Friends
4 Tá certo, tudo pode piorar ainda mais
Notas iniciais
Clary Rodriguez obrigada pela recomendação *-*
Eu estava cansado de não obter nenhum tipo de resposta, então lancei um olhar significativo para Bia, que apenas sibilou as palavras : 'Aguarde'.
Aguardar? Como assim aguardar? Eu não aguento passar nem mais um segundo perante a essa mesa vendo Bia e seu namorado trocarem carícias nada discretas aqui.
– Bianca? — A chamei interrompendo um beijo bem intenso dos dois — Será que você poderia nos contar o que tem de tão importante?
– Ér... — Ela parecia bastante insegura, o que não aliviou a tensão — Hm... primeiro de tudo, Leo e eu estamos noivos. — Isso apenas fez com que meu pai arregalasse os olhos e minha mãe sorrisse torto, como se já esperasse essa notícia.
– Ok, entendemos. Em breve nós teremos uma troca de alianças... -Respondi — êêê posso ir agora?
– Espera aí menino! — Gritou Leo. Quem aquele projétil de duende pensa que é para me mandar esperar? — A segunda informação pode chocar um pouco vocês, ou pode deixá-los felizes, depende do ponto de vista de cada...
– Eu estou grávida! — Disse Bianca interrompendo a ladainha de seu namorado. Eu pensei que todos fossem dar de ombros e prosseguir com o jantar, mais para a minha surpresa, a cena foi ainda mais engraçada.
Papai engasgou com a comida, e mamãe tentava fazer o camarão descer goela abaixo batendo em suas costas. Quando tudo se acalmou, um fogo vivo inebria de seus olhos. Eles focalizaram Leo, que sorrio desconcertado, como se esperasse uma chance para fugir dali.
– Quer dizer... — Dizia Sr. Hades passando os dedos pela mesa, em sinal de curiosidade — Que, além de arrancar a minha filha de mim a levando para aquela universidade inútil, você a engravida e ainda pede a mão dela em casamento? Você quer tirar Bianca de mim, rapaz?
– Querido... — Murmurou mamãe — Lembre-se de que meu pai lhe disse a mesma coisa. Bianca deve estar apaixonada por esse menino... — Tal frase que me fez rolar os olhos.
Paixão. Quem precisa de paixão? Na maioria das vezes ela só serve para atrapalhar a sua vida e te deixar ainda mais confuso. Com isso ecoando sobre minha mente, tudo vagou até ontem na praia, o que me fez pensar se estaria apaixonado. Tirei todas as hipóteses da minha cabeça.
– Com licença... — Pedi de forma educada. Quero dizer. Da melhor forma educada que consegui — Eu quero e preciso ir dormir. Amanhã eu tenho aula... — E então me retirei da mesa, rumo ao meu quarto.
POV Melany
Eu havia chegado em casa e estava pronta para a festa. Ainda não estava acreditando que tinha tomado coragem e beijado o menino novo. Quero dizer, eu havia acabado de conhecê-lo, e você definitivamente não pode sair por ai beijando um desconhecido. É... estranho.
Ignorei meus pensamentos idiotas e entrei em casa receosa. Meu pai estava sentado em sua habitual cadeira camuflada, com sua gravata borboleta preta, que dava o perfeito contraste ao seu lindo smoking. Ele fixou seus olhos castanhos cansados em mim e abriu um lindo sorriso. Eu imitei seu gesto.
– Filha... cadê o vestido que você foi comprar? — Perguntou-me.
– Sabe o que é... é que na ida, eu fui meio que atropelada. O dono do carro me levou ainda desacordada para uma casa de praia e cuidou de mim lá, sabe? E acho que ele não pegou minha bolsa, por isso não pude comprar o vestido.
Qualquer pai sã, pensaria que a filha estava mentindo e a castigaria, deixando-a um mês sem o computador ou a televisão, mais o meu pai acredita em tudo o que eu lhe disse. Nosso relacionamento provém da confiança, o que temos de sobra.
– Então... você precisa encontrar um vestido rápido. São sete da noite e a festa da minha empresa só começa as nove. Até lá acha que dá pra se arrumar?
– Claro que sim pai... — Disse ajeitando a sua gravata — Essa coisa de mulher demorar um século para se arrumar tem virado bem clichê não acha?
– Tem razão... — Suspirou — Esqueci que minha filha não é clichê. — Com isso, ambos sorrimos.
Minha melhor amiga Jenny, havia me emprestado um vestido que a tempos a mesma não usava. Meu cabelo estava solto em belíssimos cachos e minha maquiagem estava mais leve possível.
– Você está linda... — Foi o que meu querido pai sussurrou antes de, praticamente me empurrar até o salão de entrada.
Naquele momento, eu me senti a Cinderela. Em uma sociedade totalmente alternativa, sem quase ninguém que te compreendesse e assim se sentindo deslocada.
Caminhei até onde os amigos de meu pai conversavam, e... hey! não me chame de enxerida ou nada, mais não pude evitar ouvir a conversa de tais. Eis que na maioria das vezes, não saber, é a melhor opção.
– ... mais Dan! Minha filha praticamente cresceu nessa cidade. Não acha que é bastante injustiça levá-la daqui a força? — Começara meu pai.
– Mel já está grandinha Carlos... acho que já intende que é pelo seu trabalho. Ser um arquiteto requere esforços e sacrifícios. Você se esforçou a sua vida inteira, agora vem a pior parte : Sacrificar. É por apenas um ano. Em Nova York existem oportunidades melhores para artistas ocultos como você. Muitos dariam tudo para estar em seu lugar agora. — Explicou Dan ao meu pai.
– Bem... — Ele suspirou — Se isso me fizer crescer mais... eu aceito.
Do pouco que compreendi, eu teria que me mudar imediatamente para a grande cidade Nova York. Meu pai não teria escolha se quisesse expandir seu negócio e eu, como a boa filha que sou teria de segui-lo. Uma maravilha! (sentiu a ironia?).
– Com licença... — Alguém sussurra em meu ouvido — Podemos dançar? — Me virei, aponto de ver um lindo meninos dos olhos verdes me encarando. Seus cabelos loiros caiam desajeitadamente sobre seus olhos, e seus sorriso desconcertado deveria encantar todas as meninas da cidade.
– Claro... — Segurei sua mão que já estava estendida a mim, em quanto o mesmo me guiava pelo enorme salão — aproposito, meu nome é Melany, mais pode me chamar de Mel.
– Meu nome é Steve. Acho que não tenho apelidos... — Com essa nós dois rimos e voltamos a dançar.
Naquela noite, Steve me contara praticamente toda a sua vida. Me contou sobre como o seu pai virara arquiteto da noite para o dia, utilizando apenas uma cafeteira e um caderno de desenho. Me fascinei pela sua história. Ao final de noite, nós dois nos despedimos com míseros beijos nas bochechas, e trocamos telefones, claro.
[...]
No dia seguinte, minhas malas já estavam feitas. Lágrimas escorriam por todo o meu rosto, e eu tentava em vão, devo dizer, convencer meu pai a ficar. Não adiantaria de nada ter fama e fortuna, se não estivesse feliz. Ele sempre tentava me reconfortar, dizendo coisas como : 'pense bem filhota... será apenas por um ano', ou 'eu prometo que terá todo o doce que quiser durante um mês', mais nada me animava. muito menos considerando o fato de que não veria mais meus amigos.
[...]
Já havia anoitecido quando terminamos de arrumar a nova casa. Confesso que ela era extremamente linda. As janelas, as cores, as portas... tudo de uma forma perfeita e única. Meu quarto estava como eu sempre sonhei, mais com um porém. Não no lugar que sempre quis.
– Mel! — Me gritou o arrasador de sonhos, mais conhecido como meu pai, do primeiro andar. — Será que você poderia comprar algumas lâmpadas?
– Claro... — Respondi desanimada.
Apesar, de estar escuro e de eu estar com certo medo, eu fui comprar as lâmpadas para meu... hm... pai. Caminhava distraidamente, com os objetos nas mãos, quando sinto algo me pressionando para baixo. Não era algo, era alguém. Essa pessoa e eu, fomos de encontro ao chão.
– Melany? — Me perguntou.
– Nico? — Lhe perguntei. Eu não podia acreditar que, diante de meus olhos, o garoto da praia se encontrava aqui. Com o estilo misterioso, que mesmo assim o tornava lindo, ele estava ali.
– Pensei que nunca mais fosse te ver... — O dito cujo murmurou e veio correndo me abraçar. A força absurda usada, queria deixar bem claro que sentira a minha falta.
– Eu também... — Sussurrei em seu ouvido sem quebrar aquele ninho carinhoso que havíamos formado — Podemos conversar em outro lugar? Está escuro, e não gosto de vagar por ai a noite.
– Uma de nossas diferenças. Eu amo caminhar a noite! — Ele disse sorrindo e imitei seu gesto.
Começamos a conversar em quanto nos dirigiamos até nossas respectivas casas. Em poucos minutos, estávamos de frente para as mesmas, que por incrível que pareça, ficavam lado a lado. Era tanta conhecidência, que até a varanda de nossos quartos se interligavam. Não sei porque, mais coramos ao saber disso.
– Boa noite Nico. — Quebrei o silêncio.
– Boa noite Mel. — Respondeu sorrindo.
Entrei em casa lentamente, a ponto de ver meu pai terminando de cozinhar o jantar. Assim que me viu sorrio de forma protetora e me convidou a ajudá-lo. Lhe entreguei as lâmpadas, que foram rapidamente instaladas.
Jantamos, conversamos e dissemos tudo o que nós esperávamos para esse ano. Eu queria muito reencontrar Nico outra vez, mais não pude pensar nisso, porque aos poucos o sono foi tomando conta de mim. Depois de uma troca de 'boa noite', subi as escadas caindo em minha cama. Amanhã eu teria meu primeiro dia de aula, e teria de estar preparada para isso.
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