Friends, Loves, and Problems
3 Problemas
O diretor chato me deixou e foi embora para a felicidade dos meus ouvidos. Continuei conversando com as meninas, descobri que July era a única nascida e criada realmente nativa dos Estados Unidos. Mary e Maah vieram ainda pequenas com os pais. Elas moravam perto a universidade, moravam na mesma rua. Se conhecem desde o fundamental. Contei um pouco sobre mim e minha história melo dramática que daria um ótimo filme de quatro horas sobre o nada.
– Desse jeito me sinto excluída do clube. – resmungou July pelo fato de sermos brasileiras, o que de fato nos fez rir.
– Não se sinta excluída. É normal achar isso. Pior somos nós aqui aonde é quase impossível encontrar outros brasileiros. –respondi
– Verdade.
Tivemos umas três aulas até dar o sinal do intervalo.
Parecia realmente uma coisa idiota imaginar que o “ensino superior é ótimo e magnífico, e que a pior parte disso é a prova”. Evidente que não, se maravilhoso significa no primeiro dia de aula ganhar quatro livros enormes pra no outro dia levar um resumo meu deus eu estou no paraíso.
– Não sei vocês, mas eu não entendi nada sobre aquele assunto de lado direito é pro lado esquerdo, e esquerdo pro outro. Ah! – disse Maah se enrolando toda.
– Amiga isso é parte de cérebro e eu tenho certeza que tu não vai querer ser dessa área, não sei nem porque fizestes medicina! – retrucou July – da última vez que você viu sangue em grande quantidade na tua frente só faltastes cair pra trás.
Rimos alto.
– Isso é verdade. – completou Mary.
– E você Lully? Por que decidiu fazer medicina?
– Eu escolhi pelo fato de amar estar cuidando das pessoas de todos os modos.
– Ai que discurso chato.. – Mary falou mexendo a mão como se fosse uma boca.
– Avá! Vai dizer que você não tem desejos na medicina, ou fez esse curso por livre e espontânea pressão? – perguntei.
– Claro que gosto de medicina. Mas escolhi pelo fato do curso me despertar interesse e não porque amo cuidar das pessoas e futuramente eu vou ajudar os mais necessitados na hora de aflição. – respondeu fingindo ser a mocinha indefesa dos contos de fadas o que nos fez rir bastante.
– Concordo com a Mary. – disse July enquanto tentava engolir um enorme pedaço de lanche.
– Enfim. Chega de papo e vamos voltar pra sala porque ainda tem muita gente chata pra falar sobre esse negocio de cérebro e eu ainda tenho que tentar aprender isso. – Maah falou se levantando da mesa e indo levar os descartáveis no lixo.
– Calma amiga. Hoje ainda é o primeiro dia. Só piora depois da semana que vem! – confortou Mary que nos fez rir alto de novo.
Andávamos em direção a sala até que enxergamos de longe o “famoso, charmoso, e delicioso” (to zuando na parte do delicioso). Ele parecia estar feliz em ter nos visto e despediu-se dos garotos com quem estava conversando.
– Oi. Lully não é?
– Sim sou eu. – percebendo que ele queria falar comigo as meninas se despediram e disseram que me veriam mais tarde na sala.
– Diga o que você quer? – exigi.
– Eu ainda me sinto mal por ter ti derrubado na frente de todo mundo do campus e quero me redimir. Como prova disso quero saber se você aceita o meu convite para assistir um filme e tomar sorvete comigo?
– Olha aqui garoto. Acha que eu sou igual a essas vagabundas que você pega a qualquer hora, acha que basta só pedir pra sair que eu vou aceitar de primeira? Eu não sou do tipo que sai com alguém porque essa pessoa tem pena de mim. Pois agora convide outra garota que eu não quero nem olhar na sua cara seu idiota. – respondi quase voando um soco na cara daquele idiota – E sai da minha frente!
– Ok! Desculpa ae marrentinha, mas eu pensei que você não fosse tão revoltada. Até porque não tem motivo, nem gata e gostosa você é.
Aquilo foi o ápice. Não descuidei e dei um baita tapa no rosto dele. Tinha algumas pessoas por lá que ficaram perplexas com a situação, até ele mesmo ficou sem entender o que eu fiz.
– A próxima vai ser valendo. – já estava com raiva e acabei falando e fui me embora, pois o sinal já tinha tocado três vezes.
No caminho fui relembrando a cena ultra estranha que tinha ocorrido. Eu sei que já levei fora de outros garotos e já fui zoada também, mas nunca tinha chegado ao ponto de esbofetear alguém como hoje. Aquilo soava estranho e eu sabia que isso ainda ia render muito.
Abri a porta e professor tinha acabado de entrar e ainda tava arrumando o projetor. Corri pra minha cadeira com os olhos vermelhos de raiva.
– Amiga. O que aconteceu? – Maah perguntou?
– Aquele idiota do Brad acha que vou aceitar sair com ele, pois ele está com ressentimentos depois de me jogar no chão mais cedo. Mas ele não pode. Não pode. – resmunguei olhando para o caderno.
– Amiga. Calma. Por favor! Respira e nos conta o que aconteceu. – disse July tentando me confortar.
– Ele chegou comigo, disse que estava arrependido por ter me derrubado e como prova disso queria sair comigo pra se desculpar. Aí eu surtei. Tudo bem que eu não sou lá aquelas coisas, mas me convidar pra sair só porque está com sentimento de culpa é terrível e ridículo. Foi então que ele virou pra mim dizendo que não sabia por que eu tinha rejeitado o pedido já que eu não era tão “bonita assim” – fiz aspas com os dedos – Acabou que a raiva subiu e eu larguei a mão na cara dele na frente do pessoal que tava lá no refeitório.
– Amiga!
As três já estavam caindo na gargalhada, mas o professor mandou a gente calar a boca porque a aula já ia começar e ele não gostava de barulho.
– Como você pode fazer isso? – Mary sussurrou.
– Eu não sei. – sussurrei junto – só fiz e pronto.
– Caraca! Agora eu tenho certeza que o campus todo vai falar sobre isso a semana inteira. – completou Maah. – Minha irmã disse que da vez que pegaram um professor no maior pega – pega com uma aluna na sala ele virou assunto por quase um mês.
Eu, Mary e July ficamos espantadas com a notícia. Eu sabia que não seria ruim sair com um garoto bonito como o Brad, mas sair porque a pessoa se sente com uma dívida com você é o pior motivo pra se sair com alguém.
(Sinal Avisando que as aulas haviam terminado)
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