Free Soul
5 Dia de sol
– O incrível eu vai derreter e ser a coisa líquida mais incrível do mundo.
Gilbert delirava jogado no chão frio da sala-cozinha do apartamento. O calor era sufocante. A sensação era de que o planeta Terra tinha trocado de lugar com Mercúrio para se vingar dos seres humanos que a desmataram.
Antônio estava sentado na frente do ventilador e parecia um zumbi. O vento quente soprava em seu rosto e balançava seus cabelos, mas não melhorava seu humor.
– Maldito buraco na camada de ozônio... – O espanhol falava olhando para o nada – Maldito efeito estufa... Maldito calendário Maia que previu que o mundo viraria um churrasco.
– Os Maias não previram isso, cara.
– Então devem ter sido os ciganos. Eu preciso que eles leiam a minha mão... Mas se minha mão derreter, as marcas somem.
– Seu cérebro é que está derretendo.
O albino rolou pelo piso para sentir mais o frio do chão. Estava sem camisa e sem sandálias.
– Tônio... Estou suando como se tivesse transado a noite toda. Só que sem a parte do sexo.
– Acho que até o Fran está fazendo abstinência.
– É mais fácil ele entrar no estado gasoso do que perder uma oportunidade de trepar.
Antônio baixou a cabeça e deixou os braços jogados no meio das pernas:
– Está tão quente que nem tenho vontade de usar você como travesseiro.
O albino moveu a cabeça e olhou para a nuca do amigo.
– Tônio.
– Yo.
– Vamos tomar sorvete?
O espanhol olhou para o baterista e sorriu.
–--
As ruas da cidade estavam quase desertas por causa do sol. Gilbert levava uma garrafa d’água na mão. Bebeu uma boa parte e ofereceu para Antônio beber também.
Caminhando no sentido contrário vinha Francis. Ao ver os amigos, o loiro sorriu:
– Bonjour! Como se atrevem a sair de casa com tanto calor?
– Íamos tomar sorvete. – Respondeu o albino.
– Sorvete? Juntos? Juntinhos?
– Claro! Está calor! Queria que tomássemos o que? Chilli? E o que você está fazendo fora de casa nesse inferno?
– Eu moro com aquele russo, esqueceu? Só entro em casa pra dormir. – suspirou — Agora eu sei por que o aluguel é tão barato.
– Estava andando sem rumo?
– Não. Estava indo pra casa de vocês, mas já que vão tomar sorvete...
– Vamos os três juntos. A gente não vai deixá-lo sem teto. Uhn?
Os três olharam para o lado e viram Arthur atravessando a rua na direção deles e com uma sacola de compras.
Gilbert levantou uma das sobrancelhas ao ver o guitarrista:
– Arthur? Todos resolveram se encontrar exatamente nesse ponto da cidade?
– Holla, Arthur!
– O que fazem aqui? – O inglês perguntou ao ver os três – Todos estão dentro de suas casas. O calor está horrível hoje.
– Por isso vamos tomar sorvete. E que sacola é essa?
– Fui comprar ingredientes para um chá gelado.
O francês se aproximou do guitarrista de forma traiçoeira:
– Quanto tempo, não é, mon cher? Não nos vimos desde aquela festa. Se recuperou da bebedeira?
O inglês corou, mas ficou na defensiva:
– E-eu... Não bebi tanto assim!
– Não? Hahahaha! Nos deu muito trabalho. Mas passamos bons momentos juntos.
– What?! Que bons momentos?! O que vocês fizeram comigo!?
– Nada que bons amigos não fariam. — Deu uma tapa no traseiro do inglês.
– FROG MALDITO!
Arthur ia desferir um soco no francês, mas seu punho foi segurado pela mão de Gilbert, que havia chegado a tempo de não deixar o golpe chegar ao final.
– Kesesesese! Que estresse é esse, Arthur?
– Não se faça de cego! Você viu o que ele fez! – De repente viu Antônio contornar sua cintura com um braço e pegar sua mão livre – HEY!!
– Na Free Soul não há briga – Dizia o espanhol – Solamente amor.
– Vocês devem ter algum problema!
– Quanta resistência! – Francis fingiu dar mais atenção ao céu, com a cara mais cínica de todas — É assim que nos agradece por tê-lo salvado de pagar um mico na frente do Alfred? Se eu fosse você, ficaria mais grato.
Arthur arregalou os olhos. Sua face esquentou bastante e ele sabia o motivo. Lembrava-se muito bem do que aconteceu. Desviou o olhar e contraiu o cenho.
– Obrigado por me ajudarem. Agora esqueçam isso. – Soltou-se de Gilbert e Antônio e continuou seu caminho, deixando os outros para trás.
O vocalista e o baterista se viraram para o baixista.
– Fran, você é péssimo! Combinamos de não dizer a ele! — Gilbert resmungou.
– Eeeeu não combinei nada.
– Filho da mãe! Afinal, qual é a desses dois? O americano estuprou ele e não ligou no dia seguinte?
O francês riu:
– Não, não. É que Arthur era uma criança muito rabugenta. Era brigão, vivia despenteado... Só que ele conheceu um bebê muito fofo, três anos mais novo que ele.
– O Alfred?
– Oui. Os dois cresceram praticamente juntos, mas há seis anos Alfred teve que fazer o colegial nos Estados Unidos por causa do trabalho dos pais.
– E o inglês ficou revoltado por causa disso?!
– Não, não. Ele ficou revoltado porque Alfred não falou nada. Um belo dia Arthur simplesmente acordou e se deparou com a casa dos Jones vazia e Alfred indo embora com os pais. – o sorriso do francês ganhou um traço de compaixão – Eu nunca tinha visto Arthur tão triste. Ele passava o dia todo na janela, olhando para a casa vazia. Ele nunca ligou para o Alfred, mas eu sei que sempre esperava uma ligação. Também nunca mandou ou recebeu e-mails. – Deu uma risadinha – Ele não superou isso até agora.
Assim que o loiro terminou de contar a história, Antônio baixou a cabeça e passou a mão pelos cabelos:
– Agora sei por que ele estava abraçando o garçom na festa dos calouros. Tinha descoberto que o Alfred veio para a Axis.
– Oui, mon ami.
Gilbert olhou para cima como se lamentasse.
– Melhor irmos logo para essa sorveteria antes que... — Seu celular vibrou dentro do bolso — Esperem — Tirou o aparelho e olhou o visor — É o suíço. – Atendeu – Al... CARALHO! LIGOU A COBRAR!
– Não desligue! – Pediu Antônio — Pode ser importante!
– Grrr. É bom que seja!
Depois de aceita a chamada a cobrar, a voz de Vash foi ouvida:
– Alo?
– Fala logo, pão duro!
– Bem... É que eu estava pensando... Se talvez vocês...
– Dá pra ser rápido? Ta gastando MEU incrível crédito!
– Ah... É que... Está tendo uma festa na piscina aqui. Fui convidado, mas... Estou meio deslocado. Lily não está.
– Ta nos convidando? É isso? Dá logo o endereço!
– Rua 3, esquina com a 5. É a única casa cheia de balões.
– Já estamos indo. – Desligou – Sorte grande, gente! Vamos pra uma festa na piscina!
Os olhos dos outros dois brilharam.
– Sério! — Falaram em coro.
– Sim! Vamos pegar nossas roupas de banho. E chamar o Arthur. Afinal ele também é da banda! Kesesesese!
–------
(The Calling)
Antônio tocava as primeiras notas no violão. Sentado em uma cadeira de plástico. Cercado por Francis, Gilbert, Arthur, Vash e uma pequena plateia formada por três ou quatro banhistas que pararam pra ouvir a música.
So lately, been wondering
(Ultimamente, tenho pensado)
Who will be there to take my place
(Quem estará lá para tomar o meu lugar?)
When I'm gone you'll need love to light the shadows on your face
(Quando eu tiver ido, você precisará de amor para iluminar as sombras no seu rosto)
If a great wave shall fall
(Se uma onda enorme caísse)
And fall upon us all
(E caísse sobre todos nós)
Then between the sand and stone
(Então, entre a areia e as pedras)
Could you make it on your own
(você conseguiria se virar sozinho?)
O espanhol acelerou a batida.
If I could, then I would
(Se eu pudesse, eu iria)
I'll go wherever you will go
(Eu Irei aonde quer que você vá)
Way up high or down low,
(Bem lá em cima ou lá embaixo)
I'll go wherever you will go
(Irei aonde quer que você vá)
Vash colocou sua bebida na mesa no centro da roda e prestou mais a atenção na música.
And maybe, I'll find out
(E talvez, eu descobrirei)
A way to make it back someday
(Uma forma de trazer tudo de volta algum dia)
To watch you, to guide you, through the darkest of your days
(Para observá-lo, para guiá-lo, através do mais escuro dos seus dias)
If a great wave shall fall and fall upon us all
(Se uma onda enorme cair, e cair sobre todos nós)
Then I hope there's someone out there
(Então eu espero que haja alguém)
Who can bring me back to you
(Que possa me trazer de volta para você)
If I could, then I would
(Se eu pudesse, eu iria)
I'll go wherever you will go
(Eu Irei aonde quer que você vá)
Way up high or down low,
(Bem lá em cima ou lá embaixo)
I'll go wherever you will go
(Irei aonde quer que você vá)
Run away with my heart
(Fuja com o meu coração)
Run away with my hope
(Fuja com a minha esperança)
Run away with my love
(Fuja com o meu amor)
I know now, just quite how
(Só agora eu sei o quanto)
My life and love might still go on
(A minha vida e o meu amor precisam permanecer)
In your heart and your mind,
(No seu coração e na sua mente)
I'll stay with you for all of time
(Eu estarei com você por todo o tempo)
Todos cantaram o refrão com Antônio, exceto Vash, que estava absorto demais, pensando em coisas que vieram à tona com a canção. O suíço olhava para o nada e sua mente se voltava para a sua irmã.
Há muito tempo atrás concluiu que com a morte de seus pais, apenas ele poderia cuidar de Lily.
Mas se ele também se fosse?
Com quem sua irmã ficaria?
O suíço fechou os olhos e voltou seu olhar para Antônio. Deixou as lembranças e as reflexões se esvaírem aos poucos, até a canção finalmente acabar.
Melhor não pensar naquelas coisas.
Os banhistas que estavam por la aplaudiram e, depois de ouvirem os agradecimentos, foram embora.
Vash voltou a beber seu suco:
– Você toca bem, Carriedo. Se jogássemos um chapéu no chão eles acabariam colocando moedas.
– Haha! Dava certo quando eu queria juntar dinheiro pra fazer alguma coisa.
– Então você fazia isso?
– Pelo menos três vezes por semana, antes das aulas. – Respondeu Gilbert bebendo água de coco – Depois disso ele fundou a banda e parou de tocar nos jardins da escola.
– Então a banda existe por causa do Carriedo?
– Sim, mas não vá se animando. Sabemos que o Tônio vai largar tudo pra seguir carreira solo e ter como fãs um bando de menininhas de doze anos.
O espanhol começou a rir. Arthur parou de beber seu chá gelado e voltou seus olhos para o vocalista:
– Você quer ser cantor, Tônio?
– Não dê ouvidos ao Gil, Arthur. Ele apenas colocou isso na cabeça. – levantou-se e deixou o violão apoiado na cadeira – Vou pegar um coquetel. Já volto.
O guitarrista ficou observando o espanhol até ele desaparecer de vista. Quando isso aconteceu, voltou-se para os outros integrantes.
– Pensando bem, Antônio tem potencial para ser um cantor solo.
Francis sorriu:
– Sabemos disso.
– E vocês não tem medo de perdê-lo?
– Não.
Arthur então observou algo diferente na expressão de Francis. Ele falava de Antônio com ternura. Não só ele estava diferente. Gilbert havia ficado um pouco distante no meio da resposta. Seus olhos fitavam o chão de uma maneira serena.
– Você já reparou que Tônio está sempre sorrindo? – Perguntou o francês – Sempre foi assim. Ele não fala quando está com raiva, triste, sozinho ou quando passa por dilemas. Sempre coloca um sorriso radiante no rosto e tenta se adaptar às situações com otimismo. — Deixou escapar uma risadinha descontraída – Ele sentiu um pouco de inveja de você na guitarra, mas tentou contornar isso.
Arthur perdeu a cor:
– S-sério?
– Eu não contaria uma mentira dessas. — Francis suspirou — As vezes achamos que ele quer tocar estilos diferentes, tocar músicas novas... Deixar as coisas um pouco mais do jeito dele, mas não quer nos dizer. É algo que a gente olha e percebe.
– Francis...
– Mas seria tão ruim vê-lo triste... Se for pra isso acontecer, é melhor que ele nos deixe pra trás. Ele tem um sorriso lindo demais.
Gilbert fechou os olhos e quando os abriu novamente, pareceu ter voltado a si:
– É por isso que o incrível eu diz que ele vai ser cantor e ter um fã-clube de menininhas de 12 anos! Assim ele se acostuma com a ideia! – Levantou-se – Esse papo tá muito deprimente. É só o Tônio sair que fica assim? Eu vou dar um mergulh... – De repente o albino viu ninguém menos que Roderich andando pelos arredores da piscina – EI! Você não disse que ELE estaria aqui!
Vash corou e virou o rosto:
– Unf. Foi por isso que eu os chamei. Não queria ficar sozinho e dar a chance para aquele cara vir puxar conversa.
– Gilbert, não vá aprontar. – Francis pediu.
Tarde demais. O albino aproveitou que o austríaco estava distraído e se aproximou por trás. Muito rapidamente segurou a barra do short de banho dele, pronto pra abaixá-lo.
Mas antes que isso acontecesse levou um paulada de guarda-sol na cabeça, tão forte que o fez cair na piscina.
– GILBERT! – Francis e Arthur se levantaram chocados.
Roderich olhou para trás sem saber o que realmente tinha se passado. Viu que a agressora era uma húngara bonita de cabelos castanhos compridos e ondulados, e olhos verdes.
Todos olharam para a piscina e viram o corpo do alemão boiando na água.
– Obrigado...?
Ao perceber que Roderich lhe deu atenção, a mulher arregalou os olhos e escondeu o guarda-sol atrás de si, desviando o olhar.
– Há! N-não foi nada! – Forçou um sorriso exagerado — Pode me chamar de Elizaveta! Defensora dos fracos e oprimidos que precisam segurar seus calções! Hehe... – Terminou a frase tão sem jeito que sentiu vontade de desaparecer dali.
– Elizaveta? É um prazer. Meu nome é...
– Roderich. – Ela disse sem querer. Depois se arrependeu – Quero dizer... Eu sei quem você é! Já vi você tocando piano nas apresentações da Axis! — Deu meia volta para não precisar encará-lo e apontou para a piscina usando o guarda-sol — Fique tranquilo que o albino ali não vai mais lhe perturbar. Você pode voltar a se exibir por ai. — Saiu andando apressada, como se fosse um robô com sistema acelerado.
O austríaco balançou a cabeça, totalmente confuso.
– Ganhou uma guarda costas, mon amour? — Perguntou Francis, que se aproximava da piscina juntamente com Arthur.
– Eu já a vi antes. Não é a primeira vez que isso acontece, mas é a primeira vez que falo com ela.
– Talvez tenha ganhado uma admiradora. É natural que um pianista como você tenha ganhado algumas fãs.
– Apenas músicos populares têm fãs – Fez menção de ajeitar os óculos, mas logo se lembrou que estava sem eles – Ah. Bem, eu sou apenas um acadêmico. Aliais, o que fazem aqui? Foram convidados por quem?
– Pelo Vash. – Arthur apontou para o suíço, que virou o rosto — Estamos fazendo companhia a ele. Você é parente do aniversariante?
– Meus pais e os pais dele eram amigos do dono da casa e isso acaba nos envolvendo. Divirtam-se.
Quando Roderich foi embora, Gilbert colocou a cabeça pra fora da água, apoiando-se na borda da piscina.
– Cof! Cof! Traidora!! Quer dizer que agora ela me bate!? É assim!?
Francis se agachou perto do albino:
– Gil, aquela não é a garota que falou que não o via há tempos quando entramos na Axis?
– É sim! Éramos amigos de infância e sempre implicávamos com o Rod. Obviamente ele não se lembra dela.
– Por quê? – Arthur coçou a cabeça.
– Porque não se lembra, ora! Ela parecia um moleque. Eles mal se falavam e quando nós dois encontrávamos o Rod era só pra implicar com ele. Ele nem sabia o nome dela. Apenas falava “Gilbert e o amigo dele” quando queria pedir ajuda. Era um chorão. Por isso Vash sempre o defendia.
– Parece que as coisas mudaram.
O albino saiu da água.
– Mudaram sim. Ela cresceu, os melões dela também cresceram e ela começou a ficar afim do aristocrata. Preferia morrer a confessar, mas o incrível eu sacou num instante. – batia na cabeça para ver se saía água do ouvido — No colegial ele e eu mudamos de escola depois do rolo dos meus tios com o Vash. Não vi mais a Elizaveta depois disso. Só aqui na Axis.
– Acho que ela tenta se redimir bancando a guarda-costas dele.
Gilbert virou o rosto contrariado:
– No final todos acabam gostando do Rod. – Passou pelos dois e caminhou para perto de Vash.
Francis e Arthur se entreolharam.
–--------
– Seu coquetel de suco de tomate.
– Gracias.
Antônio apoiou o queixo na mão e ficou bebendo o suco pelo canudo. Pensativo. Bebia sozinho num bar em formado de cabana.
Elizaveta chegou e sentou-se perto dele.
– Um suco de hortelã.
– Uhn? — O moreno olhou para a mulher um pouco curioso – Holla! Já nos vimos antes?
– Ta me estranhando, cara? Essa cantada é velha!
– Fusososo! Não foi uma cantada. Você é a muchacha que falou conosco quando entramos na Axis. Foi amiga do Gilbert.
Ela olhou para Antônio mais atentamente.
– É mesmo. Você é o... Angelo?
– Antônio.
– Claro. – A mulher observou a bebida que estava sendo preparada e corou levemente – O ex-namorado dele.
– Huh?
– Não importa. Ele é só um engomadinho chorão.– Tocou no rosto e deu um pequeno sorrisinho enquanto seu rosto corava. — Que culpa eu tenho se ele fica bonito com outros homens também?
Uma mega gota de suor escorreu pela cabeça de Antônio, que sorria para a garota mesmo sem entender aonde ela queria chegar.
– Por acaso está falando do Rod?
– Por que? – Ela voltou a olhar para ele com o rosto ainda mais corado – Você também tem outros ex? – sonhadora, juntou as mãos – Tem alguém em vista? Um homem bonito?
Várias gotas de suor escorreram pela cabeça do rapaz, que estava realmente nervoso.
– S-señorita... Ele e eu não gostamos só de chicos.
A húngara fez uma carranca e voltou a olhar para sua bebida sendo preparada:
– Unf. Eu não quero nenhuma sirigaita se esfregando nele.
– Acho que isso não vai acontecer. – Disse pegando o copo – A propósito, qual o seu nome mesmo?
– Elizaveta – Ela respondeu assim que recebeu seu suco – Diga para o Gil que a gente pode sair um dia. Mas que se ele não quiser outro hematoma, é melhor não aprontar. – Foi embora.
"O que ela fez com o Gil?" Perguntava-se preocupado.
–----
A noite havia chegado e pelo menos o clima não estava mais tão quente.
– A-aaah!
Mesmo assim Gilbert sofria.
O albino estava de bruços na cama e tentava resistir à dor. Respirava fundo e deixava Antônio, que estava com um joelho de cada lado do seu quadril, fazer o que tinha que fazer.
Até que o albino não aguentou:
– AAAAAHR!
– O que foi? Exagerei?
– Sim! Tem que ser mais gentil!
– Mais?! Eu estou sendo o máximo que eu posso!
– Pode ser mais que isso! Aaaah!
– Quer parar de gritar? Eu to ficando envergonhado. Os vizinhos podem estar ouvindo.
– Você reclama porque não é você que está no meu lugar! Se invertêssemos as posições, a história seria outra!
– Eu não sou albino. E falamos pra você passar protetor solar. – Falou fechando o pote de hidratante – Se tivesse ouvido seus amigos, não estaria todo assado. – Saiu de cima da cama – Já acabei de passar nas suas costas.
– Por que o incrível eu teve que nascer incrivelmente albino? — Sentou na cama com cuidado e pegou o hidratante pra pra passar no resto do corpo — Aiaiaiai! — Passava em sua pele vermelha — Íamos sair pra tomar sorvete e acabou que eu voltei pra casa sem sorvete, todo assado e com um hematoma na cabeça.
O espanhol deixou escapar o riso:
– Mas foi divertido, não acha? Fusosososo! Por que não pedimos uma pizza?
– A maior que tiver. Fica por minha conta.
– Melhor ainda! — Saiu do quarto para fazer a ligação.
Sozinho, Gilbert se virou com cuidado para ficar deitado de peito pra cima. Ficou ali parado. Reto. Sem mover um músculo.
Sua pele ardia em brasa.
– Maldito raio ultravioleta.
Continua
Notas finais
Obrigada pelos elogios!
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