Freedom

7 Quando os gênios são forte demais


Notas iniciais
Heeeey pessoal, espero que tenham tido ótimas festas de Natal! Provavelmente a próxima atualização vem só em Janeiro então Feliz Ano Novo!

Quando os gênios são fortes demais

Albus, Anthony e Catherine estavam na minha casa no dia seguinte ao Natal na Toca. Estávamos finalmente contando para Tony que Dominique estava sim traindo Luke, e que James estava traindo Amanda.

— Eu sinto vontade de socar os dois. – Albus falou entre dentes. – Luke e Amanda são duas pessoas incríveis. Enquanto esses dois fodem por aí.

— Que vadia. – Tony socou a mesa, estressado. – Meu irmão não merece isso. Precisamos resolver.

— Não. – falei firme e eles me encararam indignados. – Scorpius também viu, e o primeiro instinto foi contar tudo para a Amanda. Mas devemos esperar. Devemos usar o que sabemos na hora certa.

— O clã Weasley esconde muitos podres. – Cat falou irônica, cruzando os braços. – Sem ofensas Rose.

— Mas é verdade. – dei de ombros, exalando indiferença. Não era de se surpreender que por de baixo de toda aquela fachada de família perfeita se escondessem segredos tão sujos.

— Supomos então que você também esconde algum segredo, Rosinha. – Cat ironizou novamente e eu suspirei sem emoção.

— Sou um livro aberto e você sabe Catherine.

— Não quando se trata de sentimentos. – Tony me lançou um olhar que não compreendi.

— Sempre deixei claro meus sentimentos. Não faço o tipo “guardo para mim mesma”. Se eu gosto de alguém, gosto. Se não gosto não vou tentar parecer agradável ou coisa do tipo. – expus quase que com repugnância ao lembrar do quão falsas minhas primas eram. Eu podia exalar sarcasmo e ironia, mas não daria o gostinho a elas de soar falsa.

— Acho que Tony estava falando a respeito de seus sentimentos amorosos. – Catherine esclareceu e Tony assentiu brevemente. Albus olhou para os dois com o cenho franzido, tão estupefato e confuso quanto eu.

— Rose não teria porque esconder algum tipo de interesse romântico.

— Até porque não tenho. – acrescentei com frieza e meus dois amigos riram pelo nariz, o que achei totalmente irônico e irritante. Eles nunca concordavam em nada, por que tinham que bancar os idiotas justo agora?

— Ah, qual é Rose. Nós estamos sacando sua jogada. – Cat sorriu, seu maior sorriso presunçoso que dizia “eu sou a dona da razão”, sendo acompanhada pelo idiota do Tony, que se achava tão sabe tudo quanto ela. Além dessa prepotência irritante, eram dois orgulhosos pau no cu, que nunca entravam em um consenso e viviam em pé de guerra. Vai entender.

— Eu acho que esses casinhos de vocês com pessoas da família Weasley e ainda por cima da Grifinória estão afetando seriamente a capacidade de pensar com sanidade. – resmunguei e os dois sorriram com sincronia. Revirei os olhos.

— Você detesta a Lily. Ela detesta você. Não seria irônico ambas estarem interessadas no mesmo cara? – Catherine jogou os cabelos negros para trás, rindo.

— Mesmo que vocês não saibam conscientemente, lá no fundo rola isso. – Tony assentiu e Albus começou a rir.

— Rose não seria tão infantil a ponto de disputar com minha irmãzinha querida o coração de um cara. – ele riu ao terminar a frase, mas me encarou sério depois.

Eu nunca havia parado para olhar a situação daquele ângulo, mas que foi satisfatório ver a reação da pequena Potter ao me ver tão próxima de seu interesse amoroso que não controlei um sorriso de canto perverso.

Tony e Cat se entreolharam, dando o mesmo sorriso perverso. Al abriu a boca em um “o”, amaldiçoando toda a geração Zabini e Nott pelos dois terem implantado uma ideia maluca na minha mente.

— Fala sério, Rose! Isso não levaria a lugar algum.

— Mas seria divertido. – Cat instigou e eu semicerrei os olhos, analisando a situação.

— Rose, isso seria patético. Isso iria atrapalhar totalmente minha relação com a Amanda caso desse alguma bosta.

— Que relação? – nós três perguntamos ao mesmo tempo e Al bufou.

— Ela vai detestar James depois que descobrir. E lá estarei eu, pronto para dar apoio.

— Ela vai querer se ver longe de qualquer Potter. – corrigi-o. – Ela já te detesta agora, depois disso o ódio pela nova geração Potter vai aumentar.

— Quanta tolice, Rose.

Ouvimos passos na escada e em seguida minha porta foi escancarada por meu irmão.

— Uou, reunião Sonserina. – ele franziu o nariz por um instante, mas logo sorriu.

— Desembucha, Hugo. – revirei os olhos e ele deu de ombros.

— Tem alguém aqui em baixo que quer te ver.

— E quem seria? – franzi o cenho ao perguntar e Hugo riu um pouco.

— Scorpius Malfoy. – instantaneamente os três olharam para mim e Hugo talvez tenha entendido um pouco errado, pois abriu um sorriso malicioso. Mas depois pareceu se lembrar de alguma coisa, e me olhou em desespero.

Talvez tivesse associado que Scorpius Malfoy estava na sala de estar querendo me ver, o que fez com que meus três melhores amigos dessem aquela olhada significativa. O mesmo loiro da Grifinória que é o interesse romântico de minha prima querida, por quem Hugo possui um laço familiar forte.

Olhei de esguelha para Catherine, e notei que ela também fez a constatação da reação de Hugo. Ela sorriu me encorajando, e eu me dirigi até a sala ligeiramente feliz, porque a diversão iria começar.

Eu não tentaria ter algo romântico com o senhor certinho da Grifinória, mas seria legal irritar minha prima — que me odiava por um motivo desconhecido por todos — com isso. Por puro prazer.

Lancei um olhar maligno para Hugo, dizendo claramente para nos deixar a sós e sorri com escárnio para meu mais novo “amigo”.

— Então. – incentivei-o a falar.

— Sobre ontem. – ele se aproximou alguns centímetros, para evitar que alguém escutasse alguma coisa. – Achei que seria bom você saber que o paspalho do Potter vai para Hogwarts depois do recesso de Natal. – franzi o cenho, sem compreender nada.

— Como?

— Ele vai dar aulas de vôo. Amanda está desolada.

— Ainda não estou entendendo...

— Rose, James vai virar professor em Hogwarts. Ele sugeriu que mantivessem o romance em segredo, já que relação entre professores e alunos é expressamente proibido, mas ela teme que descubram. E está pensando seriamente em arriscar a formação acadêmica dela em Hogwarts por causa daquele imbecil! – Scorpius se sentou no sofá, amuado e irritado, enquanto passava a mão nos cabelos loiros de forma nervosa.

— Ok, isso eu compreendi. Imaginei que esse seria o drama, vindo de alguém tão cegamente apaixonada. – fiz um movimento com as sobrancelhas e cruzei os braços. – Apenas não entendi a necessidade de você ter vindo aqui me dar essa notícia pessoalmente. – Scorpius me encarou com incredulidade.

— Você não entendeu a gravidade da situação? – soou como uma pergunta retórica, então me limitei a erguer as sobrancelhas de modo que eu sabia que o deixaria irritado. Ele resmungou, levantando-se.

— Se queria me ver, era só falar. – sorri de canto, iniciando minha brincadeirinha. Ele me lançou um olhar cético e eu ri secamente. – Eu entendi a seriedade da situação. E tenho certeza absoluta que se Amanda não quiser se arriscar com James, Dominique certamente o fará. – constatei me sentando e Scorpius bufou.

— Exatamente! – ele parecia frustrado. A preocupação que ele tinha com a amiga era quase doentia. Quer dizer, todos achariam isso fofo e normal, mas eu particularmente não acho isso nada normal. Tal opinião vinda de uma pessoa que quase deixou o primo e melhor amigo ter um ataque do coração por pura diversão não deve ser considerada. Balancei a cabeça tentando afastar tal pensamento e a sensação de ser uma péssima amiga, além de um ser humano horrível.

— Quer uma água, chá ou algo assim? – meu repentino acesso de bondade não só me surpreendeu como surpreendeu a ele também. O loiro me olhava como se eu fosse alguém de outro planeta, mas eu não o culpava. Não entendia muito bem a maioria das minhas ações.

— Não... – ele respondeu ainda um pouco transtornado com minha tentativa de gentileza. Balançou a cabeça e suspirou. – Eu só temo que as coisas fujam do controle, Rose. Não duvido que o Potter marque encontros com Amanda e com Dominique. Não quero que ela passe por isso. – ele fechou os olhos, tentando controlar a raiva que crescia dentro dele.

Não pude deixar de sentir uma pontinha de inveja e ciúmes ao notar tal preocupação e instinto protetor. Aquilo me incomodou bastante. Por que Scorpius Malfoy tinha que ser tão bom, afetuoso e o senhor perfeitinho?Tamanha perfeição nunca me incomodou antes. Quero dizer, minhas primas eram consideradas perfeitas, mas isso nunca me incomodou.

Mas Scorpius Malfoy era absurdamente certinho. E aquilo me incomodava. Porque sim, eu sou uma egoísta nojenta e mal humorada. Cometo erros, tenho inúmeros defeitos e não sei ser agradável. Muito menos afetiva. Pertenço à Sonserina, onde não vemos pessoas sorridentes e afetuosas o tempo inteiro.

Estou acostumada com pessoas fazendo besteiras a todo instante, e não se preocupando demais com isso. Fico imaginando se Scorpius estivesse no lugar de Albus naquele dia da azaração de Amanda. Não tenho tanta certeza se ele ficaria livre de remorso tão rápido quanto Albus.

Albus ficou ressentido porque, apesar de ser da Sonserina e tudo o mais, era uma pessoa bem sentimental. Não que ele fosse um idiota frágil, mas se magoava com mais facilidade que eu, Anthony ou Catherine.

Me pergunto se Scorpius é o tipo de pessoa que perdoaria algo do tipo ou se levaria seus princípios ao pé da letra. Isso me deu uma súbita vontade de conhecer mais o loiro sentado à minha frente, que fazia um discurso enorme sobre sua tamanha lealdade à Amanda, e como esconder tal segredo estava matando-o por dentro.

— Vamos esperar as aulas voltarem. – falei depois de voltar a prestar atenção na conversa e parar de devanear. – Amanda tem que ver com os próprios olhos.

Ele arregalou os olhos com a possibilidade, negando prontamente, dizendo que tal opção a deixaria devastada.

— Use a cabeça, gênio. – cutuquei seu crânio de forma patética e ele revirou os olhos. – Ela está realmente obcecada por ele. Dê um tempo para isso. Ela pode acabar querendo perdoar ele. Em Hogwarts as coisas estarão mais delicadas. James sempre foi um cara ausente, agora ainda mais. E a pressão toda em cima dela sobre escolher o namorado ou os estudos vai deixá-la sensível. Quando ela descobrir tudo vai vir como um turbilhão, e lhe garanto que ela nunca mais vai querer vê-lo outra vez.

Conclui com meu melhor sorriso, mas Scorpius me olhava com incredulidade e até um pouco de repulsa.

— Isso vai deixar ela devastada. É cruel!

— Mas eficaz. – garanti e ele negou com a cabeça, ainda incrédulo.

— Como você consegue pensar tão friamente? Ela é minha melhor amiga! Não quero que ela sofra.

— Prefere falar tudo agora e ver Amanda correndo atrás daquele canalha novamente? – lancei-lhe meu melhor olhar de “concorde comigo ou morra”, mas Scorpius era incrivelmente bom em não ceder.

— Vai ser a pior decepção da vida dela.

— Alguns males vêm para o bem. – dei de ombros sem emoção e ele arfou.

— Eu não poderia esperar nada diferente de você. – ele se levantou e eu ri, deixando-o mais irritado ainda. Se ele pensou que aquele comentário ou todo seu show me deixaria abalada, se enganou.

Cresci ouvindo coisas do tipo, e não faço o tipo que se abala com qualquer coisa. Scorpius teria que tentar mais se quisesse causar algum tipo de abalo em mim.

— Você sabe que no fundo estou certa. – e como um típico orgulhoso maldito da Grifinória ele não cedeu facilmente e simplesmente saiu.

Massageei minhas têmporas. Talvez eu estivesse começando a entender o porque de Tony e Cat brigarem tanto. Gênios parecidos e ainda por cima fortes nunca se dão bem. A diferença é que eu realmente detestava Malfoy. E detestaria para sempre.

Notas finais
Preciso dizer que rola uma coisa estranha entre Scorpius e Rose desde o incidente da Torre de Astronomia? HEUEHUEHEUEH Espero que tenham gostado! Até a próxima