Freedom

19 Quando um pouco já é suficiente


Notas iniciais
Volteeei amores! Eu avisei que estava enrolada, pois bem eu estava MESMO. A demora foi maior do que eu previa, mas com a volta do EAD pra finalizar o semestre (minha universidade parou as atividades para tentar decidir de iriam cancelar ou não o semestre, mas não rolou kaka rindo de nervoso) fiquei muito sobrecarregada e, para melhorar, bateu aquele bloqueio criativo de praxe SOS. Pra compensar, resolvi fazer um capítulo maior, o que só dificultou o processo kkkk Mas cá estamos. Não vou me estender. Vejo vocês nas notas finais hihi

Scorpius Malfoy

Tentei apagar da minha cabeça o sonho que eu havia tido com Rose Weasley, se debruçando em cima de mim e espalhando seu perfume floral. Eu sentia um trilhão de coisas a respeito, mas não queria pensar muito sobre. Era desconfortável, e algo que me fez praticamente não tocar no café da manhã.

— Scorpius, está esquisito desde hoje de manhã. — Fred observou no horário do almoço, se sentando ao meu lado. Suspirei, dando de ombros. — Aliás, parece que você viu a reencarnação de Voldemort ou coisa do tipo.

Não era a reencarnação de Voldemort, mas sim a realização de algo absurdo.

— Impressão sua. — resmunguei, olhando para a mesa da Sonserina. Como de costume, Rose conversava com Catherine, Albus e Tony. Parecia totalmente alheia aos meus olhares, mas quando nos encaramos eu cuspi parte do suco de ameixa que tomava, tentando olhar para qualquer outro ponto. Eu tinha certeza que minha cara denunciaria tudo.

— Caralho, que que tá acontecendo? — Fred, que havia sido atingido pelo meu cuspe, ralhou.

— Preciso… Hã… Ver com McGonagall sobre o Clube de Duelos. Com licença.

Voei para fora da mesa, sem olhar para lugar nenhum que não fosse a frente. Dei de cara com Cassandra, que me olhou de uma maneira confusa.

— Malfoy? Você está passando bem?

— Estou ótimo, obrigado. — mentira deslavada. Eu não sabia porque estava tendo reações daquele tipo. Não era como se eu nunca tivesse tido um sonho mais quente. Aliás, esse não era nem dos mais intensos.

Mas então por que eu me sentia assim?

Preferia não pensar.

— Bem, se você diz… Mas acho que seria bom você saber, como Monitor, que umas alunas da Grifinória andaram brigando agora pouco. Estava procurando Lysander, mas já que você apareceu…

— Onde? — franzi o cenho e pigarreei. Precisava colocar meus pensamentos em ordem, então exercer meu papel de monitor seria adequado.

— A caminho do campo de Quadribol.

— Obrigado, Cass. — falei saindo rapidamente, mas finquei os pés no chão, percebendo. — Desculpe, sei que não gosta do apelido…

— Tudo bem. — ela sorriu minimamente. — Agora vá logo, Cor. — ela brincou me chamando pelo diminutivo que eu detestava, mas eu já estava à caminho do campo.

Havia uma certa agitação e era possível ouvir os gritos. Não acreditei quando vi Dominique, Roxanne e Lily discutindo, com as varinhas nas mãos.

— Você se acha muito esperta, não é Lily? Mas não passa de uma mimada. — era Roxanne que falava, com os olhos marejados. Dominique também não estava bem, mas Lily parecia intacta.

— Vocês são duas descontroladas. Olha a cena que estão causando por nada.

— Por nada, Lily? — o tom de deboche vinha de Dominique. — Você é uma falsa. Uma grande filha da puta.

O quê? Ok, por essa eu não esperava. O que tinha acontecido para elas brigarem desse jeito?

A reação da multidão foi instantânea, então achei melhor agir antes que as coisas piorassem.

— O que é que está acontecendo aqui? — interrompi e as três olharam um pouco assustadas para mim. — Vamos, todo mundo circulando, ou vão ficar sem almoço. — não surgiu muito efeito, porque ninguém de fato de mexeu. Respirei fundo. — Vou ser obrigado a descontar cinco pontos de cada um que não sair daqui imediatamente? — não precisei repetir.

No entanto, as três Weasley’s também fizeram menção de saírem.

— Vocês não. — elas pararam, evitando me olhar. — O que aconteceu aqui?

— Assunto de família. — foi Dominique que respondeu, me encarando. Lily parecia ter fogo nos olhos e preferia que ela não estivesse olhando para mim naquele momento.

— Estavam com as varinhas empunhadas. — observei, mas elas não falaram nada. — Sabem que não podem usar as varinhas como forma de ameaça assim, ainda mais na frente da escola inteira. Se eu não tivesse chegado à tempo, a situação ficaria pior? — questionei e Lily riu debochada.

— Agora quer bancar o monitor certinho? Interessante isso vindo de você…

O que Lily estava dizendo? Ela por acaso sabia de alguma coisa?

— 10 pontos. De cada uma. — enfatizei e as duas Weasley’s resmungaram, enquanto Lily me olhava de uma maneira desafiadora.

— Muito bem. Se é assim que você quer jogar.

Não tive tempo de responder, porque ela saiu a passos largos, com o barulho dos sapatos ecoando pelo corredor. Me virei para falar com Dominique, mas ela chorava abraçada à Roxanne.

Ok, isso estava muito estranho.

— São regras. Tive que tirar os pontos. — tentei me justificar, mas Roxanne apenas balançou a cabeça negativamente.

— Isso é o que menos importa, Scorpius. Lily vai fazer da nossa vida um inferno. — foi Dominque quem disse. Roxanne cutucou ela, numa indicativa de que claramente a amiga falara demais. Mas a loira somente revirou os olhos. — Está na hora dele saber que a Lily não é uma flor que se cheire. E ele sabe sobre James.

— Ele sabe?

— Scorpius foi um dos que torturou James. — o comentário de Dominique me pegou desprevenido e Roxanne parecia incrédula com a informação.

— Eu não torturei. Apenas fiz ele sofrer fisicamente pelas atitudes dele. — dei de ombros e a loira riu.

— Quem é você e o que fez com Scorpius Malfoy?

— Roxanne, menos. — Dominique pediu. Ela limpou os olhos e me olhou. — Estou cansada de ficar na mão de uma garota de quinze anos. Ela sempre me tratou como se fosse superior, mas agora que a porcaria da história vazou anda me tratando como lixo.

— A história vazou? — eu não tinha ouvido nada muito profundo a respeito, então não fazia ideia do que estava realmente acontecendo. Ela me encarou com um pouco de raiva, mesmo que talvez não direcionada à mim.

— Alguém espalhou que eu fui o motivo da separação dos dois. Mas é óbvio que ninguém está culpando James. Todo mundo acha que eu fui a megera que seduziu ele e deixou a Lore infeliz.

— Não sei como isso não chegou até você, Malfoy. — Roxanne observou, mas eu realmente não soube de nada. Não estava muito ligado nas coisas ultimamente, fiquei muito ocupado tentando chamar a atenção da Rose durante a semana. O que me lembrava que eu estava sendo um péssimo amigo para Amanda. Mas bem, ela também não tinha me procurado. Aliás, isso é bem estranho… Não é do feitio da Amanda sumir. Não quero nem pensar que ela está se metendo com o James novamente, o que eu francamente acho que está.

— Estive ocupado. — falei simplesmente, encarando Dominique. Ela estava muito diferente da Dominique que eu via nos corredores. Por ser, sei lá, um oitavo veela talvez, sua beleza era inegável. E, apesar de continuar linda, era perceptível que ela estava passando por coisas difíceis. Até seus cabelos pareciam mais opacos que o normal. — Sinto muito pelos comentários.

— Todo mundo aqui se diz super desconstruído, mas são os primeiros a ver a garota como a errada da história. A vida nunca é fácil quando se é uma garota, nem mesmo se você for uma bruxa excepcional.

— Dominique, não fale assim… — Roxanne tentou consolar, mas a loira de desvencilhou, com lágrimas nos olhos.

— Espero que não passe pelo mesmo que estou passando. — ela comentou um pouco baixo e a morena lançou um olhar alarmado um tanto que suspeito. Ok… Talvez tivesse muito mais sujeira de baixo do tapete das Weasley’s todo que qualquer um imaginasse, mas eu não estava ali para julgar ninguém e nem tentar bisbilhotar. Já bastava o rumo que toda a situação com James estava se desenrolando.

— É por isso que brigaram com Lily? — ok, eu não estava ali para bisbilhotar, mas queria tentar entender porque aquilo tinha acontecido entre as três. Cada vez mais eu tinha certeza de que Lily não era aquela que aparentava ser e ficava me perguntando se era assim com todos. E até onde ela seria capaz de ir. Não esqueci que ela havia me ameaçado.

— Não exatamente. — Roxanne começou, mas Dominique a cutucou. Elas se encararam por longos minutos, como se estivessem de fato se comunicando, até que a loira me olhou com profundidade.

— Não é nada que você precise saber.

Não comprei suas palavras. Estava nítido que elas estavam me escondendo alguma coisa, eu só não sabia o porquê. Mas eu sentia que não era por pura preservação da intimidade delas.

— Scorpius, espero que seu pai seja realmente um medibruxo bom. Da próxima vez que eu enfrentar o afilhado dele não vou hesitar em arrancar um olho. — Fred falou com a maior naturalidade do mundo enquanto voltávamos para o Salão Comunal da Grifinória após o Clube de Duelos. Quando o olhei não consegui conter o riso. Seu rosto estava bem machucado.

— O Tony está melhor ou pior que você? — a falta de resposta foi o suficiente. — Como Amélia deixou a chegar nesse nível o duelo? Acho que ela não tem muitas boas lembranças de você… — comentei aos risos, mas Fred me deu uma cotovelada doída na costela.

— A culpa não é minha se os idiotas saíram espalhando o que fizemos.

Sobre idiotas ele se refere ao Lorcan e ao Ezra. Eles não eram muito discretos e, na realidade, sabiam ser bem inconvenientes quando queriam. Ok, talvez eles fossem meio babacas na maior parte do tempo.

— Você ficou se gabando. — retruquei, mas ele me ignorou. — Mas e aí, o que achou do Clube?

— Achei excelente. Mais ainda a ideia dele ser semanal.

— Talvez a regularidade tenha que mudar. — comentei olhando em volta. — Você não foi o único a sair ferrado e acho que a Madame Pomfrey vai ter um puta trabalho hoje. Talvez fosse melhor você ir logo até ela.

— Grande ideia de colocarem a data de estréia pra véspera de Hogsmeade. — ele resmungou, cutucando o corte em sua bochecha e fazendo uma careta de dor.

— Catherine vai estar ocupada demais com sua boca pra reparar na sua cara, fica tranquilo. — comentei e Fred sorriu. Como eu não era inconveniente como ele, não falaria nada a respeito, mas fazia algum tempo que ele estava um pouco diferente em relação à ela.

Quando ele beijou Amanda na festa eu achei estranho, porque ele não estava de fato beijando outras pessoas. Mas depois desse e de alguns episódios isolados era cada vez mais frequente ele e Catherine darem algumas escapadas durante o dia. E Fred aparecia sempre com uma cara de idiota. Estava quase certo de que ele estava sendo fisgado, mas não arriscaria sugerir nada, porque ele sabe se vingar. E eu não preciso que ele me faça passar vergonha na frente da Rose a respeito das encaradas.

Foi quase inconsciente buscá-la na imensidão de alunos, mas foi inútil. Eu a vira poucas vezes de relance durante o duelo, no entanto não conversamos. Sequer tive a chance de enviar bilhetes. E eu também não estava muito tranquilo a respeito da situação em que me encontrava.

Mas sabia que não poderia evitá-la por muito tempo. Não que eu estivesse tentando evitar, entretanto também não estava exatamente fazendo muita questão de vê-la. Tinha medo de que meu corpo desse algum sinal idiota das coisas que eu vinha pensando e, boa oclumente como eu sei que ela é, não me surpreenderia se ela descobrisse tudo e tirasse uma grande onda com minha cara.

— Vai na palestra do tio Charlie amanhã? — Fred me perguntou mais tarde naquela noite, depois de passar pelo menos duas horas na enfermaria. Agradeci internamente por não ter precisado participar dessa vez e ter ficado apenas na monitoria.

— Eu jamais perderia, você sabe. Mas de toda forma, estarei presente como Grêmio. — e eu não estava nada feliz com isso, diga-se de passagem. Queria aproveitar Hogsmeade, mas seria impossível. A subsecretária sênior do Ministério da Romênia estaria presente e Minerva deixou claro na reunião mais cedo de que seria importante tentar impressioná-la. Na hora tentei buscar alguma expressão no rosto de Rose. Ela parecia debochada e deu um sorrisinho zombeteiro para mim.

Foi a maior interação que tivemos o dia inteiro.

Era ótimo ter a oportunidade de se mostrar de uma forma diferente para as vagas que estávamos almejando, mas não tirava o peso de que os NIEM’s também seriam levados em conta e ultimamente eu não estava indo tão bem. Talvez a vaga realmente acabasse com Rose e eu tivesse que assumir um cargo horrível até que outra vaga se abrisse.

— Você e Rose são loucos igual o tio Charlie. Dragões são assustadores.

— São criaturas incompreendidas. — defendi e Fred riu.

— Rose me falou a mesma coisa.

— É claro que falou. — comentei sorrindo.

Era engraçado pensar que nós estávamos disputando o mesmo cargo. Por incrível que pareça, muitas pessoas cobiçam um cargo na Romênia, não necessariamente de Hogwarts, mas de Durmstrang é praticamente certeiro.

O santuário de dragões construído lá era o maior do mundo e possuía cargos nas áreas mais diversas, como os braçais, que estão em contato direto com as criaturas, e que sempre possuem bastante vagas, pois os acidentes são assustadoramente comuns, os administrativos e de pesquisas, tudo em prol da garantia da qualidade de vida dessas criaturas fantásticas.

Eu particularmente não ligaria de trabalhar em qualquer um dos cargos, mas gostava da ideia de estar em um administrativo e conseguir fazer a diferença. E sabia muito bem que Rose pensava o mesmo, pois no quinto ano nós dois produzimos um ensaio para a matéria de História da Magia a respeito dos maus tratos dos dragões e de como quase foram extintos em uma era que eram caçados.

— Mas sério, vocês são loucos de quererem domesticar criaturas que o próprio Ministério diz que são impossíveis de treinar. — Fred se referia ao fato de que dragões estavam classificados como “XXXXX”, ou traduzindo: mata bruxos/impossível treinar ou domesticar. O que é uma mentira deslavada. Em partes.

— É claro que é impossível treiná-los quando se usa a força. — resmunguei. — E não é ideal domesticá-los, realmente. São animais que devem viver livres na natureza, mas que não precisam ficar largados. Com o cuidado certo, é possível conviverem em harmonia com bruxos. Seu tio tem uma tese ótima a respeito, inclusive. É justamente o que… — fui interrompido por um ronco de Fred e eu revirei os olhos.

— Que sono esse papo me deu. Faz assim, discute os direitos dos dragões com a Rose e o meu tio amanhã. Aproveita que já ganha uns pontinhos com ele, já que logo você vai fazer parte da família mesmo. — precisei lançar a azaração da língua enrolada para que ele calasse a boca, mas Fred estava ocupado demais rindo para se importar.

— Malfoy, cadê a Weasley? — Amélia me perguntou pela terceira vez aos sussurros, enquanto Lysander conversava com a subsecretária Sorina Anghelescu. Encarei seus olhos castanhos arregalados com um pouco de irritação.

— Já falei que não sei.

— Deveríamos estar todos aqui. Tem olheiros de todos os lugares do mundo. — olhei ao redor e arfei. Tinha muita gente mesmo. E o pior é que se Rose não comparecesse, a senhorita Anghelescu não parecia ser uma pessoa com muita paciência e cargos administrativos não tinham vaga todos os anos.

Eu sabia o quão Rose queria aquilo. Ela não perderia se não fosse por um motivo bom. E isso me preocupava.

— Olá, senhor Malfoy. — um homem ruivo robusto, mas não muito alto, se aproximou sorridente. Eu sabia que era Charles Weasley simplesmente porque ele era muito parecido com os outros irmãos que eu conhecia. Nós nunca nos encontramos pessoalmente, então foi uma surpresa que ele soubesse quem eu era.

— Olá, senhor Weasley. — estendi a mão, sorrindo de volta. A mão que ele estendeu não escondia seu cargo: tinha uma queimadura grande que subia dos dedos para o cotovelo.

— Me chame de Charles ou Charlie, por favor. Se quer mesmo o cargo, é bom se acostumar com isso. — ele indicou a queimadura, rindo.

— Como soube senhor? Quero dizer, Charles. — arrumei quando ele me encarou resmungando, mas sem tirar o sorriso.

— Não deixe a cara de sagu, ou melhor, a senhorita Anghelescu saber, mas eu me correspondo com Rose e ela me contou. Que são rivais. — tentei não rir sobre o apelido, que era um pouco apropriado, apesar de maldoso. — Ela fica direto no meu pé, a Anghelescu, mas somos bons amigos. Só que ela é… Certinha demais.

— Temos interesse no mesmo cargo, sim. — assenti, observando as fotos dispostas pelo ambiente. Em uma delas Charles posava sorridente ao lado de um Rabo-Córneo-Húngaro filhote. Olhando desse jeito nem parecia que quando crescesse viraria uma das espécies mais perigosas de dragões.

— É uma boa oportunidade sabe, o Grêmio. O processo para entrar não é fácil, você sabe. Requer bastante treinamento, mas especialmente requer que abram vagas. Obviamente estou torcendo para minha sobrinha, porém, se você quiser, posso dar uma ou outra dica de como se sair bem nas provas práticas convencionais. — ele sorriu amigavelmente para mim e eu assenti.

— Muito obrigado, mas acho que Rose…

— Ela mesma que me deu a ideia. Diz que você tem habilidades excelentes, e eu confio nela. Qualquer amigo dela é meu amigo. E eu adoro falar sobre dragões, como você pode notar. — ele soltou uma gargalhada alta, batendo no meu ombro. — Espero que nada grave tenha acontecido para ela estar atrasada. Bom, preciso ir me preparar para a palestra, com licença.

A palestra se iniciou e Amélia Miller ficou me lançando olhares raivosos. Tivemos que redividir as tarefas devido ao desaparecimento de Rose, mas sinceramente eu estava achando ela estressada demais. Não era nada complexo, apenas exigia um pouco de concentração. E eu estava falhando miseravelmente, pois cada vez que o sino da porta soava eu olhava na direção. Em uma delas quem entrou pela porta foi Fred.

Ele parecia sério demais. Estava percorrendo os olhos pelo salão até que me viu, vindo com certa rapidez. Algo não estava certo.

— Cadê a Rose? — perguntei aos sussurros, pois algo me dizia que ele sabia o que havia acontecido.

— Scorpius, não surta, mas o impostor apareceu pra ela pro Zabini perto dos Três Vassouras.

— O quê? — perguntei em um tom mais alto que o normal, percebendo que atrai olhares de Lysander, Amélia e Anghelescu. — Ela está bem? Ele fez algo?

— Não, não fez. Mas ela está meio em choque. Está na enfermaria e tudo. McGonagall me pediu para vir avisar o Hugo, mas não estou vendo ele.

— Ele está mais ao fundo… Vamos avisá-lo e ir para lá.

— Scorpius, acho que Rose não está exatamente podendo receber visita… — Fred ponderou, me olhando. — Bem, não tenho certeza sobre, mas Zabini não conseguiu sequer se aproximar dela. Catherine teve que ajudá-la e eu preferi ficar distante também. Acho que ela não está tendo reações muito boas com caras de fora da família. Não sei se Minerva vai permitir a visita, desculpe. — ele sorriu meio amarelo e eu murchei. Estava preocupado, pois Rose parecia realmente abalada. E acima de tudo estava puto. Puto em pensar na audácia desse cara em tentar se aproximar dela de novo.

A palestra acabou sem que eu tivesse percebido e Hugo se aproximou sorridente, mas seu sorriso desmanchou ao ver nossas caras.

— O que está acontecendo?

— Hugo, a Rose está na enfermaria. — ele olhou para mim antes de continuar. — Aconteceu uma coisa que… Bem, não sei se sou a melhor pessoa pra falar. Mas ela está bem, só em choque.

— Só em choque? Só? Pelo amor de Merlin, vamos logo pra lá.

— Vão aonde? — Charles apareceu sorridente. Nos entreolhamos e ele pigarreou. — Não estão aprontando nada sem mim, estão?

— Tio… A Rose está na enfermaria. — Hugo deu a notícia e ele arqueou as sobrancelhas, assustado.

— O que estamos esperando para ir até lá então?

— Senhor Weasley. — a voz estridente da Anghelescu soou logo atrás de nós. — Não pode sair agora. Tem uma sessão de autógrafos para dar. E senhor Malfoy. — ela se virou para mim, ajeitando os óculos. — Como participante do Grêmio e aspirante ao cargo em nosso Ministério, considero imprudente que saia assim agora. Ainda temos outro circuito de palestras e o senhor já está à frente de sua colega que não compareceu hoje.

— Senhorita Anghelescu, estou pouco me lixando para os autógrafos. Minha sobrinha está passando mal e por isso não pôde vir. Eu tiraria isso da ficha dela, se fosse você. É totalmente injusto não considerar a situação.

— Injusto é o senhor, tio dela, tentar interferir dessa maneira nos assuntos do Ministério. Sabe que não pode opinar devido conflito de interesses, Weasley.

Os dois pareciam que iriam se matar com os olhares. Suspirei pesadamente, cerrando o punho.

— Desculpe, senhorita Anghelescu, mas Rose, antes de minha rival, é minha amiga. Não vou ficar aqui parado quando pode ter acontecido o pior. — falei com firmeza, querendo sair dali o mais rápido possível. A subsecretária apenas semicerrou os olhos, fazendo uma anotação em sua prancheta.

— Como queiram.

Antes que ela pudesse falar qualquer coisa a mais, nós saímos pela porta às pressas.

— Scorpius, você sabe que talvez não vai poder entrar.

— Como se eu fosse conseguir prestar atenção em qualquer coisa sabendo disso. — murmurei entre dentes e Fred soltou um riso pelo nariz.

— Se a situação não fosse tão tensa, eu brincaria a respeito. Mas não é adequado.

— Que bom que sabe. — resmunguei, mas lhe dando um sorriso de canto para amenizar.

Eu estava apavorado, irritado, preocupado e sentindo muitas outras coisas estranhas. Rose poderia não estar ferida fisicamente, mas a possibilidade dela estar psicologicamente mal me deixava com o coração apertado. E só me fazia querer socar a cara do indivíduo responsável por toda essa merda.

Obviamente não pude entrar, então fiquei parado do lado de fora enquanto Hugo e Charles visitavam Rose junto à Catherine. Fred e Tony estavam do meu lado, em silêncio, com as caras amarradas.

— Talvez seja um momento bom pra te avisar que a McGonagall sabe sobre as festas. — Tony me informou, olhando para os lados. — Ela está falando com os monitores da Grifinória agora e disse que iria te procurar depois. James precisou contar sobre o impostor e… Ela ficou bem pistola.

— Excelente. Tudo que eu precisava. — resmunguei, jogando a cabeça para trás. O que mais de ruim poderia acontecer?

— Malfoy. — Lysander surgiu, nos olhando com curiosidade. — A diretora McGonagall convocou uma reunião com os monitores e me informou que você talvez estivesse aqui.

— Tudo bem. — resmunguei sem muita emoção.

E, como sempre, quando alguém pergunta se “nada mais poderia piorar”, absolutamente tudo piora.

— Eu extremamente desgostosa com a negligência de vocês. É evidente que sei que são jovens e querem aproveitar, mas tudo deve ser feito com limites e muito cuidado. — Minerva nos encarava com severidade. — Uma aluna, colega de vocês, está sendo perseguida por alguém que se diz passar por James Potter. — o burburinho tomou conta do ambiente quase que imediatamente. — Tudo o que temos de evidência é essa peça. — ela exibiu, com um aceno da varinha, o cachecol. — Recolhemos algumas memórias das pessoas envolvidas e assumimos que é de suma importância que encontremos o sujeito. Junto com alguns professores vou tentar obter algum tipo de informação. — o semblante dela parecia preocupado. Haviam conferido as memórias de Rose? Tentar supor o que havia lá para ter chocado tanto Minerva só me fez ficar mais atordoado do que eu já estava.

— Diretora, se me permite. — Lysander levantou a mão, um pouco incerto. — Sei da severidade a respeito das festas, mas… Não seria mais interessante tentarmos usar isso à nosso favor?

— Está sugerindo uma armação, senhor Scamander? Que deixemos nossas alunas e nossos alunos à mercê de alguém mal intencionado?

— Não e sim. — ele ponderou, ajeitando o óculos, sem jeito.

— Não é uma má ideia. — afirmei, chamando a atenção para mim. — Podemos nos infiltrar nas festas e ficar de olho. Ou até mesmo armar algum grande evento para que os professores e os outros funcionários possam ficar atentos, também.

— É muito arriscado envolver tantas pessoas em uma estratégia dessas, senhor Malfoy.

— Arriscado é deixar um idiota maníaco solto pela escola, diretora. — rebati, perdendo a paciência.

— Temos que pensar na segurança dos alunos, senhor Malfoy. Nada garante que poderemos proteger a todos em um grande evento.

— E quem garante que vão conseguir protegê-la? — o silêncio que se formou estava insuportável. Meu coração batia acelerado e eu podia sentir cada veia do meu corpo pulsar de raiva. Ouvi alguns se questionando sobre quem poderia ser e porque me afetava tanto, o que me fez respirar fundo diversas vezes para não ofender ninguém.

— Bem, como vocês todos devem supor, estamos tentando preservar a imagem da vítima. Sei que o senhor está familiarizado com o assunto, mas peço que não entre mais em detalhes. Se quiser falar comigo a respeito, senhor Malfoy, sugiro que o faça depois. — seu tom autoritário pareceu encerrar o assunto, mas eu não estava satisfeito. Não mesmo. — Inclusive, tenho assuntos pendentes com o senhor, de qualquer forma. O conselho decidirá o que fazer e vocês serão informados. Mas garanto que tentarei levar a proposta que me deram, senhores. — acrescentou quando fiz menção de abrir a boca.

Assim que ficamos sozinhos, Minerva se aproximou da janela, me encarando por cima dos óculos.

— Sei que está ciente sobre o caso da senhorita Weasley e que colaborou com a barbárie feita com o senhor Potter.

— Foi impensado, diretora. — e de fato foi, mas pelo menos tinha dado algum resultado.

— Que bom que sabe, Malfoy. E justamente por isso, presumo que não fará nada igualmente impensado. — não era um tom agradável, era praticamente uma imposição. — Não está em uma posição muito favorável no momento, devo lhe dizer. Preciso lhe lembrar de seus deveres como monitor?

Minha falta de resposta pareceu surpreendê-la e Minerva suspirou, assumindo um olhar quase que de pena.

— Imagino que não esteja sendo fácil. Sei das tarefas do Grêmio e do peso dos NIEMs, mas não se deixe levar. Falo isso pelo seu próprio bem, Malfoy. Se sentir que está sobrecarregado, podemos rever seu posto de monitor.

— Não. — falei de pronto. Não era minha atividade favorita, mas o orgulho estampado nos rostos dos meus pais quando recebi a nomeação é algo que não vou apagar. E o posto me garante um acesso muito mais livre ao castelo, o que vai facilitar e muito minha caçada ao impostor.

— Não muitos anos atrás o senhor teve problemas em lidar com pressão. Se for esse o caso novamente, por favor, entre em contato comigo ou com seus pais, sim? — seu olhar era gentil, mas eu não estava disposto a falar sobre meu quinto ano, em que comecei a tomar remédios para ansiedade. Não à toa eu tinha muita dificuldade em me soltar — um dos motivos pelos quais meus relacionamentos sempre foram fracassados. E justamente a razão pela qual eu havia decidido relaxar mais. Era o mesmo remédio que tomei na noite de ano novo, por estar me sentindo mal e o mesmo que eu estava ansiando tomar quando voltasse ao meu quarto.

— Estou bem. — menti e ela pareceu não acreditar muito.

— Se quiser, pode tomar alguns dias de folga.

— Se for necessário eu digo. — falei com toda a paciência do mundo. Minerva apenas assentiu, me olhando com compaixão.

— Já deve saber que a senhorita Weasley não poderá receber visitas de quem for de fora da família. Iremos encaminhá-la para a Dra. Giansantti. — ela não precisava dizer mais nada, pois era a mesma medibruxa psiquiatra que havia cuidado de mim na época do meu surto.

— Ela vai ficar muito tempo fora? — se fosse como meu caso ou até pior, aquilo talvez lhe custasse umas duas semanas. — E o Grêmio?

— Faremos o possível para que ela não seja prejudicada. E bem, como deve saber a senhora Weasley está próxima de se tornar Ministra, então isso já renderia alguns dias de folga para que eles a visitassem no próximo final de semana. Conversei com ela e logo ela estará aqui. Voltará quando a Dra. Giansantti julgar necessário. — meu olhar talvez parecesse desolado demais, pois ela logo acrescentou: — Sinto muito, Malfoy. Mas lhe garanto que ela estará em boas mãos. O senhor sabe.

— Acho que podemos usar essas belezinhas aqui. — Albus falava animado, segurando um saquinho de veludo preto. Ele havia convocado uma espécie de reunião após o almoço de terça feira no pátio, então eu, ele, James, Catherine, Tony e Fred estávamos lá.

— Vamos fazer o que com isso? Subornar o pessoal com alguns galeões pra ficarem de olho no impostos? — Tony ironizou ao pegar o saco da mão de Albus e tirar de lá algumas moedas e Catherine revirou os olhos, retirando da mão dele.

— Por que você não ouve primeiro?

— Usávamos para nos comunicar na Toca quando brincávamos de auror. Nossos pais usaram algumas semelhantes durante a escola para a formação da Armada de Dumbledore. — Fred explicou, pegando algumas moedas do saco enquanto franzia o cenho. — Mas o que você pretende? Essas são as versões mais simples, que tia Hermione fez só pra gente brincar.

— Como elas funcionam? — perguntei pegando uma. Pareciam normais.

— Você esfrega ela e todas as outras esquentam. Quanto mais perto você estiver da pessoa que esfregou, mais quente ela vai ficar. — ele fez o movimento e automaticamente o galeão em minha mão começou a aquecer e a vibrar. Estendi minha mão e conforme me aproximava a moeda vibrava ainda mais.

— Calma, não vamos usar essas. — Al pegou o saco de volta, recolhendo as moedas. — Claro que essas são mais simples. As da AD eram mais completas, mostravam o dia e o horário das reuniões deles. Mas a ideia é ótima. Se cada um de nós tiver uma dessas e o sistema de comunicação funcionar bem, podemos entrar em contato assim que alguém ver o impostor.

— O que todo mundo tá fazendo aqui? — a voz de Amanda soou um pouco alta atrás de mim e nos viramos para encará-la. Ela olhou de Albus para James e para mim. Parecia confusa.

— Bem, eu disse que era importante. — Al deu de ombros. — O que você achou que era?

— Achei que… — Amanda começou, mas se calou. Lancei meu olhar inquisidor para ela, que me ignorou, aparentemente envergonhada. — Deixa pra lá. Eu escutei a última coisa que você falou. O que provavelmente foi usado foi o feitiço do Proteu.

— Mas nem aprendemos esse feitiço ainda. — Tony resmungou e Amanda sorriu minimamente. Eu sabia que era porque ela era incrivelmente boa em feitiços e provavelmente já andava treinando.

— Acho que eu posso ajudar. Se quiserem podemos usar as moedas ou qualquer outro artefato. Vou pensar em uma maneira. Efetiva.

— Obrigado, Lore. — Al falou, entregando o saco para ela, que ainda parecia constrangida. — O importante é ser algo que todo mundo possa carregar facilmente por aí.

— Acho que a moeda pode ser algo fácil de perder. — comentei e Amanda assentiu. — Tentamos sugerir uma emboscada para tentar pegá-lo em alguma festa, mas Minerva não concordou.

— Não precisamos exatamente da permissão dela. — Catherine observou e eu assenti, sorrindo, me virando para Amanda.

— Para quando acha que consegue realizar o feitiço?

— Preciso praticar um pouco antes, pois só li sobre ele na teoria. Talvez eu precise de ajuda. — ela olhou para James, que desviou os olhos. Não pude deixar de notar que Amanda ficou chateada.

— Meu cargo está em jogo, não posso me meter nisso.

— Mas você vai usá-las, certo? — Al questionou, um pouco bravo.

— Vou, mas duvido que ele pareça na minha frente tão facilmente.

— Bem, ele precisa de uma fonte pra se transformar em você. — Fred pontuou e James suspirou, levantando-se do banco..

— Preciso preparar os materiais pro treino da Lufa Lufa hoje. Vejo vocês por aí.

— Albus, seu irmão está péssimo. — Catherine externalizou o que todo mundo ali estava pensando. Amanda suspirou, acompanhando-o com olhar.

— Logo isso acaba e ele vai ficar melhor. — Fred garantiu. — Preciso correr pra aula de Runas. A cada dia me arrependo mais de ter pegado essa matéria.

— Vou com você. — o anúncio de Catherine fez Tony revirar os olhos, que se afastou sem dizer nada.

Amanda olhava de um jeito estranho pra Albus, então eu a cutuquei. Como se tivesse despertado de um transe, ela pigarreou.

— Bem, eu queria dizer… Que… Obrigada.

— O que, por hoje mais cedo? — perguntou distraído enquanto guardava o saco de moedas na mochila. — Não foi nada demais. Dominique não é minha prima favorita, mas ainda sim tenho consideração. E você também não merecia ouvir aquilo. — ele deu de ombros, encarando ela por um instante, mas sem se demorar, voltando a atenção para mim. — Vamos pra Poções?

— Eu preciso fazer algo antes. — comentei, colocando as mãos no bolso. Pude ouvir Amanda bufar. É óbvio que ela sabia que eu iria interrogá-la. — Te alcanço daqui a pouco. — Al deu de ombros, saindo sem se despedir. Enquanto ele se afastava, me virei para encarar minha amiga. — O que está acontecendo?

Depois que Dominique e Roxanne me contaram que a escola estava inventando fofocas sobre o que aconteceu era Amanda, Dominique e James, ela me contara tudo. Que sim, ainda estava vendo James, mas não de uma maneira romântica. Eles estavam tentando compreender alguns momentos que Amanda teve aparentemente com o impostor e, bem, ela estava irada.

— Eu não estou ligando para as fofocas, você sabe. — comentou ao ajeitar a mochila e ir em direção ao castelo. Acelerei o passo para acompanhá-la. — Mas hoje alguns idiotas da Sonserina ficaram falando coisas sobre… — ela respirou fundo, abaixando a voz quando estávamos próximos do Saguão. — Termos feito um menáge ou qualquer coisa do tipo.

— Quem foi o idiota? — perguntei irado, mas ela balançou a cabeça negativamente.

— Não importa quem foi, ele não vai fazer de novo. — ela parou de andar no mesmo momento em que parou de falar para me olhar. — Albus me defendeu. Quero dizer, defendeu a nós duas.

— Hoje cedo?

— Sim, na aula de transfiguração. Por Merlin, não estamos tendo quase nenhuma aula juntos mesmo.

— Bem, temos herbologia. — dei de ombros. — Mas então… Vocês estão de boa?

— Bem, eu esperava que ele fosse vir pedir desculpas por tudo que me fez todos esses anos. — abri a boca para rebater, mas ela bufou, voltando a andar. — Eu sei o que você vai dizer, Scorpius. Mas ele não facilitou pra mim.

— Sim, é verdade. Mas você também não facilitou pra ele.

— Se for para defendê-lo, nem precisa continuar.

— Amanda. — foi minha vez de parar. — Você é muito orgulhosa, sabia?

— Me diga uma novidade.

— Preciso descer para as masmorras. Mas o que custa enterrar as inimizades? Vocês eram só crianças. E bem, se quer minha opinião você está disposta a se aproximar. Só precisa admitir isso pra você mesma.

— Mas eu não pedi sua opinião. Pedi? — ela estava irritada, então me limitei a apenas suspirar pesadamente antes de sair.

— A Amanda me contou o que rolou mais cedo. — comentei quando me sentei ao lado de Albus. Ele respondia um bilhete de uma garota da grifinória de maneira sorridente antes de finalmente se virar para mim.

— Ah, não sei o que tá passando pela cabeça dela, mas é bom pra ela ver que eu não sou o monstro que ela acredita. Mas também não quer dizer nada. Essa história tá me enchendo o saco e você sabe como o Smith é nojento.

— Bom saber que foi ele. Vou lembrar disso da próxima vez que vê-lo no corredor. — sorri zombeteiro e Al me acompanhou, mas parando de repente para buscar algo na mochila.

— Tem uma coisa que eu queria falar com você, também. Acho que seria uma boa você ficar com isso. — ele me estendeu um pergaminho surrado e, olhando para os lados, sacou a varinha. — Eu juro solenemente não fazer nada de bom. — assim que a ponta da varinha tocou o pergaminho e as palavras começaram a se formar e eu compreendi.

— É o Mapa do Maroto? — perguntei aos sussurros. Já havia ouvido Fred falar sobre, pois por muitos anos James o tivera em mãos, mas nunca tinha visto pessoalmente.

— Como você é o único que presta no grupo e por isso é monitor, achei melhor deixar com você. Vai ser útil nas suas rondas. — ele abriu o Mapa e pude ver nossos nomes e dos nosso colegas na sala. Ele também indicava que o professor Slughorn estava vindo para cá, então com outro aceno Al disse: — Malfeito, feito.

— Vou ficar de olho na região do dormitório dos professores e funcionários. — informei, guardando o mapa na minha mochila. — É o único lugar que posso pensar de imediato.

— Sei que não tem muito o que fazer porque não sabemos quem é, mas acho de verdade que temos que armar algo. — ele abaixou o tom de voz, se aproximando. — Catherine não quer contar o que viu na penseira, mas parece que as memórias de Rose não são nada bonitas. — cerrei os punhos instantaneamente.

— Ainda tem o fato de que Dominique e Amanda também tiveram contato com esse cara.

O assunto se encerrou assim que Slughorn finalmente entrou na sala, mas eu não conseguia parar de pensar o quão me sentia impotente, sem nada efetivo para fazer. E o quanto eu estava sentindo falta de Rose.

...

— Scorpius, acho que você vai gostar disso. — Fred me lançou o jornal que quase caiu no meu prato de ovo mexido. Resmunguei, ainda sonolento. Andava tendo dificuldades para dormir e tinha oficialmente voltado a tomar meus remédios. O problema era que a adaptação estava complicada, fazendo com que eu trocasse o dia pela noite em alguns momentos. E aguentar o interrogatório via carta da minha mãe e até mesmo de meu pai do porquê eu precisar deles novamente estava enchendo o saco.

Quando abri o jornal um alívio enorme encheu meu peito: lá estava Rose ao lado de Hugo e dos pais, na cerimônia de posse de Hermione Weasley. Era sábado, então fazia exatamente uma semana que Rose estivera fora, mas parecia uma eternidade. Eu quase poderia afirmar que seu cabelo, até semanas atrás recém cortado, parecia maior. Mas era ridículo, óbvio que não estavam.

Apesar de estarmos nos despedindo do inverno, ela usava roupas de frio bem fechadas e sóbrias. Sorria minimamente para a foto, com uma mão dada à mãe, que acenava com a outra. Rose parecia… Diferente, de alguma forma.

— Ela não parece bem. — a voz de Dominique soou do meu lado e eu ofereci o jornal à ela. — Minha mãe e minha irmã estão passando um tempo com ela também, Scorpius. Vou enviar uma carta à ela hoje, se quiser posso passar algum recado. — era estranho notar que Dominique e Roxanne estavam genuinamente preocupadas com Rose enquanto Lily parecia nem sequer dado falta de que a prima estava ausente. Mas minha cabeça não poderia se dar ao luxo de pensar em mais um assunto, então sorri para Domi.

— Diga que ela me deve um enc… Uma ida à Hogsmeade. — ela me olhou como se eu fosse doido, mas assentiu. — E que espero que ela fique bem, claro.

— Pode anotar aí também, da minha parte mesmo, que tem alguém doidinho esperando ela voltar pra finalmente… Ai! — não deixei Fred terminar, pois chutei sua canela, atraindo alguns olhares e risos. — Qual seu problema?

— Foi merecido. — Roxanne sussurrou alto propositalmente enquanto passava geleia em sua torrada e Fred a olhou com raiva.

— Se aquele idiota quisesse algo com você ele estaria atrás, não é? Não pode me culpar por ele sumir.

— Claro que posso! Você não sabe segurar sua namorada. E seu showzinho foi patético no duelo ontem, de novo. — ela largou a faca.

Realmente, a rixa entre Tony e Fred parecia ficar cada vez pior. E para ser sincero, já que dessa vez eu que estava responsável pelo grupo em que eles estavam, Fred realmente jogo um pouco baixo. Dei toda a razão para Tony ficar puto, até porque o golpe foi pelas costas, depois que eu já havia anunciado o término do duelo e porque Fred já havia ganhado.

— Fiquei fora por alguns dias e já estão com saudade e admirando minha beleza no jornal? — a voz de Hugo soou. Virei para encará-lo e ele tinha um sorriso no rosto enquanto cumprimentava Fred com um toque de mão.

— O que você tá fazendo aqui? Achei que voltaria só semana que vem. — Dominique o cumprimentou com um beijo no rosto.

— Você sabe como minha mãe é. — ele revirou os olhos, se sentando enquanto se servia. — Disse que eu perdi aulas demais e não podia vacilar com os NOMs perto.

— Eu preferiria mil vezes estar preocupado com os NOMs. — Fred comentou, colocando uma torrada na boca. — O NIEMs tem me tirado o sono.

— E a Rose, como está? — não consegui me controlar e perguntei, ansioso, cortando Fred. Haviam coisas mais importantes que provas estúpidas. Hugo estava de boca cheia, então pediu com a mão que eu esperasse um pouco.

— Está aqui com nossos pais no escritório da Minerva. Ela insistiu pra voltar, mas mamãe queria se certificar de que... — ele se calou, olhando para os lados, mas eu pude imaginar que fosse a respeito da situação do impostor ou da continuidade das sessões com a Dra. Giasantti. — Bem, acho que logo ela está aí.

Estávamos liberados para ir à Hogsmeade naquele final de semana, mas não tive vontade nenhuma. Estava com Albus e Amanda debaixo de uma árvore próxima ao lago negro — a mesma que eu estivera com Rose não muitos dias atrás.

— Quanto tempo isso vai demorar? — Al perguntou enquanto conferia o relógio de pulso, jogado na grama. Amanda revirou os olhos, irritada.

— Se quiser ir à maldita Hogsmeade vá logo. Não tem ninguém te impedindo.

— Não é isso. É que Rose já está no castelo e queria que ficasse pronto logo pra ela poder… — ele suspirou por um instante, sentando-se corretamente na grama. — Pra ela se sentir segura aqui. Ou pelo menos um pouco.

Amanda ficou um tempo em silêncio, com a varinha em riste, encarando Albus pelo que pareceu uma eternidade até ela finalmente pigarrear e abrir um saquinho de veludo vermelho, um pouco maior que o preto com os galeões de Albus.

— Bem, eu tentei algumas vezes, mas não tinha dado muito certo. As informações não chegavam para todas e quando chegavam apareciam ao contrário… Fiquei dia e noite tentando, até que finalmente consegui. — ela tirou o que pareciam ser pulseiras coloridas do saco, estendendo para nós. — Acho que pulseiras são uma excelente forma, pois assim não corremos o risco de perder e fica parecendo só um acessório qualquer. Pra não parecer que somos uma espécie de seita eu peguei uma de cada cor diferente. Bem, como somos muitos algumas cores se repetiram, mas isso é o de menos. — ela abanou a mão, separando as pulseiras. — Essa é sua. Me lembra seu cabelo. — Amanda me estendeu uma pulseira branca, sussurrando a última parte só para que eu ouvisse, com um pequeno sorriso, que desapareceu quando ela se virou para Albus, lhe entregando uma pulseira verde. — Pra você.

— Verde por conta da minha casa? Que original.

— É por conta dos seus olhos. — jurei que quase pude notar um rubor passando pelo seu rosto, mas ela soube disfarçar bem. — Bem, estou com as do Zabine, da Nott e da Weasley. — acrescentou rapidamente entregando a ele uma pulseira vermelha e outra azul. — Na verdade não sei que cor dar ao Zabine.

— Dá uma azul para combinar com a da Catherine, ele vai amar. — Al comentou rindo.

— Quem mais vai fazer parte? — questionei enquanto olhava para a entrada do castelo, distraidamente.

— Pensei em Hugo, Dominique, Fred e Roxanne. Além do meu irmão, claro. São os que estão mais próximos.

— E Lily? Tinha deixado uma separada…

— Ainda estou pensando no assunto. — a resposta de Al para Amanda soou meio misteriosa, mas ela não reclamou, até porque também compartilhava da impressão que Lily não era assim tão confiável.

— Bem, a pulseira vai mostrar a informação que quisermos na lateral. Basta aproximar a varinha e sussurrar palavras chave, como local, hora… Se for somente uma solicitação para nos reunirmos, ela vai somente aquecer. Se for urgente, vai vibrar ligeiramente também.

— Deveria comercializar uma versão disso pros outros alunos, Lore. É uma ótima tática pra marcar encontros no meio do dia. — Al assumiu um olhar sacana enquanto tratava o funcionamento da pulseira. Nem meio segundo depois senti a pulseira que estava na minha mão aquecer e vibrar, com os dizeres "sala precisa, em meia hora" se formando em um discreto tom prateado na lateral.

— Se você tentar usar pra esse tipo de finalidade todo mundo que tem a pulseira vai receber a informação, gênio. — ela resmungou, acenando com a varinha. Na hora a mensagem sumiu e a pulseira esfriou, parando de vibrar. — Ninguém está interessado em seus encontros ridículos.

— Sendo o gênio dos feitiços como você é, será que não rola descolar umas cinco dessas pra mim? Mas de um jeito que eu não consiga mandar pra todas de uma vez, sabe como é, pra não me dar mal. — ele falava distraído, sem notar que Amanda havia se levantado, pronta para ir embora. Seu olhar para mim era de indignação, mas ela não falou nada, apenas revirou os olhos. — Você consegue, não é? — quando ele finalmente se virou ela praticamente estava de volta ao castelo, e Al bufou, se levantando também. — Credo, foi um pedido singelo.

— Você estava falando sério? — questionei rindo, me levantando também e indo em direção ao castelo. Albus só poderia estar de brincadeira. Mesmo com tantos problemas que o alto número de garotas que ele andava se encontrando ele ainda não havia aprendido.

— Scorpius, a vida é muito curta pra perder tempo me desdobrando de sala em sala de cada uma pra marcar encontros sem que as amigas deLas vejam. A pulseira seria perfeita.

— Se você acha mesmo, melhor tentar dar conta por si só. A Amanda não vai querer fazer parte disso.

— Não deve ser tão difícil. — deu de ombros, colocando a própria pulseira.

— Aí está você! — a voz de Catherine soou do alto da escada. Ela parecia irritada, mas não prestei atenção no que ela falava para Al. Rose estava pouco atrás dela, esperando a escada terminar seu movimento para continuar a descer.

Ela tinha um sorriso mínimo nos lábios e seu olhos estavam mais azuis que o normal. Parecia um pouco cansada devido às olheiras, mas seu semblante era sereno. A blusa preta de gola alta escondia levemente os cabelos, mas dava pra perceber que alguns cachos estavam formados.

Quando elas finalmente desceram as escadas e pararam de frente para nós eu senti que não tinha o que falar, apesar de querer falar muitas coisas. Não queria ser invasivo nem nada. Queria saber tudo, dizer o que pensei nos últimos dias e todos os rascunhos de bilhetes que deixei de lado. Mas vê-la ali, sorrindo para nós… Sorrindo para mim… Me bastou. Rose estava segura. Estava bem na minha frente. Minha ansiedade e minha curiosidade poderiam esperar até que ela quisesse falar. Vê-la já era suficiente.

Notas finais
Revisar está sendo algo difícil, então se tiver algum erro podem me informar que eu edito. Sinceramente não sei se é um dos meus capítulos favoritos, porque acabou servindo mais de "ponte" pro que está por vir. Mas isso só me deixou mais animada pra escrever tudo o que eu quero logo hahah Quem sabe vocês não me inspiram nos comentários com algumas suposições sobre o que está por vir? Amo ler algumas teorias hehehe Ainda estou um pouco atolada de coisas pra fazer, mas deu uma boa aliviada, então talvez eu volte logo. AGORA UMA NOTÍCIA MUITO BOA QUE ALGUNS JÁ DEVEM SABER: Junho também está chegando e com ele o Junho Scorose! Sim, o Nyah! vai ficar lotado de fanfics maravilhosas do nosso casal favorito. Fiquem de olho hihi Mais informações no twitter @JScorose e no tumblr junhoscorose.tumblr.com São várias autoras reunidas com os mais diversos plots. Vai ser uma overdose Scorose ♥ Estou escrevendo uma one e uma short, então conciliar a escrita de Freedom com elas + trabalhos da faculdade está sendo uma loucura, mas prometo que vou fazer de tudo para não demorar aqui, nem que isso exija capítulos menores. Bom é isso! Quero MUITO a opinião de vocês a respeito do capítulo e da história no geral. Obrigada por lerem até aqui! Beijos ♥