Freedom

8 Quando a curiosidade fala mais alto


Notas iniciais
Oie! Sim, sei que demoro horrores para atualizar, mas essa fanfic ficou martelando na minha cabeça mesmo enquanto estive fora e senti a necessidade de atualizá-la. Para quem não se lembra, estava alternando um capítulo da Rose com um do Scorpius. Mas esse mesclei os pontos de vista e vocês vão entender o motivo (surpresinha hehe). Espero que gostem! ♥

Ter, tecnicamente, discutido com Malfoy me deixou mal humorada pelo restante da tarde. Era irritante demais toda aquela super proteção em cima da Lore. Ter um coração partido não é o fim do mundo. Mas se ele, de fato, quisesse contar para ela, já teria feito isso.

— Wow, Luke quer dar uma festa em casa hoje. — anunciou Tony checando o celular. Massageei minhas têmporas.

— Não contem comigo. Estou farta de problemas.

— Rose, nós temos que estar lá. — Tony tentou argumentar, ou melhor, tirou um pouco do que ainda me restava de paciência.

— Rose quer evitar o Malfoy. — fuzilei Cat com o olhar, que sorria.

— Cala a boca, sério.

— Rose, acho que deveríamos ir. Afinal, se a merda for jogada no ventilador, pelo menos estaremos lá para não deixar os dois se safarem.

— Estou fazendo isso unicamente pelo Tony. — falei entre dentes, já me arrependendo de estar concordando com tudo isso.

— Amanda também vai se beneficiar com isso. — Al lembrou e não pude deixar de revirar os olhos.

— Ela é muito emocionada. Como não percebe o idiota que o James é? Nem namorado eles são. Se um cara demora tanto assim pra te assumir é porque coisa tem. Merlin, por que as pessoas insistem em complicar as coisas?

Por isso odiava a ideia de me apaixonar. As pessoas ficam tão retardadas quando estão gostando de alguém que jamais quero ficar assim. É uma perda de tempo gigante. Custa simplificar as coisas? Ir direto ao ponto? Mas que saco.

— Pode ser um saco, mas não tem como você prever se uma relação vai ser descomplicada ou não. — Cat deu de ombros e Tony olhou acusatoriamente para ela.

— Vocês por acaso estão em um nível de envolvimento a ponto de terem que discutir se é complicado ou não? — seu tom de voz era um misto de sátira com incredulidade.

— Mas é evidente que não. Não há muito que você possa me questionar sobre. Você estava engolindo Roxanne ontem.

— Foi só uma ficada. — Tony riu e Albus bateu em seu ombro.

— Ótimo, porque ela tava super de caso com o antigo professor de vôo.

— É muito estranho ele ter sumido do nada — analisei enquanto enchia meu copo com uma dose caprichada de firewhiskey.

— Wow, meio cedo, não tá? — apenas ignorei o comentário de Albus e virei o copo.

— Se vou ter que aturar drama Weasley-Potter-Malfoy-Lore hoje, vou precisar começar logo os trabalhos.

— Não vejo porque não fazer o mesmo. — Cat sorriu e me acompanhou em um brinde. — Quanto mais tempo passo com Fred vejo o quão asquerosas e falsas aquelas garotas são.

— Fico me perguntando se elas nunca fizeram um jogo sujo entre si… — Tony se juntou a nós e Al o acompanhou.

— Isso é algo que tenho certeza que descobriremos fácil. Quando a merda começar a pipocar alguma delas vai falar. E finalmente todo esse drama vai acabar. — suspirei deitando no chão.

Não esperava me meter no meio dessa situação. Isso estava fazendo com que eu me sentisse cada vez mais incluída nesses dramas familiares ao invés de ser ignorada, como sempre. Dava mais dor de cabeça do que parecia ao longe. O que me motiva a realmente seguir nesse jogo era acabar com a diversão delas. Elas se julgavam tão melhores do que eu e Albus, mas acabaram mostrando que não valem nem nosso dedinho do pé. E hipocrisia é uma das coisas que mais me enoja.

***

Scorpius Malfoy

Não deveria ter atendido ao pedido de Amanda e ido até essa festa. Deveria ter permanecido em casa sem ter qualquer contato com o mundo exterior até dar o dia de retornar para Hogwarts. Passei a tarde toda tentando não admitir que a Weasley estava certa, mas talvez, de fato, ela estivesse. E isso me irritava profundamente. Não queria ser o amigo idiota que sabe da situação e simplesmente não abre a boca.

— O que eu preciso é espairecer. — Amanda dizia após aparatarmos na frente da casa dos Zabini, enquanto desamassava o vestido vermelho. — Falei para James vir, mas quer saber? Vou aproveitar com meus amigos. Se ele vier, veio.

— Acho que ter alguém para interagir não vai ser problema. — indiquei a casa com a cabeça. Estava muito cheio. Muito mais cheio do que eu esperava. Essa integração Grifinória/Sonserina havia acontecido há pouco, mas estava dando efeitos mais rápido do que o normal.

O som estava alto, mas a música que tocava era boa. Viscos e mais viscos pipocavam pelo lugar, então em todos os locais tinha alguém se pegando. Não demorou muito e encontrei James conversando com suas primas. Sendo uma delas sua amante, diga-se de passagem.

Resolvi pegar uma dose bem forte no bar para tentar controlar minha raiva, mas quase engasguei quando Albus pulou em mim.

— E aí! Quer se juntar aos emburrados da festa? — ele indicou Rose com a cabeça, que terminava de virar seu copo. Não pude deixar de rir com certa ironia. Ela usava um vestido branco, longo, justo e decotado. Parecia um anjo adorável e traiçoeiro. Quando me viu ela soltou um suspiro, pegando outro copo.

— Onde está Tony? — perguntei enquanto íamos até a direção da garota que eu havia discutido mais cedo.

— Beijando por aí. — ele deu de ombros.

— E aí. — Rose cumprimentou sem muita emoção.

— Está aproveitando bastante, hein? — provoquei e ela revirou os olhos. — Também pretendo. — me estiquei para pegar um copo e nossos corpos roçaram um pouco. Não pude deixar de sentir seu perfume forte que, ironicamente, tinha um toque floral. Pigarrei e voltei a minha posição.

— Al! — uma garota do quinto ano chegou aos berros, pulando em Al, que esbarrou em Rose enquanto ela bebia. O líquido escorreu pelo seu pescoço, chegando ao colo e depois ao seu decote.

— Cacete. — reclamou a ruiva enquanto tentava limpar. Acompanhei com o olhar sem perceber e não sei ao certo quanto tempo fiquei assim, até Rose erguer os olhos e eu praticamente saltar de susto. — Você poderia ser mais discreto do que isso? — não consegui sequer me defender, porque eu de fato estava olhando. Cocei a nuca e dei um outro gole para tentar aliviar o calor que estava sentindo.

Albus estava beijando a garota mesmo sem a existência de um visco e Rose apenas revirou os olhos, saindo dali. Meu instinto foi segui-la, me controlando para não encará-la de alguma maneira que poderia ser desconfortável.

***

Rose Weasley

O Malfoy estava me deixando louca. Ou talvez fossem as onze doses que eu havia tomado. As coisas já não faziam muito mais sentido a minha volta, pois tudo girava. A música estava ficando abafada e eu estava sentindo um calor desgraçado. Minhas costas pareciam arder com o olhar do Malfoy. Na realidade eu sequer sabia se ele estava de olho ou não, mas imaginava que sim. Quis tirar a dúvida e me virei de supetão, mas não dei de cara com Malfoy, mas sim com Dominique.

Ela me puxou com tudo e praticamente cambaleei. Fui forçada a segui-la até a despensa. Ela sorriu para mim, mas largou com uma força exagerada meu braço.

— Aproveitando a festa, Rose? — ela mal abrira a boca e sua ladainha de falsidade já estava me estressando.

— Estou. E você? Acho que ainda não né? Vi bastante você pela pista, então acho que não deu para dar aquela fugidinha… — aticei, querendo acabar com a pose que ela estava exibindo. Dominique vacilou por alguns segundos, mas segurou a onda.

— Não faço ideia do que você esteja falando. Acho que bebeu demais, coitadinha. — ela levou a mão à minha testa, mas eu a segurei.

— Você é muito falsa, Dominique. Eu sei que você está fodendo o James. — ela sacou a varinha, com os olhos arregalados.

— Olha a merda que você tá falando! Isso não faz o menor sentido.

— Se não faz, por que você está me ameaçando com a varinha? Se poupe, Dominique. É só uma questão de tempo pra sua casa cair. — ela cambaleou para trás. Iria dizer alguma coisa, mas foi interrompida.

— Tudo certo por aqui? — a voz de Scorpius soou grave pela despensa. Dominique recolheu a varinha, dando um sorriso amarelo.

— Tudo! Achei que tivesse visto uma barata por aqui e pedi para Rose me ajudar a matá-la, mas tudo certo.

— Acho que você deveria pedir ajuda ao Luke, Dominique. Ou quer que eu faça?

— Não! — ela praticamente berrou. — Pode deixar, estou indo. — complementou mais calma enquanto ajeitava o cropped.

— Que escrota. — ralhei, pensando seriamente em azará-la. Scorpius pegou meu braço do nada e senti um arrepio. Ele encarava meu braço, onde Dominique apertara.

— Isso vai deixar uma marca. Acho que sei onde a mãe de Anthony guarda alguns remédios. — ele começou a me puxar, mas quando cerrei os punhos ele me largou, lembrando do machucado. — Desculpe. — ele sussurrou com seu rosto próximo ao meu.

***

Scorpius Malfoy

Seus olhos eram verdes com alguns pontinhos castanhos aqui e ali. Acho que nunca havia reparado de fato em Rose Weasley. Não nesses pequenos detalhes. Tentei tirar aquilo de minha cabeça enquanto seguia em frente em busca de alguma pomada para não deixar seu braço roxo.

Evitei tocá-la novamente, para não machucá-la em outro lugar. Sempre virava de tempos em tempos para trás para ver se ela não havia se perdido. A julgar pelo cheiro que emanava dela e pelos passos incertos que ela dava, Rose havia tomado boas doses. Quando tropecei comecei a perceber que eu também talvez exagerado um pouco. Sua mão segurou meu pulso logo após meu tropeço e eu senti um arrepio. Era gelada e fina. Mas era um toque firme. Determinado. Assim como ela.

— Não pense nada equivocado. — Rose comentou e eu ri. — Estou te segurando para você não cair.

— Acho que seria para você não cair. — devolvi achando graça da situação.

— Eu estou ótima, Malfoy.

— Posso ver, Weasley. — virei para trás e flagrei-a tentando tirar um visco enroscado no cabelo sem sucesso.

— Essa droga fica surgindo em todos os lugares. — ela reclamava, agora utilizando as duas mãos. — Isso é muito inútil. — mantive os olhos em cima dela por alguns segundos até dar um passo para ajudá-la. — Uma tradição bem idiota.

— Sim. Muito idiota. — concordei em voz baixa enquanto levava a mão em seus cabelos. Nossos dedos se tocaram na tentativa, frustrada, de desenroscar o cabelo dos ramos do visco. — Acho melhor só eu tentar. — segurei suas mãos, abaixando-as. Rose bufou, revirando os olhos. Tentei tirar delicadamente seus cabelos macios daquele emaranhado de viscos que não paravam de crescer, até finalmente conseguir. — Agora está tudo certo. — virei-me para virar no corredor que dava para um dos banheiros de visita em que haviam alguns remédios. Pude ouvir os passos apressados de Rose atrás de mim.

Achei a loção certa e estendi a mão para Rose. Ela me olhou sem entender e estendeu a mão dela. Virei seu braço com delicadeza e passei a pomada, que começou a aquecer a região.

— Ai quer saber. — ela puxou o braço com tudo. — Não está tudo certo.— olhei confuso para ela. A música agora estava bem mais abafada, assim como ambiente.

— Como… — comecei a falar, mas ela me interrompeu colocando o dedo na minha boca.

— Shhh. Deixe que eu falo. — ela se ajeitou na pia do banheiro, jogando o cabelo para trás. — Vocês grifinórios são péssimos. Sério. O trio de vacas da minha família se orgulha tanto de pertencerem a essa casa, mas são muito piores que eu e metade da Sonserina juntos! E você… Você é estranho, Scorpius. — Scorpius. Acho que se Rose já me chamou assim, não me lembro. Aliás, eu mesmo a chamo de Rose em pensamento, mas não pessoalmente. Estranho.

Eu sou estranho? — perguntei, tentando seguir sua linha de raciocínio.

— Sim. Você tem um jeito meio… Não sei. É bonzinho demais. — ela falou a última frase como se fosse um segredo. Não pude deixar de rir.

— Não sou tão bonzinho assim. — dei de ombros. Ela segurou meus dois ombros com firmeza, encarando-os.

— É isso que eu quero muito descobrir. — e simplesmente colou sua boca na minha. Senti o gosto do álcool, mas também de cereja. Não havia percebido o quão estava esperando por aquele momento. Talvez a noite toda tenha sido uma espécie de preliminar do que ia acontecer. Era estranho pensar isso, mas era totalmente involuntário. Não consegui me segurar e pedi passagem com a língua, aprofundando o beijo.

Um frio percorreu minha espinha e levei uma mão à cintura e a outra para suas costas desnudas. Sentir sua pele macia era excitante. O beijo dela era voraz, mas na medida certa. Suas mãos estavam em meus cabelos e em minhas costas, arranhando de leve. Eu tentava envolvê-la de todos os jeitos, percorrendo a mão por suas curvas.

Sua boca desviou-se da minha indo direto para o pescoço e eu soltei um suspiro pesado, me surpreendendo com a reação. Seus dentes e seus lábios traçavam caminhos entre meu pescoço e meu lóbulo da orelha. Puxei levemente seus cabelos e levei meus lábios ao seu pescoço. Rose não segurou um gemido baixo, o que me deixou surpreso e intrigado. Seus suspiros estavam fortes e senti a necessidade de beijá-la novamente. Não fazia ideia do que estávamos fazendo.

Notas finais
E então?! Alguém aqui também sentiu um calor ou só eu? Estou bem insegura quanto essa volta, então adoraria ler a opinião de vocês sobre a história, escrita, etc. Beijos e até a próxima!