Freedom

3 Quando a competitividade fala mais alto


Notas iniciais
Obrigada a todos que comentaram no último capítulo, e obrigada a Clark que já recomendou a fanfic

Quando a competitividade fala mais alto

A organização do baile ia a todo vapor. Optei por convidar Catherine e Albus, mas Albus perdeu totalmente o foco ao ver que Malfoy tivera a ideia de escolher Fred e Amanda. E com toda certeza ele não estava de quatro por nosso primo menos detestável.

– Caramba Al, você não consegue parar de babar um pouco, não? – Catherine estava nervosa. Os cabelos negros presos em um coque que a essa altura já estava todo desgrenhado.

– Não estou babando. – ele respondeu azedo e eu suspirei pela milésima vez no dia. Estávamos separados em grupinhos tomando conta de determinada coisa. Eu, Cat e Al éramos responsáveis pela comida. Se dependesse de Al todos morreriam envenenados.

– Que bicho te mordeu? – Cat perguntou após finalizar alguns desenhos sobre possíveis aperitivos, que de bem aparentáveis não tinham nada. Acho que Cat levou a sério demais o lado de aterrorizar. Quem iria gostar de comer um bolinho e surgir uma mão (recheada de chocolate) lá de dentro? Bizarro, porém genial.

– Ela está com James. – ele sibilou e eu ergui os olhos, um pouco confusa.

– Não é meio irônico ela detestar você, mas sair com seu irmão? – comentei e Al me fuzilou. Sorri maldosamente. – Até nisso seu irmão é melhor.

– Não por muito tempo. – Al rebateu e Catherine bufou.

– Rose, poderia ter chamado o Tony. – eu e Al olhamos para Catherine como se ela estivesse maluca. – O que foi?

– Vocês se odeiam. – Al argumentou

– Tipo, muito. – acrescentei, enfatizando o ódio.

– Apenas temos alguns desentendimentos. – ela deu os ombros, voltando a desenhar.

– Uau, você tem criatividade. – ouvimos uma voz logo acima de nossas cabeças. Era meu primo, Fred.

– Obrigada. – Cat agradeceu e voltou aos desenhos.

– E aí priminhos. Tudo certo por ai? – ele sorriu e eu e Al nos entreolhamos. – Qual é, somos da mesma família. Não sou como Roxy, Nique ou Lil’s.

– Tudo certo. – falei meio sem jeito. – E por lá?

– Estamos nos empenhando. Vai ser a melhor decoração que Hogwarts já viu. – nosso primo sorriu triunfante. – Mas... – Fred olhou para Cat, que estava distraída. – Eu gostaria mesmo é de saber se a senhorita Nott gostaria de ir comigo ao baile. – Cat subiu os olhos lentamente, completamente muda.

Eu e Al nos encarando sem saber se ríamos ou achávamos ruim. Fred não era uma má pessoa, afinal. Por fim não agüentamos e precisamos de muito esforço para não rir.

– Ah... Okay. – Cat conseguiu encontrar a voz e o sorriso. Fred desarrumou os cabelos castanhos e sorriu.

– Okay. Vou voltar ao... – ele sinalizou o local onde estava Scorpius, andando para trás e olhando para Cat. – Ao que eu estava fazendo. – ao se virar ele acabou trombando em Anthony, que tinha os braços cruzados. – E aí Zabini! – Fred sorriu, mas Tony mantinha a cara fechada. – Bom, com licença.

Fred saiu da frente de Tony o mais rápido possível e se juntou animado a dupla de Grifinórios que estava entretida conversando. Os dois estavam entretidos até demais.

– Conversa bem íntima a dos dois. – Al comentou e eu balancei a cabeça, parando de encará-los, para encarar Tony.

– O que faz aqui? – perguntei exausta e ele indicou o relógio.

– Nós quatro tínhamos poker hoje. Esqueceram? – nós três nos encaramos apreensivos. Nosso poker era sagrado. Tony estava realmente muito bravo. – Estou esperando faz horas. E pelo jeito três pessoas aqui vão ter que me pagar uma rodada de cerveja amanteigada na próxima ida a Hogsmead. – ele sorriu triunfante e nós reviramos os olhos.

– Pelo menos fizemos um bom trabalho aqui hoje. – Catherine deu os ombros e Tony arregalou os olhos, se sentando em uma mesa.

– Está desprezando a noite do poker? É sagrada!

– Tanto faz. – Cat se levantou, indo até a mesa de Minerva para entregar-lhes os desenhos detalhados sobre os aperitivos da festa. Al espreguiçou-se e eu me apoiei nos cotovelos.

– Podemos jogar hoje ainda... – Tony sugeriu esperançoso e nós demos um muxoxo.

– Estou cansada. – falei e Al assentiu.

– Não estou com cabeça.

– Aceita jogar comigo, Nott? – Tony perguntou sem entusiasmo, prevendo que ela diria que não. Mas para a surpresa de todos Catherine aceitou, o que fez Tony ficar paralisado na frente dela por alguns segundos. – Sério?

– Vamos antes que eu mude de ideia. – ela revirou os olhos e começou a andar, saindo da sala. Tony foi atrás dela após alguns segundos, recuperando-se do choque.

– Acho que o convite de Fred fez bem a ela. – comentei rindo e peguei minha mochila.

– Pelo menos alguém já tem um par. – o Potter de olhos verdes resmungou enquanto andávamos pelo corredor.

– É mais fácil contar as pessoas que não possuem um par. – rebati e Al assentiu.

Sempre que havia bailes ou coisa assim nós sempre íamos em quatro. Mas esse ano seria diferente, agora que Cat havia sido convidada por Fred.

– Olha Rose, sei que sempre vamos juntos, mas é nosso último ano... – ele falava rapidamente. Al tinha a mania de falar e pensar rápido demais, quase que em um ritmo frenético. – Acho que devemos tentar novas experiências. Sabe, eu jamais levaria um fora da minha prima querida ou da minha amiga de infância. Mas de Amanda Lore, por exemplo...

– Quem disse que não lhe daria o fora, Albus Potter? – perguntei arqueando a sobrancelha.

– Você é minha amiga, prima. Jamais me daria um fora. – ele gabou-se. – Além do mais não tem outra pessoa com quem ir ao baile. – parei imediatamente ao ouvir aquilo e ele se virou, arrependendo-se.

– Aposto que consigo um par antes de você.

– Rose, nós somos as ovelhas negras, sonserinos. – Al sussurrou, se aproximando. – Ninguém realmente gosta da nossa companhia. – Eu ainda sou um Potter. O único desde que James saiu. Ainda tenho algum crédito.

Semicerrei meus olhos. Al estava realmente dizendo que ninguém podia se interessar por mim? Que ele era mais interessante que eu? Ninguém me desafora desse jeito, nem mesmo meu primo.

– Vou te mostrar quem é que “tem algum crédito aqui”, priminho. – sai esbarrando no ombro dele, andando apressada, e Al veio atrás.

– Rose espera! – ele deu alguns passos para me alcançar e me segurou na parede. Antes que ele pudesse dizer alguma coisa ouvimos vozes no corredor ao lado. Nos entreolhamos e demos uma espiada.

Al arregalou os olhos assim que viu nossa querida prima Roxanne Weasley perigosamente perto do nosso professor de vôo.

– Não devemos fazer isso por aqui... – ele sussurrava, tentando controlar-se com Roxanne praticamente se esfregando nele.

– Shhh. – ela beijou-o e juro que eu podia vomitar ali mesmo. Ela abriu a maçaneta da porta em que estava encostada e ambos entraram lá. Al ainda estava perplexo, mas eu já havia presenciado algo do tipo fazia um tempo.

– Eu não posso acreditar! – Al sussurrou e eu ri irônica.

– Depois somos nós as ovelhas negras. – comentei indo em direção ao corredor e parando na frente da porta. Olhei para os lados e achei mais seguro me esconder atrás de uma estátua ali perto. Puxei Al comigo e sorri marota. – Observe. – apontei minha varinha para a porta e murmurei um feitiço que deixaria minha prima, no mínimo, encantada.

Não passou um minuto e Roxanne escancarou a porta agonizando, com enormes baratas andando pelo seu corpo. Vale lembrar que ela estava sem sua camisa do uniforme.

Ela berrava, tentando retirar as baratas de cima dela, enquanto o professor Edmundo Teller tentava acalmá-la, e levá-la para dentro da sala novamente, para que não chamasse a atenção de ninguém.

Mas aquilo chamou. E Minerva apareceu segundos depois. Teller ficou apavorado e pude sentir Albus ao meu lado prendendo a respiração.

– Eles foram pegos!

– Ah não... Eles são espertos. – sussurrei em resposta. – Mas é melhor não ficarmos aqui para saber. – puxei-o e saímos dali o mais rápido possível.

Assim que chegamos até as masmorras esperamos que Cat e Tony estivessem jogando algum jogo de cartas, ou algo assim, mas eles estavam de pé discutindo. Revirei os olhos e joguei minha mochila no chão.

– Alguém quer me explicar o que está acontecendo aqui? – perguntei em voz alta, já cansada. Cat bufou e se virou, mas foi Tony que explodiu.

– Ela vai com o Weasley ao baile! Com o Weasley! – Tony parecia muito alterado. – Sem ofensas Rose. – ele acrescentou rapidamente, mas eu fiz um gesto com a mão como se não tivesse problema. – Todos os anos vamos os quatro, e ela resolve simplesmente aceitar o convite sem nem nos consultar.

– Ela já tem dezessete anos, cara. Ela faz o que quiser. Alias, nós todos aqui temos. Ir os quatro estava ficando meio miado. – Al argumentou se jogando no sofá. – Arranje uma garota legal para ir. Se divirta. Vire homem. – ele estava fechando os olhos, quando Tony apontou a varinha para ele e fez com que bombinhas começassem a estourar. Al levantou-se em um salto, reclamando. – Ai! Você pirou?

– Já chega. – pedi e Tony fuzilou Al.

– Isso não acabou, Potter.

– Por falar nisso, Potter, nossa aposta ainda está de pé. – falei de nariz erguido e Al revirou os olhos.

– Que seja. – e voltou a se atirar no sofá, recebendo uma almofadada na cara de Tony.

...

Eu estava realmente empenhada em mostrar ao Al que eu poderia sim ser capaz de ter um par para o baile. E se tornou questão de honra após ficar estabelecido que teria que ser alguém de uma casa rival.

Fred me contou que Al estava planejando convidar uma garota da Lufa-Lufa, mas eu tentaria alguém da Grifinória para mostrar a ele minha superioridade.

Mas quem eu não sabia.

Cat e Tony discutiam frequentemente, o que me deixava muito irritada, e agora eu e Al estávamos em competição, e quando isso acontecia nos afastávamos. Resumindo: eu passava cada vez mais tempo na biblioteca.

Foi em um desses dias que Scorpius Malfoy se sentou na cadeira da frente, com a mão na cabeça, como se estivesse adivinhando alguma coisa. Revirei meus olhos para aquela cena.

– Deixe-me ver... – ele fechou os olhos, fingindo fazer força para pensar. Eu não sabia em que ponto exatamente permiti que ele fizesse brincadeiras do tipo comigo. Era apenas um trabalho em dupla que tínhamos que fazer para Defesa Contra as Artes das Trevas. – Você e Albus estão em competição novamente, acertei?

– Sim, ó gênio. – me permiti entrar na brincadeira um pouco, e sorri minimamente. – Não esqueça de mencionar que Catherine e Tony estão brigando feito cão e gato.

– Ah, claro, eu iria dizer isso, claro. – ele deu os ombros e eu ri pelo nariz. – Não precisa ser muito inteligente para saber disso. Apenas conhecê-los há anos.

Apenas sorri, arrumando minhas anotações. Malfoy começou a folhear um livro, mas parou após vinte minutos.

– Qual o motivo da aposta? – ele perguntou e eu ergui meus olhos, cética. – Dependendo do motivo eu posso favorecer você. Ou o Al.

– Ele duvidou que eu fosse capaz de conseguir alguém para ir ao baile porque... Bem, eu sou Rose Weasley. – sorri irônica e ele riu pelo nariz.

– E ele um Potter. – ele logo deduziu e eu apenas assenti. – Ele vem tentando convidar a Amanda para sair com ele. Eu e ela somos grandes amigos, então acho que estou do seu lado dessa vez. Só dessa vez.

– Que honra. – ironizei sem emoção.

– Você poderia ir comigo. – ele deu os ombros e eu revirei os olhos.

– Alvo relativamente fácil demais. Seria o mesmo que ele chamar Lily para o baile. – retruquei e ele torceu o nariz.

– Sou como um irmão para você?

– Não viaja, Malfoy. – revirei os olhos mais uma vez e ele deu os ombros.

– É, ir comigo não mostraria ao Al que você pode seduzir alguém. – o loiro colocou a mão no queixo, pensando. – Talvez você possa ir com Lorcan, Charlie ou Ezra. Oh não, Ezra não. Ele é fascinado pela Lily. Isso te deixaria muito entediada.

– Obrigada por pensar no meu bem estar. – falei com um tom de deboche e ele sorriu triunfante.

– Sou um ótimo amigo. – ergui as sobrancelhas com a menção ao termo “amigo”, mas não pude retrucar pois Amanda Lore chegou. Ela sempre estava grudada nele. Chegava a ser nauseante.

– Scorp, seu amigo é um idiota! – ela ralhou e depois me viu ali. – Desculpe. – falou rapidamente. – Mas aquele Potter é irritante!

– Mas você gosta do outro. – Scorpius sorriu e Amanda bufou, se permitindo sorrir um pouco. Ergui as sobrancelhas. Então era mesmo verdade. Uau.

– Vamos ao baile comigo? – ela perguntou, quase implorando. – Por favor, eu não suporto mais ele azarando cada pretendente. – Amanda soltou um muxoxo e eu ri baixinho, atraindo os olhares dos dois. – A não ser que vocês vão juntos. Eu me viro, não tem problema.

– Por que iríamos juntos? – Scorpius perguntou. Amanda olhou para ele, mas não respondeu.

– Preciso fazer meu dever também. Boa sorte. – ela sorriu e eu acenei. Scorpius se virou para mim, voltando a ler o livro, mas quem não estava muito interessada agora era eu.

– Qual é a do Charlie e do Lorcan? – perguntei e ele sorriu, sem tirar os olhos do livro. Até que ele não era uma péssima companhia.

...

No fim do dia eu tinha a ficha completa de Lorcan Scamander e Charlie Benson. Ambos eram da Grifinória. Lorcan era loiro, alto e tinha olhos azuis. Charlie era mais baixo, tinha cabelos castanhos rebeldes, olhos negros e uma cara de deboche. Lorcan era arrumadinho, com cabelo alinhado. Charlie era meio jogado, não ligava muito para vaidade. Lorcan dominava poções, enquanto Charlie dominava Defesa Contra as Artes das Trevas. Lorcan adorava ler. Charlie preferia duelar ou jogar quadribol. Lorcan adorava As Esquisitonas. Charlie amava AC/DC.

Fui perguntar a opinião de Cat e Tony. Obviamente eles discordariam, mas quando Tony respondeu que preferia Lorcan eu achei que pela primeira vez na vida eles concordariam.

– Com toda certeza o Charlie! – Cat exclamou quando estávamos nos trocando no dormitório. Parei de ajeitar minha gravata e me virei para encará-la ceticamente.

– Sério isso? – estranhei, mas ela não esboçava sinal de ironia.

– Ele parece ser muito mais legal, incrível e charmoso do que o Lorcan que é certinho demais. – ela revirou os olhos, terminando de dar nó na gravata e levantando-se. Concordei internamente com ela, já que, de fato, Charlie me agradara mais.

Descemos as escadas juntas e vimos Tony. Ótimo. Eles provavelmente iriam discutir.

– E então Rose. Preparada para escolher Lorcan? – ele sorria de orelha a orelha, quando Cat revirou os olhos.

– Ela vai escolher o Charlie. – disse simplesmente, e Tony fez a cara de indignação que sempre faz quando Cat o afronta.

– Ele é uma péssima influência!

– Ele é legal! – ela rebateu.

– Ele é um babaca!

– Ele tem muito conteúdo!

– Espera, espera! – pedi entrando, literalmente, no meio dos dois. – Algum de vocês conhece ele?

– Não. – eles responderam sinceramente e eu revirei meus olhos, ajeitando minha mochila.

– Que seja. Só preciso vencer Albus. Além do mais o Charlie parece ser realmente interessante. – sorri para Cat, que olhou vitoriosa para Tony.

– Adoro quando você perde. – Cat disse em uma voz melódica.

– Odeio quando você ganha. – Tony rebateu praticamente em um rosnado.

– E eu adoro ganhar. – comentei sorrindo, mais para mim mesma do que para os dois. Albus poderia ser meu primo, mas era mais forte do que eu. Ninguém afrontava uma Weasley. Principalmente se seu primeiro nome for Rose.

Notas finais
No próximo capítulo O BAILE DE HALLOWEEN! Narrado pelo Scorpius. Comentem bastante pro próximo sair rapidinho ! Beijoss