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46 Cafés Na Praia?


Notas iniciais
Boa Leitura *U*

Ponto de vista do John

Acordei somente à noite, já que precisava dormir por causa daquele remédio estupido e o chá me ajudou a melhorar, não estava 100%, mas estava 60% melhor, o que poderia levantar e aproveitar os dias com a Kathie, na praia. Saí do quarto e fui em direção à sala, mas não tinha ninguém lá. Nem na cozinha e nem no quarto do andar de cima onde fica a varanda. Fui novamente para a cozinha e vi que tinha sobrado o chá que tomei antes de dormir, coloquei numa xícara e tomei mais um pouco.
— Já está melhor? – Morgana aparece do nada, segurando uma bandeja com seis cafés
— Sim, a sua mãe fez um ótimo chá – Sorri bebendo mais um gole.
— Que bom, quer ir comigo pegar mais café na cafeteria que tem aqui? Não é longe, mas sabe é de noite já e – Ela parou de falar e encarou a bandeja — Você sabe.
—Sim sim, te acompanho. Só me deixe trocar de roupa porque estou com essa desde manhã e – Parei de falar e dei o ultimo gole do chá — Você sabe. – Pisquei para ela e fui de volta para o quarto. Coloquei uma blusa branca sem estampa nenhuma e uma bermuda verde escuro com um chinelo azul. Encontrei a Morgana na varanda ainda com a bandeja — Vamos?

Quando passamos pela porta da frente, peguei a bandeja dela e perguntei por que não jogou fora e por que os cafés se eles estavam na praia.
— Nessa cafeteria, se você levar de volta tudo, você ganha um desconto e ajuda a manter a praia limpa. E não precisa o lugar ser frio para beber café, não existe nem hora e nem lugar para não beber café.
— Eles usam esses copos para limpar a praia? – Sorri e ela deu uma risadinha de leve, mas não me pareceu forçada.
— Eles reutilizam os copos e as bandejas, assim não gastando o lucro para comprar copos novos e sim para pagar a limpeza da praia, mas é claro que eles limpam muito bem os copos. Eu acho isso muito legal da parte deles, sabe, cuidar do ambiente. – Ela sorri com a cabeça baixa e encarando o chão enquanto caminha.

Ela falou sobre como adorava essa casa, mas seus pais pensaram em vender pois era muito gastos manter, ainda mais com os donos longe apesar de quase todos os finais de semana eles passam aqui. Chegamos à cafeteria, realmente não era longe, mas era perigoso já que ficava perto de um beco e uma rua sem saída. Entramos na loja e parecia que todos já conhecem Morgana, fomos recebidos com sorrisos honestos da atendente que perguntou quais tipos de café gostaríamos e do tamanho dos copos.


Quando fomos pagar, devolvi as bandejas e dei o dinheiro do café já que Morgana estava ocupada demais lendo as manchetes das revistas expostas e a moça do caixa me deu um papel com o número do celular, com o nome e o troco. Sorri para Cassie e guardei o papel na bermuda, já que seria muito ignorante da minha parte eu jogar o papel fora na frente da garota.

No caminho de volta, Morgana começou a fazer pergunta referente à Kathie, a nossa amizade e agora, o nosso namoro.
— Então como eu já tinha adivinhado, você gostava da Kathie desde sempre
— Não desde sempre – Menti
— Quando a gente estava junto, você gostava realmente de mim? – Ela parou de caminhar e eu também, ela me encarou um pouco vergonhada
— Sim, eu gostava de você, mas quando você terminou o nosso namoro pensei que era por causa da Kathie. – Falei hesitando um pouco — E não por causa da Jenny — Sorri e torcendo que Morgana levasse a brincadeirinha numa boa, o que aconteceu.
— Você foi trocado por uma garota – Ela riu — E você que me apresentou a ela basicamente. Vocês eram amigos e ela virou minha amiga.
— Droga, nunca mais apresento a minha namorada para uma amiga. Vai que acontece de novo? – Era bom ouvir a risada da Morgana, ela ri de um modo meigo. Acho que era por isso que quando eu a namorava adorava a fazer rir.

Ponto de Vista da Kathie

John chegou com a Morgana na praia em frente à casa com mais uma bandeja de café. Fui até ele e o abracei, perguntando se estava bem. Com a resposta positiva deixei um pouco de lado o meu namorado e me concentrei no sabor e aroma do meu café, era o melhor café que eu já provei. Era intenso com um beijo, mas era suave como um picolé no final da tarde no parque.

Observei Lana para ver se ela estava na sua personalidade e estava. Vi por causa da sua maneira de tomar o seu café, pegou o copo delicadamente e não tão depressa, firme e confiante. Era ela. Observei também os pais da Morgana, a mãe dela olhando as estrelas e o pai cuidando atentamente Rachel construindo seu castelinho de areia com uma pá rosa. Morgana parecia preocupada, olhava o mar e as ondas quebrando como se quisesse que elas se quebrassem tudo de forma igual. E por ultimo, encarei o John que estava com um olhar longe, olhava o reflexo da lua na água.

Depois de terminar o meu café eu e o John fomos dar uma caminhada pela areia. Demos as mãos e começamos a conversar. Ele começou falando da série e dos personagens que não deviam morrer. Entramos no assunto futuro. O que queríamos e o que esperamos dele.
— Então, você não sabe o que fazer? – John pergunta para mim
— Não mesmo, não me vejo fazendo algo. Nem sendo mãe – Falei de cabeça baixa, não é que eu não queria ter filhos, mas eu não me via sendo uma boa mãe. — E você, tem certeza que quer ser veterinário?
— Não, não tenho certeza. Sei que quando eu era pequeno, ia para a fazenda dos meus avós para cuidar dos animais e adorava fazer isso, ainda gosto, pena que nunca fui para lá novamente
— Por quê?
— Bom, porque meu vó acabou se matando na fazenda por causa da morte do meu pai, aí minha vó vendeu a fazenda junto com os animais.
— Ok, minha pergunta foi muito estúpida, me desculpa. Sério, você não deveria ter me contado
— Ta tudo bem Kathie. – A gente caminha mais um pouco, até um garoto que veio correndo trombar no John o fazendo cair.
— Desculpa cara, não te vi – Disse o garoto olhando para o John com um sorriso sinistro
— Ei eu conheço você – Falei franzindo a testa, mas o garoto correu —Deve ser um engano, pensei que aquele garoto era o Garoto Loiro, mas isso está fora de cogitação, não é?
— Sim, eu espero.

Voltamos para a casa, onde todos já estavam na cozinha, à mãe de Morgana estava cozinhando e o resto estava na sala falando e assistindo o noticiário.
— Kathie? Você poderia pegar meu shampoo? Está no quarto – Falou através da porta. Fui até o quarto dele, acendi a luz e fui procurar na mala. Abri a mala e tinha um papelzinho embrulhado, abri o papel e li em voz alta
— Cassie 3965-2547 – Peguei o papel e o shampoo. Bati na porta e apareceu a mão do John —Por que você não pediu para Cassie? – Perguntei, só ouvi o John falando num tom baixo repetindo o nome e saí. Fui para o meu quarto e ouvi a mãe de Morgana avisar que logo a janta estará servida.

Me tranquei no quarto e sabia que John ia vir atrás de mim, destranquei a porta e saí do quarto, fui até a porta de trás da casa e fiquei na varanda. Era um ótimo lugar, apesar de não ficar de frente pro mar. Deitei na rede que tinha lá e fiquei olhando para o teto. Se ele me amasse ele teria jogado fora. Quem é Cassie? Onde ele conheceu? E POR QUE DIABOS ELE TEM O NÚMERO DELA COM CORAÇÃOZINHOS NO PAPEL?

Não demorou muito para ele me achar, ele estava ofegante. Pareceu que ele procurou pela casa toda atrás de mim, mas ainda estava com cheiro de sabão, então estava ofegante por causa do banho tomado e da rapidez que se trocou. Ele não falou nada, só sentou do meu lado e baixou a cabeça. Aquele silêncio estava me matando,
— Por que você está aqui? – Arrisquei
— Porque você está aqui
— Por que não está falando?
— Porque você estava em silencio
— Por que não está se desculpando? – Ele ficou quieto, eu imaginava que ele estava pensativo, mas não tinha certeza. Não queria olhar para ele. John ainda não respondeu, apenas se levantou e sorriu para mim. Saiu da varanda e fechou a porta. Fiquei sozinha novamente e no escuro. Passou algumas horas e Lana veio correndo a procura de mim, gritava o meu nome, mas não respondi nenhuma vez. Ela me achou e com a respiração acelerada conseguiu falar
— O John, ai espera estou muito cansada – Ela se sentou ainda tentando resgatar a energia que usou para me procurar — O John quer te mostrar – Ela se levanta — Ele quer te mostrar algo, vai lá na frente garota!

Quando Lana saiu eu demorei alguns segundos para levantar da rede. Atravessei a casa inteira para ir lá fora, na frente de casa. Encontrei todos numa fileira olhando para mim, Rachel estava com um radinho de pilha, tocava uma música calma, tranquila. Passei por todos que sorria, isso estava me assustando, porém continuei a caminhar. Quando eu vi lá perto do mar, só consegui dizer
— Eu o amo

Notas finais
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