não sei o que ele viu em mim, mas sinto que ele sente por mim exatamente o que sinto por ele, quando ele saiu do banho, pôs a toalha entre a cintura, se um jeito completamente habilidoso, e olhou pra mim com um pequeno sorriso, ao canto da boca. Aquilo me derreteu no mesmo instante, aqueles pés descalços, aquelas pernas molhadas, seu peito depilado e molhado, sua barba mal-feita, me seduziram por inteiro. Olhando pra mim, e percebendo que eu estava seduzido, completamente fascinado. Ele logo veio em minha direção, (eu estava sentado com as pernas cruzadas em frente a porta aberta do banheiro ao lado da cama), já percebera facilmente que minha respiração estava ofegante, meu rosto corado e completamente envergonhado. Agaixou, tirou minha camiseta e me beijou, tirando sua toalha, mas ainda sim me beijando, fazendo com que eu não visse nada, fechei meus olhos e deixei-o me guiar mais uma vez em uma de suas peripécias. Arrancando meu short, levou-me para baixo do chuveiro e me banhou, beijando meu pescoço e meu ombro, atrás de mim, esfregando minha cabeça, e algo mais em mim também, virei imediatamente beijei-o como nunca, foi o beijo mais gostoso que já tivemos em toda nossa história de amor.
Ao terminar o banho, ele saiu do box de vidro antes, permitindo que eu apenas admirasse seu bumbum extremamente lindo. Se secando, nu no meio do quarto, vestindo sua cueca box e colocando uma calça jeans justa, foi a imagem mais bela que eu já havia visto na minha vida inteira. Peguei uma toalha, e me sequei, ele me emprestou uma muda de roupa, e saímos para tomar café, ao descer no elevador, encontrei João novamente, e ele imediatamente disse:
– Uau, pelo sorriso de vocês dois, a noite passada foi incrível.
E respondendo-o Tito disse.
– Foi mais que fantástica. Vamos tomar café, chame seu companheiro e vamos junto. Nós quatro.
– Ok, me esperem no saguão, vou chamá-lo.
Enquanto ele entrava no elevador, Tito me jogou no sofá do saguão, ficando em cima de mim, montando suas pernas em cima das minhas, me beijando fervorosamente, a cada segundo ele me surpreendia mais. E eu gostava cada vez mais dessas surpresas, ele é o tipo de cara inesquecível.
– Pronto gente, o Felipe estava tomando ban... Bom, esquece, parece que enquanto fui chamá-lo, vocês estavam entretidos...
– Ma... Mas é claro que não, enfim, vamos logo João
– Na verdade, ficamos bem entretidos sim. — Disse Tito, sorrindo -
Quando saímos pela portaria do edifício, o porteiro nos cumprimentou novamente.
Indo ao Café5, tomamos café da manhã e rimos de nossas desventuras, foi muito divertido. Depois desse dia, tudo foi maravilhoso como nunca. Tudo foi sensual como nunca, ardente e fervoroso como já havia sido. Mais banhos nós tomamos... Juntos.
Não existe amor eterno, não existe pessoa perfeita, existe amor e existem pessoas. Pessoas que aparecem na sua vida para torná-la mais divertida, mais gostosa de ser vivida. Porém ter conhecimento de como vivenciar a solidão é algo prático. Nascemos e morremos sozinhos, as paixões da nossa vida apenas servem de acompanhamento a uma longa viagem, mas isso não quer dizer que não seja real.
– Eu.
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