Free Soul
6 Meu colega de quarto
(Kansas)
Carry on my wayward son
(Continue meu filho desobediente)
There'll be peace when you are done
(Haverá paz quando você estiver terminado)
Lay your weary head to rest
(Coloque sua cabeça cansada para descansar)
Don't you cry no more
(Não chore mais)
A bateria deu as primeiras batidas e anunciou as guitarras e o baixo juntos.
No palco improvisado de um pub, os olhares de toda a plateia estavam voltados para a banda. Francis e Arthur estavam lado a lado e na frente de Gilbert, fazendo a performance nos instrumentos e mexendo a multidão.
Arthur fazia riffs mais marcantes, como se fizessem uma cerimônia para todo o resto da letra. Uma espécie de introdução musical, bem chamativa na verdade.
Em seguida veio o solo, a guitarra do inglês com as batidas do alemão se sobressaíram no meio de toda a melodia. Os dedos de Arthur eram rápidos e seu desempenho no instrumento iam além de um guitarrista amador.
De repente o albino parou de tocar a bateria e a música seguiu com os outros instrumentos mais suavemente.
Once I rose above the noise and confusion
(Uma vez que eu me levantei acima do ruído e da confusão)
Just to get a glimpse beyond this illusion
(Para perceber por um instante além desta ilusão)
I was soaring ever higher
(Eu estava voando cada vez mais alto)
But I flew too high
(Mas eu voei muito alto)
A bateria voltou a acompanhar a banda.
Though my eyes could see I still was a blind man
(Embora meus olhos pudessem ver, eu era ainda um homem cego)
Though my mind could think I still was a mad man
(Embora minha mente pudesse pensar, eu era ainda um homem louco)
I hear the voices when I'm dreaming
(Eu ouço as vozes quando eu estou sonhando)
I can hear them say
(Eu posso ouvi-las dizer)
–
Carry on my wayward son
(Continue, meu filho desobediente)
There'll be peace when you are done
(Haverá paz quando você tiver terminado)
Lay your weary head to rest
(Coloque sua cabeça cansada para descansar)
Don't you cry no more
(Não chore mais)
Todos tocavam com toda a intensidade por um breve momento, mas o rock recuperou apenas um pouco da calma dos primeiros versos.
Masquerading as a man with a reason
(Mascarado como um homem com uma razão)
My charade is the event of the season
(Minha charada é o evento da estação)
And if I claim to be a wise man, well
(E se eu exigir ser um homem sábio)
It surely means that I don't know
(Significa certamente que eu não sei)
–
On a stormy sea of moving emotion
(Em um mar em tempestade de emoção movente)
Tossed about I'm like a ship on the ocean
(Lançado sou como um navio no oceano)
I set a course for winds of fortune
(Eu ajustei um curso para ventos da fortuna)
But I hear the voices say
(Mas eu ouço o que as vozes dizem)
–
Carry on my wayward son
(Continue, meu filho desobediente)
There'll be peace when you are done
(Haverá paz quando você estiver terminado)
Lay your weary head to rest
(Coloque sua cabeça cansada para descansar)
Don't you cry no more
(Não chore mais)
Gilbert, Francis e Antônio tocaram com toda intensidade enquanto Arthur executava o solo. A plateia havia se levantado das suas cadeiras e até gritava pela banda.
Numa das mesas Feliciano ria e dava um abraço em Lovino, que virava o rosto negando-se a admitir que estava gostando do som. Ludwig bebia sua cerveja, orgulhoso da performance do irmão, e Alfred balançava um dos braços porque o outro estava engessado.
O inglês e o espanhol se uniram, costa a costa, executando o conjunto de guitarra solo e base para completar o solo principal, sendo seguido pelo baixista e o baterista.
De vez enquanto Arthur soltava comentários como “você não me alcança”, para Antônio, que realmente se esforçava para acompanhar o ritmo de Arthur. Gilbert estava se empolgando na bateria e nem notou Francis passear pela sua frente tocando o baixo e ir para perto de Arthur, enquanto Antônio voltava ao microfone.
Carry on, you will always remember
(Continue, você recordará sempre)
Carry on, nothing equals the splendor
(Continue, nada se iguala ao esplendor)
Now your life's no longer empty
(Agora sua vida já não é mais vazia)
Surely heaven waits for you
(Certamente o céu o espera)
–
Carry on my wayward son
(Continue meu filho desobediente)
There'll be peace when you are done
(Haverá paz quando você estiver terminado)
Lay your weary head to rest
(Coloque sua cabeça cansada para descansar)
Don't you cry no more
(Não chore mais)
Antônio repetia o refrão e quem já sabia a letra cantava junto. Boa parte das mulheres lançavam vivas animados. Uma delas era uma garota morena do curso de oceanografia, que suspirava ao ver o baixista piscando para ela.
Arthur jogou-se sobre os joelhos fazendo uma brilhante performace com a guitarra, executando o solo principal e movendo a cabeça no ritmo da música, arrancando vivas da plateia.
Alguns homens também estavam animados. O filandês Tino era um deles, o que não agradava um certo sueco que nunca adimitiria que estava com ciúmes.
As notas finais foram tocadas, seguidas pelos gritos da multidão.
–--
Naquela noite de sexta, a banda saía pela porta dos fundos do pub carregando os instrumentos com a ajuda de Ludwig e Vash. Todos os materiais eram colocados num furgão de segunda mão, propriedade do suíço.
– Nosso primeiro cachê! – Gilbert comemorava dando um soco no ar – Você viu, bruder? Viu? Seu incrível irmão vai ficar famoso! Kesesese!
– Foi um ótimo show, bruder.
– Antônio! – Feliciano o abraçou assim que saiu do estabelecimento, sendo logo retribuído – O show foi muito bom!
– Gracias, Feli!
– Até que essa banda tem futuro. – Lovino dizia vindo atrás do irmão e com uma das mãos na cintura e o rosto virado para o lado.
– Fusosososo! Esse é o meu Lovinito dando os parabéns. Venha me dar um abraço!
– Afaste-se de mim, idiota!
O próximo a sair foi Alfred, com o punho direito engessado. Arthur deixou a guitarra no furgão e levou a mão à boca ao vê-lo.
– Pela rainha! O que aconteceu com o seu braço?
– Hi, Arthie! E isso? Hahahá! É que hoje de manhã tentei fazer um giro de 360° com a bicicleta, mas o resultado não foi muito bom. Anly e Abel me levaram pro hospital.
– Seu grande idiota! Poderia ter batido a cabeça e quebrado o pescoço!
– Que nada! Eu sou um herói!
– Você está prestes a ser um cadáver, git!
– Vash, já pegou sua parte? – Perguntou o espanhol abraçando Lovino, que havia desistido de se soltar.
– Claro. – O suíço guardava dinheiro na carteira – Afinal fui eu que arranjei esse bico. Com esse dinheiro extra, fico mais relaxado para estudar.
– É mesmo. Estou em período de provas. – Francis rolava o bombo da bateria e tentava colocá-lo no furgão – Os treinos ficam suspensos, gente.
Gilbert começou a rir:
– Já vi que o Fran vai frequentar nosso AP mais vezes, Tônio.
– Não gosta de estudar em casa? – Perguntou Ludwig carregando o bombo, já que o francês não conseguia.
– Meu colega de quarto é um pouco incômodo, cher. – O francês sorriu sem jeito — Ele bate na porta do meu quarto quando chega e me mostra aquele sorriso assustador. Eu até poderia pensar em algo entre nós, mas sei que seria algo bem doloroso. Literalmente. Só aceitei ser colega de quarto dele porque o preço estava bem em conta.
– Eu não aceitaria nem de graça. – O albino fechou a cara – No ginásio ele me trancou na sala de estudos só porque eu não o escolhi pro meu time de futebol! Fiquei trancado lá até o bruder me ouvir e chamar ajuda!
Feliciano olhou para o francês com pesar:
– Vee. Francis, pode ficar lá em casa se quiser.
– Não pode não. – Lovino bufou.
– Mas fratello...
Alfred apenas prestava a atenção em tudo, menos no fato de Arthur vez ou outra ficar olhando para o braço machucado do americano.
Antônio largou Lovino e se aproximou de Arthur.
– Fran, por que não divide o quarto com o sobrancelhudo? Ele não tem colega de quarto.
– Ele não deixa.
– É claro que não deixo! É como colocar a raposa pra dormir no galinheiro!
Alfred olhou para o guitarrista sem entender:
– Por que, Arthie? Francis era nosso vizinho e não é ruim. Ele até deixou que Matt dormisse no quarto dele quando veio me visitar.
Uma gota escorreu pela cabeça de Antônio, Gilbert e Arthur.
– Ah, é! E falando no bro, fui liberado por uns dias por causa do meu braço, então vou visitá-lo! Sairei da cidade amanhã!
– A-amanhã? – O inglês fez uma expressão clara de insatisfação – E-e você diz isso... Assim?
– Será só por uma semana. Mas meu quarto estará vago. – Desviou o olhar para o baixista — Francis, por que não fica por lá até eu voltar?
Francis arregalou os olhos:
– É sério?
– Espere. – O inglês interrompeu — Kiku não vai se importar?
– Por que ele se importaria? – Alfred levou um cascudo de Arthur – Ai!
– Porque ele é tímido, idiota! Por isso é tão difícil ele ter colega de quarto. Ele era o meu, mas depois se mudou porque preferia ficar isolado. – Cruzou os braços e fechou os olhos — O que é uma pena, já que tínhamos muita coisa em comum. Gostávamos de chá, de cozinhar... – Abriu novamente os olhos antes que alguém tivesse tempo de falar da sua culinária — Como depois ele se tocou do quanto é difícil custear um quarto sozinho, resolveu abrir as portas pra um novo colega de quarto.
– Foi quando eu, the hero, li o anúncio! Mas Kiku e eu nos damos super bem! Eu avisarei a ele sobre o Francis!
Francis juntou as mãos, emocionado, e se aproximou do calouro, segurando os ombros dele:
– Eu sabia que você era mais do que um rosto bonito, mon cher! Estou tão grato! É sempre bom estar na companhia de calouros legais como... Wow! Que bíceps!
Gilbert e Antônio tiveram que segurar Arthur, que ficou subitamente encolerizado e pronto para partir pra cima do francês. Uma interrogação quase se materializou acima da cabeça de Ludwig, Feliciano e Lovino, mas essa cena passava despercebida por Francis e Alfred, que ainda conversavam.
– Você andou malhando, Al?
– Não. Só ando treinando com o Abel e a Anly.
– Está forte! Eu ainda lembro quando você aceitava brincar de cavalinho comigo. Hihihi! Se quiser lembrar esses tempos...
Depois desse comentário, a cabeça de Francis foi alvo de um microfone atirado violentamente por Arthur.
–--
Um dia se passou. Era tarde de sábado.
Wang Yao, um chinês, estudante do terceiro ano de medicina e irmão de Kiku, estava incrédulo com a notícia dada pelo irmão. Ambos estavam conversando no sofá da sala do apartamento de dois quartos que o japonês dividia com Alfred.
– Quer dizer que você acabou sendo colega de quarto do cara mais tarado da Axis?! Não acredito!
– Está tudo bem, Yao-nii. Ele está bem concentrado nos estudos. Parece que ele não tem nenhuma intenção comigo, então fique tranquilo.
– Como posso ficar tranquilo?! Você está no mesmo apartamento que esse francês! Dizem que ele varreu todo o bloco de agronomia-aru!
– Talvez as pessoas estejam exagerando... Ou então ele não quer mesmo voltar pra casa de Ivan-san. O último colega de quarto dele também saiu correndo. Um lituano chamado Tóris.
Yao fez uma careta:
– Francis e Ivan se merecem como colegas de quarto. Consigo conviver com o Ivan, mas não gosto quando ele fica me perseguindo toda a hora-aru. – Olhou para o relógio de pulso – E falando em hora, eu tenho que ir. Tome cuidado com esse francês.
– Está tudo bem. Eu o acompanharei até a porta.
Kiku levantou-se do sofá junto com Yao. Abriu a porta e esperou o irmão sair.
A casa estava quieta demais.
“Francis-san não saiu do quarto até agora. Talvez eu devesse ser mais cortês com ele”.
–--
Francis aproveitava o silêncio e a paz no quarto de Alfred para estudar. Ignorava completamente o cheiro de hamburger e batata frita do ambiente. Estava sentado na cama, sem a camisa devido o calor, e com o livro apoiado nas pernas. Os cabelos amarrados num rabo de cavalo bem alto. Virava a página, lia alguma coisa importante e passava o marca texto.
Kiku bateu na porta.
– Entre – Francis disse sem pensar duas vezes.
– Francis-san, eu...
Quando o japonês o viu com aquelas vestes ficou logo vermelho. O loiro percebeu isso e tratou logo de procurar uma camisa:
– Ah, desculpe. Eu devia colocar uma roupa mais...
– N-não. Está tudo bem. E-esse é seu quarto agora. Só não ande desse jeito quando estiver fora dele. — Dizia o anfitrião com o rosto virado para outro canto — Eu encomendei sushi. Você quer?
– Merci. Eu só vou me trocar.
– Hai. Estarei esperando.
O japonês fechou a porta e encostou-se a ela. Respirou fundo. Tinha problemas em ver pessoas usando poucas roupas. Tinha problemas com muitas coisas na verdade, o que o fazia ter dificuldades para se relacionar com alguém.
Kiku andou até a cozinha e arrumou as coisas que havia encomendado. Deixou tudo da forma que mais o agradasse.
Quando Francis saiu do quarto, já encontrou tudo pronto.
– Que mesa bonita!
– Eu não dei as devidas boas vindas, então quis compensar.
– Bobagem. – O francês pegou os hashis e sorriu sem graça – Eu não levo jeito com isso. Não da pra comer com talheres?
– Eu vou lhe ensinar.
Kiku segurou a mão direita do loiro e apoiou um hashi perto do polegar:
– Veja, basta apoiar isso aqui. Agora esse outro você segura com os dedos. Você só move um enquanto o outro serve de apoio.
– Vou precisar de um pouco de prática.
– Tente pegar um.
Francis pegou um niguiri e desajeitadamente conseguiu levá-lo até a boca. Ao ver que o loiro aprendeu, o japonês sentou-se à mesa.
– Por favor, Francis-san, não se restrinja ao quarto. Eu disse para Alfred-san que eu o faria se sentir em casa, então se sinta livre para explorar todos os cômodos.
– Basta me deixar explorar a cozinha. Da próxima vez, eu farei um ótimo jantar pra você.
– N-não precisa!
– Eu faço questão. Não se preocupe. Não deixarei nada bagunçado.
– Sumimasen. É que eu sempre cozinho para mim e para Alfred-san quando ele não traz do McDonald.
– Isso combina com ele. Você também cozinhava para Arthur?
– Hai. Mas Arthur-san não é como Alfred-san. Ele adora cozinhar e... Sempre insistia em cozinhar para nós dois.
– E você não tinha coragem de recusar aquela comida péssima dele. – O francês riu – Eu já comi a comida do Arthur e sei que é horrível. Foi um dos motivos para você ter resolvido morar só?
O japonês perdeu a cor:
– O-onegai, não diga a ele! Arthur-san é um ótimo colega de quarto. Apenas...
– Não direi, mon ami. Tem minha palavra.
Kiku respirou fundo. Depois achou graça de si mesmo.
–--
O final de semana passou rápido, afinal maioria dos estudantes já estavam em período de provas. Um deles era Ivan, que precisava assistir mais do que nunca às aulas de revisão.
– Ivanzinhooooo!
O russo parou de andar ao ouvir o chamado. Uma ucraniana loira, de cabelos curtos, olhos azuis e (o traço mais marcante) um par de seios muito grandes, corria animada e em sua direção com uma cesta. Seu nome era Yekaterina.
Atras dela vinha uma bielorrussa muito bonita, mas com cara de psicopata. Tinha cabelos longos e loiros e olhos bem azuis. Parecia uma boneca.
Uma boneca assustadora chamada Natália.
– Irmãs?
– Finalmente o alcancei, meu querido Ivan — A ucraniana comemorava emocionada — Eu fiz bolinhos pra você.
– Não precisava se incomodar, irmã. Isso pode ter custado caro. Eu não quero lhe dar trabalho.
– Não custou caro não — O sorriso de Yekaterina desmanchou — Na verdade eu usei ingredientes baratos demais. Não... Não ficou como eu queria. — Arregalou os olhos assustada — Essa não!! Meus bolinhos podem fazer mal ao seu estômago! Ou podem estar ruins demais! Eu não quero que meu querido Ivan tenha uma diarreia!
–A-acalme-se, irm...
– O que foi que eu fiiiiz? — Ela choramingava.
De repente Natália foi para perto da ucraniana e ficou olhando atentamente para ela. Tão direta que Yekaterina parou de choramingar, como se quisesse saber o que a outra estava tentando fazer.
A bielorrussa então pegou um dos bolinhos e deu uma dentada, sem tirar os olhos da irmã.
– Natália...
– Não seja boba. – Natália comeu o resto do bolinho – Está muito bom. – Pegou outro bolinho e estendeu para Ivan com tanta propriedade que quase enfia na goela do russo – Prove, irmão.
– Que? E-eu...
– Prove. Está ótimo. — Uma áurea roxa assustadora envolveu a moça — Eu aprenderei a fazer um desses pra quando nos casaaaarmos...
– D-de novo com essa conversa?
– Ivan? — Outra pessoa chamou.
Arthur Kirkland estava la e os três irmãos olharam para ele.
– Oi, Arthur. — Ivan sorriu.
– Você não vai pra aula?
– Só estava falando com minhas irmãs. Agora que você tocou no assunto... Vamos. — Pegou a cesta de Yekaterina — Obrigado, mana. Vamos, Arthur?
– Yes.
O inglês e o russo caminharam juntos para o bloco de astronomia.
– Eu ouvi direito, Ivan? Sua irmã quer casar com você?
A expressão do maior mudou. Ele havia ficado assombrado com a ideia:
– Não... Você ouviu bem.
– Mas ela não é sua irmã?!
– Na verdade crescemos no mesmo orfanato. A Natália, a Yekaterina e eu. Irmão foi algo que surgiu. Mas não temos nenhum laço. — Voltou a sorrir — Tem notícias de Francis?
– Ele está fazendo companhia pro Kiku. Acho que está bem.
– Yao me disse que Kiku não gosta de companhia.
– Ele acabou aceitando depois que Alfred insistiu. Queria agradecer pelo Francis ter dado abrigo ao irmão dele um dia desses.
Ivan parou de andar de repente
– I-Ivan!?
A áurea roxa demoníaca envolvia o maior, que estava com um olhar assassino.
–--
– Tadaima!
Já era noite quando Kiku entrou no apartamento. Foi para a cozinha e viu Francis usando avental e luvas de borrachas, lavando uma pilha de louças. Algo cheirava muito bem vindo do fogão.
– Francis-san? Eu achei que tinha deixado tudo arrumado antes de sair.
– Eu fiz uma nova bagunça, mon cher. Um cozinheiro que se preze deve saber manter a cozinha em ordem depois de usá-la.
– Você é bem diferente de Alfred-san. Eu estava acostumado a ficar com o serviço da casa.
O loiro sorriu sem deixar de olhar para o que fazia:
– Vou levar isso como um elogio. Por que não toma um banho e troca de roupa? Quando terminar, o jantar vai estar prontinho pra você.
Kiku abriu um pequeno sorriso:
– Tem certeza que não quer ajuda?
– Não. Pode ir.
– Hai.
O japonês caminhou até o quarto e fechou a porta.
A campainha tocou. Francis desligou a torneira e tirou as luvas.
– Quem deve ser? Será que Kiku esqueceu alguma coisa na... – Abriu a porta e logo a mão do russo invadiu o lugar e capturou o pescoço do francês – ARHG! I-IVAN!?
– Levou alguém pro nosso apartamento e ainda mentiu pra mim.
– M-mentir! I-isso é m-muito relativo! S-Socorro!!
– Eu não consegui dormir por causa daqueles malditos gemidos...
De repente Kiku apareceu correndo para segurar o braço do russo.
– Ivan-san, por favor, pare! O que aconteceu? Você está na minha casa!
O russo olhou para o japonês e depois de pensar um pouco, largou o francês e abriu um sorriso falso.
– Digamos que tenho alguns assuntos para reolver com meu colega de quarto.
– Ivan-san, não posso simplesmente permitir que entre na minha casa e faça o que bem quiser com francis-san.
Silêncio. Kiku estava tenso.
O russo largou o francês, mas ainda lançava a ele um olhar assustador.
– Vou esperar seu retorno, Bonnefoy. — Deu meia volta e saiu do lugar.
Kiku rapidamente trancou a porta enquanto Francis tinha vontade de se encolher num canto e chorar de medo:
– Essa não! Quando eu voltar ele vai me matar, estuprar meu cadáver e dançar sobre o meu túmulo!
– Francis-san, o que você fez?
– Nada! Só levei uma visita pra casa sem avisá-lo e ele ficou assim! Agora eu estou morto! Serei a coisa morta mais bela que já existiu!
– Onegai, não faça tanto drama. Está tudo bem. Depois Ivan-san esquece isso.
– Ele não vai esquecer! — Nessa hora seu celular tocou — Espere. — Atendeu — Alô?
– FRAN, VOCÊ TA VIVO! GRAÇAS A GOTT! EU ACHEI QUE IA VÊ-LO NUM CAIXÃO, CARA! — Gilbert estava desesperado.
– O FRAN TA VIVO? – A outra voz era de Antônio – GRACIAS, DIOS MIO!
– FRANCÊS FILHO DA MÃE! EU PROMETI QUE NÃO TOMARIA UMA GELADA POR UM MÊS SE VOCÊ ESTIVESSE VIVO! UM MÊS! E o Antônio prometeu que não ficaria com ninguém.
– EU O QUE?!
– Parem de gritar os dois! – O francês estava com o celular bem distante do ouvido – Eu mal consigo ouvi-los! Gil, o que aconteceu?
– Arthur nos contou que dedurou você, Fran! Ele também está preocupado!
– NÃO ESTOU NÃO! – Dessa vez foi Arthur que gritou.
– Diga para esse sobrancelhudo que eu estou vivo graças ao Kiku! Caras, amanhã tenho prova. Eu preciso estudar.
– Ta certo. Quando esse mês passar, você terá que pagar todas as geladas que eu merecer!
– Eu não mandei você prometer nada, alma penada! Agora tchau. Depois a gente se fala. – Desligou.
O japonês não sabia o que dizer. Francis passou a mão pelos cabelos e tentou colocar as ideias no lugar.
– Mon Dieu! A comida! — Saiu em disparada para a cozinha ao lembrar que tinha algo no forno.
–--
– Parece que seu dia ontem foi agitado.
Falou Sadik, o turco que havia servido de barman no primeiro show da Free Soul. Ele estava junto de Kiku e de um grego preguiçoso de cabelos castanhos e olhos verdes chamado Heracles.
– Ivan-san é bem severo, Sadik-san.
– E o francês?
– Bem... Eu não tenho do que reclamar. — Sorriu — Francis-san é um pouco diferente, mas é um bom colega de quarto.
Heracles olhou para o japonês e depois para o céu:
– Eu já troquei algumas palavras com Francis. Ele não é má pessoa.
– Porque é tão pervertido quanto você, calouro. — Alfinetou o turco.
O celular de Kiku tocou, e os três pararam de andar quando o japonês atendeu.
–Moshi moshi.
– É o Francis, Kiku. Terminei minha prova e estou com uma amiga do bloco de oceanografia em casa. Você vai voltar logo?
– Sumimasen, mas terei duas aulas no período da tarde, por quê?
– Não é nada. Apenas achei que poderíamos almoçar juntos.
– Não se preocupe. Eu almoçarei com meus amigos.
– Está bem. Bons estudos.
– Arigato gazaimasu. — Desligou.
Heracles coçou a cabeça e depois de esperar muito, falou:
– Vai ter aula, Kiku?
– Hai. Por que?
– Eu vim do seu bloco. Ouvi dizer que as aulas foram suspensas por hoje porque estão fazendo uma remoção de fungos.
– E-eu não sabia disso...
– Vamos lá se certificar. — Dizia Sadik — E se suas aulas realmente foram suspensas, que tal irmos pra minha casa? O austríaco vai com a sua cara.
– Não. — Heracles se aproximou do menor — Ele vai pra minha. Gupta gosta dele.
– Quem disse que vai?
– Kiku é meu amigo.
– Seu nada!
– É sim.
Uma gota escorregou da testa do japonês:
– Acho melhor escolhermos outro lugar.
–--
– Ahh! Ahh! Ahh!
Uma garota morena de cabelos amarrados em laços vermelhos gemia no sofá da sala enquanto era penetrada vigorosamente. Francis havia deitado-a no sofá e invadido-a por baixo da saia após se livrar da calcinha. O membro entrava e saia enquanto o francês apalpava os seios dela, descobertos pela blusa e sutiã levantados.
– Ahh!! Francis! Aahhh!! Aahhh!! – Ela se contorcia e gemia deixando a saliva escorrer.
Francis a agarrou pela cintura para ela sentar em seu colo e a beijou lascivamente enquanto penetrava-a. Os seios dela faziam atrito com o peitoral dele enquanto as estocadas aceleravam.
A garota se separou do beijo para gemer cada vez mais alto e quandose curvou para trás, Francis colocou a boca num dos seios, sugando enquando movia o quadril para frente.
Tanto a garota quanto o rapaz moviam o baixo ventre para frente, tornando o prazer cada vez mais crescente. Com o rosto vermelho, a moça olhou para baixo vendo a penetração e sua boca mantinha-se em busca de ar.
O baixo ventre do loiro ia cada vez mais rápido e a garota apertou os olhos dando um gemido mais alto. Seus seios balançavam com a força que o francês imprimia nas estocadas enquanto ele apertava as nadegas dela.
– Aahhh!! Aahhh!! Francis! — Ela praticamente cavalgava no membro dele — Aaaah! Aaaah! A-AAAAAAAAAAH!!
Não havia hora pior para a porta se abrir e Kiku ver o casal, juntamente com Sadik e Heracles.
– AHH! –A garota deu um grito de pânico ao vê-los.
Francis perdeu toda a cor. Já o japonês corou até os cabelos e não conseguiu sair do lugar de tão chocado que estava. De repente Heracles o puxou pra perto e cobriu seus olhos, enquanto Sadik dava um passo à frente.
–Que porra é essa? Desde quando podem fazer o que bem quiserem nessa casa?
Kiku se desvencilhou de Heracles e foi embora correndo.
–--
– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Gilbert e Antônio estavam com a barriga doendo de tanto rir. Já Arthur estava com as mãos cobrindo o rosto, sentindo pena da situação do francês.
– Frog, como você vai fazer isso na sala DOS OUTROS?
– O quarto do Alfred cheira a hamburger! Acaba com qualquer tesão! E Kiku tinha me dito que teria aula! Como eu ia saber que elas foram canceladas?
– Você pisou na bola, Fran! – Antônio limpava uma lágrima de riso — E a garota de Seychelles?
– Disse pra eu nunca mais aparecer no bloco de oceanografia.
Os dois voltaram a rir.
– Parem com isso! Não é engraçado!
– Como não? – Gilbert já estava sem ar – Você resolve trepar com a garota na cozinha e é flagrado por três caras! Pior! Dizem que aquele grego é mais tarado que você! Não sei como ele não pediu pra participar!
– Vocês não entendem... – o baixista afundou o rosto entre as mãos – Eu estraguei tudo. Ter o Kiku como colega de quarto é como estar no paraíso. Não me importaria em ser acordado por ele todos os dias, não importa a hora.
Os dois pararam de rir. Arthur olhou mais atentamente para o baixista.
– O Alfred confiou em mim e me cedeu o quarto. E Kiku tem me tratado muito bem. É um ótimo anfitrião.
– Francis...
– Eu realmente pisei na bola, turma. Não queria fazê-lo passar essa vergonha, ainda mais na frente dos amigos. Agora ele nem deve querer ver minha cara.
Arthur deu um pescotapa nele.
– Ai!
– Se você pisou na bola, volte e tente consertar, frog!
– Arthur...
– O sobrancelhudo tem razão, cara. – Gilbert concordava voltando a rir – Você já garantiu a diversão por hoje. Pode voltar e consertar as coisas.
– ...
–--
Kiku estava lavando a louça do jantar. Estava distante, sério, sentindo um incômodo mal estar.
– Kiku?
Era a voz de Francis.
O coração do japonês deu um salto, mas ele não demonstrou qualquer sentimento.
– Okaeri, Francis-san. — Disse friamente.
Francis aproximou-se da torneira e a desligou. Só assim conseguiu a atenção do menor.
– Francis-san, eu...
– Pardon, Kiku.
Os olhos do asiático se abriram mais.
–Pardon. — Repetiu o loiro — Eu sei que as coisas não são tão fáceis assim, mas eu sinto muito. Eu devia ter respeitado sua casa. Mas agora é tarde demais pra isso. Eu pegarei o resto das minhas coisas e nunca mais...
– Não faça isso.
O murmúrio simples e objetivo de Kiku fez Francis se calar. O japonês estava com a cabeça baixa e o olhar triste:
– Eu tenho muitas dificuldades de dividir as coisas com alguém. Sou assim desde criança. Só que... As vezes não quero ficar só.
– Kiku...
– Eu me arrependi quando sai da casa de Arthur-san. Então sai do meu isolamento e conheci Alfred-san com todos os defeitos dele. Eu tenho vontade de ficar sozinho de novo, mas eu sei que quando isso acontecer, vou me arrepender de novo.
Francis ouvia tudo atentamente, sentindo a áurea de tranquilidade emanada do anfitrião.
– Alfred-san está me mostrando que eu posso conseguir conviver com outras pessoas, mesmo me sentindo pressionado por elas. E... Francis-san também tem defeitos... Eu posso me acostumar com eles... Posso me acostumar com todos vocês... — O japonês ergueu a cabeça para olhar para os orbes azuis — Só não deixe eu me acostumar com a solidão.
Silêncio.
Calmamente, as mãos de Francis seguraram o rosto de Kiku, e quando o menor deu por si, o loiro havia fechado os olhos e beijado sua fronte. O rosto do japonês corou sutilmente com aquele gesto, mas não houve nenhuma resistência.
– Francis-san...
– Alfred tem sorte de morar com alguém como você. Acho que no fim tenho o colega de quarto que mereço. — Soltou-o e deu meia volta.
– Aonde vai?
O loiro sorriu:
– Al só voltará daqui a dois ou três dias, não é? Ainda posso ficar no quarto dele.
Kiku pareceu surpreso. Francis sorriu e entrou no quarto para trocar de roupa.
Continua
Notas finais
Quis fazer uma coisa focada no Francis e no Kiku. No próximo terá mais Free Soul pra vocês. ^^
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