Freedom
5 Quando uma perseguição não dá certo
Notas iniciais
Quando uma perseguição não dá certo
Albus ainda estava meio puto comigo pela história da Amanda Lore, mas eu não me dei o trabalho de pedir desculpas ou algo assim. Não precisava disso. Além do mais todo o contato que tivemos com o pessoal da Grifinória foi demasiadamente exagerado. Achei que Tony, Cat e Al iriam voltar ao normal, mas me enganei plenamente.
No dia seguinte, assim que Tony saiu da enfermaria flagrou Cat e Fred se beijando. Mas, para minha surpresa ele não disse absolutamente nada. Achei que ele iria fazer um show, como sempre fazia, mas ficou em silêncio e foi almoçar como se nada tivesse acontecido.
Achei também que Catherine olharia perplexa para ele, mas ela viu e apenas ignorou, voltando a enfiar a língua dentro da boca do meu primo da Grifinória, Fred Weasley II. Suspirei enquanto almoçava tranquilamente. Pelo menos eles não discutiriam mais.
Al estava tentando explicar a situação para Amanda, que não queria ouvir uma palavra sequer de seu cunhadinho querido.
Eu e Tony estávamos embaixo de uma árvore, fitando o nada enquanto contávamos quantos suspiros cada um dava por minuto. Sábado extremamente produtivo, como podemos notar. Reparei que as partes baixas de Tony estavam com uma espécie de proteção e ele apenas resmungou quando eu comecei a rir.
— Não sei porque ela ficou tão brava. Você que teve o par envenenado, e sequer me ameaçou.
— Não seja por isso. – esbocei um sorriso malicioso e Tony gemeu, protegendo seu órgão genital rapidamente. – Vou ter minha chance de vingança, pode apostar.
— Ah, qual é Rose! Ele é da Grifinória, não tem nada a ver com você. Você nem sentiu tanto assim. – ele tentou argumentar. Alguns primeiranistas passavam por ali correndo, felizes. Suspirei novamente, pela milésima vez no dia.
— Eu acabei perdendo a aposta para o Al.
— Nenhum dos dois ganhou de fato, Rose. Esquece isso. – Tony deitou-se, fechando os olhos. Uma leve brisa batia no meu rosto, o tempo já ficando mais frio.
— Eu detesto perder. Nós meio que empatamos, e você sabe que eu odeio isso.
— Que tal entrar para o time de Quadribol? – ele sugeriu animado e eu o olhei sem muito interesse. – Al é do time, e você sabe que poderia entrar no time e ser tão boa quanto ele. – sorri triunfante, sabendo que era verdade.
— A questão é que eu detesto Quadribol.
— Você detesta os jogadores que parecem animais selvagens sem escrúpulos no jogo. – Tony rebateu utilizando a expressão que eu sempre usava para justificar minha aversão à Quadribol. – Você gosta de jogar.
— Quando não incluem outros jogadores patéticos, sim. – afirmei e Tony me encarou com tédio.
— Apenas pense nisso. – meu silêncio foi sua resposta.
Albus deve ter conseguido irritar Amanda para valer, porque minutos depois que Tony e eu encerramos nossa conversa ele estava sendo azarado pela Grifinória de cabelos encaracolados.
Uma rodinha começava a se formar, e um sorriso convencido estava no rosto de Amanda Lore, enquanto Albus estava em pânico. Inúmeras aranhas estavam subindo em seu corpo e ele tinha uma fobia tão tenebrosa quanto à de meu pai.
Tony e eu nos entreolhamos e fomos até lá, rindo, porque não eram aranhas que de fato lhe fariam mal e ele sabia disso, só não conseguia se controlar. Era divertido ver Al daquele jeito. Suas cores mudavam constantemente, e as súplicas para que ela acabasse com o feitiço eram cada vez mais desesperadoras. No entanto, ele tinha sua varinha e sabia o contrafeitiço.
— Deveríamos impedir isso. – Tony falou, ainda rindo. Eu sorria com os olhos fixos em Al, que agora segurava a varinha com a mão tremendo, possivelmente tentando se lembrar do feitiço. – É sério Rose. – Tony parou de rir, ficando um pouco mais sério.
— Deixe ela se divertir com ele um pouco. – sibilei sem tirar os olhos dele.
— Chega! – uma voz forte soou atrás de todos nós e Amanda escondeu a varinha. Quando Al ia dizer o feitiço uma aranha entrou em sua boca. Apontei a varinha em sua direção e acabei com a azarão. Virei para encarar a quem pertencia a voz e notei Scorpius Malfoy olhando com desgosto para Amanda, que mantinha a cabeça baixa.
— Não foi minha intenção...
— Amanda, regras são regras. Não posso permitir que isso fique impune. – ele soltou um suspiro triste e colocou a mão no ombro da garota. – Vou tentar suavizar sua situação com Minerva, me encontre lá. – a garota apenas assentiu, andando apressada de volta para o castelo.
Malfoy se dirigiu até Albus, que estava em choque e suava muito. Tony me lançou um olhar de reprovação, por não ter parado tudo isso antes, mas não disse palavra alguma, até porque ele mesmo também não fez nada para parar.
— Vou te levar até a enfermaria. – o loiro disse, ajudando Al a se levantar. Ele olhou na minha direção. – Você vem? Ele é seu primo. – assenti e Tony me cutucou.
— Eu deveria avisar a Nott que o melhor amigo dela quase morreu do coração?
— Se isso a fizer ficar longe daquele bando de Grifinórios, sim. – falei seca, acompanhando Al e Malfoy até a enfermaria.
Charlie ainda estava por lá, se recuperando da noite anterior e sorriu ao me ver, um tanto quanto envergonhado.
— Desculpe pelo ocorrido. Eu adoraria ter ido ao baile com você ontem. – Charlie Benson era realmente bonito de perto, só não era muito mais alto que eu.
— Ah, não adoraria não. – retruquei. – O baile foi uma bela de uma porcaria.
— Ouvi dizer que você estava linda. Só isso já valeria a pena. – ele sorriu galanteador e eu apenas ri, sem realmente me importar. Não sei o que o Malfoy tinha dito a ele, mas meu interesse era apenas para o baile. Portanto, resolvi ir até o leito de Al, que ainda tentava se acalmar.
— E aí? – perguntei cruzando meus braços. Al não respondeu. – Não está chateado comigo, está? – semicerrei os olhos e ele me encarou cético.
—Por você ter assistido a tudo e não ter feito nada, mesmo sabendo da minha fobia? – ele deu uma risada irônica. – Sim.
— Eu ajudei você! – elevei minha voz.
— Mas não impediu que isso acontecesse. – havia mágoa em sua voz, e eu soltei um suspiro demorado. – Somos uma família, Rose.
— Eu estava um pouco brava com você.
— E pra isso, pra sua vingancinha pessoal, precisava me deixar sufocado com aquelas aranhas? Uma entrou na minha boca, Rose. – ele fechou os olhos, engolindo em seco. Respirei fundo, tentando manter a cama. – Sabe quem me salvou? Scorpius Malfoy. Sim, Rose. O Malfoy.
— Eu vi. Eu estava lá. – sibilei entre dentes e Al soltou uma outra risada irônica.
— Claro que estava. Estava tanto que viu todo o show e não moveu um dedo. – Al não me encarava.
— Ele só te livrou daquela por ser monitor e ter que cumprir seu papel como tal. – revirei os olhos, sem saco para discussões. – Apenas fez o papel dele como Grifinório. – satirizei e Al me olhou estupefato.
— E você? Fez o que? Seu papel de Sonserina. Excelente, Rose. Seus ideais antes da família. – o Potter de olhos verdes bateu palmas ironicamente e eu abaixei os olhos. – Está levando isso a sério demais. – tinha amargura em seu tom de voz. – Não sei o que você ainda está fazendo aqui. – ele indicou a porta e eu suspirei.
— Al...
— A porta. – ele indicou novamente, ficando irritado. Cerrei os punhos e me virei, dando de cara com Charlie e Scorpius vendo a cena, além de Tony e Cat na porta. Ergui a cabeça e passei reto, sem dizer uma única palavra.
No fim da tarde McGonagall chamou em sua sala todos os integrantes do grêmio, inclusive os ajudantes. Al não compareceu, e quando Catherine chegou me lançou um olhar indecifrável. Mas quando o Malfoy entrou na sala, seu olhar era bem claro: desprezo.
Desviei meus olhos, sem em momento algum abaixar minha cabeça, aguardando as últimas pessoas.
— Primeiramente, eu gostaria de parabenizá-los pelo sucesso do baile. – ela começou a dizer assim que Lysander Scamander se acomodou. – Exceto alguns incidentes. – a diretora lançou um olhar acusativo para Catherine, que fingiu estar muito abalada com o “acidente” causado por sua arma. – Eu gostaria de agradecer a todos, mas o senhor Potter não pôde comparecer. – outro olhar acusativo, dessa vez para Amanda, que abaixou a cabeça. – A próxima tarefa constitui em organizar o Clube de Duelos. Deixarei isso totalmente livre para os quatro: formação, competição, avaliação, premiação... Me surpreendam!
— Precisaremos colaborar também, diretora? – uma das ajudantes da Lufa-Lufa questionou e Minerva abriu um sorriso.
— Vocês se mostraram extremamente competentes, então farão parte do time do Grêmio, ficando responsáveis pelos afazeres gerais. E sim, vocês terão suas devidas recompensas ao final do ano.
Eu particularmente achei meio injusto, mas se todos ali concordaram, quem seria eu para criticar alguma coisa?
Assim que fomos liberados da reunião Cat veio até mim, ainda com aquela expressão indecifrável. Mal falara com Fred, que também estava na reunião.
— Largou o novo namorado para vir atrás de mim, que lindo. – fingi estar sensibilizada e Cat apenas ignorou.
— Al está bem chateado. – ela foi direto ao ponto.
— Ótimo. – falei seca e Cat bufou.
— Apenas peça desculpas para ele. Você sabe como Al é.
— Sensível, dramático e idiota? – chutei, rindo.
— E você é cabeça dura, orgulhosa e ridiculamente fria. – Cat rebateu séria e eu fechei a cara. – Sei que detesta admitir que está errada. – quase revirei os olhos diante da obviedade da afirmação. – Mas Al é seu primo. Arrisco a dizer que sua única família. E seu melhor amigo. – Cat parou de andar, com seus olhos azuis me encarando. – Faça o certo. – e simplesmente virou e saiu andando, me deixando a sós com meus pensamentos.
Encontrei Tony sentado sozinho na sala comunal, enquanto lia uma carta. Me joguei ao seu lado, notando que a carta era de seu irmão, Luke. O álbum de memórias que Tony tinha estava ao seu lado, e resolvi pegá-lo para folhear.
Desde que Tony entrou em Hogwarts, colava fotos em seu álbum. Quando eu, Al e Cat descobrimos achamos hilário, mas Tony levava o álbum a sério e nós respeitávamos isso. Quando fomos colocados nele, foi quase como uma nomeação solene.
Havia inúmeras fotos dele, Scorpius e Catherine. Seus pais sempre foram amigos, desde o tempo de escola, e os três cresceram juntos. Mas a ida de Scorpius para a Grifinória fez com que Tony e Catherine tivessem mais contato entre si do que com Scorpius.
Assim que Tony estava com mais ou menos treze eu e Albus fomos introduzidos ao álbum. Sorri ao ver algumas, em que estávamos em uma de nossas noites sagradas de poker.
Uma mais recente indicava o casamento do pai de Luke e Tony com uma nova mulher. Lembro-me de que Luke tivera muitos problemas com o casamento, já que não aceitava que Blásio “apagasse a memória de sua mãe tão facilmente da memória”. Tony não ligava tanto, já que não se lembrava da mãe e queria apenas a felicidade do pai.
Na tal foto do casamento eu conseguia ver Cat, a irmã Summer abraçadas, Tony fazendo uma careta e Luke abraçado com Dominique. Eles namoravam desde que Dominique estava no quarto ano, e estavam firme e forte até hoje.
Nada mudava o fato de que um Malfoy ter entrado na Grifinória e ter conquistado espaço entre os Weasleys, fizesse com que o namoro de uma Weasley com um Zabini fosse aceito mais facilmente, mesmo este sendo da Sonserina e mais velho.
Mas, para variar, (e sem ironias) eu fui questionada na mesa do almoço na casa de meus avós, sobre a índole de Luke Zabini. Ergui os olhos do meu prato, sentindo todos os olhares direcionados a mim e apenas assenti enquanto engolia um pedaço de frango. Em seguida todos suspiraram aliviados e voltaram a comer e conversar.
Foi minha participação mais ativa em todas as reuniões de família que já presenciei em quase dezessete anos de existência!
Como eu me senti em relação a isso? Indiferente.
— Não acho que ela seja uma namorada boa. Sabe, a Weasley. – Tony comentou após um tempo e me encarou. – Sem ofensas. – balancei a cabeça, indicando que não havia problemas. Ele e Catherine tinham mania de reclamar de algum integrante da família Weasley-Potter e pedir desculpas caso tenham nos ofendido.
— Dominique não é a garota mais boazinha do mundo.
— Sim, você é a tal garota. – Tony comentou irônico e eu sorri amarela. – Sério, ela não me agrada muito. A família Weasley no geral, as garotas principalmente. – ele gesticulava quando virou para me encarar novamente. – Sem ofensas.
— Não convivo com elas para dizer, mas todas as férias, quando estamos na casa dos meus avós, elas vivem de segredinho. Eu particularmente nunca me interesso por isso. – dei de ombros e Tony franziu o cenho.
— Tem alguma coisa errada com a Dominique. – ele balbuciou. – Nas férias de Natal, você poderia tentar descobrir alguma coisa. – ele sugeriu esperançoso e eu o encarei sem entender.
— Você acha que tem o que errado?
— Talvez uma traição. – ele supôs e eu arqueei a sobrancelha.
— É uma suposição? – ele negou e eu o encarei, querendo saber mais.
— Hoje mais cedo escutei ela dizer para Roxanne que iria se encontrar com “ele” em Hogsmead. Mas nessa carta – ele indicou o papel em suas mãos – meu irmão diz claramente que vai viajar por dias.
— Ele especifica o dia da viagem? – perguntei me esticando para tentar ler alguma coisa.
— Não. Pode ser algo da minha cabeça. “Ele” pode ser algum qualquer.
— Como pode não ser. – comentei e Tony assentiu.
— Você sabe que Luke não lida muito bem com sentimentos. – seu tom de voz era baixo. O surto pelo casamento do pai foi um dos únicos acessos de Luke teve. Ele já discutiu muito com a melhor amiga, Summer Nott, por ela sempre tentar alertá-lo a respeito das coisas. A pior briga ocorreu justamente na festa de casamento de Blásio Zabini, em que Summer disse algo contra Dominique.
Desde então os dois não trocam sequer uma palavra. E tanto Catherine como Anthony têm certeza que Summer sempre foi secretamente apaixonada por Luke, que nunca olhou para ela além de uma amiga.
— Vou fazer melhor do que ficar de olho. – olhei para meu amigo, sorrindo. – Vou convidar alguns amigos para conhecer os Weasleys.
...
Na semana seguinte acabei optando por fazer os testes para o time de Quadribol como Tony sugeriu, mas ainda não tinha voltado a falar com Albus. Ele estava sendo realmente muito bom em me ignorar, e eu estava começando a me sentir um pouco mal, mas só começando. Por isso não dei importância quando ele me encarou mortalmente quando me viu no campo.
Al era o mais novo capitão do time, e eu tinha acabado de descobrir. Tentei me acalmar sabendo disso, mas foi meio impossível. Ele era um excelente apanhador, e todos os jogos contra a Grifinória era quase uma guerra entre ele e o irmão, que também era apanhador. James saiu da escola tendo empatado vitórias com Al, o que deixou os dois um pouco irritados.
— Muito bem, aos que vão tentar a vaga de artilheiros formem uma fila à direita, batedores à esquerda e goleiros no meio. – me dirigi ao meio e Al ergueu uma sobrancelha, certamente lembrando que meu pai foi goleiro da Grifinória. Suspirei tentando afastar qualquer pensamento que me desconcentrasse.
Benedict Graham ia competir comigo, e me lançava sorrisos marotos e debochados. Revirei os olhos, tentando ignorar aquela presença oriunda do inferno ao meu lado.
Al optou por fazer um teste em meio a um jogo, então simularíamos uma partida de Quadribol para que ele decidisse quem entraria ou não.
— Lembrando que o time vencedor não será, necessariamente, o time oficial que entrará para o time da Sonserina. – Al falou alto no centro do campo. Já estávamos em nossas posições. – Boa sorte. – ele apitou e o jogo começou.
Julie Gale parecia uma máquina mortífera, pronta para tentar acertar o maior número de goles nos aros, mas eu consegui ser rápida o suficiente, deixando entrar apenas três goles de trinta.
Graham estava tentando se exibir demais, acabou se desnorteando e levou quatro goles em menos de um minuto.
Logo Al apitou, dando o encerramento do jogo. Voamos de frente a ele em formação e ele passou os olhos por cada um. Senti a frieza quando me encarou.
— Agora faremos testes separados. Vou começar com os artilheiros. O restante espera lá embaixo. – ele ordenou e descemos. Fui beber água e Graham entrou na minha frente.
— Espero que saiba que isso aqui não é um joguinho, Weasley.
— Espero que saiba que eu não tenho o hábito de brincar, Graham. – rebati tentando me esquivar. — Não me subestime.
Ele apenas me lançou um olhar de desprezo e abriu caminho. Eu estava quase soltando fogo pelas ventas, mas respirei fundo.
Esperar toda a seleção foi um tédio, e vira e mexe eu e Graham trocávamos olhares assassinos. Por fim os últimos candidatos a batedores desceram, e Al nos chamou.
— O professor Teller vai arremessar as goles e vocês terão que defender. Dêem o máximo de si mesmos. – ele falou sério e o professor pousou ao lado de Al. Quase senti um revertério, lembrando da cena com Roxanne, mas balancei a cabeça afastando os pensamentos. Quase acreditei que Al fez isso justamente para me irritar, quase.
O professor Teller fazia lances difíceis de agarrar, alguns eu tive que realmente fazer muito esforço. Estava concentrada, como se nada mais importasse. Enquanto Graham estava se exibindo novamente, como sempre. Em um dos últimos lances deixei a goles entrar, quase caindo da vassoura ao tentar pegá-la. Suspirei derrotada, vendo Graham abrir um sorriso vencedor.
Minutos depois Al encerrou o treino e eu desci para o campo, extremamente chateada.
— Eu disse para você, Weasley. Isso aqui não é para brincadeiras.
— Você está certo, Graham. – a voz de Albus soou alta e nos viramos para olhá-lo. – Quadribol não é para brincadeiras. Por isso você não está dentro. – o sorriso de Graham literalmente murchou, e eu não consegui conter meu sorriso de satisfação, e nem quis contê-lo. – Parabéns Weasley. – Al estendeu a mão e eu a apertei, puxando-o para um abraço.
Al ficou surpreso, o que já era de se esperar. Eu nunca dava demonstrações de afeto, fossem elas públicas ou privadas. Aquilo com toda certeza mexeu com o Potter. Sorri satisfeita.
— Obrigada. E me desculpe. – falei por fim e ele suspirou.
— Vou pensar no seu caso. Mas você já está meio desculpada só por ter deixado o Graham com essa cara. – ele se separou de mim sorrindo, e voltou a anunciar os escolhidos para o time.
...
Nesse sábado teríamos uma visita até Hogsmead, e Tony me lembrou que eu deveria ficar de olho em Dominique de alguma forma. Cat ficaria com Fred, eu e Al tentaríamos ficar próximos. Scorpius estaria certamente na companhia de Fred e onde Scorpius está, todas as garotas vão atrás. Tínhamos que observar tudo atentamente, o que não era problema para mim e para Al.
Estava muito frio, mas nenhum sinal de neve. Eu me sentia presa e sufocada dentro de tantos casacos de frio, e usar cachecol me deixava agoniada, mas uma gripe estava ameaçando se instalar em mim então preferi não me arriscar.
Nós quatro saímos juntos do castelo, mas assim que Cat avistou Fred sorriu e foi até ele. Tony suspirou.
— Ela precisa mesmo nos abandonar toda vez que vê ele? – ele perguntou indignado, com a voz baixa.
— Só porque você tem ciúmes não significa que ela vá evitá-lo ou qualquer outro garoto. – Albus alfinetou e Tony revirou os olhos.
— Não tenho ciúmes. Nós somos grudados desde que nascemos, não acho justo ela me abandonar assim tão fácil. – havia muita mágoa em sua voz, mas o assunto encerrou-se assim que Fred e Cat vieram em nossa direção, com as mãos dadas.
— Querem se juntar a gente? – ele perguntou animado. – Scorpius e Amanda vão estar lá também. Provavelmente Charlie também. – Fred sorriu maroto para mim e Tony resmungou.
— Virou encontro de casais agora? – ele cruzou os braços, contrariado.
— Não é encontro de casais porque os únicos que são realmente um casal aqui são Cat e Fred. – rebati puxando-o pelo braço. – E nós vamos sim, obrigada pelo convite. – Fred estranhou minha gentileza instantânea, mas resolveu ignorar, seguindo até o Três Vassouras.
Amanda e Scorpius estavam rindo, enquanto faziam algum jogo com as mãos. Eu e Al suspiramos ao mesmo tempo.
— Ás vezes acho que esses dois parecem mais um casal do que ela e meu irmão. – Al sibilou, tirando o gorro da cabeça.
— Eles apenas são amigos. – falei tentando me livrar das blusas, ficando ligeiramente estressada. – Amigos demais. – completei tirando toda aquela proteção. – Odeio ter que usar tantas roupas pesadas. – falei me sentando na mesa.
— Você poderia usar um feitiço de aquecimento. – Amanda comentou. – Scorpius falou sobre sua fantasia do Halloween. – olhei cética para ele, que sorriu sem mostrar os dentes.
— Posso tentar. – murmurei entre dentes, me sentindo idiota por não ter pensado nisso antes. Amanda ignorou totalmente a presença de Albus, o que o deixou muito deprimido, tanto que ele não abriu a boca em momento algum, somente para tomar sua cerveja amanteigada.
Todos estavam se divertindo, menos o trio Sonserino que não tinha nenhuma companhia e estava infeliz. Tony estava infeliz porque Cat estava saindo com Fred. Al estava infeliz porque Amanda estava ignorando ele, estava saindo com seu irmão e era amiga íntima de Scorpius. E eu? O que me deixava infeliz? Não ter pensado no feitiço de aquecimento.
Eu, Tony e Al estávamos no oitavo copo de cerveja amanteigada, quando Dominique, Roxanne e Lily chegaram acompanhadas de mais umas amigas. Elas me encararam realmente surpresas, e o olhar de Lily caiu diretamente sobre Scorpius. Franzi o cenho.
— Será que vamos ficar de olho depois de tanta cerveja amanteigada assim? – Tony perguntou próximo ao meu ouvido e eu dei de ombros.
— Temos que ficar. Por Luke. – afirmei lembrando do meu primeiro dia de aula, em que Luke e Summer foram meus primeiros amigos, e foram logo nos apresentando aos seus irmãos, Anthony e Catherine.
Depois de um certo tempo eu já estava entediada de ouvir as piadas de Fred e Scorpius, e entediada ao notar que Cat e Amanda estavam se dando super bem. Mas então Dominique cochichou algo com Roxanne e se levantou. Cutuquei Tony e Albus, que ficaram alertas. Ela foi até o banheiro e eu esperei alguns segundos, indo até o banheiro também.
Olhei em todos os boxes e não havia ninguém. Franzi o cenho. Acho que a cerveja me deixou um pouco zonza. Apoiei minhas costas na parede de madeira e tirei a varinha do bolso, fazendo alguns feitiços bobos. Acabei batendo meu cotovelo na parede e senti ela sumir. Comecei a cair e soltei um feitiço sem saber muito bem qual, que fez com que eu explodisse o teto do Três Vassouras.
Depois que a poeira abaixou vi que cai na rua de trás do Três Vassouras. Dominique estava ali, aflita, e ao lado dela James Potter com a varinha erguida. Ok, acho que a bebida realmente não me deixou muito legal.
— O que aconteceu aqui? – perguntou madame Rosmerta. Em seguida todos os presentes no pub foram até lá, olhando tudo sem entender nada.
— Tinha uma passagem secreta. – falei um tanto quanto confusa.
— Eu estava no banheiro... – Dominique interrompeu antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa. – Então um cara me puxou através dessa passagem secreta. Ele ia me estuprar. – ela começou a chorar e eu olhei descrente para ela.
— Então eu apareci e comecei a duelar com o canalha. – James afirmou, consolando a prima. – Até que Rose bombardeou tudo e ele aparatou.
— Obrigada James, e Rose. – Dominique fungava, e eu olhava para os dois confusa.
— Por favor, voltem para dentro. – Madame Rosmerta ordenou, e Tony me ajudou a levantar.
— James... – ouvi a voz de Amanda, e James prendeu a respiração. – Você não me disse que viria para cá. – ela tinha um tom de voz claramente magoado, e pude notar que Al estava vibrando com cena.
— Eu queria lhe fazer uma surpresa. – ele sibilou dando alguns passos e ficando na frente dela, enquanto segurava seu rosto. – Mas não deu muito certo. – Amanda olhou para Dominique, que deu um sorriso.
— Eu estou bem. Podem ir aproveitar Hogsmead. – Amanda apenas assentiu e Dominique foi amparada por Roxanne. Me virei e flagrei Lily me encarando, mas desviou os olhos, indo ajudar a amiga.
Quando estávamos voltando para Hogwarts, apenas eu, Tony e Al, fiquei repensando no que acontecera.
— A história não me convenceu. – falei por fim, após longos minutos de caminhada. A neve já começara a cair, e andar na neve bêbados estava sendo muito complicado. Tony me encarou, como se não compreendesse. – A história foi muito boa, heróica. Mas tem um problema. Não se pode aparatar naquele beco.
Fale com o autor