Freeze

4 Not Uncomfortable


Notas iniciais
Bom capítulos!

Cheguei no rinque um pouco antes da hora que a treinadora Kovac havia nos dado de limite, já que a neve de janeiro não ajudava com o trânsito. Depois de receber um sermão, fui para os vestiários me trocar. Estava mais tranquila do que deveria, já que sabíamos que se perdêssemos aquele jogo nós seríamos eliminadas da competição nacional. Nosso time havia se dado muito bem durante a temporada toda, mas alguns outros times haviam se dado melhor, e isso nos deixava na porta de entrada da competição nacional de hóquei feminino do segundo grau, mas não com uma vaga garantida.

Ao entrar nos vestiários, pude sentir a tensão no ar. Nós que não estávamos nos últimos dois anos da escola dificilmente entrávamos nesse tipo de jogo, por conta da pressão que nós mais novas não estávamos tão acostumadas. Por conta disso podia sentir uma tensão muito maior vindo de nossas veteranas, que conversavam sobre algumas táticas ensaiadas enquanto colocavam seus equipamentos.

Me sentei ao lado de uma de minhas colegas, vendo que ela também percebia a tensão.

— Espero que não me botem pra jogar... — ela disse botando suas caneleiras.

— Idem. — respondi já me apressando para me trocar. — Não sinto que tenho habilidade o suficiente nem pra entrar no rinque hoje, vou cair igual uma idiota.

Continuamos conversando enquanto terminávamos de nos arrumar, e logo a treinadora nos chamou, fazendo com que a tensão, que já estava altíssima, aumentasse ainda mais. Nos sentamos nos bancos e Charlie, a capitã, falou um pouco com o time, tentando aumentar a confiança das mais velhas. Tentava prestar a atenção, mas enquanto olhava para a arquibancada distraidamente, notei um rosto conhecido. Um rosto que definitivamente não queria ver naquele momento.

Edith estava sentada perto do vidro que protegia o público, e ela claramente estava me vendo, pois acenava incessantemente para mim. Odiava que meus amigos viessem para meus jogos de hóquei, especialmente os jogos mais decisivos. Desviei o olhar tentando voltar minha atenção para a capitã, que agora falava que nós mais novas só entraríamos em caso de emergência, mas que não era para levar pro pessoal, coisa que todas entendíamos numa boa. Quando o juíz veio falar com nossa treinadora para saber se estávamos prontas, voltei meu olhar para Edith de forma discreta, esperando que ela não estivesse mais me olhando, mas assim que a olhei, nossos olhos se encontraram e ela abriu um sorriso.

— É tua namorada? — uma das veteranas do time perguntou me empurrando levemente enquanto sorria, o que me fez mais nervosa do que eu esperava.

— Não! — falei alto, chamando a atenção de algumas garotas, o que fez minha colega rir.

— Tá de boa Cora, não to aqui pra julgar, é fofo que ela tenha vindo te ver. — ela falou com um sorriso sincero. — Mesmo que tu não vá entrar.

— É sério, ela não é minha namorada. — a olhei nos olhos, ainda um pouco ruborizada.

— Ainda. — ela voltou a rir, me fazendo suspirar.

Voltei minha atenção para meu taco, tentando afastar qualquer pensamento que estivesse tentando me sabotar. Não queria nem pensar no que aconteceria se eu tivesse que entrar em campo naquele estado. Me sentiria uma pateta pelo resto de minha vida e teria que me resignar de meu cargo no time imediatamente. Já me sentia idiota o suficiente só por ter esses pensamentos sobre ela, não precisava de mais vergonha na minha vida.

O primeiro tempo passou voando para mim, que não precisou fazer nada além de torcer. Já estávamos perdendo por um ponto, mas apesar disso ainda tínhamos chance de virar. Quando o juíz apitou o intervalo, minha atenção, que antes estava completamente na partida, logo se perdeu nas arquibancadas. Era difícil fazer com que meus olhos não procurassem por Edith, já que meu coração já estava decidido do que queria e minha cabeça tinha dificuldade de se manter a par. Quando olhei para onde ela estava antes, não a vi, e por um momento meu coração doeu, o que me deixava furiosa. Eu não iria começar a gostar de uma garota hétero agora, não de novo, e muito menos por uma que já havia gostado antes.

Bati em meu capacete com a intenção de afastar os pensamentos indesejados.

— Cora. — ela me chamou, sua voz vinha de trás.

— Edith tá aqui pessoal. — uma de minhas veteranas chamou a atenção de todas, fazendo com que todo mundo começasse a falar com ela ao mesmo tempo.

— Boa sorte meninas. — ela disse sorrindo, mas ainda olhando nos meus olhos, me fazendo desviar o olhar para o gelo.

— Vou no banheiro. — cochichei para minha colega.

Levantei rápido em meio a muvuca que as garotas agora organizavam para trazer a motivação de volta, desviando de alguns tacos pelo caminho. Quando cheguei no vestiário fui direto para os banheiros, que por sorte estavam vazios. Larguei meu capacete no balcão das pias, já enfiando meu rosto embaixo da água, tentando esfriar meu rosto para que conseguisse me distrair. Fazia um tempo desde a última vez que ficara assim, sem controle sobre meu foco.

Levantei a cabeça rapidamente, tossindo água. Saí do banheiro indo até minha bolsa no meu armário e sequei meu rosto em minha toalhinha, já ouvindo alguém entrando no vestiário para avisar que era para todo mundo voltar para os bancos. Havia evitado Edith com sucesso, e isso que importava.

Voltei para os bancos com o capacete ainda em mãos e com os pensamentos longe. Só notei que minhas veteranas já estavam prontas para entrar de volta no gelo pois a treinadora Kovac interrompeu seu discurso para reclamar que eu estava sem o capacete na cabeça ainda, me fazendo o colocar de volta imediatamente, e recebendo alguns soquinhos de minhas colegas. Me sentei com os olhos focados no chão, repetindo em minha cabeça para manter o foco no jogo.

Por incrível que pareça, no segundo tempo eu consegui manter o foco completamente já que nosso time havia agora empatado o jogo e finalmente os ares no banco não era tão denso. E o terceiro tempo quase foi assim, se não fosse pelo gol que levamos nos últimos minutos, levando à nossa derrota e consequentemente, à nossa eliminação. Enquanto o outro time entrava no gelo para comemorar com a torcida, as garotas do nosso time se recolhiam para os bancos, já falando palavras positivas para que ninguém se sentisse mal.

— Esse é o mais longe que chegamos em três anos, to muito orgulhosa de todas vocês. — a treinadora disse abraçando a nossa capitã de lado. — Espero que alguma de vocês consiga substituir a Charlie ano que vem.

— Já tenho meu olho em algumas garotas para recomendar. — ela disse rindo, não parecendo abalada com nossa derrota.

Depois de todas tomarem uma ducha, a treinadora voltou a falar palavras positivas com a gente enquanto colocávamos nossas roupas normais. O clima no vestiário era incrivelmente leve e as brincadeiras das garotas ajudavam a não deixar ninguém pra baixo, mesmo que a algumas horas atrás o ar ali naquele mesmo lugar parecia tão tenso que andar até doía. Conversamos por mais algum tempo até os grupos se dividirem e o falatório se transformar em alguns murmúrios.

Saí do vestiário sozinha, com minha cabeça já voltando a pensar em Edith. Esperava não encontrar com ela, queria que ela já tivesse desistido de falar comigo já que havia demorado nos vestiários, mas quando cheguei na porta para o lado de fora lá estava ela, me encarando com um olhar levemente triste. Me aproximei, estranhando sua expressão.

— Tá triste pela derrota?

— Não. — ela falou com a voz baixa. — Digo, sim, estou.

— Não precisa ficar triste, a gente chegou bem longe esse ano. — eu botei a mão em seu ombro, lhe dando um sorriso de quem não sabe o que fazer.

— Desculpa, acho que te deixei desconfortável antes... Queria aparecer aqui de surpresa, mas não sabia que tu não ia reagir bem. — ela disse de repente, me assustando.

— Tá tudo bem, não fiquei desconfortável.

— Mandei uma mensagem para Nick durante a partida e ele disse que tu odeia que venham torcer por ti por que tu fica nervosa. Queria que tivesse sido uma surpresa agradável.

— Bom, isso é verdade, mas eu nem joguei hoje, então não esquenta. — falei abrindo a porta para o lado de fora, o vento frio parecia querer penetrar a pele de meu rosto.

— Como desculpa, quer uma carona? Peguei o carro do meu tio emprestado. — concordei com a cabeça sorrindo.

Fomos até seu carro, e no ambiente fechado a conversa logo se tornou estranha e desajeitada. Era difícil esconder o que estava sentindo, principalmente ali, sozinha com ela, então resolvi me silenciar, fazendo com que a ida até minha casa fosse desconfortável até demais. Quando chegamos, me despedi rapidamente e corri para dentro de casa, quase escorregando no caminho. Não conseguiria fazer mais papel de boba em sua frente nem se quisesse.

.。.:*☆❅☆*:.。.

Cheguei na biblioteca e escolhi uma mesa para a sessão de estudos que teria com Keira antes das aulas. Não demorou para que ela chegasse e nós começássemos a estudar, mas sem durar muito tempo já que as duas pareciam estar com a cabeça no ar.

— Tu tá muito avoada. — Keira disse me fazendo a olhar surpresa.

— Tu também, olha quantas questões erradas tu teve. — falei entregando seu caderno de volta.

Ela revisou os exercícios e tentou novamente, tentando manter seu foco, mas claramente falhando. Demorou mais do que o normal para fazer menos atividades do que estava acostumada e errava mais do que esperava.

— Eu não to entendendo nada das tuas explicações, Cora... — ela falou repousando a cabeça em seu caderno. — Acho que a gente tá com a cabeça fora do lugar.

— É o que parece.

— Esses cartazes nas paredes me lembrando que é dia dos namorados também não tá ajudando. — ela falou mostrando o dedo do meio para um cartaz ao lado de nossa mesa, me fazendo rir.

— Falando nisso... — Keira voltou seu olhar para mim rapidamente, como se me apressasse a falar. — Ultimamente eu tenho uns pensamentos tão estranhos, tenho até raiva de mim.

— Que pensamentos?

— Esses dias me peguei pensando em Edith. Eu pensei que tinha superado ela a muito tempo já, mas agora toda vez que a gente se fala no corredor eu fico completamente fora de mim, é ridículo. Não quero voltar a sofrer por garotas héteros, não agora.

— Tá falando sério? — confirmei com a cabeça enquanto Keira me olhava com um olhar chocado no rosto. — Eu to chocada, tu gostando de alguém? É meu sonho. Tu vai falar pra ela?

— Por que eu falaria?

— Por que tu gosta dela....

— E tu não falou com o Nick ainda por que então? — ela me olhou surpresa.

— Touché. Ótimo ponto. — Keira abaixou o olhar para o caderno, novamente tentando resolver um dos exercícios. — Sabe que eu nem sei se quero falar pra ele sobre isso...

— Falar o que pra quem? — eu e ela nos viramos num pulo para Nick, que estava de pé agora na ponta da mesa.

Eu e Keira imediatamente nos olhamos com os olhos arregalados, nos perguntando a quanto tempo ele estava ali parado nos escutando. Não poderia ser muito tempo já que ele com certeza teria reagido a algo do que havíamos falado, sem sombra de dúvidas. Botei a mão sobre meu peito sentindo meus batimentos cardíacos acelerados e respirando fundo para ver se os controlava.

— Por que nunca me chamam pra sessão de estudos de vocês? — ele falou sentando ao lado de Keira, que ainda tinha um olhar chocado no rosto e parecia não querer dar um piu sequer.

— Tu não sabe estudar em grupo, a gente já tentou, tu é bom em matemática e não precisa de aulas extras pra entender, tu odeia a matéria, tu nunca... — Nick me alcançou por sobre a mesa e botou a mão na frente do meu rosto, me forçando a parar de falar.

— Eu entendi, pode parar já. — ele falou enquanto eu ria.

— Quanto tempo tu tava ali parado? — Keira falou finalmente.

— Tinha acabado de chegar, ia aproveitar que cheguei cedo pra ler um pouco aqui na biblioteca, mas acabei vendo vocês. Mas sobre o que vocês tavam falando? Também quero saber.

— Não te interessa, é segredo.

— Achei que a gente não tinha segredos entre nós. — eu gargalhei alto, mas ele parecia sério sobre sua fala.

— Tá brincando, supera isso Nick, todo mundo tem segredos, e nem sempre vale a pena saber sobre eles.

— É conversa de garotas. — Keira disse tentando o afastar. — Agora deixa a gente voltar a estudar que tem pouco tempo.

— Ah ok, só queria entregar os cartões de dia dos namorados que fiz pra vocês, sou um ótimo amigo.

Podia ver que Keira não estava realmente feliz de receber aquele cartão de amizade, mas ela conseguiu sorrir o suficiente para enganar Nick, que nunca fora muito ligado. Quando ele saiu, ela suspirou alto e não falou mais nada. Como não queria incomodar, voltei minha atenção para meu livro, mesmo que a cada cinco minutos me perdesse novamente em meus pensamentos, como um ciclo constante que não sabia quebrar.

.。.:*☆❅☆*:.。.

Li pela vigésima vez a mesma frase no livro de história, ainda sem entender o que diabos estava lendo. Normalmente era boa em estudar e não passava dificuldade nenhuma em revisar os conteúdos, mas quando o período das provas finais se aproximavam minha estabilidade mental para estudar se esfarelava completamente e eu perdia meu foco. Não bastasse isso tirando meu foco, todo dia pensava em Edith, mesmo que involuntariamente, ela ainda aparecia em minha mente em momentos inoportunos e indesejados.

Suspirei alto olhando para o teto, na esperança de que algum dos painéis de gesso me desse alguma sabedoria divina e me fizesse voltar a estudar com toda a atenção do mundo, mas nada, só as sujeiras que provavelmente já estavam ali a anos. Apenas olhei para baixo, num susto, quando ouvi uma batida na mesa ao meu lado. Quando vi Eddy sorrindo para mim, suspirei numa risada, me perguntando por que o universo estava contra mim. Antes de dizer qualquer coisa ela pegou sua apostila e abriu na mesma página que eu, enquanto eu olhava em volta, sem achar ninguém por perto para me salvar.

— Vamos? — ela disse tirando a tampa de sua caneta.

— Vamos onde? — ela riu com meu comentário, mesmo que não fosse minha intenção.

— Faz tempo que to tentando estudar contigo, ainda mais história, que a gente tem juntas. — ela disse sorrindo. — Tu tá vendo sobre a grande depressão né?

Ela se questionou olhando novamente meu caderno e apostila, enquanto eu ainda estava incrédula que ela havia aparecido bem naquele momento em que eu tentava me concentrar. Após alguns segundos sem a responder, ela me olhou, apenas para me ver a encarando, logo rindo de minha expressão.

— Tá tudo bem? — ela falou me tirando de meus devaneios.

— Sim, tudo ótimo. — ri um pouco embaraçada, ajeitando minha postura e tentando fazer com que meus olhos focassem na matéria do livro. — Se quiser a gente recomeça, eu não tava prestando atenção em nada antes mesmo...

— Pode ser. — ela riu botando a extremidade de sua caneta em seus lábios, fazendo com que meu coração parasse por mais tempo do que deveria. — É desde o começo do capítulo, né?

— Isso. — fechei meus olhos com força e balancei minha cabeça tentando afastar os pensamentos.

Incrivelmente, em pouco tempo Edith conseguiu fazer com que eu me focasse na matéria e realmente entendesse o que diabos estava escrito naquelas páginas. Alguns momentos acabava realmente me perdendo em meus pensamentos, mas logo voltava quando Edith exigia que eu voltasse a prestar atenção no que ela falava. Me foquei por mais tempo do que esperava e logo Edith se levantou, avisando que precisava ir para casa.

— Já é quase verão e nem fomos ao lago patinar. — ela falou fechando seus livros.

— Sim... — falei olhando para o que havia escrito a alguns segundos em meu caderno. — Mas sempre tem ano que vem.

Ela concordou com a cabeça com o olhar distante, pensando em algo. Logo nos despedimos e eu fiquei para trás, sentada na biblioteca um pouco desorientada com a sessão de estudos. Havia sido divertido, contando que história não era uma matéria que eu normalmente achava divertida, mas com Eddy parecia muito diferente. Ela deixava tudo parecer dez vezes mais interessante, como se não fosse uma obrigação.

Passei mais algum tempo revisando a matéria de trigonometria até decidir que estava suficientemente preparada para a semana seguinte, quando a maioria das provas finais daquele semestre aconteceriam. Quando saí da biblioteca, fui até meu armário guardar algumas coisas, e de longe pude ver Nick que conversava com seu amigo. Quando me viu, veio falar comigo. Terminei de guardar minhas coisas antes que ele chegasse até mim e quando ele se dispôs a falar, fechei meu armário.

— Tá fazendo o que aqui ainda? Tinha treino de hóquei? — ele perguntou olhando para seu celular.

— Tava estudando na biblioteca.

— Ah, Edith tava lá também, encontrei com ela não muito tempo atrás. — ele então levantou o olhar para mim.

— A gente tava junta, ela não mencionou? — ele negou com a cabeça, e eu disfarcei minha leve decepção.

— Falando nela... — ele pareceu hesitar enquanto pensava o que falar. — Posso confiar um segredo à ti?

O olhei sem entender do que ele falava e após pensar nas possibilidades balancei minha cabeça positivamente, o incentivando a falar. Ele suspirou alto algumas vezes antes de finalmente falar.

— Eu acho que gosto da Edith, tipo de verdade. — o olhei por uns segundos, mas logo rindo, como se tentasse disfarçar o que sentia no momento. — Tá rindo por que?

— Bom, acho que a gente já sabe disso... — de fato, Nick não era o melhor em esconder o que sentia, especialmente romanticamente, mas ouvir diretamente de sua boca era completamente diferente. — E o que tu vai fazer sobre isso?

— Acho que investir? — ele falou um pouco incerto, enquanto começávamos a andar em direção à saída da escola. — Não tenho certeza ainda por que eu não sei se ela gosta de mim... Bem que tu podia falar com ela por mim né? Vocês parecem ter se aproximado muito nesses últimos meses.

Continuei olhando para o chão, pensando no que falar, estava realmente em pânico. Não fazia muito tempo que havia admitido para mim mesma que estava gostando de Edith de verdade, e seria estranho ajudar Nick a conquistar ela, mas por outro lado me sentia mal de negar ajuda a meu melhor amigo. Minha cabeça parecia com uma cena de guerra que passava de forma acelerada em minha cabeça enquanto ele esperava eu falar algo.

— Claro, por que não? — sorri para ele que riu animado com a ideia. — Mas se ela não gostar de ti, tu não vai ficar em cima dela né? Tem que respeitar a decisão que ela tomar.

— Sim sim. — ele falou já distraído me deixando um pouco transtornada.

Quando chegamos do lado de fora Nick foi comigo até o estacionamento de bicicletas e esperou que eu fosse embora para então ir até seu carro. Não podia acreditar que estava na situação mais estúpida do mundo, e pior ainda, com meu melhor amigo. Não queria mentir para ele dizendo que o ajudaria sem o ajudar no final, mas sabia que meu coração se recusaria a ajudá-lo, não importava o que acontecesse, e isso me fazia sentir péssima. Pedalei até em casa em um caminho um pouco mais longo, para dar tempo para minha cabeça pensar em tudo que se passava.

Notas finais
Obrigada por ler ♥