Freedom

9 Quando nasce uma amizade


Notas iniciais
Olá, quarenteners de plantão! Bateu a inspiração e eu resolvi continuar com meu projeto de atualização de fanfics antigas! Espero que gostem desse. Para compensar a demora, tentei deixá-lo mais longo. Acredito que logo outro vem, porque a inspiração tá rolando aqui ainda haha Estou tentando mesclar mais a narração dos dois para dar mais dinâmica, mas aceito sugestões! Beijos e boa leitura

Rose Weasley

Minha cabeça girava, o som da música estava abafado e eu sentia uma onda de calor absurda em meu corpo. Vez ou outra alguns arrepios percorriam minha nuca. E as mãos… Mãos grandes e quentes percorriam meu corpo com urgência, queimando minha pele fria. Os lábios molhados em meu pescoço, minha mandíbula, minha boca… Puta merda como isso estava bom!

Mas não fiquei inerte: percorri as mãos por aquelas costas bem definidas e fiz questão de cravar minhas unhas onde pode. Percorri o tórax, sentindo o peito descer e subir. Senti a maciez de seus cabelos e agarrei-os com força, trazendo-o para mais perto de mim — como se fosse possível.

Paramos por alguns segundos e eu abri os olhos, tentando focar a minha visão. Porra, Malfoy estava extremamente sedutor com cara de quem acabou de levar um estupefaça. Seus lábios avermelhados e levemente inchados… Seus olhos olhavam para minha boca e eu involuntariamente os mordi. Não queria pensar no que isso implicaria e sequer queria pensar nisso. Estava tendo um dia péssimo e esse era, de longe, o ponto alto dele.

Malfoy avançou para minha boca novamente e eu fui mais para a frente, enroscando minhas pernas em volta de sua cintura. Ele soltou uma exclamação com o encontro e eu dei um sorrisinho de lado juntamente com um suspiro. Meu Merlin…

— Calma aí, Rose. — ele se afastou alguns centímetros, mas ainda perto o suficiente para que eu pudesse alcançar o lóbulo de sua orelha. Ele fechou os olhos e suspirou alto.

— Sim? — perguntei sussurrando em seu ouvido, como se nada estivesse acontecendo. Uma vontade maluca crescia dentro de mim e tentei me aproximar novamente. Pude perceber que ele havia engolido em seco. Antes que eu pudesse voltar a beijá-lo, Malfoy segurou minha cintura, me afastando um pouco.

— Não podemos fazer isso… — ele começou e eu revirei os olhos, ficando emburrada. Ótimo, agora ele estava querendo bancar o santo.

— Não sei o que você estava pensando, Malfoy, mas isso não passa de uma simples pegação entre um cara e uma mulher. Mas se você não sabe o que isso significa, tudo bem. Esqueci que você é certinho demais para isso. — foi a vez dele revirar os olhos. Mesmo que eu ainda o estivesse considerando extremamente sexy a súbita pose de bonzinho me irritou. E as suposições idiotas dele também.

— Não é questão de ser certinho ou não, você apenas não está condições. Mesmo que seja apenas uma simples pegação, não sei se é a coisa certa para se fazer.

— Não estava achando errado até dois minutos atrás. — retruquei de maneira ácida, enrolando meus cabelos para trás, tentando aliviar o calor. Seus olhos caíram sobre meu decote e eu empurrei ele para longe. — Ao menos disfarce. Quer saber? Não preciso ficar ouvindo isso. — saltei da pia, cambaleando um pouco. Malfoy estendeu a mão para me ajudar, mas simplesmente ignorei e passei reto. — E também não preciso da sua ajuda. Não me siga. — acrescentei quando ele deu um passo em minha direção.

Abri a porta com uma força além da necessária e andei mais rápido do que eu gostaria para tentar fugir o mais rápido daquele lugar. Quem o Malfoy achava que era? Sinceramente, os 15 minutos de pegação não valeram o ódio que passei e que ainda estava remoendo.

— Nossa, Rose, você está com uma cara péssima. — quase soquei Albus por causa daquele comentário, mas não queria ter mais estresse do que já estava tendo. Malfoy é tão insignificante que não merece o estresse. — Onde está o Malfoy? — até pensei em contar o que havia acontecido, mas não queria que aquilo virasse um drama. Rolou, ele me rejeitou e estragou a merda do beijo. Poderia ter sido tão mais simples.

— Deve estar perdido por aí. — dei de ombros, sem muita emoção. Vi que alguns jogavam verdade ou desafio, incluindo meus amigos e minha família. Vi Lily olhando em minha direção e resolvi me juntar à rodinha.

— Isso pode ser interessante… — Albus comentou, se animando.

A garrafa agora estava em Lysander Scamander e meu irmão.

— Verdade ou desafio? — perguntou o loiro.

— Verdade. — meu irmão escolheu e a rodinha vaiou. Ele deu de ombros e Lysander sorriu de canto.

— É verdade que você é bissexual? — silêncio. Meu Merlin, saber da vida pessoal e sexual do meu irmão era algo que eu definitivamente não estava esperando.

— Sim. — Hugo foi ovacionado e aplaudido. Senti uma sensação estranha, como se não conhecesse aquela pessoa que eu praticamente vi crescer. Não sei o quanto perdi, mas não queria pensar no assunto.

— Desafio você a me beijar. — Lysander provocou com um sorriso que logo foi tirado dali pois Hugo de fato o beijou. Acho que ninguém realmente esperava que aquilo acontecesse e todos foram à loucura poucos segundos depois de processarem a informação.

— O Hugo é do caralho! — Al comentou enquanto aplaudia. Senti um orgulho muito forte do meu irmão mais novo e sorri em aprovação. Acho que ele pareceu se lembrar que eu estava ali perto pois logo se separou de Lysander, voltando ao seu lugar enquanto me olhava com receio. Sua expressão logo suavizou ao perceber que eu fazia parte do grupo de pessoas que aplaudia a cena.

Mesmo que não fôssemos tão próximos, ainda me lembrava de quando mamãe voltou do hospital com ele nos braços. Essa talvez fosse minha lembrança mais antiga. Eu havia escolhido o nome. Simplesmente porque gostava da sonoridade de Hugo. E Hugo parecia um bom nome para aquela coisinha ruiva que não parava de chorar.

Ele parecia agora tão dono de si. Não pude deixar de sentir uma pontinha de inveja. Afinal, meu irmão mais novo conseguia admitir verdades sobre si mesmo muito mais do que eu mesma. E parecia ter mais certeza de quem de fato é do que eu jamais tive.

Meu breve momento nostálgico foi embora quando vi Lily olhando com nojo para Hugo. Antes que eu pudesse pensar duas vezes estava com a varinha em mãos e ela percebeu, assustada. O grito que ocorreu na sequência não foi dela. Veio mais especificamente de Amanda.

— Largue o James!

Tudo aconteceu muito rápido, pois Al estava bem ao meu lado e no minuto seguinte estava espancando o próprio irmão no chão. Uma rodinha havia se formado e a maioria das pessoas apoiava a briga ao invés de tentar apartá-la como Amanda tentava, sem sucesso. Albus parecia possuído. James se defendia e vez ou outra tentava acertar um soco, mas Al estava incrivelmente rápido. Talvez fosse a raiva estrondosa dele ou porque James estava alcoolizado, a questão era que a coisa estava ficando feia.

Foi quando James acertou uma na garganta de Al que eu intervi, lançando um feitiço que deixou ambos os Potter’s paralisados. Amanda apressou-se em ajudar James enquanto eu corri para Al ao mesmo tempo que Malfoy. Preferi ignorar sua presença e me concentrei em levar meu primo para o quarto de Tony. Ele e Cat nos seguiram apressadamente, mas Malfoy hesitou, olhando de Al para Amanda. Revirei os olhos para tamanha idiotice e empurrei Malfoy com certa grosseria, tentando equilibrar o peso de Al. Tony e Cat logo se dispuseram a pegá-lo para me ajudar.

O efeito do feitiço logo passou e ele começou a tossir, cuspindo um pouco de sangue. Mal tivemos tempo de perguntar o que acontecera quando a porta praticamente foi arrombada por Amanda.

— Qual é a merda do seu problema, seu filho da puta?

— Qual é o meu problema? Puta merda, Amanda! Você é muito burra. Será que não percebe… — o tapa veio forte, assustando a todos que estavam no quarto, até mesmo Scorpius e Fred que estavam na porta, observando. Al ficou vermelho e adotou uma expressão que nunca havia visto na vida, até agora.

— Eu percebo sim, Potter. Percebo o quão escroto e nojento você é. Se afaste de mim e de James também! Você está definitivamente morto para mim. — Amanda sentenciou em plenos pulmões, mas acho que esperava uma resposta, pois não saiu de imediato. A sala ficou tensa, sem saber como Al reagiria. Seu olhar era aterrorizante e parecia que iria partir Amanda em dois. Ela tentou debochar, sem entender tanto quanto nós. — Perdeu a língua? Reze para não perder a vida da próxima vez que cruzar meu caminho.

— Não tenho absolutamente mais nada para falar com você. — seu tom era baixo, mas exatamente frio e certeiro. Nunca imaginei que Albus teria a habilidade de exprimir tanto desprezo em sua voz e sua face. A pose toda poderosa de Amanda vacilou por uns instantes, pois ela parecia extremamente surpresa. Sem tentativas de explicar-se, sem gritos, sem pedidos… Apenas um grande “foda-se” educado. Ninguém disse nada.

Ele se sentou na cama como se estivesse calmo, mas sua expressão não mentia: cada célula de seu corpo exalava uma mistura de indiferença e raiva. Ele não a expulsou, ele apenas passou a ignorar sua existência após aqueles longos cinco minutos de encarada mortífera.

Amanda estava sem reação, respirava mais forte do que o normal. Pensei que ela fosse dizer mais alguma coisa, só que algo estava diferente. Era perceptível que ela estava com raiva, mas havia algo a mais. Algo que não tive tempo de descobrir pois ela se virou e foi embora assim como entrou: como um furacão.

Albus não disse nada pelos outros minutos e se dirigiu ao banheiro. Logo ouvimos o chuveiro sendo ligado e permaneceu assim por uma boa meia hora. Nesse meio tempo Tony nos contou o que viu.

— Percebi que James estava voltando de algum lugar com Dominique. Depois ele se juntou a um amigo da grifinória, acho que o Josh McLaggen. Eles comentaram aos cochichos e a próxima coisa que eu vi foi Al pulando em seu pescoço.

— Ele perdeu a cabeça de somente vê-los? — Cat questionou, confusa. Al não estava tão bêbado para perder o controle apenas por isso e colocar em risco o plano de desmascarar o casal.

— Não. Acho que ele ouviu algo que não gostou. — franzi o cenho, tentando imaginar o que poderia ter sido. Espero que não seja o que eu estava escondendo de Albus por um tempo. Mexi nas têmporas, tentando afastar, em vão, uma dor de cabeça. Essa merda de clima era desgastante. A história James e Dominique estava se estendendo demais e sinceramente, pela reação da Amanda, não sei o quão as coisas poderiam ficar ruins quando ela souber. Mas sinceramente: desde quando eu passei a de fato me importar com isso? Que merda.

— Como Al está? — era a voz da pessoa que eu menos queria ver naquele instante.

— No banho. — Cat respondeu suspirando enquanto se jogava na extensa cama de casal, fazendo o lado da cama que eu estava sentada balançar um pouco. — Como estão as coisas lá?

— Foram embora. Mas a festa ainda continuou com alguns Weasley’s aqui e ali. — ele deu de ombros. — Vou ficar aqui para caso Al precise. — não pude conter meu resmungo e Malfoy olhou para mim, indecifrável. Me remexi desconfortavelmente na cama, achando muito interessante analisar as cortinas cinzas do quarto, mas relaxei ao ver que Al havia finalmente saído do banheiro.

— Acho que também machuquei a mandíbula. — ele comentou com a mão no rosto. Me levantei instantaneamente, levando a mão com uma agressividade um pouco desnecessária que o fez praticamente rosnar para mim enquanto fazia cara de dor. Uma parte de mim queria desejar “bem feito”, mas aquela situação não me deixava feliz ou confortável de maneira alguma.

— Vou buscar um pouco de gelo. — simplesmente saí pela porta, trombando meio que propositalmente no loiro estancado na porta. Tentei relaxar enquanto descia as escadas. Hoje havia sido uma noite e tanto e não em um sentido bom.

Abri a geladeira e fiquei pensando alguns segundos, não querendo voltar lá para cima. Fui surpreendida por uma mão gelada em minha cintura. Arrepiei e me virei assustada. Sabia que não era Malfoy, pois suas mãos eram ridiculamente quentes. Me deparei, na verdade, com Charlie.

— Abrindo a geladeira para pensar, Rose? — ele riu e eu tentei um sorriso, sem muito saco para ladainhas.

— Apenas tentando me refrescar. — me virei novamente, procurando por um pouco de gelo.

— Deve ser para Albus. — ele constatou e eu apenas assenti. — Não sei qual o motivo da briga, mas James deve ter merecido. — olhei para ele incrédula.

— Um grifinório que não venera James Potter? Você está se sentindo bem? Não está com febre? — falei irônica ao passo que ele riu, bagunçando os cabelos. Achei aquilo um pouco forçado, pois esse era um dos maiores clichês quando caras queriam tentar impressionar. Não falamos mais nada e ficou aquele silêncio meio estranho.

Comecei a reparar um pouco mais nele e não havia como negar que ele tinha lá seu charme.

— Quer ajuda? — ele ofereceu me encarando. Eu poderia simplesmente ter ignorado e virado as costas, mas eu estava tendo uma noite tão ruim que simplesmente puxei ele pela camisa, juntando nossas bocas. Queria testar uma coisa.

Era um beijo lento, com gosto de cigarro e álcool. Suas mãos iam para os lugares certos, mas não me causaram um efeito absurdo. Suas mãos geladas não me arrepiaram. Tentei aprofundar mais o beijo e conferir maior urgência, mas o fato é que Charlie não estava me dando um pingo de tesão. Afastei meus lábios, irritada. Charlie estava com um sorriso idiota estampado na cara. Apenas peguei o gelo, fechei a geladeira e me virei para subir as escadas. Mas é claro que Scorpius Malfoy estava me encarando da outra ponta da cozinha com o olhar mais indignado que eu já havia visto na vida.

— “Quer ajuda?” — ele soltou em um tom irônico. Ignorei totalmente sua presença, subindo as escadas. — Sério que bastou Charlie dizer isso para você se enroscar nele? — Malfoy estava na cola dos meus tornozelos ao subir as escadas.

— Eu quis. Isso já é justificativa suficiente.

— Andou querendo bastante coisas essa noite…

— Olha, Malfoy… — parei, virando-me de costas e ficando desnecessariamente cara a cara com um Malfoy de olhar estranho. — Hoje meu dia foi uma merda. E quando estava ficando bom, você foi lá e agiu feito um idiota. Eu só queria um pouco de diversão e se você não serve para isso, bom, tem quem sirva. — ele me lançou um olhar incrédulo.

— Considerando a cena que eu vi, acredito que não tenha sido uma verdadeira definição de diversão. — nesse ponto o loiro oxigenado estava certo, mas não queria dar o braço a torcer.

— Níveis diferentes de diversão. — ponderei, dando de ombros.

— Olha, Rose… — arregalei meus olhos e Malfoy pigarreou. — Não importa o que você acha, vou chamá-la assim. Você quem começou.

— Mas sigo te chamando de Malfoy, Malfoy.

— Tá, que seja. Agora você está bem sóbria para falarmos sobre o assunto. — seu tom de voz mudou e eu juro que quis arrancar meus ouvido a ter que ouvir ladainha. Por que tudo que tinha que ser tão complicado? Por que inventei de beijar o Malfoy?

— Sim, sóbria e cansada. Já disse para você que eu queria me divertir e você estragou o momento.

— E eu já te disse que só não queria que rolasse algo que você se arrependesse depois.

— Tanto faz, Malfoy. — eu só queria sumir dali, sinceramente. O pior é que, quanto mais falávamos no assunto, mais raiva eu sentia por ter gostado de beijá-lo. Detestava assumir isso, mas entre beijar Charlie Benson e Scorpius Malfoy… Sinceramente, acho que prefiro não beijar nenhum. Não vale a dor de cabeça. — Eu jamais pensei que diria isso, mas prefiro ir ajudar Al do que discutir isso com você agora.

— Bem, só quero esclarecer que não fez sentido nenhum você ter ficado toda irritada.

— Cale a boca. — falei entre dentes.

— Não, Rose. Não vou calar. — seus olhos pareciam que iam penetrar minha alma. Senti um desconforto enorme, bem como uma raiva crescente. — Acho que você ficou irritada porque gostou mais do que pensou que fosse gostar. — ele cruzou os braços, estampando um sorriso ridículo. — De qualquer forma, não me arrependo de ter parado as coisas por lá, pois sinto que de qualquer maneira você acabaria irritada.

— Eu gostei, Malfoy. — falei finalmente enquanto cruzava os braços. Ele parecia mais surpreso do que eu esperava. — É isso o que você queria ouvir? É para isso que ficou nesse joguinho ridículo? Me rejeitou no banheiro só para me ouvir suplicar por mais um beijo seu? Queria tão desesperadamente assim ouvir que teve algum efeito sobre mim? Sinceramente, não vale o esforço. Vamos só esquecer que isso aconteceu e bola para a frente. — Malfoy não abriu mais a boca e sua cara não era das melhores. Ao invés de ficar satisfeita só fiquei mais irritada.

Por que diabos eu estava tão irritada? Garoto idiota e beijo idiota. Sinceramente não estou suportando todos esses pensamentos ridículos e sem sentido. Que merda.

Finalmente alcançamos o quarto e o gelo estava praticamente todo derretido.

— Ótimo. — Al ironizou ao checar a tigela em minha mão. Revirei os olhos e com um

aceno da varinha obtive gelo novamente. Praticamente joguei em cima de Al e me sentei o mais longe possível de Scorpius Malfoy.

— Bem, se querem saber, Amanda Lore pretende se entregar para James. — Al fez uma careta. — Ele começou a falar com aquele outro idiota da Grifinória cada coisa mais absurda… Tanto de Dominique quanto de Amanda. E para completar… — Al passou a mão no rosto e me olhou. — Ele começou a falar de você também.

— De mim? — questionei estupefata. Não, não, não. Aquela merda ia vir à tona.

— O que disse de Rose? — Cat indagou, claramente se alterando. Segurei-a pelo pulso e ela somente me encarou com um olhar que misturava pânico e raiva. Ela apertou minha mão suavemente e se virou quando Albus começou a contar.

— Quis tirar vantagem com eles dizendo que vocês… — ele bufou, fechando os olhos.

— Esse cara é alucinado! — ralhou Cat, levantando da cama. — Como ele pode dizer algo depois de praticamente ter… — lancei um olhar raivoso para ela, que se calou.

— Cat. — Tony chamou a atenção dela após alguns segundos de silêncio entre os três garotos, que tentavam decifrar o que ela havia dito. — De ter praticamente o quê?

Os três olhavam de Cat para mim, tentando entender a situação. Me remexi desconfortavelmente na cama, sem querer desenterrar essa história. Cat estava de braços cruzados a ponto de explodir.

— Ele tentou… Algo com você? Algum tipo de investida?- Scorpius perguntou e eu o encarei. Não esbocei muita reação, mas foi o suficiente para ele assumir uma expressão de indignação. — Que tipo de investida? Não me diga que…

— Ele apenas foi… Incisivo.- respondi para tentar amenizar a situação, notando que ele estava mais alterado do que o normal. Mas Cat também estava mais alterada que o normal, e ela não deixaria isso passar.

— Incisivo, Rose? — minha amiga ironizou, cruzando os braços. Fuzilei-a com o olhar. Havíamos prometido que isso não seria trazido à tona.

— Que história é essa, Rose? — Tony parecia estupefato e Al estava vermelho.

— Eu pergunto o mesmo. Soube que ele deu em cima de você, mas o quão incisivo ele foi?

Desviei o olhar relembrando de um momento nada agradável em que James Potter usou da força e de muitas mãos bobas nojentas para tentar me seduzir. Não era algo que eu gostava de relembrar, até porque na época, apesar de ficar puta com a situação, James ainda era o favorito da família. Seu hálito podre de álcool estava na minha cara enquanto ele tentava de todas as formas pegar nos meus seios, cintura e bunda. Eu não estava em perfeitas condições e não possuía minha varinha. Quando suas mãos estavam praticamente em minhas coxas, Cat apareceu, estuporando-o.

Ela ficou comigo todo o tempo depois daquilo, perguntando se estava tudo bem e me fazendo companhia. Eu só sabia falar que James era um idiota, mas que não havia sido nada demais. Mesmo à contragosto, Cat concordou em não cortamos nada para Al. Eu só queria esquecer daquela situação. Mas quando Cat foi embora ao me deixar em casa — depois de muita insistência minha — eu me joguei no banho, esfregando minha pele para tentar tirar o que restava de baba de James Potter em meu pescoço, e tentando eliminar a sensação de seus toques invasivos.

Não me surpreendeu quando Cat finalmente soltou a bomba:

— Rose foi assediada. — os três ficaram irados de imediato.

— Como ele pôde ser tão baixo? — Scorpius estava com uma feição nauseada.

— Na época eu não entendi… Não entendi muito bem do que se tratava. — falei com sinceridade. — Achei que era somente mais uma mancada de James, que por si só já é um erro ambulante. Não vi isso como assédio, porque para mim ele não havia conseguido nada… Mas não é assim que de fato me sinto.

— Você deveria ter nos falado… — Tony observou e eu bufei. Cat fuzilou-o.

— Você acha que é fácil falar sobre quando acontece? Rose tem todo o direito de falar somente quando se sentir confortável. Pelo amor de Merlin, a culpa não é de Rose.

— Eu não disse que era! — Tony se defendeu e veio em minha direção, ajoelhando-se. — Rose, não entenda por mal. Não é sua culpa, eu sei disso. Só quis dizer que, se você tivesse nos contado antes, poderíamos ter agido de imediato.

— Tony você não entende? — a morena estava se exaltando. — Trazer alarde para isso só maltrata a Rose. Aconteceu e não importa quando aconteceu ou o que poderia ter sido feito.

— Eu vou matar o James! — Al se levantou de supetão, interrompendo a semi discussão dos dois, enquanto segurava a varinha com agressividade. Suas feições estavam assustadoras. Levantei de imediato, barrando-o com minha própria varinha ao empunhá-la contra seu peito.

— Você já quase o matou hoje e olha no que deu. Não faça nada imprudente, Albus. — sibilei encarando seus olhos verdes que estavam marejados em um misto de raiva e tristeza.

— Ele não vai fazer, mas eu vou. — virei-me assustada a tempo de ver de relance os cabelos loiros de Malfoy saindo pela porta.

***

Scorpius Malfoy

Um sentimento de ódio havia se apossado de mim. Eu sabia que James jogava baixo, mas não sabia que era tão baixo a ponto de assediar a própria prima. Além do mais, toda a história de traição com Amanda e o joguinho com Dominique estavam me deixando esgotado. Amanda merecia a verdade.

— Malfoy! — ouvi o grito seco de Rose logo atrás de mim. Pelo tom, ela corria bastante para tentar me alcançar. Tentei apressar o passo para chegar logo ao ponto de aparatação. Levei um tempo para percorrer o caminho entre as pessoas que ainda estavam na festa, mas assim que pisei fora da casa os gritos ficaram mais claros.

— Deixe ele, Rose! — Albus gritava também. — James vai ter o que merece.

— Cale a boca, Albus. — Tony o repreendia em um tom de voz mais baixo, mas Potter estava irredutível.

— James já estragou vidas demais. Ele merece sofrer.

— O que está acontecendo? — Luke Zabini apareceu diante de mim com Dominique ao seu lado. Ela parecia confusa e assustada, mas não tive pena. Ela compactuava com toda a cachorrada que James estava fazendo com Amanda e eu deveria ter acabado com esse show de uma vez. Tony correu até nós três, arfando. Olhei para trás e vi Cat tentando tapar a boca de Albus. Logo em seguida Rose se juntou a nós, com seus cabelos ruivos levemente desgrenhados. Ela soltou o ar pela boca, me encarando.

— Acredito que Albus e Tony tenham algo para te contar, Luke. — ela lançou um olhar para Dominique, que estava desesperada. O moreno franziu o cenho, nos encarando com uma certa dúvida. Enquanto Luke se dirigia até Albus, Dominique puxou Rose pelo braço, mas eu intervi, farto de toda a situação. Acho que ela não esperava essa reação de mim, ao passo que logo começou a se defender.

— Não sei o que Rose lhe disse, mas é tudo mentira! Ela está manipulando tudo, como sempre.

— Dominique. — Rose rosnou. Ela engoliu em seco, enquanto respirava fundo. — Scorpius viu vocês no Natal.

— Armário de vassouras. — confirmei e Dominique parecia prestes a enfiar a cara no primeiro buraco que encontrasse tamanha era a vergonha estampada em sua cara.

— Antes que essa merda estoure de uma vez, vou lhe contar uma coisa que talvez faça você refletir bem sobre qual lado da história vai ficar. — a ruiva começou enquanto jogava os cabelos para trás, encarando o chão um pouco desconcertada. Poucas foram as vezes que vi Rose Weasley de fato envergonhada e isso me fazia ter mais raiva de James. Ela não havia feito nada de errado e imaginar que era essa a sensação que ela estava tendo por conta daquele idiota me tirava do sério. Rose nunca foi de abaixar a cabeça para nada, mas abaixou quando James fez o que fez. Ele era um escroto.

— James… Ele já tentou… — ela fechou os olhos, bufando. Instintivamente estendi minha mão em sua direção, mas parei quando ela abriu os olhos. Engoli em seco, recolhendo e colocando minha mão no bolso. — Nós podemos ter nossas diferenças, mas não posso deixar que isso se estenda mais. Eu não quis admitir nem mesmo para mim, mas a verdade é que James me assediou. Tentou dormir comigo, foi incisivo a respeito, passou dos limites. Isso já faz anos, mas hoje mesmo estava se gabando com os amigos ridículos dele de algo que nunca aconteceu. E não se gabava somente de mim. Gabava-se de você e também de Amanda.

Dominique parecia não conseguir digerir tudo aquilo. Seus lábios tremiam, como se fosse impossível continuar prendendo o choro. Ela levou as mãos aos cabelos e lançou um olhar para Rose que não estava carregado de dúvidas ou ódio, mas sim de compaixão. Fiquei pensando se James já teria, em algum momento, sido abusivo com ela de alguma forma. Me embrulhou o estômago pensar se ele também era com Amanda.

— Suponho que você deva falar com Luke logo e parar de magoá-lo, pois estou indo agora meter um soco na cara do James e em poucas horas todo mundo vai saber o porquê. — ralhei com a raiva crescendo novamente dentro de mim.

— Não consigo… — ela soluçou, olhando para a rodinha onde Albus e Tony tentavam enrolá-lo com histórias sem sentido.

— Você não precisa acreditar em mim, se não quiser. Mas ao menos Luke merece a verdade a respeito de vocês dois. E é melhor que ele saiba por você.

Luke percebeu que Dominique estava chorando e começou a vir em nossa direção, preocupado. Antes que a bomba explodisse, resolvi continuar minha saga para destruir James Potter. Algo que deveria ter feito muito antes.

Nunca fui muito com a cara dele, de qualquer maneira. Sempre tirando vantagem das situações, James sempre queria sair por cima com tudo.

Eu não sabia de onde aquele ódio vinha, mas ele estava ali, me consumindo. De todas as coisas, aquela foi a gota. James me enojava e eu não poderia deixá-lo impune, muito menos ao lado de minha amiga.

— Malfoy. — ela me chamava, sem sucesso. Queria descontar toda minha raiva em James, então estava focado. — Malfoy! — segundos depois eu caí de cara no chão, com minhas pernas grudadas, sem conseguir me mexer.

Meu rosto ardia e o impacto da queda me deixou levemente entorpecido. Rose se agachou próxima a mim e seus cabelos caíram, formando uma espécie de cortina entre nós. Ela tirou-os da frente, colocando-os atrás da orelha. Com um suspiro e um aceno da varinha ela retirou o feitiço que prendia minhas pernas. Sentei-me ainda com um pouco de dor no corpo. As vozes estavam mais distantes agora, acredito que Dominique estivesse falando com Luke ou ao menos planejando fazer isso.

Estava preparado para levantar-me e extravasar toda minha raiva metendo um belo de um soco, mas no momento em que olhei para Rose eu percebi algo que não havia notado antes. Fragilidade.

Rose nunca se mostrou frágil na frente de ninguém, então aquela era uma visão nova para mim. Seus olhos estavam baixos, encarando o nada. Parecia totalmente sem sentido toda nossa discussão de nem meia hora atrás e o fato de termos nos beijado a nem duas horas bateu em mim como um forte soco no estômago por alguma razão, talvez por essa ter sido o segundo momento em que eu a via tirar um pouco de suas barreiras. E as duas haviam sido no mesmo dia.

Admirei Rose e sua força mais ainda naquela noite. E por isso desisti de correr para quebrar a cara de James. Isso poderia esperar, mas Rose naquele estado não poderia esperar. Por isso levantei-me, estendendo a mão para ela. Seus grandes olhos me fitaram e novamente senti um soco no estômago. Havia muita adrenalina em mim ainda, então apenas olhei para outro lado, tentando tomar um fôlego enquanto ela se erguia também.

— Não vou atrás dele. — garanti e ela soltou uma risada pelo nariz.

— Sou grata por isso. De verdade. Não acho que essa é a melhor forma de expor isso. Amanda não merece descobrir tudo isso de forma abrupta. — outro soco no estômago. Me senti um pouco mal de ter esquecido sobre Amanda. Estive tão focado na situação com Rose que em determinado momento me desviei do foco.

— Vou conversar com ela sozinho, amanhã talvez. Agora… — cocei minha nuca, um pouco desconfortável. Minha noite estava sendo… Esquisita. Eu me sentia muito estranho em relação à ruiva parada na minha frente naquele momento. Não sei exatamente em que momento nos tornamos próximos. E não falo isso em relação ao beijo somente, mas em nossa relação em si. Quero dizer, nossa relação de amizade. Se é que isso poderia ser chamado de amizade. — Vou te acompanhar até sua casa. — falei logo antes que me arrependesse. Rose sendo Rose, com certeza implicaria comigo e tudo aquilo começaria novamente.

— Tudo bem. — sua calma ao me responder, ainda por cima com um sorriso que me pareceu genuíno, me pegou desprevenido. Talvez eu realmente tivesse uma visão muito mais distorcida dela do que eu gostaria de assumir. E talvez eu estivesse certo a respeito de sermos… Amigos. Não pude deixar de sorrir comigo mesmo quando virei as costas para prosseguir caminho até o ponto de aparatação. Eu sequer sabia porque sorria.

***

Rose Weasley

A caminhada com Scorpius foi silenciosa, mas de uma maneira bem agradável para falar a verdade. Eu não estava em condição de caçar briga por nada, sequer estava me importando com o fato de ele estar me chamando Rose e eu o chamando de Scorpius. Não estava mais brava por ele ter praticamente me rejeitado. Só conseguia pensar que, independente do beijo, de brigas ou o que quer que fosse, estávamos bem. Poderia até chamá-lo de… amigo? Ri comigo mesma com a ideia. Scorpius era tão ridiculamente certinho que confesso que me surpreendeu quando ameaçou bater em James e não mediu palavras para confrontar Dominique. Talvez ele não fosse de todo tapado.

Eu ainda não estava 100% sóbria, as coisas giravam um pouco, mas eu conseguia raciocinar muito bem. Por isso tentei afastar meus pensamentos quando o loiro pegou em minha cintura para aparatarmos e meu estômago deu um pulo. É claro que era puro efeito da pré-aparatação.

Esse era o ponto negativo de ter trocado alguns beijos com ele. Cada toque me fazia lembrar do momento fatídico. Não que isso tivesse um efeito absurdo sobre mim, mas ainda sim…

— Escute, Rose… — ele interrompeu meus pensamentos quando estávamos quase perto de minha casa. A rua estava vazia e o asfalto estava molhado. Ainda era possível sentir uma leve garoa. Respirei fundo ao sentir o frescor e levei as mãos aos braços. Havia me esquecido de pegar o casaco. Scorpius pareceu notar, mas seria muito ridículo ele oferecer o dele ou pior, oferecer o próprio calor corporal. Revirei os olhos com esse pensamento idiota e resolvi pigarrear para que ele continuasse falando logo o que deveria falar. Estava começando a ficar irritada comigo mesma e meus pensamentos. — Bem, ninguém merece passar pela situação que você passou. Se você quiser, não comento com Amanda o que ele fez com você. Isso diz respeito à você, então você deve agir da forma como se sentir mais confortável.

Meu coração estava ridiculamente pesado. Odiava James agora mais do que já havia odiado. Me sentia culpada por não ter falado nada, me sentia nauseada por lembrar dos toques, me sentia idiota por não ter percebido ou falado antes. Não tive chance nem de chutar seu saco ou azará-lo com algum feitiço. Nada. Esse efeito de James sobre mim me irritava. Não fazia eu me sentir como eu. Fazia eu me sentir como nada.

— Se quiser, pode contar. Se isso for um fator que vai ajudar Amanda a finalmente deixá-lo para trás, conte. — dei de ombros. Caso fosse possível tirar algum “bem” dessa situação, acredito que não teria problema em falar.

O silêncio reinou até que eu de fato chegássemos no portão de minha casa. A luz da cozinha e da sala ainda estavam acesas. Suspirei. Provavelmente minha mãe estava acordada cozinhando alguma coisa enquanto esperava a mim e a Hugo. Não queria transparecer nada e Hermione Granger era boa em ler feições.

Por falar em minha mãe, antes que eu pudesse abrir a boca para lançar alguma frase de efeito para manter o pouco que restava da minha reputação Sonserina, ela apareceu na porta junto a meu pai.

— Rosie? — meu pai nos encarava com um semblante esquisito. Ronald Weasley ciumento já era algo de praxe, mas ele nunca havia tido motivo para ter ciúmes de mim antes, afinal nunca apresentei nenhum namorado.

— Boa noite, Scorpius. — minha mãe cumprimentou com um leve sorrisinho de canto. Ela me olhou de uma forma divertida e antes que as coisas pudessem ficar estranhas resolvi entrar.

— Boa noite, senhora Weasley! — ele devolveu com seu tom mais polido possível. — Senhor Weasley.

— Venha logo, Rose. — meu pai encarava o garoto como se ele fosse uma ameaça que pudesse partir para o ataque a qualquer momento. Minha mãe claramente lhe deu uma cotovelada. — Ai. Boa noite, Malfoy.

— Ignore isso. — falei baixinho para Scorpius, que parecia um pouco assustado. Sequer parecia o garoto confiante que estava na T’oca no Natal. — Até mais.

— Até. — ele devolveu com um sorriso que me fez instantaneamente desviar os olhos. Corri até em casa e fui recebida com um casaco nas mãos de meu pai. Minha mãe, que sorria, ao perceber meu olhar imediatamente assumiu uma feição de preocupação. Eu sabia que ela notaria, pois eu a conhecia muito bem e ela a mim. E talvez naquele momento o que eu estivesse precisando mesmo era de um colo de mãe.

Notas finais
E aíi, o que acharam? Uma revelação bem importante nesse capítulo. As coisas vão começar a se desenrolar mesmo agora, mas sempre que um lado desenrola, outro enrola rs Beijos e até logo!