Freedom

14 Quando tudo envolve... Tortinhas de abóbora


Notas iniciais
Hello, meus amores! Como estão indo? Estou animada em responder os reviews, muito feliz que mais alguns leitores apareceram, adoro falar sobre a história ahaha E para quem ainda está acanhado, acho que esse capítulo é a chance de aparecer, hein. Foi muito difícil escrevê-lo pois fiquei praticamente dois dias digitando, apagando e bem, ficou gigantesco. Mas ao mesmo tempo foi uma delícia hihi Espero que gostem! Boa leitura

Rose Weasley

Os dias que sucederam o incidente da festa do ano novo foram um saco. Minha mãe e meu pai discutiram, mas não fiz questão nenhuma de ouvir. Coloquei The Strokes pra tocar muito, mas muito alto, nos meus fones de ouvido. Era um alívio poder ouvir minhas músicas favoritas no tempo livre porque Hogwarts até hoje não permitia aparelhos eletrônicos.

Andei em direção à minha cômoda cantarolando os versos de At The Door quando peguei minha agenda, determinada a traçar algumas metas para este ano. Precisava dar um rumo e aproveitar meus últimos seis meses e atingir meu objetivo. Sair de casa e ir pra Romênia.

Montar a estrutura do novo Clube de Duelos

Eu voltaria com a cabeça imersa nos estudos e no Grêmio, pra finalmente conseguir garantir minha vaga. Duelar sempre foi muito prazeroso pra mim, então reviver o Clube seria extremamente satisfatório. Sem contar poder extravasar minha raiva às vezes. O que me lembra que eu deveria...

Usar o treino de Quadribol para extravasar

Ser uma das poucas garotas no time era angustiante. Ter que ficar ouvindo ladainha machista era o cúmulo, mas eu estava reafirmando meu lugar sempre que podia. E eu adorava estar nos ares, ouvir a multidão gritar meu nome. Não era homem nenhum que iria me tirar esse gosto.

Fugir de festas!!!

Essa talvez fosse a mais difícil, mas a mais importante. Só estava fazendo merda ou tendo que aturar gente merda. Era melhor esquecer tudo isso e focar completamente nas minhas atividades. Mas se rolar uma oportunidade ou outra, nem que seja para trocar uns beijos ou só esquecer o dia ruim, não vou negar. Mas definitivamente vou fugir de festas da Grifinória. Confraternização demais já, chega.

Ainda mais… Porque quem havia me assediado pertencia à Grifinória e eu não fazia ideia de quem poderia ser, já que não era James. Na festa de Al me senti segura pois sabia que não tentariam algo comigo dentro da casa dos meus próprios familiares. Não ousariam. Sequer sabia se a pessoa estava lá. Mas se aconteceu uma vez, poderia acontecer outra.

Balancei minha cabeça, tentando afastar a sensação de arrepio que percorreu minha espinha. Precisava manter o foco para evitar que essas coisas acontecessem.

Estabelecer cronograma do NIEM’S

As provas estavam cada vez mais perto e, por mais que eu tivesse seguido afinco o “matéria dada, matéria estudada” nos últimos meses, deixei-me distrair muito com o drama envolvendo a família Potter-Weasley e agregados. E olhando agora, sei que fiz o certo em não fazer parte do grupão dos Weasley’s. Ninguém é tão amigo assim para levar tudo numa boa. Meus primos fingem muito, pois na realidade é só a primeira oportunidade surgir que já estão se apunhalando. E depois eu e Albus é que éramos pessoas de índole duvidosa por não querermos confraternizar com nossos primos como se fôssemos uma família unida e feliz — claramente não somos.

Conseguir o cargo na Romênia

O que me iria me tirar desse meio de falsidade e egocentrismo. E o que finalmente me traria paz.

Pulei de susto quando Hugo abriu a porta. Retirei os fones, xingando-o de tudo que vinha na minha mente.

— Rose, pelo amor de Merlin, você vai ficar surda! Como não me ouviu bater? — ele pegou me fone para ouvir o que estava tocando. — Ainda por cima uma música tão deprimente.

— Não é uma música deprimente, Hugo. É uma música boa. Agora desembuche logo.

— Eu vim aqui te contar já que você não desceu para o café... Rose, mamãe está perto de ser promovida. — ele fez uma pausa dramática.

— Fale logo. Promovida à que?

— Ministra da Magia. — seu sussurro ironicamente ecoou pelo quarto e eu arfei. Sabia que essa era uma das maiores vontades de minha mãe e o quanto ela esperou por isso. E ela seria uma boa Ministra de fato, apesar de toda a raiva que eu estava sentindo no momento. — Ouvi ela falando com papai agora pouco, parece que revelaram para ela ontem na festa dos Delacour.

— Desde quando tia Fleur e tio Bill são tão influentes assim? O Ministro estava lá? Em pleno ano novo?

— Bem, isso não sei, mas sei que ultimamente eles estão muito bem na fita. Muito pela tia Fleur, que em bons contatos no Ministério Francês ou algo assim. Dominique vive falando sobre, mas sinceramente acho um saco. Sei que estão de viagem marcada no feriado de páscoa.

— E mamãe sendo promovida significa que…

— Bem, significa muitas coisas! — Hugo agora andava de um lado pro outro. — Provavelmente teremos que nos mudar, seremos o alvo das atenções. Teremos que frequentar alguns jantares chiques. — Hugo torceu o nariz no mesmo momento que eu. — Mas Rose, você deveria saber dessas coisas. — ele me olhou com dúvida. Não precisei esboçar muita emoção para ele perceber e revirar os olhos. — Foi retórica.

— Não exatamente. Só quis deixar implícito que não significa muito para mim, tendo em vista que sou uma decepção para ela e uma grande irresponsável.

— Rose, mamãe não falou com essas palavras…

— Mas deixou a entender. Ou pensou. — resmunguei, ainda muito magoada com a conversa da noite anterior. Sequer desci para tomar o café, apesar do pedido de meu pai pela manhã. E sinceramente, fazia questão de fazer birra com Hermione Granger. Podia ser infantilidade minha, mas já que ela me tratava assim, nada mais do que fazer jus. Não queria estar magoada, mas estava. Então ia ficar magoada até onde conseguisse me lembrar do porque.

— Não vou me meter nessa briga, mas estou aqui por você, sempre que precisar. — ele sorriu de lado para mim, colocando a mão no meu ombro e senti um soco no estômago. Nós nunca fomos verdadeiramente próximos, mas ultimamente estávamos sendo muito mais gentis um com o outro.

Olhei para ele, querendo contar que nós tínhamos mais em comum do que ele imaginava, mas ele foi o primeiro a trazer isso à tona.

— E eu vi você e Alice, aliás. Como isso rolou? Andou se inspirando em mim? — ele se sentou, rindo e eu revirei os olhos fazendo graça.

— Já havia rolado antes, em um show que fui com Cat. Acabou rolando de novo ontem, mas não nos falamos muito na escola.

— Certo. — Hugo assentiu, sorrindo. — Mas você tem vontade de ficar com ela ou outras garotas em momentos tipo, sem ser em festas? Ou é tudo efeito do álcool?

— Para ser sincera, tenho. — admiti sentindo um leve desconforto. Nunca tinha falado abertamente sobre. — Mas não é como se eu tivesse oportunidade. Em Hogwarts é muito mais fácil ficar com garotos. Eles vêm naturalmente. Já com meninas… Não faço ideia de como flertar com elas. Das duas vezes que beijei a Alice, não tivemos muita comunicação. — senti uma vergonha instantânea e pigarreei, tentando fugir do assunto. Estava realmente falando sobre beijos com meu irmão mais novo? — De qualquer forma minha vida amorosa nunca foi realmente ativa.

— Eu jurava que você era bv até ouvir que você beijou o Malfoy e ver você beijando a Alice. Devo dizer que as últimas 24 horas foram bem reveladoras.

— Como soube do Malfoy? — não é possível que essa história já tivesse vazado. E detalhe que nos beijamos no banheiro!

— Ouvi o Anthony fazendo uma brincadeira sobre Scorpius estar fazendo coleção de Weasley’s e bem… A encarada que ele te deu entregou basicamente tudo.

— Bem, eu devo ter um beijo realmente impressionante. — me gabei, prendendo o cabelo. Hugo cruzou os braços, curioso, tendendo a cabeça para o lado.

— E ele tem um beijo impressionante?

— Nada demais. — minha voz saiu mais aguda que o normal e me xinguei internamente. Que porcaria, Rose Weasley. Virei-me para frente, fingindo interesse enorme no meu caderno para que Hugo se tocasse e fosse embora.

— Sei, sei… Bem, seja o beijo ou a espécie de amizade aparente que vocês têm agora, só um dos dois mesmo para fazer com que ele segurasse seu cabelo enquanto você vomitava horrores. — dei graças a Merlin que estava de costas para Hugo e ele não me viu ruborizar. Sinceramente, eu odiava que os outros precisassem cuidar de mim. Morri de vergonha de Cathy quando era ela quem me ajudava, mas de Malfoy era pior ainda.

— Não é bem uma amizade.

— Se não era, agora é, porque você ficou falando isso pra ele em vários momentos ontem. — virei meu rosto, assustada. Que merda eu tinha feito?

— Como é? — tentei me lembrar, mas achei que eu não tinha falado nada demais. Hugo ria da minha cara, me deixando vermelha de raiva.

— Relaxa, irmãzinha, você não passou tanta vergonha.

— Vá se foder, Hugo.

— Também te amo. — ele saiu pela porta rindo, me deixando paralisada. Não falávamos muito “eu te amo”, mesmo assim na brincadeira, e precisei levar alguns segundos para absorver.

Descobri que minha mãe foi requisitada no Ministério para algumas reuniões, para que pudesse assumir logo o cargo. Além das notícias novas e da pergunta a respeito do que eu iria querer para o almoço, meu pai não entrou em detalhes sobre a briga. De vez em quando ele me olhava, procurando alguma brecha, mas eu fazia questão de me fazer extremamente interessada no que estava passando na TV.

Resolvi treinar quadribol no quintal com Hugo depois de um tempo, mas ele era incrivelmente ruim. Acabou torcendo o pulso meia hora depois.

— Droga, toda vez isso acontece. — ele saiu resmungando e eu revirei os olhos, indo pousar minha vassoura. — Não, fique aí. Papai me ensinou um truque para curar mais rápido. Já volto.

Fiquei sobrevoando a casa por um tempo, olhando a vizinhança. Adorava olhar as casas e perceber de vez em quando as pessoas fazendo coisas aleatórias em casa, como cuidar do jardim, brincar com o cachorro ou qualquer coisa do tipo. Mas de certa forma tudo aquilo parecia muito… Distante da minha realidade.

Um dos motivos pelos quais eu queria ir para a Romênia era a familiaridade que aquele lugar me passava. Visitei uma vez só, quando nosso tio Charles nos convidou. Na época papai e mamãe não eram tão ocupados no Ministério, então foram as melhores semanas que já passei fora de casa.

Adorava as montanhas e sempre sonhei em voar por lá. O ar gélido, o sol fraquinho… Fechei os olhos, tentando sentir novamente a mesma sensação que tive quando estava lá. A cada ano que passava ficava mais difícil rememorar os detalhes e mais vontade eu tinha de ir até lá. Se tudo desse certo, em menos de um ano eu estaria lá. E tudo daria certo.

— Rose? — o chamado de minha mãe me despertou. Engoli em seco inconscientemente. Olhei para ela. Parecia cansada, mas feliz. No entanto, me olhava de uma forma apreensiva. Desci da vassoura, ficando frente à frente. Ela parecia ainda mais cansada. — Não vi você hoje. — comentou simplesmente e eu suspirei. Boa parte da minha raiva tinha passado, mas eu não queria falar sobre o assunto. E queria estar brava. Mas não estava. Não tanto como pela manhã. Eu não costumava esquecer tão rápido então isso estava realmente me irritando.

— Não tive fome. — justificou de maneira bem pobre. Mamãe sabia que eu adorava comer.

— Bem, acho que seu pai contou sobre as novidades…

— Parabéns. — falei sinceramente. O dia inteiro recebemos corujas com cartas e recortes do que havia sido publicado no O Profeta Diário, mas não fiz menção de ler. — Você mereceu. Muito.

— Obrigada, querida. — ela parecia mais aliviada, mas ainda me encarava com incerteza. — Eu queria dizer que… Não sei se você quer falar sobre o assunto…

— Não quero. — falei de pronto e minha mãe assentiu, olhando para meu colar de rubi que ela havia me dado. — Mas eu sinto muito pela forma como falei. — cedi finalmente e ela pareceu surpresa de verdade. Eu realmente queria falar, tirar o peso. Mas não naquele momento. Queria fazer com que eles me vissem como adulta e com respeito, mas queria fazer por merecer. Não queria falar, queria mostrar. Mas não conseguia simplesmente deixar por isso mesmo. Ela merecia minhas desculpas, eu só não queria mexer naquele assunto. — E como agi. Escrevi uma carta para tia Gina e tio Harry. Mas realmente não quero falar sobre ontem.

— Eu sinto muito se… Deixei a entender algo. Não queria colocar nenhum tipo de pressão. Mas não vou entrar no assunto, prometo. — acrescentou rapidamente quando eu a olhei de um modo inquisitivo. — Você e eu temos muito em comum. — ela sorriu, ajeitando meu colar. Suspirei, olhando para o chão.

— Quando vai ser a posse?

— Ainda não temos certeza. Mas não precisa se preocupar, será provavelmente quando vocês já estiverem indo para Hogwarts e sei que você precisa se concentrar para os NIEM’S e Hugo para os NOM’S, vocês não precisam comparecer. — ela sorriu amarelo. Quis dizer que eu iria, mas as palavras morreram na minha boca antes que pudessem sair.

Fiquei encarando minha mãe por um tempo. Seus cabelos castanhos já tinham sinais de alguns fios brancos. E as rugas ao lado dos olhos e na testa eram marcas quase que opostas: a dos olhos por todas as vezes que papai a fazia sorrir. A da testa por todas as vezes que papai a fez ficar brava. Ou algum assunto do Ministério, quando ela ainda coordenava outros departamentos.

Eu conseguia sentir que ela estava tensa, apesar de ser, provavelmente, a bruxa mais bem preparada para assumir esse cargo. Respirei fundo, tentando engolir o nó na garganta que havia se formado. Eu estava ficando muito mais mole do que eu costumava ser e não fazia ideia do que estava acontecendo comigo.

— Posso tentar ir. — falei em voz baixa, me xingando internamente por simplesmente não conseguir mais estar brava com minha mãe. Meu orgulho? Certamente estava perdido em algum lugar. Parei de me arrepender no segundo que vi que ela estava emocionada, quase chorando.

Era óbvio que ela estava querendo falar muito mais do que havia falado, mas estava respeitando minha decisão de não discutirmos sobre o que eu havia dito. Até porque, sinceramente, não havia muito o que pudesse ser feito. Minha vida já era completamente diferente de tudo aquilo que eu havia dito. E tudo o que eu fiz me levou a ser quem sou hoje. E sinceramente, não mudaria quase nada.

Respirei fundo enquanto entrávamos em casa, com ela agradecendo e dizendo que, se fosse atrapalhar, não era para irmos. E que não fazia sentido algum, que era apenas uma solenidade boba. Meu pai me abraçou de lado assim que mamãe foi para a cozinha, beijando minha cabeça.

— Estou feliz por estarem de bem novamente. — ele não precisou dizer mais nada. Me olhou como se esperasse que eu fosse acrescentar algo, mas percebi algo diferente em seu olhar. Era um olhar de… Quem entendia. Talvez ele finalmente entendesse porque externalizei tudo que sempre quis. E ele estava respeitando isso. E respeitando meu espaço.

— Muito bem. — minha mãe apareceu sorridente, com as mãos na cintura. — Quem quer torta de maçã?

— Mãe… Me desculpe, mas… Eu passo. — Hugo falou prontamente e ela olhou confusa para ele. Não consegui segurar a risada.

— Acho melhor irmos em uma confeitaria mesmo, mamãe.

— Hugo Billius Weasley e Rose Jean Weasley. — ela ralhou, mas tinha um sorriso maroto nos lábios. — Não é porque eu explodi a torta da última vez que vou explodir todas as vezes! Serei a próxima Ministra da Magia em alguns dias, é melhor não duvidarem das minha capacidades!

— Querida, quanto às suas capacidades mágicas ninguém tem dúvida alguma. Mas quanto à cozinha… — ele apenas indicou o teto da cozinha, em que uma mancha preta tomava conta. Eu e Hugo arregalamos os olhos.

— O que causou isso? Uma torta? — indaguei me aproximando.

— Claro que não, Rose. — ela resmungou, sacando a varinha. — Ronald você me prometeu que iria limpar… — ele deu de ombros, rindo. — Isso foi uma panela de pressão.

— Mamãe… Definitivamente você tem sorte de que cozinhar não é uma habilidade requerida para ser Ministra. — meu irmão mal terminou a frase e minha mãe lançou um feitiço de bombinhas em seus pés, fazendo ele pular e gritar em direção ao sofá. Hugo parecia horrorizado e eu ri com a cena.

— Quem é você e o que fez com Hermione Granger? — meu pai questionava, com a mão na barriga de tanto rir. Era seu o hábito de lançar essas bombinhas nos nossos pés — que não faziam mal algum, só assustavam mesmo — quando éramos engraçadinhos demais quando crianças. Mamãe sempre desaprovou a brincadeira, mas agora ela só ria.

— Agora sei porque você sempre faz isso, Ron. É divertido assustar um pouquinho. Até porque de explosões eu entendo, não é mesmo Hugo?

— Não, senhora. — Hugo havia perdido a cor do rosto e eu não estava me aguentando de rir. — A única explosão que a senhora sabe fazer é no mundo da magia, mamãe. Vai arrasar sendo Ministra, totalmente. — ele fez dois joinhas e com um aceno de minha mãe as bombinhas pararam de estourar. Ela guardou a varinha nas vestes, empinando o nariz.

— Adoro receber apoio familiar tão… Espontâneo.

— Agora sei de onde Rose puxou esse comportamento dela. — meu irmão murmurou. Eu e mamãe sacamos a varinha na mesma hora e ele deu um gritinho, escondendo-se atrás de meu pai. Eu e minha mãe nos entreolhamos e não contive um sorriso. De fato, tínhamos gênios parecidos, algumas vezes. Recuperei o ar com um suspiro profundo, enquanto meu pai tentava deixar Hugo preparado para que eu e mamãe lançássemos uma azaração. Tudo parecia tão… Normal. Era estranhamente reconfortante.

Scorpius Malfoy

Foi somente no expresso que finalmente vi Amanda. Ela não sorriu abertamente para mim, como sempre fazia, mas pelo menos não me ignorou e aceitou se sentar comigo. Fechei a porta do vagão, torcendo para que ninguém entrasse e que pudéssemos conversar em paz sozinhos.

Ela tinha O Profeta Diário nas mãos e pude ver que a capa do dia tinha Hermione Granger Weasley, em mais um dia de reuniões para se tornar a nova Ministra da Magia. Ao fundo da foto pude ver o restante da família Weasley, sorridente. Estavam na porta da casa dos Weasley’s. Rose, no entanto, não sorria, mas tinha um olhar orgulhoso para a mãe. Seus cabelos estavam curtos na foto, com os cachos muito mais evidentes do que quando seus cabelos eram longos.

Amanda ajeitou as vestes, pigarreando e eu suspirei, desviando os olhos do jornal para ela, tentando encontrar as palavras certas.

— Como foram os dias de recesso depois de… Tudo? — perguntei sem muita certeza. Ela colocou os cabelos atrás da orelha, sem me olhar diretamente.

— Boas. Consegui espairecer bem. E soube que você também. — ela finalmente me encarou, com um pouco de raiva. — Olha, Scorpius. Sei que não foi sua culpa a respeito do James. Mas fiquei chateada, sim, não tenho como mentir.

— Eu deveria ter contado, eu sei. Me desculpe. — me joguei para trás no banco, respirando fundo.

— Sim. Mas você é meu melhor amigo. — ela me olhou, pegando na minha mão. — Sei que não foi na pior das intenções. E com quem realmente tenho que ficar brava é James. — ela soltou minha mão para cruzar os braços. — Por mais que eu queira esquecer que os Potter existem, você vai lá e beija Lily Potter. Vocês por um acaso vão namorar agora?

— Claro que não. — falei aos risos. Na verdade Lily sequer havia falado mais nada. Nos beijamos duas vezes e só. Não fazia sentido nenhum namorar Lily.

— Já não bastava ser amigo de Albus…

— Bem, mas saiba que foi ele quem pressionou James para contar. — afirmei e ela virou o rosto, não querendo dar o braço a torcer.

— Al age por conveniência.

— Só estou dizendo que ele talvez mereça um pedido de desculpas pela briga na festa do Tony.

— Scorpius você é muito abusado! Te desculpei faz só cinco minutos e você me mandando desculpar o Albus?

— Estou tentando ser justo. — dei de ombros. — E aproveitando a onda de perdão também. — ri pelo nariz e Amanda revirou os olhos. Conferi o relógio. — Preciso ir para a reunião de Monitores dentro de uma hora. Mas queria saber mais de como você está.

Amanda suspirou, olhando pela janela.

— Não esperava que James pudesse fazer isso comigo. Sempre fomos próximos e quando finalmente aconteceu… Achei que fôssemos realmente ficar juntos. Me doeu muito. Nunca tinha sido traída. — ela torceu o nariz, se afundando no banco. — Eu quis matá-lo, mas não consegui brigar. Na verdade nem coloquei um ponto final de verdade sabe. Tinham várias coisas que eu queria ter dito. Mas só pedi para ele sumir da minha frente. Se ele tiver bom senso não vai vir para o cargo nas aulas de vôo.

— Bom senso não é algo muito comum em James Potter. — observei e ela suspirou, estralando os dedos. Ela estava ansiosa, era evidente. — Se você julgar necessário, fale com ele mais uma vez. — falei a contragosto. Eu não gostava de James e não queria que ela falasse com ele nunca mais. Mas se ela sentia necessidade, talvez a melhor coisa a se fazer era conversar. Ela me olhou com surpresa, mas sorriu.

— Você é um ótimo amigo, Scorpius. Soube que socou James. E não somente por minha causa. — ela sorriu e eu olhei para a janela, tentando esconder meu orgulho. Por mais que ele não tivesse assediado Rose, ele havia traído Amanda e deixado Rose traumatizada — mesmo que indiretamente. Então o soco foi mais do que merecido. — Onde está o Scorpius certinho?

— Indo mais cedo para a reunião de Monitores, antes que você comece a falar coisas sem sentido.

— Scorpius! Volte aqui. Quero saber mais sobre essa pessoa que anda se passando pelo James! E se eu tive momentos com essa pessoa e não com ele? Olhe o que aconteceu com Rose… — cerrei os punhos, lembrando que não fazíamos ideia de quem pudesse ser.

— Não sabemos muito mais coisas do que James sabe. Vamos ficar de olho em qualquer pessoa estranha na Grifinória. Com James frequentemente em Hogwarts agora, talvez a pessoa aproveite para fazer mais algumas ações, já que não seria tão anormal o Potter andando por aí.

— Você acha que ele não negou o cargo? — ela murchou e eu suspirei, procurando minhas vestes para trocar no banheiro.

— James é muito orgulhoso e quer muito seguir uma carreira no Quadribol. A fratura que ele teve no último ano em Hogwarts deixou ele muito tempo fora dos Campos e por isso vai ser muito mais difícil entrar para algum time. Acho que ele vai tentar fazer o caminho dele novamente.

— Por mais idiota que ele tenha sido, não quero que ele não consiga realizar os sonhos. — ela murmurou, olhando para a janela com olhos marejados. — Foi uma época muito difícil pra ele quando aquele balaço acertou seu ombro em cheio. Eu sinceramente não vi de onde ele veio.

Franzi o cenho, de repente assimilando as coisas.

— Você estava acompanhando com o binóculos, certo? Não tinha ficado meio evidente que tinha sido culpa da Summer Nott? — foi um dos fatores pelos quais Summer não conseguiu seguir carreira no Quadribol e precisou seguir para o Ministério e ser auror. O machucado de James foi extremamente profundo. Summer pediu imensas desculpas e disse que tinha algo de errado com seu bastão. Eu sabia que ela não era culpada, mas achava que tinha sido apenas um erro. Só agora me ocorreu que poderia não ter sido um erro. Poderia ter sido armado.

— Ela pareceu bem confusa quando o balaço foi pra direção do James, mas acho que ela só errou a mão no golpe mesmo… — ela se virou para mim e franziu o cenho. — Por quê? Você não acha que…

— Acho. — respondi andando de um lado para o outro. — Vou falar com Albus e James mais tarde. Talvez quem esteja imitando ele possa ter algo a ver com a acidente. Ou você poderia aproveitar a oportunidade e falar com Albus você mesma. — sorri para ela, mas Amanda apenas revirou os olhos. Eu estava muito mais tranquilo em tudo estar bem entre nós. Era bom ter a companhia da minha amiga de novo. Sentia que as coisas estavam voltando ao normal depois desse final de ano conturbado.

— Vá logo antes que eu pense duas vezes sobre te desculpar. — ela ralhou, atirando em mim uma caixinha vazia de feijõezinhos de todos os sabores.

Os corredores estavam movimentados, com todos ainda falando sobre os acontecimentos na casa de Al. Ainda não o tinha visto por aí, mas acho que a intervenção de Lily o salvou de ter um castigo maior.

Parei para trocar minhas vestes e colocar meu distintivo de Monitor Chefe. Em geral eu gostava muito de ser monitor, mas esse semestre tomaria muito de mim e com os NIEM’S e os trabalhos do Grêmio, não seria fácil.

Avistei o carrinho de doces e não resisti a comprar algumas tortinhas de abóbora, meu doce favorito. Mas não fui o único com a mesma ideia.

— Cinco tortinhas, por favor. — Rose falava sem emoção, com os cabelos antes perfeitamente cacheados agora embolados. Ri com a cena, pois tudo denunciava que ela havia dado um longo cochilo: cabelos bagunçados, vestes amassadas e olhos inchados.

— Vai fazer estoque, Weasley? — indaguei divertido e ela deu um mini pulinho, pois estava distraída. Ela se recompôs rapidamente, pigarreando.

— São meus doces favoritos, Malfoy. E posso comer todos que eu quiser. Preciso dessa energia para te derrotar esse ano. Não que exija muita força, na realidade. — comentou enquanto comia uma das tortinhas. Não evitei sorrir por saber que compartilhávamos o mesmo gosto.

— Ah, senhor Malfoy! Acabo de vender as últimas tortinhas de abóbora! Sei que são suas favoritas, mas também tenho algumas varinhas de alcaçuzes. — sugeriu a bruxa do carrinho de doces, que ninguém sabia absolutamente nada, nem o nome — a não ser que a Ministra Ottaline Gambol em pessoa a convidou para esse cargo quando inaugurou o Expresso de Hogwarts em 1830, o que fazia muito, muito tempo. Não gostava de pensar no quanto essa história era maluca. Diziam que era ela a responsável por manter os alunos dentro do trem. Espero nunca precisar descobrir como.

— Eu aceito. Muito obrigado.

— Também gosta de tortinhas? — Rose me encarava com a cabeça tombada, enquanto comia o segundo doce. Parecia me torturar, deliciando cada mordida do que era nossa sobremesa favorita, aparentemente.

— Gosto. — respondi simplesmente, enquanto desembalava uma das varinhas, grudando-a no dedo.

— Do que gosta mais? — ela agora havia dado um passo para frente, com o olhar divertido. Fez questão de erguer a mão o mais alto possível na altura do meu nariz, praticamente esfregando o doce na minha cara. O cheiro inconfundível de abóbora caramelizada invadiu minhas narinas. Rose sabia ser provocadora quando queria. — Do cheiro doce? Do sabor? Da textura? — ela mordeu mais uma vez e imediatamente meus olhos caíram sobre sua boca. O canto estava sujo com um pouco de açúcar e eu ri, inclinando-me para limpar com minha manga, mas Rose foi para trás, me olhando com alarde. — O que está fazendo?

— Está sujo aqui. — indiquei com o dedo e ela limpou rapidamente, semicerrando os olhos para mim.

— Uma pena que tenham acabado as tortinhas. — ela comentou depois de um pigarro. Dei de ombros, puxando um pedaço da varinha de alcaçuz.

— Talvez eu tenha mais sorte da próxima vez.

— Bem, você só vai ter mais uma chance. — ela comentou enquanto observava a paisagem. Resolvi olhar junto também, notando as montanhas e os pastos tão familiares. — É nossa última ida oficial para Hogwarts.

— E a penúltima viagem. — completei suspirando. — Incrível como esses anos passaram rápido. — virei-me para ela, que ainda olhava pela janela. Seus olhos estavam mais azuis do que verdes hoje e estavam em constante movimento, acompanhando a paisagem que passava rápido devido à velocidade do trem. — Os últimos meses mais rápidos ainda. E as últimas semanas… — ela finalmente voltou a me olhar, me analisando de alguma forma. Queria saber o que ela estava pensando naquele momento.

— Não precisa ficar todo nostálgico, Malfoy. Temos mais seis meses pela frente ainda. — ri com seu habitual tom ácido retornando. Eu gostava da sinceridade da ruiva. Era engraçado pensar que, nos anos anteriores, não conversávamos muito, mas tínhamos uma espécie de rivalidade silenciosa. Mais engraçado ainda era pensar que nos aproximamos a ponto de compartilhar um beijo e algumas discussões sem pé nem cabeça. Eu estava ansioso pelo que esse último semestre me traria de surpresas. Rose Weasley foi uma surpresa positiva, não havia como negar.

— Sim… E serão bons seis meses.

— Se você fizer algo a respeito, serão mesmo. — ela sorriu minimamente e eu apenas fiquei assenti, observando-a. Ela olhou para os lados e parecia um pouco incomodada. — Você não tem reunião dos monitores agora? — ela perguntou franzindo o cenho. — Achei que fosse um monitor mais exemplar, Malfoy?

— Como sabe? — questionei guardando o restante dos doces em minhas vestes.

— Já fui uma monitora. — falou simplesmente, jogando os cabelos para trás. Ela deu um passo a frente, como se fosse sussurrar para mim, colocando a mão em meu braço. — E não me atrasei nenhuma vez para nenhum compromisso. Passar bem, Malfoy.

— Até mais, Weasley. — respondi rindo pelo nariz e me lembrando de acrescentar enquanto andava de costas, olhando para ela: — E parabéns pela sua mãe! A foto do evento de ontem estava muito bonita. — comentei genuinamente e ela fez uma careta estranha.

— Vou lembrar de dizer à ela que você a achou muito bonita. Só não garanto que meu pai não vá estar junto e tente te matar depois disso! — falou um pouco mais alto devido à distância e eu ri, partindo finalmente para a reunião na sala ao final do corredor, mas somente Lysander estava lá — o que era de se esperar, porque havia sido promovido a monitor chefe.

— Olá, Scorpius! — ele me cumprimentou, polido como sempre é nas reuniões.

— Oi, Lysander. Parabéns pelo novo cargo!

— Ah, obrigado! — ele sorriu, ajeitando os óculos. Lysander era um cara legal, mais legal que seu irmão Lorcan, eu diria. As personalidades eram completamente opostas. Estremeci quando lembrei da devoção que Lorcan tinha por Lily. Ele obviamente não deixaria passar ao saber do beijo do ano novo. — Estou um pouco nervoso, na verdade. Minha família ficou muito feliz, então sinto um pouco de pressão quanto à isso. Por isso inclusive não fui na festa de ano novo. — esclareceu. — Mamãe e papai quiseram fazer uma viagem especial para a América Latina em comemoração. Meu pai diz que também tem algumas criaturas incríveis para pesquisar na Amazônia, então fomos. Levei muitas picadas, mas o lugar é realmente magnífico. Uma pena ter que voltar logo para as aulas. — ele deu de ombros e eu assenti. Luna e Rolf adoravam partir em expedições e Lorcan vivia reclamando, pois cada vez era um lugar remoto. Mas Lysander parecia gostar bem mais. Mais uma diferença entre os dois irmãos.

— Bem, tenho alguns doces aqui, se quiser. Pode ajudar a acalmar. Mas sei que vai mandar bem.

— Obrigado, Scorpius! Aceito um sim. — ele sorriu enquanto eu buscava uma varinha de alcaçuz em meu bolso. — Assaltou o carrinho, foi? — Lysander riu quando tirei tudo do bolso, mas somente fiz isso porque senti um pacote estranho, que não tinha a forma de uma varinha de alcaçuz. Não consegui conter o sorriso quando vi uma tortinha de abóbora perfeitamente embalada que não estava ali da última vez que guardei meus doces.

— Tive uma pequena ajuda. — comentei enquanto guardava o restante dos doces de volta no bolso e oferecia uma varinha à Lysander, ainda rindo da situação.

Rose Weasley

O discurso de volta do mini recesso foi rápido, o que me deixou muito aliviada porque sinceramente, que ideia idiota de dar uma das minhas tortinhas pro Malfoy. Tinha comprado cinco justamente porque Albus sempre furtava as minhas. E mesmo eu aproveitando para comer duas antes de voltar para a cabine, eles fizeram questão de acabar com as outras. Quem mandou fazer boa ação?

— Não tenho um galeão sequer para comprar um doce por conta do ano novo, Rose. Tenha piedade de mim. — Al dramatizou quando o ameacei com a varinha ao ver que ele comia as duas ao mesmo tempo.

Realmente, tia Gina não deixou barato. Me senti mal por lembrar do tapete e de metade da sala de estar dela vomitados, mas Al garantiu que tudo estava bem quanto à isso.

Eu já estava no meu segundo prato da ceia enquanto Al mal tinha terminado o primeiro. Muitas pessoas estavam falando com ele a respeito da festa. E como meu primo adorava falar pelos cotovelos, não tinha sequer tocado na comida. Eu e Cat revirávamos os olhos quando alguma garota vinha dar em cima dele e Tony ou quando um grupinho de garotos semi populares vinham agindo como se eles fossem amigos há anos.

Mesmo que Al sempre tivesse detestado falsidade por pessoas que se aproximavam dele pelo sobrenome, até que estava aproveitando demais todo esse alarde.

— Eu juro que vou vomitar se mais uma Lufana vier aqui dar em cima de você, Albus. — Catherine fez cara de nojo e Al apenas abanou com a mão, aproveitando que a última leva de fãs se afastou para comer um pouco.

— Está tendo ciúmes do primo errado, Cat. Fred está lá na outra mesa.

— Ai, como se acha. Muito convencido, Potter. Seus quinze minutos de fama já já passam, idiota. — ela bateu com o guardanapo de pano em sua cabeça, fazendo Al engasgar com o suco. Merecido.

— Achei que detestasse quem se aproximava pelo se sobrenome. — comentei e ele suspirou, me encarando.

— Eles não estão se aproximando pelo meu sobrenome, mas sim porque dei um puta festa. É por algo que fiz, não por quem eu sou.

— Um ótimo argumento para usar com sua mãe para ela tirar você do castigo, Albus. Ela também adorou o que você fez. — Tony comentou rindo e Al mandou ele ficar quieto enquanto olhava para os lados.

— Ninguém sabe que você está de castigo, é? — perguntei aos risos e Al me olhou feio.

— Seria uma pena se todos soubessem, não é verdade, Rose? Tony?

— Acho que as garotas vão ficar muito decepcionadas em saberem que jamais terão um encontro na Casa dos Gritos em Hogsmead porque tia Gina barrou. — Tony colocava mais pilha. Algumas pessoas da Sonserina ouviam e riam da situação, deixando Al visivelmente constrangido. Era um dos meus passatempos preferidos irritar Albus, porque ele pegava pilha muito fácil.

— É realmente uma vitória ele ainda estar no time de quadribol. E uma sorte gigante tia Gina não ter enviado um berrador apenas pelo prazer de envergonhar você na frente de toda a escola.

— Ha ha, muito engraçado vocês três tentando tirar meu brilho. Mas isso não vai acontecer. — Al garantiu, triunfante, quando mais um trio de Lufanas se aproximava. Dessa vez fui eu que engasguei ao ver que Alice Longbottom estava junto. Ela usava o mesmo brinco de argola da festa do ano novo. Não consegui simplesmente não encará-la, pois nunca nos encontrávamos em Hogwarts. Ela devolveu o olhar com a mesma intensidade, mas conseguiu sorrir, algo que eu não consegui.

— Oi, Rose. Tudo bem? — era estranho ouvir sua voz sem ser em meio à música alta. Tentei manter a compostura e sorri.

— Oi, Alice. Estou bem e você?

— Ótima. — respondeu ela enquanto as amigas falavam com albus. Alice revirou os olhos, voltando a me olhar, rindo de lado.

— Bem, é que vamos dar uma festinha na Sala Precisa. — a menina loira que reconheci como Julie McLaggen falava animada para Al. — Se quiser aparecer por lá na sexta…

— Todos vocês, é claro. — Mary Abott falava olhando para Catherine, que parecia envergonhada. É claro, Mary e Catherine tinham… Um passado um pouco mais intenso e íntimo. Tony olhava para as duas desconfiado, porque na época chegou a achar suspeito as duas interagindo do nada em momentos fora das aulas, mas Cat nunca confidenciou a mais ninguém a não ser eu.

— Vamos sim! — Al falava animado, encarando nós três com um olhar inquisitivo.

— Bem… Vamos tentar sim. — Catherine falou, me cutucando para responder, pois Alice ainda me olhava.

— Acho que sim. — falei a contragosto, mas sem soar indelicada. Estava em uma das minhas metas fugir de festas. Pelo menos as da Grifinória.

— Ótimo. Vejo vocês lá. — Alice sorriu, despedindo-se junto com suas amigas.

— Excelente que todos aqui estão recebendo flertes, menos eu. — Tony resmungou se afastando e Catherine riu pelo nariz.

— Fazer o que se somos muito mais interessantes.

— Eu não diria isso com tanta certeza, Catherine. Tem quem queira meu beijo. — o olhar que ele deu foi tão significativo que Catherine, pela primeira vez em tempos, ficou quieta. Só resmungou alguma coisa, enfiando o garfo na boca.

— Você está falando da Cassandra, certo? — Al, perdido como sempre, não percebeu que a indireta era pra Catherine, com quem ele havia trocado uns beijos. E sinceramente eu não sabia em que pé a história estava, precisava me atualizar com Cat. — Merlin, ela é muito gata, mas cuidado porque ela é ex do Scorpius e eles não terminaram nada bem. Estava pra te falar sobre isso, na real.

Nós três encaramos Al com descrença. Scorpius tinha uma ex?

— Desde quando a Cassandra é ex dele?? — Tony fez a pergunta que todos estavam pensando. Al nos olhou céticos.

— Gente isso foi no final do sexto ano, vocês não perceberam? — negamos com a cabeça. — Bem, eles não foram exatamente namorados, não oficialmente. Mas Scorpius nunca ficou com uma garota por tanto tempo.

— Ele é mais do tipo come quieto se formos reparar. — Catherine observou.

— Pelo jeito vocês também. — Tony atiçou e eu e Catherine nos olhamos cúmplices, sem negar. De fato, nossa vida amorosa tinha uma certa agitação, mas nada que chegasse ao conhecimento de Tony e Al. A não ser agora que eles me viram beijando Alice e sabem do meu beijo com Scorpius. Ah e claro, que Tony e Catherine estavam deixando física a tensão sexual deles. Mas sinceramente, os beijos que eles trocaram não pareciam ter amenizado nada, porque ao olhar pra cara deles ficava óbvio que eles queriam se atracar, ali mesmo. Tentei abstrair esse pensamento, pois sabia que mais um drama estava por vir, ainda mais quando um bilhete pousou na frente de Catherine.

Olhamos instintivamente para a mesa da Grifinória, em que Fred sorria e acenava para nós. Minha amiga abriu o bilhete e corou levemente, guardando-o antes que eu ou Tony conseguíssemos ler o que estava escrito.

— Eu falei. — Tony resmungou, cortando o frango em seu prato com uma força desnecessária.

— Vocês duas andam de muitos segredinhos. — meu primo nos acusou, apontando o garfo para nós duas. — Estão até compartilhando o mesmo corte de cabelo. — levei a mão ao cabelo na mesma hora de Catherine e nós duas sorrimos. Quando Cat surtou e cortei o cabelo não achei a coisa mais sensata do mundo, mas entendi quando foi a minha vez. Às vezes só queremos extravasar. De qualquer forma, meu corte era bem mais longo que o de Catherine, que havia realmente passado a tesoura.

— É como dizem. Ano novo, vida nova.

— Nisso temos que concordar, prima. — Al respondeu divertido, enquanto recebia mais um bilhete na mesa — já devia ser o décimo. — Será que eu finalmente vou transar esse ano?

— Poderia me passar alguns desses bilhetes, se não se importar. — Tony tentou pegar alguns, mas Al o impediu.

— Como se você precisasse, Zabini!

— Meu Merlin, calem a boca. Não quero saber da vida sexual de vocês! — Catherine ralhou e eu ri. Tony estava preparado pra dizer algo, quando os pratos salgados foram substituídos pela sobremesa, indicando que o jantar estava próximo de acabar.

— Tortinha de abóbora… — Tony soltou um muxoxo e eu arfei, procurando imediatamente a mesa da Grifinória. E lá estava Scorpius Malfoy, sorrindo enquanto bebia. Abanei a cabeça, tentando segurar um riso enquanto pega uma para comer. — Rose, você não é mais monitora, mas mesmo assim essas porcarias continuam vindo. Monitores são chatos por natureza e por isso só sabem comer isso? Maldita hora em que Minerva deixou que vocês desse mpitaco no cardápio das ceias…

— Chore menos, Zabini. Muitas pessoas são fãs de tortinhas. — comentei acenando a cabeça para Malfoy e voltando minha atenção para Catherine e Tony que haviam iniciado outra discussão.

“Aproveitou a sobremesa?”

Recebi o bilhete logo após a reunião do Grêmio com Minerva pela manhã. Precisei sair correndo para a aula de poções, então não tive tempo de falar com ninguém. Pouco tempo depois Malfoy apareceu. Tinha me esquecido que a Grifinória também fazia essa matéria, jurava que seria a Corvinal nesse semestre. Ele havia me lançado o mesmo olhar divertido de ontem à noite. Não consegui não rir com aquilo e saquei minha pena para responder em um outro pedaço de papel.

“Aproveitei sim. Quem escolheu certamente tem bom gosto. Ou só é influenciável. Espero que se lembre que comer tortinhas demais faz mal”

Depois de acenar para enviar o papel para a mesa que estava mais à frente, guardei no estojo o bilhete recebido assim que Albus chegou, jogando a mochila na cadeira. Ele não precisava notar que eu e Malfoy estávamos trocando recadinhos sem importância, pois ele era dramático demais.

— Sei que Minerva nos deu a oportunidade de ajudar com o Grêmio e tudo o mais, mas sinceramente, organizar o Clube vai ser um saco.

— Ela disse que aceita ajuda, não que vocês tenham que necessariamente ajudar. Ela só achou o trabalho de vocês muito bom no baile. — comentei passando as páginas do meu caderno e verificando se a matéria estava em dia. Al bufou, rolando a varinha na mão.

— O crédito acadêmico vai ser bom, mas todo mundo adora se meter nos duelos. Querem escolher com quem vai duelar, isso sempre dá briga.

— Por isso que estou pensando em uma forma de fazer o processo ser mais simples. — sorri para Al, retirando um pergaminho de rascunhos da minha bolsa e lançando para ele, que parecia interessado.

— Como pretende fazer isso? Você sabe né, que Minerva basicamente jogou isso para cima de vocês para não terem dor de cabeça com isso.

— Claro que sei. E por isso estou querendo fazer um método infalível. Não está aprimorado ainda, mas desde que ela comentou qual seria nossa tarefa, passei alguns dias pensando nas dificuldades que tivemos todas as vezes que tentamos fazer o Clube acontecer. — finalizei retirando o pergaminho da mão dele, que me olhou feio. — Você vai poder me ajudar, Albus, mas quando for a hora.

“Preocupado com minha saúde, Weasley? Fico lisonjeado”. Foi a resposta curta de Malfoy, que chegou um pouco antes do professor entrar na sala.

“Não exatamente. Só quero ter certeza que você vai estar inteiro quando eu vencer você na próxima tarefa”. Devolvi, pensando que não tinha como Malfoy — ou qualquer outro participante — propor alguma ideia mais elaborada que a minha. Claro que, no fim, teríamos que chegar em um consenso juntos, mas certamente a melhor ideia estaria mais próxima de impressionar mais os olheiros dos outros Ministérios, e eu esperava que o Ministro da Romênia se surpreendesse com a minha opção.

Notas finais
Ufa, quase sete mil palavras depois... Sobre a bruxa dos doces eu cacei a informação e achei essa, que é oriunda de "A Criança Amaldiçoada" e eu sequer me lembrava da cena, mas é hilária para quem quiser recordar, vale a pena dar uma conferida (Al e Scorpius tentam fugir do trem, mas a senhora dos doces vai atrás). E, bem, talvez meu doce favorito agora seja tortinha de abóbora também haha Tentei trazer novamente à tona alguns dos acontecimentos passados para não nos esquecermos de algumas tramas que estão rolando paralelamente, mas se alguma coisa tiver ficado confusa ou vocês não se lembrarem de algo, podem me mandar mensagem. Ao longo dos próximos capítulos vou desenvolver o que está rolando com os outros personagens, mas sem deixar nosso amado Scorose de lado - claro. Quero MUITO saber a opinião de vocês! Ler os reviews sempre me deixam no gás para escrever o capítulo (não à toa esse saiu desse tamanho hahah Mil "obrigadas" para Coppola, que encheu meu coração com reviews maravilhosos). Beijos e até ♥