Freedom
4 Quando ocorre uma tentativa de assassinato
Notas iniciais
Charlie e Lorcan se animaram com a ideia de ir ao baile com Rose Weasley. Eu achei que eles não curtiriam, por ela ser Sonserina, meio ácida e tudo o mais. Mas eles pareciam realmente entusiasmados.
– Ela tem olhos incríveis, já reparou? – Charlie sorria enquanto terminava seu dever. Ou melhor, terminava de copiar meu dever.
– Não. – falei sinceramente e tentei lembrar de seus olhos, mas eu nunca havia, de fato, reparado neles.
– São olhos de garota misteriosa. – ele sorriu de lado, levantando os olhos por um instante. – Acho que eu e ela vamos nos dar muito bem.
– Calma aí, garotão. – Lorcan interveio, arrumando a gravata. – Ela é quem escolherá. Como pode ter tanta certeza que você é que vai acompanhá-la?
– Ah qual é. – Charlie deu de ombros. – Você é careta. Eu sou descolado. Além do mais você só está interessado pelo sobrenome dela. Sua paixonite por Lily só não é tão escancarada como a de Ezra, mas sabemos seus reais interesses. – ele semicerrou os olhos para o loiro, que preferiu ignorar.
– Ela seria idiota de me recusar.
– Ela seria esperta em te recusar. – o moreno rebateu e eu ri pelo nariz.
– Acho até que vou fazer uma aposta. Posso ganhar bastante com isso. – comentei rindo e Charlie sorriu.
– Aposte em mim. – ele piscou e voltou a copiar.
– Isso, aposte no azarão! – Lorcan ironizou, levantando-se. – Terminei de fazer o meu trabalho, portanto vou para a cama. – frisou a palavra “meu”, dando uma alfinetada em Charlie, que sempre acaba copiando nossos deveres, mas ele apenas ignorou.
– Não que eu tenha uma queda pela Weasley, mas ela tem um jeito que me deixa intrigado.
– Deixe Luke Zabini escutar isso! – ouvi a voz de Lily e quando nos viramos ela sorria. Seus cabelos ruivos lisos estavam soltos e ligeiramente bagunçados. E aquela camisola era um tanto quanto curta.
– Hey Lily. – Charlie cumprimentou-a. Eu sorri em sua direção, e ela se sentou ao meu lado. – Não estava falando de Dominique, a propósito.
– Roxy então? – adivinhou ela risonha, mas Charlie negou, o que fez seu sorriso sumir.
– É bom que saiba que Lucy e Molly são muito novas pra você!
– Estou falando da Rose. – falou ele por fim, revirando os olhos e Lily pareceu realmente surpresa.
– Oh. – exclamou simplesmente. – Gosto peculiar o seu. – ela deu de ombros e Charlie não disse nada. – Ela é uma Sonserina. – Lily lembrou-lhe, e ele levantou os olhos do trabalho para encará-la.
– E daí? Luke era da Sonserina e namora Dominique. Seu irmão pertence à Sonserina. Qual o problema com Rose?
– Nenhum. – Lily respondeu sem emoção, mas deu um sorriso mínimo antes de se levantar. – Espero que consigam arranjar pares para o baile logo.
– Já temos. — falamos em uníssono e Lily respirou fundo.
– Ótimo. – e se virou sem dizer mais uma palavra.
– Ás vezes acho a Lily tão estranha... – Charlie comentou e eu olhei na direção em que a ruivinha saíra.
– Ela costumava ser mais agradável. – reparei.
– E fala tanto da prima... – Charlie finalmente terminou o trabalho, se espreguiçando. – Mas Rose parece ser uma garota muito legal. – concluiu ele em meio a um bocejo. Assenti silenciosamente.
– Muito legal mesmo. – sibilei antes de arrumar minhas coisas e subir para meu dormitório.
...
De fato Rose Weasley escolheu Charlie, o que deixou Lorcan meio revoltado. Já o moreno estava radiante. E eu acabei levando vinte galeões pela aposta. E se Charlie e Rose realmente fossem ao baile eu ainda lucraria mais. Aquilo estava ficando muito bom.
– Amanda não quer mesmo sair comigo, não é? – Al perguntou para mim no meio de uma aula de Herbologia e eu quase mandei ele se fuder.
– Sai dessa. Ela está com seu irmão e te odeia. – falei, pela milésima vez. Estava ficando chato. Quanto mais ele insistia, mais Amanda reclamava dele para mim. Al soltou um muxoxo, virando os olhos para a mesa em que Amanda estava, conversando animada com Ezra.
– Deve ter algum jeito... – ele sussurrou, mas resolvi ignorar. Seria inútil tentar impedi-lo.
Logo o sinal bateu e Amanda veio sorridente para mim.
– Pensei na nossa fantasia perfeita! Poderíamos ir de Senhor e Senhora Smith zumbi. – torci o nariz quando ela citou “zumbis”.
– Ainda quero parecer pegável, ok? – argumentei pegando os livros dela para carregar enquanto ela ria.
– Vai parecer pegável até se estiver vestido de mendigo, Malfoy.
– Nos seus sonhos, Lore. – retorqui e ela revirou os olhos.
– Senhor e Senhora Smith vampiros. Está bom para você? – ela perguntou erguendo a sobrancelha, enquanto uma mecha de seu cabelo encaracolado caia em seu rosto. Assenti, tirando a mecha e ela ergueu o nariz, triunfante. – Te vejo por aí, Senhor Smith.
– Te vejo por aí, Senhora Smith. – dei uma piscadela e ela pegou os livros da minha mão, sorrindo.
Mal eu sabia que, no dia do baile, Amanda receberia uma carta de James. Que, incrivelmente, não a deixaria nada feliz.
– EU VOU MATAR O POTTER! – ela berrava, após escancarar minha porta. Ela estava usando um vestido preto bem curto e bem justo, com alças finas. Parei de dar o nó na gravata, chocado, paralisado.
– Essa daí é sua fantasia? – perguntei em um tom de voz baixo, e quando Amanda olhou para baixo arregalou os olhos.
– Isso é minha roupa de baixo! – ela exclamou e saiu correndo.
– Caralho. – foi a reação dos outros quatro caras que estavam no dormitório. – Desde quando Amanda cresceu tanto? – perguntou Charlie, de boca aberta. Estava fantasiado de pirata.
– Acho que o Finningan vai trocar de doença... Digo, paixonite. – Fred brincou, enquanto terminava de colocar uma espécie de cílios postiços para sua fantasia de Laranja Mecânica, que eu não fazia ideia alguma do que se tratava, apenas que era um filme trouxa. Ezra estava petrificado, em seu uniforme de Guarda Britânico.
Ouvimos batidas na porta e a voz de Amanda soou abafada.
– Scorp, venha até aqui. – todos me olharam esperançosos e incrédulos, mas eu apenas balancei a cabeça para eles e fui ao encontro dela. O vestido continuava sendo preto e justo, mas agora era longo. Mesmo assim, ela não deixava de estar linda.
– Você está incrível. – falei e ela tentou sorrir, mas algo estava realmente incomodando-a. – O que houve?
– Eu apenas quero matar o Potter! – ela sacudiu a carta em mãos e vi que o remetente era de James Potter. Cerrei os punhos.
– O que aquele idiota do James fez?
– Ah, não esse Potter. – ela explicou. – Nas verdade também. Os dois Potter. Albus disse alguma coisa para James a respeito de caras tentando dar em cima de mim. Então, ao saber do baile, James pediu que eu fosse com Albus. Porque assim ele se sentiria mais tranqüilo. – Amanda revirou os olhos e eu franzi o cenho.
– E você vai obedecer? – ela me fitou com um pedido de desculpas nos olhos e eu neguei com a cabeça. – Albus não tem jeito. E James é seu namorado, nada mais justo.
– Não somos namorados. – Amanda sibilou, franzindo o cenho também.
– Vai fazer o que ele pede por quê? – perguntei sem entender, cruzando os braços. Ela abaixou a cabeça.
– Ele estava preocupado comigo... Acho que logo podemos nos tornar um casal. Não quero deixá-lo magoado.
– Ok. Vá com Al então. – falei dando um pequeno sorriso. – Eu provavelmente teria que lhe deixar sozinha em vários momentos para ver como anda a organização do baile.
– Eu vou me controlar para não explodir o cérebro do Potter. – ela sibilou entre dentes e eu ri. – Vou voltar a me arrumar. – bufando, Amanda entrou no quarto.
Eu ainda não tinha terminado de fazer o visual vampiresco, e depois que Amanda anunciou que não iríamos mais juntos perdi a vontade. Simplesmente desci as escadas, trombando em um cara com uma fantasia de Jason, de Sexta Feira 13.
Os corredores estavam mal iluminados, com algumas criaturas saindo do chão e da parede sem aviso prévio. Enquanto eu me dirigia para o salão senti duas mãos envolverem meus pés, e eu quase cai no chão. Tentei me livrar daquela coisa, mas nenhum feitiço adiantava.
Até que um raio de fogo atingiu as duas mãos e elas se soltaram imediatamente, voltando para o chão. Olhei em volta e vi Rose Weasley vestida de Jean Grey, em forma de Fênix Negra e ergui as sobrancelhas, surpreso.
– Eu sei, descobrir que esse tipo de planta – ela indicou o chão – têm medo de fogo, e que a solução era apenas dar um pouquinho de calor a elas é realmente surpreendente. – Rose cruzou os braços, os cabelos ruivos mais vivos e esvoaçantes do que nunca. Estávamos a uma distância considerável e eu conseguia sentir todo seu calor.
– Não estava surpreso devido a descoberta. – sibilei com o cenho franzido. – E se eu não soubesse das plantas?
– E se eu não estivesse aqui? – ela descruzou os braços. Cara, estava inevitável não olhar para ela. Para o corpo dela. Além do mais Jean Grey era uma das minhas personagens favoritas. E Rose estava fiel à arte da HQ. – Em dez minutos você ia conseguir se soltar. Mas enquanto você estivesse preso ai, coisa sobrenaturais iriam acontecer. – Rose zombou, rindo ironicamente.
– Algo me diz que sua fantasia é uma espécie de proteção contra isso. – semicerrei os olhos e ela sorriu de canto.
– Esperto. Eu detesto levar sustos.
– Detesta levar sustos, mas participa de uma festa de Halloween? – perguntei rindo.
– Profissionalismo. – ela deu os ombros, virando-se. Seus cabelos esvoaçam, parecendo em chamas enquanto ela andava. – Espero que Charlie venha logo. – ela disse já um pouco mais ao longe.
Continuei meu caminho, com Rose Weasley emanando calor alguns passos a minha frente.
– Tem alguma espécie de feitiço na sua fantasia, Weasley? – perguntei meio sem conseguir focar meus pensamentos e ela riu irônica.
– Minha fantasia inteira foi feita a base de feitiços, Malfoy. Caso contrário eu estaria carbonizada agora.
– Ah. – mas não era a isso que eu me referia. Aquela fantasia parecia me prender. E não só a mim, mas como a todos os caras ali presentes.
Quando percebi estava de pé ao lado dela, parado em um canto da pista. Ela tentava me ignorar, mas estava claramente incomodada.
– É o fogo. – falou de repente e eu piquei, saindo do transe. – As chamas. Elas prendem nossa atenção. – e então ao fechar os olhos ela parou de pegar fogo, e a fantasia antes vermelha e dourada, se tornou verde e dourada. Soltei um muxoxo.
– Muito fiel. – sibilei e ela deu um sorriso vitorioso.
– Eu sei. – revirei os olhos coma resposta dela. Típica Sonserina. Ficamos ali parados, sem saber exatamente o motivo. Não éramos amigos nem nada, apenas conhecidos e colegas. – Onde está seu par? – ela perguntou depois de uns minutos. Eu já não tinha mais a atenção em sua fantasia genial, portanto virei para encará-la. Realmente verde combinava com ela.
– Albus vai com ela. – dei de ombros e Rose pareceu realmente surpresa.
– A Lore tem algum tipo de problema? Ou Al deu Amortencia para ela?
– James pediu para que os dois fossem juntos. E foi coisa de Al. – acrescentei e Rose parecia pensativa.
– Acho que acabei vencendo a aposta, já que Al não a convidou. Foi James que estabeleceu isso.
– Charlie também não te convidou. Eu estabeleci isso. – relembrei e ela apenas ignorou. – Além do mais Charlie ainda não está aqui. – falei e ela se virou para mim, com desgosto.
– Por que ainda está do meu lado, Malfoy?
– E aí! – Catherine nos cumprimentou. Estava fantasiada de Lara Croft, o que deixou Fred bem animado. Ele curtia games.
– Cadê o Charlie? – Fred perguntou, enquanto tomava um gole de seu ponche rosado e um olho nascia ali dentro. – Legal. – ele riu, mordendo o olho e fazendo uma expressão surpresa. – Chocolate?
– Genial, não? – Catherine perguntou, com um sorriso triunfante. Eu conhecia esse sorriso. Ele pertencia a Rose também. Talvez estivesse no sangue Sonserino.
– Ideia sua? – Fred perguntou admirado e Catherine assentiu, ambos sorriram. Olhei de esguelha para Rose, que sorria minimamente também.
– Onde está o Charlie? – Catherine perguntou depois. – Ele disse que vinha direto para cá.
– Da última vez que eu vi ele estava comendo uns doces estranhos...
– Todos os doces aqui são estranhos. – Catherine rebateu, revirando os olhos.
– Não... Estranhos do tipo, um cara vestido de Jason deixou uns bolinhos em cima da mesa, e depois ele foi até o banheiro. – Fred parou instantaneamente ao perceber. – Ele deve ter passado mal.
– E ainda mais vestido de Jason! – Rose ralhou. Eu e Fred olhamos para ela sem entender.
– O babaca do Anthony estava vestido de Jason. – Catherine segurou a arma em seu coldre, como se aquilo aliviasse sua raiva pelo Zabini. – Mas que motivo aquele idiota teria para envenenar o Benson?
– Talvez para fazer Albus ganhar a aposta. – Rose apostou.
– Vou até lá. – Fred se pronunciou e Catherine assentiu, ainda estressada.
– É melhor irmos avisar Minerva. Pro caso de outros doces estarem envenenados. – Rose palpitou e nós três fomos até a mesa onde ela estava, enquanto Fred subia as escadas.
No caminho vi Amanda e Albus. Ela tinha terminado a maquiagem vampiresca e estava simplesmente linda, e eu não tinha reparado que seu vestido tinha uma abertura enorme na perna, exibindo a arma presa a coxa. Albus estava vestido de Alladin, e eu juro que vi Amanda analisando-o bem, apesar da raiva evidente.
– Hey Scorp! – ouvi a voz dela e parei. Rose e Catherine já estavam falando com Minerva, então fui em direção aos dois. – Como está indo? – ela parecia suplicante.
– Bem. E vocês?
– Ótimos! – Albus respondeu ao mesmo tempo que Amanda dizia “péssimos”.
– Aliás, Rose tem um par? – Albus sorriu ao notar a prima sozinha falando com Minerva e Catherine.
– A ideia do envenenamento foi sua? – perguntei meio bravo, mas Al me encarou sem entender. Amanda semicerrou os olhos.
– Envenenamento?
– Alguém colocou algo na comida de Charlie. E ele não pode vir. Você seria a pessoa perfeita para envenená-lo e assim ganhar a aposta. – conclui indicando Amanda com a cabeça, e Albus engoliu em seco quando ela virou para encará-lo lentamente.
– Aposta, Potter? Eu estou envolvida nisso? – ele ia abrir a boca para responder, mas Rose foi mais rápida.
– Absolutamente. – Albus virou depressa para a prima, temendo que ela falasse demais. E conhecendo um pouco do caráter Sonserino de Rose Weasley, ela iria falar. Ah se ia. – Al apostou com alguns amigos que te levaria ao baile. Eu achei tudo uma baboseira, mas ele garantiu. Ele deve ter ficado com raiva por eu ter ido contra seus planos e resolveu envenenar o Benson, para que eu ficasse sozinha no baile. Amor entre primos, sabe como é.
– Não é nada disso! – Al tentou se defender, mas Amanda já tinha lhe dado um soco bem forte no nariz.
– James vai saber dessa sua aposta imunda!
– Não envolvia nada demais! Foi um mal entendido.
– Faça-me rir, Albus Potter. Sou namorada do seu irmão, devia me respeitar.
– Vocês não são namorados. – Albus rebateu com amargura e Amanda estancou no lugar. – Ele mesmo disse que vocês não tinham nada demais, mas que era melhor te manter afastada de caras com más intenções. Afinal, ele não namoraria uma garota com fama de rodada. – outro soco. Mas Amanda não disse mais nada, apenas saiu a passos rápidos.
Assim que ameacei ir atrás dela, ela fez uma barreira de proteção com a varinha, me impedindo de passar. Entendi aquilo como um “não agora Scorps” e resolvi deixar para depois.
– Obrigado, Rose! – Al estava exaltado. – Não envenenei o Charlie para obter sucesso no nosso acordo. Quem queria envenenar alguém era o Tony. Mas era o Fred o alvo, para que ele não fosse ao baile com Catherine. – ele jogou a bomba e Catherine parecia ainda mais irada que Amanda. – Agora a Amanda vai querer me matar, e a culpa é sua!
– Quem fez um comentário que não deveria foi você. – Rose retrucou e Al fechou a cara. – Você poderia ter explicado tudo ao invés de jogar na cara dela que James não quer namorá-la. – eles se entreolharam e depois olharam para mim.
– Não vou falar nada. – afirmei e Rose semicerrou os olhos.
– Você é melhor amigo dela.
– Mas não vou falar. – garanti, ficando um pouco irritado. Rose bufou, voltando ao estado Fênix e Al exclamou.
– Sua fantasia é incrível.
– Eu sei. – revirei os olhos ao escutar sua típica frase Sonserina.
– Vou arrancar as bolas daquele imprestável do Zabini. – Catherine falou entre dentes, cerrando os punhos.
Ficamos em uma mesa, entediados, as vezes rindo por conta de algumas surpresinhas no meio das comidas. Catherine sempre sorria, orgulhosa de seu próprio trabalho.
Depois de um tempo um cara fantasiado de Jason apareceu, e todos nós ficamos em silêncio, observando.
Catherine se levantou e sorriu para Anthony assim que ele retirou a máscara.
– Está sozinha? – ele perguntou e ela assentiu, sorrindo. Era um sorriso sarcástico, mas Anthony estava tão animado que mal percebia. – Quer dançar?
– Claro que sim. – e os dois foram até a pista dançar, como se nada tivesse acontecido.
– Observem. – falou Rose sorrindo marota, o que foi meio inútil, já que obviamente estávamos observando. Não iríamos perder nada. Além do mais Rose já voltara ao estado normal, o que nos deixava focados na cena logo a nossa frente, sem aquelas chamas nos atraindo.
Eles dançavam, e Anthony sorria vitorioso, contando algo para ela. Pouco tempo depois ambos foram até um canto mais afastado.
– Ele é a fim dela? – perguntei e Albus e Rose riram.
– Eles se odeiam. – Albus disse.
– Mas acho que o que rolou hoje foi uma demonstração de ciúmes. – Rose completou, com Albus assentindo enquanto tomava seu ponche. – Só que veja bem, eles são muito orgulhosos. Não se beijariam hoje nem que estivessem bêbados. E se o fizessem, negariam até a morte.
– Vou querer ver o dia que eles se pegarem. Se acontecer mesmo. – Albus riu pelo nariz e observamos Catherine retirando a arma do coldre. – Oh, não. – ela engatilhou a arma e nós soltamos uma exclamação. – Ela vai matar ele! – Albus exclamou, indignado.
– Relaxa, é só de borracha. – Rose falou com calma, bebendo seu ponche.
– Exato. Ela vai matar ele. – Albus enfatizou e reparamos onde ela mirava. Era na parte baixa dele. Ela falou sério quando disse que arrancaria as bolas deles. – Pobre homem. – Al gemeu quando a arma foi disparada e Anthony caiu no chão, aos berros.
Algumas pessoas se assustaram e Minerva correu até eles. Nos levantamos e fomos atrás, com receio.
– Foi um acidente! – Catherine falava, dissimulada, fingindo estar a beira das lágrimas. – Estávamos conversando e ele disparou a arma sem querer. Não foi, Tony? – ela encarou o moreno caído no chão, que a encarou perplexo. Minerva virou para olhá-lo e Catherine assumiu uma expressão mortífera, quase dizendo que se ele não confirmasse, ela iria fazer coisa pior.
– Sim... – ele arranjou forças para dizer, com os olhos cheios de lágrimas.
– Por sorte era apenas de borracha... – Minerva falou, com pena. – Tome mais cuidado com isso, senhorita Nott. Vou levá-lo para a enfermaria.
– Sem problemas. Espero que fique bem, Tony! – Catherine falou, com os olhos azuis marejados.
Assim que os professores se encarregaram de tirar Anthony dali, Catherine limpou as lágrimas e deu um pequeno sorriso.
– Que as bolas de Anthony Zabini descansem em paz.
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