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47 Último Barulho
Notas iniciais

Ponto de vista do John
Vi ela chorando, não queria que ela chorasse no nosso primeiro encontro oficialmente. Preparei uma surpresa para ela, com uma mesa e comida preparada por mim em frente ao mar. Ok, eu confesso, sempre quis um jantar assim. Tinha tudo planejado desde os treze anos. Sou um bobo apaixonado. Queria fazer esse jantar, mas a coisa que eu mais queria era poder jantar exatamente assim com a Kathie, minha namorada.
Ela veio até mim, ainda com poucas lágrimas percorrendo o seu rosto. Sorri para ela meio nervoso, puxei a cadeira para ela se sentar e empurrei para ajeitar. Sentei do outro lado e olhei para a casa, onde Lana estava à espera do meu comando para servir.
— Está com fome? – Perguntei
— Muita
— Nossa que romântica – Ela riu e concordou com a cabeça — Gosto disso em você
— A minha ignorância por não saber ser romântica e apreciar as coisas que o namorado faz?
— Sim, gosto muito disso em você – Ela sorriu envergonhada — Desculpe, não queria que tu ficasse assim
— Deixe quieto, vamos só focar em como está lindo o céu. – Paramos e olhamos o céu, eu analisei o brilho da lua, as ondas do mar e como elas se quebravam, mas eu tinha a melhor vista na minha frente. Encarei ela observando, vi que por mais que ela seja forte, ela era delicada, sonhadora. Logo apareceu a Lana, colocando os pratos de comida na mesa e o refrigerante.
Conversamos nos intervalos de comer e beber, ficamos juntos. Depois de comer, ficamos mais um pouco na mesa, conversamos sobre tudo, principalmente nas coisas do futuro. Quando chegou onze horas da noite, recolhemos tudo e levamos de volta para a casa de praia, lavamos louça e guardamos. Ela foi para o banheiro de cima tomar banho e eu para o banheiro ao lado do meu quarto para fazer o mesmo.
Saí do banheiro e fui direto ao quarto. Me troquei, mas logo apareceu Kathie, estava somente de blusa branca, minha blusa branca. Ela sorriu maliciosa, discretamente se aproximou como não quisesse nada. Mas ai começaram os beijos e fomos para cama beijando. Basicamente namorando. Estava curtindo aquele momento, pensei que ela hesitaria, na verdade pensei que EU HESITARIA. Recuasse e fingisse que não aconteceu nada de mais.
Porém, não foi isso que aconteceu. Felizmente. Continuamos e fomos mais além, ninguém recuou. Ela me beijava sem nenhuma tensão e sem nenhuma culpa por estar fazendo algo proibido, proibido não para nós, mas esse ato nos condena na visão de nossos pais. Kathie parecia que estava determinada, parecia não. Ela ESTAVA determinada a fazer isso. Eu não queria parar, cada beijo e cada toque... Cada sensação. Era novo para nós dois, era extraordinário os sorrisos que ela dava nos intervalos para pegar o folego novamente.
Continuamos, até tirar a minha camisa. Parei olhei para ela, não poderia continuar. Porém ela cochichou no meu ouvido
— Vá ao banheiro, abre a terceira gaveta.
Fiz, fui correndo. Abri a gaveta e bom. Fiz o que tinha que fazer. Voltei para o quarto nervoso. CARALHO, vai acontecer? Ela estava na cama com os olhos fechados e sorrindo para o meu constrangimento não ser tão grande já que estava, hum...NU. Peguei rapidamente a coberta esticada na cama e me cobri. Ela riu.
Ponto de Vista da Kathie
Acordei tão bem ao lado do John. Nunca acordei cedo feliz na minha vida e parece que isso acabou de mudar. Me vesti e saí do quarto. Fui até a cozinha onde só estava a mãe de Morgana. Ela me deu bom dia e avisou que tinha café na cafeteira. Peguei o café e fiz duas torradas. Comi rapidamente que nem senti o gosto da comida. Tomei uma ducha e vesti a mesma roupa. Saí da casa e comecei a caminhar pela areia ouvindo o barulho do mar.
Refleti sobre minha vida, minhas escolhas. Era o melhor momento para fazer isso. Estava tudo muito calmo, não havia ninguém na praia, todos estavam dormindo ou em suas casas pensando no que fazer em pleno domingo. Quando terminei de pensar nas coisas que eu fiz, especialmente a minha decisão de ontem. Pensei no futuro. Ou queria pensar no futuro.
Voltando para casa, encontrei todos tomando sol. Sorri para John que ficou vermelho. Morgana apenas deu uma risadinha. Contei para ela quando a encontrei descendo a escada enquanto eu subia para tomar banho. Pensei em falar para Lana, mas não queria estragar a sua ingenuidade.
Chegou perto das onze horas da manhã e eu e o John decidimos entrar no mar. Voltei a casa e procurei o meu biquíni no andar de cima.
— Mas o que?
— Olá Kathiane Torres
— O que você quer? – Tentei agarrar o meu biquíni que estava na mão do Garoto Loiro
— Calma aí garota! A gente ainda não se conhece — Ele me analisou ainda segurando o meu biquíni — Meu nome não é Garoto Loiro, é David. Você nunca adivinhou aquele código para saber o meu nome, nem mesmo tentou. Isso me deixou triste.
—David? Não conheço nenhum David. Pera aí. POR QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO? – Tentei gritar e parecer normal para o John vir até o quarto.
— Você não me conhece, mas eu te conheço..
— Caralho! Pare com essa ceninha de filme dramático e fala logo Porra! – Tentei agarrar novamente o meu biquíni, porém ele segurou a minha mão, apertando. Ele começa a caminhar e rir, ficamos perto da janela onde eu consegui ver John olhando a casa. —DAVID PARE COM ISSO POR FAVOR! NÃO SEI QUAL É O SEU MOTIVO. MAS PARE – Gritei e novamente olhei para a janela, e a minha ideia funcionou. Consegui chamar atenção do John, que estava vindo para direção da casa.
— Fica quieta que eu falo os meus motivos.
Num piscar de olhos John aparece no quarto, assustado com a cena que viu. David estava segurando o meu braço muito forte torcendo, estava praticamente tentando quebrar. Fui mais rápida, e comecei a empurrar ele contra a janela...
[...]
Apenas ouvi um berro, um grito tão alto que doeu os ouvidos. Pedaços de vidros voando, sangue e gritos. Gritos de todo mundo, menos o meu. Não gritei, somente uma lágrima escorreu pelo meu rosto. E por ultimo o ultimo barulho, e infelizmente não era do mar. Era de uma pessoa que acabará de cair de uma casa de praia, grande e linda de dois andares. John que ficou parado, se mexeu. Andou até mim me abraçando e olhando para baixo da janela. Um corpo sobre a areia.
Com o barulho do corpo despencando e os gritos, não demorou muito para que alguns moradores e pessoas que passassem por ali, aparecerem. Da janela dava para ver tudo, as expressões, reações. John e eu descemos, fomos ao local. Explicando para policia que já acabara de chegar o que houve. Uma mulher ao chegar perto do corpo começou a chorar e a falar
— David? É você? O meu deus, é ele! – Ela sorriu e depois chorou novamente. Me aproximei e quando olhei a de perto, não acreditava no que estava vendo. Não havia nenhuma expressão no meu rosto.
— Mãe?
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