Fright
2 Care
Notas iniciais
Vendo-o dormir
Vendo-o dormir fiquei refletindo, de alguma forma, não achei a resposta imediata para minhas perguntas, não consegui achar a luz no fim do túnel naquela parte da situação, fiquei me questionando, se alguém no mundo compreenderia nosso amor, nosso amor tão sincero, tão puro. Esse amor inocente.
Saber que tudo aquilo que fora dito na noite passada, dificilmente poderia se tornar realidade em algum momento, saber que perderia Ay dos meus braços em breve, era a pior das sensações que poderia pressentir, está sendo pra mim, imaginar isso, está sendo monstruoso, essa imagem de Ay indo embora, e ficando longe de mim, me corrói por inteiro, não consigo ficar longe dele por um instante, sabendo que mundo afora existem pessoas, pessoas que vão querer-lhe fazer o mal, pessoas que querem abusar de sua ingenuidade, jamais dormirei em paz, se não com Ay. Quero cuidar dele, hoje e sempre, meu coração grita, grita seu nome cada segundo com mais fervor, seus cabelos negros, sua pele morena, seus olhos castanhos, sua expressão tímida, são características únicas, que eu não posso deixar de levar em conta, algo que para mim, são terminantemente apaixonantes. Eu o amo.
Olhando Ay dormir, não consigo pensar que ele terá de partir. Ele tem apenas 14 anos. Eu tenho 22, jamais serei aceito pela família dele, ou pela sociedade, para amá-lo e acompanha-lo em tudo que ele fizer... Apesar, de que ser aceito para mim, já é algo que não consta muito no meu dicionário. Não me importo se as pessoas que vivem ao redor dele, não gostem muito de mim, apenas quero acompanhá-lo para toda a eternidade, quero abraça-lo e protege-lo, fazer dele o garoto mais feliz do mundo, assim como ele me faz, quero olhar para seu rosto todas as manhãs, vê-lo dormindo, sentir sua respiração ofegante, sua pele morena e quente tocando a minha por debaixo das cobertas, quero sentir sua mão pequena, nas minhas. Não quero jamais abandona-lo, e joga-lo nesse mundo caótico, nesse mundo em que todos julgam todos, em que todos são rotulados, é um mundo de nojo.
O verdadeiro amor é algo extinto, algo que eu e Ay temos, algo que eu não quero nunca jogar fora.
– Ti... Tito. Bom dia, está acordado a... (bocejo) a quanto tempo?
– Não a muito, estava te vendo dormir, e pensando.
– Me... Me vendo dormir? – Ele ficou corado no mesmo instante –
– Sim, bobo. É algo que me tranqüiliza.
– O quê?
– Te ver tranqüilo, te ter nos meus braços. – Assim, selando minhas palavras, dou-lhe um pequeno beijo –
– Você faz eu me sentir pequeno, e eu adoro essa sensação, fico descontrolado em sua companhia, sinto minha garganta seca, minha cabeça explode com um milhão de novos pensamentos, sinto como se houvesse uma horda de borboletas dentro da minha barriga, sinto várias coisas diferentes, minhas pernas fraquejam, sinto medo.
– Me... Medo?
– Sim, de te perder. Medo de nunca mais ver você, por alguma louca razão, as vezes sinto isso, e sinto que talvez um dia chegue a te perder, jamais quero sair do seu campo de visão, cuide de mim para sempre. – Dizendo isso, beijei-o e fechei meus olhos, aproximando meu rosto ao dele –
Ay é a pessoa mais especial do mundo pra mim, as vezes fico pensando, que ainda sim existem pessoas que dizem que, o amor entre dois homens, é algo do demônio, algo diferente do comum, um tabu, satanismo... Como puderas ser o sentimento mais belo do mundo, uma coisa do demônio?
Olhando pra ele, nos meus braços, eu chorei tanto. Chorei de tristeza e de felicidade. Sabendo que ele um dia vai ter de partir. E feliz por ele estar ali comigo.
Ay é significativamente mais baixo que eu, enquanto estou deitado olhando para cima, ele está deitado em meu peito, com a mão sobre o mesmo, seus pés alcançam os meus, mas seu rosto já para abaixo do meu pescoço. Faço carinhos nele, sei que ele gosta, ele já adormece com facilidade, deitado no meu peito.
– Ay?
– Estou aqui.
– Como se sente em relação a tudo isso?
– Me sinto do mesmo jeito que você. Com medo.
– Medo de quê?
– De te perder, bobo, e de ir embora da sua vida.
– Não vou deixar isso acontecer, vou dar um jeito.
– Sinto seu coração batendo, seu calor, não quero nunca sair daqui.
– Sente meu coração batendo? Então sabe que ele bate apenas por você?
– O meu bate por nós, por uma eternidade. – Minha respiração ficou apertada –
Quando ele disse isso, abraçou-me e deitou-se novamente, com as pernas, sobre as minhas e com a cabeça sobre meu peito, ele permaneceu.
Já não sabia mais o que fazer, estava terminantemente desesperado, a procura de respostas, que pudessem me iluminar e dizer, como eu poderia futuramente permanecer ao lado de Ay.
– Vá morar por lá.
– Co... Como assim?
– Quando eu voltar pra casa, venha comigo, alugue um apartamento por lá, é uma cidade pacata e tranquila, acho que você pode se acostumar. O quê acha?
– Acho uma ideia boba, mas que pode funcionar. – Liguei para o dono da casa e ajeitei os contratos, já poderia sair de lá quando quisesse –
Liguei para o dono da casa e ajeitei os contratos, agora era só arrumar minhas coisas e partir. Mas por um lado, eu também tenho uma vida, tenho amigos e um serviço aqui.
Não sei como poderia fazer para ir.
– Ay, mas não poderei ir, tenho uma vida aqui, apenas quero que você faça parte dela.
– Tito, tenho parentes aqui, como queiras, mas ficaremos alguns quilômetros distantes... Ainda sim posso ir morar com João, e posso vir te ver sempre que quiser. E você também vai poder me ver, sempre que quiser, quero realmente fazer de tudo para ficar ao seu lado...
– Ligue para João e pergunte.
Ele ligou imediatamente para ele, e para minha surpresa, João aceitou, e passou seu endereço, mas eu havia esquecido, que ele morava um andar acima de mim.
Então a luz no fim do túnel, acendeu-se novamente, olhando para Ay, chorei tanto, ri tanto, de tanta felicidade. Abraçando-o e girando-o no ar, comemorei a junção de duas pessoas que, fariam uma a outra feliz. Fariam da vida uma da outra, uma vida de verdade.
Contentado, pelo momento mais feliz para mim, vesti-me imediatamente e saí com Ay, claro que ele se vestiu também, não poderia sair nu, não que eu me importasse de vê-lo assim.
Foi encantadora, realmente, a sensação de saber que Ay ficaria comigo. Ay como morara com seu padrasto, em sua cidade natal, não se importara de abandonar algo que pra ele, não faria falta.
– Está contente, Tito?
– Contente é pouco. – Beijando-o vorazmente –
– Nossa, que beijo Tito.
– Não está bom pra você? Quer um melhor?
Joguei Ay na cama, arrancando minha camiseta, e a dele em junção, comecei a beija-lo, beija-lo louca e fervorosamente. Passando a mão pelo seu corpo, beijando seu pescoço, sua clavícula, tornei a beijar seus lábios molhados. Ele fechou seus olhos e completamente submisso a mim, imóvel. Não pude me conter, tirei sua calça e a minha também, ficamos apenas de cueca, eu por cima dele. Ay já estava aparentemente excitado com a situação, e eu claramente também estava. Ofegante, e completamente vermelho de vergonha, ele já estava claramente alterado, com a respiração mais rápida, e tremendo. Eu sei que era isso que ele queria. Eu jamais havia me sentido assim, tão louco, tão ansioso por fazer alguma coisa, pela primeira vez eu estava realmente certo dos meus sentimentos, em relação a outra pessoa.
Comecei a esfregar meu pênis na perna dele, ainda sim dentro da cueca, e ele ficava cada vez mais alterado, beijando-o lentamente, prendendo seus braços no colchão, imobilizando-o e me esfregando todo nele. Ele já estava no seu auge, e eu também. Começamos a conversar, ofegantemente, com provocações, dissemos segredos, fantasias que tínhamos, um pelo outro, e de repente tudo aquilo estava me deixando quente, quente de verdade, ardendo de tesão. Quando comecei a contar tudo o que queria fazer com ele, ele disse que o que eu queria, não chegava nem perto de todas as fantasias dele, fiquei espantado e resolvi brincar de verdade com ele.
Quando tirei minha cueca, ele ficou espantado, e quando tirei a dele, confesso que fiquei também, já completamente nus, nos abraçando na cama, e nos beijando, passando minha mão pelo seu corpo, e ele pelo meu, ele disse:
– Eu te amo. E quero que me ame da forma que puder. Sem restrições, sem limites, vou te fazer feliz.
– Eu vou te amar, do jeito que você quiser ser amado.
E selando essas palavras com um beijo, joguei-o de costas na cama, voltando a beija-lo, ainda sim de costas, esfregando meu pênis em suas costas, também me senti completamente alterado, me senti completamente extasiado, comecei a tremer também, foi uma sensação que nunca havia sentido antes, com ninguém.
– Como se sente Ay?
– Confuso, sou virgem.
– Você é virgem?!
– Sou, e vou perder minha virgindade com você.
– Tem certeza?
– Tenho.
– Se doer, me avise. – Fiquei completamente agoniado –
Quando peguei o preservativo na cômoda, ele apertou os olhos. Na mesma hora eu guardei o preservativo de novo, e comecei a beijar seu corpo inteiro, tornei a beijar seus lábios, e disse:
– Não quero fazer isso antes da hora, só quando você estiver pronto.
– Deixa de ser bobo, estou pronto e é isso que eu quero agora, só estou com um pouco de medo de sentir dor.
– Prometo que não vai sentir dor, nosso amor é maior e mais forte.
Peguei novamente o preservativo na cômoda, abri e o vesti, agachei e beijei seu bumbum, abracei-o e finalmente começamos.
Lentamente, beijando-o e abraçado a seu corpo, ele permaneceu em silêncio. Soltando pequenas lágrimas pelo canto dos olhos, eu perguntei “Se quiser que eu pare, apenas diga” e ele permaneceu em silêncio, balançando a cabeça com negatividade.
Com o passar do ato, ele começou a soltar gemidos leves, já mais descontraído, eu passei de lentamente, para hardcore. Fui violento e carinhoso ao mesmo tempo, ele completamente levado pela sensação começou a gemer alto.
Quando cheguei ao meu clímax, relaxei intensamente ao lado dele e olhando para seu rosto cansado, ambos suados em cima da cama, ele deitou no meu peito, ambos com a respiração claramente alterada, ele veio com seu rosto a altura do meu, e disse no meu ouvido:
– Eu gostei.
Eu ainda sim ofegante, sem dizer uma palavra, o peguei em meu colo e levei até o banheiro, tomamos um banho juntos, na banheira, ele sentado na banheira, nu, com seu corpo junto ao meu, ficamos completamente relaxados dentro da banheira.
Ele deitou no meu peito dentro da banheira, e começou a cantarolar. Nunca vou esquecer esse dia. Em que quebrei a virtude e a pureza de quem eu mais amo, e o tornei mais apaixonado pela pessoa que é, e pela pessoa que eu sou.
Depois desse longo banho longo que tivemos, nos secamos na mesma toalha e fomos almoçar, encontramos João e Felipe, partimos a conversar, foi um longo dia, foi uma longa conversa.
– João? Felipe? Estou tão feliz por terem aceito nosso pedido.
– Ah, Tito, eu achei a idéia mais que ideal, assim, além de poder-mos ficar todos perto um dos outros, estaremos ajudando vocês a ficarem unidos, algo que eu acho mais que lindo. – Disse João –
– Obrigado, de verdade João, fico feliz por me compreender, e entender que só não vou morar com Tito, por que como nós nos conhecemos a mais tempo, minha “família”, também te conhece. – Ay disse, contente –
Sentamos assim, e tivemos um almoço animado, com conversas entusiasmadas.
Quando nos despedimos de João e Felipe, fomos para a casa de Renata, uma amiga minha aqui de São Paulo, chegando lá, ela nos deu o parabéns pela relação, passamos a tarde conversando e rindo, foi uma tarde muito gostosa.
Voltando pra casa em seu carro. Ele parou durante o caminho, em uma praça, e olhando pra mim, apoiou seu rosto em seu pulso, com aquele lindo pôr do sol, foi incrível olhar ele nos olhos, seus olhos castanhos, e saber que tudo aquilo era realmente verdade, que pela primeira vez eu estava feliz de verdade, ao lado de alguém que eu amo, e esse alguém me ama também, a sensação foi incrível. Depois do pôr do sol, que apreciamos na praça, juntos, fomos embora.
Nem toda dor machuca.
– Eu
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