Freedom

6 Quando um Natal pode ser bem revelador


Notas iniciais
HEY PESSOAL, voltei com mais um capítulo. Demorei um pouco mais dessa vez devido às provas finais da escola. Espero que gostem desse capítulo

Quando um Natal pode ser bem revelador

Amanda passou o restante do dia na companhia de James e só apareceu quando já era noite, com um sorriso bobo nos lábios. Amanda tinha uma personalidade forte, apesar de ter sido uma garota frágil no primeiro ano. Ela foi adquirindo confiança e me dava muito orgulho. Mas seu ponto fraco era James Potter. E eu não gostava daquilo.

Parei de jogar xadrez bruxo com Charlie. Era nossa oitava partida, e já estávamos entediados. Fui até onde ela estava sentada e respirei fundo.

— Como foi o encontro?

— Melhor impossível. – até o tom de voz dela mudara. Revirei os olhos. Amanda apaixonada era patética.

— Você fica patética apaixonada.

— E você fica patético com ciúmes. – ela abriu um largo sorriso e eu a encarei com ceticismo. – Qual é Scorp, você claramente sente ciúmes do que eu e James temos, porque nunca conseguiu ter um sentimento assim por alguém antes. – ela cutucou a ponta do meu nariz e eu bufei.

— Obrigado pela parte que me toca. Por jogar na minha cara que sou uma pedra sem coração.

— Não exagera. – Amanda jogou os cabelos para trás, rindo. – James me convidou para passar o Natal na casa dos avós. – ela sorriu encarando o nada, e Lily, Dominique e Roxanne brotaram na nossa frente.

— Você e o James juntos são tão lindos! – Roxanne falou, se sentando ao lado de Amanda, que sorria encantada.

— Minha mãe vai adorar te ter como nora. – Lily se sentou entre mim e Amanda, fazendo com que eu fosse mais para o a lado, a contragosto.

— Mal posso esperar para ver você no Natal, Mandy. – Dominique sorriu, mas continuou em pé.

— Você já passou um Natal com a gente. – lembrou Lily, citando o primeiro e até então último Natal que Amanda passara com os Potter, até Albus estragar tudo.

— Mas a experiência com os Weasley é diferente. – Roxanne riu, sendo acompanhada pelas outras duas amigas.

— E você também está convidado Scorpius. – lembrou Lily finalmente me encarando, com um sorriso enorme. Vê-la de perto assim era estranho já que ficava evidente o motivo pelo qual Lorcan e Ezra eram apaixonados por ela.

— Ah... Claro. – falei sorrindo.

— Sempre tem mais um lugar na mesa. – Dominique garantiu, colocando o cabelo atrás da orelha e cruzando os braços. — Eu vou subir, não tive um dia muito bom. – ela sorriu minimamente e as amigas se levantaram imediatamente.

— Vamos com você. – elas falaram juntas. – Até mais. – falaram em uníssono de novo, subindo as escadas.

— Acho que eu vou dormir também. – Amanda falou se espreguiçando. – Boa noite Scorp. – acenou em meio a um bocejo e eu bufei, me estendendo no sofá.

— Cara, eu não sei você, mas essas três não me cheiram bem. – Charlie comentou, coçando os olhos de sono. – Vivem juntas, nessa coisa misteriosa. Uma loira, uma ruiva e uma morena. Meio "As Panteras", só que de um jeito ruim, entende?

— É só paranoia da sua cabeça. – falei entre dentes.

— Tenho mais medo delas do que da Weasley verde. – ele bocejou e finalmente subiu as escadas.

...

Nesse domingo a Sonserina jogaria contra a Grifinória, e me surpreendi ao ouvir que Rose Weasley estava no time. Infelizmente eu não poderia ficar lá para ver tal proeza, já que Lily me interceptou logo cedo, pedindo ajuda com História da Magia.

— Agora leia o capítulo onze e faça um resumo de cinco linhas. – ordenei seriamente. Estávamos sozinhos na biblioteca, já que todos estavam no campo para assistir ao jogo. A escola estava incrivelmente quieta. Lily suspirou, assentindo.

Eu estava comendo uma maçã distraidamente, lendo O Profeta Diário. Só conseguia escutar minha própria mastigação e a respiração de Lily. Ela estava inquieta, entretanto não dizia nada.

— Sabe. – ela falou por fim, após terminar o resumo. – Está meio frio aqui. Podemos ir para a Sala Comunal? Não tem ninguém lá. – Lily batia os dentes. Assenti, recolhendo nossas coisas.

— Temos algum tempo até o jogo acabar. – falei enquanto andávamos pelo corredor, lendo o resumo de Lily. – Parabéns. Você conseguiu dizer em poucas palavras o que o autor demorou pra dizer em um capítulo inteiro. – devolvi a folha para ela, que estava sorridente.

— Tenho o dom com as palavras. – gabou-se jogando os cabelos para trás e eu ri pelo nariz.

— E muita modéstia. – acrescentei divertido e Lily revirou os olhos, ainda sorrindo.

— Está no sangue Potter. – ela deu de ombros.

— Achei que era no sangue Weasley. Sabe, Rose Weasley é o exemplo de humildade em pessoa. – ri com meu próprio comentário, mas Lily permaneceu quieta.

— Que bom exemplo. – ela ironizou falando a senha para a Mulher Gorda.

— E não é? – perguntei arqueando a sobrancelha enquanto me sentava no sofá. Estava tudo incrivelmente quieto, e da janela eu poderia ver uma parte do campo. – Ela é uma Weasley e pertence a Sonserina. Melhor exemplo de modéstia impossível. – ri, indo até a janela.

— Podemos não falar nela e estudar? – havia uma irritação quase palpável em sua voz, mas preferi não prolongar o assunto.

— Ok. – falei voltando e me sentando ao lado dela.

Lily estava concentrada na leitura, e passava a ponta da pena na bochecha suavemente vez ou outra, com os cabelos ruivos soltos e lisos teimando em cair em seu rosto. De fato ela era bonita.

Só percebi que estava olhando para ela por longos minutos quando ela se virou para me encarar com seus olhos castanhos.

— Alguma coisa errada? – ela perguntou com sua voz dócil. Neguei sem dizer uma palavra. Ela assentiu, dando um sorriso de canto e voltando a fazer a lição. – Sabe, espero que goste de passar o Natal conosco. – Lily dizia enquanto terminava de pontuar sua frase.

— Com certeza irei gostar. – sorri e ela voltou a me encarar. Antes que pudéssemos dizer qualquer coisa a porta foi escancarada e fui para trás instintivamente, notando que estava próximo demais de Lily.

Ezra estancou no chão e semicerrou os olhos.

— Perdemos e vocês ficam aí namorando? – ele foi frio e eu suspirei.

— Só estávamos estudando. – assegurei e Ezra riu, com desdém.

— Vá se foder Malfoy. – e deu meia volta, esbarrando em um grupo de alunos que entrava, cabisbaixo.

— O que deu nele? – Lily perguntou confusa e eu dei os ombros. – Perdemos de quanto?

— Um vexame! – Fred exclamou, afundando no sofá e colocando a almofada na cara. – Rose defendeu todas. Todas! E Albus capturou o pomo rapidamente. Parecia mais uma brincadeira para aqueles dois!

— Patético. – Lily reclamou, fechando o pergaminho.

— Talvez eles estivessem em mais sincronia do que o nosso time. – supus e Lily me lançou um olhar seco.

— Talvez você devesse se juntar a eles, Scorpius.

— Ei, calma! – rebati quando ela se levantou.

— Esquece. – e saiu pela porta. Bufei frustrado e Fred sorriu malicioso.

— Acho que você deveria ir atrás dela. Lily se magoa fácil. – ele colocou os pés na mesinha de centro e eu o encarei cético. – Não é como se vocês tivessem compromisso ou algo assim. – Fred ergueu as mãos em rendição e eu me levantei.

— Ezra pensa que ficamos.

— Ezra é lunático. – Fred rebateu. – Vá pedir desculpas a Lily.

— Eu não fiz nada! – rotorqui e Fred deu os ombros.

— Garotas gostam de quando os caras vão atrás. Elas sempre estão certas, lembra? – e com isso eu sai pelo quadro da mulher gorda, sem saber ao certo porque eu estava fazendo aquilo.

Lily estava bem a frente, mas eu conseguia focalizar seus cabelos vermelhos. Ela subia as escadas com um pouco de pressa.

Eu sinceramente não entendia toda a raiva por Sonserinos e principalmente aquele drama que Lily estava fazendo. Ela por fim entrou na Torre de Astronomia. Esperei alguns segundos, tomando fôlego e abri a porta.

— Não precisava ter feito isso. – a voz dela ecoou. Suspirei. É óbvio que precisava.

— Precisava sim. – afirmei indo até seu lado na sacada. O campo agora estava vazio, com alguns alunos nos arredores ainda, com o sol quase se pondo no horizonte. – Você não gosta quando falam na Sonserina.

— Ou em Albus e Rose. – ela completou, rindo pelo nariz. – Eles são minha família, mas ao mesmo tempo não são. Não convivemos, e isso é estranho.

— Mas isso pode mudar. – aleguei e Lily balançou a cabeça em negação.

— Não, não pode.

— Se você se esforçasse. – rebati e Lily suspirou, cansada.

— Eu poderia só te fuzilar agora e sair por aquela porta, mas você não entenderia de qualquer forma.

— E você não explica! – bradei e Lily apoiou o rosto na mão.

— Não quero me aproximar deles. – tanta sinceridade e frieza assim me assustaram. Precisei de uns segundos para absorver. – Eles pertencem a Sonserina. E você sabe muito bem o papel dos Sonserinos na guerra. — Lily se calou, percebendo o que havia acabado de falar e eu comprimi os lábios.

— Minha família inteira foi da Sonserina e eu confio plenamente neles. Porque são minha família. – frisei, magoado, e Lily me encarou desconcertada.

— É diferente.

— Sim, é. Minha família carrega uma marca negra. Acho que Rose e Albus estão bem longe disso, não? – falei irônico e Lily se virou para mim, estressada. Encostou o dedo no meu peito e ergueu os pés, se inclinando.

Ela provavelmente ralharia comigo caso a porta não fosse escancarada por uma dúzia de Sonserinos comemorando, e Rose Weasley a frente, sorrindo vitoriosa.

Mas quando Rose nos viu ergueu as sobrancelhas, enquanto o restante do time dava risadinhas. Em seguida notei Al, que sorria de modo estranho.

Lily apenas revirou os olhos e ao sair trombou em Rose, que riu divertida, e em Albus, que revirou os olhos.

— Acho que aqui está ocupado. – ela comentou e os outros riram. – Vamos achar outro lugar. – Rose já ia dando meia volta quando eu a segurei. Ela se virou sem esboçar reação, enquanto o restante do time se afastava ainda comemorando.

— Eu e ela não fizemos nada – falei sem saber ao certo o porquê de estar falando aquilo. Eu não precisava dar satisfações a ela. Rose deve ter pensado a mesma coisa, porque simplesmente ignorou.

— Só estávamos procurando um lugar alto o suficiente para uma brincadeirinha. – ela sorriu maliciosa. – Notou que daqui temos uma visão quase que perfeita do Salão Comunal da Grifinória? – acompanhei seus olhos verdes e, de fato, a visão era perfeita. Distante, porém perfeita. – Perder tão pateticamente no Quadribol não é o suficiente. Mas eu não deveria lhe dizer isso, você é Monitor. – Rose franziu o nariz, e notei que ela estava ligeiramente embriagada.

— Não deveria beber, senhorita Weasley. – repreendi-a e ela riu irônica, sentando-se em um banco ali perto.

— Não deveria se agarrar pelas salas, senhor Malfoy. – me alfinetou e eu bufei. – Estou brincando. Agarre a Weasley ou Potter que quiser. – ela riu, mas se calou em seguida. – Menos eu, ou eu arranco seus lábios fora.

— Como se eu fosse realmente cogitar tal ideia. – ri com desdém e Rose crispou os lábios.

— Vai implorar ainda, Malfoy.

— Você tem noção do que está dizendo, não é? – perguntei divertido, já que Rose normal não falaria isso. No mínimo me daria uma resposta ácida, tipicamente Sonserina.

— Não. – ela foi sincera e eu ri mais ainda. – E você anda Sonserino demais. Talvez sua namoradinha não goste. – Rose fez um biquinho de falsa tristeza. – Ela tem pavor de cobras. – falou em um sussurro, como se fosse segredo. – Principalmente a má Rose Weasley e o perverso Albus Potter. – e soltou uma gargalhada estranha, se levantando em seguida, um pouco tonta. – Mal posso esperar pelo Natal desse ano.

— Nem eu. – assegurei e ela me olhou confusa.

— Um Malfoy entre Weasleys? Uau. Esse Natal guarda mais surpresas do que realmente pensei. – ela colocou a mão na porta, tentando girar a maçaneta quando seus cabelos caíram em seu rosto. – Te vejo por aí. – com aquele maldito sorriso irônico finalmente girou a maçaneta e saiu.

— Cuidado com os degraus. – falei e a porta se bateu com uma força exagerada.

...

Tentei alinhar meu cabelo, mas assim que Amanda me viu fez uma careta e bagunçou-os.

— Nunca tente lambê-los dessa forma como fazia no primeiro ano. – me advertiu, enquanto ajeitava meu suéter vermelho.

Fazia realmente muito frio, mas meu quarto estava incrivelmente quente. Era dia de Natal, e estávamos impacientes esperando pelo horário de irmos para a Toca finalmente.

— Não esqueça do casaco, cachecol, gorro e luva. – ela pegou animada as peças em cima da mesa e vestiu-as. – Como estou?

— Parecendo uma bola. – falei sincero e ela riu. Estava feliz por poder passar o Natal com James. Tentei me animar por ela, mas desde o jogo de Quadribol Lily estava um pouco chateada e Ezra estava muito puto, já que alguns boatos rolaram depois do incidente com a Sonserina na Torre de Astronomia.

— Sei que não está lá muito animado, mas é Natal Scorp! Fred estará lá, eu estarei lá. E é o que importa. – Amanda deu aquele sorriso contagiante que sempre me fazia sorrir e não me contive, sorrindo também.

— É melhor irmos. – lembrei, terminando de ajeitar meu cachecol. Teríamos que fazer uma boa caminhada até a Toca dos Weasleys, já que era permitido aparatar apenas a longos metros de distância da casa em si.

Não pensei que a nevasca estaria tão intensa e que aquele trajeto aparentemente pequeno e transformaria em um verdadeiro desafio para nós dois.

Até tentamos conversar para aliviar o frio, mas desistimos depois de um tempo. Consegui arranjar forças para bater na porta, que foi rapidamente aberta por uma senhora aparentemente muito bondosa.

— Meu deus, vocês devem estar congelando! Fred! Você não falou da lareira? – ela berrou, fazendo com que eu e Amanda nos assustássemos.

— Acho que esqueci! – ouvimos a resposta de Fred vindo de um outro cômodo.

— Vamos, entrem! – a senhora Weasley pediu amavelmente, pegando nossos casacos. Assim que ela fechou a porta senti o calor da casa me invadir e relaxei bastante.

— Muito obrigada pela hospitalidade, senhora Weasley. – Amanda falou sorridente e a senhora Weasley sorriu, abraçando-a.

— Não há de que minha querida, não há de que! – quando finalmente largou Amanda se virou para mim, colocando as mãos na cintura, mas ainda sim sorrindo. – E vejo que temos um Malfoy aqui, hã? Não se sinta desconfortável, querido. Qualquer amigo de nossas crianças é nosso amigo também. – e me acolheu amorosamente em um abraço caloroso.

— Obrigado. – falei sorridente.

— Grifinória, hein?! – exclamou ela batendo no meu ombro, encarando meu suéter. – É um bom garoto.

— Obrigado. – falei novamente, dessa vez com mais dificuldade porque a senhora Weasley apertava minha bochecha esquerda.

— Vai deixar uma bela marca aí, vovó. – ouvi a voz de Rose, divertida. Me virei e me deparei com ela enrolando as mãos na manga do moletom grande e cinza enquanto comia um bolinho.

— Ora, nunca vi um garoto tão pálido! Você já Rose? – ela perguntou a neta, que negou com um olhar divertido. – Leve-o para tomar um sol de vez em quando querida. Gui e Fleur adorarão recebê-lo lá.

— Está pedindo para a neta errada vovó. – Rose brincou, me lançando um olhar desafiador eu suspirei.

— Já já Harry chega. Vão para a sala se aquecerem. – ela nos empurrou com delicadeza. – Fiquem a vontade queridos. E Rose, pare de beliscar a comida!

— Desculpe vovó! – Rose ergueu as mãos, terminando de comer o bolinho.

A casa tinha um aspecto engraçado, como se fosse inclinada, mas era bem aconchegante e receptiva.

No sofá Fred estava abraçado com Catherine, enquanto Anthony estava no sofá oposto conversando com Roxanne.

— Como podem notar virei praticamente um candelabro. – Rose suspirou se jogando em outro sofá ali perto. Eu e Amanda nos sentamos de cada lado dela, sem saber muito bem o que dizer.

— Hey galera! – Roxanne acenou animada e nós retribuímos. – Primeiro Natal juntos, uhul! – ela fez um gesto animado e Rose gemeu.

— Acho que vou precisar de uma boa dose de firewiskey.

— Hey, Domi! – a voz estridente de Roxy soou novamente, que se levantou para abraçar Dominique como se elas não tivessem se visto por muito tempo.

— Correção. Vou precisar de duas doses. – ela se levantou, subindo as escadas.

— Ela tem um humor tão... – Amanda gesticulou, procurando as palavras corretas.

— Exótico? – sugeri e Amanda riu. Pensei que poderia desfrutar da companhia da minha amiga por um tempo quando os Potter cruzaram a sala da Toca e o senhor e a senhora Weasley desceram as escadas na companhia de uma Rose emburrada, provavelmente porque a tentativa de ficar o mais longe possível dali não deu certo, e Hugo.

Todos os adultos me encararam, mas ao invés de ficar um clima estranho fui extremamente bem recebido.

— Scorpius! – Harry Potter se aproximou, sorrindo. – Estou muito contente que esteja aqui.

— Todos nós adoramos saber que Lily o convidou. – falou Gina Weasley e vi Lily surgir atrás dela, com um belo vestido vermelho. Sorri, e ela sorriu de volta. Já não estava mais brava comigo.

— Amanda, minha querida! – Harry a abraçou com fervor, seguido de Gina. Enquanto eles matavam as saudades, o senhor Weasley e a senhora Weasley vieram na minha direção.

— É um prazer ter você aqui, Scorpius. – a mãe de Rose era incrivelmente bonita, e não contive meu sorriso enorme.

— Lembrando que a regra de namoro com garotas da família ainda se aplica a você, mesmo você sendo protegido. – o senhor Weasley me lembrou seriamente, mas Hermione Weasley apenas revirou os olhos, para que eu ignorasse.

Olhei para trás e vi James conversando com Amanda, Anthony emburrado com Rose, Catherine e Fred se beijando, as três amigas conversando animadas e Hugo jogando em um aparelho trouxa.

— Meio deslocado, Malfoy? – Albus sorriu daquele jeito Sonserino e eu ri pelo nariz.

— Não sou eu o Sonserino aqui. – rebati, e felizmente Albus não pegou mal com o que eu disse e levou na brincadeira.

— Somos sanguinários. – ele falou macabro. – Não somos confiáveis.

— Todos asquerosos e nojentos. – complementei, rindo.

A celebração em si era muito animada. Ninguém nunca ficava entediado ou deslocado. Eu já conhecia a família inteira, porém narrar cada conversa seria demasiadamente entediante e longo.

No fim da ceia estávamos em um cômodo separado dos adultos, mesmo assim conseguíamos escutar todas as risadas deles.

Me levantei para ir até a cozinha e trombei com Lily, que bebia suco de abóbora, que acabou caindo no chão, a poucos milímetros de estragar seu vestido ou seus sapatos.

— Me desculpe Lily. – falei apreensivo, mas ela apenas riu.

— Não foi nada Scorpius.

— Eu limpo. – abaixei no mesmo instante com ela, pegando um pano ali perto. Tentamos limpar ao mesmo tempo, rindo.

— Não está dando muito certo. – ela observou e nos levantamos por fim, rindo. Olhei para cima e vi um visco. Ri pelo nariz.

— O que seu pai diria sobre isto? – indiquei o visco sem encará-la.

— Ele não precisaria saber. – sua voz era risonha. Abaixei meus olhos para encará-la quando as luzes se apagaram.

— Alguém quer brincar de caça ao tesouro? – ouvi a voz de Rose Weasley em algum canto da casa. – As luzes ficarão apagadas até alguém encontrar um objeto perdido... Ele cabe na mão, é frágil, pode ser partido em dois. E quando possuímos ele em mãos, devemos ter muito cuidado, ou as conseqüências podem ser devastadoras. – a voz ecoava pela casa, mas era perceptível a ironia na voz dela. Ouvi um suspiro de Lily.

— Essas caças ao tesouro costumam demorar muito. Lumus. – a ponta da varinha dela se iluminou, mostrando seus olhos castanhos. – Se não quiser, não precisa participar.

— Acho que seria interessante. – sorri, já começando a me afastar para procurar.

Não fazia ideia do que poderia ser, estava seguindo meus próprios instintos. Os degraus rangiam conforme eu pisava, e podia escutar movimentação nos andares de cima e nos de baixo também.

Resolvi descer as escadas novamente, imaginando que estaria em um lugar mais óbvio do que todos pensavam. Cheguei à sala novamente e notei uma porta de baixo da escada. Abri-a com delicadeza e mal acreditei no que vi.

Dominique e James estavam ali. Fazendo mais coisas do que simplesmente se beijar. Estanquei, sem conseguir respirar. O casal mal notou minha presença enquanto estavam entretidos demais masturbando um ao outro. Ali, bem de baixo do nariz de toda a família, Bem de baixo do nariz de Amanda.

— Não devemos... – a voz de Dominique estava entrecortada. – Podem entrar...

— Shhh, vamos acabar logo com isso... – não consegui ver mais nada. Dei passos para trás, meio desnorteado e bati em alguém. Me virei assustado e a luz da varinha se acendeu, revelando grandes olhos verdes. Os olhos de Rose Weasley.

— Você encontrou. – ela sorriu de canto, entendendo a mão, onde um coração de vidro girava em sua mão, reluzindo. – Encontrou meu coração.

— Mas o que... – sibilei, encarando o objeto que transmitia uma luz que me deixava fissurado.

— Metaforicamente falando, claro. – frisou ela com desdém.

— Seu coração nunca seria meu. – deduzi.

— Só nos seus sonhos, Malfoy. Nos seus sonhos. – falou próxima ao meu ouvido e desligou a luz da própria varinha. – Vamos deixar o casal se divertindo um pouco.

— Ele está com Amanda. – falei entre dentes, tentando seguir a voz baixa de Rose. – E está praticamente transando com Dominique ali dentro! – tentei controlar meu tom de voz, já que qualquer um poderia ouvir, mas a movimentação demasiadamente exagerada logo acima indicava que todos procuravam nos quartos e que estávamos sozinhos no térreo, exceto pelo casal mais nojento da face da terra.

— Eu sei. Eles devem ter feito coisas piores já. – sua voz era dura. – Minha priminha namora um grande amigo meu também, não se esqueça. A verdade vai vir à tona. Fique calmo.

— Isso é revoltante! – argumentei, quase trombando em uma cadeira. Deveríamos estar na cozinha.

— Apenas mantenha a língua dentro dessa sua boca. – sibilou ela bufando. Senti algo incomodar meu nariz e acendi minha varinha. Dois viscos enormes se formavam em nossas cabeças. Rose riu com aquilo.

— Parece que a tradição está a nosso favor.

— Sabe o que dizem sobre quebrar tradições, certo? – provoquei, vendo até onde Rose manteria a pose. Ela sorriu de canto.

— Não ligo para tradições. Caso você não saiba, eu quebrei uma. – e se virou, saindo andando.

Logo as luzes se acenderam, e todos se reuniram na sala. James e Dominique fingiam que nada havia acontecido, e quando ele selou Amanda com a mesma boca que estava a pouco tempo atrás percorrendo todo o corpo de Dominique Weasley senti uma súbita vontade de esmurrá-lo, até que me surpreendi ao ver que Roxanne e Anthony estavam se pegando.

— Grifinória e Sonserina cada vez mais confraternizando. – a voz de Rose soou ali perto, mas ela conversava com Albus.

— E cada vez mais segredos sendo revelados. – ele comentou e Rose riu pelo nariz.

— Mal posso esperar pela próxima. – acompanhei os olhos de Rose, que recaíram sobre Lily, que conversava animada com Dominique. Era possível que ela soubesse de toda aquela coisa nojenta da prima e do irmão?

Poderia Lily ter algo de ruim escondido? Quando nossos olhares se cruzaram e ela sorriu, tive certeza que não. Lily Potter não era uma má pessoa e não tinha nada a esconder. Lily Potter era perfeita. Perfeita até demais.

— Limpe a boca Malfoy. – Rose passou o dedo pelo canto da minha boca, o que me assustou repentinamente. – Está babando demais pela Lily. – e saiu com Albus no encalço, que apenas sorriu maroto.

Voltei a encarar Lily, que presenciara a cena e claramente não gostara. Respirei fundo e me sentei com Fred e Catherine, que não paravam de se beijar. E ao lado, Roxanne e Anthony, que pareciam que iam se engolir.

— Vocês sabiam que isso não é muito higiênico, certo? – tentei, mas eles nem deram ouvidos. – Eu transei hoje. – outra tentativa e nenhuma reação. – Eu sou gay. – falei dessa vez mais alto, mas nada. Suspirei. – Estou apaixonado. – Fred largou Catherine instantaneamente, o que fez com que ela protestasse, causando a curiosidade de Anthony que se separou de Roxanne.

— Você o que? – Fred perguntou estupefato. Dei de ombros.

— Pelo jeito não tenho um coração de pedra. – segurei o coração de Rose Weasley em meu bolso, que ainda pulsava.

— É sério? – Fred perguntou, quase caindo no chão.

— Não, idiota. – comecei a rir e Fred me fuzilou. – Prefiro me jogar de uma ponte a me apaixonar. Dói menos. – olhei na direção de Amanda, que sorria encantada para James.