Friendship Project
11 Odd Eye Silhouette 1.1
Notas iniciais
Ela olhou desgostosa, mas aceitou. Poucos segundos depois, ela checou o relógio e voltou a puxar assunto:
— Hey, Ryuunosuke.
— Que é?
— Por que você não vem comigo para a escola hoje?
— Dispenso. – Ele virou para o lado, cruzando os braços.
— Ora, vamos! – Ela chacoalhou os ombros dele. — Não vai ser o fim do mundo ir só um dia, vai?
— Sim, vai. Odeio aquele lugar. Vá você, já que gosta tanto.
— Engana-se você. – Ela o soltou. — Eu odeio aquele lugar mais que tudo.
Ele arregalou os olhos, surpreso, e virou-se novamente para ela: Não entendera o que ela quis dizer, não entendera absolutamente nada; Não fazia sentido, não era inteligente fazer algo que você odiasse.
— Como é...? Então por que vai? Quero dizer... Se você não gosta de algo, você deveria evitar.
Ela sorriu amigavelmente e, com calma, perguntou:
— O que acontece quando os pais mimam demais uma criança?
— Por que isso, assim, de repente?
— Responda.
— Ela vai ficar mimada e vai virar uma existência insuportável. – Ele gesticulou como se visualizasse a cena de estrangular alguém. — Credo, como me irritam!
— Pois bem. E o que ela faz pouco tempo depois que ganha o que quer? Ela o joga fora, descarta. – Ela parou e o olhou nos olhos. — Você entende? Não se aprende a dar valor.
Ele, ainda confuso, e nervoso por encarar-lhe os olhos, perguntou:
— M...Mas o que isso tem a var com ir à escola?
— Tem a ver com que, se você evita tudo o que te desagrada e só faz o que você gosta, você não é muito diferente daquela criança que você tentou esganar mentalmente agora há pouco. – Suspirou. — Com o tempo, não só vai ficar igual à elas, como você vai se tornar alguém triste.
— Triste eu ficaria se fizesse coisas que eu não gosto.
— Não, Ryuu. A felicidade não é eterna, é um sentimento passageiro. Se você não tem nada que te faça dar valor à ela, você se mima, e antes que perceba, não vai mais achar ela em lugar nenhum. Sabe, ela não é uma mãe que vai estar lá para te dar o que você quer, aliás, se eu tivesse que descrevê-la, diria que é mais como um beija-flor.
— Um pássaro?
— Um pássaro que vem visitar quem se preocupa em pôr-lhe água no bebedouro.
— O que quer dizer? Aliás, isso tudo é para que eu vá com você na escola? Não acha que está se esforçando demais, menina aplicada? – Ela deu-lhe um tapa na nuca. — Ai!
— Não estou dizendo isso pela escola, estou dizendo que se você continuar evitando as coisas só porque não gosta delas, vai virar um cara chato e triste. E vai morrer sozinho! – Ela levantou-se furiosa. Estava indo embora quando parou, fez como se contasse até dez, e perguntou novamente: — Esta é a sua última chance, você vem comigo ou não? – Ela virou-se para ele e estendeu-lhe a mão.
Ao fazer isso, chegava o grupo de amigos do jovem. Ryuunosuke olhou para ela, para o grupo, e repetiu o processo umas duas vezes.
— Amanhã. – Ele apoiou-se na grama e levantou. Ela, recolheu a própria mão. Não disse nada, sequer o encarou, saiu pisando forte em direção a escola. Nem ao menos olhou para trás.
Ao se aproximarem, Shion pôde ouvi-los debatendo.
"Não seja idiota, Sorin. Fuyumi-san não acabou de falar com Kosuke no telefone?"
"Ah, é."
"E Suzumaru, deu notícias?"
"Ainda não."
— E aí, gente?
— Shion-chan! Oi! – Acenou Sorin.
Satoru o pôs a par da situação, e mostrou as fotos. Um dos rapazes que sofreram as agressões estava acompanhado de um bilhete com um furo no papel e uma pequena fita passando por ele e enroscando-se em seu pulso. Seus braços e pernas estavam em ruínas, cortados, esmurrados, esmagados, quase que estilhaçados. E no papel, escrito com letras bem trabalhadas: "Você vai me ouvir gritar."
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