Freedom
18 Quando beijos se tornam frequentes até demais | BÔNUS
Notas iniciais
Anthony Zabini
Eu não sabia o que fazer com Rose. O choque pelo encontro com o filho da puta que estava se passando pelo babaca do Potter tinha sido demais para ela. Em sete anos de amizade nunca vi Rose Weasley tão frágil.
Olhei ao redor, exasperado, e notei que algumas garotas da Corvinal passavam por ali.
— Hey! Chamem a Catherine Nott dentro do Três Vassouras. É urgente. — elas não se moveram, apenas observaram a cena com cara de assustadas. Elas eram surdas por um acaso? Pra quem pertencia à Corvinal, elas eram bem burras. — Vão logo! — urrei, mas somente duas foram. A loira ficou, me encarando com seus olhos azuis gigantes de fundo de garrafa.
— Você fez alguma coisa com ela? — petulante, se aproximou, agachando-se próxima de Rose, que agora estava com a cabeça entre os joelhos. Puta que pariu, teria que aguentar um inquérito. — Vai ficar tudo bem. — sussurrou para a ruiva, que obviamente não respondeu.
— Óbvio que não fiz nada. Foi um cara idiota, mas ele aparatou ali na frente. — eu estava frustrado por ter deixado ele escapar. Espero que o cachecol queimado sirva pra alguma porcaria.
— Isso é dele? — ela se levantou, vindo em minha direção. Tentei me recordar dela, mas não fazia ideia de quem era. Corvina, loira, cabelos cacheados, olhos azuis e armações de óculos enormes. Eu não fazia ideia. Era meio sem graça, comum demais, talvez por isso não tivesse ficado gravada em minha memória.
— Sim. — resmunguei, encostando-me na parede. Onde estava a maldita Catherine?
— Aqui, guarde nesse saco. É melhor garantir que nada aconteça à única prova. Se não, são três testemunhas contra você. — ela tirou os livros da sacolinha que carregava e me estendeu. Seu tom era ridiculamente petulante. Ela estava me irritando.
— Não vai precisar dela pra carregar suas tralhas… Suas coisas? — falei de propósito, corrigindo apenas com o intuito de causar raiva nela, o que definitivamente deu certo. Ela apenas arqueou uma sobrancelha pra mim, irritada.
— Se estou oferecendo é porque não preciso. — ouch. A corvina sabia latir de volta.
Não respondi nada, rindo pelo nariz. Peguei e enrolei com cuidado o que tinha restado do cachecol.
— Rose! — Catherine apareceu acompanhada do inútil do Weasley. Ela me olhou assustada e eu sabia que ela estava querendo fazer milhões de perguntas e ao mesmo tempo me trucidar por algo de ruim ter acontecido à Rose.
Catherine sempre me culpava pelas merdas que aconteciam. Afinal, eu poderia ter evitado. Eu deveria ter sido mais cuidadoso. É assim desde que me entendo por gente e preciso aturar a presença dela na minha vida, por nossos pais serem amigos de infância ou qualquer merda assim.
Estava foda aturar sua presença ridiculamente estonteante desde que percebi que ela era mais do que minha amiga chata que se irritava com minhas implicâncias. Eu não conseguia parar de deixá-la irritada por puro prazer. Seus olhos azuis brilhavam de raiva, mesmo que às vezes seu rosto não demonstrasse tal sentimento. Ela era boa em discutir sem se deixar levar, mas ultimamente ficava estressada demais e isso transparecia.
Eu conhecia Catherine muito bem. Sabia que ela estava desconfortável com algo. E eu tinha minhas dúvidas a respeito. Ela não me beijava na frente da escola inteira como fazia com o babaca do Weasley.
E quem deu o primeiro passo para o beijo foi ela. Todas as vezes.
— A ideia do Albus foi totalmente estúpida. Rose não estava pronta pra encarar isso.
— Catherine, você bem que gostou de ver o Potter naquela situação, sem drama vai. — ralhei, subindo as escadas, com ela atrás de mim.
— Porra, Anthony você é idiota? Claro que eu amei ver o Potter sendo torturado e justamente por isso achei que seria interessante chamar o Scorpius, mas pensando em Rose, não é uma situação agradável. — quando chegamos ao primeiro andar da casa dos Potter ela me fitou com seus olhos azuis gigantes.
Ela estava irritada. Fodidamente irritada comigo. Mas o que eu havia feito demais? Nós ajudamos Rose! Catherine não tinha que estar brava.
— Eu não deveria esperar muito de você e desse seu cérebro de minhoca. Até porque você é um cara, e dos piores. — resmungou indo em direção ao banheiro. Que mania irritante de me ofender que ela tinha. Eu poderia deixar pra lá, mas nesse caso ela não tinha razão alguma.
Segui ela, tentando falar mais baixo para não chamar atenção dos Potter.
— Que merda você tá falando, Catherine? Cérebro de minhoca? Tá me confundindo com o Al, por acaso? E sinceramente, se não fosse a ideia dele, Rose estaria traumatizada até agora.
— E você acha que ela não ficou mal quando viu o suposto assediador dela na frente? Porra, vocês é que não pensam! — ela ralhou em voz alta e Albus surgiu atônito.
— Vocês querem acordar meus pais, caralho? Já tá difícil fazer o James parar de gemer. Calem a porra da boca. — ele olhava de Catherine para mim, irritado. Como se ele passasse algum medo. Só ficaria em silêncio em respeito aos pais dele. — E que horas que vocês vão embora, hein?
— Não precisa se preocupar, idiota. — Catherine rabateu. — Vou resolver isso aqui e nós já vamos.
— Falo com vocês depois. — resmungou fechando a porta e aparentemente lançando um abaffiato. Catherine voltou a me encarar, escorada na pia com os braços cruzados.
Ela me irritava tanto, me tirava do sério até não poder mais. Mas eu não conseguia parar de olhar para aquela maldita boca. Estar perto dela, principalmente em momentos de briga, e querer beijá-la estava ficando algo frequente. Até demais. E eu não suportava isso.
Era mais fácil disfarçar antes. Mas Catherine estava cada vez mais linda. E inalcançável.
— Rose não precisava dessa sessão hoje. E se ela não contou nada antes à vocês foi justamente pra evitar uma cena como essa. E você acha que a situação melhorou pelo fato dela saber que não foi primo dela? Pode ser sido qualquer um! Você tem noção do que é saber que tem um maníaco por aí disfarçado de seu próprio primo tentando entrar nas suas calças?
Aquilo foi pior que um soco no estômago. Foi um chacoalhão na minha consciência. Engoli em seco, sem ter o que dizer.
— Eu… Não pensei por esse lado. — admiti, mas Catherine estava insacíavel.
— Óbvio que não pensou, né Zabini? — lá vinha ela usando meu sobrenome. Como se eu não fosse eu, o Anthony Zabini seu amigo, mas sim um cara qualquer que é definido pelo peso do sobrenome. Eu não era como meu pai nem como Luke — e felizmente estava longe de ser. Odiava quando ela falava meu sobrenome. Ainda mais com tanta raiva e desprezo. — Você só liga pra você!
— Catherine eu estou tentando dizer que estou arrependido de ter dado corda pra atitude do Albus e que entendi o problema, não precisa me atacar dessa maneira. — precisei de uma força que não sabia que tinha para falar tudo isso sem gritar ou despejar quilos de escárnio. Não foi suficiente pra ela.
— Não preciso te atacar, Zabini? Não estou te atacando, estou apontando fatos. Você é um puta egocêntrico.
— Eu sou o que, Nott? Eu sou egocêntrico? Eu? — meu tom debochado tinha tomado conta. Catherine me tirava do sério. Não tinha como manter uma conversa normal quando ela resolvia gritar.
— Está insinuando que eu sou egocêntrica? — ela parecia estupefata.
— Se a carapuça serve.
— Caralho, Anthony. Como você é difícil.
— Eu não sou difícil, Catherine. Você que torna as situações difíceis. Não percebeu ainda? — arfei, cansado. Não aguentava mais discutir com ela, pois todas as vezes meu peito apertava e eu queria sumir, irritado com o mundo. — Eu entendi, o problema. Mas você vem… Vem me acusando como se eu fosse um monstro. Como se… Eu não percebesse o que você fala ou não percebesse você. Eu percebo, Catherine. Eu assimilo. Não sou idiota. Enquanto você pisa em mim, eu estou te ouvindo. Falando que sou um lixo, um sem noção, ou qualquer coisa.
— Eu nunca disse que você era um lixo. — era óbvio que ela rebateria isso. Estava em silêncio, me ouvindo. Arrisco dizer que estava percebendo que estava tripudiando em cima de mim sem motivos, pois eu compreendi o que ela queria dizer. Mas ela era fodidamente orgulhosa pra isso. Até mais que eu.
— Não disse, mas o tom que você me chama de Zabini é ridiculamente ofensivo. — entreguei, me sentindo um pouco idiota por revelar algo tão pessoal e… Irrelevante. Ela pareceu surpresa de verdade.
— Você acabou de me chamar de Nott.
— Pra me defender.
— Então você não gosta que eu te chame de Zabini. — ela usou um tom ridiculamente sexy e eu engoli em seco. Foi proposital. Eu sabia pela cara que ela fez.
— Não é assim que você fala. — tentei cortar, mas ela agora sorria. Respirei fundo. Era seu jeito de tentar tornar as coisas normais sem necessariamente precisar pedir desculpas ou esperar uma. Apertei os lábios, balançando a cabeça negativamente.
— Qual é, Zabini. Eu sempre falo assim.
— Não fala não, Nott. — não resisti a entrar na brincadeira. Me surpreendi quando percebi que o jeito forçadamente sexy que arrisquei teve um efeito sobre ela. Catherine estava realmente achando aquilo sexy?
— Diga novamente. — caralho, Catherine Nott estava estranhamente excitada por estarmos falando o sobrenome um do outro? Bem, ela não era a única.
— Nott. Catherine Nott. — sibilei e antes que eu pudesse dizer qualquer outra coisa ela me agarrou.
Foi um beijo que, surpreendentemente, não era rápido, apesar de toda a tensão sexual pairando sobre nós. Não deixei de sorrir com o pensamento de que até naquele momento ela estava sendo analítica. Abriu a boca com lentidão e movimentos ingênuos, mas quando aprofundei o beijo ela se enrolou no meu pescoço, prensando-me contra a porta.
Suas mãos estavam em minha nuca e em meus cabelos, puxando-os com delicadeza, mas deixando um caminho de calafrios por onde passava. O ritmo do beijo estava tortuosamente lento, mas incrivelmente profundo. Nossas respirações estavam compassadas, entrecortadas, mas ainda firmes. Percorri minhas mãos por suas costas e cintura sem pudor e quando cheguei até sua bunda esperei que ela fosse se soltar e meter um soco na minha cara. Para minha felicidade e diversão ela não o fez, então pude finalmente sentir o alvo dos meus olhares perdidos nos últimos tempos.
Ela não era grande, mas tinha um formato agradável de apertar e sinceramente tamanho para mim não era nada demais. Eu achava Catherine extremamente sexy justamente por não ser toda bombada e não deixar muito claro o que tinha escondido. Não posso negar que já tive alguns sonhos e sempre fui curioso para saber como seria pegar na bunda dela ou em seus seios.
Mas antes que eu pudesse arriscar uma mão mais ousada, Catherine se separou, me olhando um pouco inebriada. Não parecia arrependida, mas não falou nada. Apenas saiu do banheiro e foi para casa.
Pouco tempo depois daquilo percebi que ela também foi afetada como eu pelo beijo. O surto dela com o cabelo deixou bem claro. E claro que, depois de uma certa frequência na qual ela juntava agressivamente sua boca à minha — fosse na casa do Malfoy ou nas nossas, quando nossos pais se reuniam para acertar coisas dos negócios — passei a fazer o mesmo. E estávamos realmente perto de elevar o nível da pegação. Mas Catherine, que eu sabia que não era virgem porcaria nenhuma, não queria.
Ela tinha muita confiança de que a vida amorosa dela e de Rose passava despercebida de nós dois. Bem, pra Albus até poderia ser, porque ninguém tinha coragem de se gabar de ter pego Rose Weasley perto dele depois que um veterano nosso inventou uma mentira deslavada a respeito dela. E sabíamos que era mentira pois na noite em questão que o cara disse que fez loucuras com ela, era uma de nossas noites sagradas de pôquer. E Rose simplesmente achava ele um babaca. No fim das contas, um quartanista ter levado um setimanista pra enfermaria foi algo que surpreendeu a Sonserina inteira, e ninguém ousou inventar porcaria nenhuma mais.
Eu sabia que Rose tinha uma aventura ou outra mais discreta com alguns caras mais ousados da Sonserina que não tinham medo do perigo. Mas Catherine era um nome frequente entre os caras. Não porque necessariamente saía com todos eles. Eu sabia quando ela estava saindo com alguém pela forma que ela lançava um olhar pra pessoa. Não era nada demais, mas tinha claramente um desejo. E ela nunca tinha olhado para mim assim, até pouco tempo antes de me beijar.
Catherine era um nome frequente entre os caras porque vários queriam tê-la, apesar dela aparentemente ser bem exigente. Já azarei uma quantidade que inventou coisas também, mas como eu não era nada dela, ninguém realmente me levava a sério.
Mas eu sabia que quando Catherine Nott queria algo, ela conseguia. E aparentemente seu lance era ter casinhos pontuais, mas levemente duradouros. Eu era seu casinho atual, mas Fred Weasley também era. E eu sabia que Catherine se enjoava fácil depois de uns dois meses. E estávamos quase naquela marca sem realmente ter saído dos beijos.
Não era obrigação nenhuma dela transar comigo. Mas eu ficava irritado ao pensar que talvez ela estivesse fazendo isso com o Weasley e por isso estivesse tão relutante em ir comigo.
Estava muito difícil ser encarado por aqueles malditos olhos que me deixavam apertado na calça só de lembrar das nossas pegações. Eu estava me sentindo um idiota virgem, ficando duro só de lembrar das coisas.
Mas neste momento não fiquei duro olhando pra ela. Fiquei puto. Puto porque ela estava muito próxima do Weasley. E não fisicamente falando. Mas emocionalmente. Eu a conhecia muito bem e tinha algo errado. Algo que eu não ousaria pensar o que é.
— Foi o impostor. — falei simplesmente após alguns minutos em silêncio. Pela cara do Weasley, ele deveria estar familiarizado com o assunto. Desviei meus olhos da cena, encarando a garota loira que estava em silêncio e, sem noção nenhuma, estava metido no meio de um assunto que não dizia respeito à ela. — Você já pode ir. — resmunguei e ela virou seu rosto para mim, semicerrando os olhos.
— Espero que ela fique bem. — comentou, mas eu somente acenei.
— Obrigado, Nina. — é claro. A outra filha do professor Longbottom. Não tão popular quanto Alice. Elas sequer se pareciam, considerando que eram meia irmãs, claro. Alice era da minha cor e Nina mais branca que leite.
— Não há de que, Fred. — ela me olhou mais uma vez. Não sei o que ela estava esperando. Um “muito obrigado”? Eu não devia satisfações nenhuma à ela. Ela me ofereceu a sacola porque quis.
Quando a Longbottom albina se afastou, Catherine começou a conversar baixinho com Rose. O Weasley veio em minha direção, então precisei de muito autocontrole pra não socar sua cara e deixá-la pior do que já estava. Só não faria isso porque Rose já estava assustada demais e, querendo ou não, ele era da família dela.
— Não conseguiu segurar ele? — tô falando que esse cara era petulante? Seus olhos ainda brilhavam de raiva, da mesma forma que ontem quando me cortou a cara.
— Você está vendo ele por aqui? — devolvi azedo e Catherine me lançou um olhar furioso, mostrando que estava ouvindo tudo. Revirei os olhos. — Tentei, mas ele correu e aparatou. Consegui atingir uma bola de fogo e ele deixou isso pra trás. — mostrei a sacola, que o Weasley tentou pegar, mas coloquei atrás das minhas costas. — É bom não manter isso de mão em mão. Pode ter algum fio de cabelo ou coisa do tipo e não dá pra arriscar.
— Qual é, eu posso tentar reconhecer o cachecol.
— Fred, o Anthony tem razão. Vamos levar para a direção e ver se eles conseguem identificar algo. Depois você tenta fazer o reconhecimento. — surpreendentemente Catherine me defendeu e cortou o queridinho Weasley dela. Ele não gostou muito e precisei controlar a vontade de rir. Não era uma situação que permitia riso. Comemorar internamente estava de bom tamanho. Era bom demais perceber que aparentemente existiam problemas no paraíso Nott- Weasley.
— Eu conheço todos na Grifinória. Reconheceria fácil. — teimosia de um típico grifinório orgulhoso. E depois nós, da Sonserina, que somos desprezíveis. Tem como suportar um cara assim? O que Catherine viu nele?
— Fred. Não. — Cat foi categórica e eu esbocei um largo sorriso, que claramente irritou o Weasley.
À essa altura ele já estava ciente que eu tinha um lance com a Catherine também, imagino. Ele fingia muito bem na frente dela, mas por trás seus olhares eram de desprezo. Ele tinha metade da Grifinória aos pés dele, por que não deixava ela em paz?
Acho que ele não curte a ideia de que tô no topo da lista da peguetezinha e da irmãzinha. Ainda mais depois do duelo fervoroso de ontem. O Weasley ficou puto em descobrir que eu e Roxanne saímos da Sala Precisa diretamente para o Clube e… Minha cara ficou um caco, mas ele não estava em melhores condições. Amélia Miller, que era a responsável pelo grupo em que estávamos, demorou demais para intervir. Acho que no fundo ela queria ver o Weasley com a cara quebrada, talvez eles tiveram algo que não deu muito certo. Percebi que sim quando ela sorriu de volta pro meu flerte. Era sempre bom manter as possíveis opções em bons termos.
Mas na noite passada Catherine não apareceu tão cedo na Sala Comunal, então meu humor não estava particularmente bom. Nem Roxanne me deu bola, com medo das ameaças do irmão em contar para os pais. Me enfiei numa bela duma porcaria de situação, isso sim. Sem poder me divertir com nenhuma, nem outra, pois as duas estavam ligadas ao idiota do Weasley.
Fantástico.
Fiquei afastado enquanto Catherine carregava Rose para a enfermaria. Fred, mesmo sendo da família, ficou afastado também. Não fez menos que a obrigação, pois tudo o que a Rose não precisava naquele momento era um macho perto dela lembrando o que havia acontecido à ela.
Catherine explicou rapidamente para Madame Pomfrey, que disse que chamaria a diretora McGonagall. Não poderíamos ficar lá com Rose, então enquanto Weasley iria fazer algo de útil e avisar o irmão de Rose, que estava em Hogsmeade, a respeito do acidente, eu e Catherine deveríamos dar nossos depoimentos sobre o acontecido.
— Acho que precisarei chamar o senhor Potter, também. — comentou após explicarmos tudo o que estava acontecendo. — Mas saibam que, se já sabiam sobre esse problema, deveriam ter recorrido à escola mais cedo. O que fizeram com o senhor Potter para retirar as informações foi praticamente tortura. Você têm sorte disso não ter acontecido dentro da escola, se não todos perderiam pontos pelo ato bárbaro. Com licença. — ela saiu da sala, com um olhar desgostoso, deixando um silêncio mortal entre Catherine e eu.
Pensei em fazer um comentário ácido. Na realidade estava com ele na ponta da língua. Mas vi que Catherine estava visivelmente abalada. Um gosto amargo ficou em minha boca e uma onda de frustração percorreu meu corpo. Detestava vê-la assim. De cabeça baixa, olhos opacos e feição triste.
— Vamos pegá-lo. — garanti e ela me olhou. Agora parecia prestes a chorar, mas tinha raiva no olhar.
— Eu deveria ter deixado ele marcado de alguma forma. A marca não sairia quando ele voltasse ao normal.
— Nós vamos achar o desgraçado. — insisti e ela assentiu, afundando-se na cadeira.
— Espero que seja antes da McGonagall, pra poder acabar com a raça dele. Ela não sabe nada sobre “tortura”. Tortura vai ser o que o idiota vai receber quando eu pegar ele. — murmurou de uma maneira sombria e eu esbocei um sorriso de canto mínimo. Catherine era simplesmente incrível.
Mas devo confessar que tudo parecia… Incomum. Era estranho que estivéssemos conversando sem discutir ou nos alfinetar. Mas era estranhamente bom. Não consegui evitar pensar que com o Weasley ela provavelmente não discutia como fazia comigo. E eu não sabia o que pensar disso, se era bom ou ruim.
James Potter estava um caco. Não que ele fosse lá uma coisa muito ajeitada antes. Sinceramente nunca entendi o appeal que metade de Hogwarts tinha por ele. Só era mais um padrãozinho que não sabia o que era lavar e escovar os cabelos, sinceramente. Mas hoje em particular ele estava pior.
Explicar toda a situação para McGonagall foi complicado, pois implicava nele contar como descobriu que alguém estava se passando por ele e obviamente isso incluiu falar sobre festas. Não que McGonagall fosse burra, mas de certo não imaginava que eram assim tão frequentes.
— Estou extremamente decepcionada com a Grifinória. Uma casa à qual fui diretora por anos! Avisarei o Senhor Longbottom a respeito e iremos instaurar uma fiscalização mais bruta. E chamarei o senhor Malfoy para tirar satisfação. Como monitor, ele deveria me reportar quando essas coisas acontecessem.
Tentei segurar o riso, mas sem muito sucesso. Scorpius poderia ser certinho, mas era leal aos amigos. Uma qualidade irritantemente grifinória. Eu sinceramente preferiria expor o pescoço dos outros do que arriscar o meu, a não ser que envolvesse Albus, Rose ou Catherine, afinal, éramos melhores amigos. Mas eles eram suficientemente espertos para se safarem. Menos Albus, ele tinha é sorte de não ser pego fazendo merda, porque ele é bem descuidado.
Mas evidentemente que meu sorriso não passou despercebido pela McGonagall e eu me xinguei internamente por isso.
— E senhor Zabini, tem algo a dizer a respeito? Será que devo contatar o professor Slughorn e fazer uma fiscalização mais severa na Sonserina também?
— Desculpe, diretora. — me ajeitei desconfortável na cadeira e pude ver o olhar mortal de Catherine.
— Falo sério a respeito das festas. Se não estivessem todos bêbados, como bobocas babuínos balbuciando em bando, coisas ultrajantes como estas que o senhor Potter acaba de me relatar não aconteceriam. Francamente. O senhor tem sorte de isso ter acontecido antes de sua contratação em Hogwarts, Potter.
Precisei olhar para o Potter. A cara nem tremia e eu sabia muito bem que ele continuava frequentando festinhas. E mesmo se ele falasse abertamente que iria, ele nunca seria mandado embora. E se fosse, arranjaria outro emprego fácil, afinal era o filho do grande Harry Potter. E ele fazia questão de lembrar a todos disso com sua enorme prepotência.
— Agora, sobre a senhorita Weasley. — Minerva ajeitou os óculos, assumindo um semblante de preocupação genuína. Era estranho ver o apreço que ela aparentemente tinha pela Rose, afinal elas não tinham muito contato. Talvez fosse pela situação em si ou pelo fato de que Rose não deixava de ser filha de Ronald e Hermione Weasley. — Sugiro que apenas parentes à visitem, mas restringiria a visita sua, senhor Potter, pois isso pode não ser algo positivo para os sentimentos dela. Ela pode estar confusa. Seu irmão também, vocês são ligeiramente parecidos.
— Mas diretora, eu queria muito vê-la. — Catherine praticamente implorava, mas McGonagall parecia em dúvida.
— Só vou deixá-la, senhorita Nott, pois é a melhor amiga dela, suponho. Mas os outros amigos, que não são da família, não devem entrar. — ela olhou severa para mim e eu assenti. — Também recomendaria que os homens da família não a visitassem em conjunto ou sem a companhia da senhorita ou com Madame Pomfrey no recinto. Ela está um pouco sensível quanto à figuras masculinas.
— Claro, diretora. — ela assentiu prontamente. Naquele momento ela era só a Cat, melhor amiga de Rose, e não a Catherine Nott cheia de pose e ar sonserino. Era somente uma garota preocupada com a melhor amiga.
Eu estava me sentindo cada vez mais idiota, como se fosse possível me apaixonar ainda mais por ela. Aparentemente era.
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