Friendzone

4 As coisas não mudaram tanto...


Notas iniciais
Demorei muito? Sim. :( Mil perdões!!! Mas eu não tive outra alternativa. Realmente tudo estava indo contra eu postar esse capítulo, mas aqui está ele. (sem revisar, tá?) Sorry! Esse capítulo é dedicado a Chloe Less e Anne Cullen Volturi que recomendaram Fz. Obrigada meninas!!! Vocês sabem que amo vocês! Vocês ganharão o extra especial de recomendação quando eu terminar a fic, ok? Quero gradecer também a todos os comentários! Eu ainda irei respondê-los, prometo! Curtam o penúltimo capítulo...

Edward

Eu levei vários meses pensando que estava curado. Pensando que estaria imune quando ela finalmente estivesse aqui. Pensando que poderia abraçá-la sem ter meu corpo afetado por seu calor. Pensando que poderia admirar seu sorriso sem ficar louco para beijar sua boca.

Eu nunca estive tão enganado.

Ter Bella ali, ao meu lado, depois de um ano longe era incrível. A sensação de tê-la em meus braços era indescritível. Eu sentia tanta falta dela que doía. Cheguei a chorar nos primeiros meses, literalmente. Definitivamente esse papo de que homem não chora não funciona para os caras que amam.

E eu era um deles.

Naquela época, um desesperado. Tinha começado a faculdade recentemente, não conhecia muita gente, tinha apenas feito amizade com um dos vizinhos do prédio, Jasper Withlock que também estava começando em Harvard e se formaria em Direito, assim como eu.

Nós éramos bem parecidos, tínhamos os mesmos gostos, até o jeito de vestir era parecido. Dois nerds contra o mundo. Jasper era tão inocente quanto eu, a diferença é que eu não era mais, ele continuava sendo.

Com Jasper veio a Tanya de brinde. Como descrever a loirinha?

Tanya era minha amiga também. Não como a Bella era, mas eu a considerava uma grande amiga, alguém que foi muito importante para minha vida, que eu gostaria de ter sempre por perto.

Apesar de ser irmã gêmea do Jasper, ela nada tinha a ver com ele além da aparência.

Não era tímida como o irmão, muito pelo contrário, Tanya era muito espontânea e faladeira, foi assim comigo desde o primeiro segundo que a conheci. Era quase que impossível não se tornar amigo dela instantaneamente. Foi assim que aconteceu entre a gente, ela foi muito importante para mim nessa nova fase da minha vida.

***

As aulas já tinham começado há alguns dias. Jasper havia me chamado para ir até seu apartamento revisar o conteúdo da última aula. Não havia prova e nem trabalhos próximos, era apenas a gente sendo nerd.

Eu não estava muito concentrado no livro em minhas mãos. Bella estava me contando por meio do WhatsApp sobre o último jogo, primeiro da temporada, do time da minha antiga escola, ela estava bem animada porque, mesmo sendo começo de ano, já havia alguns olheiros de universidades por lá, assistindo ao jogo e a apresentação das líderes de torcida.

Eu meio que estava preocupado com toda a sua animação, será que ela desistiria de vir para Harvard? Eu me apavorava só de pensar, depois de tantos anos de planos e expectativas, em tê-la desistindo de morar comigo durante a faculdade.

Eu não havia tido tempo quando o Black pisou na bola. Bella estava sensível demais, acho que a expressão “fechada para balanço” se encaixaria bem. Mesmo querendo muito, mesmo tendo um baile de formatura melhor do que a expectativa com ela ao meu lado, eu não consegui me declarar, por esse motivo, e também pela costumeira falta de coragem.

As férias de verão voaram e logo eu estava me despedindo da Joaninha. Foi um momento bem complicado. Quando ela dormiu lá em casa, em nossa última noite de filmes, eu quase desabei, quase joguei tudo para o alto, não imaginando como eu poderia ficar tanto tempo sem vê-la. Existiam os recessos, mas o dia de ação de graças ainda garantia-nos três meses de separação. Quem cuidaria da Bella? Quem a protegeria daqueles babacas que viviam em cima dela? Bem, não que eu tivesse sido muito eficiente da última vez, mas, ainda assim, ela teve o melhor ombro amigo para chorar.

Joaninha: A olheira elogiou muito a minha performance. :)

E.C: Você dança maravilhosamente bem, ela tinha que reconhecer isso.

Joaninha: Sua opinião não conta, Edward. Tudo que eu faço é maravilhoso para você.

E.C: Porque são poucas as coisas que você não faz bem.

Joaninha: Ah, então admite que existe algo que eu não faça bem?! Pensei que seu “puxa-saquismo” não tinha limites. Rsrsrsrsrs

E.C: “Puxa-saquismo”? Kkkkkk

Joaninha: Admite! Nem to reclamando, sabe que eu amo ser mimada por você!

E.C: Tudo bem, eu adoro te elogiar. Satisfeita?

Joaninha: Sim. ;) Mas agora me diz, quais são as poucas coisas que eu não faço bem?

E.C: Provas de física e escolher namorados.

Joaninha: Por favor, não me lembre disso.

E.C: Não! Seus cabelos são lindos demais para ficarem escondidos. :(

Joaninha: Está vendo? Você sempre arruma um motivo para me elogiar.

E.C: Até parece que você não gosta. rsrsrs

Joaninha: Eu amo! ~modéstia passou longe~ E amo você ainda mais por isso.

E.C: Eu tbm te amo, Joaninha! ♥

Joaninha: Queria que estivesse aqui. :'(

Joaninha: Ou melhor, queria estar ai com você.

E.C: Também queria que estivesse aqui.

Joaninha: 11 meses...

E.C: 11 meses!

Que cara é essa? – Jasper perguntou desviando a atenção de seu livro. – É sobre uma garota?

Sim. – eu suspirei. – Ela ficou em Seattle. Ainda não terminou o Ensino Médio. – e ainda faltam onze meses...Onze meses para tê-la aqui.

Sua namorada, certo? – eu sorri amargo.

Quem dera!

Não entendo.

Melhor amiga. – expliquei.

Mas você gosta dela.

Mas do que eu deveria gostar. – muito mais.

E ela não gosta de você? Digo, da mesma forma que gosta dela. – ele parecia interessado.

Acho que não. – dei de ombros.

Você nunca falou com ela, não é? – ele arqueou as sobrancelhas.

Eu apenas neguei com a cabeça.

Eu também acho que não falaria. Mulheres são complicadas.

Não ouça os conselhos do meu irmão! – eu olhei para a porta, de onde veio a voz feminina. Havia uma garota ali, ela não poderia ter mais que a minha idade, era loira de cabelos curtos e tinha olhos azuis, ela era linda, muito linda para ser sincero. Usava shorts desfiados, camiseta rasgada de caveira e coturnos, tinha algumas tatuagens nos braços e ombro.Uma pessoa claramente “descolada”.

Ei, você apareceu! – Jasper se levantou indo até a garota na porta, ela pulou em cima dele o sufocando num abraço.

Sim, irmãozinho. Atrasada, mas cheguei! – ela respondeu ainda nos braços dele. Então me olhou por cima dos ombros do irmão e sorriu pra mim, separando-se de Jasper. – Não vai me apresentar seu amiguinho?

Ah, sim. – Jasper virou-se. – Esse é Edward, estudamos juntos em Harvard, e ele mora aqui no prédio, na cobertura. Edward, esta é minha irmã gêmea, Tanya.

Cobertura? Eu queria comprar aquela cobertura, mas não estava disponível. Aquele terraço é perfeito para festas. – ela animada.

Como você entrou lá? – perguntei confuso. O último morador, para o qual papai alugava já tinha desocupado o apartamento há seis meses.

Eu tenho meus métodos, gatinho. – ela piscou para mim.

Jasper revirou os olhos.

Você já deu alguma festa lá? – eu ri. Sério mesmo que ela achava que eu era o tipo de cara que dava festas?

Eu dando festas? Não, nunca. – ela me olhou espantada.

Como assim? Isso é quase um pecado! Aquela cobertura com tapagem, nem toda neve do inverno de Boston pode atrapalhar! Precisamos resolver isso, urgente! – ela intimou.

Resolver o que? – perguntei confuso.

Jasper riu.

Sobre a festa, garoto! – ela revirou os olhos, impaciente.

Mas eu... er... – eu não sabia o que dizer. A irmã do Jasper parecia meio louca.

Ah. – ela disse olhando para mim. – Você é um nerd tapado como meu irmão, não é?

Nerd tapado? – eu estava um pouquinho ofendido.

Sim, eu ouvi toda a conversa sobre a garota que você gosta e tal, você deveria ter falado com ela, já que a mesma é uma cega. – ela revirou os olhos novamente. Seria uma mania?

Cega?

Sim, olhe para você! É lindo! – eu a olhei incrédulo. – Só que não sabe disso pelo visto. – disse olhando para minha cara de espanto.

Você está zoando? – fala sério... Eu? Lindo?

O que? Nenhuma garota te elogiou na vida? – ela me olhou incrédula quando eu fiquei quieto. – Sério?! Você esteve andando com as garotas erradas, gatinho.

Ela caminhou até mim, que a essa altura já estava de pé próximo ao sofá onde estava sentado. Tanya sorriu, colocou a mão em meu peito e com a outra mão afastou meus cabelos do rosto.

Você é realmente muito lindo. – ela deu um apertão em minha bochecha. Eu tinha certeza que estava corado. Fora Bella e minha irmã eu nunca tive muito contato com outra garota, bem, teve aquela louca da Judy que me beijou a força.

Pelo amor de Deus, T! Ele é meu amigo. – Jasper disse irritado.

E? – ela perguntou largando meu rosto e olhando para o irmão.

E que você não pode dar em cima dele. Pensei que gostasse de garotas. – esse final me surpreendeu. Sério?

Garotas, garotos, tanto faz, irmãozinho! O negócio é ser feliz! – ela deu de ombros.

Sério?! – perguntei, bem admirado pelo desprendimento. Ela me olhou divertida.

Sim, mas são poucos os caras que entram na minha lista, então se sinta horado, gatinho. – piscou para mim. E saiu da sala, levando a bagagem que tinha consigo.

De que lista ela está falando? – perguntei confuso ao meu amigo.

Nem, queira saber. Minha irmã é louca. – ele disse se jogando no sofá e ajeitando seus óculos de armação quadrada no rosto.

Eu gostei dela.

Jasper me olhou com cara de tédio.

Boa sorte então, bonitão! A doidinha também gostou de você.

***

Depois do primeiro dia eu passei a me adaptar mais ao jeito da Tanya. Ela havia voltado de um mochilão pela América do Sul, por isso tinha chegado algumas semanas atrasada na faculdade. Ela não estava em Harvard como o irmão, mas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, cursando engenharia da computação. Sua presença era constante, quando eu não estava em seu apartamento com o seu irmão, ela ia até o meu, a fim de me convencer a dar uma festa.

Ela se tornou uma boa amiga, e logo soube todos os detalhes da minha história de amor platônica. Vivia dizendo que eu deveria largar tudo, ir até Seattle e me declarar para a Bella, arrastar ela para o meu quarto e mostrar o que ela perdeu durante tanto tempo. Ela mesma já havia tentado me arrastar para o quarto, meu ou dela algumas vezes. Eu não entendia muito sua fixação em mim, ainda mais depois que descobriu que eu era virgem. Mas eu não cedi. Eu ainda era louco pela Bella e me sentia errado em ficar com outra garota. Porém nesse meio tempo a Joaninha arrumou outro cara.

Eu estava bem iludido achando que a Bella ficaria sem ninguém depois do Black, nos meus sonhos ela ficaria sozinha até vir finalmente para cá, onde eu tomaria coragem de dizer o que eu sinto e seríamos felizes para sempre.

Eu me preparava para passar o dia de ação de graças em casa quando recebi aquele telefonema. Bella me contou toda animada que estava saindo com Mike Newton, eu conhecia bem o cara, e não me surpreendi com o fato de ser tão parecido com o outro, cara popular, bonitão, praticante de algum esporte, e babaca, sim, eu o conhecia desde criança, ele era um cara fútil e com um ego enorme, um colecionador de troféus, ou seja, garotas em sua cama. Dessa vez eu tentei alertá-la, expus o que achava, mas ela não me deu ouvidos, disse que era ciúmes de amigo, e desligou o telefone animada indo se arrumar para o encontro.

Naquele dia Tanya conseguiu. Não por iniciativa dela, surpreendentemente quem a levou para o quarto fui eu. Eu estava cansado de esperar. Não tirava minha culpa de não me declarar para Bella, mas eu sempre dei indícios, sempre tentei conquistá-la das formas mais sutis, a cada gesto de carinho, a cada loucura que eu embarcava por ela, mas ela não gostava de mim, não do jeito certo.

Eu precisava e viveria minha vida agora, eu precisava me curar, sem pensar no amanhã.

O lance entre Tanya e eu nunca foi além da amizade, o nosso sexo era bom, não era tão frequente, como um casal ou algo do tipo, mas a gente se entendia bem, e ela me ajudava a esquecer.

E depois vieram as outras garotas. Sim, muitas garotas. Eu não havia virado do tipo canalha, mas eu tinha medo de me apegar, sabia que a coisa casual funcionava bem com a loirinha, mas não podia prever como me sentiria com as outras, por isso foram tantas. O sexo virou minha vólvula de escape, minha anestesia, eu sentia que estava realmente vivendo, e não apenas parado no tempo, esperando por algo que poderia nunca acontecer. É lógico que eu sempre deixava claro para todas elas que era somente sexo casual, nunca iludi ninguém, cheguei até mesmo a só sair para conversar, sem tentar nada, com meninas que eu percebia que queriam “mais”, talvez se eu sentisse que pudesse retribuir poderia rolar algo, mas eu nunca senti nada além de carinho de amigo por essas garotas.

É claro que antes de eu começar a explorar esse meu lado que ficou adormecido por tanto tempo, eu mudei um pouquinho. A iniciativa foi minha, mas a Tanya me ajudou bastante. Dei um jeito no cabelo, um corte novo, que segundo a Tanya e a cabeleireira não escondia meu rosto bonito, e parei de usar os óculos sempre, já que eu só precisava deles para ler e só os usava porque a Bella dizia que gostava. A Tanya conseguiu me arrastar para a academia, no começo eu fui relutante, meio vergonhoso, mas depois tomei gosto pela coisa, e acabei montando uma pequena academia no terraço.

Seis meses depois de ter ido para Harvard eu estava mudado, foi quando tatuei o trecho de uma música que alguém tocava num bar, falava sobre mudar. Era o começo de uma nova fase, e para selar isso eu dei minha primeira festa, uma festa de universidade, com bebidas e tudo mais. Ali naquele dia, cercado álcool, música e garotas bonitas eu pensei realmente que Bella ocupava somente o único lugar que sempre pensou pertencer em minha vida, o de melhor amiga.

Eu posso dizer que sofri bem menos nesse tempo, a saudade ainda era esmagadora, mas eu me permiti viver, em vez de ficar sentado me lamentando. Mas essa falsa paz acabou no dia que eu tive Bella em meus braços depois de um ano evitando vê-la.

Eu ainda a amava desesperadamente, nada que eu vivi, nenhuma das novas experiências pode mudar isso.

Desde que ela chegou há quase duas semanas minha cabeça está bagunçada, eu não sou mais aquele menino tímido e inocente de antes, está cada vez mais difícil não tomá-la em meus braços, beijar sua boca, não só dizer, mas mostrar para ela o que sinto.

E algumas horas atrás eu quase fiz isso.

Suspirei ao perceber que estava parado na mesma frase do livro. Sentir o gosto de sua boca foi demais para mim, ela não havia me impedido, nem brigado comigo, eu deveria ter continuado, ido até o fim. Por que o meu lado covarde teve que assumir logo na hora errada?

— Não pense demais não se não o cérebro explode, gatinho. – Tanya entrou no apartamento, ela desconhecia uma coisa chamada campainha.

— Como se eu tivesse a opção de não pensar... – bufei.

— Ainda de ressaca? – ela perguntou.

Eu neguei.

— O que aconteceu então? Por que está com essa cara? – ela bateu em minhas pernas para que eu sentasse no sofá. Ajeitei meu corpo e ela sentou-se ao meu lado.

— Eu pensei que estava curado, T. Pensei que não a amasse mais dessa forma, mas eu ainda sou muito apaixonado por ela. Eu a amo. – ela sorriu para mim. Não um dos seus costumeiros sorrisos maliciosos, foi um sorriso doce.

— Você já me falou isso tudo ontem, gatinho.

— Falei? – perguntei confuso.

— Sim, falou. Sua memória de bêbado é tão ruim assim? – ela provocou.

— Eu realmente não consigo lembrar de muita coisa depois da boate. – eu forcei a memória, mas não vinha nada depois da garota ruiva.

— Você foi pro bar e encheu a cara depois de dispensar a garota ruiva.

Eu me lembrava da garota, a conhecia de vista da faculdade. Era uma ruiva muito bonita. Eu não havia ficado com mais ninguém desde que a minha Joaninha chegou, não havia saído muito, e quando saía ela estava junto.

Era verdade que com minha vida agitada nos últimos meses eu estava subindo pelas paredes, mas não me contentaria com outra garota, tinha que ser ela. Eu estava inconformado com isso, Bella ainda mexia comigo e eu precisava esquecê-la ou dividir o apartamento com ela seria uma tortura. Por isso fiquei com a garota da boate, mas não passamos de beijos enquanto dançávamos, até que ela sugeriu que procurássemos um lugar mais reservado. Eu não quis. Vic era uma garota quente, mas nem seus beijos conseguiram afastar Bella da minha cabeça. Eu queria minha Joaninha ali, e não outra garota.

Depois disso fui para o bar encher a cara. Na clara intenção de ficar bêbado para esquecer.

— Eu fiquei muito ruim ontem a noite, não é? – Bella havia me contado um pouco, eu estava envergonhado por isso. Não quero nem pensar no que aconteceria se a Tanya não estivesse comigo.

— Bastante, mas a melhor cena foi você tentando entrar no quarto da Bella. – ela riu.

— Ela me falou algo sobre isso. Eu não pareci muito ridículo, não é? – isso era tudo o que eu não precisava. Que a Bella pensasse que eu era um bêbado idiota.

— Na verdade, pareceu sim. – ela prendia o riso.

— Estou falando sério Tanya, não é hora de brincar com minha cara.

— Ei, calminha aí, Cullen! Você pareceu um ridículo fofo.

— Ridículo fofo? – a olhei confuso.

— Sim, ficou o tempo todo falando que a queria.

— Merda! Ela ouviu isso? – ainda mais depois do que eu fiz mais cedo. O que será que ela estava pensando.

— Provavelmente.

— Eu estou fodido, loirinha. – disse passando as mãos nervosamente pelo cabelo.

— A Bella também te quer homem! Para de frescura e chega junto logo! – ela disse revirando os olhos.

— Da onde tirou essa ideia? – ela não deveria me dar falsas esperanças, era cruel.

— Eu sei o que eu estou dizendo, gatinho. A sua Joaninha está doida para abusar desse seu corpinho sarado. – ela disse cheia de si, como se soubesse realmente de coisas que eu não sabia.

— Não viaja, Tanya. Bella não é você, que fica arrancando a roupa de um pobre bêbado. – eu havia acordado só de cueca essa manhã, e minhas roupas estavam dobradas numa cadeira. Nunca que eu bêbado iria ter a consciência de tirar as roupas e dobrar. Não mesmo.

— Ei, eu não tirei suas roupas. Coloquei você muito bem vestido na cama. – ela me olhou ultrajada por ser acusada de uma coisa que não fez.

— Eu acordei só de cueca, com as roupas dobradas no quarto. Perguntei a Bella, ela disse que foi você.

— Garota esperta. – ela disse digitando algo no celular.

— Por que diz isso? – quis saber.

— Nada não. Você aí na fossa nem me deixou mostrar a minha nova tatoo. – ela virou de costas pra mim mostrando o desenho de uma mulher atirando em sua própria cabeça, e seus miolos se transformando em borboletas vermelhas. Era uma tatuagem pesada, mas muito bonita, e a cara da Tanya.

— Ficou bem bonita, loirinha. E como vão as coisas com a Maria? – perguntei. A tatuadora era a paixão não correspondida de Tanya. Maria curtia novas experiências, mas não era lésbica para manter um relacionamento com outra garota. Na verdade ela era louca pelo Jasper, já conhecia os gêmeos desde o Texas. Esse era um triângulo bem curioso, já que o Jasper fugia da garota.

— Ela ainda não quer nada comigo. – disse triste. Eu a abracei.

— Não fique assim.

— Eu realmente gosto dela.

— Nós combinamos, sabia? Amigos com as vidas amorosas fodidas. – constatei.

— Você está nessa situação por que quer Edward. Precisa falar com a Bella, aposto todo meu dinheiro do mês como ela vai te retribuir. – eu estava novamente com a sensação de que ela sabia de algo que não estava compartilhando.

— Você sabe que eu não gosto de apostas.

— Está com medo de perder, Cullen? – ela levantou a cabeça do meu ombro.

— Não, sei que você está viajando, Tanya. – é claro que ela estava. – A Bella não me corresponde, da mesma forma que a Maria não corresponde a você.

— Mas há uma grande diferença, a Maria sabe o que sinto por ela, e foi ela quem disse que não me queria. Ela é apaixonada pelo meu irmão, e só ficou comigo porque você estava junto naquela noite. Minha situação é bem pior.

— Pense pelo lado bom, o Jasper não a retribui. Isso poderia ser muito pior, loirinha.

— Sim, poderia, mas vamos focar no que interessa aqui, você nunca falou com a Bella que é apaixonado por ela, e ela nunca te disse um não. – ela tinha razão, mas ainda assim eu me sentia um medroso. Era como se fosse melhor ter uma esperança dentro de mim do que um não definitivo.

— Eu quase a beijei hoje. – soltei. Ela levantou o olhar do celular, me olhando maliciosa.

— Como que você não me contou isso! Como aconteceu? E por que diabos foi um “quase beijo” e não um beijo de verdade?

— Ela estava com o canto da boca suja de chocolate e eu limpei. – dei de ombros.

— Limpou como? – ela estreitou os olhos.

— Limpei com minha boca, mas não chegou a ser um beijo. – esclareci.

— Você é mesmo um tapado, Edward Cullen! Já estava com a boca colada na dela, porque não botou essa sua língua talentosa para trabalhar?! – Ela parecia irritada de verdade.

— Eu não tive coragem na hora, ela não estava esperando por aquilo e eu vi a surpresa em seus olhos, pedi desculpas e depois o clima ficou estranho. – eu tinha certeza que a Bella tinha saído por conta disso.

— Parece que você regrediu. – ela revirou os olhos e bufou. Era extremamente irritante quando ela fazia isso.

— Quando a Bella está por perto, loirinha, aquele Edward determinado, corajoso e seguro de si desaparece. Não há como ser assim com ela. – eu voltava a ser aquele nerd tímido que era até pouco tempo atrás.

— Eu percebo isso, mas não pode deixar isso acontecer, aquele Edward não conquistou a Bella, mas tenho certeza que esse aqui pode. – ela me lançou um sorriso encorajador. E depois desviou o olhar para o celular que vibrava.

— Na teoria é bem mais fácil, mas na prática. – resmunguei percebendo que ela sorria maliciosa para o celular.

— Sim, eu sei, mas que tal se a gente parasse de se lamentar e curtisse um pouquinho? – ela sorriu maliciosa.

— Como assim? – perguntei sem entender onde ela queria chegar.

— Você sabe, gatinho. Aliviar toda essa tensão. – disse passando a mão em meu peito nu. Eu ainda estava vestido apenas com a roupa de malhar, primeiro me distraí com o livro depois pensando sobre a Bella e as mudanças do último ano.

— Você está mesmo me propondo sexo depois de toda a conversa que acabamos de ter? – perguntei incrédulo.

— Viu? Você é esperto quando quer. – e dizendo isso ela se jogou em meu colo, estava de joelhos no sofá, sentada sobre minhas pernas. Ela colou a boca na minha, mas eu não correspondi, as coisas agora não eram como antes.

— Tanya, o que está fazendo? – perguntei tentando afastar meu rosto do seu. – Não vai rolar.

— Não seja chato, gatinho. – ela foi para meu pescoço, beijando. Seu corpo se aproximou mais do meu parando bem em cima do meu pau, ela rebolou ali. Nada. Eu não senti nada. Meu membro não deu nem indícios de que daria sinal de vida.

— Tanya, não dá mais pra gente fazer isso. Não rola mais. – tentei afastá-la e ganhei sua atenção. Ela se afastou, sentando novamente próxima aos meus joelhos.

— Não acredito que não dá mais conta do recado, gatinho. Você sequer está duro. Você sempre esteve duro pra mim. – ela disse manhosa. O que estava havendo com Tanya?

— Loirinha, não consigo. – mas ela pareceu não me ouvir.

— Temos que ir rápido com isso, gostoso. Já já a Bella chega e... – Meu Deus! A Bella!

— Tanya, chega. Sai! – segurei em seus braços para tirá-la de cima de mim, mas era tarde de mais, nesse mesmo instante ela enfiou a mãos em minhas calças pegando no meu pau, e como desgraça pouca era bobagem a porta foi aberta e lá estava Bella, nos encarando como se tivesse visto uma assombração.

— Eu não queria atrapalhar. – ela parecia irritada. Tanya se distraiu olhando para Bella e eu aproveitei para tirar sua mão de minhas calças.

— Bella, não é nada disso, eu, er.. nós. – tentei justificar.

— Não, tudo bem. – ela disse me interrompendo, seu rosto estava vermelho, sua voz estranha. – Só usem o quarto da próxima vez. – e dizendo isso se retirou.

— Bella, não vai ver minha tatuagem?! – Tanya ainda gritou antes de ouvimos a porta bater.

— O que você fez, Whitlock?! – olhei irritado para Tanya, que tinha um sorriso inabalável em seu rosto.

— Para de fazer careta para mim, Cullen! Não vê que estou tentando ajudar? – ela revirou os olhos. Isso era tão irritante.

— Me molestando na frente dela? – sussurrei para que Bella não ouvisse. Mas Tanya gargalhou.

— Molestando? É sério isso?! – ela quase não conseguia respirar em meio a risada.

— Você agarrou meu pau!

— Você nunca reclamou disso antes, gatinho. – ela respondeu agora mais calma.

— Você sabe que as coisas agora são diferentes, Tanya. – disse me jogando de novo no sofá.

— Sim, eu sei. E por isso tive que tomar atitudes drásticas.

Do que essa louca estava falando?

— Desculpe pelo abuso, mas agora acho que você deve ir até aquele quarto conferir se meu plano deu certo, o que é cem por cento de certeza. – ela disse cheia de si.

— Plano? – perguntei confuso.

— Você vai entender depois da crise de ciúmes. – ela piscou pra mim. Ciúmes?

— Dá pra falar coisa com coisa? – as vezes a mulher a minha frente conversava com ela mesma em sua mente e achava que teríamos que acompanhar.

— Aff! Você é lento demais! Avise a Bella que eu marquei com a Maria às 14h30min. – e dizendo isso saiu me deixando com minhas questões.

O que será que eu deveria fazer agora? A Bella deve estar pensando que eu sou um pervertido que não respeita seu espaço. O que a louca da Tanya queria dizer com plano? Ciúmes? Mas por que a Bella ficaria com ciúmes de mim? E não menos importante o que a Joaninha queria com Maria? Eu não precisava de mais ninguém falando sobre minha participação num menage para garota que eu gostava, era constrangedor. Sem falar que ela poderia ter uma impressão errada de mim. Bem, levando em consideração o que ela havia acabado de presenciar, isso era meio que inevitável.

Será que eu deveria ir até ela? Pedir desculpas pela situação talvez.

Eu achei melhor não ficar pensando muito sobre isso, apenas caminhei até lá.

— Joaninha? – chamei dando leves batidas na porta de seu quarto.

— Espere um pouco. – ela respondeu, sua voz parecia chorosa.

Alguns instantes depois ela abriu a porta, seu rosto estava vermelho. Sim, ela estava chorando, eu a conhecia bem demais para não reparar nesse detalhe.

— Me desculpa? – pedi imediatamente.

— Pelo que? – sua voz era fraca.

— Você sabe pelo que. – passei a mão nos cabelos, nervoso. Tanya ia me pagar!

— Edward, você não me deve satisfações. – ela caminhou até sua cama, eu a segui.

— Sim, eu devo. Quer dizer, você também mora aqui e não deveria ter visto aquilo. – expliquei.

— É, da próxima vez vocês podem ir para o quarto antes de começarem a ação. – ela falou, tinha um tom ácido na voz.

Espera! Bella estava mesmo com ciúmes? Não, acho que eu estava ficando louco.

— Não vai ter próxima vez. – respondi rapidamente.

— Para uma despedida foi algo bem rápido, não? – ela debochou. Sim, isso era mesmo ciúmes. Eu tentei conter o sorriso que queria romper por meu rosto.

— Não rolou nada, Bella. Eu juro. – esclareci.

— Já disse que você não me deve satisfação, Cullen! – o tom de irritação era claro em sua voz.

— Foi a Tanya que me agarrou. – continuei. Bella deu uma rápida olhada para mim.

— É compreensível. – murmurou.

— O que disse?

— Nada de importante. – ela deu de ombros, deitando-se na cama.

— Você acredita em mim?

— Isso tem alguma importância? – ela perguntou olhando para o teto.

— Para mim tem.

— Então, se você está dizendo... – ela me olhou.

Isabella era uma bela visão. Tinha trocado o vestido por um pijama confortável. Não era nada de seda ou renda com a intenção de ser sexy, mas ainda sim o era. Ela tinha os cabelos espalhados pelo travesseiro e o rosto livre de qualquer maquiagem, tão simples e tão linda. Era pedir demais querer ter essa visão todos os dias, para o resto da vida?

Eu não pensei, apenas me joguei do seu lado e a puxei para o meu peito. Ela aconchegou-se ali.

— Porque a Tanya te “agarrou”? – ela tirou uma das mãos do meu peito e fez aspas no ar, na última palavra.

— Por que ela é louca? – ela riu.

— Estou falando sério. Vocês não tinham um lance? – ela insistiu.

— Sim, nós tínhamos.

— Não têm mais? – ela levantou seu rosto olhando diretamente em meus olhos.

— Não. – respondi.

— Por quê? – Isso era algo que eu deveria, mas não conseguiria explicar agora. Faltava a coragem.

— Não rola mais, pelo menos não para mim. – eu não conseguia ficar com nenhuma outra garota nas últimas duas semanas, só queria essa que estava em meus braços agora.

— Aí a Tanya tentou transar com você a força? – ela perguntou claramente desacreditada.

— Mais ou menos isso. – eu ri.

— Pelo pouco que eu conheço da Tanya não é muito difícil de acreditar. – ela riu também.

— Não está mais chateada comigo? – perguntei.

— Eu não estava chateada com você. – Bella não sabia mentir.

— Estava sim. Você sabe, por conta do ciúme... – eu sabia que estava entrando num campo perigoso, mas foi irresistível não sondar.

— Eu não estava com ciúmes! – ela negou. Rápido demais, Joaninha. Eu sabia que ela estava mentindo.

— Estava sim. Confesse!

— Eu sou sua amiga, Edward. É normal. – ela disse fazendo um bico fofo, eu queria tanto beijá-la. Eu era iludido o suficiente para acreditar que havia outro motivo por de trás do seu ciúme.

— Eu sabia! – ela me deu um tapa no braço.

— Você nunca gostou de me ver com outros garotos. – ela acusou.

— Nunca mesmo. – confirmei.

— Por quê? – pergunta difícil...

— Porque você é minha melhor amiga, quero você só pra mim, Joaninha. – a abracei mais apertado. Porque eu te amo em segredo desde que era um moleque, queria responder.

— Eu também quero você só pra mim. – ela enterrou a cabeça em meu peito. Como eu queria que essas palavras tivessem outro significado...

— Você me tem. – beijei sua cabela.

— Eu já tive por um tempo, agora você é de todas, Cullen. – havia novamente amargura em sua voz.

— Você faz eu me sentir um devasso falando assim, Joaninha. – eu ri. Mas ela estava um pouquinho certa. Até algumas semanas atrás eu realmente fui de todas, pelo menos fisicamente. Mas não agora, não quando a tinha aqui, mesmo ainda não me correspondendo.

— Eu não estou mentindo. Só me baseando no que a Tanya me contou. – eu me distraí por um momento sentindo ela aspirar eu meu pescoço, eu me arrepiei. Ela sempre fazia isso. Não era seguro, não quando eu estava vestido só com uma calça e com o corpo dela tão colado no meu.

— Acho que deveria para de dar conversa para a Tanya, ela não é uma boa influência. – disse com certa dificuldade de concentração, seu último gesto me deixou a beira da excitação.

— Com medo dela me agarrar também?

— Eu a proibi de fazer isso.

— Talvez eu devesse tentar. – ela disse.

— O que?

— Com garotas, os homens não tem dado certo. – poderia ter uma perspectiva quente, mas eu era ciumento o suficiente para imaginá-la com alguém além de mim, independente de gênero/sexo.

— Já é a segunda vez que diz isso. Vou começar a achar que está mesmo cogitando.

Ela riu.

— Não, não me sinto atraída por mulheres. Sem falar que, imagine duas TPM's juntas tendo que lidar com as complicações de um relacionamento? – é olhando por aí era assustador.

— Isso é bom.

— O que?

— Que ainda goste de garotos.

— Pena que tenho gostado dos caras errados. – sim, era mesmo uma pena.

— Ainda dá tempo de gostar do cara certo, Joaninha. – Por favor, entenda as entrelinhas! Eu implorava mentalmente.

— Talvez o cara certo não goste de mim. – ela pareceu triste ao dizer isso.

— É impossível não gostar acredite em mim.

— Você gosta de mim?

O que ela queria dizer com essa pergunta? Que gostar era esse?

— Você sabe que eu te amo. – Queria que ela também soubesse que tipo de amor era esse. Mas como se eu não falava?! Eu era um idiota.

— Eu também amo você, Ed.

Eu seria o homem mais realizado do mundo se por trás da declaração dela houvesse outro sentido, assim como havia na minha.

— Por que marcou um horário com Maria? – mudei de assunto, eu poderia acaber fazendo uma besteira se continuasse nesse papo de sentimentos.

— Maria? – ela perguntou confusa.

— Sim, a tatuadora. A Tanya fez uma nova tatuagem hoje e disse que marcou um horário para você às 14h30min.

— Ah, sim. Ela disse que estava me esperando para mostrar a tatuagem, enquanto na verdade estava ocupada com o seu pau. – eu engasguei. Ouvi-la falar dele era estranho, me causava coisas...

— Vamos esquecer isso. – falei rapidamente. – Você quer fazer uma tatuagem?

— Sim, eu farei uma amanhã.

— Isso é legal. Posse ver o desenho? – perguntei curioso.

— Não, só verá quando ela estiver pronta.

— Por quê?

— Porque sim.

— Eu também quero fazer outra, vou com você amanhã. – eu já havia escolhido aquela tatuagem a algum tempo, não era nada tão significativo como a primeira, mas era legal. – Talvez a Maria possa me encaixar em algum horário, quem sabe se eu levar o Jasper...

— Ele é namorado dela ou algo assim? – ela perguntou.

— Não, mas ela é louca por ele, porém ele tem medo de mulher. – ri, eu era exatamente como Jasper há algum tempo, mas o caso do meu amigo parecia ser pior.

— Tadinho, acredito que ele sofra muito assédio, ele também é bonito demais para seu próprio bem. – eu não gostei disso.

— Não está interessada nele, está? – temi sua resposta.

— O que? Não! Só constatando um fato. – eu não saberia lidar caso a Bella quisesse ficar com o meu melhor amigo.

— Quem mais é bonito demais para o próprio bem? – perguntei curioso.

— Você, Ed. Você é bonito demais para o seu próprio bem. – não pude conter o meu sorriso. Eu sentia meu ego inflado agora.

— Bom saber que acha isso.

— Não fique convencido.

— Eu não sou convencido.

— Bem, eu não sei. Você mudou muito.

— Só por fora, Joaninha. A verdade é que por dentro continuo o mesmo. – o mesmo cara apaixonado, o mesmo cara medroso.

— É bom saber disso. – suas mãos foram para os meus cabelos, acariciando. Por favor não me torture...

— Não vai me falar mesmo qual vai ser a tatuagem? – tentei mais uma vez.

— Não. Mas me diz, essa Maria faz um bom trabalho? Não quero me arrepender depois.

— Ela quem fez a minha, e algumas da Tanya, a última aliás ficou ótima.

— Deixa eu ver. – ela pediu, afastando seu corpo do meu.

Eu continuei deitado de lado e ela levantou meu braço, tocando nas letras sobre a costela. Era tão bem ter suas mãos em mim...

— É uma tatuagem bem bonita, com palavras profundas. – ela disse depois de um tempo.

— Eu estava num bar, quando alguém começou a tocar essa música, achei que essa parte dizia algo sobre mim. – expliquei.

— Você realmente mudou.

— Não muito na verdade, talvez ainda não esteja pronto para sonhar, ou melhor, realizar o sonho.

— Posso saber que sonho é esse? – perguntou curiosa.

— Um dia quem sabe...

***

Eu e Bella conversamos quase a noite toda. Eu acabei pegando no sono ali mesmo, só tendo lembrado de chutar os tênis para fora dos pés.

Dormir com ela em meus braços era maravilhoso, mesmo em algum momento da noite acabando de conchinha. O que era íntimo demais para nosso status de amigos. Sem falar no momento constrangedor que eu passei de manhã, acordando bem duro contra ela, que não teve como não perceber. Eu, sem saber o que falar, apenas lhe disse bom dia e fui para o meu quarto, mais precisamente para o chuveiro, precisava de algum alívio, ela havia esfregado descaradamente sua bunda em mim durante o sono. Havia muito tempo que eu não recorria a esse artifício, principalmente pensando nela, parecia que eu estava de volta a minha adolescência, onde Bella era a inspiração para todas as minhas sessões de autossatisfação. Depois do problema temporariamente resolvido eu passei uma manhã tranquila em meu quarto estudando. Sim eu estava evitando a Bella exatamente como eu fazia quando era adolescente, era um medo irracional de tê-la descobrindo meu segredinho sujo assim que pusesse os olhos em mim.

Na hora do almoço o cheiro da sua comida, me obrigou a sair do quarto, Bella daria uma ótima chefe de cozinha se não tivesse escolhido ser economista. Nós almoçamos conversando sobre tatuagens e eu fiquei muito aliviado por ela não ter tocado no assunto “constrangimento matinal”.

As 14h00min estávamos prontos para ir para o estúdio. E fomos surpreendidos por Tanya no elevador, dizendo que iria junto. Ela estava muito irritante fazendo piadinhas sobre ontem, que a Bella rebatia cheia de sarcasmo. Ela havia ficado mesmo enciumada e eu estava no céu por isso.

Chegando ao estúdio a Maria, disse que poderia fazer minha tatuagem de boa, pois não tinha mais nenhum cliente para tarde, e como era algo pequeno e simples não houve problemas. Bella não gostou muito da texana, ela começou a se insinuar para mim assim que chegamos, o que deixou as duas garotas que me acompanhavam irritadas. A garota tinha realmente uma paixão pelo meu amigo, mas isso não a impedia de dar em cima de mim, ainda mais depois daquela noite louca a alguns meses.

Bella fez a sua tatuagem primeiro, foi na nuca e bem rápida, porém ela ainda havia me deixado ver, passou por mim escondendo o desenho e foi mostrá-lo para Tanya.

— Você gosta mesmo dele, em? – Tanya disse sorrindo.

— É um ótimo personagem. – Bella deu de ombros.

— Você sabe que não é do personagem que eu estou falando. Não se faça de boba.

— Sim, eu o amo. – Bella deu um olhar significativo para a loirinha. Que sorriu satisfeita.

— Podem me colocar a par da conversa? – perguntei.

— Não! – as duas responderam juntas e depois riram.

Eu bufei irritado. Queria saber dessa história de Bella amar alguém.

— Nós vamos dar uma festa amanhã, Maria, está convidada. – Tanya disse.

— Nós vamos? – perguntei. Não tava sabendo de festa nenhuma.

— Sim, nós vamos. É nosso último fim de semana de férias, isso merece uma comemoração. Ou melhor, uma festa de despedida da paz, vai começar o sofrimento. – Tanya dramatizou.

— E onde seria essa festa? – perguntei já sabendo da resposta.

— No seu apartamento gatinho, onde mais? – ela disse dando de ombros.

— Você está compactuando com isso, Joaninha? – perguntei a Bella que sorriu.

— É a minha primeira festa de faculdade, como poderia não compactuar? – se ela queria a festa eu estava mais animado com ela também.

— Prontinho. – Maria disse terminando na minha perna.

Eu me levantei, virando a panturrilha para um espelho que tinha ali. Tinha ficado perfeita, idêntica à da foto.

— Eu quero uma igual! – Bella exclamou.

— Só falar onde! – Maria disse animada. Ela era uma artista muito entusiasmada com o que fazia, sem falar no dinheiro que ela estava ganhando.

— Nos teremos uma tatuagem combinando? – perguntei, estava animado com isso.

— Sim. Algo com um símbolo de amizade. O que acha? – ela sorriu pra mim. Era tão linda.

— Perfeito. Essa será por minha conta, Maria. – Bella ia protestar. – Como um presente de boas vindas na faculdade.

— Tudo bem. – ela concordou.

— Será no antebraço. – disse para Maria já se sentando no local apropriado para começar o desenho. – então eu vi a tatuagem que ela já havia feito.

Era um desenho dos óculos de Harry Potter, com direito ao raio da testa. Era bem delicada e combinava com ela. Mas o que mais me impressionou é que eu sabia o significado. Aquela tatuagem tinha a ver comigo. Poderia afirmar isso tem parecer convencido. Eu simplesmente sabia, sem falar que a conversa da Bella com a Tanya minutos atrás fez sentido para mim. Será que poderia mesmo ser o que eu estava pensando. Ela disse que o amava e não estava falando do personagem, eu sabia que Bella me amava, mas da forma que ela falou parecia ser outro tipo de amor, o amor que eu sentia por ela, o amor que eu sempre quis que ela sentisse por mim. Será que eu estava finalmente perto de ganhar o que tanto queria, ou será que eu havia enlouquecido de vez?

***

O sábado chegou e minha cabeça não estava menos confusa, meu coração cheio de esperanças. Seria mesmo possível? O que Tanya disse sobre eu ser correspondido parecia ser possível agora, eu só esperava que não estivesse tendo esperanças em vão.

O meu apartamento estava uma bagunça por conta da festa de mais tarde. Eu havia acabado de voltar do depósito de bebidas, é claro que comprei tudo com a identidade falsa, já que só faria vinte e um no próximo ano.

— Edward, meu bebê está com algum problema! – Jasper entrou afobado no apartamento. Eu estava colocando as cervejas no freezer, podia ouvir Tanya e Bella rindo em algum lugar lá em cima.

— O que ele tem? – voltei minha atenção para ele que estava até pálido.

— Eu não sei, não quer ligar. – ele parecia desesperado. Nada importava mais para Jasper do que seu Maverick preto.

— Vamos chamar o reboque e levá-lo a uma oficina. – falei terminando de guardar as cervejas.

— O meu mecânico de confiança está fora. – ele disse desanimado.

— Eu levei o Volvo para fazer revisão numa oficina perto daqui, gostei muito do serviço de lá. – disse procurando o cartão com o endereço na minha carteira, eu não me lembrava muito bem o local. – Aqui. – Entreguei o cartão da Brandon's para o meu amigo.

— Vai ter que servir. Vamos. – disse saindo do apartamento, eu o segui. Sim, eu estava mesmo fugindo dos preparativos para a festa. Não aguentava mais ficar indo e voltando de mercados, lojas e depósitos, assim que chegava em casa Bella ou Tanya me mandava para um novo local.

Chegamos na oficina em tempo recorde, Jasper quase chorou para o cara do reboque adiantar. Ele olhava em volta de cara feia, o lugar nem era tão mal assim. Mas Jasper era do tipo que realmente tinha TOC, eu era extremamente bagunceiro e porco se comparado a ele. Eu tive que rir quando ele tirou seu inseparável vidrinho de álcool em gel do bolso passando nas mãos e no capo de se carro com um lencinho.

— Oi, o que aconteceu com o carro. – uma voz chamou nossa atenção, uma voz feminina.

Nos viramos dando de cara com uma garota baixinha. Ela não tinha mais de um metro e sessenta e era bem magra. Tinha cabelos pretos e lisos que pareciam ser bem compridos, mas estavam embolados no alto da cabeça em um coque cheio, seus olhos era grandes e azuis acinzentados, ela estava vestida num macacão de mecânico azul-marinho com o nome Brandon bodado no peito e toda coberta de graxa. Toda sua roupa, a estopa que estava em sua mão e até alguns pontos de seu rosto muito branco, estavam sujos. Marcas de dedo ao que parecia.

— Oi, você trabalha aqui? – Jasper perguntou espantado.

— É claro que trabalha, Jazz! Olha a roupa dela. – revirei os olhos. – O carro não quer ligar. – virei para ela explicando.

— Vamos dar uma olhada. – ela disse caminhado até o veículo. – Alguém pode abrir o capô para mim? – pediu.

Eu cutuquei Jasper que me estregou as chaves. Eu entrei no carro e destravei o capô, permanecendo sentado ao volante casa a garota precisasse de mais alguma coisa. Ela incomum uma mulher numa oficina mecânica, ainda mais uma garota tão pequena e com aparência delicada e que parecia ser tão nova, podia apostar que ela não tinha mais de vinte. Eu achei bem legal sua escolha de profissão, só devia ser chato para ela ficar ouvindo cantadas baratas de caras babacas, afinal isso era uma oficina vivia cheia desses tipos.

Percebi que ela não havia aberto o capo e encarava Jasper de cara feia. Saí do carro indo até eles.

— Aconteceu algo? – me aproximei dos dois.

— Seu amigo não quer me deixar olhar o carro. – ela explicou irritada.

— Ela não vai colocar essas mãos sujas de graxa no meu bebê. – Jasper disse torcendo a boca.

— Jasper, ela precisa ver o que há de errado. – Sério mesmo que ele arrumaria problema com isso? Eu tinha problemas mais relevantes na minha vida.

— O que custa ela limpar as mãos? – ele perguntou irritado.

— Cara, olha em volta, isso aqui é uma oficina mecânica, tem óleo e graxa para todo lado! – a garota se exaltou.

— Eu percebi isso, mas isso não justifica essa bagunça. – ele respondeu calmamente, como se tivesse falando com uma criança de cinco anos.

— Deixa de frescura, você quer ou não que eu conserte seu carro? – ela estava tão zangada que pareceu crescer uns bons centímetros.

— Você sabe mesmo fazer isso? – ele desafiou. Eu poderia jurar que ela tinha ficado vermelha instantaneamente.

— Você está sendo machista!!! – berrou para ele.

— Isso não tem nada a ver com fato de você ser mulher, mas sim de parecer tão petulante. – ele respondeu.

— Vá a merda! – ela xingou abrindo o capô do carro de uma vez por todas. E dando um sorrisinho de deboche ao olhar o motor.

— Você sujou o carro! – Jasper quase infartou.

— E você é tão imbecil que não sabe nem conferir um cabo fora do lugar! – ela mexeu ali plugando um cabo solto, não levou nem um minuto. Eu olhei para Jasper, me perguntando porque eu mesmo não tinha mexido ali antes de virmos para a oficina.

— Não pode ser só esse o problema. – ele duvidou.

— Você pode ligar o carro por favor. – pediu-me gentilmente, um tom muito diferente do que estava usando com o meu amigo.

— Claro. – fui novamente para o banco do motorista virando a chave, o carro ligou imediatamente. Jasper bufou. Eu ri.

— Eu estava certa, Clark Kent. – ela gabou-se para o meu amigo. Eu ri do apelido, os óculos e o penteado eram mesmos iguais. Jasper me olhou zangado.

— O que?! Parece. – eu justifiquei.

— Agora que tal você me pagar e dar o fora daqui? – ela disse para o meu amigo.

— Ele tirou o cartão do bolso e colocou a contragosto nas pequenas mãos sujas de graxa. – a garota deu um sorriso debochado e foi até uma mesa com computador, passando o cartão na máquina e voltando com o comprovante.

— Volte sempre. – deu um sorriso falso para Jasper e virou as costas.

— O que foi isso? – perguntei assim que entramos em seu carro. Tínhamos vindo com o cara do reboque, muito a contragosto de Jasper.

— Isso o que? – ele me perguntou.

— Essa discussão. Você geralmente é bem pacífico.

— Aquela garota era uma metida suja de graxa. – ele revirou os olhos.

— Eu a achei bem legal. – comentei. – Você sabe, é raro encontrar mulheres que entendam de carro.

— Mas se isso significar que ela não é chegada em limpeza não é legal. – dessa vez quem revirou os olhos fui eu.

— Você nunca vai arrumar uma namorada desse jeito, cara. – eu disse.

— Você acha que ela aceitaria sair comigo? – ele perguntou freando o carro bruscamente.

— O que? Quem? – perguntei confuso.

— A garota da oficina. – ele disse como se fosse obvio. Isso era mesmo sério?

— Você está brincando, né? – ele não estava brigando com a garota alguns instantes atrás?

— Não, eu acho que realmente quero sair com ela. – ele disse e ligou o carro novamente pegando um contorno.

— É sério que você vai fazer isso? – perguntei espantado.

— Sim, por que não? – ele estava sorrindo animado agora. É, ele e Tanya tinham mais em comum do que eu imaginava...

— Ela provavelmente vai te bater com uma chave de roda. – eu disse assim que estacionamos novamente em frente da oficina.

— Eu nunca vou saber a resposta se eu não fizer a pergunta, Edward. – ele disse sério, saindo do carro.

Isso veio como um soco na minha cara. No fim das contas Jasper era bem mais corajoso que eu. Ele estava indo fazer o que eu nunca consegui.

Alguns instantes depois, Jasper voltou inteiro para o carro.

— Não. – disse quando reparei no seu rosto e roupas sujos de graxa.

— Sim. – ele disse sorridente.

— Você beijou a garota? – eu perguntei incrédulo.

— Na verdade, ela me beijou. – ele disse. O sorriso ainda em seu rosto.

— E aceitou sair com você?

— Jantar mais tarde, depois vamos à festa. – isso era mesmo sério?

Jasper tinha me dado uma bela lição de coragem e determinação. E eu o cara descolado que ficou com metade das garotas de Boston e adjacências, ele o nerd tímido que fugia de todas elas. Ele foi o corajoso que chamou a garota que estava a fim para sair, mesmo as chances dela aceitar sendo mínimas. Eu era o cara que estava adiando esse momento a anos, mesmo achando as vezes que poderia ser correspondido. Ele conseguiu a garota. Eu ainda estava na friendzone.

***

A festa estava rolando há algum tempo. Tinha muita gente no meu terraço, pessoas conhecidas e desconhecidas, muitas garotas da faculdade, algumas das quais eu já havia ficado.

Eu estava decidido a falar com Bella essa noite. Ainda mais depois de ver meu amigo quase engolindo a garota da oficina na festa. O nome dela era Alice Brandon, filha do dono da oficina, cursava engenharia mecatrônica na mesma universidade que Tanya, era mecânica nas horas vagas. E ele já havia a pedido em namoro, mesmo a conhecendo somente há algumas horas.

Eu estava feliz pelo meu amigo, mas decepcionado comigo mesmo.

A festa estava animada, muitas pessoas dançando, música alta e bastante bebida. Era a despedida das férias e as boas vindas aos calouros.

— Eu não vou te arrastar de novo, Cullen. – Tanya chegou ao meu lado tirando a garrafa de vodca da minha mão. Sim, eu já tinha dispensado o copo.

— Eu estou em casa, é só me deixar cair em qualquer lugar. – disse tentando pegar a garrafa de volta. Ela não deixou.

— Você pode fazer uma besteira... – ela alertou.

— Bater no Tyler? Sim, eu farei isso se ele não tirar as mãos dela. – encarei meu ex-colega de faculdade que dançava alguma música pop animada com a minha Joaninha.

— Eles só estão dançando, Edward. – Tanya revirou os olhos.

— Ele quer mais que uma dança. – estava quase devorando o Bella com os olhos.

— E o que você está fazendo aí, que não está lá no lugar dele. – ela desafiou.

— Eu não sei. – resmunguei.

— Você está bêbado.

— Nada que tire a minha lucides. – respondi.

Sim, eu estava bebendo há algum tempo, mas ainda estava um pouco sóbrio, eu era um quase bêbado. Meus reflexos estavam perfeitos. Só minha cabeça que estava trabalhando um pouco rápido demais.

— Que tal você ir ter a sua dança então? Antes que fique tarde para isso. – ela sugeriu. Sim, eu faria isso.

— Ela não vai ficar com ele. – disse firme.

— Claro que ela não vai, Edward. Ela quer você.

— Queria ter essa sua certeza. – resmunguei.

— Não era você que estava todo admirado com as atitudes do meu irmão, algumas horas atrás? – perguntou.

Eu assenti.

— Tome como exemplo! A Bella já está aprovada por mim, a nanica ali ainda está em período de experiência. – disse apontando para o irmão e sua garota. Eu ri.

— Bella não precisa de sua aprovação, loirinha. Ela já me tem há muito tempo, mesmo sem saber disso.

— É claro que precisa, mas ela já está devidamente ameaçada.

— Ameaçada?

— Nós estávamos conversando esses dias, ela também está louca por você, gatinho. Pare de ser cego! – ela me deu um tapa.

— Você teve a confirmação dela sobre isso? – perguntei ansioso. Se ela respondesse sim, eu não teria mais motivos para covardia.

— Eu não vou deixar as coisas assim tão fáceis para você. – ela sorriu maldosa. – Vá lá e descubra se estou falando a verdade.

— Eu vou. – o conjunto dos acontecimentos dos últimos dias ou a bebida me encorajaram, eu realmente não sei o que foi, mas eu estava caminhando em sua direção pronto para pôr tudo para fora.

— Ei, Edward! – senti mãos agarrarem o meu pescoço no meio do caminho. Olhei para a garota que me abraçava. Eu sabia que a conhecia de algum lugar. Era coVic, a garota da boate da última bebedeira.

— Oi. – respondi. Tirando gentilmente suas mãos de mim. Não adiantou muito, elas foram para o meu peito. Eu nem ia me dar o trabalho de perguntar quem a havia convidado, as festas de faculdades era relativamente “abertas” ao público.

— A gente poderia terminar o que começamos aquele dia. – disse chegando mais perto.

— Não vai rolar, desculpa. – ela murchou, mas não desgrudou.

— Você tem certeza? Quem sabe possa mudar de ideia se eu... – ela infiltrou a mão por dentro da minha camisa. Meu olhar foi imediatamente para trás dela, onde Bella estava sozinha, e me encarava com cara de poucos amigos.

— Eu não quero você. – tirei as mãos dela de mim, dessa vez um pouco mais firme. – Com licença.

Deixei a ruiva para trás e cheguei até Bella. Ela ainda parecia zangada.

— Joaninha, eu preciso falar com você. – falei antes que eu perdesse a coragem.

— Tem certeza que precisa ser agora? – ela tinha um tom irritado. – Sua coleguinha não parece muito satisfeita. – completou olhando para trás de mim. Eu me virei vendo que Victória ainda estava ali, com cara de poucos amigos.

— Eu não me importo. – disse dando de ombros.

— Uh, então ela não foi a escolhida da noite, em? – ela debochou. O Ciúme estava claro em sua fala. Eu sorri.

— Não, não foi ela a escolhida. – entrei no jogo.

— Mas há uma escolhida? – ele perguntou.

— Sim, há uma escolhida. – afirmei. Algo passou em seus olhos, decepção talvez?

Era chegada a hora da verdade.

— E ela está vem na minha frente agora. – sorri acariciando seu rosto.

— O que?! – ela perguntou surpresa.

— Eu quero você, Joaninha. Só você.

Eu havia finalmente dito.

Eu não esperei uma resposta. Eu precisava demais beijá-la e não podia esperar nem mais um segundo.

Sua boca tinha gosto de morango, o gosto da sua fruta preferida.

Beijar Isabella era melhor do que eu imaginei todos esses anos, e foram muitos anos apenas imaginando.

Meus braços automaticamente abraçaram sua cintura, trazendo-a para junto de mim. Ela correspondeu ao beijo, seus baços passaram por cima de meus ombros, sua mão agarrou meu cabelo, puxando-me mais para si.

Nosso beijo não era algo doce e calmo como eu imaginei para o primeiro. Era quente, tínhamos fome, nós dois. Eu estava no paraíso. Ou nas portas dele.

Não resisti dando uma leve mordida em seus lábios. Ela gemeu, deixando-me em brasa.

Eu a queria tanto, precisava dela desesperadamente, agora. E pela forma como ela se agarrava a mim, sua necessidade era a mesma.

Eu, com muito custo, larguei seus lábios trilhando um caminho de beijos até seu ouvido, pude senti-la se arrepiar antes mesmo que eu dissesse alguma coisa.

— No meu quarto ou no seu, Joaninha? – sussurrei.

Não, não era a pergunta certa. Não era a mais romântica ou apropriada. Mas era tudo o que a gente precisava saber naquele momento.

Eu esperava ter todo o tempo do mundo para fazer do jeito certo depois.

Notas finais
Eu ouvi um aleluia?! Finalmente!!! Gostaram? Deixem-me saber! ;) O próximo é o último... PROVAVELMENTE no próximo fim de semana. Vejo vocês nos comentários! Beijinhos! 26/06/17