Free Soul

4 O primeiro show é muito importante


FESTA NO EIXO

Não perca!

Participação: Banda Free Soul

O desenho de um pássaro estava abaixo do nome da banda.

O panfleto se desfazia por causa da chuva. Ele havia sido colocado num local inapropriado.

Debaixo de uma sombrinha, Arthur suspirou ao ver o “belo” trabalho que havia feito na tarde anterior. Devia ter escolhido um lugar coberto para colocar aquele papel e não o cercado de arame que delimitava as rampas de skate, patins e bicicletas.

O inglês notou que apesar da fraca chuva, havia vários acadêmicos usando as rampas. Um deles era Alfred realizando manobras com a bicicleta. O americano fazia um flair com a bicicleta (um salto mortal) mesmo com o local mochado, e era aplaudido por Anly e Abel, os irmãos apresentados por Kiku.

Arthur colocou a mão no cercado observar com mais atenção. Quando Alfred terminou de executar suas manobras, a belga falou alguma coisa para o irmão e correu até o calouro. O americano sorriu ao vê-la e depois começaram a conversar animados.

O inglês não pôde deixar de sentir uma ponta de ciúmes.



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Ivan dividia um apartamento de dois quartos com Francis. Apartamento grande, com sala, sala de estar e cozinha. Uma boa área de serviços... Tudo muito bom. Pena que o francês não era o melhor colega de quarto de todos, já que só vivia trancado no quarto ou fora da casa, mas pelo menos aceitava tudo o que ele dizia.

O russo terminou de se vestir, pegou a sombrinha e foi até a porta do quarto de Francis.

– Bonnefoy? — Ele bateu mais forte, embora sorrisse. – Abra, Bonnefoy – Bateu com mais firmeza.

Não demorou muito para o francês abrir e colocar apenas a cabeça pra fora.

B-bonjour, Ivan. – Francis forçava um sorriso – O que quer? Por acaso vieram cobrar o aluguel mais cedo?

– Não. Está tudo bem com o aluguel. É que uns gemidos me acordaram de madrugada. Eram fracos, mas interromperam meu sono – Uma áurea roxa assustadora se formava em volta do maior – Sabe algo a respeito?

– Gemidos? A-ah! D-deve ser uns vídeos que eu estava vendo ontem. Pardon! Pardon, eu achava que estavam em um volume mais baixo.

– Vídeos, é? Achei que tinha trazido alguma pessoa pra cá. Você sabe que fizemos um pacto de não trazer ninguém sem a minha permissão.

– C-claro. Vou deixar o volume mais baixo.

– Obrigado. Eu vou sair com minhas irmãs. Quer ir?

– N-não, não. Eu tenho ensaio com a banda hoje. Fica pra outra hora.

– Até mais. Boa sorte no ensaio.

Francis esperou o russo se afastar e sair do apartamento. Quando teve certeza que seu colega de quarto foi embora, suspirou e trancou a porta.

Ele estava sem nenhuma roupa na verdade.

– Quem era? – Perguntou confuso um canadense loiro e de olhos claros que estava nu em sua cama. Era muito parecido com Alfred.

– Meu colega de quarto, mon petit Matthew. Ele não gosta quando eu trago pessoas sem avisar. Acabou ouvindo seus gemidos.

Matthew ficou bastante vermelho e voltou a se deitar, agora de costas para o maior e cobrindo-se com o lençol.

– D-desculpe. Era pra eu ter dormido na casa do Alfred. Eu não devia ter vindo pra cá. Agora você quase foi flagrado.

– Não precisa se desculpar. — Francis se deitou por trás do canadense e passou a mão pela coxa do menor, perto da virilha — Você é uma companhia muito melhor que aquele brutamonte.

– A-F-Francis... — Gemeu baixinho.

O francês mordeu a orelha do menor. Encaixou seu quadril no do canadense e seu sexo começou a friccionar nas nádegas de Matthew enquanto acariciava a virilha dele.

– F-Francis... S-seu ensaio...

– Eu não estou com tanta pressa, e você?

– M-minhas pernas estão doloridas.

– E não podem aguentar mais? – massageava o membro do menor.

O canadense foi ficando cada vez mais excitado. Tentava resistir agarrando o travesseiro, mas o membro rígido do francês o cutucava por trás.

– F-Francis!!

Matthew se virou de bruços. O francês começou a se mover em cima dele.

O balanço exagerado da cama arranhava o piso.



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Na casa de Vash, o suíço trazia um café para seus visitantes. Antônio desligou o celular e deitou-se no sofá, com a cabeça apoiada nas pernas de Gilbert, que estava sentado ouvindo música no mp4.

– Francis não atende. Deve estar com alguém. Eu sei que está.

– Isso já era de se esperar do nosso francês. – O albino tirou um dos fones da orelha e colocou no ouvido do moreno.

– Mas já era pra termos começado o ensaio. E cadê o Arthur?

– Isso é ruim. – Vash reclamava tomando uma xícara de café – Vocês nem fizeram um show e já estão indisciplinados.

– Eles vão chegar, suíço. – O albino falava mexendo no mp4 – Tônio, o que acha desse som? A bateria é incrível!

– Pra mim as baterias são todas iguais.

– QUE?! Não são iguais! Não compare batidas incríveis com algo sem graça como o Ringo.

– Não fale mal dos Beatles. – Disse Arthur, que já havia entrado na sala.

Antônio tirou o fone do ouvido ao ouvir Arthur e se sentou. Ao lado do inglês estava Lily, a irmã de Vash. Uma mocinha muito parecida com o irmão, só que mais baixa e mais delicada.

– Kesesese! Chegou atrasado, Arthur. Achei que estava no quarto do Fran! – O alemão zombava.

– Eu teria que estar mais bêbado que o normal pra dormir com aquele frog.

– Eu o encontrei no caminho – Lily sorria gentilmente para os convidados – Havia ido falar com uma amiga que estuda aqui. Agora terei que devolver o guarda-chuva dela.

– Você mora aqui também, señorita? – Antônio sorria cordialmente pra a menina.

– Não. Eu só vim visitar o meu irmão. Ainda estou no colegial e minha escola é em outra cidade.

– Ele tem sorte em ter uma hermana tão doce e bonita como você.

Os olhos verdes do suíço pareciam querer matar lenta e dolorosamente o espanhol.

– Eu estava pensando nos detalhes da festa. – Comentava Arthur quebrando o gelo — Que horas pode terminar?

Vash bufou e olhou para o inglês:

– Umas duas horas.

– Duas horas?! – Gilbert se engasgou — DUAS HORAS?! Você não sabe nada de festa mesmo! Duas horas sai a galera que bebe suco de maçã!

– Então que horas sugere?

– Umas quatro.

– QUATRO!? Eu vou acabar falindo!

– Se a festa for boa, não. Podemos até fazer uma promoção! Mulheres e ukes não pagam!

Arthur e Vash bateram na própria cara.

– E que tal amarrarmos uma faixa amarela na cabeça dos ukes para diferenciar?

– Essa ideia imbecil está fora de questão!! – Vash embargou – Sem cortesias! Vocês tocam até a meia noite. Depois colocamos o DJ até as três da madrugada. Às quatro fechamos as portas. Pronto! E quem é o DJ mesmo?

– O Alfred se ofereceu – Arthur respondeu com azedume – Ele disse que não cobraria nada. Só um lanche no McDonalds.

– Que bom que economizamos no DJ também. Mas ainda vou ter que comprar muitas bebidas. É bom vendermos bastante ingressos. Agora vamos. Vamos até o porão e esperaremos pelo baixista lá.

Todos ficaram de pé e caminharam para o corredor. Vash abriu um alçapão lá e desceu as escadas primeiro.

– Vamos precisar apostar todas as fichas. – Antônio refletia – Arthur, qual música você acha que arrasaria na guitarra?

– Unf. American Idiot, do Green Day.

– É? Eu achei que ia querer uns solos mais incríveis como...

– Eu quero tocar American Idiot do Green Day!!

Os demais quase levaram um susto com a ação súbita do inglês.

– Não tocarão essa. – Vash foi incisivo – O DJ que vai trabalhar de graça é americano. Não podemos ofendê-lo indiretamente.

– Agora vai carregar Alfred no colo por causa do desconto. – O albino revirou os olhos.

– C-cale-se! Vamos começar os ensaios.



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Alfred passeava pelo campus com seu irmão Matthew e mais Anly e Abel. Apenas o canadense e a belga usavam guarda chuva. Isso porque Matthew havia trazido um extra para o irmão, que acabou oferecendo-o para Anly.

– Eu não sabia que você vinha, bro! Por que não me ligou?

– Quis fazer surpresa. Gostou?

– Claro! Mas onde você dormiu?

– A-Ah, b-bem, lembra-se do Francis? Aquele nosso vizinho? Ele me deixou dormir no quarto dele.

Uma gota desceu da cabeça de Anly e Abel.

- Que bom que aceitou entrar no nosso time, Alfred. – A belga mudou de assunto — Achamos que mais uma vez perderíamos a chance de competir contra os nórdicos. Meu irmão é um pouco assustador, então não conseguimos uma terceira pessoa.

– Irmã... – Abel murmurava constrangido.

– Se amanhã não estiver chovendo, podemos nos encontrar na rampa.

O americano olhou para a belga e ergueu sorridente o polegar:

– Eu não me importo com a chuva! Eu não fico doente porque eu sou um herói! Hahahá!

– Mas você pode levar uma queda, idiota. — O holandês argumentava em tom severo — Que nem levou hoje antes de fazer aquele flap.

– A-é. Só vi ficar um pouco roxa aminha perna, mas logo passa.

Anly parou de andar ao ver um cartaz da festa fixado em uma passarela.

– Irmão! Irmão! Olhe! Vamos participar?

Todos os outros olharam para o panfleto. Alfred sorriu:

– Há! Essa festa! Eu vou ser o DJ. DJ Hero!

– Vamos, irmão? Parece bem divertido!

O holandês virou o rosto um pouco tímido:

– Está bem.

– Não vão se arrepender! — Falava Alfred dando umas tapinhas nas costas do irmão — E você, Matt? O que quer fazer? Hoje sou todo seu!

–Bem, só vou embora umas oito da noite. Podemos passear por muitos lugares até la. Vou deixar você escolher.

– Beleza!

A belga olhou as horas no celular e deu meia volta:

– Tenho que ir, rapazes. Tenho aula no período da tarde. Até! — Acenou e saiu andando.

0 holandês se despediu dos irmãos americanos em silêncio e acompanhou a irmã.



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Pub mais barato nos limites da Axis, muito atraente para os acadêmicos.

Era noite e o local já estava com bastante pessoas. Não era bem iluminado e parecia um pouco pequeno pra tanta gente. Cheirava a coisa abafada.

– Eu não acredito que você me fez vir pra uma festa dessas, Mathias. — Falava um norueguês com voz de desprezo.

– Eu não acredito que você aceitou! – O dinamarquês abraçou-o animadíssimo – Melhor ainda! Sem o resto da turma! Apenas eu e você!

– Isso porque você não encheu o saco dos demais tanto quanto encheu o meu. – Rebateu indiferente ao abraço — Ali no palco... A banda deve ter chegado.

Mathias percebeu Francis e Gilbert arrumarem os instrumentos juntos com os demais.

– Aqueles ali são os membros da banda!? AQUELES CARAS!?

– Se arrumar confusão eu vou embora.

O maior fez beicinho:

– Não vou arrumar confusão, Anko. Eu já disse que só estava protegendo sua honra.

A banda se organizou no pequeno palco e o barulho da microfonia chamou a atenção do público.

Antônio bateu no microfone e ajeitou sua guitarra com estampa de tomates.

Bueñas noches, señores y señoritas! Vocês terão a honra de conhecer a banda Free Soul! Guardem esse nome pra sempre!

Gilbert bateu quatro vezes num dos pratos e depois partiu para os pratos de ataque, fazendo uma performace energética nas batidas.

– Na bateria, o incrível Gilbert!

Era possível ver a plateia interessada e isso almentou mais quando Francis começou a fazer uma escala no baixo, completamente de acordo com o ritmo da bateria. A bateria tinha o desenho da ave da bandeira da Prússia no timbalão.

– No baixo, o sedutor Francis!

Francis executava seus riffs com certa velocidade, piscando e sorrindo para a plateia.

– Anko, ele piscou pra você! – Mathias anunciou enciumado.

– Não foi pra mim, idiota.

Foi a vez de Arthur acompanhar a dupla na guitarra, combinando distorção e riffs, jogando com as sequências de uma casa a outra.

– Na guitarra, nosso tsundere Arthur!

“Eu vou matar esse vocalista!” pensava o inglês com vontade de bater em Antônio com o instrumento.

– E no vocal, eu! Antônio Carriedo. – Piscou com um dos olhos e começou a tocar a própria guitarra.


Surrender

(Cheap Trick)

Gilbert iniciou na bateria e foi seguido pelas nove batidas na guitarra de Arthur, tendo o baixo e a guitarra base por trás.

O som fez o público se animar, especialmente quando Antônio começou a cantar.

Mother told me, yes she told me

(Minha mãe me disse, sim ela disse)

I'd meet girls like yooou

(Que eu encontraria garotas como você)

She also told me stay away

(Ela também me disse: Fique longe)

You'll never know what you'll catch

(Você nunca saberá o que pegará)

Just the other day I heard of a soldier's falling off

(Um dia desses eu ouvi de um soldado que caiu de)

Some Indonesian junk

(algum lixo da Indonésia)

That's going 'round

(Que é isso que acontece por ai)

Mommy's allright, Daddy's allright

(Mamãe está bem. Papai está bem)

They just seem a little weird

(Eles só parecem um pouco estranhos)

Surrender, surrender

(Renda-se, renda-se)

But don't give yourself away

(Mas não se afaste de si)

Gilbert jogou uma das baquetas para cima num giro, pegou no ar e continuou batendo no instrumento.

Os intervalos de guitarra e dos demais instrumentos pareciam encher o local.

Father says your mother's right

(Meu pai diz “sua mãe esta certa”)

She's really up on things

(Ela realmente sabe das coisas)

Before we married Mommy served

(Antes de se casar ela serviu)

On the WACs in the Philippines

(Em WACs, nas Filipinas)

Now I had heard the WACs recruited

(Agora ouvi dizer que WACs recruta)

Old maids for the war

(Velhas donzelas para a guerra)

But Mommy isn't one of those

(Mas ela não é desse tipo)

I've known her all these years

(Eu a conheço bem todos esses anos)

Mommy's allright, Daddy's allright

(Mamãe está bem. Papai está bem)

They just seem a little weird

(Eles só parecem um pouco estranhos)

Surrender, surrender

(Renda-se, renda-se)

But don't give yourself away

(Mas não se afaste de si)

Arthur introduziu o riff na guitarra arrancando gritos saudosos da plateia.


Whatever happened to all this season's

(Não importa o que aconteça com todas essas temporadas)

Losers of the year

(De perdedores do ano)

Every time I got to thinking

(Toda vez que começo a pensar)

Where'd they disappear

(Por onde eles desapareceram)

Then I woke up, Mom and Dad

(Então acordo. Mamãe e papai)

Are rolling on the couch

(Estão rolando no sofá)

Rolling numbers, rock and rolling

(Rolando números, sacudindo e rolando)

Got my Kiss records out

(Levei meus discos do Kiss embora)

O refrão se repetia e os instrumentos eram tocados a todo vapor. A plateia já estava totalmente entregue à música. As guitarras, a bateria e o baixo ficavam no lugar da voz. O mais eufórico era Gilbert, enquanto Francis sorria e olhava de canto para o público.

Algumas pessoas erguiam os braços animadas, outras apenas cantavam a música, outros se limitavam a se mover no ritmo da música.

Quando a música terminou, o público já estava batendo palmas e festejando. Arthur não pôde deixar de sentir um frio na barriga. Viu Antônio olhar para ele e os demais membros e fazer um sinal com o polegar.

Gilbert bateu as baquetas três vezes e Arthur começou o riff de outra música.



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Um pouco tarde da noite, Alfred e Matthew esperavam na estação.

– Meu trem atrasou. — O canadense estava um pouco envergonhado- Você pode ir sem mim.

– Nem ferrando, bro! Eu sou o irmão mais velho! Não posso deixá-lo sozinho! Não é isso que os herois fazem!

– Mas tem aquela festa que você será DJ.

– Isso é só meia noite. E o suíço deixou meu equipamento todo lá. Posso ir assim mesmo. O herói mantém tudo sob controle! Hahahá!

O canadense sorriu e olhou para o irmão:

– Tente não fazer nenhuma acrobacia amanhã, ouviu? Você pode se machucar de novo.

– Minha perna já está parando de doer.

– Mas ainda está roxa.

Uma voz soou na estação, avisando que o trem já estava chegando. E de fato estava. Todos os passageiros se colocaram de pé e esperaram o veículo parar na plataforma.

– Chegou. — Matthew pegou a mala.

– Venha me ver nas férias! Eu vou visitá-lo quando tiver uma folga!

– Sim. Estude bem, Alfred. E divirta-se.

O canadense entrou no veículo. A porta do trem se fechou e o mesmo foi embora. O americano ficou acenando até perdê-lo de vista.



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A banda estava na sua última música, Beat it de Michel Jackson. Mais especificamente na parte do solo da guitarra de Arthur, que arrancava gritos da plateia.

Os irmãos Vargas passavam juntos pela multidão e só conseguiram respirar um pouco quando chegaram perto do balcão de bebidas, onde um calouro grego dormia e o barman mascarado tentava acordá-lo para, ao menos, pagar a conta.

– Que lugar minúsculo! – Lovino resmungava. – Por que escolheram uma festa num lugar desses?

– Talvez os lugares maiores sejam mais caros, fratello. Vee. Antônio canta tão bem!

– Unf. Ele gosta de aparecer. Ele e toda aquela banda de exibidos.

– Não fale assim, fratello... – Feliciano parecia cabisbaixo, mas logo seu humor mudou ao ver o irmão mais novo de Gilbert no meio da multidão — Olhe! Luwig! Vamos falar com ele! – Saiu correndo no meio das pessoas.

– Feliciano! Ei! Esper... Ah, vá pro inferno! – Sentou-se ao balcão – Uma dose de grappa, garçom.

– É barman – Falou o mascarado pegando a garrafa de grappa e enchendo um copo para o rapaz.

– Não vai nem me perguntar se eu tenho idade pra beber?

– Quanto mais eu vendo, maior a comissão. Só to fazendo um bico aqui. Sou do curso de História.

– E por que a máscara?

– Ideia do Bad Touch Trio. Ia ser só máscara, calça e gravata borboleta, mas eu os fiz mudarem de ideia. – Mostrou o punho – Usei a persuasão.

Enquanto isso, Feliciano se jogava nos braços do alemão assim que se aproximou.

– Ludwig! Ludwig!

– Feliciano? – O maior o abraçou de volta.

– Eu vim aqui com o frat... Vee! Cadê o fratello? Eu o perdi! – Olhou para seu lado e notou que junto com o loiro estava um certo japonês que não foi visto por causa da altura – Kiku!! – Largou Ludwig e abraçou o asiático deixando-o muito vermelho.

– F-Feliciano-kun! O-onegai! I-isso é muito precipitado! Nem nos conhecemos direito!

A música havia chegado ao fim e parte do público aplaudiu.

Gracias, gracias!

Arthur sorria e enxugava a testa enquanto o vocalista cumprimentava a plateia. Foi nessa hora que ele viu Alfred entrar e ser logo interceptado por Vash.

O calouro havia se atrasado.

O calouro nem tinha visto o show.

Maldito calouro.

– ... E por isso aproveitem o resto de la fiesta! — O espanhol terminava de agradecer.

Mais aplausos. Os equipamentos foram desligados por Gilbert e Francis, que cuidavam de apenas deixar seus instrumentos lá.

Arthur permanecia com o olhar distante.



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Não demorou muito tempo para que o clima do ambiente mudasse. Agora ninguém mais cantava ou curtia um show acústico. Todos estavam embalados nas músicas eletrônicas e mixadas tocadas pelo DJ.

Lily estava sentada ao balcão e cutucava o calouro que dormia debruçado ali.

– Moço? Moço? Ele não quer acordar.

– Eu já tentei, garota. – Dizia o barman — Esse grego é assim mesmo.

Lily deu uma risadinha inocente. Não viu que Francis estava por perto e admirou isso. O baixista aproximou-se da menina e ficou de pé ao lado dela:

– Quanta delicadeza, mademoiselle. Você é como uma flor do campo. Delicada demais pra ser tocada de qualquer maneira.

De repente o cano de uma arma encostou-se em sua cabeça.

– AAAH!

– Parece que a banda vai ter que arranjar outro baixista. – Ameaçava Vash.

– E-ei! As balas são de festim, certo? Mas isso tá tão próximo... Pode acabar machucando alguém!

– Estava dando em cima da minha irmã.

– Eu? Nããão. E você não pode acabar com meu belo rosto! Pense nas fãs! Pense nos lucros!

O suíço guardou a arma.

– Fique longe da Lily. Seus amigos me falaram sobre sua reputação.

– Aqueles traidores!

Os irmãos se afastaram dali. Francis suspirou aliviado e sentou-se ao balcão.

– Idiota. – Falava Lovino, que estava sentado do outro lado do francês — Isso é pra você aprender a não dar em cima de garotinhas.

– Preferia que eu tivesse dado em cima de você, mon petit?

– C-claro que não! Por que eu iria querer logo você? — Bufou — Tem muita gente querendo abusar de mim e você não é exceção.

– Realmente deve ter muita gente. Então é melhor eu ficar na frente da concorrência.

Francis se levantou, o puxou pela nuca e deu o seu melhor beijo francês em Lovino. O italiano arregalou os olhos, mas retribuiu sem pensar duas vezes. Somente depois é que o empurrou com o rosto vermelhíssimo.

– I-IDIOTA! QUEM DISSE QUE EU QUERIA BEIJÁ-LO?

– Você retribuiu.

– E-eu...

Alguém cutucou o ombro de Francis. O loiro então viu que era Antônio com uma cara assustadoramente maníaca.

– Fran... Você beijou o Lovino à força?

– Bem, desculpe. Esqueci de perguntar se você queria participar.

– S-SEUS GRANDES IDIOTAS! — Gritou o italiano vermelho.

Lovino saiu do local correndo furioso. Francês e espanhol o observaram ir embora e se entreolharam.

– Viu o que você fez, Tônio?

– Eu?! Você ta querendo o Lovi e o Feli na sua cama! Não vou deixar! Eu cuido deles desde...

– Hey, seus wankers! – Arthur tinha vindo do final do balcão com um copo de absinto na mão e sentou-se perto de Francis. Seu rosto estava rubro e seu olhar torto — Não é pra arrumar briga na merda da festa que estamos fazendo ou vamos ter que gastar o que ganhamos cobrindo os estragos!

Antônio olhou temeroso para o estado do inglês:

– Arthur, o que é isso no seu copo?

– Por que? Hic! Isso é uma festa, não é? Hic! Temos que aproveitar. – Jogou todo o líquido na boca e pediu mais um.

Gilbert emergiu da multidão e se juntou ao grupo, sentando-se ao lado de Arthur:

– Uma cerveja, Sadik! – Pediu ao barman e olhou para o resto da banda – Convidei o suíço para beber com a gente, mas ele não aceitou. Que cara antissocial!

– Ele não é o tipo que gosta de festas. – Francis respondeu e se sentou ao lado de Arthur. Antônio se sentou ao lado de Gilbert e pediu uma dose de tequila.

O som de sirene foi ouvido na festa no meio das músicas de Alfred. As pessoas dançavam em grupos, em pares ou simplesmente se beijavam nos cantos mais escuros.

Francis sorriu marotamente e se inclinou para o inglês, que estava debruçado no balcão, agarrado ao copo de absinto:

– Vamos dançar, Arthur?

– Se a gente perder nosso guitarrista, você perde a cabeça – O albino ria – Como esse cara é fraco pra bebida! Perai, ele ta bebendo absinto!??

– Isso me preocupa um pouco – Antônio olhava solidário para o estado do inglês – E se ele fizer alguma besteira?

– Não vai acontecer nada grave. Da última vez ele só abraçou o garçom e chorou.

Arthur se levantou e olhou para o Alfred longe:

– SEU IDIOTA! EU ERA UMA CRIANÇA SOLITÁRIA E VOCÊ TINHA QUE APARECER NO MEU CAMINHO COM TODA AQUELA FOFURA! POR QUE VOCÊ TEVE QUE IR EMBORA? POR QUE VOCÊ ME DEIXOU? POR QUE?

Uma gota desceu da testa do Bad Touch Trio.

– Eu acho que ele saiu do controle. – O espanhol ficou nervoso — De quem ele está falando?

– Alfred. – Francis respondeu sorrindo amarelo — Os dois eram bem amigos até Alfred voltar para os Estados Unidos.

– Se não fizermos algo ele vai acabar fazendo alguma idiotice.

– Não se preocupe, mon amour. Alfred não está ouvindo. Está fazendo o trabalho de DJ.

O inglês bebeu o resto do absinto num gole, sentiu a garganta arder e todos os pelos se arrepiarem. Depois começou a andar:

– Talvez ele queira falar comigo!

– NÃO!!! – O trio avançou em Arthur e o segurou.

– HEY! ISSO NÃO VALE! ME SOLTEM! EU QUERO FALAR COM ELE!

– Você ta fora de si e prestes a fazer uma merda! – Gilbert o segurava por trás e pela cintura para que ele não avançasse – A gente não vai deixar você passar vergonha!

– EU NÃO LIGO! EU VOU FALAR COM ELE!

– Me use pra esquecê-lo! – O francês abria os braços.

– Cala a boca, Francis! A porra ta séria! – O albino tinha dificuldade de manter Arthur preso — Tônio, ajuda!! FAÇA ALGUMA COISA!

Antônio olhou desesperado para tudo e fez a primeira coisa que veio à sua cabeça. Pegou o copo de absinto e deu uma pancada na cabeça de Arthur, nocauteando-o.

Francis e Gilbert congelaram.

DIOS MÍO! MATEI O ARTHUR! – o espanhol entrou em pânico.

– Calma, cara! CALMA! – Gilbert estava começando a se desesperar – O que a gente faz? O QUE A GENTE FAZ?

– Ei, patetas – O barman mascarado os chamou — Ele tá vivo. Está respirando, viram? Nem ta sangrando, é só um arranhão. Ainda bem que foi o copo, não a garrafa.

Os três quase derreteram de tão aliviados.

– Vamos levá-lo daqui. – Disse Francis — O Vash cuida do resto.



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Francis e Antônio saíram do elevador primeiro. Depois veio o albino carregando o inglês nas costas.

– Por que o incrível eu é que tem que carregá-lo?

– Você tem mais força que eu e não queria que o Francis carregasse.

– Ah, é.

– ... Americano idiota... – Balbuciava o inglês dormindo.

– Isso não sai daqui, certo? – Antônio perguntava preocupado – Os sentimentos dele.

– Ele não precisa saber que a gente sabe.

– Pobre Arthur. Ele devia investir mais. – Francis comentava – Vale tudo no amor e na guerra. É como eu sempre digo, se nada der certo, amarre-o na cama.

– Você fala assim, mas nunca amarrou alguém a menos que pedisse.

– Eu não sou o Arthur, mon ami. Não preciso disso. Depressão, crises de ciúmes, escândalos... Isso não combina comigo. Ah! Chegamos!

Antônio ajudou a descer o corpo das costas de Gilbert e segurou Arthur apoiando um braço dele enquanto o albino apoiava o outro.

– Deixe-me ver onde está a chave... – Francis começou a tocar o corpo do inglês.

Enquanto Francis procurava, Antônio analisava o hematoma na cabeça do guitarrista.

– Como vamos explicar o calombo, Gil?

– Diremos que ele se bateu. A menos que ele se lembre. Mas se isso acontecer ele ficará com tanta vergonha que não vai brigar conosco. Estamos salvos de qualquer forma. – ouviu o inglês gemer baixinho – Francis é pra procurar a chave, não para apalpar o cara!

Francis riu travessamente e parou de tocar a virilha do inglês.

– Não achei a chave aqui. Talvez eu deva procurar por dentro. – Pôs as mãos por dentro da camisa.

– Tira a mão daí! Sai! Sai pra lá! Deixa que eu procuro! – Passou o corpo para apenas Antônio segurar e colocou as mãos nos bolsos da calça – Achei.

Francis ajudou o espanhol a arrastar o inglês para dentro do apartamento. Gilbert foi ligando os interruptores e abrindo a porta do quarto. Antônio colocou Arthur na cama, tirou os sapatos dele e sentou-se na beira do colchão.

– Tão bonito dormindo. Parece a Bela Adormecida. Dá vontade de beijar.

– Por que não tenta? – Francis istigava — Vamos ver se a princesa acorda.

– Ele vai me matar se acordar.

– É só você se afastar se ele acordar. Diremos que ele bebeu demais e está imaginando coisas.

– Fusosososo!

Antônio olhou para o inglês e corou um pouco. Inclinou-se sobre ele e beijou seus lábios.

Francis abafou o riso.

Gilbert deu meia volta e caminhou em silêncio para ir embora.

– Gil! – O loiro chamou – Não quer tentar e ver como ele reage? Depois de mim, claro.

– Não. Se perdermos o guitarrista, a culpa é de vocês. – Abriu a porta e saiu.

Antônio e Francis olharam para a porta confusos enquanto Arthur continuava dormindo feito uma pedra.

– Ele pareceu sério. – Afirmou o francês.

– Ele leva a banda mais à sério do que pensávamos. Vamos atrás dele. Quer beijar a princesa antes?

– Quero dar um banho nela, posso?

– Não. Vamos dar o fora. – Puxou o francês pelo braço e saiu com ele.



–----



Gilbert estava no final do corredor, esperando o elevador. Podia muito bem descer três lances de escadas e ir embora, mas não estava com vontade. Mantinha os olhos vermelhos na direção do painel.

De repente um par de braços espanhóis envolveu seu pescoço por trás num abraço feliz.

– Espere a gente, Gil.

– Tônio?

– Gil-Gil – Francis apertava a bochecha dele – Desde quando você se tornou o membro mais chato da equipe?

O albino ficou com o rosto vermelho:

–O incrível eu não é chato! Apenas incrivelmente responsável! O bruder diria a mesma coisa se me visse agora! Ele diria “Gilbert, você é responsável! E incrível!”.

– Pena que ele só está por perto quando você faz as besteiras.

O espanhol fechou os olhos e sorriu infantilmente:

– Eu tranquei a porta e joguei a chave por debaixo dela. Arthur está salvo. – De repente ouviu o alerta de mensagens e soltou o amigo para checar — Vash mandou uma sms.

Os dois se uniram a Antônio para ver o que o torpedo dizia:

“Voltem pra festa e venham me ajudar, idiotas.”

“O porão é de vocês”

Continua

Notas finais
Ta imenso! Desculpem, farei um capítulo bem menor pra compensar o tamanhão desse.
Gostaram?
Eu não sei se repararam, mas o título das músicas virou um link. Fiz isso em todos os capítulos pro caso de alguém não conhecer a música e ter curiosidade de saber como ela é.
Obrigada por todos os comentários!
Até a próxima!