Freeze

2 As Friends


Notas iniciais
Tenho preguiça, então boa leitura.

Cheguei em casa depois do treino de hóquei mais cedo que o normal, e antes mesmo de descer de minha bicicleta notei os dois carros na garagem de casa. Suspirei fundo já sabendo o que esperar. Entrei em casa pela porta da garagem que dava na cozinha, e lá estava quem eu já imaginava. Connor.

— Olha quem chegou em casa, Cora. — meu pai disse me abraçando.

— Oi. — eu disse mal o olhando e já levando minha mochila com meu equipamento até a escada.

— Só oi? Faz seis meses que a gente não se vê. — ele disse me fazendo virar para o olhá-lo, só para ver que ele tinha aquele sorriso falso em seu rosto.

— Oi, como vai? — eu sorri também falsamente para ele. — Vou tomar banho por que to toda suada, já desço pra te ajudar com a janta, pai.

Subi as escadas em passos pesados. Havia me esquecido que meu pai tinha avisado que Connor passaria umas semanas com a gente nas férias de verão antes de sua faculdade voltar às aulas. Sentia falta de ter uma relação legal de irmãos com ele, mas ele dificultava muito sendo um ser desprezível comigo. A última coisa que tínhamos feito juntos antes de ele se mudar para perto da faculdade foi brigar por algo bobo que ele havia inventado, tanto que não fui ao aeroporto me despedir dele. Depois disso só conversávamos quando ele voltava para casa nas férias e feriados, e mal e mal mesmo assim, já que sempre evitava suas tentativas de tentar me encher o saco. No natal e ano novo consegui não ter nem uma conversa com ele se quer, mesmo que tivéssemos nos sentado juntos à mesa algumas vezes.

Tomei meu banho rápido pois sabia que meu pai precisaria de ajuda, mesmo que minha mente me dissesse para enrolar só para não ter que encontrar com Connor. Coloquei uma roupa qualquer e fui, enfim, ajudar meu pai. Era difícil ter meu irmão sendo um anjo com meu pai e escondendo que era um otário comigo mas não queria comentar nada para não ter que falar sobre o assunto.

Depois de jantar meu pai pediu para eu ficar na sala com o resto da família para continuar a conversar com Connor mas dei a desculpa de que estava muito cansada por conta do treino mais cedo. Não podia deixar de ficar um pouco triste de ver que Cody adorava nosso irmão, mas ele também não sabia da situação entre nós pra falar a verdade. Não queria que ele parasse de gostar de Connor só porque eu disse que não gostava dele, preferia que os dois tivessem uma relação completamente alheia a mim.

Além disso, Cody nunca havia realmente recebido o mesmo tratamento que eu de Connor pois era mais novo que eu quando nossa mãe foi embora. Todos na casa sabiam que o mais afetado com a situação de nossa mãe ir embora havia sido ele. Nunca poderia o culpar por isso, era natural sentir coisas ruins depois de sua mãe te abandonar pra criar uma família completamente diferente, mas tinha todo o direito de ficar brava por ser a única a receber aquele tratamento horrível dele. Não que as outras pessoas da casa mereciam, quem deveria estar enfrentando sua fúria era nossa mãe, não a gente que ainda estava aqui por ele.

Durante o resto do tempo que ele passou em casa durante as férias da faculdade eu até que consegui o evitar bem, sempre arranjando o que fazer fora de casa, e quando não conseguia dava a desculpa de que iria treinar hóquei com minhas amigas do time, mesmo que na maioria das vezes nenhuma delas quisesse treinar fora de hora e eu tinha que treinar sozinha. Meu pai sabia que não possuíamos a melhor relação entre irmãos, mas desde que não brigássemos ele estava de boa com nós dois nos evitando. Quando Connor foi embora, não fiz questão de me despedir e fingi que estava dormindo. E assim a paz voltou a reinar em minha cabeça, pelo menos temporariamente.

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Me sentei em uma mesa com guarda-sol do lado de fora da sorveteria, esperando por Keira que ainda estava fazendo seu pedido no balcão dentro da loja. Quando se juntou a mim, ela sentou em sua cadeira e bufou. A olhei por alguns segundos antes de ela perceber que eu a encarava.

— Que foi? — ela perguntou mordendo seu sorvete mas logo fazendo uma expressão de dor. — Ai, tá muito gelado.

— É sorvete, esperava o que? — ri enquanto ela esfregava sua bochecha.

Ficamos em silêncio por um tempo apenas comendo nosso sorvete e observando as pessoas que passavam na rua. Apesar de o clima ainda estar quente, o verão chegava agora ao fim, e era fácil perceber que o sol começava a se pôr cada dia um pouco mais cedo. Pensar que logo as aulas voltariam e começaríamos nosso segundo ano nos deixava visivelmente para baixo, e um pouco animadas também já que poderíamos nos ver todos os dias.

— Mal vi o Nick nesses três meses. — Keira disse logo após comer o fim de sua casquinha de sorvete.

— Acho que vi ele umas cinco vezes. Antes eu não tava me incomodando, mas agora até tô sentindo falta dele. — falei também terminando meu sorvete. — Vamos andando?

—Vamos. — ela pegou sua bolsa e nós começamos a andar. — Será que ele não nos convida mais por que tá saindo com a Edith?

— Talvez…

Sentia uma nuvem de ciúmes sair de Keira e nos envolver, era quase tão densa quanto o calor no pico do verão, quente e úmido. Chegava a ser desconfortável, mas sabia que era inevitável em sua posição. Às vezes ela era tão óbvia sobre seus sentimentos românticos com Nick que eu até esquecia que ela nunca havia aberto de verdade seu coração para mim, o que era na verdade um pouco triste para mim. Queria que ela pudesse confiar em mim, mas ela parecia não querer ceder.

Continuamos andando e Keira não tirava o nome dos dois da boca, falando que estavam provavelmente namorando e não haviam contado para nós, ou que naquele exato momento estavam na casa dele aos beijos ou que havia nos largado para ter uma amizade apenas com ela. Não podia evitar de rir de sua cabecinha confusa e seus pensamentos conspiratórios.

— Mas tu tá pensando muito nela, esquece isso. — disse virando a esquina de sua casa.

— É difícil, parece que ela tá roubando nosso amigo.

— Keira, ele não vai nos abandonar. — disse botando minha mão em seu ombro.

Ela suspirou alto chegando na frente do seu bloco de apartamentos. Da calçada podia ver se apartamento e as luzes estavam apagadas, indicando que sua mãe não havia chegado. Não era anormal que sua mãe não estivesse em casa no início da tarde e às vezes até a noite toda, já que seu trabalho no asilo exige que a mulher passe as noite por lá.

— Será que ele realmente gosta dela?

— Keira, só por que tu gosta do Nick.... — me interrompi percebendo meu erro.

— Eu não gosto do Nick. — ela me olhou séria, sem deixar suas emoções transparecerem.

— Eu digo como amigos. — falei tentando corrigir meu erro.

Keira olhou séria no fundo dos meus olhos e então desviou seu olhar para o lado. Para mim que a conhecia a um tempo era bem claro que ela estava chateada comigo mesmo que sua expressão facial não dissesse absolutamente nada.

— Ei, tu sabe que eu não quis dizer isso me desculpa. — eu procurei seu olhar, a segurando pelos ombros. — A gente já se conhece a um tempo, achei que a esse ponto tu já se abriria mais comigo.

— Se abrir sobre o que? Eu não gosto dele.

Ela falou alto me olhando novamente, mas logo desviou o olhar e pude perceber que seu rosto estava vermelho e seus olhos pareciam a ponto de chorar. Não entendi por que ela não poderia simplesmente me dizer que gostava dele já que já estava tão claro, e isso me deixava extremamente frustrada. Sabia que Keira odiava conflitos, mas naquele momento, parecia inevitável.

— Fala sério, a gente se conhece faz quase um ano, por que tu não pode admitir pra mim que gosta dele? É tão difícil assim? — falei tentando não elevar muito minha voz, mas sem sucesso.

— Eu vou pra casa. — ela se virou, mas segurei seu braço. — Por favor, Cora.

— Tu realmente não confia em mim?

Ela não respondeu minha pergunta, e após alguns segundos segurando seu braço, a soltei. Ela não hesitou em andar rapidamente até a porta de sua casa enquanto eu a olhei da calçada, parada como uma idiota. Engoli meu orgulho e caminhei na direção contrária, rumo ao ponto de ônibus mais próximo. Aquilo havia me machucado de uma maneira que definitivamente não deveria. Era minha melhor amiga, eu confiava nela com meus segredos, mas em troca recebia esse tratamento como se nem a conhecesse. Era realmente frustrante, e no caminho até em casa não parei de suspirar alto, pensando no que poderia fazer.

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Cheguei na biblioteca da escola cedo. Não sabia se Keira estaria lá já que havíamos marcado nossa sessão de estudos antes de nossa briga, e desde então não havíamos nos falado direito. Talvez porque ela nunca respondia às minhas mensagens, mas também por conta de minha teimosia e orgulho. Quando a vi sentada em uma das mesas não pude deixar de soltar uma risadinha baixa. Me aproximei da mesa e me sentei, evitando olhar para ela.

— Bom dia. — eu disse, a surpreendendo.

— Achei que tu não fosse aparecer, já comecei a repassar a matéria.

— Claro que eu iria aparecer, não iria te dar o bolo.

— Bom, depois do que aconteceu eu não tinha certeza.

Fiquei em silêncio. Havia pensado muito nas burrices que havia dito a ela e até meu pai me deu conselhos, falou que não devemos apressar as pessoas desde que elas não estejam machucando ninguém. Eu até pensei em dizer que sua falta de confiança em mim me machucava, mas percebi o quão mesquinho aquilo soaria, mesmo que não fosse a intenção. No final não tive coragem de a chamar para conversar antes do início da aula, então lá estávamos, no primeiro dia do ano letivo.

— Me desculpa pelas coisas que disse, depois notei que fui muito egoísta. Não é só por que eu tenho facilidade em me abrir que todo mundo tem que ser assim…

— De boa, eu só me senti meio pressionada aquele dia, mas tá tudo bem agora.

— Eu não vou mais te obrigar a falar nada, desculpa. — nós sorrimos uma para a outra. — Enfim, vamos começar?

— Vamos.

Passamos o resto do tempo até a primeira aula estudando matemática e então fomos para a sala juntas quando deu a hora. Na maior parte das aulas os professores se reapresentavam para nós e introduziam o que seria passado naquele novo ano escolar. Pra ser sincera eu não ligava para nada do que estava sendo falado naquele dia, estava pensando demais no primeiro treino de hóquei do ano e nos testes que ocorreriam naquele dia. Pensar que agora seria veterana de outras garotas no time me deixava ansiosa, não me sentia experiente o suficiente para ser veterana de ninguém, não que isso fosse uma exigência para o cargo.

No almoço, falei com meus amigos e decidi que me sentaria na mesa onde a maioria das garotas do time sentava. Sabia que Keira não ficaria feliz de ser deixada sozinha com Nick e Edith, mas infelizmente havia um assunto muito dominante em minha cabeça, e preferia compartilhar esses assuntos com pessoas que entenderiam exatamente o que estava pensando. Podia sentir o entusiasmo circulando no ar como um vírus contagiante que já havia pegado cada uma de nós na mesa.

— A treinadora Kovac disse que tem mais inscrições que ano passado, mas que ainda são poucas, então não se animem demais. — Charlie, uma das garotas do último ano comentou, fazendo algumas meninas se animarem. — E veteranas, as inscrições pra capitã do time abrem hoje.

— Como vai ser?

— A treinadora vai explicar tudo direitinho no final do treino pra quem quiser participar. — ela respondeu anotando algo em sua agenda.

Mesmo que ainda não tivéssemos uma capitã para o ano, muitas ali sentiam que Charlie faria uma ótima líder para nosso time, mas só saberíamos com certeza após as avaliações da treinadora. Após os assuntos técnicos acabarem, a mesa voltou a seus assuntos de costume, que eram uma total bagunça, mas divertidos de acompanhar.

O resto das aulas passou mais rápido do que imaginei, e logo estava na hora do treino começar. Nem cheguei a falar com meus amigos, fui direto para os vestiários e me troquei com as garotas que haviam chegado cedo junto de mim.

Sempre que entrava nos vestiários lembrava dos comentários maldosos que ouvia no começo do ano anterior, de algumas veteranas que achavam que só porque eu gostava de garotas que eu não poderia estar naquele ambiente com elas, como se os vestiários fosse o momento mais sensual do mundo. Aquele tipo de tratamento me desmotivara algumas vezes, mas nunca cheguei a ativamente pensar em largar o hóquei, era um esporte que havia se tornado muito importante para mim, mesmo que não fosse boa como muitas de minhas colegas.

Entrei no rinque junto de algumas colegas da minha série e começamos a nos aquecer enquanto esperávamos o resto do time se reunir. Quando grande parte de nós já estava lá, a treinadora explicou que usaríamos metade do rinque enquanto a outra metade seria usada para o teste das novatas. Claro que sem a supervisão da treinadora, metade de nosso tempo foi gasto observando o desempenho das garotas e especulando quem passaria e quem seria bom para o time no futuro, e a outra metade fingindo que estava treinando.

— Aquela garota com tranças no cabelo é péssima. Tenho pena, a treinadora não vai ser legal com ela. — uma das veteranas disse parando ao lado de algumas de nós que ainda observávamos.

— Eu também era péssima e entrei pro time. — eu disse.

— Mas tu já patinava muito bem, e não saber patinar é um problema que muitas das novatas enfrentam, tipo ela.

Me peguei imaginando se no começo eu também era assim, sem nem saber as regras do esporte, apenas tentando não parecer uma idiota no gelo. Quando a treinadora liberou que não quisesse saber sobre o teste de capitã, saí do rinque junto com a maioria das garotas. Depois de tomar banho, saí para o corredor e fui andando sozinha até meu armário e arrumei as coisas que não havia tido tempo de guardar antes.

— Senhorita Aonuma. — uma voz falou atrás de mim, me fazendo virar bruscamente, apenas para ver uma Edith risonha. — Desculpa, tu tava tão concentrada que eu não pude resistir já que sempre foi tão difícil te assustar.

— Oi. — eu disse rindo fraco. — Como vai tu e o Nick?

— Como assim? — ela perguntou enquanto eu terminei de guardar minhas coisas e fechei meu armário.

— Vocês não tão juntos? — ela franziu o cenho como se quisesse não entender a idiotice que eu tinha dito.

— Não. De onde tirou isso?

— Vocês sempre tão juntos, Nick mal passou tempo comigo e com Keira nas férias de verão. — falei sem pensar, ainda com a cabeça no treino de hóquei.

— Isso é ciúmes dele? — ela disse rindo um pouco nervosa. — Não é minha culpa se ele gosta mais de mim do que de vocês.

Ela falou me fazendo ficar boquiaberta. Nunca tinha visto Edith ser tão direta assim, muito menos querendo machucar alguém. Estava acostumada com uma garota calma e dócil, e essa Edith não era nada como a garota que eu me lembrava. Dei as costas para ela e andei em direção a entrada da escola, um pouco machucada por suas palavras, ainda tentando entender o que havia acabado de acontecer.

O pior disso tudo é que sabia que eu tinha trazido isso para mim mesma, não devia ter falado nada sobre ela e Nick. Montei em minha bicicleta me sentindo uma idiota por ter aberto minha boca, pensando que devia ter apenas a ignorado já que sabia que ainda estava me sentindo estranha sobre Nick ter se afastado tão rapidamente de nós. Cheguei em casa sem falar com ninguém logo me trancando em meu quarto.

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Cheguei da escola na sexta junto de Keira, que carregava sua mochila da escola e uma mochila com coisas para nossa festa do pijama. Não era a primeira vez que ela ia em minha casa, mas era a primeira vez que ela dormiria lá, então nós duas estávamos animadíssimas. Como chegamos cedo, ainda teríamos tempo antes da janta que meu pai já preparava na cozinha já que naquele período do início do outono ele sempre pegava férias do hospital e por isso estava sempre em casa.

— Como foi tua ação de graças? — ela falou largando suas coisas num canto do meu quarto.

— Meu irmão mais velho veio nos visitar de novo... — respondi revirando os olhos.

— O que ele fez pra ti mesmo pra tu odiar ele?

— A gente se dava super bem quando era pequeno, aí minha mãe foi embora e ele começou a descontar tudo em mim, como se eu tivesse algum dizer naquela situação. — Keira parecia constrangida, não estava tão acostumada a me ouvir falar de minha família. — Acho que isso também coincidiu com a puberdade dele e ele virou um escroto comigo.

— Homens são realmente complicados, às vezes eu secretamente agradeço que meu pai foi embora quando eu era pequena também, não lembro dele fazer muita coisa por mim e minha mãe de qualquer jeito.

— E tá tudo bem, só por que eles nos fizeram, não invalida nossos sentimentos negativos por eles. — Keira concordou com a cabeça, mas podia ver a hesitação em seu rosto. — Mas e tua ação de graças?

— Foi super divertido, eu e minha mãe passamos o dia no casarão da minha tia, tinha um banquete enorme. E minha mãe também tava super feliz. — sorri vendo que seu rosto se iluminara.

Conversamos por mais um tempo até sermos chamadas para a mesa de jantar. Meu pai havia feito algumas comidas tradicionais japonesas que sua mãe havia lhe ensinado e Keira, que nunca havia provado, por sorte adorou tudo. Depois de subirmos, me sentei em minha cama ao lado de Keira, que procurava algo em meu laptop para assistirmos.

— Vamo ver anime.

— De novo? É só o que tu pede pra ver. Vamo ver um filme.

— Qual? — ela perguntou me alcançando o laptop

— Nausicaä do Vale do Vento. Pode ser? — ela confirmou com a cabeça.

— Vi esse filme quando era criança, não lembro nada dele.

— Ah, tu vai adorar então.

Botei o filme e assistimos, parando apenas para pegar água e ir ao banheiro. Quando terminou, decidi pintar as unhas de Keira, e ela pintou minhas unhas em troca. Enquanto isso, fofoquei sobre os treinos de hóquei e ela fofocou sobre seu trabalho, mas claro que eventualmente o assunto chegou em Nick e Edith, como sempre.

— Esses dias nos esbarramos no corredor e tu não vai acreditar no que ela falou. — falei tirando o excesso de esmalte em volta de sua unha.

— O que?

— Bom, eu comecei mal na verdade, perguntei se eles dois estavam juntos e acabei escutando o que não queria.

— Fala logo Cora. — ela disse me empurrando de leve com os olhos vidrados em mim, tomando cuidado para não borrar suas unhas ainda úmidas.

— Ela disse que não era culpa dela se Nick gostava mais dela do que de nós. — quando terminei de falar, Keira ficou boquiaberta sem conseguir falar nada. — Pois é amiga.

— Não acredito nisso. — ela falou ainda um pouco extasiada. — Mas é muita cara de pau mesmo, por que ela falaria isso?

— De certa forma, não posso deixar de pensar que ela meio que tá certa, por que ele não fala com a gente ao invés dela? Ele tá sendo um babaca.

— Sim, ele tá… Às vezes me odeio por gostar tanto desse tapado. — a olhei chocada, era a primeira vez que dizia com palavras o que sentia por ele. — Para de me olhar assim, aparentemente tu já sabia, sabe-tudo.

Ri de sua fala e a abracei, enquanto ela tentava me afastar.

— Desculpa por ter tentado te forçar antes, às vezes eu consigo ser uma anta.

— Tá tudo bem, supera isso. — ela riu negando com a cabeça.

— É tão difícil associar essa Edith à Edith que eu gostava há alguns anos, sabe? Me sinto estranha se penso muito nisso, meio que traída por mim mesma por não ter visto que ela era assim.

— Talvez ela não fosse assim, as pessoas mudam. Não te culpa por ela ser assim.

Agora quem me abraçava era Keira, como se tentasse me consolar, mesmo que eu não estivesse exatamente triste com a situação. Passamos mais boa parte da noite entre fofocas e vídeos bobos no Youtube, que era muito diferente de nossas interações normais e me fazia sentir cada vez mais próxima e íntima dela, como se fôssemos amigas a muito mais tempo. Keira acabou pegando no sono antes de mim, e para ocupar meu tempo joguei um pouco em meu videogame portátil até também pegar no sono.

Notas finais
Obrigado por ler, pensem em comentar, mas se n quiser tudo bem tbm ♥