Notas iniciais
Esperamos que todos gostem do primeiro capítulo! Se quiserem, para entenderem melhor a história, o filme está nos cinemas e na internet. (Que feio HUAHUAHU) Não esqueçam de comentar!

O caminho do escritório até sua casa fora rápido, assim como o tempo que tivera de descanço. Bill entrou em seu apartamento, ignorando tudo e qualquer coisa que estivesse em seu caminho, jogando a jaqueta e a bolsa em cima da poltrona da sala, aproveitando a “liberdade” que tinha depois de se livrar de ambas coisas que segurava, esparramando-se como sua bolsa e jaqueta em cima do sofá.

– É por isso que essa casa não pára arrumada! – Tom reclamou, recolhendo a jaqueta e a bolsa da poltrona e as jogando sobre o dono.

Bill e Tom se conheciam desde o colegial, e a partir de tal época tornaram-se amigos. Assim que cada um completou a maioridade e conseguiu seu primeiro emprego eles decidiram morar juntos, dividindo todas as despesas e se tornando completamente independentes de seus pais – era esse o principal objetivo – no entanto, houve algumas complicações no inicio. O apartamento era realmente pequeno e eles haviam que dormir em um beliche e mesmo sendo melhores amigos, eles tinham suas diferenças. Enquanto Bill era um bagunceiro e completo preguiçoso, Tom era super organizado e perfeccionista. Mas para ajudar a lidar com isso, agora cada um tinha seu próprio quarto após se mudarem para um apartamento maior.

– Eu quero morrer. – Bill choramingou e usou a jaqueta agora em seu colo para esconder o rosto, deixando que sua bolsa caísse sobre o chão.

– O que foi? – Tom perguntou cautelosamente, sentando-se no sofá ao lado de seu amigo.

Bill tirou a jaqueta do rosto e tomou uma respiração profunda, brincando com o tecido em suas mãos. Mesmo que Tom estivesse ao seu lado Bill procurou não encará-lo diretamente, sabendo que iria contradizer-se no que estava prestes a dizer.

– Eu tenho problemas emocionais e cobro muito do Adam. Ele não aguenta a pressão.

– Ele terminou com você?

– Esse babaca disse que nós éramos almas gêmeas quando transamos naquela pousada em que passamos esse final de semana. – Bill completou, a voz se elevando a cada palavra. Ele não estava triste, mas furioso acima de tudo. – E agora terminou comigo!

– Nunca leve a sério o que um cara fala enquanto está gozando. – Tom disse, sem conseguir segurar um riso. – Eu mesmo fico muito romântico nessa hora.

Eles se olharam e Bill soltou um risinho, imaginando por um momento a cena. Tom não era muito diferente de si, o que tornava a cena ainda mais engraçada.

– Quer um chocolate quente? – Tom perguntou. Ele sempre fazia isso para seu amigo quando ele estava chorando e lamentando em seu ombro.

– Eu não estou triste, estou com raiva daquele desgraçado. Então, cerveja combinaria mais.

Tom apenas riu e começou a dobrar a jaqueta e o outro mais novo revirou os olhos com um sorriso. No início ele tinha raiva dessa obsessão por arrumação, mas agora Bill só conseguia achar graça.

– É, isso aí. Vamos sair! – Bill deu um pulo do sofá, chamando a atenção de Tom.

– Vamos? – Tom perguntou um tanto chocado.

– Sim, eu e você. – Bill respondeu assim que pegou sua bolsa no sofá. – Vou tomar um banho e quando voltar, você vai me levar para algum lugar que me faça esquecer aquele idiota.

– Só se eu te levar para o meu quarto. – Tom brincou e escutou o riso do amigo ecoar no corredor que lhe dava caminho para o banheiro.

Não demorou muito para que ambos estivessem arrumados. Bill estava elegante como sempre, usando roupas de grifes internacionais sempre um pouco sombrias enquanto Tom usava algo mais despojado e as vezes até esportivo, mas que de alguma maneira o deixava tão bem vestido quanto Bill. Tom pegou as chaves de seu carro, rodando o chaveiro no dedo indicador e em pouco tempo lá estavam eles pedindo uma bebida no bar da boate em que costumavam ir. Tom tinha um uísque duplo e Bill uma piña colada.

– Eu adoro essa música. – Bill comentou, começando a mover os quadris. Era “Rabiosa”, da Shakira. Sensualidade e ritmo, ambas coisas que combinavam com Bill.

Tom riu e puxou o amigo para a pista de dança, já que eles estavam lá para se divertir e fazer com que Bill se esquecesse de qualquer Adam que já existiu em sua vida. Bill ergueu a mão que segurava sua bebida e começou a se mover mais, rebolando sensualmente. Tom riu e tomou um gole de seu uísque antes de levar a mão livre para as costas do outro e puxá-lo para si. Nenhum dos dois se importava com isso – mesmo tendo a perna de seu amigo no meio das suas – na verdade, eles gostavam da proximidade e das brincadeiras sexuais. Era divertido, nada além de o que melhores amigos fazem.

Bill cantarolou, bebendo mais um pouco da piña colada e Tom sorriu quando começou a pegar o ritmo dos quadris do amigo. Em meio à dança cheia de risos e pequenos goles das bebidas, sem querer o olhar de Tom capturou uma cabeleira loira familiar no outro lado da pista. Era Natalie, sua namorada, com outro cara. Beijando outro cara. Bill sentiu o corpo do amigo tornar-se tenso sobre seus dedos e franziu a testa quando se afastou um pouco.

– Tom, alguma coisa errada? – Bill parou de dançar, preocupado com a mudança repentina do amigo.

– Ela... Como ela...?

– Ela quem? – Bill perguntou, se virando para olhar na direção em que o outro olhava. Não demorou muito para que ele entendesse o que estava acontecendo. – Oh, meu Deus! Não acredito que essa vadia- Eu vou arrancar cada fico desse cabelo mal pintado. Vagabunda!

Tom segurou firme o braço de Bill, impedindo-o quando ele tentou ir até Natalie para confrontá-la. Seria pior para todos se o amigo fizesse algo ali. O que a mulher demonstrava é que não merecia nem a raiva que Tom sentia dela.

– Eu não preciso que toda essa gente fique sabendo que eu sou um chifrudo. – Tom sussurrou, desviando seu olhar da cena da traição.

Bill parou no exato momento e olhou ternamente para seu amigo. Tom não era sentimental, mas vê-lo daquela maneira partia qualquer tipo de coração. Até um coração momentaneamente sexual como o de Bill.

– Eu sinto muito. – Murmurou.

– Vamos sair daqui. – E assim ambos deixaram a boate.

Foi Bill quem dirigiu de volta dessa vez e eles ficaram calados todo o tempo. Na verdade, não havia muito que dizer e eles não se importavam com o silêncio, era confortável. Quando chegaram, Bill pegou duas garrafas pequenas de Heineken da geladeira e entregou uma para Tom. Ele se sentou no sofá ao lado do amigo e interrompeu o silêncio que já se tornava incômodo.

– O que você vai fazer? – Bill sentou-se de lado, observando Tom que bebera uma boa parte da cerveja de uma única vez.

– Não sei. – Deu de ombros. – Terminar, não é?

– Você não vai xingá-la? Falar o que viu? Não entendo como você pode estar tão calmo, se fosse eu...

– Eu realmente gostava dela. Ainda gosto. Mas já gastei muito do meu tempo com ela, que não merecia. – Tom deu uma pausa para beber mais um pouco. – Quer saber?! Não vou gastar meu tempo com mais ninguém. Relacionamentos nunca dão certo no final. Agora é o Adam e a Natalie, e depois, quem serão os próximos?

Bill bebeu o primeiro gole da cerveja e refletiu sobre as palavras de Tom. Ele estava certo. Agora era Adam e Natalie, cenas que se tornavam cada vez mais “comuns”. Era só uma questão de tempo até que o ciclo se repetisse.

– Você está certo. – Concordou. – Não não precisamos de mais ninguém.

– Temos um ao outro.

– Isso aí! Sem namoro? – Bill propôs, erguendo a garrafa.

– Sem namoro. – Tom concordou, batendo sua garrafa com a do outro.

Não existia Adam, não existia Natalie e não existia mais ninguém. Enquanto eles tivessem seu melhor amigo ao lado, era o suficiente.

Notas finais
E então, o que acharam? Nos digam por um review! Indicações, algo? Até mais!