Friends
5 Certo, acho que tenho um encontro
Notas iniciais
POV Melany
Acordei exausta. Pensei seriamente em matar aula hoje, mais pensei que isso seria uma tremenda idiotice para quem quer se ajustar. Entrei de baixo do chuveiro deixando com que a água trabalhasse em meu corpo. Minha mente vagou para todos os momentos bons da minha cidade, e me apavorei em pensar que eles não voltaria tão cedo.
– Filha? — Perguntou meu pai, fora do quarto obviamente. Desliguei o chuveiro e me enrolei em uma toalha.
– O quê? — Perguntei saindo de lá e adentrando o quarto.
– Você não pode se atrasar no seu primeiro dia. — Rolei os olhos — Estou te esperando no andar de baixo.
– Tá! — Gritei indiferente.
Coloquei a primeira roupa que vi em meu armário e a vesti de qualquer jeito. Sequei meu cabelo rapidamente, odeio quando ele fica molhado. Fiz uma maquiagem levíssima e desci as escadas.
– Hm... Mel você vai para a escola, não pra um encontro. — Rolei meus olhos e sentei-me na mesa. — Hoje eu te levo na escola, mais tente gravar o caminho está bem? — Assenti voltando a atenção para a pilha de panquecas em minha frente.
Depois de tomar meu reforçado café-da-manhã, peguei minha mochila e segui até meu carro. Por favor, não me pergunte o modelo do carro do meu pai. É um carro grande, lindo, conversível e chique, mais eu simplesmente não intendo nada de carros.
Ele conduzia as ruas com cautela, em quanto eu tentava memorizá-las em minha mente. Assim que ele estacionou, percebi que não era lá tão longe de casa. Dei um leve beijo na bochecha do mesmo, ele me desejou boa sorte e então eu entrei na escola. 'tudo dará certo hoje', repetia para mim mesma.
Fui até a sala da diretoria e a assistente me entregou o meu horário. O primeiro era física, a matéria que eu mais abominava. Ótimo! Comecei bem o dia, não? Segui até a minha sala, confiante de que tudo sairia perfeitamente bem.
Me sentei em uma das últimas cadeiras da sala, ficando ao lado de uma menina loira.Seus cachos eram perfeitos e os olhos cinzas tempestuosos. Ela vestia um vestido que chegava aos joelhos, rosa pink, com um bolero por cima, jeans. Sandálias gladiadoras, e por isso deduzi que ela seria a rainha de toda a escola. Bem, sabe aquele velho ditado de... nunca julgue um livro pela capa? Ele com certeza se aplica aqui. Ela é bem nerd.
– Com licença... — Ela me chamou. Virei-me em sua direção com um mísero sorriso no rosto — Você é nova aqui, não?
– Sim... — Eu disse sorrindo — vim da... — E então reparei novamente em suas feições. Eu conhecia aquela menina. Annabeth! A garota da praia — Você é a Annabeth não é?
– Melany? — Arriscou. Assenti levemente corada. Ela havia se lembrado de mim desde o início, tanto que até tomou a iniciativa, em quanto eu estou a pensar que ela seria uma das demais fúteis da escola. — Qual a sua próxima aula? — Perguntou ciente de que o horário já iria bater.
– História... — Respondi verificando meu horário.
– Ah... — Ela respondeu desanimada — Eu tenho química. Thalia faz história agora, junto com o Nico... — Eu abaixei a cabeça para que ela não percebesse que eu havia corado.
– O-obrigada. — Gaguejei e então o sinal bateu. Eba! Salva pelo gongo! Corri sem olhar para trás até a minha próxima aula.
Não era muito diferente da sala de física. As cadeiras estavam em péssima estado de conservação, os alunos faziam de tudo antes de o professor chegar a sala e eu procurava a cadeira mais afastada de todos possível. O de sempre. Sentei-me na mesma localização da aula passada, e ao meu lado estava Thalia sorrindo em quanto trocava mensagens de texto.Deveria estar falando com Luke, deduzi.
O professor entrou na sala e começou a conversar sobre mitologia grega. Zeus, Poseidon, Hades... depois sobre Urano, Netuno... e também sobre Osíris, Irís... o que eu, certamente não via diferença.
– Hm... Mel né? — Ela perguntou voltando-se para mim.
– É... — respondi sorrindo — Thalia... — Murmurei — Você está entendendo alguma coisa que esse professor está falando? Eu não gosto de mitologia grega.
– Hm... eu adoro. Eu e meus primos, principalmente o Nico. E o professor só está explicando a história do nascimento dos deuses. Aquela coisa de Cronos comer os próprios filhos, coisa fácil. Se quiser depois eu te ajudo com a matéria. Ou o meu primo... — Qual é, com certeza foi uma indireta — Até os nossos nomes estão interligados aos heróis gregos.
– Eu percebi... — Murmurei constrangida. Eu havia acabado de praticamente humilhar a origem da família dela, em sua frente.
– Não liga pra isso... -Ela voltou sua atenção para o celular
– O horário já, já vai acabar, contanto, hoje é aula dupla né? Vamos ter que aguentar essa ladainha um pouco mais. — Eu sorri.
Os três primeiros horários já haviam se seguido, e eu estava pronta para ir pra casa. Eu não queria passar um minuto sequer nessa escola... eu não conhecia ninguém, aqui, tirando aquelas pessoas da praia. Andava desgovernada pelos corredores da escola, em busca do refeitório quando sem querer esbarro em alguém.
– Desculpa eu... — Comecei me levantando. Eu havia caído em cima de um garoto, mais ele era bastante familiar. Ele era... Steve. Como eu não pude o reconhecer antes?
– Melany? — Ele perguntou sorrindo — Foi obrigada a vim pra Nova York também?
– Pois é... — Respondi — Isso não é chato? Quero dizer, nossa vida inteira está na Karolina do Norte... sinto falta da Califórnia... — Suspirei voltando a andar, ciente de que ele estava me seguindo.
– Eu também estou morrendo de saudades de lá... — Ele respondeu e um silêncio se instalou entre nós. Apenas o barulho de nossos passos ecoava sobre o local, até que meu acompanhante resolve o quebrar
– Hey! Que tal se a gente ir lá no final de semana? Podemos... matar as saudades.
– Hm... — Fingir pensar — Acho que meu pai me deve essa. — Ele sorriu mais ainda — Hãm... eu provavelmente vou almoçar sozinha, então... quer sentar comigo? — Seu sorriso se iluminou.
– Com certeza.
Nós dois nos sentamos em uma mesa no canto superior da sala. Comprei um sanduíche de queijo e uma latinha de coca, em quanto ele comprou apenas um doritos. Começamos a comer em quanto conversávamos, até que sinto alguém me cutucar nas costas.
– Mel, pensei que fosse sentar com a gente. — Disse Annabeth. Ela estava em uma mesa ao lado da nossa, com muitas pessoas. Entre elas estavam todo o pessoal da praia.
– Oi gente... — Acenei — Hm... desculpe-me, mais eu conheci Steve esses dias e ele também foi forçado a se mudar... então acho que seria melhor nós ficarmos juntos no primeiro dia.
– Entendo... — Murmurou Thalia desanimada voltando a beijar seu namorado. Eu sentia o olhar fixo de Nico em mim, mais tentei ao máximo ignorá-lo. O que eu menos precisava era de... esqueça.
Após o tedioso dia de aula, Steve, como é bastante cavalheiro, se ofereceu para me levar em casa. Como estava sozinha não recusei, em bora Annabeth me oferecesse uma carona e eu recusara. Eu precisava caminhar um pouco, arejar a cabeça e esquecer de tudo.
– Você não pode deixar a mudança abalar você... — Ele murmurou em quanto andávamos. — Eu vou te animar.
– Como? — Perguntei curiosa.
– Podíamos ir ao cinema. — Sugeriu em quanto eu abria a porta de casa — Você topa?
– Ahn... sim. — Ele sorriu — Quer entrar?
– Não, não... eu preciso ir pra casa. Até amanhã. — Ele se despediu de mim vindo em minha direção. Eu sinceramente pensei que ele me daria um simples beijo na bochecha, mais em vez disso me deu um rápido selinho.
– Tchau... — Disse antes de se virar.
Nova York já se mostrou ser uma cidade bem convidativa. Recapitulando que eu tinha amigos, um encontro, um quase namorado... e um menino que eu achava bonitinho. É, eu posso superar.
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