Friendzone
3 A redescoberta de um papel esquecido
Notas iniciais
Agosto, 2017
Bella
Eu estava ansiosa, finalmente Harvard!
Estava mais que pronta para aquela nova fase da minha vida. Eu sinceramente esperava que a faculdade fosse melhor que esse último ano no colegial.
Não queria mais saber de namoros, as duas últimas tentativas foram frustrantes demais, eu deveria ter aprendido depois de Jacob que esses tipinhos populares de colégio não valiam a pena.
Depois de ter sido dispensada quando ele enjoou de mim no fim do terceiro ano, eu deveria ter criado vergonha na cara e parado de procurar esse tipo de homem. Eu era burra demais quando o assunto era relacionamentos, sempre acreditava no conto do príncipe encantado, mas para eles era eu era sempre o bom e velho sexo fácil.
Sexo era bom, mas quando a sinceridade estava no jogo. O que custava dizer "Só quero transar", se eu estivesse a fim, ia rolar, de boa; mas pra que iludir? Esse era o mal dos garotos do Ensino Médio, esperava que na faculdade não fosse assim. Bem, isso também não importava agora, eu tinha feito uma promessa, nada de caras, pelo menos não nos primeiros semestres, tinha que me dedicar a minha real intenção ali, estudar. Honrar o investimento dos meus pais em mim.
E isso era o máximo, morar fora da casa do meu pai, não ter que dar mil e uma satisfações a todo momento seria esplêndido! E o melhor de tudo, eu iria realizar meu sonho de infância, nosso sonho, eu e Edward morando juntos.
Apesar do meu desempenho satisfatório para conseguir uma admissão na melhor faculdade, eu não consegui uma bolsa, mas ser filha única de pais separados tinha suas vantagens. Eles juntaram dinheiro durante toda minha vida para este momento, e agora eu estou aqui. Boston era uma cidade cara para se morar, mas graças ao fato de Edward ter herdado o apartamento que seu pai ganhou de seu avô quando o mesmo esteve em Harvard, eu tinha onde morar durante minha graduação. A ficha de que eu ia mesmo morar com Edward Cullen não havia caído. Eu estava com tanta saudade, apesar de nos falarmos toda semana, não nos víamos há um ano. Ele não conseguiu ir para casa nos últimos recessos, estava sempre fazendo cursos extras, Edward era muito nerd, ele com certeza seria o melhor juiz que esse país já viu.
Esse tempo todo longe havia sido tão difícil, depois de dez anos de convivência, nos vendo quase todos os dias, tivemos que ficar separados por um ano, um péssimo ano aliás.
Meu mundo não era o mesmo sem aquele magrelo desengonçado, Edward era o irmão que eu nunca tive; o cara que sempre estava ali pra mim, independente da situação; o cara que me consolava sempre que algum idiota quebrava meu coração, o que era mais frequente do que eu gostaria; o cara que estava sempre do meu lado quando a TPM me deixava insuportável, ele sempre fazia meu bolo favorito; o único que embarcava em todas as maluquices que eu inventava, que não eram poucas; o único homem além do meu pai que sempre dizia que me amava, mesmo esse amor não sendo um amor romântico, eu também o amava demais, não existe amor mais perfeito do que o da amizade. Eu realmente não entendia como consegui sobreviver esse um ano sem meu melhor amigo, foi terrível, mas estava aqui agora, rumo ao seu apartamento, meu novo lar.
As aulas só começariam em duas semanas, eu estava em Phoenix passando as últimas férias antes da faculdade com minha mãe e Phil, mas os dois estavam tentando me dar um irmãozinho e as paredes eram finas demais. Por isso resolvi adiantar minha viagem e assim fazer uma surpresa pra Edward que só me esperava na semana que vêm.
Quando o táxi parou em frente ao prédio, me senti ainda mais ansiosa. Eu havia falado com ele por msg quando desembarquei, ele disse que estaria em casa durante a tarde, o que era ótimo, pois não teria que ficar esperando ou estragar a surpresa.
O prédio não tinha muitos andares, tinha o estilo um pouco antigo com tijolinhos vermelhos e tudo, e segundo o que Edward me disse era habitado majoritariamente por estudantes de Harvard, e as outras faculdades próximas.
Resolvendo deixar as malas na recepção, segui rumo a portaria falando com o porteiro ali, que era um carinha não muito mais velho que eu, mas que ainda tinha espinhas no rosto.
— Olá, eu vim ver Edward Cullen. – ele me olhou dos pés a cabeça analisando, antes de dar um sorrisinho malicioso.
— A essa hora? Não faz nem 4 horas que a outra saiu. Esse cara não dorme? – ele falou mais pra si mesmo.
— Como? – perguntei confusa, esse cara não falava coisa com coisa.
— Nada não, pode subir. – ele disse apontando para o elevador. – Eu ainda vou perguntar o que ele toma... – ele resmungou depois que eu saí rumo ao elevador.
Edward morava no sétimo andar, o último do prédio. Quanto mais o elevador subia, mas eu ficava ansiosa, estava praticamente quicando de animação dentro da caixa de metal. Será que Edward ficaria feliz com a surpresa? Ah, ele com certeza ficaria, deveria estar com tanta saudade quando eu.
O elevador parou no primeiro andar, abriu a porta e uma garota loira entrou. As portas do elevador fecharam e ele voltou a subir.
— Droga! Tá subindo! – ela reclamou. Depois se voltou para mim. – Ei, nunca te vi por aqui. Moradora nova ou visitante?
— Moradora nova. – respondi.
— Deixa eu adivinhar, – disse me analisando – caloura da Berklee*?
— Harvard.
— Serio? Não se ofenda, mas você faz muito o tipo líder de torcida. Que curte música, dança essas coisas. – disse dando de ombros. – Eu sou aluna do MIT**.
— Eu era mesmo líder de torcida. – ri. Estava tão na cara assim?
— Eu não me engano. – ela sorriu. – Você tá indo pro último andar? Só tem um apartamento lá, e ele já é ocupado. – perguntou confusa.
— Sim, eu serei a segunda moradora.
— Espera, você é a Bella? – ela perguntou, sua expressão era de reconhecimento.
— Como você sabe? – quis saber.
— Edward fala muito de você, mas do que eu considero saudável. – ela revirou os olhos.
O elevador chegou ao meu destino, abrindo a porta. Eu saí da caixa de metal.
— A gente se vê por aí Bella! – ela disse antes da porta se fechar. Eu apenas acenei um tchau pra ela.
Havia uma espécie de hall com uma única porta branca, eu respirei fundo tocando a campainha. Coloquei meu melhor sorriso no rosto, pronta para dar um abraço de urso no meu nerd favorito assim que ele abrisse a porta. Mas ele não atendeu.
Apertei a campainha mais duas vezes. Será que ele não estava em casa? Aproximei-me mais da porta para tentar ouvir algum som do lado de dentro, mas nesse momento ela foi aberta, quase me fazendo cair para frente. O sorriso voltou ao meu rosto por um instante, mas sumiu assim que eu olhei para o homem a minha frente, sendo substituído por uma expressão de choque, surpresa, deslumbramento.
O homem a minha frente era a visão mais perfeita que eu já tive em toda minha vida, ele estava com apenas um short de dormir, estilo samba canção. Seu peito nu, muito bem definido e largo, assim como o abdome com um belo tanquinho chamaram minha atenção logo de cara, mas eu reparei em cada detalhe do seu corpo, os braços definidos com os músculos bem destacados e fortes, as coxas grossas que estavam bem a mostra por conta da pouca roupa e ele tinha um volume que UAU, deveria ser bem grande mesmo. Ao perceber a direção do meu olhar migrei diretamente para seu rosto, ele estava amassado de sono, tinha acabado de acordar com certeza, mas eu podia dizer que ficava ainda mais lindo assim, sua boca bem desenhada, com o sorriso torto de propaganda de consultório odontológico, a barba de três ou quatro dias por fazer, e o melhor de tudo, os olhos. Os olhos mais lindos que sempre existiram para mim, agora não estavam escondidos por óculos de armação redonda.
Eu não podia acreditar que esse cara na minha frente era mesmo Edward Cullen.
— Bella! – ele despertou de seu estado sonolento, abraçando-me antes que eu pudesse processar todas as mudanças. Como eu nunca tinha percebido que Edward era tão gostoso? Estava abismada. – Que surpresa! Por que não me avisou que vinha?
— Eu queria fazer uma surpresa. – disse jogando os braços por cima de seus ombros – e que ombros! — retribuindo o abraço.
— E fez, eu realmente estou surpreso por estar aqui antes, isso é maravilhoso. – ele disse terminando o abraço e me puxando para dentro do apartamento. Eu olhei em volta, podendo ver que tinha dedo da Rosalie na arrumação do ap.
— Você não pode estar mais surpreendido que eu, acredite! – disse dando-lhe mais uma analisada.
— Surpresa? Por quê? – ele perguntou passando a mão nos cabelos cobre que continuavam bagunçados como sempre, não mais um bagunçado desleixado, um bagunçado sexy. Eles agora um pouco mais curtos e adquiriram um estilo "pós foda". Mas seu olhar não me enganou, Edward sabia muito bem do que eu estava falando.
— Você está muito... – não ia ficar muito legal usar o termo "gostoso" – diferente.
— Um pouco. – por um momento ele pareceu sem graça.
— Um pouco? Fala Sério, Edward! Você passou esse ano na academia ou o que? – disse analisando mais uma vez o material. E que material...
— Na verdade, eu tenho alguns aparelhos no terraço. – ele começou explicando, mas eu interrompi notando algo.
— Espera! Isso é uma tatuagem?! – Na sua costela, tinha algo escrito. Edward tinha mesmo feito uma tatuagem? Não tinha percebido isso a primeira vista. Isso era um sonho, só podia ser.
Eu me aproximei levantando seu braço, que me impedia de ver o que estava escrito ali. Tinha certeza que era um trecho de música apesar de não lembrar qual era. Estava escrito: “I plead to change my life just before a dream, and wake to realize the change is inside me” (Eu quero mudar minha vida antes de sonhar, e acordar para perceber que a mudança está dentro de mim.)
— Eu fiz faz uns seis meses. – ele respondeu dando de ombros.
— Nossa! É muita mudança para processar. – disse desabando no sofá que tinha ali.
— Mudanças boas ou ruins? – ele perguntou, parecia ansioso.
— Maravilhosas! – soltei sem pensar. – Quer dizer, você está muito, er... bonito. – consegui guardar o gostoso pra mim. Ou seria constrangedor demais.
— Eu não sei se fico feliz, por me achar bonito, ou se devo ficar chateado, já que isso significa que eu era feio antes. – ele disse em tom de brincadeira.
— Você nunca foi feio, Cullen. só que antes era algo como bonito fofo, e agora é algo como bonito... – estava falando demais.
— Bonito...? – ele incentivou. Seu sorriso era malicioso, Edward com sorriso malicioso? Tinha algum tipo de orgulho ali também.
— Lindo! – GOSTOSO! Gritei em pensamento.
— Estou lisonjeado. – ele disse corando um pouco. Só um pouco.
— Mas então, mudando de assunto, agora que eu moro aqui seria bom você manter-se vestido. – apontei para seu corpo, quase nu, a minha frente. Claro que em forma de brincadeira, se bem que isso seria realmente melhor para minha saúde.
— Mal chegou e já está fazendo exigências, Joaninha? – ele usou o apelido referente a equipe de líderes de torcida da qual eu participava na escola de Seattle.
— Vim para colocar ordem na bagunça! – sorri o puxando para o sofá.
— Ei, sou o cara do Toc esqueceu? Não tem bagunça nenhuma aqui. – E realmente não tinha. O ap. estava impecável. – Algumas coisas não mudam.
— O que mais não mudou? – perguntei, agora temerosa de que nossa amizade não fosse mais a mesma.
— Eu ainda sou seu melhor amigo. – ele sorriu pra mim, mas tinha algo diferente em seu sorriso. Algo que eu não identifiquei.
— E vai ser para sempre? – perguntei me aproximando, recostando minha cabeça no seu ombro, tentando ignorar seu mais novo corpo tentador. Edward passou os braços por meus ombros. Era o melhor lugar do mundo pra mim, sempre foi, meu refúgio seguro.
— Pra sempre, Joaninha!
Nós colocamos os assuntos mais ou menos em dia, porque afinal era um ano de novidades. Mas ainda teríamos muito tempo para conversar.
Apesar de ter feito um bem imenso para minha saúde mental, e talvez corporal, eu fiquei triste em vê-lo vestido, era muita paisagem desperdiçada.
Agora eu estava na cozinha preparando o nosso jantar, Edward confessou que comia comida do restaurante da esquina quase todo dia. Comida de restaurantes durante um ano? Eu precisava caprichar bastante para meu amigo. Ele era uma negação na cozinha, só sabia fazer uma coisa bem. Bolo.
Enquanto cozinhava, Edward estava buscando minhas coisas na recepção.
— Isso é macarrão?! – Edward entrou animado na cozinha carregando o que parecia ser as duas últimas malas.
— Sim. – respondi de costas para ele, que largou as malas num canto qualquer e veio fuçar nas minhas panelas, as panelas eram quase intocadas, e praticamente não tinha comida na casa, tive que fazer uma rápida visita a mercearia ao lado do prédio.
— Ai! – não sei se ele gritou por ter queimado a mão tentando roubar uma almôndega quente ou por eu ter batido na sua mão com a colher de pau que eu usava para mexer o molho.
— Não roube a comida antes da hora, Cullen! – ralhei.
— Você tem noção do que é ficar um ano sem suas almôndegas? Um ano! Mais um pouco e eu não sobreviveria. – ele resmungou levando o dedo, provavelmente queimado, a boca. Eu tive que suspirar com a visão.
Eu ainda não havia me acostumado com essa nova versão do Edward. Ele era o mesmo, meu melhor amigo magrelo desengonçado com carinha de bebê, só que agora não era magrelo, nem desengonçado, e a carinha de bebê não existia com aquela barba por fazer super sexy.
Ele mesmo vestido continuava maravilhoso, vestia uma bermuda de moletom branca e uma camisa com o desenho das relíquias da morte, que eu havia lhe dado no último Natal que passamos juntos, que antes era bem folgada nele, por conta da sua altura comprei um número grande, mas agora estava mais justa, deixando os músculos de seu peito bem destacados contra o tecido.
Acho que fiquei encarando demais seu peito, pois Edward percebeu.
— Bella? – ele chamou minha atenção.
— O que foi?
— Você tá aí encarando...
— Sabe o que eu estava morrendo de saudade? – abri um sorriso pelo meu pensamento rápido.
— De mim? – seu sorriso era perfeito.
— Também! Mas estava falando da nossa maratona de Harry Potter. – mesmo sendo uma ideia para me salvar de explicações por estar comendo meu amigo com os olhos, era uma ótima ideia. Harry Potter era nossa paixão em comum, foi o que nos tornou amigos na verdade.
— Isso é uma excelente ideia! – Edward parecia animado.
— Ainda aguenta ficar a noite toda acordado?
— Agora mais que nunca, Joaninha! – ele piscou para mim. Tinha mesmo um duplo sentido em sua frase?
— Certo, o jantar está pronto! – mudei de assunto. Essa nova versão do Edward me confundia.
Depois do jantar, nos ajeitamos no sofá retrátil da sala, onde a TV era maior, com um edredom para dividir e alguns travesseiros. Já estávamos no meado da Câmara Secreta quando a campainha tocou. Edward pausou o filme levantando a cabeça do meu colo, afastando seus cabelos de meus dedos que os acariciavam. Ele abriu a porta para a pessoa que apertava a campainha desesperada.
A loira de elevador entrou no apartamento em cima de saltos 20 cm.
— Não acredito que está assim numa sexta a noite?! – ela disse olhando de cara feia para o Edward. – Ah, oi Bella! Como está sendo seu primeiro dia aqui? – voltou-se para mim ignorando Edward que ia começar a responder sua primeira pergunta.
— Está ótimo! – respondi.
— Que bom, vão se arrumar! É sexta feira gente, balada! – ela disse agitada.
— Eu ainda estou bem cansada da viagem. – o que era verdade, apesar de eu ter dormido quase todas as sete horas e meia de voo. – Mas se você quiser ir, eu fico bem sozinha. – disse para Edward. Era muito estranho pensar em Edward e balada na mesma frase, ele nem se quer tinha uma identidade falsa.
A Tanya parecia ser uma pessoa legal, será que ela e o Edward tinham algo? Eu não sei porquê, mas isso me incomodava, mas do que deveria.
— Eu e Bella estamos maratonando Harry Potter, nada de balada hoje, loirinha. – Edward negou ao seu pedido, ou melhor, a sua intimação.
Tanya estreitou os olhos.
— Eu não sei se xingo vocês por ficarem em casa numa sexta à noite ou se eu me jogo nesse sofá com vocês, HP é muito irresistível. – ela colocou a mão no queixo como se estivesse pensando em algo muito importante. – Ah, fiquem aí! Eu estou indo. O sexo me chama! – disse jogando as mãos para o alto e saindo do ap. na mesma velocidade na qual entrou.
— O que foi isso? – perguntei assim que ele trancou a porta e voltou para o sofá. Voltando a deitar em meu colo.
— Isso foi Tanya Whitlock, ela mora aqui no prédio, é irmã do meu amigo Jasper, são gêmeos na verdade, mas tudo o que o Jasper tem de calmo e certinho, ela tem de agitada e louca.
— Eu a conheci no elevador mais cedo, parece meio louca mesmo. Ela está sempre por aqui? – perguntei lembrando do que ela disse no elevador.
— Sim, ela é minha amiga também, ela e o irmão estão sempre por aqui, ou eu por lá... – deu de ombros.
— Por que nunca me falou dela? Do irmão você comentou várias vezes. – sentia que ele estava me escondendo alguma coisa.
— Tem certeza que eu não falei? – ele coçou a cabeça.
— Absoluta.
— Talvez eu não tivesse nada pra falar sobre ela... Posso apertar o play? – apontou o controle para a TV tentando desconversar.
— Você gosta dela? – soltei. Edward olhou para mim, voltando a ignorar a TV.
— Tipo apaixonado? – ele perguntou.
— É, tipo isso.
— É claro que não! – ele riu. Seu riso era leve, ele estava mesmo falando a verdade. – Eu estaria bem ferrado se tivesse me apaixonado pela loirinha. – ele realmente estava achando aquilo engraçado. Isso me deixou aliviada, mesmo não entendendo o motivo.
— Por que estaria ferrado se gostasse dela? – eu estava curiosa.
— Digamos que a Tanya prefere garotas a garotos. – ele respondeu com um sorrisinho.
— Ela é lésbica?
— Bi, mas tem clara preferência por mulheres.
— Então vocês nunca tiveram nada, né? – quis confirmar.
Edward ficou quieto.
— Vocês ficaram? – perguntei. Seu silêncio só podia significar isso.
Ele acenou afirmativamente.
— Então a beijou. – que eu saiba o Edward não ficava com ninguém na época da escola, bem, teve a Judy Parker que roubou um beijinho dele e depois saiu correndo no primeiro ano, desde então Edward fugia da garota.
Ele apenas acenou novamente confirmando.
— Foi só isso que rolou entre vocês? – testei mais uma vez. Sentia que tinha mais coisa.
E quebrando uma sequência, seu aceno foi negativo.
— Vocês transaram?! – minha voz subiu uma oitava. Edward se assustou com meu quase grito levantando a cabeça do meu colo, ficando sentado ao meu lado.
— Ei, não se altere. O que tem demais nisso? – ele perguntou bagunçando os cabelos. Fazia isso quando estava nervoso.
— Você não me contou! Você perdeu a virgindade, Cullen. Isso é importante! Eu te contei quando fiz sexo pela primeira vez. Eu estou muito triste por não ter compartilhado isso com a pessoa que você denomina melhor amiga! – fiz meu discurso entre zangada, confusa e perplexa.
— Eu não achei que isso fosse relevante para você, Joaninha. Pensei que já tivesse deduzido isso. – ele me olhou como se eu tivesse algum problema. – Qual é?! Eu tenho vinte anos e estou na faculdade.
— É, você tem razão. – percebi que estava sendo meio exagerada. – Mas e aí teve mais alguém? – tinha algo por trás da minha curiosidade que eu não conseguia entender.
— Sim, teve a Angelina, a Vivian, a Lilly, a Haven, a Kate e a Chun, uma oriental bem leal que conheci. – ele respondeu parecendo ter certa dificuldade em lembrar os nomes.
— Eu fico apenas um ano longe e você, o nerd tímido, transa com sete garotas? – ele mexeu nos cabelos de novo. Ele não estava me contando tudo. – Desembucha, sei que tem mais coisa aí.
— É que...
— Oh meu Deus! Garotos também? – perguntei espantada o interrompendo.
— O que?! Não!!! – ele negou alarmado.
— Sabe que não tem nada a ver, né? Esse lance de preconceito...
— Isabella, eu não curto garotos. – ele esclareceu.
— Então o que é? Você não está me contando tudo, eu te conheço. – ele revirou os olhos.
— Essas garotas, não foram nesse último ano, foram nesse mês na verdade, existiram outras antes disso. – explicou.
— Isso tudo?
Ele apenas sorriu sem graça. O quanto Edward Cullen estava mudado? Isso estava cada vez melhor, ou pior, dependendo do ponto de vista, e eu não sabia qual era o meu.
— Edward, hoje ainda é dia dez! – constatei chocada.
— E...?
— É tipo uma por noite, ou você agora tem uma agenda ou algo do tipo? O que aconteceu com meu amigo tímido e recatado? – perguntei. Edward tinha realmente mudado, em pouco tempo. Será que a faculdade realmente transforma todos em libertinos?
— Bella!
— O que foi? Só estou curiosa! Pelo visto vou ter que dividir sua atenção. Será que não é melhor eu arrumar outro local para ficar não? Não quero te atrapalhar. – eu estava extremamente irritada, só não sabia porquê, ou talvez soubesse, segundo o calendário a TPM estava próxima.
— Não seja absurda, Bella! Você não vai a lugar algum longe de mim, esse um ano longe já foi tempo demais. – ele disse me abraçando, bem apertado junto a si. Eu já falei que esse era o melhor lugar do mundo?
— Eu não quero ir a lugar nenhum. – resmunguei contra seu peito.
— Então não vá, ok? Se isso te incomodar eu prometo que não trago nenhuma garota aqui. – ele prometeu. Era uma ideia bem legal. Eu não sabia qual seria a minha reação ao vê-lo com uma garota. Sim, eu estava com ciúmes, mas isso devia ser normal numa amizade como a nossa. Nunca tive que dividi-lo antes.
— Você pode trazer quem você quiser aqui, Edward. O apartamento é seu. – mesmo não gostando, eu não tinha o direito de empatar a vida do meu amigo.
— Errado. Enquanto você morar aqui, o apartamento é nosso, Joaninha. – Edward existia mesmo? Acho que nunca conheci um cara mais perfeito.
— Você existe mesmo? – ele sorriu para mim. Meu sorriso torto preferido. Porém algumas vezes melhorado pelo novo conjunto da obra.
— Sim, eu existo. Apesar de nem sempre ter sido notado. – ele revirou os olhos.
— Eu sempre te notei, Cullen.
— Será? – ele arqueou as sobrancelhas.
— O que quer dizer com isso? – perguntei confusa.
— Nada. – ele deu de ombros.
— Você é bem notado agora, não é? – É lógico que era. Qualquer mulher, e até alguns homens, nem precisariam olhar duas vezes para se encantarem por ele.
— Qual é a sua definição de notado?
— Você sabe. – dei de ombros. – Não pode fingir que não percebe que todas te olham quando você chega. – ele era bonito demais para seu próprio bem. Como eu levei tanto tempo cega para esse fato?
— Sim, todas olham. – ele disse sorridente.
— Uou! Quando ficou tão convencido? – Esse era mesmo o cara que fugia de Judy Parker?
— Não sou convencido! Só não sou cego. – mas ele ostentava sim um sorrisinho de convencimento.
— Então, elas estão sempre em cima de você? – imaginar a cena me irritava. – Como se sente sobre isso? – no fundo eu deveria perguntar a mim mesma. Como EU me sentia com isso?
— É bom não ser mais ignorado. Além do mais, que homem não gostaria de ter as mulheres aos seus pés? – ele disse como se aquilo não fosse nada demais, mas eu notava um tom estranho em sua voz. Parecia mágoa ali. Provavelmente pelo tempo da escola, ele não era um dos mais populares.
— Você não ficou igual a eles, né? – perguntei. Eu temia que meu amigo virasse o tipo errado de cara. Apesar de ter certeza que Edward era bom demais para isso.
— A eles quem? – ele me olhou confuso.
— Ao Jacob, e aos outros babacas que me enganaram. – eu tentava superar, mas ainda tinha mágoa quanto a isso. Não pelos caras, e sim pela minha burrice de acreditar no papo furado daqueles imbecis.
— É claro que não, Isabela! – ele parecia irritado com a comparação. – Eu jamais faria uma canalhice com você.
— Não só comigo, Edward. Com todas elas. Você precisa dizer as três palavrinhas. – ele me olhou assustado.
— Três palavrinhas? Eu não posso sair por aí dizendo que amo todas.
— Não são essas três palavrinhas, bobo. “É só sexo” São essas as palavras. – expliquei.
A maioria dos caras por aí não eram sinceros, para ter o que queriam, eles iludiam, falavam palavras bonitas e juras falsas, prometiam te ligar no outro dia, mas vazavam assim que alcançavam o objetivo, entrar na sua calcinha.
— Promete para mim, que você sempre vai deixar isso claro?
— Eu sempre sou bem claro quanto a isso. Não sou um canalha, Bella. – ele estava sério. Talvez pudesse ter ficado chateado com a comparação. O que eu estava pensando afinal? Era o Edward ali. Mesmo depois de um ano longe, mesmo depois de algumas mudanças, ainda era ele, o meu melhor amigo.
— Eu sei que você não é. Você nunca seria. – disse pegando o controle de sua mão e colocando o filme para rodar. Edward me aconchegou mais ao seu corpo, me fazendo suspirar. Tinha alguma coisa diferente entre a gente, eu ainda não entendia o que era, só esperava que nossa amizade se mantivesse intacta.
***
Quase duas semanas já haviam se passado desde que me mudei para Boston, as aulas começariam na próxima segunda, hoje era quinta, então o começo da minha vida universitária estava bem próximo. Eu estava ansiosa pelo começo das aulas, mas esse tempo morando aqui já dava para ter um pequeno gostinho da vida na universidade.
Outra experiência interessante era morar com o Edward. Eu não sabia o que pensar sobre isso. Na verdade não estava sendo nem um pouco como eu imaginava. Poderia dizer que a mudança do Edward era a grande culpada disso tudo, talvez até fosse um pouquinho, mas o problema era eu.
Edward continuava o mesmo de sempre, era o amigo carinhoso e fofo que sempre cuidou de mim, nós tínhamos o mesmo companheirismo de antes, as mesmas conversas, os mesmos gostos parecidos, mas nossa relação não era a mesma. E eu me sentia muito culpada por isso.
O novo Edward Cullen, era um cara de vinte anos muito popular na faculdade, mesmo mantendo-se bem estudioso, o que não poderia ser diferente se tratando de Harvard. Ele também era muito popular na vizinhança, toda vez que pedíamos comida de algum lugar nas redondezas vinha o número de alguma atendente junto. Sem falar nas inúmeras mensagens que chegavam em seu celular o tempo todo.
Eu não estava conseguindo lidar muito bem com isso, Edward Cullen sempre foi um cara muito bonito, isso era inegável, mas não ligava muito de mostrar essa beleza ao mundo no colegial, o que me fez ficar imune a ela nos últimos anos, porém era diferente agora.
Ele estava irresistível agora, e era impossível ignorar isso. Extremamente sexy, mas com o jeito nerd que eu sempre amei. Havia também o fato de ele ser um cavalheiro exemplar e um homem doce e sensível, daquela espécie bem rara. Eu estava surtando por causa do meu melhor amigo. A verdade era inevitável, eu o queria, muito.
Eu me sentia muito mal por isso. Era o Edward ali, nossa relação sempre foi inocente, e me sentia culpada por desejar meu amigo. Eu nem saberia o que fazer se por um acaso o Edward descobrisse isso. Ele iria me odiar, e eu estragaria as coisas entre nós, perderia meu melhor amigo.
Sempre houve muito contato físico em nossa amizade, e até isso eu estava evitando. Estava cada vez mais difícil abraçá-lo e não atacar a sua boca, eu queria agarrar em seus cabelos e subir em seu colo, queria que ele ficasse duro por mim, eu queria tê-lo em mim, todo.
Revirei-me na cama, já se passava das duas da manhã e eu não conseguia dormir, não conseguia parar de pensar em Edward, e em como tudo mudou em tão pouco tempo. Ele tinha saído com a Tanya, eles saiam bastante, eu até fui junto algumas vezes, mas apesar de a Tanya ser uma pessoa muito legal e eu simpatizar muito com ela, era inevitável sentir ciúmes. Tanto da amizade deles, mesmo não tendo sentido, pois o Edward nunca deixou de me dar atenção, e também do fato deles transarem de vez em quando. Eu nunca havia presenciado nada demais entre os dois, nem saberia o que sentiria caso presenciasse, muito menos queria testar a teoria. Às vezes eu sentia uns olhares estranhos dela direcionados a mim, e nesses momentos eu sentia que estava sobrando, como hoje mais cedo quando o Edward me estendeu o convite para ir a uma boate que estava sendo inaugurada. Por isso neguei, preferindo ficar sozinha em casa, ele não queria me deixar aqui, quase cogitou não ir, mas eu insisti.
Estávamos passando muito tempo juntos, eu precisava de um tempo sozinha para pensar nesses sentimentos novos que estavam me perturbando.
Desde que Jacob havia tirado minha virgindade e me dispensado semanas depois por uma mensagem de texto eu havia ficado com mais alguns caras, alguns eu só fiquei por ficar mesmo, mas houve dois com os quais eu realmente cogitei a ideia de um relacionamento, eu não estava apaixonada, não como achei que estava por Jacob, mas fui igualmente iludida, então resolvi que seria melhor desistir desse lance de relacionamentos por um tempo, focar nos estudos e ser uma boa economista.
Eu só não esperava que a maior confusão emocional da minha vida seria por querer meu melhor amigo de infância. Eu pensava nisso o dia todo, meu corpo parecia queimar quando ele estava perto, quando ele me tocava, como sempre tocou. Quando ele me apertava em um abraço, beijava meu rosto, era perto demais da boca. E tinha seu cheiro, sempre foi o meu preferido. Meu corpo se arrepiou só de lembrar.
Eu queria que ele me tocasse, de outras formas, como fazia com todas as outras. Eu não deveria querer. Muito menos cogitar a ideia de fazer o que eu estava prestes a fazer.
Meu corpo estava quente demais, eu precisava de algum alívio, mas eu não queria nenhum outro cara, eu queria Edward.
Minhas mãos rumaram por vontade própria para onde eu mais precisava, os shorts folgados permitindo facilmente o acesso. Aspirei mais uma vez, sentindo seu cheiro no moletom dele que cobria meu corpo.
Eu imaginava seus dedos ali, no lugar dos meus; imaginava sua boca na minha, sua língua quente deixando um rastro de fogo por onde passava. Ele era gostoso demais, tinha certeza que seu beijo era o melhor.
Eu senti meu corpo esquentar mais, isso seria rápido. Apertei meus olhos com força, visualizando o merecedor daquela homenagem, seu sorriso sexy perfeito. Mordi os lábios, era arriscado fazer algum som. Mas não resisti.
— Edward. – seu nome saiu dos meus lábios assim que cheguei ao meu limite. Nada mais justo, aquilo era pra ele, por ele. Se ele quisesse eu seria toda dele, só dele.
Eu estava arfante, meu corpo quente esparramado na cama. Meu coração ainda muito acelerado. O que eu havia feito? Gemi novamente, dessa vez de frustração. Porém não tive muito tempo de me recriminar, não pelo ato em si, mas pela pessoa a qual ele foi direcionado. Ouvi a porta do apartamento ser aberta, o barulho de alguma coisa caindo, e risadas. Era a risada dele e de uma mulher, acho que era a Tanya.
Virei na cama jogando o edredom por cima. Ouvi passos no corredor, logo a porta do meu quarto foi aberta.
— Joaninha? – a voz dele estava estranha, meio arrastada. Ele estava bêbado? Fingi que estava dormindo, não poderia encará-lo, não depois de ter me masturbado pensando nele. No meu melhor amigo que me considerava como uma irmã.
— Edward, não acorde a Bella! – Tanya sussurrou, Ralhando com ele.
— Eu vou dormir aqui com ela hoje. Deixa! Eu preciso. – ele estava muito bêbado. Cogitei a possibilidade de levantar.
— Você vai assustar a garota, Edward. – ela continuou sussurrando. – Vem, vou te levar para o quarto.
— Não! Eu não quero você, eu quero ela. – ele protestou. Eu me esforcei para não sorrir. Ele me queria, não da forma que eu o queria, mas, ainda assim, isso me deixava feliz.
— Edward, acho bom você vir pro seu quarto agora! – ela foi mais dura.
— Eu não quero, T.
— Prometo não abusar do seu corpinho alcoolizado, vem! – e então a porta foi fechada novamente.
Eu ainda pude ouvir alguma conversa no quarto ao lado, mas logo a porta também foi fechada e ouvi barulho da cafeteira trabalhando na cozinha. Ela não tinha ficado no quarto com ele. O que era bom, muito bom.
Levantei me ajeitando, e rumei para a cozinha, talvez para averiguar o motivo do porre, que eu saiba ele não costumava beber tanto.
— Ei, Bella! Ele te acordou, não é? – ela disse virando-se pra mim, depois de se servir de uma xícara de café.
— Sim. Posso ter um pouco do seu café? – perguntei, já não estava com sono mesmo, não faria diferença.
— A casa é sua! Sirva-se! – ela disse me estendendo a jarra da cafeteira, eu peguei uma xícara na bancada e a enchi.
— Não sabia que Edward bebia tanto. – comentei como deixa para ela me dar o resto da história.
— E não bebe. – ela sentou-se na bancada ao meu lado.
— Algum motivo especial para o porre de hoje?
— Ele está passando dias difíceis. – dias difíceis?
— Por que eu não estou sabendo disso? – doía saber que meu melhor amigo estava me deixando de fora da sua vida.
— Isso é entre você e ele, gata. – ela piscou pra mim.
— Vocês são bem amigos, não é? – pelo visto, mais do que eu imaginava.
— Com benefícios. – ela sorriu maliciosa. Não precisa esfregar na minha cara, vadia!
— É, ele comentou. – dei de ombros.
— Por que está cheirando a sexo? Tinha alguém aqui? – ela perguntou interessada, eu corei até o último fio de cabelo.
— O que?! Não! Não tinha ninguém aqui. – neguei rapidamente. Ela era uma pessoa bem invasiva.
— Se virando sozinha, uh! – ela me olhou maliciosa. – Poderia me oferecer para te ajudar com seu probleminha, mas Edward disse que você era proibida para mim. Prometi que não daria em cima de você.
— Desculpe, você é gata mais não curto garotas. – achei melhor deixar claro.
— O que é uma pena, eu curto bastante.
— E garotos também, pelo visto. – ele pegava o meu Edward.
— Na verdade, muito raramente, o Edward é uma exceção, uma grande e grossa exceção. – eu não tinha dúvida disso, mas ela não precisava esfregar na minha cara.
— Algum motivo especial? Tipo, você gosta dele? – eu precisava saber disso.
— Não sou apaixonada por ele, Edward é apenas um grande amigo. – ela disse pensativa.
— Você sempre fode com seus grandes amigos? – eu fui um pouco rude. Ela deu um pequeno sorrisinho.
— Você sempre se masturba pensando no seu melhor amigo? – eu a encarei chocada.
— Como... como você...?
— Como eu sei? – ela riu. – Você acabou de dizer! Já ouviu a expressão jogar verde? – Tanya era uma grande vadia esperta.
— Isso não é da sua conta. – disse entre dentes.
— Ei, calminha aí, gata! – ela disse com as mãos pra cima em sinal de rendição. – Eu não te julgo. Ele é o mal caminho inteiro.
— Não precisa esfregar na minha cara. – isso era cruel.
— Eu posso fazer isso, querida. Devo, na verdade. – seu sorriso era diabólico. – Você precisa saber o quanto ele é quente dando conta de duas. A noite toda. É incansável.
— O que?!
— O que foi? Não acredita em mim? Você pode perguntar a ele. – ela deu um sorriso debochado. Duas? Eu não sabia se achava isso quente, ou se ficava com raiva.
— Você é uma grande vadia, Withlock! – cuspi.
— E você uma grande ciumenta! – ela riu.
— Edward é meu melhor amigo, é natural que eu...
— Que você se toque pensando nele? Conta outra Swan! – ela me interrompeu. Eu não tinha argumento quando a isso.
— Você não tem nada a ver com isso.
— Vamos ser vizinhas pelos próximos anos, então acho bom se acostumar com a minha intromissão na sua vida. Eu sou assim. Bem, pelo menos se quiser ser minha amiga.
— Acho que já somos amigas, mas você poderia ser menos uma vadia exibida. – eu disse divertida.
— Resumindo: “Eu gosto de você mais pare de foder com o Edward”.
— Você é esperta.
— Eu não vou parar, a não ser que ele não queira mais, ou você resolva reivindicá-lo para si.
— Reivindicá-lo? – perguntei. Ela era louca?
— Sim, pegue-o para você, Swan. Faça com ele o que deseja. – ela estava olhando em meus olhos.
— Você tem ideia do que está falando? Edward, é meu melhor amigo!
— Isso não te impediu de...
— Eu sei! Não me orgulho disso, tá? Só foi...
— Irresistível? Incontrolável? – ela completou.
— Sim.
— Agarre logo o boy, gata! – ela já estava me irritando me chamando assim.
— Tão simples... – ironizei.
— É simples. Você só precisa saber o que você quer. – ela me disse pensativa.
— Tem um “mas” aí, não?
— Sim. Se você o fizer sofrer eu jogo por aquela janela, sem dó nem piedade. – ameaçou apontando para a janela da sala.
— Nossa, que protetora!
— Edward precisa de alguém que o proteja do mundo, ele é bom demais para essa humanidade podre. – ela deu de ombros.
— Você não precisa protegê-lo de mim, eu o amo. – amava-o demais, mesmo tendo esses pensamentos e desejos nada louváveis.
— Eu sei que vocês se amam. Pena que você não enxerga isso do jeito certo. – bufou.
— O que quer dizer com isso? – já era quase quatro da manhã e eu estava com cabeça pra adivinhações.
— Você é quem tem que saber, não eu!
— Você não está falando coisa com coisa.
— Estou um pouco bêbada e é madrugada. Nem sei se lembrarei disso amanhã.
— Seria maravilhoso se você esquecesse essa conversa. – eu rezaria por isso.
— Não vou esquecer da sua homenagem ao nosso querido amigo, Swan! – ela sorriu diabólica.
— Morra, garota! – disse baixando minha cabeça sobre os braços no balcão. Ela afastou a banqueta descendo.
— Um dia eu ainda conto para ele.
— Você não é louca!
— Um dia, gata!
— Você está indo pra casa? – perguntei.
— Não, para o quarto do Edward. Vou ver se consigo acordá-lo com um boquete. – ela disse como quem comenta sobre o tempo.
Minha cara era mais ameaçadora do que a de um lutador de MMA na pesagem.
— Calma! Estou brincando, não faria isso com você aqui. – ela riu. Eu estaria sempre aqui, queridinha...
— Vou cuidar de estar sempre por perto.
— O que adianta estar por perto e não aproveitar? – ela desafiou. Ela não sabia o quanto isso era difícil, e o quanto essa situação era complicada, mais do que ela poderia compreender.
— Isso não é da sua conta. – me irritei.
— Esse mau humor é sono e falta de sexo.
— E essa sua chatice é o que?
— É a bebida, eu geralmente sou mais legal sóbria.
— Então vá dormir, Tanya.
— Sim eu vou. Marquei com o tatuador amanhã cedo, ou melhor, mais tarde.
— Tatuador?
— Sim, vou fazer a décima, não é legal? – ela disse animada. Percebi que ela já tinha algumas outras.
— Sim, eu também quero fazer uma tatoo. – me animei de repente. Edward tinha uma, muito sexy por sinal, sempre tive vontade de fazer, mas era menor, meu pai não aprovaria.
— Eu posso ver se a Maria tem um horário para você, foi ela que fez as minhas últimas e a do Edward.
— Ah sim, faça isso! – disse animada.
— Pode deixar. Boa noite, Bella! – ela disse caminhando para porta.
— Boa noite!
Eu caminhei até o meu quarto, porém a porta do quarto ao lado foi mais atrativa. Abri devagar encontrando um Edward adormecido esparramado ali. Eu me aproximei mais. Ele ainda estava completamente vestido. Sua roupa era desconfortável. Eu poderia fazer essa boa ação. Sem segundas intenções, é claro.
Comecei pelos tênis, o livrando das meias em seguida. Depois tirei a jaqueta de couro, com certa dificuldade, me ajoelhei na cama a fim de tirar a camisa. Ele se remexeu um pouco, deu alguns resmungos, mas não acordou. Eu tirei sua camisa azul do Capitão América, admirando suas costas largas. Eu poderia deixar a calça, mas meu não seria confortável para ele dormir de jeans. Bem, era o que eu queria acreditar. Tive que enfiar as mãos por baixo de seu corpo para abri-la, o que foi bem difícil, pelo fato de que eu tive que usar o tato, e passei a mão em certo lugar, assim sem querer. Minha intenção era boa, mas eu estava me sentindo uma maníaca. Edward resmungou e virou-se na cama, me pegando de surpresa. Seus braços me puxaram para cima de si, me deixando extremamente assustada por ser pega com a mão onde não devia, mas ele não estava acordado, para o meu alívio.
— Bella. – ele resmungou em seu sono, me apertando mais.
Era difícil sair dos seus braços, não por ele me segurar ou algo do tipo, mas porque ali era o melhor lugar, meu lugar perfeito. Mas pulei fora da cama assim que senti algo duro me cutucar.
Eu encarei sua ereção, que fazia um bom volume do jeans. Aproximei-me, abrindo sua calça com cuidado para não tocar onde não devia. Assim que o livrei dela pude apreciar a mais bela visão da face da terra. Aquela cueca branca zombava da minha cara. Ela por sua cor clara me permitia ver todo o contorno ali, e ele era grande. Muito grande. Eu joguei sua roupa em cima de uma cadeira qualquer e me ajoelhei na cama.
— O que você está fazendo comigo, Ed? – peguntei acariciando seu rosto. Ele sorriu em sou sono. Quando eu pensava que não podia ficar mais perfeito...
Quando acordei ainda era muito cedo, talvez o café de madrugada não tenha me deixado ter umas boas horas de sono. Ou talvez fossem os sonhos, nos quais eu não me afastava do quarto de Edward depois de depositar um casto selinho em seus lábios. Nos sonhos eu continuava ali, ele estava acordado e me imprensava na cama enquanto entrava fundo em mim.
Lavei o rosto indo para a cozinha preparar mais café. Fiquei de bobeira lendo um pouco até a hora do almoço, Edward ainda estava dormindo. Cogitei acordá-lo, mas sabia o quanto ressaca era horrível, então achei melhor não atrapalhar seu sono.
— Bom dia, Joaninha. – Edward entrou na cozinha. Sua voz estava rouca e sua cara amassada. Ele foi direto para a cafeteira começando a preparar um café. Minutos depois ele se sentou com sua xícara ao meu lado no balcão da cozinha, eu já estava almoçando.
— Boa tarde, Edward. Melhor? – perguntei.
— Nem um pouco, minha cabeça parece que vai explodir. – ele disse fazendo uma careta. Ainda assim uma linda careta.
— Lembre-se disso da próxima vez que for encher a cara. – dei um pequeno sermão. Mas meu tom sério foi substituído por um sorriso quando percebi que a situação estava invertida, geralmente era o contrário.
— Eu já te disse isso tantas vezes, Joaninha. – ele comentou divertido. Mas voltou a fazer uma careta. Ressaca: quando até rir dói.
— Agora é minha vez de dizer. – pisquei.
— O mundo dá voltas, não é mesmo?
— Sim, e como...
— Mudando de assunto, quem tirou minhas roupas? Quer dizer, eu não me lembro de tê-las tirado, na verdade não lembro de muitas coisas de ontem à noite. – ele disse bagunçando ainda mais os cabelos.
— Deve ter sido a Tanya. – respondi rapidamente. Eu não tive coragem de dizer que fui eu, talvez eu estivesse me sentindo culpada por tirar uma casquinha.
— Ela não pede a oportunidade de abusar de mim. – ele brincou.
— É verdade, ela me falou ontem a noite. – disse desgostosa.
— Falou? Você estava acordada quando cheguei? – ele perguntou. Ele não imaginava o quanto. Eu fiquei satisfeita por ele realmente não lembrava de nada, vai que ele havia percebido que fui eu quem o despiu. E lhe roubei um selinho. Mas para minha sorte, Edward era do tipo que sofria de amnésia pós-porre.
— Na verdade, você me acordou quando quis entrar no meu quarto. – ele se assustou.
— Como assim? O que eu fiz? – ele parecia bem receoso.
— Nada, só disse que queria dormir comigo. Mas a Tanya não deixou você passar da porta. – eu expliquei.
— Ufa.
— O que imaginou que tivesse feito? Invadido a minha cama? – perguntei divertida. Não seria uma má ideia. Porém não teria sido seguro para ele, ontem eu estava necessitada ao ponto de agarrá-lo bêbado.
— Você teria me batido se eu tivesse feito isso? – ele perguntou.
— Não, você sabe que sempre será bem-vindo na minha cama. – foi mais forte que eu. Edward engoliu em seco. Será que ele entendeu a conotação sexual da minha afirmação?
— Bom saber disso. – disse voltando a atenção para sua xícara. – Então, você e a Tanya conversaram?
— Sim.
— Posso saber sobre o que?
— Ela disse que você a proibiu de dar em cima de mim. – comecei pela parte mais leve.
— Sim, eu disse. Sei que você não curte garotas. – ele deu de ombros.
— Talvez eu devesse, homens são complicados. – não que eu realmente tivesse cogitado a hipótese, mas...
— Mulheres são bem piores. – ele afirmou, como se me desafiasse a negar. Eu não o faria, ele estava certo. Mulheres eram bem complicadas, eu era complicada.
— Ela também comentou o quando você é bom em foder duas garotas ao mesmo tempo por toda uma noite. – soltei. Talvez ela tivesse falando só para provocar.
— Porra! – ele esfregou o rosto. – Eu vou matar a Tanya.
Não, ela não estava apenas me provocando. E por mais quente que fosse imaginar ele em ação, eu estava com muita inveja da Tanya e dessas garotas todas. Cadê o meu amigo tímido e recatado?
— Não se preocupe, garanhão. Não vou contar para sua mãe. – brinquei para não pensar muito nos ciúmes que me corroía.
— A Tanya não deveria ficar comentando da minha vida sexual por aí. – ele disse bufando.
— Não se preocupe, ela falou muito bem do seu desempenho e medidas. – provoquei. A parte das medidas eu havia conferido por mim mesma essa madrugada.
Edward encostou o rosto na mesa, ele estava corado. Aí está meu nerd tímido!
Ele parecia ainda mais lindo assim. Dessa vez não foi só meu corpo que se aqueceu, algo no meu peito também. Eu tive vontade de beijá-lo, não poderia dizer que seria um beijo sem malícia, mas tinha um algo mais, que a deixava em segundo plano. Eu me assustei com isso. Sentir essas coisas por ele, que sempre foi como um irmão pra mim, pelo menos eu pensava que era. Era assim que ele me via, como sua irmãzinha, ele sempre me tratou como uma, e até pouco tempo atrás isso não me incomodava. Mas agora...
Eu levantei da mesa, mesmo não tendo terminado meu almoço. Precisava ficar longe dele um pouco, pensar com mais clareza. Ter ele perto de mim me perturbava.
— Eu vou dormir um pouco. – me retirei antes que ele respondesse alguma coisa.
Eu entrei no quarto, indo direto para o closet. Que ainda estava arrumado, por eu ter me mudado recentemente. Em uma prateleira no alto havia uma caixa rosa. Era a minha caixa das lembranças. Tudo de importante e significativo eu guardava ali.
Fui pra cama me jogando de bruços ali, as pernas balançando no ar como uma adolescente escrevendo seu diário.
Abri a tampa da caixa que era decorada com desenhos das princesas da Disney. Eu Tinha muitas fotos ali. Fotos minhas com o meu pai. Muitas delas, papai amava fotografias, eu quase desenvolvi problemas de vista de tantos flashes. Tinha fotos minhas com a mamãe também. Uma delas foi no último natal dos meus pais casados, pouco mais de um mês antes de eu conhecer o Edward. Minha mãe havia me esquecido no supermercado naquele dia. Foi desesperador para mim, eu havia chorado muito agarrada a uma funcionária até me lembrar que estava com o celular que havia ganhado do meu pai horas antes, tinha o número da mamãe ali, eu liguei pra ela que já estava quase chegando em casa sem ter se dado conta de que havia me largado para trás. Mamãe sempre havia sido avoada, já havia me esquecido em outros lugares, como no consultório do dentista, na padaria, e na escola algumas vezes, o que me fez sofrer bullying por parte de alguns coleguinhas malvados, acarretando na minha mudança de escola no meio do semestre. E eu acabei na mesma escola na qual Edward e Rose estudavam, ela sendo da minha turma logo me apresentou o irmão, que eu fiquei muito feliz em reencontrar, já que não o tinha visto mais depois daquele dia no escritório do pai dele. E desde então somos inseparáveis.
Remexi mais na caixa, encontrando um chaveirinho de coruja que Edward havia me dado quando tinha doze anos. Eu o deixei em cima da cama com a intenção de usá-lo nas minhas chaves.
Um papel bem dobrado no cantinho chamou minha atenção, eu não lembrava do que era, parecia uma folha comum de um bloco de notas. Eu a abri curiosa. O que estava escrito ali me chocou.
“Quando a gente crescer, quer ser minha namorada?”
Edward havia escrito isso para mim naquele dia dos namorados. Essa lembrança ficou guardada num cantinho da minha mente, até hoje. Mas agora eu lembrava, lembrava de chegar em casa naquele dia, de só ter aberto o papel quando me sentei no sofá da sala, lembrava de ter ficado encantada com o pedido.
Eu havia me apaixonado por aquele garotinho com os óculos de Harry Potter. Claro que uma versão infantil de paixão. Eu lembrava de ter ficado ansiosa, queria encontrá-lo, fiquei com medo de nunca mais vê-lo. Até que seis dias depois o reencontrei na escola.
***
— Bella, esse aqui é meu irmão Edward. – Rose, uma garota loirinha da minha sala, me apresentou enquanto brincávamos no escorregador.
Eu apenas sorri quando o reconheci parado a minha frente. Era ele. Eu tinha que dar a minha resposta. Ele apenas me olhava parado, parecia não acreditar que era eu ali.
— Eu aceito. Quando eu crescer, vou ser sua namorada. – disse beijando sua bochecha. Ele sorriu.
— Ain, que lindo! Tão namorando! – Rose bateu palmas animada. Deixando Edward com as bochechas coradas. Ele ficava tão bonitinho assim.
— Eu quero que a gente cresça bem rápido. – ele respondeu segurando minha mão.
***
Eu havia me comprometido com ele aos oito anos de idade. Edward gostava de mim naquela época. Era um gostar infantil, mas, ainda assim, ele gostava de mim. Será que ele ainda se lembrava disso. Será que ele ainda esperava que eu fizesse valer o meu sim? Nós já estávamos crescidos agora. Nós poderíamos namorar, como tínhamos combinado.
Oh, droga! Eu estava apaixonada por ele! Não aos oito anos, agora. Eu estava loucamente apaixonada pelo meu melhor amigo. Não havia percebido quando esse sentimento mudou. Talvez nesse último ano, no qual ficamos longe. Doía tanto estar longe dele, falar apenas por telefone, não poder vê-lo todos os dias. Nos últimos meses eu estava mais ansiosa para o fato de estar com ele do que começar a faculdade. Eu cheguei a chorar de saudade algumas vezes, agora estava tudo tão claro. Eu estava apaixonada por ele, como não enxergava isso? Não era de agora. Eu só descobri agora por conta de toda a atração física que me ajudou a enxergar e nomear esse sentimento.
Eu estava perdida, o que eu faria agora. Se antes era difícil encarar meu amigo por desejá-lo, agora era ainda pior estando apaixonada.
O Edward garotinho de nove anos gostava de mim, talvez o Edward nerd da adolescência também o tivesse feito em algum momento, mas e o Edward pegador da faculdade? Será que ele lembrava que me pediu em namoro um dia? Será que ele seria capaz de sentir alguma coisa por mim, além de amizade? Será que ele me via como uma irmã, e me acharia uma vadia nojenta caso eu dissesse o que sinto?
A situação era complicada.
— Joaninha? – Edward chamou na porta. Eu joguei tudo dentro na caixa, e esta, para debaixo da cama. A cartinha foi para o meu bolso. Não estava preparada para me separar dela, da prova de que um dia o melhor homem do mundo foi apaixonado por mim.
— Pode entrar. – respondi depois de me recompor, sentando recostada a guarda da cama.
— Adivinha o que eu tenho aqui? – Edward apareceu no quarto. Escondia uma coisa atrás de si.
— Você não fez bolo de cenoura com cobertura de chocolate, fez?
— Não, não fiz. – fiz um bico, o bolo era tudo que eu precisava agora. Quem sabe manter minha boca ocupada para não falar nada que não devia, ou lhe roubar um beijo. – Mas, fui até a padaria comprar. – Eu sorri.
— Eu já disse que você é o melhor homem do universo? – ele sorriu sentando na cama, me entregando um pratinho com um pedaço de bolo e um garfo.
— Acho que não do universo. – botou a mão no queixo fingindo pensar no assunto. Porra! Por que ele tinha que ser tão lindo?
— Eu acho melhor abranger tudo, vai que tem algum Edward marciano muito bom por aí? – brinquei. Ele gargalhou.
— Acho difícil. Mas... – deu de ombros.
— Convencido! – falei de boca cheia.
— Eu sei que sou. Agora que tal dividir? – apontou para o bolo que eu já devorava. Não era melhor que o dele, mas também estava divino.
— Acho que não. – disse afastando o doce dele. Ele se aproximou mais. Mas eu enfiei o último pedaço, muito grande por sinal, em minha boca, me lambuzando toda com a cobertura de chocolate.
— Ei, que gulosa! – ele comentou, estava próximo demais. – Está suja.
Eu sabia que ele estava falando da minha boca, movi minha mão para limpar, mas ele a segurou.
— Não, deixa. – sorriu malicioso. – Sobrou um pouquinho para mim aqui. – e dizendo isso ele se aproximou.
Sua boca na direção da minha, mas ele não me beijou. Apenas limpou os resquícios de chocolate nos meus lábios. Com a língua. Eu não acreditava que isso estava acontecendo. Não consegui segurar o gemido, mas isso o fez se afastar.
— Desculpa, Joaninha. Eu não deveria ter feito isso. – e não dando tempo para qualquer reação minha, ele saiu do quarto.
Deixando-me para trás, chocada, realizada, fervendo. Mas acima de tudo esperançosa.Talvez ele também gostasse de mim de outra forma. Eu queria muito acreditar nisso. Precisava espairecer um pouco, talvez uma caminhada me fizesse bem.
Coloquei um vestido florido, com uma jaqueta por cima, já que apesar de ser verão, por ser final de agosto já começava a esfriar no finzinho da tarde. Peguei uma bolsa transpassada e coloquei a carteira, o celular e a cartinha de Edward dentro, não querendo me separar daquele pedaço de papel muito significativo para mim.
Saí do quarto nervosa. Eu não saberia como encarar Edward sem virar um pimentão, mesmo que isso não fizesse o meu tipo, mas depois do que rolou no quarto eu parecia uma adolescente boba novamente.
Edward estava na sala. Usava uma calça de um tecido fino, própria para atividades físicas e tinha tênis esportivos nos pés, ele estava sem camisa, seu abdome definido bem a mostra. Porém ele não estava praticando nenhuma atividade física, estava deitado no sofá, seu rosto coberto por um livro. A Colina*** dizia a capa, ele parecia distraído demais com a sua leitura.
— Edward? – me fiz presente. Ele tirou o livro da frente do rosto. Eu quase desfaleci.
Ele estava de óculos. Os mesmos óculos de sempre, porém pareciam combinar muito mais com ele agora. Não deixavam de lhe dar um aspecto fofo, mas a palavra sexy era mais apropriada. Como ele conseguia ficar ainda mais perfeito?
— Ei, não te vi aí. – ele disse sentando-se no sofá. – Eu estava distraído com o livro, acabou de ser lançado, um autor estreante de Seattle. Mamãe foi ao lançamento e me enviou sabendo que eu adoro um bom romance policial.
— É, você estava mesmo distraído, parece bom, quero ler depois. – pedi sabendo que eu era a única pessoa para quem Edward, muito ciumento com tais objetos, emprestava seus livros.
— Na verdade ainda nem comecei a ler, estava indo malhar quando o Kenan avisou que eu tinha correspondência, estava admirando a bela dedicatória que o cara fez para garota dele. Que por sinal se chama Bella também. – comentou.
— Interessante. – disse notando o nome do autor do livro. Edward. Coincidência, ou seria um sinal do universo?
— Vai sair? – perguntou.
— Sim, preciso dar uma volta. Pegar um arzinho.
— Certo. Cuidado na rua, Joaninha.
— Pode deixar. – disse caminhando rumo a porta.
Poderia ter ido no carro do Edward, mas queria mesmo era caminhar. Saí pela recepção do prédio sentindo o Kenan, o porteiro esquisito, me comer com os olhos.
O dia estava agradável, já passava das quatro da tarde, o céu estava limpo, o calor agradável, mas já dava para sentir um ventinho gelado no rosto. Eu caminhei pelas calçadas dos prédios e cafés que haviam por ali, admirando a mistura de construções de estilo vitoriano com os prédios super modernos de Boston.
Se você reparasse bem perceberia que a capital acadêmica do país já estava cheia de estudantes prontos para começar o semestre. O que me fez lembrar que eu ainda não havia comprado algumas coisas.
Caminhei até uma grande livraria. Ficando por alguns minutos entre estantes repletas de livros. Comprei livros de economia, muitos que eu sabia que estavam nas leituras obrigatórias da faculdade, outros só porque eu achei interessante mesmo. Dei uma olhada nos títulos novos de romances reconhecendo o livro que o Edward lia por ali, escolhi um de uma autora de Best-seller, A Última Carta de Amor****. A sinopse parecia bem interessante. Mas confesso que as palavras carta e amor foram o que chamaram minha atenção. A cartinha de Edward ainda pesava uma tonelada na minha bolsa.
O que eu deveria fazer afinal? Falar com ele o que sinto? Eu poderia mostrar a carta e dizer “Ei, Ed! Nós combinamos de namorar quando crescêssemos, trato é trato. Você é meu namorado agora.”
Sorri com o pensamento. Queria que fosse fácil assim.
O que rolou no quarto mais cedo me deu esperança. Aquilo foi... Ele limpou o chocolate dos meus lábios com a boca! Deveria significar alguma coisa. Eu me arrepiava só de lembrar disso. Nunca senti nada parecido antes. Será que ele também me queria? Ele poderia ter me beijado, por que ele não o fez? Por que pediu desculpas? Porque fingiu que nada havia acontecido quando conversamos na sala? Parecia que tudo ficava cada vez mais confuso.
Saí da livraria carregando minhas sacolas, ainda não estava preparada para voltar para o apartamento e ter que encarar meu melhor amigo por quem eu havia recém-descoberto estar perdidamente apaixonada.
Sentei no banco de uma pracinha folheando o romance recém-comprado. Em breve anoiteceria, mas eu não tinha pressa.
Fui distraída da minha leitura pelo meu celular notificando uma mensagem.
Tanya W: Consegui marcar o horário com a Maria para amanhã a tarde. Já tem algo em mente?
Já, mais ainda to na dúvida entre duas.
Respondi. Eu já havia escolhido essas tatuagens há algum tempo, estavam salvas na galeria do celular, mas sabia que enquanto morasse sob o teto do meu pai, ele me encheria o saco sobre isso.
Tanya W: Legal! Quero ver, aliás to doida para mostrar a minha, ficou incrível. :D
Tanya W: Que horas chega em casa?
Como ela sabia que eu não estava em casa.
Como sabe que eu não to em casa?
Tanya W: To no seu ap., vim mostrar a Tatoo para o Edward.
Tanya W: Ele acabou de me perguntar por que eu tirei a roupa dele. Eu o deixei vestido na cama ontem, Swan! Andou se aproveitando? (carinha de lua)
Diga que foi você! Estou indo para casa.
Respondi imediatamente enfiando o livro de volta na sacola e procurando um ponto de táxi. Eu havia andado muito, estava longe de casa agora.
Não gostava muito da ideia de ter Edward sozinho com a Tanya naquele apartamento. Primeiro pelo fato dela saber do meu segredinho sujo da noite passada, bem, agora segredinhos sujos. Ela poderia dar com a língua nos dentes. E encarar o Edward depois de todos os acontecimentos do dia, já estava mega difícil sem isso. Segundo, ela havia deixado bem claro que daria para ele, caso ele quisesse, e eu não poderia permitir isso. Não mais.
Não demorei muito para chegar, de táxi foi bem mais rápido, mesmo com o transito de final do dia.
O porteiro tarado me desejou boa noite assim que pisei na entrada, eu respondi antes de ir para o elevador, que pareceu demorar uma eternidade para subir. Mas finalmente chegou ao destino. Eu parecia que estava indo salvar alguém de um incêndio. Na verdade eu estava, minha cabeça.
Eu estava apaixonada e sentia ciúmes. Sei que seria inevitável impedir o tempo todo, mas o quanto eu pudesse manter qualquer mulher, por mais legal que ela fosse comigo, longe da cama do meu cara perfeito, eu faria.
Abri a porta e parei. Tarde demais. Ela já estava com as mãos nele, mas precisamente dentro das calças dele.
Não. Foi uma mera ilusão. Edward não gostava mais de mim, não da mesma forma que o garotinho de nove anos que conheci. O novo Edward Cullen não era meu, era de todas. Restando para mim apenas mais uma vaga de amiga apaixonada, na friendzone.
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