Friendzone
5 Zona do Amor
Notas iniciais
Bella
Sua boca era quente, tinha gosto de vodca. Suas mãos estavam em minha cintura, apertando, colando meu corpo no seu. Tudo parecia pegar fogo. Eu estava em chamas, nós estávamos.
Demorou algum tempo para a ficha cair, eu estava beijando meu melhor amigo.
Na verdade, ele estava me beijando, apesar de corresponder como se minha vida dependesse disso, a iniciativa havia sido dele. Ele me queria. Assim como eu o queria. Desesperadamente. Meu coração acelerado era uma prova disso.
Ele mordeu meus lábios. Eu gemi.
Edward separou nossos lábios sem deixar minha pele, sua boca subiu pelo meu rosto até chegar ao pé do ouvido.
— No meu quarto ou no seu, Joaninha? – ele sussurrou.
Eu o olhei chocada. As coisas não deveriam ser assim entre a gente. Precisávamos de uma conversa. De preferência com um Edward não bêbado.
— No meu! Sua cama já está muito poluída, Cullen! – eu disse voltando a beijá-lo, sem nenhuma coerência. Eu era humana afinal.
Poderia estar fazendo a maior loucura da minha vida. Mas ele estava ali, em toda sua glória e sorriso torto. Suas mãos grandes na minha cintura, sua boca na minha.
Era Edward. O meu Ed. O meu melhor amigo. O cara por quem eu estava loucamente apaixonada.
Eu o queria. E por sorte, ou simplesmente efeito do álcool, ele me queria também. Eu não seria louca de negá-lo. Nem que o tivesse apenas por essa noite.
Edward poderia me levar para o quarto, varanda, cozinha ou banheiro, ele poderia me levar às estrelas se quisesse. Talvez o fizesse essa noite.
— Me lembre de comprar uma cama nova amanhã, Joaninha. – ele piscou pra mim.
— Com o maior prazer.
— Falando em prazer... leve-me para seu quarto. – ele disse, entrelaçando nossas mãos.
Eu a segurei sem falar nada, passando pelas pessoas que conversavam animadas. Eu ignorei a casa cheia, tinha algo mais importante acontecendo ali. Algo que mudaria minha relação de amizade para sempre. Mas era um risco que eu precisava correr.
Tirei a chave do bolso do vestido, havia espertamente trancado o quarto para não ter a surpresa de encontrar ninguém trepando em minha cama, afinal aquilo era uma festa de faculdade. Essa atitude foi muito útil, agora o quarto estava livre pra gente.
Empurrei a porta entrando no cômodo, mal tive tempo de fechá-la, Edward já estava me pressionando contra a mesma.
Eu podia senti-lo duro contra mim. Como na manhã de ontem, mas dessa vez sabia que ele não ia fugir.
— Eu te quero tanto, Bella. – ele sussurrou em meu ouvido. Fechei os olhos apreciando sua fala, que me deixou toda arrepiada.
— Você me tem. Toda. – respondi ofegante, ele praticamente rosnou antes de me beijar novamente.
Seu beijo era tão perfeito, tão quente...
— Você não pode me dizer essas coisas, Joaninha... Não brinque comigo assim. – ele respondeu separando os lábios minimamente dos meus. Eu fechei os olhos, ofegante.
— Eu não estou brincando. – coloquei as mãos em seu peito o afastando. Ele deu dois passos cambaleantes para trás, um pouco afetado pelo álcool.
Aproveitei a distância para me livrar do vestido tubinho que cobria meu corpo, não perdendo tempo com o zíper, tirando-o pela cabeça.
Eu joguei a peça em lugar qualquer do quarto, voltando minha atenção para o homem a minha frente. Ele me encarava faminto. Eu sorri com isso.
— Toda sua. – disse me livrando da última peça restante, minha calcinha azul de renda.
Edward estava parado, ele apenas apreciava a visão do meu corpo nu. O desejo transbordava de seu olhar, a admiração era visível.
Isso fez eu me sentir poderosa, mesmo estando muito insegura pelo que faria agora. Não era qualquer cara, era Edward. O cara que eu amei como amigo toda uma vida e que nas duas últimas semanas mexeu com minha cabeça e corpo de uma forma que cara nenhum fez.
— Vai ficar só olhando. – perguntei.
— É a mais bela visão que eu já tive na vida. – sua voz estava carregada de desejo.
— Tenho certeza de que você pode vê-la por ângulos melhores. – provoquei.
Edward tirou a camisa enquanto acabava com a distância entre nós. Quando nossos corpos foram colados, estavam pele na pele. Era tão bom...
— Você é perfeita, Isabella. Pode ter certeza que eu apreciarei todos os seus ângulos essa noite. – ele me disse ao pé do ouvido, antes de começar a beijar meu pescoço. Esse era meu ponto fraco, e ele sabia disso.
Gemi ao sentir sua mordida em minha pele.
— Edward.
— Você me quer? – ele perguntou, me apertando mais. Sua mão segurou meu rosto fazendo com que nossos olhos se encontrassem.
Eu podia ver o quanto ele me queria, os olhos verdes que eu tanto amava eram intensos demais.
— Sim, eu quero. – ele sorriu acariciando meu rosto. Senti sua outra mão em minhas costas, descendo bem devagar.
— Como? – Sério que ele ia ficar de joguinhos? Eu ficaria louca.
— Você sabe, Edward. – minhas mãos foram para seus cabelos, puxei seu rosto para bem perto do meu, sua boca a poucos centímetros da minha. – Você pode conferir o quanto eu quero. – desafiei.
Ele sorriu maliciosamente, atacando meus lábios. Eu ainda não havia me acostumado com as reações que seu beijo me causava.
Ele girou nossos corpos e me empurrou rumo a cama, eu caminhei de costas, junto com ele sem deixar de beijá-lo. Não demorei muito para sentir o colchão atrás de minhas pernas. Permiti-me cair, mas Edward não veio junto. Nossos corpos se separaram quando ele ficou em pé, me olhando, totalmente nua e aberta para ele, que mal tinha me tocado, mas eu já estava completamente encharcada, por ele.
— Esse primeiro ângulo é realmente muito bom. – disse coçando o queixo e me analisando, minuciosamente.
— Você está olhando demais e tocando de menos. – resmunguei, ele riu.
— Apressada? – ele perguntou levando a mão a sua calça, abrindo-a finalmente.
Ele livrou-se dela, bem devagar sem tirar os olhos de mim. Edward de boxer branca era uma visão. Mas eu tinha certeza que ficaria muito melhor sem ela.
Ele ajoelhou-se ao pé da cama, segurando o meu pé direito, no qual ainda estava a sandália de salto. Ele a soltou deixando meu pé livre, começando a distribuir beijos por minha panturrilha, eu me contorci na cama. Ele riu, mas fez o mesmo com a outra perna.
Torturador!
Dessa vez ele subiu mais um pouco beijando até o meio da minha coxa, mas sem chegar onde eu mais necessitava. Eu gemi, dessa vez de incomodo.
Ah, Edward Cullen, você vai me pagar por isso...
Ele subiu mais, direto para minha barriga. Beijando a lateral, subiu pelas costelas, até quase a altura dos seios que também estavam ansiosos por seu toque.
— Você quer que eu implore? – perguntei impaciente. Edward elevou os olhos e me deu mais um de seus sorrisos molhadores de calcinha, mas eu já não tinha mais calcinha alguma, e ele estava ignorando isso.
— Não vai ser preciso, Joaninha. – ele voltou a me beijar, dessa vez no seio. Isso! Segurei sua cabeça ali para que ele não saísse. Ele sugava de forma lenta e quente, enquanto sua mão cuidava do outro.
— Ed... – era difícil não ter seu nome saindo de minha boca o tempo todo. Ele estava tão duro contra mim, sua língua era tão boa.
— Você está molhada? – perguntou ainda contra meus seios.
— Por que você mesmo não confere isso?
Eu não precisei esperar muito para ter seus dedos em mim. Oh, sim! Eu não duraria muito. Ele os esfregou ali, antes de entrar com dois me fazendo arfar.
Sua boca voltou para minha. Num beijo avassalador.
Sua língua fazia em minha boca os mesmos movimentos que seus dedos em minha intimidade, eu já estava na beira do abismo. Nunca foi tão rápido para mim, muito pelo contrário. Forcei meu corpo contra sua mão, mordendo seus lábios com vontade. Ele gemeu. Eu fechei os olhos me preparando para o orgasmo que chegava, mas ele parou.
— Não. – choraminguei. – Por que parou? Eu estava quase...
— Não na minha mão, Joaninha. Na minha boca. – e dizendo isso ele desceu beijos pelo meu corpo, rapidamente, para alcançar seu objetivo.
— Isso! – comemorei quando senti sua língua em meu clitóris, trabalhando ali com maestria. A Tanya tinha razão. Logo tratei de afastar esse pensamento da minha cabeça, não era nada agradável para o momento.
— Você é uma delícia. Poderia passar horas te chupando. – Oh, porra! Eu fiquei ainda mais molhada. Você só precisa de mais alguns segundos, querido!
— Quase. – murmurei, enfiando os dedos por entre os cabelos ruivos, pressionando sua cabeça ali, entre as minhas pernas, onde ele fazia um excelente trabalho.
Ele desceu sua língua até minha entrada circulando-a ali, até que começou a me penetrar com ela. Eu gemi mais alto, o incentivando a continuar. Seus dedos entraram em jogo acariciando meu clitóris, e foi demais para mim.
Eu gozei, segurando fortemente em seus cabelos e prendendo sua cabeça entre as pernas. Eu estava certa, Edward tinha todo o poder de me levar às estrelas.
Quando conseguiu se livrar do apertos de minhas pernas ele subiu na cama ficando por cima de mim, sua boca vermelha e melada encontrou a minha fazendo eu sentir meu próprio gosto. Isso me acendeu ainda mais. Precisava tê-lo em mim, mas antes precisava retribuir um pouco da tortura que ele havia me feito.
Forcei meu corpo nos virando na cama.
— Agora é minha vez. – disse contra seus lábios.
— Sou todo seu, linda. – ele mantinha aquele sorriso safado na cara, era tão quente.
— Que bom, porque está na hora de eu retribuir um pouquinho da maldade que você fez comigo.
Comecei pela sua boca, o beijando lentamente, mesmo que a vontade fosse de beijá-lo com volúpia. Minhas mãos em seu tórax, descendo, mas subindo novamente sempre que alcançava o cós da cueca.
Abandonei sua boca partindo para o seu pescoço, chupei descaradamente ali, sabendo que ele ficaria marcado. Suas mãos foram para minha cintura onde apertaram com força. Ele puxou meu quadril contra seu corpo, fazendo com que minha intimidade encharcada encontrasse com seu membro muito duro, ainda coberto pela cueca. Eu rebolei contra ele que gemeu.
— Eu não vou durar muito se continuar assim, Isabella. – ele reclamou. – E não quero acabar na minha cueca.
— Calminha aí, gostoso. Eu disse que retribuiria a tortura. – eu queria mesmo provocá-lo, mas a verdade é que mesmo já tendo gozado, eu estava desesperada demais por ele para ficar estendendo, teríamos a noite toda pela frente.
Ele apenas gemeu em resposta.
Eu desci beijos pelo seu peito e pelo seu abdome sarado, parando bem próximo de sua ereção. Ele era tão grande.
Eu o apertei ainda por cima da cueca, fazendo com que ele pressionasse seu quadril contra minha mãos. Ele estava quente e pulsante. Olhando para ele que me olhava em expectativa, me livrei da sua última peça de roupa, deixando livre para mim, em toda sua glória.
Eu o segurei com firmeza, fazendo movimentos para cima e para baixo. Sua expressão me dizia que ela estava apreciando o carinho, muito. Eu continuei, colocando mais um pouco de velocidade no ato. Ele fechou os olhos com força, sua respiração irregular. Então eu parei. Ele abriu os olhos, pronto para protestar, mas eu fui mais rápida.
— Na minha mão não, Edward. Na minha boca. – imitei sua fala. Fazendo estreitar os olhos em minha direção. Logo ele estava em minha boca. Fazer isso nunca foi tão prazeroso para mim. Edward era delicioso, de todas as formas.
— Porra! – ele xingou quando rodei a língua por sua glande.
Comecei a chupá-lo com mais vontade, tirando-o de minha boca em alguns momentos, e lambendo por todo o seu comprimento.
— Bella, pare! – ele pediu, desesperado. Eu não o obedeci, era difícil largá-lo. Ele tinha virado meu sabor preferido. – É sério, eu não quero gozar ainda. – com suas mãos ele impediu que eu o colocasse novamente na boca, e me puxou para cima, beijando-me.
— Você é uma delícia. – disse contra seus lábios.
Ele me virou na cama ficando por cima.
— Você ainda não viu nada, Joaninha. – ele sorriu maliciosamente. Ele já era lindo, agora, nu e com cara de safado em cima de mim, porra...
— Está esperando o que para me mostrar? – respondi. Seu sorriso aumentou ainda mais.
Ele abriu minhas pernas com as suas, pronto para me dar o que eu queria. Mas não o fez.
— Droga! – resmungou.
— O que foi?
— Não tenho camisinha aqui. – Oh, merda! Eu também não tinha.
— E agora? – perguntei.
— Posso ir até meu quarto e...
— Eu tomo pílula. – disse, não seria nada legal interromper o momento agora.
— Eu nunca fiz sem, mas...
— Eu confio em você, Edward. – disse acariciando seu rosto. Ele se aproximou me beijando.
— Sendo assim, é melhor ainda, Joaninha. – e eu finalmente pude tê-lo onde eu mais desejava. Pele na pele.
— Edward.
— Bella.
Nossos nomes saíram simultaneamente da boca um do outro, quando nossos corpos se encaixaram. Ele era bem grande, mas eu me encontrava necessitada demais para isso ser um incomodo.
No começo ele se movimentava devagar, mas instantes depois nosso ritmo era frenético. Quando mais ele me dava de si, mas eu precisava. Minhas pernas estavam enganchadas a sua volta, e minhas mãos ora em seus cabelos, enquanto eu devora sua boca, ora em sua bunda forçando seu corpo para baixo, para que entrasse cada vez mais fundo em mim.
— Mais. – pedi quando comecei a sentir que viria pela segunda vez na noite.
— Assim está bom pra você? – ele perguntou entrando até o talo.
— Sim, isso! – comemorei infincando as unhas em suas costas. Edward rosnou atacando meu pescoço, dando estocadas mais profundas. Eu o sentir pulsar dentro de mim, ele estava perto assim como eu.
— Vem pra mim, Joaninha. – ele pediu, seu rosto contra meu pescoço. Eu não pude fazer nada a não ser obedecê-lo. O orgasmo dessa vez foi mais poderoso que o primeiro, me fazendo incapaz de controlar os meus gemidos, mesmo tendo conhecimento de que a casa estava cheia de gente.
Edward não ficou para trás, derramou-se dentro de mim algumas estocadas depois, caindo ofegante por cima de mim.
Eu fechei os olhos tentando controlar a respiração, ainda não tinha caído totalmente a ficha do que tinha acabado de acontecer. Gemi ao sentir Edward sair de cima de mim, e deitar ao meu lado, puxando-me para o seu peito. Eu escondi meu rosto ali, esperando que ele falasse alguma coisa, temendo que tomasse consciência do que havíamos feito.
Suas mãos acariciavam meus cabelos suavemente, arrisquei olhar para cima. Ele tinha os olhos fechados e um sorriso imenso nos lábios. Foi impossível não sorrir também. Havia sido perfeito, melhor até do que eu imaginei que fosse. Eu voltei a deitar a cabeça em seu peito, fechando os olhos também, talvez estivesse com o mesmo sorriso quando parei de distinguir o que era sonho e que era real.
***
Apesar de ser verão em Boston, nunca fez tanto calor como estava fazendo agora. Eu ainda estava em algum lugar entre acordada e dormindo, acho que mais dormindo do que acordada. Apesar de sentir o corpo um pouco dolorido eu estava muito confortável. Me mexi na cama, apertando mais o travesseiro. Ouvi um gemido, que quase passou despercebido se não fossem os braços me envolvendo.
Abri os olhos lentamente, notando meu melhor amigo ali. Totalmente nu, embaixo de mim, abraçado confortavelmente a minha cintura. Foi impossível evitar o suspiro que saiu dos meus lábios.
Ele era lindo até dormindo, e eu não conseguia parar de lembrar da nossa noite perfeita, tanto da parte muito quente e cheia de provocações depois que a gente se agarrou na festa, quanto da parte romântica quando a gente acordou em algum momento de madrugada e transamos pela segunda vez.
A forma como aconteceu fazia “transa” ou “sexo” parecerem palavras inadequadas, foi muito mais que isso. A expressão “fazer amor” rondava pela minha cabeça. Sim, era isso. Eu estava mais que apaixonada, eu amava Edward Cullen, meu melhor amigo, verdadeiramente; e tinha cada vez mais a certeza de que não foi algo construído nessas duas últimas semanas, esse amor havia sido construído durante todos esses anos, desde que eu ainda era uma menina, que ficou encantada com o garotinho com óculos iguais ao seu personagem favorito.
Eu realmente não entendia porque Edward havia me escolhido ontem a noite. É lógico, que toda a tensão sexual que nos rondava nas duas últimas semanas não poderia ser ignorada por muito mais tempo. E, bem, ele havia bebido basante ontem pelo que eu tinha visto, apesar de que, durante a noite, não pareceu nem um pouco bêbado.
O que aconteceria quando ele acordasse? Será que ia rolar aquela frase clichê de romance “Isso foi um erro”? Eu queria pensar positivo, mas provavelmente era isso que aconteceria. E eu não sabia o que seria da nossa amizade daqui pra frente. De certo que as coisas nunca mais seriam as mesmas.
Talvez fosse melhor eu não estar aqui quando ele acordar. Pensar um pouco antes de conversar ajudaria bastante para que isso não virasse uma catástrofe.
Levantei-me da cama com cuidado para não acordá-lo. Fui até o banheiro do quarto, e tomei um banho rápido, mesmo com grandes possibilidades de que ele acordasse com o barulho do chuveiro, eu necessitava de um pouco de água quente. E conhecia Edward o suficiente para saber que ele tinha sono pesado.
Me arrumei rapidamente verificando que ele continuava dormindo quando eu voltei para o quarto. Saí de fininho tomando cuidado para não fazer barulho na porta.
O apartamento estava vazio, sinal que não ficara ninguém em coma alcoólico caído por aqui, bem, não aqui embaixo. Não subiria para conferir também.
Já eram quase 11h00min quando saí do apartamento, caminhando até uma cafeteria que tinha a duas quadras.
Sentei-me sozinha em uma mesa, e tomei meu café com leite enquanto observava as pessoas ali. E agora? Depois desses últimos dias, nos quais eu tive minha cabeça e coração totalmente bagunçados por Edward, eu consegui o que queria. Nós ficamos juntos, mas agora tudo estava estranho.
O que aconteceria quando conversássemos? Será que eu havia sido simplesmente mais uma, das muitas que passava pela cama do meu amigo? Eu saberia lidar com isso?
Edward não havia me prometido nada, e nem dito em momento algum que eu era diferente. Mas ele também não havia dito que era só sexo, ele me prometeu que sempre diria, que sempre deixaria claro para qualquer garota. E ele tinha bebido, era capaz de nem se lembrar o que tinha acontecido, eu não saberia o que fazer caso isso acontecesse. Talvez fosse melhor. Ou não.
Eu mexi na minha bolsa tirando de lá o papel que tinha me acompanhado desde que eu o tinha descoberto.
A letra de Edward era um grande garrancho infantil, mas aquelas frases, mesmo escritas por uma criança que talvez nem se lembrasse que a escreveu, tinham um valor imenso para mim. Assim como eu respondi “sim” naquele dia que eu o reencontrei na escolinha, eu o fazia agora, eu queria muito ser a namorada dele, na verdade, era o meu maior desejo nesse momento. Pena que nesses últimos anos muita coisa havia mudado.
Não éramos mais crianças apaixonadas de uma maneira infantil e pura uma pela outra. Éramos dois adultos, tudo bem que eu ainda tinha dezoito, mas faria aniversário em duas semanas, não era mais uma adolescente; nesses anos construímos uma amizade tão sólida que eu tinha quase certeza de que o que aconteceu entre a gente essa noite não poderia botá-la a perder. O grande problema era conseguir seguir com a vida estando apaixonada pelo meu melhor amigo, vendo-o seguir em frente com outra, e um dia casar, ter filhos, coisas que eu sabia que eram o seu sonho. E não ser a mulher que o ajudaria a realizá-los não era uma boa perspectiva de futuro para mim.
Após sair da cafeteria caminhei pelas ruas ali perto, caminhar me acalmava e me ajudava a pensar. Por ser domingo, mesmo sendo hora de almoço, a movimentação estava bem calma. Eu rodei o quarteirão refletindo e quando percebi já estava em frente ao nosso prédio novamente, provavelmente Edward já estava acordado, o que me deixou um pouco receosa de subir, mas eu não poderia evitá-lo para sempre, nem queria isso.
Assim que parei em frente ao elevador, uma Tanya com a cara amassada saiu de lá acompanhada de uma garota muito bonita, que tinha um sorrisinho satisfeito no rosto.
— Ei, Bella! A noite foi boa? – perguntou maliciosa.
Será que ela tinha visto? Não reparei onde ela estava quando Edward me beijou na festa.
— Pelo visto a sua foi. – comentei tentando sair do foco. Ela e a garota sorriram cúmplices.
— Maravilhosa. – ela abraçou a garota. – Me liga, tá. – disse se despedindo. A garota respondeu algo em seu ouvido que eu não fazia questão de saber, e se encaminhou para fora do prédio.
Tanya entrou de volta no elevador, eu fiz o mesmo.
— Então, como foi a noite? – ela se aproximou de mim me cutucando com o ombro.
— Acho que isso não é da sua conta. – tá, talvez eu estivesse sendo um pouco grossa.
— Ei o que deu em você? – a porta do elevador se abriu em seu andar, mas ela não desceu, o elevador fechou e começou a subir de novo.
— Eu o amo. – soltei.
— Eu sei disso, vocês se amam, e agora finalmente estão juntos.
— A gente não tá junto. – neguei. Como eu queria que estivéssemos.
— Vocês não transaram? – ele perguntou confusa.
— Sim, transamos.
— Mas não conversaram. – isso não foi uma pergunta, foi uma afirmação.
— Não deu muito tempo. – dei de ombros.
— Ah, pelo amor de Deus! Vocês são muito lerdos. – ela disse jogando as mãos para o alto.
— O que quer dizer com isso?
— Bella, só faz o seguinte: entra naquele apartamento e converse com ele, certo? – falou como se explicasse algo de muito importante para uma criança. – Já posso até imaginar que está cheia de merda na cabeça. – ela revirou os olhos.
— Essa situação é bem confusa. – tentei justificar.
— Não, a situação não é confusa, vocês que adoram confundir coisas simples.
A porta do elevador se abriu.
— Eu sei que ele é lindo e vai querer dar pra ele de novo assim que o vir, mas lembre-se de que precisam conversar antes disso. – ela disse me empurrando para fora da caixa de metal, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa a porta já estava se fechando.
Eu respirei fundo antes de entrar.
Ele estava ali na sala, sentado no sofá, os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça nas mãos. Estava vestido com uma bermuda e uma camiseta, e não percebeu minha presença até que eu estivesse bem próxima. Apertei o papel em minhas mãos.
— Por que me deixou sozinho, Joaninha? – ele perguntou olhando para mim.
— Eu precisava pensar um pouco. – suspirei, sentando ao seu lado no sofá. Ele voltou-se para mim.
— Você está arrependida? – seu olhar era sério, eu não conseguia identificar o que havia ali.
— Como assim arrependida? – eu sabia sobre o que ele estava falando, mas estava difícil ser coerente.
— Sabe, sobre a nossa noite. – suas mãos foram para seus cabelos bagunçados, puxando alguns fios nervosamente. – Você... Bem, eu acordei e você não estava lá. Pensei que tivesse fugido de mim, porque estava arrependida.
— Eu só precisava pensar. – repeti.
— E pensou?
— Sim. Mas não adiantou muita coisa, ainda estou confusa. Muito confusa.
— Sobre? – ele perguntou.
— Sobre tudo. – respirei fundo. – Ontem você bebeu e eu deveria saber que...
— Eu não estava bêbado, Isabella. – ele me interrompeu esclarecendo. – Eu posso até ter bebido um pouco e ganhado alguma coragem por conta disso, mas eu estive sóbrio a noite toda, ciente em cada momento, e lembro de cada detalhe. – seus olhos eram intensos nos meus.
Se ele estava ciente de tudo ontem à noite, porque deixou as coisas irem longe demais?
— As coisas para mim são diferentes do que são para você, Edward. – eu precisava falar. – Eu não vou conseguir esquecer ou levar uma amizade assim como a sua e da Tanya, eu gosto realmente de você. Realmente. Então não era pra ter acontecido isso, você deveria ter me dito, eu conversei com você sobre isso. As “três palavras”, você deveria ter deixado claro que era só sexo. Vai ser mais difícil de esquecer agora. Eu realmente gosto de você. – eu despejei tudo, não sei se fez muito sentido, eu só falei.
Edward balançou a cabeça e riu, ele parecia incrédulo. Eu achei muito estranha sua reação.
— Então você quer que eu te diga as três palavras? – perguntou me olhando.
— Acho que deveria ter me dito ontem. – talvez eu não permitisse que esperança alguma se formasse em mim, ou talvez, o que eu duvidava muito, eu não cedesse ao desejo como havia feito.
— Você tem razão, Joaninha. Na verdade, eu deveria ter falado essas palavras há muito tempo. – ele se aproximou mais, sua mão acariciou o meu rosto. Eu fechei os olhos apreciando o contato. – Eu te amo.
Abri os olhos quando ouvi sua declaração. Ela já havia me dito tantas vezes, mas só agora entendi o verdadeiro significado.
— Eu sempre amei, Joaninha. Essas são as únicas três palavras que eu quero te dizer. – ele sorriu para mim. O sorriso mais lindo do mundo. – E se esse realmente que você tanto repetiu quer dizer o que eu acho que quer dizer, eu sou o homem mais feliz do mundo.
— Se você estiver pensando que esse realmente quer dizer que eu também te amo...
— Eu fico muito aliviado em saber disso. – ele se aproximou, meu sorriso preferido iluminava seu rosto.
E então nos beijamos.
Esse beijo tinha um gosto diferente. Diferente de ontem, eu não estava beijando o meu melhor amigo, eu estava beijando o cara que eu amava e que me amava também. O melhor de tudo era que ele era o cara perfeito para mim, sempre foi, apesar de eu ter demorado um “pouco” para perceber isso.
— Eu sempre fui apaixonado por você, Bella. – ele disse assim que nossas bocas se separaram. – Desde o dia em que nos conhecemos, por todos esses anos.
Eu estava surpreendida com isso. Durante todo esse tempo, o Edward nunca havia me dito nada, sempre esteve do meu lado, como meu melhor amigo. Nunca se quer tentou alguma aproximação diferente, ou se havia tentado eu fui cega demais para perceber.
— Por que você nunca me falou? – Nós poderíamos estar juntos há tanto tempo...
— Eu tinha medo de ser rejeitado por você, Joaninha. Você era tão linda e popular, falava com todo mundo, e saía com os caras bonitões da escola. Você nunca iria olhar para mim de outra forma. – ele deu de ombros.
— Você acha que eu me apaixonei por você em duas semanas, Edward? Tudo bem que eu descobri esse sentimento depois de ter vindo pra cá. Mas tudo o que eu sinto por você foi construído durante todo o tempo em que fomos amigos, a forma como você sempre me tratou, o carinho que você tinha por mim, o seu sorriso que iluminava meu dia, o seu abraço que era o melhor lugar do mundo. Eu não me apaixonei pelo pegador da faculdade, Edward. Eu me apaixonei pelo meu melhor amigo nerd, aquele que esteve sempre do meu lado fazendo de tudo para me ver feliz, aquele garoto que me pediu em namoro no dia que me viu pela primeira vez. – eu estendi o cartão de dia doas namorados improvisado que ele me deu em nosso primeiro encontro. Edward pegou o papel da minha mão, olhando admirado para suas próprias palavras.
— Eu não acredito que você guardou isso. – ele sussurrou.
— Era a garantia que eu tinha que você seria meu quando a gente crescesse. – eu brinquei.
— Eu pensei que você tivesse esquecido desse pedido. – comentou ainda observando o papel.
— Eu confesso que esqueci por um tempo, mas o encontrei esses dias.
— E eu presumo que você lembre da resposta que você me deu no parquinho da escola.
— Sim, eu lembro. Eu disse que seria sua namorada quando crescêssemos. – sorri pra ele me aproximando mais de seu rosto.
— Eu tenho uma notícia ótima para gente, então. – ele disse acariciando meu rosto, sua boca muito próxima da minha.
— Qual?
— A gente já cresceu, namorada. – eu sorri ainda mais por tê-lo me chamando assim.
— Que bom que eu já posso te beijar, namorado. – disse colando meus lábios aos dele.
Nosso combinado de infância finalmente havia se concretizado. Edward e eu nunca deixaríamos de ser melhores amigos, e isso tornava tudo mais perfeito. Porém agora ninguém mais estaria na tão conhecida e sofrida friendzone, e sim plenamente e conscientemente no coração um do outro. No que poderíamos chamar de zona do amor.
Fim
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