Freedom
13 Quando deveria ser, mas não é
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Não tive uma reação imediata quando Lily grudou a boca na minha. Fiquei estático, de olhos abertos, inclusive. Parecia… Diferente. Me permiti aprofundar o beijo e descobri que Lily tinha na boca um gosto… De cigarro misturado com álcool. Mas seu perfume era inebriante e forte. Ela puxou meu colarinho, grudando um pouco mais em mim. Arrisquei segurar sua cintura, um pouco sem jeito. Mas não demorou muito até que eu me acostumasse e me deixasse levar pela animação de Lily.
Sem mais nem menos a ruiva me soltou e ficou me encarando com os olhos castanhos. Engoli em seco, tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. Porra… Lily Potter me beijou. A garota número um de Hogwarts. Ao nosso redor algumas pessoas ovacionavam, nos zoando, ela apenas sorriu de lado, ainda me encarando.
— Acho que bastante gente esperava por isso.
— Bem, eu não esperava. — admiti e ela jogou os cabelos para trás, parecendo ligeiramente incomodada. Não queria que ela tivesse entendido mal, mas não pensava que Lily, de alguma forma, queria me beijar. Quero dizer, ela flertava comigo às vezes, mas flertava com várias pessoas também e pra mim isso sempre foi completamente normal. Ou só eu não percebi algo óbvio?
— Já perdi tempo demais esses anos todos, então resolvi jogar todas as minhas cartas na mesa. Espero que saiba o que fazer com elas. Te vejo meia noite? — ela perguntou no pé do meu ouvido. Um leve arrepio percorreu minha espinha e eu apenas assenti, sem saber exatamente o que falar. Lily me lançou um último olhar antes de sair andando normalmente. Franzi o cenho.
— Porra, Malfoy. — Al me encarava cético. Quando ele me chamava pelo sobrenome é porque as coisas não estavam boas pro meu lado. Seus braços estavam cruzados. — Olha, sinceramente. Minha irmã? Você não sabe onde tá se metendo, cara. E não digo isso por ciúmes, não. Lily sabe bem o que faz. Mas sabe bem até demais.
— Você sabe de algo que eu não sei? — tentei decifrar meu amigo com o olhar, mas ele mantinha os olhos cravados em Lily, que agora conversava com Roxanne.
— Não sei de nada que você não saiba. — revirei os olhos para essa resposta, socando ele no braço. AL sabia ser um porre quando queria.
— Você está bêbado, não fala nada com nada e precisa colocar ordem nessa casa. Vamos que eu te ajudo.
— Só não vai perder a hora do encontro. — Al sacudiu a cabeça, dando um grande gole em seu copo. — Até você tem um beijinho marcado à meia noite, menos eu. Vou precisar de uma garrafa nova pra sobreviver até a virada. — ele gemeu baixinho ao ouvir o barulho de mais algum objeto se quebrando.
Não sei se deveria de fato procurar Lily à meia noite. Não tinha sido um beijo ruim, longe disso. Mas só… Havia sido um beijo. E eu não sabia o que Lily estava querendo de mim. Eu não sabia nem o que eu estava esperando daquela noite.
— Malfoy. — levei um susto e meu coração saltou com Rose Weasley pulando em meu pescoço para dar uma espécie de abraço torto. Parecia que ela estava mais é se segurando em mim. A garrafa na mão e o cheiro de álcool entregavam que talvez ela tivesse abusado mais do que o ideal da bebida. Seus olhos estavam mais azulados e notei que ela parecia ter dificuldade em focar meu rosto. Ri com a situação e encarei suas sardas nas bochechas, levemente rosadas por conta da bebedeira toda. Voltei a atenção a ela, tentando me manter focado.
— Está aproveitando a noite, Weasley?
— Você sabia que nossas mães estão tricotando por aí? — ela falava de um modo arrastado, o que me fez rir mais ainda.
— Fui informado. — comentei e ela soltou uma risada, cambaleando. Segurei sua cintura e ela me encarou de um jeito esquisito. Rose se soltou um pouco, para ficar mais ereta, mas fez uma careta de dor e tentou levar a mão ao tornozelo, mas quase caiu. — O que aconteceu?
— Tropeçaram em mim. Sem querer. — ela enfatizou a última frase com aspas e eu franzi o cenho, olhando ao redor. Lily e Rose machucadas na mesma noite? Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Rose se soltou totalmente de mim e subiu no balcão da cozinha antes que eu pudesse impedi-la.
— Rose do céu! — Catherine veio correndo até nós, ofegante e aparentemente puta. Tony estava logo atrás, com uma expressão não muito melhor que a de Catherine.
— Rose, caralho, não dá pra te largar por nem um segundo! — ele praticamente gritou, também ofegante e Rose começou a rir, tateando a parte de cima do armário dos Potter. Eu tinha meus braços estendidos, tentando ficar à postos caso ela caísse. Ela bambeou um pouco e tentei segurá-la, mas ela se desviou. Revirei os olhos. Rose sabia ser teimosa e isso me irritava demais.
— Só estou pegando uns biscoitinhos. Você pareciam ocupados demais. — ela achou o pote e se virou para descer, mas não aparentava ter planejamento algum do que iria fazer e quando parecia que ia cair de cara no chão eu, Catherine e Tony corremos para segurá-la, mas ela voltou a rir, voltando à posição inicial. — Opa, não foi dessa vez.
— Rose, sai logo daí. — Catherine rosnou, estendendo a mão para a ruiva que se deliciava com biscoitos. Eu não estava acreditando na cena que estava vendo. Nunca vi Rose tão bêbada e ela parecia mais… Leve. Mas Catherine não estava concordando tanto com minha opinião, acho. — Ou você desce por bem ou por mal. — ela sacou a varinha, segurando com força e Rose arregalou os olhos, fazendo uma careta de deboche, mas sem descer.
— Vamos logo, Rose. Faltam dez minutos para meia noite. — Tony comentou olhando para o relógio e eu comecei a olhar ao redor. Muitos já se aproximavam em rodinhas e procuravam parceiros. De repente fiquei levemente ansioso sem saber se Lily viria de fato até mim ou se tudo não tinha passado de uma grande piada, mas isso sumiu totalmente da minha cabeça quando Rose finalmente desceu da bancada, ficando de frente para mim.
Sua cabeça estava erguida enquanto me encarava com seus olhos azuis esverdeados, até porque tínhamos uma certa diferença de altura. Não disse nada, apenas a encarei de volta e ela pegou um dos últimos biscoitos do pote, analisando-o.
— Vamos ficar numa boa. O que aconteceu, aconteceu. Não queria fazer um grande caso sobre. — sua voz era arrastada, mas dava para perceber que ela se esforçava para raciocinar e colocar as palavras para fora. Catherine começou a bater os dedos no balcão, suspirando. — Podemos voltar a competir de uma maneira… Saudável. Não é um simples beijinho que vai me afastar da Romênia. — algo em seu tom me incomodou e engoli em seco porque não tinha nada para falar a respeito. As coisas tinham ficado ligeiramente esquisitas entre nós, mas ao mesmo tempo não era uma situação totalmente desconfortável. Eu tinha vontade de falar com ela, fosse desse jeito estranho ou não. Queria entender o que estava acontecendo e o que iria acontecer. Não éramos amigos, mas também não éramos indiferentes.
— Beijo? — Tony questionou com a voz um pouco mais aguda que o normal e Catherine sorriu de lado.
— Eles trocaram os maiores beijos na sua festa. — ela nos encarava com os olhos divertidos e Rose sorriu marota.
— Não fui a única a dar uns bons beijos na última semana. — Rose encarava Catherine de um jeito estranho, mas não consegui decifrar o que ela estava querendo dizer com isso.
— Bons. — não pude deixar de observar e Rose revirou os olhos, enfiando um biscoito na minha boca, quase me fazendo engasgar.
— Preciso dizer que você anda se achando a última bolacha do pacote? O último biscoito do pote? — a ruiva sussurrou meio alto em minha direção. Pude sentir sua respiração na altura do meu pescoço e tive um leve arrepio.
— Ok, ok. Tudo certo, amigos novamente. — Catherine segurou Rose pelo braço, tirando ela de perto de mim, mas parou e me encarou com o cenho franzido. — Ou o que quer isso seja.
— Quem diria… — Tony bateu com o ombro no meu, de braços cruzados. Ele olhava de Rose para mim, rindo. — Vai rolar um remember à meia noite?
Apenas cocei minha sobrancelha, tentando me desviar da pergunta, mas de repente Tony gargalhou e eu olhei na direção em que ele olhava e agora se dirigia. Rose estava conversando com Cassandra Thomas e eu senti um leve soco no estômago. Cassie tinha sido minha quase namorada no ano anterior e foi uma das únicas poucas vezes que realmente senti algo por alguém, fora Summer quando eu era mais novo e Selena Feng no quinto ano — ela era da Grifinória mesmo, mas se formara no ano anterior. Não tivemos a chance de conversar depois sobre o assunto, mas sempre nos cumprimentávamos e conversávamos quando necessário. Summer sempre foi meu crush secreto, então não contava. O problema mesmo era Cassandra.
Eu não era de me apaixonar intensamente nem nada do tipo, só de cultivar casinhos pontuais que terminavam em algumas semanas e nunca evoluíam para nada de fato. Eu nunca tinha tempo para elas por conta dos deveres como monitor, então meus maiores relacionamentos duraram, no máximo, três meses, com Cassandra e Selena.
O problema é que Cassandra mal olhava na minha cara desde que havíamos terminado, pouco antes das férias de verão, depois que revelei que faria um curso intensivo para prestar o concurso na Romênia e que, por isso, não poderia passar as férias com ela. Ela vivia dizendo que eu precisava me divertir mais e foi algo que acabei sendo forçado a fazer nesse último ano por recomendações médicas. Nunca fui de ir em festas ou apenas ficar de bobeira. Mas isso estava me fazendo bem, de fato.
Pensar nos momentos que perdi negando tudo isso com Cassandra me deixaram um pouco mal. Eu quase não a via na escola, pois ela era da Corvinal e era um ano mais nova e nossos horários, mesmo naquela época, eram conflitantes. Foi a primeira garota que eu tive, de fato, um contato mais íntimo, em uma ou duas vezes que estivemos juntos, quase no final da relação.
Eu estava na biblioteca, revisando para os exames finais, e costumava ficar lá até mais tarde, o que já vinha acontecendo há mais ou menos duas semanas. Cassie chegou tão sorrateira que me pegou de susto. Derrubei o tinteiro que, ao cair, fez um barulho absurdo no ambiente agora vazio.
— Ops. Não queria te assustar. — ela me encarou com seus olhos castanhos gigantes. Sorri de lado, passando a mão no rosto devido ao cansaço. Ela mordeu os lábios e colocou os cabelos pretos cacheados para trás, aproximando-se de mim e exibindo levemente o decote. — Você anda estudando tanto… — ela começara a passar a mão lentamente em meus braços, me deixando atento a cada toque. — Pensei em matar um pouco as saudades. — os beijos eram leves em cada parte do meu rosto. Ela levou sua mão fria à minha e me puxou para trás de uma das estantes mais escondidas. Arfei, olhando para os lados.
— Cassie, pode ter alguém aqui.
— Scorpius, só você está estudando. — ela resmungou, me empurrando um pouco bruscamente contra uma das mesas. — Todas as casas estão fazendo festinhas e só você está aqui. E bem… Agora eu. — ela sorriu e me beijou. Franzi o cenho. Gosto de álcool.
— Cassie, você andou bebendo dentro da escola? Sabe que isso não é…
— Shhh, Scorpius. Deixe de ser certinho pelo menos um dia. Só hoje. — ela praticamente sussurrou em um gemido sofrido. Respirei fundo, tentando não me alarmar com o que estava rolando. Não que eu não tivesse vontade de aprofundar os amassos e tudo o mais, mas como monitor, não podia fazer ali esse tipo de coisa. E muito menos saber que uma festa com bebidas alcóolicas estava rolando e não fazer nada.
Minha mente desanuviou um pouco quando Cassandra grudou com força em mim, praticamente roçando-se. O efeito no meu corpo foi instantâneo e ela sorriu entre o beijo, provocando um pouco com o quadril. Engoli em seco, jogando a cabeça para trás. Ela alcançou meu pescoço e eu segurei seus cabelos com precisão, mas sem colocar muita força.
Cassandra pegou a minha mão que estava em seu quadril e foi me conduzindo até seus seios. Um embrulho no estômago quase me fez vomitar, eu tinha certeza que alguém apareceria por entre os corredores e isso poderia custar meu distintivo. Arrisquei apertá-lo e massageá-lo, como da última vez, e ela riu divertida, me beijando novamente.
Cassandra passou os dedos na borda da minha calça, puxando minha camisa para fora. Arfei quando suas mãos geladas roçaram minha pele. Aquilo era bom, mas não podia estar acontecendo ali.
— Cass… — murmurei com os olhos abertos, enquanto ela me beijava e tentava colocar a mão na minha calça. Sua resposta foi segurar meu pau com força. Saltei com a sensação, arfando. — Cassie.
— Testa você também. — sua voz era um sussurro em meu ouvido enquanto conduzia minha mão para a sua virilha e movimentava levemente meu pênis. Eu estava atônito, não conseguia parar, mas também não conseguia me concentrar totalmente. Quando senti sua calcinha úmida eu gelei. A sensação era familiar, pois era mais ou menos até onde tinha conseguido sentir da última vez, em um jogo da Corvinal e Lufa-Lufa, em que ela me tirou da arquibancada e me levou para a Torre de Astronomia, antes do nosso momento ser atrapalhado pelo som das comemorações da vitória da Corvinal.
Ajeitei meu braço e puxei sua calcinha para o lado, ficando atento à sua respiração pesada. Engoli em seco quando esfreguei meus dedos. Era quente. E muito, muito úmido. Eu conseguia percorrer com facilidade e o frio na barriga estava aumentando junto com o ritmo ligeiramente mais rápido dela. Abri a boca e fechei os olhos quando ela mergulhou seu rosto em meu pescoço, gemendo meu nome e pedindo para eu colocar mais. Arrisquei um dedo e ela mordeu meu pescoço. Mexi lentamente, deslizando em alguns momentos. Arrisquei um segundo dedo e ela apertou meu pau com força, assumindo um ritmo quase frenético. Segui a mesma velocidade nela, de maneira que um gemido alto saiu de seus lábios, ecoando pela biblioteca. Aquilo me despertou e, por mais que eu estivesse perto de gozar, travei de uma forma que precisei de alguns minutos para raciocinar e elaborar uma frase.
Cass percebeu que parei e tirou meus dedos de dentro dela. Achei que ela fosse falar algo, mas ela simplesmente se abaixou e estava prestes a abrir minha calça. Retomei os sentidos com aquele movimento e segurei seus ombros.
— Wow, calma. Vamos com calma. — ela me encarava com um olhar um pouco revoltado, então fez menção de voltar a bater punheta novamente. Tentei argumentar, mas estava difícil. — Cassie, não podemos fazer isso aqui.
— Já estamos fazendo. — ela tinha a voz baixa, tentando reproduzir um tom sexy.
— Não é o momento… — falei segurando sua mão, para que ela parasse. Cassandra se levantou furiosa.
— E quando vai ser a porra do momento, Scorpius? — ela me encarava olho no olho. Fiquei constrangido, tentando recolher meu pênis à mostra. Cassandra riu, cética. — Pelo visto nem agora, nem nunca.
— Não é bem assim. Podemos falar disso amanhã e pensar em… Fazer tudo isso de uma maneira mais adequada.
Ela respirava fundo, sem me olhar diretamente. Por fim Cassie voltou a me encarar, mas não parecia satisfeita.
— Faltam poucos dias pro fim do semestre. — veio em minha direção, mais tranquila. — Acho que consigo esperar. E você poderia passar uma temporada comigo e com meus pais na França, o que acha? — ela questionou enquanto alisava meu colarinho.
Respirei fundo e lhe contei sobre meus planos para o verão. Cassandra não falou nada. Apenas me fitou. E riu.
— Você está de brincadeira com a minha cara. É só isso que você vai fazer o verão todo?
— Bem, é um intensivo. — falei, ponderando meu tom. — E minha mãe precisa de minha ajuda. Fora que combinei com Amanda que passaria…
— Ah, que ótimo! Você tem tempo para estudar, para sua mãe, até para a Amanda e não pode reservar alguns dias da merda das suas férias pra mim? — Cass agora andava de um lado para o outro, falando alto. Suspirei. Não sabia o que fazer.
— Bem, combinei tudo isso antes de…
— Do que? — seu tom de voz era duro. — Disso acontecer? O que é isso pra você? — ela gesticulava para nós dois. Engoli em seco e ela riu com meu silêncio. — Eu estava prestes a chupar seu pau e você sequer sabe definir o que somos. Estamos saindo todas as semanas por quase três meses e você não sabe definir o que nós somos.
— Não chegamos a ter nenhuma conversa a respeito. — argumentei coçando a cabeça. — As coisas foram acontecendo e… Bem, com as provas acontecendo não achei que fosse o momento.
— Mas quando vai chegar o momento? Você nunca tem a porra do tempo pra mim. Nunca.
— Cassie…
— Mark tinha razão. Não sei porque estou perdendo meu tempo com você.
— Mark? Mark Richards? — era o cara mais insuportável da Grifinória, meu veterano. Cassandra jogou a cabeça para trás, fechando os olhos.
— Estamos tendo um… Negócio. — crispei os lábios, sentindo um soco no meu estômago. — Você ficou ausente muito tempo, Scorpius. Mark… Bem, ele me quer com gosto. Diferente de você, que nunca me procura. Nunca avança. Nunca me assume. Hoje ele quis avançar comigo. Eu neguei e vim aqui, tentando extrair um pouquinho que fosse do seu desejo por mim. Da sua vontade de me ter de verdade e não só um picado aqui e ali. Mas parece que eu tive minha resposta.
Depois disso ela simplesmente saiu, voltando para seu salão comunal. Ou talvez para o salão comunal da Grifinória e para o Mark. Eu não sabia. Não demorou muito até que eles se assumissem como um casal, mas aparentemente eles não estavam mais juntos, pois ela beijava Tony de uma forma animada, o que me fez embrulhar o estômago.
Nunca tive a chance de dizer para Cassandra que eu tinha sim desejo por ela e de estar com ela. Eu me sentia culpado de não ter priorizado ela, mas nunca fomos exclusivos, como ela mesma provou ficando com Mark. Todas as vezes que pensei em entrar em contato eu lembrava de todo o acontecimento.
— Ei. — Fred me tirou dos pensamentos. Ele olhava para a cena e depois para mim. — É, ela terminou com o Mark. — ele era um dos únicos que sabia o que tinha rolado com Cassandra e de como eu sofri com isso depois. — Achei que você soubesse, mas pela sua cara, não. — Cassandra ainda beijava Tony e Rose fingia que iria vomitar para os dois, comendo mais um biscoito. Ela me olhou de volta, vindo em minha direção tropeçando bem menos do que antes.
— Chocado em ver um beijo, Malfoy? Está tão na seca assim? — ela provocou, rindo. Apenas dei de ombros, evitando olhar para Cassandra que finalmente havia me notado. — Ou talvez preocupado com a competição? Finalmente percebeu que vai perder a vaga pra mim. Te mando um postal da Romênia, tudo bem?
— Nos seus sonhos. — comentei em seu ouvido e ela se afastou, revirando os olhos.
— Já se organizaram? — Albus berrou do nosso lado, atônito. — Faltam cinco minutos pra meia noite! — ele aumentou a voz com a varinha. — Arranjem seus pares! Seja alguém pra beijar ou uma garrafa pra se consolar, mas arranjem! Cinco minutos! — todos começaram a se movimentar e Al parecia irritado.
— Não arranjou ninguém pra beijar? Está tão em baixa assim? — presumi rindo e Albus me mostrou um dedo do meio sem muita emoção.
— Já disse, tendo uma garrafa está tudo certo. O que está me deixando puto é que a festa está saindo totalmente do controle. Vou tentar convencer alguém a puxar um after e chutar todo mundo.
— Vai acabar com sua própria festa? Onde está o espírito de “os Potter sabem como dar uma festa”?
— Disse que era uma festa da virada. Passou o ano, acabou a festa. Eu sei como dar uma festa, só não sei como acabar. — ele soltou um muxoxo, conferindo o relógio de novo. — É melhor ficar atento, parece que tem mais de uma pessoa querendo te beijar à meia noite. — antes de Al sair ele indicou Rose com a cabeça, que trazia dois copos. Ela olhou feio para Albus, me entregando um copo.
— Estou só no suco hoje. — argumentei e ela me olhou cética. Aparentava estar um pouco mais sóbria que antes.
— Você não pode simplesmente não beber uma coisinha na virada no ano. Vai ser um brinde para deixar as coisas ruins pra trás. — Catherine se juntou a nós, abraçando Fred e estendendo um copo para ele.
— Só um. — garanti e Catherine e Rose trocaram risos. — É sério. Não tentem me embebedar que não vai rolar.
— Scorpius sabe ser bem firme, Rosie. — Rose deu de ombros para o comentário de Fred.
— E eu também. — ela deu um grande gole e eu a imitei. Eu sei que não podia, por conta do remédio que tomei, mas estava precisando de um gole. Daria um brinde depois da meia noite e só.
Mas naquele momento eu definitivamente estava precisando de um drink por estar vendo minha ex-alguma-coisa ainda se atracando com Anthony, Rose agindo normal — porém de uma maneira diferente que eu não sabia explicar — perto de mim e com a iminência do surgimento de Lily à meia noite. Como eu fui me meter em tanta confusão de pensamentos e sentimentos em uma noite só?
— Escute, vamos fazer uma aposta. — Rose se aproximou de mim, fazendo careta pelo álcool recém ingerido. Conferi o relógio. Dois minutos. — Além da vaga na Romênia, é claro. Se você ganhar, tem direito a escolher uma coisa. O que obviamente não vai acontecer, então, como eu vou ganhar, terei o direito de pedir uma coisa. Vamos tornar isso mais interessante.
— E o que pretende pedir?
— Um minuto! — a voz de Al soou pela casa.
— Segredo. — Rose sorriu de lado e não disse mais nada quando Albus chegou com duas garrafas na mão.
— Seguinte, não arranjei ninguém para beijar.
— Eu também não. — Rose resmungou e Catherine os encarou sugestivamente. Os dois se olharam imediatamente com nojo.
— Eca, não. — falaram ao mesmo tempo. — Me passe essa garrafa pra cá e fique longe de mim, Potter.
— Fala sério, Rose. Como se eu fosse querer cometer esse horror. — ele fingiu ter um arrepio e Rose.
— Não estão todos sem par. — Catherine olhou para mim e Fred começou a rir.
— Eu não teria tanta certeza disso.
— Vai começar a contagem regressiva! — Tony surgiu entre Catherine e Fred, segurando uma garrafa e com a boca borrada de batom. Cassandra estava logo atrás dele e me olhou de uma forma profunda. Tão profunda que confesso que fiquei sem ar. Antes que eu pudesse pensar no impacto que eu estava sentindo, uma mistura de culpa com agonia, ela se virou, indo em direção às amigas. Suspirei.
— Mais um pro bonde dos sem par. — Rose ergueu a garrafa para um brinde com Tony, mas não bebeu de fato. — Bem, tem mais uma aqui, caso seja necessário. — ela me estendeu a garrafa, com um olhar divertido, quase que desafiador, esperando que eu pegasse. Ou talvez esperando que eu não pegasse?
Isso é ridículo, pare de ser idiota, Scorpius, é óbvio que ela não estava querendo nada. Ela só estava se divertindo com a situação. Ou queria algo de fato? Argh, ela me deixava confuso com seus olhares sorrateiros e me instigava de uma forma irritante. Era irritante ter que decifrar cada sílaba do que ela falava. Tudo parecia um grande flerte ou uma grande briga com Rose Weasley. Ou até mesmo uma humilhação, dependendo do humor dela.
Rose Weasley era um quebra-cabeças complicado de resolver. Quando eu achava que tinha encontrado o caminho para decifrá-la, tudo mudava. Seus olhos verdes-azulados penetrantes me deixavam curioso. Curioso a respeito de seus próximos atos. E sobre seus pensamentos. Principalmente seus pensamentos. Eu não fazia ideia do que se passava na cabeça da Weasley.
— 10, 9, 8… — a contagem havia começado. Resolvi pegar a garrafa da mão de Rose. Eu, ela, Tony e Albus erguemos as garrafas, enquanto Fred e Cat erguiam os copos, a postos para se beijarem a meia noite. — 7, 6… — Roxanne apareceu do nada atracando-se com Tony, que deixou a garrafa cair, estilhaçando-a. Nos afastamos um pouco dos estilhaços e do líquido que agora molhava nossos pés, gargalhando com a cena. Eles se beijavam com selvageria e puta merda, havia me esquecido da ficada deles no Natal da Toca. Mas se Roxanne estava por aqui, isso significava que…
— 3, 2, 1… — Lily sussurrou no meu ouvido. Não precisei me virar, pois ela me puxou com força. O impacto foi muito mais forte do que da primeira vez e ela beijava com uma força além do necessário, como se ela tivesse que provar algo.
Ao longe pude ouvir os fogos de artifício e os gritos de comemoração. Lily me envolvia com praticamente todo seu corpo, passando as mãos em meus braços e meu cabelo, praticamente colada em mim. Precisei segurá-la no meio do beijo, pois ela se inclinou demais. Fiquei sem ar rapidamente e a soltei. Seus lábios estavam avermelhados e logo em seguida formaram um sorriso.
— Feliz ano novo, Scorpius.
— Feliz ano novo. — murmurei, um pouco sem voz. Fui tomado pelos abraços de Al e Fred e me afastei de Lily, que agora abraçava Roxanne.
— Estamos cada vez mais perto da liberdade! — Albus comemorou, estourando um champagne que estava no balcão. Catherine soltou Rose e veio me abraçar com um sorriso esquisito. Ela olhou de relance para Lily, soltando-se de mim para cumprimentá-la com um aceno. Bem, eu sabia que elas não iam muito com a cara uma da outra, então não à toa o clima ficou tenso no ar.
Quando chegou a vez de abraçar Rose ela não sorriu abertamente para mim como fez com Catherine, Albus, Tony e até mesmo Fred. Mas não deixou de me abraçar, apoiando levemente o queixo no meu pescoço durante o ato. Engoli em seco, inalando o cheiro de cereja que seu cabelo tinha. Era inebriante.
Eu conseguia sentir as batidas do seu coração e sentir sua respiração quente, arrepiando meu pescoço pela proximidade. Fechei os olhos. Pare. De. Pensar. Nesses. Detalhes.
— Feliz ano novo, Malfoy.
— Feliz ano novo, Weasley.
…
Rose Weasley
Tudo para mim era como um borrão com exceção de alguns recortes. Perdi a conta de quanto eu bebi e só lembrava de algumas coisas: eu beijando Alice Longbottom, Lily esbarrando em mim propositalmente, eu bebendo todas, eu abraçando Malfoy, eu subindo no balcão para pegar os biscoitos escondidos do Albus, os fogos à meia noite, Malfoy e Lily se beijando, Roxanne pulando no pescoço do Tony, Malfoy com cara de merda pra mim, Lily me dando o Feliz ano novo mais falso da história e eu dando a maior perda total da história em menos de uma hora depois porque cometi o erro de beber metade da garrafa de Albus.
— Cathy, precisamos deixar ela sóbria logo. — eu ouvi a voz distinta de Albus. A música estava abafada e o ambiente estava mais claro do que antes. Olhei ao redor, mas poucas pessoas ainda estavam ali. Al, Cathy, Fred e Malfoy.
— Porra, Rose Weasley, levanta logo daí. — senti Cathy tentando me levantar, mas meu corpo simplesmente não respondia e minha mente girava.
— Rose, a tia Gina vai matar a gente. — Fred olhava para o relógio de pulso enquanto balançava a varinha em direção ao lustre. Acompanhei o olhar e não consegui não rir com ele praticamente prestes a despencar em cima de mim.
— Feliz com seu estrago? — Cathy finalmente me levantou, com ajuda de Malfoy e eu parei de rir.
— Eu fiz isso? — franzi o cenho, não fazendo ideia de quando e como isso tinha acontecido.
— Você tem uma mira boa mesmo bêbada. — o loiro riu e eu só consegui olhar para a cara dele e ver a cara da minha prima querida enfiando a língua. Não resisti e acabei rindo. Ele apenas revirou os olhos. — O que tem de tão engraçado comigo pra você ficar rindo toda vez? — não me lembrava de ter rido, então apenas ri mais. Senti um mal estar e antes que pudesse falar qualquer coisa eu estava vomitando no tapete de tia Gina.
— Rose, caralho! — Albus gritou, me olhando muito feio. — Alguém busca logo o Hugo antes que eu surte.
— Scorpius, faz ela parar de fazer merda que eu vou trazer ele aqui. — Cathy saiu e fiquei olhando na direção do Malfoy, dessa vez sem rir. Ele me encarava de uma forma esquisita, então escondi meu rosto na almofada.
— Que nível de bêbada é essa Rose Weasley? — tirei o rosto da almofada e vi que ele estava agachado perto de mim.
— O nível estranhamente amorosa.— Tony respondeu e eu resmunguei um palavrão. Não era algo controlável. Eu só ficava feliz. — Ih, vomitar deve ter deixado ela um pouco mais sóbria.
— Então você tem um coração. — Malfoy exalava ironia enquanto assentia com a cabeça. Senti meu estômago embrulhar novamente e antes que eu pudesse fazer mais estrago no tapete ele conjurou um balde. Vomitei mais umas três vezes e a cada vez que parava só tinha vontade de vomitar mais. — Ok, parece que abrimos a torneira agora.
— Isso é ridículo. — tentei esconder minha cara pela vergonha e meus cabelos estavam quase encostando no balde quando Malfoy ergueu as mãos. Primeiro ele tocou levemente minha orelha, o que me fez parar subitamente e prender a respiração. Depois ele colocou uma parte do meu cabelo para trás até prender de vez e usar a própria mão para prendê-lo. Malfoy deu um leve puxão ao enrolá-lo na mão e eu arfei de leve, sentindo uma náusea maior que as outras e indo em direção ao balde, dessa vez sem vomitar.
— Vou levar Rose para casa. — Hugo surgiu do meu lado, aparentemente horrorizado com a situação. Me apoiei no braço do sofá para levantar, mas Malfoy foi mais rápido e me colocou de pé em poucos segundos, me deixando zonza.
— Vocês conseguem aparatar? — ele questionou e Hugo assentiu.
— Não bebi tanto. Precisamos ir logo, recebi uma mensagem da mamãe e eles estão querendo ir embora da festa da tia Fleur. — outro enjoo veio e dessa vez foi Cathy quem me socorreu com o balde. Seu olhar era bem semelhante aos que ela dava quando precisava cuidar de mim. Não aconteciam muitas vezes, mas quando rolava eu realmente passava dos limites
— Precisamos dar algo pra ela ficar sóbria logo. Ou colocamos ela na cama logo pra sua mãe não perceber.
— Mamãe deve ter no armário de casa. Vamos logo, Rose. — Hugo veio para me segurar e Malfoy me soltou. Dei alguns passos para a porta da frente com a ajuda de Hugo quando outra onda veio e dessa vez vomitei nos nossos pés. Por Merlin! Eu realmente tinha aberto uma torneira.
No segundo seguinte, antes que qualquer um pudesse reclamar pela milésima vez comigo, a porta se abriu. Tio Harry, tia Gina, mamãe e papai estavam me encarando com descrença.
Minha mãe correu em minha direção, limpando o vômito com a varinha e me segurando com mais força que o normal. Meu pai tentou ir em minha direção, mas minha mãe negou com a cabeça.
— Albus Severo Potter, você pode me explicar o que aconteceu aqui? — foi tia Gina quem falou.
— As coisas saíram um pouco do controle, mas está tudo bem já, não se preocupe mamãe.
— Tudo bem? Sua prima está vomitando as tripas dela por toda a sala e você me diz que está tudo bem?
— Me desculpe, tia Gina. — murmurei, morta de vergonha. Olhei de relance para a sala novamente e Albus e Fred não tinham conseguido melhorar muita coisa.
— Querida, não precisa pedir desculpas. — meu tio garantiu, colocando a mão em meu ombro.
— Não precisa mesmo, Rose. Quem precisa é o Albus, que fez um open bar sem moderação e colocou a casa de pernas pro ar! Você disse que seria uma pequena “social”.
— E seria! — ele tentou se justificar, dando a volta pelo meu gorfo no tapete e chegando próximos de nós. — Mas apareceu muita gente de última hora.
— Me poupe, Albus. Eu lhe disse o que aconteceria se as coisas passassem dos limites.
— Mamãe a culpa não foi inteira dele. — para minha surpresa genuína — mas genuína mesmo, considerando que essa mesma pessoa fazia da minha vida um inferno -, Lily desceu as escadas correndo, em seu pijama ridiculamente exibido num branco virginal. Preciso dizer que a reação do Malfoy foi evidentemente secá-la? É óbvio que Lily faria o papel de boa moça na frente dele. Ela nunca defendia Albus.
— Ah, não foi é? Quer me dizer que você também deseja ficar de castigo até os 24 anos?
— Foram uns veteranos nossos que quiseram invadir a festa procurando pelo James, mas dissemos que ele não estava aqui e eles não quiseram ir embora. Mais pessoas foram aparecendo e não dá pra expulsar todo mundo sem mais nem menos. E as bebidas eles que trouxeram.
— Eles trouxeram litros de bebida de livre e espontânea vontade? — minha tia parecia cética e não para menos, porque nada daquilo era verdade. Era ridículo como ela conseguia jogar a culpa em outras pessoas tão fácil. A cara dela nem tremia.
— Querida, jovens quando querer ficar bêbados fazem de tudo.
— A questão é que eles são muito jovens para se embebedarem. — minha mãe praticamente rosnava, olhando de mim para Hugo.
— Exatamente. Obrigada, Hermione. — tia Gina olhou ao redor da sala, suspirando. — Eu sei que vocês experimentam uma coisinha aqui ou ali, mas deixar tudo nesse nível é demais. Vamos ter uma conversa séria depois de arrumar tudo isso.
— É melhor vocês irem para a casa de vocês, seus pais estavam indo embora logo depois de nós. — tio Harry informou.
— Posso ficar e ajudar mais um pouco, tio.
— Fique tranquilo, Fred. Leve a senhorita Catherine em segurança, tudo bem? — ele sorriu gentilmente para os dois. Todos começaram a se despedir e um por um quando passava por mim me olhava com pena. Eu estava morta nas mãos de Hermione Granger Weasley. — Malfoy, dê lembranças para seus pais.
— Oh sim, e diga para Astoria que lhe mando uma coruja pela manhã, para combinarmos a sessão de yoga.
— Hm, ok… — nos encaramos com um olhar assustado. A integração entre Weasley, Potter e Malfoy estava transcendendo gerações? Virei para olhar meu pai e ele tinha o mesmo olhar de incredulidade.
— Nós vamos indo também. Temos uma longa noite pela frente. Obrigada e me desculpe pela confusão, Gina. Desculpe mesmo, Harry.
— Sinto muito. — murmurei olhando para o chão. Meus tios apenas sorriram, assentindo. Olhei de relance para Lily, que me olhava de uma forma indecifrável. Al parecia que observava um funeral. Bem, talvez a família Weasley perdesse dois membros hoje. Nunca se sabe.
Andávamos mais para trás e pude ver meus amigos aparatando. Tony e Scorpius foram os últimos. Eles olharam para mim, sorrindo minimamente. Não tive força para responder, então apenas fiquei encarando.
Minha mãe parou bruscamente e tirou um frasco da bolsa. Franzi o cenho.
— Trouxe pensando que eu pai precisaria. — ela praticamente jogou na minha mão. Desrrosqueei a garrafinha com dificuldade, mas assim que consegui o cheiro forte subiu. Tive vontade de vomitar, fazendo careta, e ela riu desdenhosa. — Consegue beber álcool mas não uma simples poção? Pare de graça e beba logo. — meu sangue começava a ferver, mas virei o frasco, tentando ao máximo não fazer careta para não dar um gostinho extra para minha mãe.
Meu pai estava silencioso, mas apertou meu braço de leve, como uma forma de carinho, quando me segurou para aparatarmos para casa.
— Como você pôde chegar nesse ponto, Rose? Eu não lhe dei educação? — foi uma das primeiras coisas que ouvi assim que aparatamos próximos de casa. — Como pôde ser tão irresponsável? — ela andava depressa em direção até a casa e sua voz era um eco na rua.
Revirei os olhos. Não queria escutar aquilo. Não queria, não queria. Tudo estava correndo bem. Quer dizer, quase tudo.
— Mione, talvez deva pegar mais leve…
— Mais leve, Ronald? — agora estávamos na sala de estar e minha mãe havia jogado a chave com força no balcão, fazendo um estrondo no suporte de metal que demorou a cessar. — Sua filha não pensou em pegar mais leve com o álcool hoje. — Quanta irresponsabilidade, Rose. Não à toa que…
Ela se calou, segurando as palavras que eu sabia muito bem quais seriam.
— Que perdi meu distintivo? É isso não é? — ela não me olhou. Parecia estar amargurada pelo que iria dizer, mas ainda sim com raiva do que fiz. — Não acredita que não fiz nada de errado.
— Eu não disse isso.
— Mas quis. — rebati com força e ela me olhou, suspirando.
— Não me responda, Rose.
— Não me trate como se eu fosse uma criança.
— Mas você é! Não tem 18 anos ainda. Beber até cair não é nada responsável, não tem nada de louvável nisso. Se quer tentar provar que é madura, errou feio. Passou dos limites.
— Não estou tentando provar nada! — explodi, percebendo que eu estava chorando. — Estou cansada. Só quis esquecer por um dia de tudo. Que mal há nisso? Ou a perfeita Hermione Granger nunca fez nada de errado? Desculpe por ser uma filha tão imperfeita! — eu agora ria e chorava, sem entender mais nada. Papai e Hugo me olhavam assustados e minha mãe parecia que não acreditava no que estava ouvindo.
Coloquei a mão no rosto, sentindo minha cabeça latejar.
— Não aguento mais ser a porra de um fardo. Não aguento mais desapontar por não ser alguém que eu deveria ser. Eu deveria ser uma boa irmã Eu deveria ser uma boa filha. Eu deveria ter ido para a Grifinória. Eu deveria ter continuado como monitora. Eu deveria, deveria… Mas eu não sou! Não sou nenhuma dessas coisas. — não fiquei para ouvir mais nada. Não queria uma resposta. Provavelmente ou viria uma briga ou uma tentativa de consolo. Mas eu não podia mudar nada daquilo. Estava tudo traçado. Eu sou quem eu sou e sem nenhuma dessas coisas que listei. Mas eu não aguentava mais o peso das expectativas silenciosas. Ninguém me perguntou, mas eu queria falar. Queria expor. Queria ser eu de verdade.
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