Friendzone
2 Friendzone
Notas iniciais
Maio, 2016
Edward
Ela estava linda como sempre. Isabella já era perfeita, mas em seu uniforme de líder de torcida estava estonteante, apesar de eu não ficar muito feliz com o fato de que os outros caras a veriam assim. Não havia muito pano ali, apenas uma blusinha de barriga de fora vermelha com uma saia de mesma cor com bolinhas pretas, esta não tinha mais que um palmo de comprimento.
— Está mesmo legal, Ed? – Bella perguntou dando mais uma voltinha. Por que será que ela gostava tanto de me torturar desse jeito?
— Está bonita, parece mesmo uma joaninha. – eu queria dizer que ela estava maravilhosa, linda, perfeita, mas me limitei a ser menos intenso, não queria parecer bobo em sua frente.
— Acha que o Jake vai gostar? – ela perguntou juntando as mãozinhas diante de si, seus olhos esperançosos. Meu coração apertou. É claro que ela tinha que se produzir para o idiota do Black! Isso, além de judiar de meu pobre coração, me fazia tremer de raiva. Por que ela tinha que gostar desse idiota? Por muito tempo ela manteve esse interesse em segredo, mas umas semanas atrás eles começaram a sair, para o meu desgosto e desespero.
— Eu não posso dizer se o Black vai gostar ou não, Isabella. – tentei disfarçar minha insatisfação.
— Ei, não use meu nome completo como se eu tivesse feito algo de errado, Cullen! – ela disse vindo em minha direção e jogando-se em meu colo. Por que será que ela fazia essas coisas? Eu era um cara de dezoito anos, o que ela estava pensando?
— Sabe o que eu acho? Você deveria se arrumar só pra você e não ficar se importando com o que os outros vão achar. – falei tentando parecer o mais confortável possível, mas isso era meio que impossível com ela em cima de mim.
— Sabe o que eu acho? – ela me encarou com as sobrancelhas arqueadas. Meu coração perdeu uma batida, ela ficava ainda mais linda quando fazia isso. – Que você está com ciúmes! – eu paralisei. Como ela sabia? Ela não poderia... Eu corei.
— Eu não estou com ciúmes. – tratei de desmentir logo.
— É claro que está. Você como meu melhor amigo se preocupa comigo e tem medo que os caras me machuquem, por isso os ciúmes. Você me quer junto de você para que eu fique protegida. – ela explicou abraçando-me, e eu me permiti respirar aliviado. Ela estava enganada.
— É, você descobriu. – bufei.
— Agora eu tenho que ir. Vai ver o ensaio?
— Claro, eu nunca perderia um ensaio seu.
Nós fomos até o ginásio, onde estavam as outras lideres de torcida reunidas para o ensaio, do outro lado da arquibancada estava quase toda a equipe de futebol americano e basquete praticamente babando em cima das meninas, o que me deixou super irritado, pois entre eles estavam minha irmã e minha Bella.
Isabella e eu éramos amigos há quase de dez anos. Nos conhecemos quando os pais dela se divorciaram, meu pai foi o juiz da vara de família responsável pela definição de sua guarda. Eu havia ido trabalhar com ele naquele dia, nós conversamos bastante, e nossa amizade dura até hoje, apesar de sermos bem diferentes.
Eu tenho dezoito anos e sou um veterano, dentro de algumas semanas me formarei no ensino médio e irei para Harvard, dando adeus a pior fase da minha vida. Eu era o garoto nerd da escola, não curtia esportes, não bebia, nem ia a festas, bem, não que eu fosse convidado, afinal eu não era nada popular.
Bella era uma força da natureza, tinha dezessete anos e ia começar o último ano no próximo semestre, apesar de já ter cursado algumas turmas avançadas nesse ano, ela era muito inteligente. Minha amiga era descolada, falava com todo mundo, era divertida, alegre, gostava de ir a festas e costumava roubar as cervejas do seu pai, mesmo eu a repreendendo por isso. Nós éramos muito diferentes, mais nossa amizade se mantinha intacta.
Éramos melhores amigos, daqueles que contam tudo para o outro, estão juntos quase todo o tempo, e têm várias histórias sobre o outro. Não tem como contar algo sobre um sem mencionar o outro. Bella dizia o tempo todo que eu era mais que um irmão, que eu era o melhor amigo do mundo. E isso me corroía por dentro. Toda vez que ela usava a palavra amigo, eu sentia uma dor no peito inexplicável. Há exatamente nove anos, dois meses e vinte e seis dias eu era completamente apaixonado por ela. Era patética a situação em que eu me encontrava, perdidamente apaixonado pela minha melhor amiga, desde os nove anos de idade. Já que a Bella nunca me correspondeu. Eu sempre fui seu irmãozinho, seu escudeiro fiel, o cara que estava sempre do seu lado.
Por causa da timidez e insegurança eu era incapaz de dizer a Bella que eu gostava dela mais que como amiga. O único momento de coragem foi exatamente no dia que nos conhecemos, mas Bella parece não lembrar do meu pedido, menos ainda da sua resposta afirmativa. Eu, como um bom sonhador, ainda esperava que ela se lembrasse.
Durante um tempo, não ser correspondido não me incomodou, eu a tinha ali do meu lado, estava tudo quase perfeito, até que a Bella começou a se interessar por outros garotos. Foi aí que minha vida virou a merda que é hoje. Essa porcaria de filme colegial clichê, só esperava que o final fosse parecido também, já que nesses filmes a menina sempre fica com o melhor amigo apaixonado no final, eu esperava sinceramente que esse fosse o nosso caso.
Eu estava num canto afastado da quadra, no qual a visão era péssima. Bella me fazia assistir o ensaio das Joaninhas sempre desde que entrou para a equipe no primeiro ano. Porém meu cantinho era escondido, não ficava junto aos valentões Dos esportes, primeiro, porque a companhia daqueles caras não era algo que eu almejasse, e segundo, para evitar possíveis praticas de bullying com minha pessoa; elas se tornaram menos recorrentes depois do meu último surto de crescimento, mas ainda existiam. Principalmente por parte do mais novo amor da Bella, Jacob Black e Sam Uley, as duas montanhas de músculos da escola.
No fim do ensaio, Bella veio animada ao meu encontro.
— Ei, joaninha! – saudei quando ela se aproximou.
— Odeio o fato de você ficar isolado nesse canto, Cullen. – ela me olhou de cara feia.
— É melhor evitar certas coisas.
— Eles nem são loucos de fazer algo com você, Edward! – ele parecia brava apenas com a hipótese, poderia ficar contente com isso, se não soubesse que todo esse senso de proteção era porque ela me via como seu amiguinho frágil e sensível.
— O Black já me jogou na lixeira uma vez. – lembrei do episódio desagradável que acontecera anos antes.
— Supere isso, Edward. Vocês tinham 12 anos. – ela revirou os olhos.
— Não foi você quem ficou fedendo a comida azeda.
— Olha o seu tamanho, Cullen! Você definitivamente não cabe mais numa lixeira. – ela apontou para mim. Eu sorri agradecido por isso. Apesar de parecer bastante desengonçado às vezes, ou quase sempre, ter meu 1,88 servia para alguma coisa.
— Vamos esquecer os assuntos desagradáveis, Joaninha. E a nossa maratona de hoje? Está de pé, não é? – quis confirmar. Nós tínhamos combinado de fazer uma maratona dos Vingadores e filmes relacionados.
— Claro, falei com o papai que ia dormir na sua casa, com a Rose. – ela disse sorridente.
Charlie sempre gostou de mim, ele não me enxergava como os outros meninos, nunca me ameaçou, como ameaçou o primeiro namorado da Bella, Mike Newton que teve até que dar um passeio na viatura de Charlie por Seattle, enquanto tinham uma conversa. Felizmente o menino passou a fugir da Bella depois daquele dia.
Depois da nossa amizade, meus pais e Charlie se tornaram bons amigos também, além de Bella e Rosálie que tinham a mesma idade. Porém mesmo sendo amiga da minha irmã, e tendo talvez mais coisas em comum com ela, nada superava nossa relação de amizade.
E tinha um lado bom de Charlie me achar um assexuado, ele não impedia que Bella dormisse lá em casa, claro que para ele ela dormia com a Rose. Mas a verdade era que eu tinha meus momentos de glória quando Bella ia assistir a filmes lá em casa, eu realizava o meu sonho de tê-la na minha cama por uma noite toda. É claro, que tudo na maior inocência possível, afinal não era só Charlie que me achava um ser assexuado, Bella também, infelizmente. Apesar disso, esses dias eram mágicos, a gente ficava lá, debaixo das cobertas, abraçados, perdidos em Hogwarts, ou em cidades sendo destruídas por confrontos entre heróis e vilões, eu arriscava até uns filmes de terror de vez em quando; apesar de odiar, Bella me agarrava mais apertado quando estava com medo. E quando ela pegava no sono em meus braços, eu podia passar horas a admirá-la. Fantasiando que seria assim para o resto da vida, do jeito que eu desejava que fosse.
Era tarde de sexta-feira, eu estava na cozinha fazendo um bolo de cenoura com bastante cobertura de chocolate, era a única coisa que eu sabia cozinhar, aprendi quando tinha uns quinze anos, era o preferido da Bella e eu queria impressioná-la.
Eu estava bem animado quando a noite chegou, tomei um banho e passei meu perfume, o que Bella adorava. Desci até a cozinha para desligar o forno. Subi novamente pegando os meus óculos de armação arredondada, os óculos de Harry Potter, como Bella chamava, eu já não precisava deles há muito tempo, apenas para ler, mas ela os amava, então...
Olhei no relógio, 18h30min, acho que me arrumei cedo demais, Bella e eu combinamos às 19h30min.
Resolvi ler um pouco antes enquanto esperava, até ser interrompido pela minha irmã entrando na sala.
— Nossa, como ele está arrumado! – disse divertida. – A Bella vai vir pra cá hoje, né?
— Vai. – respondi sem tirar a atenção do meu exemplar do livro de mitologia.
— Tá explicado porquê você se afogou no perfume. – ela riu.
— Está muito forte? – perguntei me cheirando, voltando-me para ela. Será que eu tinha mesmo exagerado?
— Não, estou zoando. Está cheiroso na medida certa, maninho.
— Certo. – voltei minha atenção para o livro.
— Ela está mesmo na do Black, Edward. – ela sentou ao meu lado, tirando o livro de minhas mãos.
Eu bufei.
— E você não está fazendo nada quanto a isso! – ela parecia irritada.
— O que eu posso fazer, Rose?
— Você pode começar falando com ela o que você sente. – ela falou como se fosse o obvio.
— Ela vai se afastar de mim se eu disser. – olhando de fora parecia simples, mas não era.
— Por que acha isso? A Bella é louca por você!
Eu ri.
— Louca por mim, Rosálie? Fala sério! – Parecia uma piada.
— É só olhar para vocês dois juntos, Edward. Vocês são as pessoas mais diferentes que eu conheço, mas combinam tão perfeitamente...
Eu não sei de onde minha irmã estava tirando isso, mas eu gostaria muito que fosse verdade. Pena que não era.
— Bella não gosta de mim dessa forma, Rose. – meus ombros caíram em desanimo.
— Como pode ter tanta certeza disso?
— Simples, ela não demonstra.
— Será?
— Acredite, ela não me enxerga como nada além de seu melhor amigo.
— Porque não mostra a ela então?! – ela levantou-se do sofá agitada. – Sim! Pare de se sentir confortável nessa droga de friendzone! Faça alguma coisa, Edward Cullen. Ou vai perdê-la para sempre!
— Olha pra mim, Rose! Você acha que ela vai mesmo se apaixonar por mim? Eu não passo de um nerd estanho, ninguém gosta de mim. – talvez se eu fosse algum fortão popular como o Black, Bella me olharia da forma que eu desejo, mas eu não sou.
— Se nem você está satisfeito com quem você é, irmãozinho, nenhuma garota estará. – eu sabia que minha irmã tinha razão.
— O que eu devo fazer? – perguntei bagunçando o cabelo, ele estava comprido demais, precisava cortá-lo, Bella dizia que ele escondia meu rosto.
— Eu já disse o que você deve fazer, Edward. – ela parecia dividida entre a vontade de me ajudar e de me bater por ser tão tapado.
Antes que eu implorasse por mais alguma ajuda meu celular vibrou indicando uma mensagem. Abri imediatamente vendo que era Bella ali.
Joaninha: Ed, desculpa avisar em cima da hora, mas nossa maratona da Marvel terá que ser adiada.
Minha expressão murchou na hora. Será que tinha acontecido alguma coisa?
E.C: Aconteceu algo? Precisa de ajuda?
Bella não costumava desmarcar as coisas assim, nunca havia feito isso sem ter um motivo realmente importante, o que me fez ficar preocupado.
Joaninha: Sim! Mas algo bom. Jake vai me levar para jantar no restaurante novo que abriu no centro, não é o máximo? Nada de fast food como nos outros encontros. :)
Droga! Uma facada doeria menos! Rose estava certa, eu iria perdê-la. Isso já estava acontecendo.
E.C: Ok. Divirta-se.
— Era disso que eu estava falando. – Rose, que estava lendo as mensagens por cima do meu ombro falou. O celular vibrou indicando outra mensagem, mas eu não fiz questão de abrir.
Rosálie sentou-se no sofá novamente, me puxando para que eu deitasse a cabeça em seu colo, eu fui sem protestar. Era o que fazíamos sempre quando o outro estava mal.
— É tarde demais? – perguntei. Sentindo aquela costumeira dorzinha no coração.
— Não posso te responder isso, maninho. O meu conselho eu já dei. – e começou a me fazer cafuné.
***
O sábado começou meio parado, a chuva fina cobria a cidade e estava um pouco frio, apesar do verão estar próximo. O clima combinava perfeitamente com meu péssimo estado de humor.
Eu tentava não pensar no bolo que a Bella me deu na noite anterior para sair com o Black, mas isso foi meio impossível assim que vi que minha família desfrutava do bolo que eu havia feito para ela. Não tive apetite para tomar o café da manhã. Me tranquei no meu quarto, pensando no que eu poderia fazer para superar o Black, será que ele a pediria em namoro? Isso complicaria muito as coisas para mim.
A Bella era uma menina inteligente, animada, carinhosa, falava todas as verdades que você precisava ouvir, ela nunca negava ajuda a ninguém, era o tipo de pessoa que ficava feliz em ajudar os outros. Eu a amava cada dia um pouquinho mais. É claro que quando eu me apaixonei, aos nove anos de idade, não sabia o porquê e nem o que significava esse sentimento, mas ao longo dos anos Bella foi me dando motivos para me sentir assim.
Ela era uma garota popular, apesar de não fazer o estilo patricinha; eu o garoto nerd, desprezado pela maioria dos outros alunos da escola, que não falava com quase ninguém. Mas Bella nunca me tratou diferente por isso, eu sempre fui a sua sombra, e ela a minha. Nós simplesmente gostávamos de ficar juntos, às vezes sem fazer nada, só curtindo a companhia um do outro. Éramos melhores amigos, eu deveria amar esse título, mas era insuficiente para mim, eu queria ser o amor, o namorado, o homem dela; porém ela nunca me enxergou assim, e minha irmã estava certa, eu nunca fiz nada para mudar isso.
— Edward! – ouvi a voz da Bella me chamando. Era isso mesmo? Já estava nos níveis das alucinações? É mesmo verdade que o amor enlouquece. – Edward? – olhei para porta do quarto, Bella estava parada ali.
— Oi. Não tinha visto você aí. – ela estava linda, e eu queria beijá-la.
— Percebi. Estava no mundo da lua. – ela sorriu se aproximando.
— Apenas pensando. – dei de ombros.
— Sobre o que?
— O quanto você eu gosto de estar perto de você. – precisava começar a tentar dizer o que sinto de uma vez.
— Own... Você é tão fofo, Ed. – usou o apelido da época que ela não conseguia falar o meu nome. – Eu já te disse que você é o melhor amigo do mundo inteiro? – ela perguntou sentando-se no meu colo jogando suas mãos sobre meus ombros, porque ela sempre fazia isso? Era prazer em me torturar?
— Sim, você sempre diz isso. – ela repetia isso quase todo dia.
— É para que você saiba o quanto é especial para mim.
— Eu sou?
— Muito!
Sua resposta me fez sorrir.
— E é por você ser tão especial que eu vim te dar os detalhes em primeira mão. – ela disse animada. Tinha um sorrisinho bobo no rosto, e um brilho diferente no olhar.
— Detalhes de quê?
— De ontem a noite.
— Ah. – essa era uma tortura que eu dispensaria se tivesse opção, não era tão masoquista assim. Precisava pensar numa maneira sutil de dizer para ela de que não queria saber do seu encontro.
— Aconteceu! – ela exclamou animada.
— O que aconteceu? – a pergunta saiu da minha boca de forma automática.
— Eu transei. – e foi assim que ela jogou a bomba.
— O que?! Com quem??? – eu praticamente gritei. Bella levantou do meu colo me encarando de forma estranha.
— Como com quem, Edward! Com o Jake é obvio. – ela disse revirando os olhos.
— Por que, Bella?
— Sei que você é meio inocente, mas sabe muito bem porque as pessoas fazem sexo, Edward. – sim eu sabia. Bella estava apaixonada por ele, não entregaria sua virgindade assim, sem nenhum compromisso sério se não estivesse. Ela fazia o tipo garota romântica. Era sim tarde demais, eu havia perdido sem nem começar a lutar.
***
Eu estava na última semana de aula, o último mês tinha passado voando. As coisas não haviam melhorado muito para mim desde que Bella tinha começado a foder com Jacob Black. Nossa amizade parecia a mesma, mas eu sabia que não estava.
A culpa era toda minha, como ela poderia adivinhar se eu não havia falado? Eu merecia ter que aguentar ouvir Bella contar muito animada sobre seus encontros maravilhosos e o sexo que não era comigo.
Eu tive nove anos de oportunidades de contar para ela, de conquistá-la, mas eu apenas esperei que um dia ela resolvesse pôr em prática aquele sim que ela disse quando tinha oito anos. E ela sequer lembrava-se disso!
Agora eu teria que me conformar em dividi-la, em vê-la beijar outro cara que nem sequer teve a decência de pedi-la em namoro ou rotular o que eles tinham. Bella andava preocupada com isso, e eu não tinha um bom pressentimento quanto a isso. Pelo menos não para a Bella, o Black a estava iludindo, eu não falava isso por ciúmes, e sim pelas ações, atitudes e fama dele.
Eu não poderia ver minha Bella sofrer, mas não podia fazer nada quanto a isso, além do mais, seria hipocrisia da minha parte se dissesse que não torcia todos os dias para o que quer que fosse esse relacionamento ter um fim. Mas um fim que não ferisse a minha Joaninha.
— Eu vou ter mesmo que ir a esse baile com você? – minha irmã perguntou desanimada.
— Infelizmente. – minhas provas já haviam terminado, a formatura seria em três dias, e na próxima sexta, aconteceria o tão esperado, exceto para mim, baile de formatura.
— Você sabe que vai pagar um mico, né? – Rose continuou falando. – Nada mais humilhante que levar a irmã ao baile.
— Sim, eu sei. – suspirei parando o carro no estacionamento do shopping. Viemos comprar a roupa para o baile. – Mas a mamãe está me chantageando. Ela convenceu o papai a não me dar o dinheiro para o carro novo se eu não tivesse essa experiência.
— Sim, eu sei desses termos. Só por isso estou te ajudando, mas saiba que terá que me compensar depois, isso está me saindo caro. – ela disse entrando no elevador.
— Por quê? – perguntei curioso.
— Um veterano me convidou para o baile, eu realmente queria ir com ele, mas você precisa de mim. – ela disse dando de ombros.
— Sério que você recusou um convite por mim? – era por essas e outras que eu amava a minha irmã.
— Sim. Você tem a melhor irmã do mundo, Harry Potter! – o apelido imediatamente me fez lembrar a Bella, mas tratei logo de afastá-la da minha mente, precisava superar. Ela estaria indo ao baile com outro.
— Eu te amo, maninha. – disse abraçando minha caçula.
— Eu também te amo, maninho. – ela retribuiu o abraço.
Eu odiava escolher roupas, esse lance de ficar em lojas, procurando e medindo não era uma atividade que me animasse. Eu não poderia imaginar que achar um smoking para o baile desse tanto trabalho. Precisamos de mais de uma hora na loja para que eu conseguisse o traje.
— Rose? – ouvi uma voz conhecida chamar minha irmã.
— Olá. – ela voltou-se animada para Emmett McCarty, que entrava na loja. Era só o que me faltava agora.
— Ei, Cullen. – o grandão me cumprimentou pela primeira vez na vida.
— Oi. – disse emburrado por ele não tirar os olhos da minha irmã.
— Veio escolher seu smoking, Emmett? – minha irmã perguntou.
— Sim, mesmo não tendo a companhia que desejo para ir ao baile, não posso perder uma festa, não é mesmo. – ele disse sorrindo demais para ela. Ah, então foi ele que a havia convidado.
— Claro, te prometo uma dança ou duas. – ela disse batendo demais os cílios. Sério que eles ficariam flertando na minha frente?
— Eu vou cobrar, em! – se esse cara sorrisse mais a cara dele ia rasgar.
— Quer ajuda com o traje? – minha irmã ofereceu solícita.
— Por favor, eu não entendo nada disso. – Não era para isso que existiam as vendedoras?
— Espere aqui, eu vi um que vai ficar perfeito em você. – ela nos deixou perto do caixa indo para o interior da loja.
— Então cara, estamos nos formando, isso não é ótimo? – ele puxou assunto.
— Sim.
— Eu já não aguento mais a escola, estou louco para estar na faculdade. – ele parecia mesmo a fim de conversar. – Para qual você vai?
— Harvard.
— Claro, que você iria para lá. – eu olhei para ele por cima dos óculos. O que ele queria dizer com isso? – Não me leve a mal, sei que você é o mais inteligente do último ano, já olhei sua prova algumas vezes e me dei bem.
— Você está dizendo que colava de mim? – ele era tão cara de pau assim?
— As vezes não dava tempo de estudar, os jogos me cansavam demais.
— Você é do time de futebol, não é?
— Basquete. – não fazia diferença, era sempre alguém atrás de uma bola.
— Vai jogar na faculdade então?
— Sim. Duke.
— Legal. – fiquei mesmo feliz em saber que ele ficaria bem longe da minha irmã, que continuaria no ensino médio em Seattle.
— Você é bem amigo da Bella, não é? – perguntou, mudando bruscamente de assunto.
— Sim, por que a pergunta? – perguntei desconfiado, afinal aquele cara andava com o Black.
— Não somos tão amigos, mas a Bella é uma garota legal, você poderia dar um toque para ela? – ele parecia sério.
— Sobre?
— O Jacob vai dar um pé nela. Você sabe, ele já teve o que queria, então quer cair fora. – eu estava divido entre a felicidade por saber que o Black não estava mais no jogo e a tristeza por imaginar como Bella ficaria, ela realmente gostava daquele desgraçado.
— Eu vou alertá-la.
— A Bella é legal comigo, e, além disso, Jacob está se mostrando um tremendo idiota, não é atitude de homem iludir garotas por aí.
— Ele não sabe o que vai perder. – disse grato pelo Black ser um tremendo idiota.
— Emmett, aqui. – Rose voltou para perto de nós com uma vendedora e peças de vestuário a tira colo.
Eu precisava pensar num jeito de falar isso para Bella sem magoá-la, será que ela acreditaria em mim?
Eu realmente estava me sentindo mal por estar feliz com a decepção da minha joaninha, mas eu poderia ter mais uma chance agora. Bem, isso se eu tivesse coragem de fazer algo a respeito, na teoria era tudo mais fácil.
Eu não precisei passar o recado do Emmett a Bella, naquele dia quando cheguei a casa, ela estava aos prantos em minha cama. Eu apenas me deitei ali e a abracei.
— Eu sou uma iludida. – ela resmungou. Seu rosto vermelho.
— Ei, não fique assim. – acariciei seus cabelos.
— Você sabia o tempo todo, não é? Por isso estava estranho comigo.
— Estava na cara que ele não era bom o bastante para você, Joaninha. – eu nem mesmo sabia se eu era bom o bastante para ela, mas tinha a certeza de que seria o cara que poderia trabalhar a vida toda para ser.
— Ele não teve nem a decência de terminar pessoalmente. – ela se esticou pegando o celular. – Olha isso.
Jake: Não vai dar mais para você ir comigo ao baile, tem outra pessoa na parada. Foi bom ficar com você, gatinha. Até qualquer dia. ;)
— Ele é um grande filho da puta! – disse com raiva. Bella riu. Olhei para ela sem entender.
— Você xingou. – suas lágrimas já tinham cessado. Um pequeno sorriso se formava em seus lábios agora.
— E?
— Você nunca xinga.
— Aquele idiota merece ser xingado.
— Sim, ele merece.
— Então, quer ir ao baile comigo, Joaninha? – fiz o convite. Rosálie ia amar isso.
— Sério? E a Rose? – ela perguntou mais animada.
— Ela já tem outro par.
— Sendo assim, eu adoraria.
— Que bom! – disse a apertando mais contra mim.
— Você sabe que eu te amo, né? – ele perguntou olhando em meus olhos.
— Sim, eu sei. Eu também te amo, Joaninha. – Nossos “eu te amo” tinham significados diferentes.
— Você tem mesmo que ir para Boston no próximo mês?
— Sim, eu tenho. – o Black estava fora, mas minha partida eminente, aproximava cada vez mais os quase cinco mil quilômetros que nos separariam.
— Eu não sei como vou sobreviver sem você aqui, Sr. Potter.
— É só um ano, Bella. Logo estaremos morando juntos. – eu não via a hora disso acontecer.
— Eu vou me esforçar bastante para conseguir essa admissão.
— Tenho certeza que conseguirá, Joaninha.
— Juntos em Harvard. – ela falou, era nosso lema desde criança.
— Sim, juntos em Harvard.
Eu só não podia imaginar de que forma esse ano nos afetaria.
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