Friendship Project
1 First Contact: 1.0
Notas iniciais
Primavera, final de março. Em algum horário por volta das seis da manhã, uma menina com expressão sonolenta passa pela praça a caminho da escola, desvia o olhar por um momento para um colega deitado sobre a grama, aquela não era a primeira vez e nem seria a última que ela o encontrara ali, era quase tão costumeiro vê-lo matando aula quanto avistar as árvores da pracinha e esse filme repetia-se desde o início do ano; Seguindo seu papel no roteiro, ela o ignorou — mesmo que tivesse certeza de que o cumprimentou em sua mente — e seguiu para a escola.
Na semana seguinte, ela fazia o caminho inverso quase no mesmo horário e, aproveitando que seu dia seria livre, pausou seus passos por um momento e perguntou:
— Matando aula de novo, Ryuunosuke? – Usou tom descontraído. "Afinal, se você fizer com que o animal de sinta ameaçado, ele pode fugir ou atacar" – Pensou divertidamente, quase rindo com sua própria analogia do menino.
— Tsc. Cuide da sua vida, Bernstein. – Disse virando para o lado.
— Que honra! O "Fantasma da sala B" se lembra do meu humilde nome? Que lisonjeiro! – Brincou. Mesmo não sendo bem recebida no primeiro contato.
— Como eu esqueceria de um sobrenome esquisito assim, Bernstein? Aliás, estranha é você de saber o meu.
Virou-se novamente com a barriga para cima e os braços atrás da cabeça.
— Como poderia esquecer do único ser humano ausente todos os dias na sala de aula? Você é quase uma lenda.
— Isto era para ser um elogio?
— Por quê? Funcionou? – Sorriu.
— Er...
Ele deixou escapar um leve sorriso, ia dizer algo mas ela, se aproveitando da reação positiva, o interrompeu antes que pudesse continuar.
— Pois não era um elogio. – Divertiu-se com a expressão surpresa e desgostosa do jovem.
— Tsc. – Frustrado — O que VOCÊ faz aqui, Bernstein? Vá para a sua tão preciosa aula já que você é tão aplicada e deixe-me quieto. — Disse constrangido com a situação.
" Oh, ele ficou brabo!" – Pensou.
— Eu vim fazer o que pareço que vim fazer.
— Encher-me a paciência?
— Pode-se dizer que sim. Mas, se fosse para eu fazê-lo, diria que só vim conversar. – Sentou na grama ao lado dele.
— E a senhorita, pela vontade do bom Deus, interrompeu sua frequência letiva para conversar com "O Fantasma da Sala B". – Disse com tom sarcástico — Ei, o que está fazendo? Respeite o espaço pessoal, ok? Não se aproxime.
— Não seja tão pretensioso, vim porque hoje tenho o dia livre. E fique tranquilo, simpatia não é contagiosa, Sr.Hostilidade.
— Jura? Parece que seus colegas que entraram há uns minutos não acham isso. Aliás, eu estou esperando uma pessoa, pode sair?
— Oh, Sua namorada vai ficar com ciúmes? Neste caso eu deveria me afastar mesmo.
Ela se apoiou na grama para tomar distância.
— São uns amigos. Eu não tenho nada assim, mulheres são um saco.
— Oh, me desculpe. Eu nunca descobriria só olhando para você.
— Como é que é?
— Como eu disse, não sabia que você era gay. – Disse enquanto revirava a bolsa.
— O-o quê?! Do que você está falando? Eu n-não sou gay! Sua idiota! – Disse com o rosto ruborizado.
— Claro, claro. – Sorriu pretensiosamente enquanto pegava o celular na bolsa e ligava-o.
— É verdade!
— Ah ah. Você está vermelho! – Riu.
— Ora, sua...-
— Preciso ir. – Interrompeu-o ao olhar o celular.
Ela fechou a bolsa, pôs o celular no bolso, levantou-se e disse:
— Foi legal conversar com você. Deverias aparecer nas aulas de vez em quando.
— Espera. – Levantou-se e sentou na grama. — Afinal, o que você foi fazer na escola? Por que voltou?
— Entregar um atestado médico. – limpou a grama das roupas. — Bem, até mais! – Correu em direção ao ponto de ônibus.
Poucos minutos depois, um grupo foi até o jovem, cinco ou seis rapazes e duas garotas, todos vestidos de forma agressiva, foram ao encontro do garoto que até então, encontrava-se novamente deitado sobre o gramado da praça:
— Ryuunosuke. – Falou o mais alto.
— Já vou. – Levantou-se, tirou a grama das roupas e os acompanhou.
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