Freedom
22 Quando os cantos dos lábios escondem segredos
Notas iniciais
Rose Weasley
Ok, eu estava beijando Scorpius Malfoy pela segunda vez e conseguia ser melhor do que eu me lembrava. Suas mãos eram ridiculamente quentes e eu senti meu corpo amolecer quando ele segurou meu rosto com uma delas, deslizando-a vagarosamente para meus cabelos curtos, puxando-os levemente conforme aprofundava o beijo.
Eu estava praticamente prensada contra a porta e consequentemente contra ele, mas eu não podia reclamar, realmente. Usei também todo o potencial das minhas mãos ao segurar seu colarinho, enroscar minhas mãos em seu pescoço e em seus cabelos, além de, eventualmente, passá-las por seus ombros e suas costas.
O ambiente estava ficando quente. Scorpius me beijava com vontade, mais ainda do que da noite da festa. Parecia urgente, tão desesperado que tive que me desdobrar para conseguir manter a respiração em ordem e não precisar me separar.
Eu queria me bater e bater nele por estar gostando tanto assim. Mas estava realmente difícil parar. Não liguei para nada. Tudo que vinha me atormentando há semanas, deixei tudo de lado. Até mesmo minhas inseguranças — não totalmente resolvidas — sobre ele me rejeitando. Ainda seriam necessárias algumas atitudes da parte dele antes que eu realmente entendesse que ele de fato queria o mesmo que eu.
Mas o que eu queria afinal? Não estava muito tentada a pensar nisso por hora. Só estava fazendo questão mesmo de beijá-lo. Mas, infelizmente, nem isso eu estava conseguindo direito. Menos de três minutos depois, quando as mãos deles estavam me envolvendo de uma forma que eu poderia facilmente esquecer meu nome se ele perguntasse, bateram na porta tentando entrar.
Scorpius se afastou, de testa colada comigo e de olhos fechados, suspirando pesadamente.
— Quem está aí? — a voz dele jorrava desgosto.
— Malfoy, eu vi você vindo para cá. — a voz do Scamander soou arfante atrás da porta. — McGonagall exigiu sua presença na sala dela. Tentei te chamar, mas você e Rose estavam rápidos demais.
Ele se afastou totalmente de mim e abriu a porta no mesmo instante em que o garoto terminou de falar. Lysander olhava de mim para Scorpius com os olhos arregalados, mas se pensou alguma besteira não falou. E, bem, nossas bocas vermelhas diziam muita coisa.
— Droga. — murmurou passando a mão nos cabelos.
Notei que Scorpius não me olhava. Talvez tivesse medo da minha reação. E, sinceramente, por mais que odiei a interrupção do Scamander, agradeci internamente por não precisar participar de um diálogo desconfortável pós-beijo.
— Eu… Te encontro depois. — finalmente me lançou um olhar rápido, descendo as escadas rapidamente com Lysander.
Estive segurando a respiração por um tempo, sem perceber, e levei as mãos ao cabelo quando senti um arrepio ao me lembrar do que havia acontecido há menos de dois minutos.
Eu estava perdida. Mesmo.
…
— Agora o professor Longbottom tem dois ajudantes. — Al anunciou ao se jogar na poltrona da frente. Mal percebi quando ele e Catherine chegaram, pois estava ocupada demais tentando, inutilmente, me concentrar em adiantar as matérias que perdi na semana fora. O beijo parecia impresso na minha retina.
— Desde que você não atrapalhe ele me ajudar, está ótimo. — Cat resmungou, afrouxando a gravata. — Eu já falei o quão odeio o uniforme de Hogwarts? Ele é muito ultrapassado.
— Você não precisa usar gravata. Eu mesmo não uso.
— E você parece desleixado o tempo todo.
— Por que todo mundo ama me esculachar em toda e qualquer oportunidade? — Al estava verdadeiramente indignado, com o cenho franzido e os olhos angustiados. Quase tive pena, mas Al era, ironicamente, um alvo fácil para zoeiras justamente por se importar demais.
— Você dá muita corda. — respondi dando de ombros e ele se surpreendeu.
— Ok, cadê a sua ofensa embutida?
Estava sem energias para provocá-lo. Na verdade, estava sem energias para muitas coisas. Scorpius havia dito que me procuraria mais tarde e, tecnicamente, já se havia passado um bom tempo desde a promessa. Não que eu fosse dar o braço a torcer e ficaria visivelmente disponível para ele, longe disso. Se ele quisesse, saberia onde me encontrar. Eu não me sujeitaria a fazer esforço algum para encontrá-lo.
— Hoje estou boazinha. — bati em seu ombro e dei um leve sorriso, o que despertou a atenção de minha amiga. Óbvio. Nada passava batido por Catherine Nott.
— Viu um passarinho azul?
— Acho que errou a cor, Catherine. O certo é verde. — corrigi apenas por diversão, porque havia entendido o que ela estava insinuando.
— Oh, realmente errei a cor. Está mais para um azul-acinzentado. — seu sorriso me fez revirar os olhos e Al suspirou pesadamente.
— Eu nunca entendo suas piadinhas internas.
No instante seguinte a passagem do Salão Comunal foi aberta e nos viramos para olhar para Anthony, que aparentemente discutia com Nina Longbottom. A garota revirou os olhos e saiu a passos largos. Na sequência, Tony fez o mesmo, parando quando nos viu. Ou melhor, quando viu Cathy.
— Desde quando você anda com a Nina?
— Não te interessa, Potter.
— Está irritadinho é. — Al se remexeu na poltrona sorridente, claramente ignorando o perigo que continuar provocando Tony. — Andou se envolvendo com garotas mais novas igual eu e tá provando do veneno depois de ter me zoado?
— Vou ignorar suas tiradinhas porque mesmo que esse fosse o caso, ainda seria melhor que sua situação. Mas não, não temos nada. Essa garota parece me odiar por algum motivo desconhecido.
— Não é uma tarefa muito difícil. — o resmungo que Catherine deu fez com que eu e Albus nos entreolhássemos, incapazes de interromper a bomba que estava prestes a estourar bem na nossa frente.
— Realmente. Digo por experiência própria. — ele a encarou profundamente, querendo passar algum tipo de resquício de raiva, mas falhando miseravelmente, pois mais parecia um cachorro sem dono. — Ah, Rose, o Scorpius estava te procurando. Ele está com uma cara péssima, acho que alguma coisa aconteceu.
Senti um misto de ansiedade e confusão, mas me levantei imediatamente, ignorando os olhares curiosos dos meus três amigos, e saindo para o corredor.
Ter dito que Scorpius Malfoy estava com uma cara péssima foi um eufemismo, pois ele estava horrível.
Os cabelos mais bagunçados que o normal — mas não de um jeito sexy, a roupa amarrotada, os olhos vermelhos e a expressão mortífera. Ele avançou em minha direção de uma maneira angustiada. Encarei-o com o cenho franzido, cruzando os braços. Ele não precisou de incentivo para começar a falar.
— Não sou mais monitor da Grifinória.
Meu queixo quase foi ao chão, pois eu esperava tudo, menos aquilo.
— O quê?
— McGonagall acabou de me contar. — ele pressionou as palmas das mãos contra dos olhos, suspirando. — Eu estou tão puto e desnorteado que nem sei. — cedeu as mãos, me encarando com pesar. — Alguém me denunciou. Sobre comportamento inadequado.
— Que tipo de comportamento inadequado, Scorpius. Você é todo certinho. — ri pelo nariz. Aquilo era um absurdo. Scorpius era melhor monitor do que muita gente.
— Passar pano pras festinhas e sair da linha às vezes é considerado um comportamento inadequado, Rose.
— Fala sério, todo mundo faz isso! Até o careta do Lysander.
Scorpius mordia a bochecha, encarando o chão e evitando meu olhar.
— Bem, não foi só isso que eu fiz.
Estreitei os olhos em sua direção.
— O que mais você fez?
— Ah, Rose, não é nada demais. — ele balançou a cabeça, mas não acreditei em suas palavras.
— Se não fosse, você me falaria. — cruzei os braços, me apoiando na parede. Eu não sairia dali sem ele me contar o que andava aprontando.
— Que merda. — passou as mãos nos cabelos, irritado. — Eu… Me encontrei com a Cassandra. No dormitório dela.
Eu sei que ele não me devia nenhuma explicação, porque afinal nos beijamos há cerca de uma hora e a história com Cassandra é mais velha do que eu e ele temos proximidade, mas aquela informação me pegou desprevenida.
Nunca me passou pela cabeça que Scorpius quebraria tão abertamente assim as regras. Albus e Fred sempre faziam questão de mencionar o quão o garoto era sério sobre alguns comportamentos como aquele, não à toa Tony já pegou umas duas detenções dadas por Scorpius por situações como aquela.
— Alguém viu e contou a ela? — continuei pois não queria demonstrar que aquela informação havia me afetado.
Scorpius me analisava milimetricamente, receoso sobre minha reação, mas prosseguiu.
— Basicamente. E com provas. Mas… Lysander me disse que viu Lily saindo do gabinete dela quando foi levar um recado de algum professor para a diretora. Por isso ela pediu para ele me chamar. — Scorpius se encostou ao meu lado e por mais que meu corpo tenha vibrado ao ter consciência de nossa proximidade evitei relar nele. Eu sabia que iria querer beijá-lo e sinceramente não estava querendo ceder naquele momento.
Mas qualquer preocupação que eu tivesse com nossa proximidade se esvaiu quando percebi que fora Lily, minha prima, que o havia denunciado.
— A Lily fez isso? Mas ela não te amava ou coisa do tipo? Você até se beijaram. — fiz uma careta com a constatação e Scorpius deu de ombros, suspirando.
— Eu dei um fora nela. E ela prometeu que eu iria me arrepender. — soltou uma risada de escárnio, balançando a cabeça. — Não acredito que ela tenha sido tão baixa à ponto de tirar minha monitoria por conta disso.
— Mas por que só agora?
— Eu não sei, ela deve ter esperado alguma brecha. Ou conseguir alguma prova. Sei lá. Queria que McGonagall tivesse me explicado mais sobre qual foi exatamente a acusação.
— Ela também não me explicou quando me dispensou. — lembrei enquanto balançava meus pés.
Até que um pensamento me ocorreu. Algo que eu nunca havia parado para pensar até então.
— Foi ela. — constatei, quase sem ar pela exasperação. Scorpius virou o rosto para me encarar, confuso. — Foi ela que me denunciou também. Quero dizer, na época eu soube que foi uma denúncia, só não liguei os pontos. Ela ter feito isso agora… Poderia muito bem ter feito antes.
— Mas por que ela teria feito isso com você?
— Scorpius, sinceramente. — revirei os olhos, ficando de frente para ele. — Ela me odeia há anos. Aliás, ela só gosta de si mesma. Sério. Sempre foi mimada. Anda com Roxy e Dominique pra ter a proteção de um squad, porque também pisa nelas. Aliás, andava, sei lá.
— Não é possível…
O ceticismo de Scorpius me irritou, mais do que eu já estava irritada com ele. Mesmo com todas as provas de que Lily Luna estava longe de ser a princesinha Potter, ele ainda tinha dificuldades em acreditar em coisas que são totalmente a cara dela.
— Claro que é. Ela sempre me odiou e deixou bem claro. Fui dispensada da Monitoria pouco depois que disse no almoço de Natal que ela poderia forçar menos quando ela estava contando para Albus que havia sido convidada por um membro aleatório da família real em pessoa a um evento aleatório. — quis vomitar só de lembrar da ocasião. O olhar mortífero dela, seguido do sorriso cínico, ainda estavam vívidos.
Eu não fazia ideia do porquê ela me detestava, mas sabia que não era a única.
— Eu sei, mas…
Ótimo. Meu humor estava arruinado.
— Eu não vou nem deixar você terminar essa frase, porque depois do “mas” eu sinceramente não faço questão alguma. Quando o assunto é Lily, não existe um “mas”. Ela é maldosa e pronto. Não preciso ver você passando pano pra uma garota que acabou de prejudicar sua vida acadêmica.
— Você quer deixar eu terminar de falar? — perguntou atônito, colocando a mão nos meus ombros, mas eu revirei os olhos.
— Não. Você não acabou de ouvir o que eu disse? — fiz menção de ir embora, mas Scorpius suspirou audivelmente, me segurando gentilmente pelo pulso, em uma súplica silenciosa.
Em outra situação eu provavelmente teria tirado a mão dele dali, dado boa noite e ido embora. Mas o maldito beijo parecia um fantasma, fazendo meus lábios formigarem. Por isso me virei, suspirando, e o encarei tentando não transparecer muita emoção.
— Eu estava dizendo que eu sei disso, mas que ainda era uma coisa nova a processar. Não iria defendê-la. Aliás, acho também que ela fez isso a você. Não discordo. Não quero que você pense que estou contra você ou coisa do tipo. E muito menos quero que você entre por essa porta irritada comigo, principalmente depois de hoje…
E bastou aquela meia dúzia de frases básicas para eu me render. Não literalmente, porque ainda tinha um pouco de orgulho, mas ao menos desisti da ideia de ir embora.
— Sinto muito pelo seu cargo. — falei com sinceridade, pois eu sabia como era uma péssima sensação. Ainda mais considerando nossas posições, de duas pessoas que precisavam lidar frequentemente com o preconceito, fosse pelo sobrenome, pela casa ou pelas fofocas que corriam pela escola.
— Não vou ter a mesma liberdade de explorar o castelo para pegar o assediador. — soltou enquanto seus ombros caíam de decepção.
Pisquei algumas veze, sem acreditar.
Aquela expulsão iria ficar marcada em seu histórico escolar e era ainda pior que a minha, que aconteceu há mais tempo, pois os olheiros estavam em contato com a direção a todo o momento, e ele estava preocupado em não conseguir bancar o detetive adolescente pela escola nas horas vagas? Além do mais, todo o esforço em capturá-lo não tinha mais tanto sentido se ele não receberia nenhum tipo de broche de honra por não ser mais monitor, o que indicava que ele realmente se importava.
A constatação de que Scorpius Malfoy se preocupava mais comigo do que eu esperava não passaria batido. Certamente não ajudava o caos que meu coração estava e me dava algo para pensar provavelmente a noite inteira, mas isso eu poderia resolver depois. Naquele instante eu só queria gravar tudo aquilo na memória.
— Nós daremos um jeito. E ainda temos as pulseiras. — sacudi o pulso na frente de seu rosto, sorrindo minimamente. Scorpius me acompanhou na risada e segurou meu pulso, acariciando a pulseira, mas em seguida a pele por debaixo dela.
O encarei com curiosidade e ansiedade e notei que ele devolveu o olhar na mesma intensidade.
Abaixei o braço com lentidão, com a mão dele ainda enroscada em meu pulso. Mas antes que pudéssemos pensar em qual poderia ter sido o próximo passo a passagem se abriu, fazendo com que nos afastássemos já que, sem perceber, nos aproximamos demais, com Albus nos encarando com o cenho franzido.
— O que está acontecendo.
— Vou precisar da sua capa da invisibilidade também pra pegar o assediador. Sua irmã fez o favor de acabar com meu cargo de Monitor. — falou apressadamente, para que Albus não reparasse em como nossas mãos se separaram rapidamente ou qualquer coisa do tipo.
Enquanto ele contava tudo o que acontecia eu lançava alguns olhares furtivos com certos intervalos de tempo, para não ficar tão na cara igual ele, que falava para Al me olhando basicamente o tempo inteiro.
Quando Al finalmente nos deixou sozinhos para buscar a capa, Scorpius voltou a me encarar.
— Vai ter uma festa essa semana. — falei me lembrando de repente. — Talvez pudéssemos pensar em alguma coisa.
— Achei que fosse me chamar para ir junto com você. — sorriu zombeteiro e eu ri com a suposição.
— Se está fazendo tanta questão, poderia me chamar você mesmo. Não corro o risco de ser rejeitada uma terceira vez. — decretei cruzando os braços e o loiro revirou os olhos, coçando o que parecia ser o começo de uma barba bem rala. A lembrança dela roçando em minha bochecha me deixou agitada.
— Você quer ir à festa comigo?
— Talvez.
— Como assim talvez?
— Preciso pensar.
— Por Merlin… — Scorpius balançava a cabeça, de modo que seus cabelos caíram levemente pela testa. — E quando vai me responder?
— Quando der vontade. — dei de ombros, sorrindo de canto.
Notei que Scorpius suspirava pesadamente, olhando para mim de maneira divertida. Estava na cara o que ele queria fazer na sequência, mas Albus voltou incrivelmente rápido com a capa na mão.
A exasperação dele em se despedir do amigo tão descaradamente quase me fez rir. Até teria ajudado na situação, porque Albus parecia alheio, mas por aquele dia havia sido o suficiente. E talvez Scorpius merecesse passar um pouco de vontade, como eu passei.
— Boa noite, Scorp. — Al acenou rapidamente, sussurrando a senha.
— Boa noite. — falou ainda me olhando. Chegava a ser fofo, se não cômico, ele me encarando daquela forma.
— Boa noite. — acenei de leve com a cabeça, me virando devagar para ver a expressão de decepção dele. — Ah, mas talvez amanhã a gente tenha que se ver de novo. — falei por pura provocação, mas também porque eu queria vê-lo. Seu olhar parecia cético, apesar de esperançoso. — Preciso das suas anotações de História da Magia. E talvez de todas as matérias da semana passada. — dei um sorriso amarelo e Scorpius riu pelo nariz, assentindo com um sorriso crescente no rosto.
— Sabia que iria a recorrer à mim.
— Mais uma palavra…
— Ok, eu estou brincando. — ergueu as mãos em rendição e eu me afastei da entrada, fazendo com que a passagem se fechasse. Me aproximei de seu rosto, próximo o suficiente para que nossas respirações se misturassem e alguns calafrios percorressem a espinha.
— Agora, realmente, boa noite. — inclinei minha cabeça e beijei castamente o canto de sua boca, em uma provocação que, caso eu não saísse logo dali, certamente terminariam em um beijo acalorado.
Sussurrei a senha novamente, entrando sem olhar para trás, mas com a certeza de que o sorriso bobo não abandonaria o canto dos meus lábios por um tempo.
Scorpius Malfoy
Eu não soube muito bem como reagir com toda aquela informação de que Rose estava querendo me beijar assim como eu andei querendo nos últimos dias. E só de pensar que ela realmente tinha a impressão que eu a tinha rejeitado eu quis me bater milhões de vezes. As coisas poderiam ter rolado muito antes, porque evidentemente ela parecia querer há um tempo, tanto quanto eu, mas eu tinha que ser um idiota e ter apostado com Hugo sobre a dança e outras inconveniências de insegurança que só me atrasaram.
O beijo no canto do rosto foi crueldade, porque Merlin sabe o quanto eu queria beijá-la novamente. Gelei em contar sobre Cassandra, mas se Rose sentiu ciúmes ou ficou incomodada escondeu bem. E, no mais, não estávamos juntos quando rolou, o que não justificaria estresse sobre o assunto.
Apesar desse ponto alto, meu dia estava sendo horrível. Contei tudo à Fred — exceto pela parte do beijo com Rose — e ele concordou sobre a garota sempre ter detestado Rose e ter sido bem capaz de estar por trás disso tudo.
Dei graças a Merlin que não a vi quando voltei para o Salão Comunal, pois provavelmente tentaria tirar satisfações e aquilo não daria certo.
— Vamos dar um jeito de pegar esse babaca. — ele me garantiu enquanto jogávamos uma partida de xadrez bruxo sem realmente prestarmos muita atenção.
— Nós temos que fazer isso. O ano logo acaba então certamente ele vai tentar atacar de novo enquanto pode. E depois não estaremos aqui para nos certificar de que ele não está cometendo outros crimes.
— Mas e se ele for do nosso ano? Tecnicamente vai se formar junto conosco.
— E provavelmente vai tentar agir na formatura e vai continuar assediando garotas por aí. Talvez até trabalhe com alguns de nós e continue fazendo a mesma merda. — resmunguei, me ajeitando na poltrona. — E não só isso. Conviver com esse encosto assombrando a escola não é nada saudável. Rose não merece passar por isso.
A erguida de sobrancelha e o olhar significativo que Fred me lançou me fizeram querer me bater por sempre deixar algumas coisas muito na cara.
— Assim como Amanda, Dominique e qualquer outra garota. — adicionei, mas meu amigo já sorria daquela forma acusatória para mim.
— Pode tentar esconder o quanto quiser, mas eu sei que vocês andaram se beijando.
O sorrisinho cínico me irritou, mas o susto pela rapidez com que a informação chegou aos ouvidos dele me surpreendeu.
— Quem te contou?
— Por Merlin, então é verdade? Eu só joguei um verde! — ele começou a rir sem parar, colocando a mão na barriga.
— Quer falar mais baixo? Acho que o pessoal da Masmorra ainda não te ouviu.
— É bem lá que você gostaria de estar, não é?
— Cale a boca.
— Eu não acredito que vocês estão finalmente juntos.
— Não estamos juntos. — falei com um suspiro. — E como assim finalmente? Não é como se tivesse levado uma eternidade.
— Ver você babando por ela com cara de Hipogrifo sem dono foi um saco, Scorpius. Estava quase indo arranjar vocês eu mesmo.
— Que desnecessário, Fred.
— Bem, ela é uma das minhas primas mais legais, então se magoá-la eu te mato. — estendeu uma das torres em minha direção, como uma maneira falha de ameaça.
— Foi só um beijo. Bem, nosso segundo.
— Own, olha só para você, contando! — Fred apoiou o rosto nas mãos, piscando repetidas vezes na minha direção. — E quando foi a primeira vez que seguraram as mãos? Ou que se chamaram pelo primeiro nome?
Precisei aturar alguns minutos de encheção do meu amigo, mas sinceramente não liguei. Apenas me despedi, cedendo a vitória do jogo para ele, já que estávamos jogando sem muito objetivo ou foco, e subi para separar o material para Rose, porque amanhã iríamos nos ver novamente e eu queria bem mais do que apenas um selinho no canto dos lábios.
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